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30 de setembro de 1985 - O cinema francês perde Simone Signoret

Simone Signoret Reprodução

"O segredo da felicidade no amor não é ser cego,
mas saber fechar os olhos quando necessário
."
Simone Signoret

Morre Simone Signoret. Jornal do Brasil: terça-feira, 1º de outubro de 1985.

O cinema francês perdeu Simone Signoret, 64 anos, que viveu seus últimos dias com ar de leoa cansada, doente, até ser derrotada por um câncer contra o qual lutou até o fim. Em seu último trabalho para o cinema, L´Etoile du Nord, rodado em 1981, já tinha perdido 15 quilos, mas sua força e vitalidade continuavam intocadas.

Falar de Simone Signoret é falar de Yves Montand, com quem vivieu uma paixão de 36 anos. É falar de uma mulher que participou ativamente da vida política de seu país e do mundo. É falar de uma grande atriz que nunca quis ser estrela, mantendo ferozmente a individualidade, a vida à margem da ficção das telas. É, ainda, lembrar a escritora que, nascida tardia no livro de memórias La Nostalgie N´est Pas Ce Qu´elle Étail, terminaria por cristalizar-se em seu único romance: Adeus Volodia, escrito já no outono de uma vida bela e plena.

Nascida Simmone Henriette Charlotte Kaminker a 25 de março de 1921, em Wiesbaden, na Renânia alemã, então ocupada pelos franceses, era filha de um judeu que servia no Exército da ocupação. Ainda menina, já sonhava com o teatro e o cinema, mas tem os sonhos truncados pela guerra. Com a invasão alemã em 1940, perde a companhia do pai, que foge para Londres e, meio judia, passa a viver sozinha em Paris. Nessa época, ingressa na carreira artística e faz amizades com diversos intelectuais, entre eles, Jacques Prevet e Pablo Picasso, tempos que chamaria mais tarde de anos de aprendizado.

Depois da guerra e de um breve casamento, vem o amor. Em 1949, encontra Yves Montand em Saint-Paul-de-Vence. A paixão é definitiva. Desde o começo, é uma relação única. Ela o acompanha em seu engajamento ideológico de esquerda e nas lutas pelos direitos do homem. Cada um faz sua carreira, Yves como cantor e ator de primeira grandeza e Simone como atriz completa, uma atriz que desabrocharia definitivamente bela - atrozmente bela - como uma mulher da Paris de 1900.


Seguem-se papéis memoráveis em Theresa Raquim, de Marcel Carne, As Diabólicas, de Clusot, As Feiticeiras de Salem, com a qual estréia no teatro ao lado de Montand. Depois de filmar Les Chemins de la Haute Ville, de Jack Clayton, na Inglaterra, ganha o prêmio de melhor atriz em Cannes em 59 e o Oscar de melhor interpretação feminina no ano seguinte em Almas em Leilão.

Mas, mesmo no auge da carreira, não perde a perspectiva política que deu à sua vida. Comunista militante, junto com Montand até 1956, quando os russos esmagam a insurreição húngara, visita o Kremlin e diz na cara de Krutchev o que pensa. Abandona o partido, mas não a causa política. Com mais 12 intelectuais assina um manifesto de apoio aos argelinos revoltados contra o domínio colonial francês. Direito à Insubmissão, intitula-se o panfleto, e por dois anos ela não volta a Paris. Com Sarte e Foucault, protesta contra a Guerra do Vietnam e depois em favor dos boat people refugiados daquele país. Denuncia as ditaduras e as torturas no Chile e na Argentina e apóia a Solidariedade na Polônia. Endossa o SOS Racismo, movimento para protestar contra o chauvinismo de alguns franceses de direita face a africanos e árabes que vivem na França.

Sua carreira abrange mais de 50 filmes, desde superproduções até filmes políticos. Os anos e a doença pesam., mas sua natureza radiante não faz disso uma tragédia: "A velhice é algo a que nos acostumamos. Quando fiz 40 anos, achei que estava doente. Depois, se há felicidade, leva-se na brincadeira".

Corajosa, lúcida, foi grande até o final. Até as 7h30 da manhã do início de um outono francês, quando seus olhos se apagaram. Mas sua luz, a luz de alguém que olhou a vida corajosamente de frente em todos os momentos, a luz dessa mulher de todos os combates, que amou e foi amada por seu público, brilhará para sempre.

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29 de setembro de 1908 - Morre Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de outubro de 1908
O autor da obra mais consagrada da literatura brasileira, Machado de Assis, 69 anos, morreu em sua casa no bairro carioca do Cosme Velho. Chegava ao fim o sofrimento em que sobrevivia desde a perda da sua esposa, Carolina, três anos antes.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, nesta cidade. De origem humilde, neto de escravos alforriados, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira portuguesa, o escritor soube vencer dificuldades de toda ordem até tornar-se um dos mais respeitados nomes da nossa literatura. Autodidata por necessidade e aptidão, aos 16 anos publicou o seu primeiro trabalho literário, e conquistou o seu primeiro emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. No ano seguinte começou a escrever durante o tempo livre. Seu primeiro romance, Ressureição, foi lançado em 1872.
reprodução

Machado de Assis foi um autor singular no panorama literário do seu tempo. Primou pelo uso essencial das palavras para exprimir seu pensamento. Usou intensamente recursos de metalinguagem e envolveu a participação do leitor em suas narrativas. Exercitou a ironia e o sarcasmo como ferramentas de crítica social.


O conjunto de sua obra retrata a coexistência do amor e do ciúme, da verdade e da mentira, do ser e do parecer. Chama a atenção para a ambiguidade e as sutilezas emocionais dos seus personagens, e para as mazelas da sociedade do seu tempo. A sua obra mantém-se tão atual e tão influente quanto há um século atrás. Desde sempre revisitado por gerações, os estudos de sua obra são incontáveis. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e dramaturgo, foi fundador Academia Brasileira de Letras, instituição que presidiu de 28 de janeiro de 1879 até o fim da vida.


Quem respirava de perto

Jornal do Brasil: Edição especial 'Jornal do Século'

O enterro do insigne homem de letras, Machado de Assis, foi velado por amigos do timbre de Euclides da Cunha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e todos os colegas da ABL.

Rui Barbosa, com sentimento e eloqüência, fez o discurso de despedida: "Designou-me a Academia Brasileira de Letras para vir trazer no amigo que de nós aqui se despede.(...) Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os contemporâneos, da elegância e da graça, do aticismo e da singeleza no conceber e no dizer: é o que soube viver intensamente da arte, sem deixar de ser bom. (...)"

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Os vencedores das frases são:

Eduardo Roberto Vicentini - Vasco da Gama
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28 de setembro de 1871 - A Lei do Ventre Livre

O Centenário da Lei do Ventre Livre. Jornal do Brasil: terça-feira, 28 de setembro de 1971

Há exatamente 140 anos, a Princesa Isabel, em nome de D. Pedro II, fazia saber a todos os cidadãos do Império que a Assembléia-Geral decretara e ela sancionava a lei determinando que os filhos de todas as mulheres escravas, que nascessem a partir daquele dia em todo o país, eram considerados de condição livre.

O projeto, aprovado na Câmara dos Deputados, teve 65 votos favoráveis e 45 contrários. A maior parte dos votos contrários estava entre os cafeicultores de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Como foi aprovada sob o Gabinete de Visconde do Rio Branco, membro do Partido Conservador, a lei também fico conhecida como Lei Rio Branco.

A Lei do Ventre Livre oferecia aos filhos de escravos, duas opções: poderiam ficar com seus senhores até atingir a maioridade, que era de 21 anos à época, ou serem entregues ao governo para arriscar a sorte na vida. Quase todos os ingênuos ficavam com seus senhores, estes dispensavam apenas doentes, cegos e deficientes físicos.

Produto de longas articulações políticas lideradas pelo próprio Imperador, a Lei do Ventre Livre recebe, até hoje, interpretações diversas. Para uns, representou passo decisivo para o fim da escravidão no Brasil; para outros, foi apenas uma manobra hábil que reteve por mais de uma década o movimento abolicionista. Para uma terceira corrente, a Lei, além de libertar os escravos, foi o último ato soberano da Monarquia.

Leia também:
13 de maio de 1988 - O centenário de uma abolição questionada

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27 de setembro de 1981 - Pixote, a Lei do Mais Fraco, conquista o Biarritz

Pixote, a lei do mais fraco revela a dura realidade da deliquência juvenil brasileira. Jornal do Brasil: Terça-feira, 29 de setembro de 1981


Já premiado na Suíça, foi a vez de Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco vencer o Grande Prêmio do Festival de Cinema Ibérico e Latino-Americano de Biarritz, na França, além do Grande Prêmio do Público, laúrea instituída pela primeira vez naquele festival.

Premiado na Europa, Pixote foi recebido no circuito norte-americano como um nocaute, ao tratar de questões sociais sérias, do drama brasileiro de delinqüentes juvenis sobreviventes dos reformatórios ineficazes e das realidades brutais. E se beneficiou da continuidade dos lançamentos de filmes brasileiros de qualidade no mercado norte-americano. Depois de uma longa pausa após o cinema novo e os anos 60, o cinema contemporâneo brasileiro voltou a subir na cotação a partir de 1978, sem o vigor vanguardista anterior, mas com um acabamento formal que visava aos grandes mercados. Assim, seguiu os passos de Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto; Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues; e Gaijin, de Tizyka Yamazaki.



Pixote é um menor abandonado que mora nas ruas e faz roubos para sobreviver. Com passagens por reformatórios, aprende a se virar com o convívio com todos os tipos de criminosos e deliquentes. Traficante, cafetão e assassino, com apenas 11 anos de idade. Coube a Fernando Ramos da Silva e Marília Pera a interpretação dos principais papéis do filme.

Pixote suscitou muitas polêmicas, inclusive ideológicas. Alguns críticos disseram que Babenco explorou a situação da miséria no Brasil, até para fazer sensacionalismo com a sexualidade da marginalização. Houve também tentativas de censura às cenas tidas como mais fortes.

O filme de Babenco foi encurtado para exportação, passando a durar duas horas e apresentado uma narração inicial que lhe deu um tom quase didático. Babenco aparece em cima de uma favela. Apontando para baixo, lê algumas estatísticas do Brasil dos anos 80: "Mais de 50% da população do Brasil têm menos de 21 anos, e há 3 milhões de crianças sem lar... Não existem crechês ou serviços sociais para atendê-las e enquanto os pais ganham a vida, elas vagam pelas ruas, vítimas de crimonosos mais velhos que se aproveitam do fato de a lei não perseguir menores de 18 anos para tornar os menores cúmplices ou perpetradores de crimes".

Anos mais tarde a vida imitaria o cinema. Menino de rua, Fernando Ramos tornou-se ator ao ser escolhido para viver o personagem Pixote. Considerado uma revelação, colheu alguns louros daquela conquista. Mas, embora tenha tentado continuar na carreira, a falta de oportunidades o levou novamente às ruas e à criminalidade em Diadema, SP. Sob suspetia de cometer um assalto, aos 19 anos, sem camisa e desarmado, Fernando foi morto com 8 tiros por policiais.

Leia também:
5 de janeiro de 1982: Marília Pera eleita a atriz do ano de 1981

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26 de setembro de 1960 - O inflamado discurso de Fidel na ONU

Primeira página: Terça-feira, 27 de setembro de 1960.

"Cuba dará, também, seu grão de areia para que o mundo se entenda... Cuba deve constituir, para o mundo, neste momento, uma preocupação, porque é um dos problemas mundiais... Dizem que em Cuba não existe a paz que o mundo deseja... Mas somos nós, cubanos, representantes de Cuba, merecedores do mau tratamento que temos recebido?"

Com essas palavras o Primeiro-Ministro de Cuba Fidel Castro abriu o discurso mais longo até então proferido da tribuna da Assembléia Geral da ONU, fazendo um pronunciamento inflamado contra os EUA, no qual ratificou as acusações levantadas desde que assumiu o poder em janeiro de 1959. No ponto máximo de seu discurso Fidel declarou: "Cuba já não recebe ordens da Embaixada dos Estados Unidos". Afirmou que as dificuldades com os americanos começaram com a lei da reforma agrária, já que esta afetava diretamente os interesses monopolistas dos EUA. Entre as acusações reiteradas estavam a sustentação da ditadura de Fulgêncio Batista com a influência militar americano; a famigerada agressão econômica encabeçada pelos EUA contra Cuba, com a redução da cota açucareira; os ataques aéreos advindos de bases americanas ao território cubano e o isolamento imposto a Cuba sob o pretexto da segurança americana. Defendeu o desarmamento. Propôs o modelo cubano como inspiração aos países da América Latina no desenvolvimento econômico independente do capital estrangeiro. Pediu ao Ocidente que preservasse a África, e respeitasse a natureza, e a cultura dos seus povos.

Fidel foi aplaudido por delegações dos países comunistas e africanos. Em sua maioria, os delegados latino-americanos mantiveram-se em silêncio. O Embaixador americano na ONU, James Wadsworth, comentou que o líder cubano fizera somente acusações, já rechaçadas pelos EUA.

A aguerrida reestruturação de Cuba

No início dos anos 60 Cuba tornou-se o centro nevrálgico da Guerra Fria. De um lado, os EUA tentavam desestabilizar o regime revolucionário cubano, e recuperar sua estratégica posição militar. Do outro, a URSS, em busca da hegemonia no bloco socialista, promovia Cuba decisivamente. O alto preço deste impasse coube à ilha caribenha, que, adotando uma política de defesa dos interesses nacionais e de combate ao imperialismo, passou a sofrer retaliações extremas, incluindo um rigoroso bloqueio econômico por parte do mundo capitalista. O isolamento de Cuba, contudo, não impediu a implementação do processo de socialização dos meios de produção e no ensino.

Confira também:
1973 - A morte de 'Mamma Roma'

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25 de setembro de 1956 - O início da parceria Tom Vinicius

"... um dos problemas mais sérios que me coube resolver foi a escolha do músico. Numa conversa com meus amigos Lucio Rangel e Haroldo Barbosa foi-me ponderado o nome do jovem maestro e compositor Antonio Carlos Jobim. Achei a idéia excelente e pus-me imediatamente em contacto com Tom, como é popularmente conhecido, resultando daí não apenas uma parceria, mas uma amizade que hoje sinto de grande importância para nós ambos...

Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de setembro de 1956 - página 10


... Confesso que a excelência do trabalho que me foi sendo pouco a pouco apresentado pelo compositor, excedeu tôdas as minhas expectativas. Os sambas criados especialmente para a peça, de parceria nossa, constituiram sem dúvida a parte mais agradável do nosso trabalho..."

Vinicius de Moraes,
sobre a escolha de Tom Jobim como músico de Orfeu da Conceição

A bilheteria da primeira encenação de "Orfeu da Conceição" no Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi em benefício da Associação Brasileira Beneficente de reabilitação, a ABBR. Contudo, um feito maior celebrou aquele dia 25 de setembro. Vinicius já era diplomata. Tom tinha 29 anos. Era a estréia de uma das mais importantes parcerias da música popular brasileira, reunindo o talento de um jovem músico ao de um poeta consagrado. Nesse primeiro trabalho, Tom musicou sambas de autoria de Vinicius, entre eles "Lamento no Morro" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Para saber mais sobre a obra, leia aqui!

Em 1958, com o alvorecer da Bossa Nova, Tom e Vinicius mantiveram a maestria musical, tornando-se dois dos principais nomes do movimento com obras como "Chega de Saudade". O sucesso de maior repercussão chegou em 1962: "Garota de Ipanema".

E outros clássicos marcaram a parceria musical e de amizade como "O samba do Avião", "A Felicidade", "Água de Beber", "Eu Sei Que Vou Te Amar", "Insensatez"'. A última obra em parceria foi "Cidadão da Gávea", feita pouco antes da morte de Vinicius em 09 de Julho de 1980.

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24 de setembro de 1968 - Morre Lucio Cardoso

Primeira página do Caderno B: Quarta-feira, 25 de setembro de 1968

"Quase seis anos atrás, um derrame havia paralisado seu braço de escritor. Mas em pouco tempo ele encontrou um novo meio de se exprimir, na escrita de uma tela e um pincel. Agora a interrupção foi definitiva. É doloroso, mas é verdade: o coração de Lucio Cardoso parou de bater". Jornal do Brasil

O escritor e artista plástico Joaquim Lucio Cardoso Filho, 56 anos, morreu no Rio de Janeiro, de complicações decorrente de um novo acidente vascular cerebral.

Uma produção cultural sombria e sinistra. Foi este o contexto da literatura de Lucio Cardoso: um universo atormentado, de contra-luz, desespero e solidão. Dono de uma obra marcada pela angústia, mergulhou nas questões existenciais pelas quais tinha obsessão. Deus, o homem, o destino, a carne e o pecado eram temáticas freqüentes em seus romances. Na busca incessante dos males da alma, Lucio enveredou também pelo caminho das artes cênicas. Escreveu peças de teatro, foi roteirista e diretor de cinema.

Mas uma madrugada de dezembro de 1962 interrompeu brutalmente sua carreira. Um derrame cerebral paralisou todo o seu lado direito, comprometendo também sua fala. Impedido de escrever ou ditar, foi forçado a encontrar outra saída para seu talento. A fatalidade foi superada por uma inabalável persistência. Logo começou a pintar com a mesma urgência e compulsão com que escrevia. Do pastel e do guache pintados com os dedos, passou para a pintura a óleo, quando adquiriu maior comando muscular e controle manual dos pincéis.

Mas foi com as sombras febris da sua literatura que conquistou um lugar de honra na cultura brasileira. Em 1966, a ABL conferiu ao artista o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra literária.

Com Clarice, uma intensa amizade

Foi com Lucio, autor de A luz no subsolo, Mãos vazias e Crônica da casa assassinada, que Clarice Lispector percorreu parte do seu mundo literário, encantada com a vida misteriosa e secreta do escritor. A parceria amorosa não se concretizou, mas a forte amizade possibilitou a descoberta de suas afinidades, entre elas a exigência íntima com que empreendiam suas obras. Para eles viver e criar eram indissociáveis.

Clarice externou a saudade do amigo numa crônica publicada no Jornal do Brasil após sua morte: "... Não fui ao velório, nem ao enterro, nem à missa porque havia dentro de mim silêncio demais..."

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23 de setembro de 1966 - O Massacre da Praia Vermelha

Massacre a estudantes de Medicina no Campus da Praia Vermelha. Jornal do Brasil, 24 de setembro de 1966


A Faculdade de Medicina da Praia Vermelha transformou-se num autêntico campo de batalha. O grande portão de ferro da faculdade foi arrebentado às 3h45, pela polícia. As forças policiais do regime militar espancaram cruelmente os jovens estudantes que haviam se abrigado no prédio da Faculdade Nacional de Medicina, e depredaram suas instalações.

Estudantes fecham todos os portões de acesso à Reitoria.

As portas da Universidade Federal estiveram fechada durante todo o dia anterior para a concentração de estudantes que pretendiam fazer várias reivindicações ao Reitor, e para comemorar, por determinação da recém-extinta UNE, o Dia Nacional de Protesto contra a Ditadura.


As manifestações se sucederam em vários outras Universidades do Brasil. O Chefe do Serviço de Relações Públicas da PM, Capitão Jorge Francisco de Paula, informou ao JB que todos os meios foram utilizados para conter a agitação estudantil, inclusive com a penetração de alguns oficiais à paisana no meio dos estudantes, aconselhando-os a irem para casa, como se falassem de colega para colega.

A Secretaria de Segurança da Guanabara informou em nota oficial que a intervenção policial na Faculdade de Medicina da UFRJ foi moderada, e que apenas 32 pessoas, entre as quais dez soldados, foram atendidas nos hospitais.

A invasão da Faculdade foi o ponto máximo do conflito, provocando a destruição parcial das instalações do Departamento de Bioquímica e do setor de Técnica Operatória.

Segundo o então Reitor Prof. Dr. Pedro Calmon, o conflito estudantil causou estragos em sete laboratórios. Informou ainda que a Faculdade ficaria fechada por 10 dias, prazo considerado necessário para a reparação dos danos havidos, e que todas as aulas estariam suspensas nesse período.

Outras efemérides de 23 de setembro:
1939 – Morre Freud, o pai da Psicanálise
1973 - Morre o camarada, poeta Pablo Neruda

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22 de setembro de 1897 - Guerra de Canudos: Chega ao fim a saga de Antonio Conselheiro

Livro de anotações de Antonio Conselheiro. Teixeira/AJB

Apontamentos dos preceitos da Divina Lei do Nosso Senhor Jesus Christo para a salvação dos homens, pelo peregrino Antonio Vicente Mendes Maciel no Povoado do Bello Monte, Província da Bahia em 24 de maio de 1895.

"Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer e se tiver sede, dá-lhe de beber, porque se isto fizeres, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". Antonio Conselheiro

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 04 de outubro de 1896
O Nordeste brasileiro no final do século XIX não era muito diferente de hoje. Além de estar à mercê da seca e da fome, a população carente vivia em total abandono por parte das autoridades. Foi nesse quadro social, ideal para a disseminação do fanatismo religioso, que entrou em cena o beato Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro. Intitulando-se enviado por Deus para acabar com as diferenças sociais e os pecados republicanos, percorreu o sertão pregando transformações e profetizando o fim do mundo. Conseguiu conquistar uma legião de fiéis confiantes no seu poder de libertação da extrema pobreza em que se encontravam. E despertou a ira das autoridades e da igreja que, temerosos de seu poder de persuasão, acusavam-no de fonte do mal. Para refugiar-se com seus seguidores, em 1893, Antonio Conselheiro chegou ao arraial de Canudos, no interior da Bahia, área isolada e de difícil acesso onde começou a formar uma grande comunidade de pobres e maltrapilhos, com aproximadamente 30 mil pessoas.

Sem a habilidade necessária para contornar a situação, o governo da Bahia passou a repreender as práticas do grupo com a força policial. Eclodiram inúmeros, e cada vez mais violentos, conflitos, fazendo com que, exaurido, o governo baiano pedisse a interferência da República em 1896. Essa também encontrou dificuldade para conter os fanáticos. No início de 1897, foi necessário aliar às investidas do Exército um cerco militar que impedisse o grupo de sair em busca de alimento. Com a debilidade da comunidade, o massacre de Canudos passou a ser questão de tempo.

E no dia 22 de setembro acabava a saga de Antônio Conselheiro. Fragilizado fisicamente, morreu, segundo estudiosos, por estilhaços de uma granada. Considerado por renomados intelectuais da época como um desajustado mental, Antônio Conselheiro foi decapitado, depois de morto. E sua cabeça foi utilizada em estudos científicos.

Sem a égide de seu líder, em poucos dias, a comunidade de Canudos foi dizimada. O massacre foi tamanho que não foram poupados idosos, mulheres e crianças.

Euclides da Cunha, em seu livro Os Sertões, eternizou este movimento que evidenciou a importância da luta social na história de nosso país. E simbolizou a descoberta de um mundo desconhecido para o próprio brasileiro: os sertões.

Leia outras efemérides de 22 de setembro:
1975 – Gerald Ford escapa de atentado a bala
1977 - A violenta invasão da PUC-SP
1980 - Começa a Guerra Irã-Iraque

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1909 - A Primavera de Sangue

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 23 de setembro de 1909

Foi num dia claro com Sol de primavera que se desenrolou a cena bárbara, selvagem, inacreditável e desumana nesta capital. No deplorável acontecimento, que veio patentear a inaptidão da força armada, atentou-se contra as vidas de pessoas indefesas. No final, dois acadêmicos morreram assassinados pela força pública.

Os acadêmicos das escolas superiores vinham fazendo manifestações contrarias a diversas autoridades e pessoas de alta posição social, mas nunca tinha havido intervenções das forças policiais para reprimir distúrbios. Obedecendo à praxe dos anos anteriores, os estudantes da Faculdade de Medicina levavam a efeito a festança, à qual que se associaram alguns colegas de outros cursos superiores. Quando os estudantes seguiam pela rua Senador Dantas, surgiu, em sentido contrário, uma carroça da Força Policial, transportando uma banda de música. Os estudantes gritaram para o cocheiro que se detivesse, no que não foram atendidos. A carroça foi atirada brutalmente contra os acadêmicos que, indignados, protestaram em altas vozes.

Valeu-lhes isto serem chicoteados pelo cocheiro da carroça. Em face desta agressão, resolveram os estudantes ir ao Quartel da Força Policial. Recebido pelo General Souza Aguiar, que sabia que a queixa era contra um de seu subordinado, declarou aos acadêmicos que o incidente não tinha valor algum, e que se houvesse algum culpado no caso, ele estaria entre os estudantes que costumavam fazer impunemente as suas desordens. Tendo em vista a maneira que foram recebidos, resolveram os estudantes fazer o "enterro" do General Souza Aguiar. A Força Policial recebeu avisos que os estudantes pretendiam ridicularizar o comandante daquela corporação.

Uma manifestação de desagrado
Saiu da Faculdade de Medicina o cortejo dos estudantes. Eles levavam um grande caixão de pano negro, com diversos emblemas e dizeres. Em cima do caixão foi colocado uma coroa roxa com uma faixa com a frase Ao General Souza Aguiar - recordação dos estudantes. No largo de São Francisco, quando chegou o cortejo, alguns indivíduos mal-encarados saltaram à frente de um estudante, agredindo-o à torto e a direito. Os atacantes estavam como fúria. Ouvia-se de todos os lados as exclamações: "É soldado à paisana! É soldado!" Neste episódio morrem dois estudantes.

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20 de setembro de 1971 - Morre o poeta grego Giorgios Seferis

Morre Giorgios Seferis. Jornal do Brasil, terça-feira, 21 de setembro de 1971.

"E aquele corpo que queria florir como um ramo, dar frutos, virar flauta quando os gelos chegassem à imaginação, extraviou num enxame de sons, para que através dele, torturando-o, o tempo musical fosse passando..."
Giorgios Seferis

Vítima de pneumonia dupla e trombose coronária, morreu Giorgios Seferis, 70 anos, poeta, Prêmio Nobel de Literatura e severo crítico do Governo militar de Georgios Papadopoulos, a quem considerava "completamente contrário aos ideais pelos quais o mundo e o nosso povo lutaram na última guerra". Ele estava hospitalizado há dois meses por causa de uma hemorragia interna. Sofreu duas intervenções cirúrgicas de urgência no período, e não conseguiu recuperar-se. Precisou submeter-se a transfusões de sangue e depois vieram as complicações respiratórias.

Seferis, que era diplomata de carreira, se recusou a publicar seus trabalhos desde o golpe militar de 1967 que derrubou a monarquia grega. Dois anos depois, quebrou seu silêncio para apoiar um manifesto assinado por 18 outros intelectuais contrários ao regime, e divulgou textos antiditatoriais.

Prêmio Nobel da Literatura de 1963, diplomata desde 1931, Embaixador do Governo grego em Londres de 1957 a 1962, Seferis passou os últimos anos de sua vida como prisioneiro virtual do regime militar de seu país, que lhe recusou em 1970, permissão para ir à Itália, onde estava sendo homenageado pelos 70 anos.

Girogis Seferis. Reprodução
Nascido em a 13 de março de 1900, foi fortemente influenciado pelo passado de seu país. E dizia frequentemente que sua poesia - que tem um ar tão clássico, referia-se ao presente, e nela, as referências ao passado eram ainda alusões à realidade presente. Mas ele esboçava uma queixa, onde também havia orgulho: "Para um grego que tenha uma alma, que esforço para dominar o passado!"

Outras efemérides de 20 de setembro:
1935 - Centenária Revolução Farroupilha
1994 - Sophia Loren completa 60 anos

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19 de setembro de 1981 - Tragédia no Amazonas deixa mais de 300 mortos

Navio naufraga no Amazonas. Jornal do BRasil: Domingo, 20 de setembro de 1981.


Na madrugada do dia 19 de setembro o barco-motor Sobral Santos II, que transportava 530 passageiros e 200 toneladas de carga pelo Rio Amazonas com destino a Manaus, afundou na altura da cidade de Óbidos, no Pará. Apenas 187 pessoas sobreviveram ao desastre, considerado o maior naufrágio da história do rio.

O comandante do barco, preso após o acidente, disse que no momento em que o barco virou estava dormindo num camarote. Segundo a Capitania dos Portos, o barco tinha capacidade para transportar apenas 300 pessoas.

Segundo um dos passageiros, o comandante teria agido com indiferença às reclamações sobre o estado precário da embarcação,enquanto as infiltrações que inundavam o veículo desde o porto de Santarém aumentavam progressivamente. “Não há perigo. Este barco tem o casco de aço”, teria dito o capitão.

Sobral Santos II viajou durante nove horas pela rota muito bem conhecida até atracar no porto de Óbidos, às 3h30 da manhã. A maioria da tripulação dormia nos camarotes ou em redes penduradas sobre a carga, espalhada por todo o convés, como é costumeiro nesta região do país.

Na hora do desembarque, uma das cordas que prendiam o barco ao deque se soltou, fato que causou um rebuliço, sucedido de pânico. Centenas de pessoas, alarmadas e temerosas, correram em direção à saída, desestabilizando o peso do barco. Foi pouco para que a carga presa na extremidade oposta se desprendesse de seus compartimentos e rolasse na direção da multidão. O barco virou consumando a enorme tragédia.

Leia também:

Em 1989 – Avião desaparece na Amazônia
Em 2000: Submarino russo afundou com 118 marinheiros

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17 de setembro de 1971 - A morte de Carlos Lamarca

Jornal do Brasil, Domingo 19 e segunda-feira, 20 de setembro de 1971

O Serviço de Relações Públicas da 6ª. Região Militar, sediado em Salvador, anunciou à imprensa a morte do ex-capitão Carlos Lamarca durante um tiroteio com agentes do CODI, no interior da Bahia, na zona do rio São Francisco. O chefe de Relações Públicas da 6ª RM, major Garcia Neves, relatou os detalhes da Operação – Pajussara, que culminou com a morte de Lamarca e Zequinha – amigo que o acompanhou até os últimos instantes.

Larmaca foi o último remanescente da trilogia de líderes subversivos brasileiros. Seus antecessores na liderança, Carlos Marighela e Joaquim Camara Ferreira, morreram em 1969 e 1970, respectivamente. O ex-capitão Carlos Lamarca estava condenado a 58 anos de prisão – 24 por furto de armas, 30 por ter seqüestrado uma viatura militar e 4 por atividades diversas da VAR-Palmares.

Lamarca havia ingressado no Partido Comunista Brasileiro em 1964. Em 1968 passa a ser membro VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), formada por Carlos Marighela.

Oficial formado na turma de 1960 da Academia Militar das Agulhas Negras, sendo lá que começa a ler o jornal "A Voz Operária", do PCB (o jornal era colocado debaixo dos travesseiros dos cadetes escondido). Começa seu interesse e simpatia com as idéias comunistas. Lamarca foi promovido a capitão em agosto de 1967, considerado um oficial de comportamento discreto que se destacava nos exercícios de tiro ao alvo, sendo hábil no manejo de qualquer tipo de arma.

Sua presença nos anais da subversão é registrada a partir de 27 de janeiro de 1969, quando o II Exército publicou um edital intimando-o a comparecer ao 4º Regimento de Infantaria. A Polícia do Exército, a Polícia Federal e a Polícia Estadual havia identificado elementos comprometidos com assaltos a bancos, roubos de dinamite e assassinatos. Entre os criminosos capturados, alguns tinham ligações com o capitão Carlos Lamarca. No dia anterior a nota, ele havia fugido da unidade, levando um caminhão carregado de armas e munição.

Em 1969 Lamarca é nomeado dirigente do VPR. Comprou um sítio no vale do Ribeira, usado para treinar militares para guerrilha até a prisão de Mário Japa, um dos dirigentes do VPR, quando o campo de treinamento é desmobilizado. Para salvá-lo, seqüestraram o cônsul do Japão. O cerco foi aumentando e Lamarca decide, junto com a ALN, seqüestrar o embaixador da Alemanha Ocidental em troca da publicação de um manifesto dos militantes de nome “Ao povo brasileiro”. Artigo publicado no dia 12 de junho. Em dezembro ainda comanda o seqüestro do embaixador suíço no Rio de Janeiro em troca de 70 presos políticos.

O cerco a Lamarca começou em março de 1971, com a prisão de uma subversiva no Rio, que interrogada, revelou a transferência das ações da VPR para o Nordeste e o Estado da Bahia para a sede. Em agosto, as autoridades estouraram um aparelho em Salvador e encontraram a amante de Lamarca, Iara Iavelberg, que suicidou-se com um tiro no coração.

Lamarca foi perseguido pelos órgãos de segurança por quase três anos. No dia 17 de setembro, Zequinha e Lamarca estava descansando embaixo de uma árvore quando foram cercados por 20 agentes do CODI, na localidade de Pintada, Município de Ipupira. Morreram fuzilados.

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Vida longa à Dona Canô, lição secular de calma e sabedoria



O Recôncavo Baiano está em festa. Dona Canô completa 104 anos! E Santo Amaro da Purificação preparou uma programação especial para celebrar o aniversário da moradora mais antiga da Cidade, com direito a café da manhã, missa na Igreja e muita festa.

Filha ilustre da histórica cidade baiana Santo Amaro da Purificação, Claudionor Viana Teles Velloso nasceu no dia 16 de setembro de 1907. Criada por sua mãe, sem a presença da figura paterna, talvez tenha sido esta a fonte inspiradora máxima da construção de Dona Canô. Na escola, menina prendada, aprendeu a costurar, falar francês e tocar piano.

Em 1931, casou-se com o agente de Correios José Telles Velloso, o Seu Zeca, com que construiu uma grande família com oito filhos: Roberto, Rodrigo, Mabel, Clara Maria, Irene, Caetano, Maria Bethania e Nicinha; criados, como ela constuma observar, num ambiente de união, aproximação.



Dona Canô é uma mulher de hábitos simples. Um deles que pratica com prazer é a culinária. Dizem que todos os dias, lá pelo meio da manhã, o cheiro de sua comida, gostosa e suculenta, invade os cômodas da casa branca de janelas azuis, se espalhando pela vizinhança, assanhando os estômagos mais afoitos em Santo Amaro da Purificação.

Festeira, também é presença certa nos eventos de sua cidade - como a tradicional Lavagem da Purificação que acontece todo mês de fevereiro. Mesmo reservada aos limites da pacata cidadezinha encravada no Recôncavo baiano - de onde aliás, saiu poucas vezes durante toda a vida, Dona Canô sempre participa da vida pública do país, dona de sabedoria que a acompanha lúcida, até hoje. Ano passado não abriu mão de seu direito ao voto e foi às urnas para ajudar a eleger a Presidente Dilma.

Este ano, Dona Canô esteve internada por duas vezes. Mas a saúde prevaleceu!

Um exemplo de mulher brasileira! Vida longa à Dona Canô!

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16 de setembro de 1977 - Silencia-se a a diva lírica Maria Callas

Maria Callas/Reprodução

Quem quiser me compreender realmente,
irá me encontrar inteira em meu trabalho
”.
Maria Callas


A grande diva da ópera mundial, Maria Callas, 53 anos, morreu de crise cardíaca, em sua residência em Paris numa tarde de sexta-feira. Sua última atuação pública, fora como diretora de ópera, quatro anos antes. Diferente do êxtase que causou na crítica ao longo da carreira, por essa experiência recebeu opinião quase unânime de que cometera um terrível engano. Foi seu trágico desfecho. Viveu reclusa desde então.


Morre Maria Callas. Jornal do Brasil: sábado, 17 de setembro de 1977.

Callas, cujo nome de família era Calageropoulos, nasceu em 2 de dezembro de 1923 numa Nova Iorque promissora de prosperidade e liberdade, animada pelas jazz-bands e pelo charme das mulheres livres dos espartilhos. Desde a infância, demonstrou acentuados dotes musicais, e começou a estudar canto aos oito anos.

Aos 13, com a separação dos pais, viajou para a Grécia com a mãe. No conservatório de Atenas, foi aluna da célebre cantora Elvira Hidalgo. Em 1938, estreou na Ópera de Atenas e logo depois, adotou o pseudônimo de Maria Callas, que alguns críticos interpretaram como um anagrama do Scala, de Milão. O sucesso chegaria nove anos depois, em Verona, Itália para consolidar uma carreira triunfal, com altos e baixos. Seu desempenho tido como milagroso, permitia-lhe abordar sem esforços obras dramáticas, líricas, ligeiras rendendo-lhe o reconhecimento maior da crítica, para a infelicidade de empresários que a amaldiçoavam em todos os idiomas: foi a única estrela da ópera mundial a romper com os poderosos do Scala de Milão, do Metropolitan de Nova Iorque, e do Teatro Lírico de Chicago - e sobreviver para contar a história.

Muito mais que um soprano de dotes extraordinários, Callas passou pelo canto lírico como um vendaval renovador, embora se possa dizer que a ópera foi apenas o seu ponto de partida. Dona de forte apelo felino, seus olhos grandes, seu rosto marcado pelos traços trágicos de uma personagem do teatro grego, sua personalidade mediterrânea fizeram-na transcender os círculos cada vez mais minguantes dos amantes do bel canto e tornar-se uma personalidade do noticiário internacional, com o mesmo destaque de celebridades do cinema e da música popular. E na verdade, viveu este papel até o fim.



Sua coleção de amores famosos encheram as páginas dos jornais de todo o mundo. Escândalos também não faltaram. Inclusive durante alguns espetáculos em que simplesmente interrompia sua apresentação, alegando problemas vocais. Muito especulou-se que ela tenha sido vítima de um emagrecimento forçado, para atender as exigências estéticas da época, o que acabou comprometendo seu controle emocional. Um sacrifício pela profissão, que assim definiu:

"A personagem Callas, eu a trago dentro de mim. Que é ser Callas? Não tenho a mínima ideia. Surpreendentemente, acho que essa personagem não vale nada. Isto é uma verdade. A outra verdade é que não gosto que a insultem. Eu sou uma mulher e uma artista sérias. Jamais tive a pretensão de ser 'grande". Deram-me a honra de me atribuir o título de "grande", de "prima-donna". Eu jamais pedi isso. Como não pedi os insultos. Fico triste quando o público não compreende, mas me consolo dizendo-me: "Amanhã me compreenderão". Quando me compreendem, tenho para eles um sentimento de reconhecimento:. Digo a mim mesma: "É isso, é realmente isso". Recebo cartas em que as pessoas me dizem que se sentem mais fortes quando saem de meus espetáculos. Ser Callas é uma religião que trago dentro de mim. É a minha religião".

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15 de setembro de 1935 - Aprovadas as Leis de Nuremberg

Jornal do Brasil: Terça-feira, 17 de setembro de 1935. Página 10

" O que a nação alemã desejou, em vão, durante séculos, possui hoje. A Alemanha é um povo unido de irmãos livres dos preconceitos que entravavam os tempos passados. A Alemanha está saneada no interior e no exterior. As suas instituições estão em ordem. A responsabilidade dos dirigentes do Reich é, por isso mesmo, mais considerável. Não pode haver para a nossa atitude integral, senão a diretriz do nosso grande e inabalável amor pela paz...".
Chanceler Hitler

Reprodução


O Parlamento alemão, Reichstag, formado por integrantes do Partido Nazista aprovou as Leis de Nuremberg defendidas e propostas por Hitler:


Lei concernente à bandeira. Dispõe que as cores da bandeira alemã são preta, vermelha e branca, contendo a cruz suástica.

Lei das modalidades sobre a cidadania e a nacionalidade. Estabelece uma distinção entre o "cidadão do Reich" , detentor de plenos direitos políticos e civís e "cidadão do Estado". Para ser Reichsbürger, a pessoa precisa provar que possui sangue alemão ou assemelhado e comprovar, através da manifestação da vontade e de ações, que servirá com fidelidade ao povo e ao Reich alemão.

Lei pela proteção do sangue e pela honra alemã. Convencido de que a pureza do sangue alemão é condição prévia da conservação do povo alemão e animado na vontade inflexível de garantir para sempre o futuro da nacionalidade alemã, o Reichstang promulga a lei nas seguintes condições: São proibidos os casamentos ou qualquer relação extra-conjugal entre judeus e cidadãos de sangue alemão. Os Judeus são proibidos de terem como criados em sua casa cidadãos de sangue alemão com menos de 45 anos. Os Judeus são proibidos de içar a bandeira nacional do Reich e de envergarem as cores do Reich. São previstos trabalhos forçados, multas e até prisões para casos de infração à lei.

As leis foram assinadas pelo chanceler do Reich e os ministros do Interior e Justiça.

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14 de setembro de 1927 - Morre Isadora Duncan, iniciadora da dança moderna

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 16 de setembro de 1927

"Vejo daqui a cena. No automóvel esguio de corrida, Isadora, com o seu chale maravilhoso, um chale de grandes dobras de seda, sinuosas e largas ao vento, lança-se para uma carreira infernal. Lá vai ela! O automóvel é apenas um bólido escuro. E a echarpe é uma flâmula cheia de graça! O dia, em Nice, está todo azul. O mar é um mar civilizado, calmo... Toda a paisagem é de um encanto sereno... Isadora e o seu grande manto que voa lembram uma de suas danças mais amadas. Inesperadamente, ela levanta os braços, altos, agudos, desesperados, como há anos no Municipal. É a mesma atitude. É a mesma expressão. É o mesmo gesto coreográfico. E cai. O pano desta vez não desceu. E Isadora Duncan ficou estendida, estrangulada, inerte. Ela havia dançado o último e mais trágico de seus bailados." Jornal do Brasil

Reservando a inestimável e trágica perda, a excepcionalidade do acidente que matou Isadora Duncan, 50 anos, não seria destino de outrem. Ambientado pelos detalhes que a cercaram a vida inteira - a beleza, a moda, a liberdade e a solitude dos palcos, o acidente foi um desfecho contundente, mas coerente com a sua história.

Ela era jovem quando chegou em Nova York, para apresentar seu novo estilo de dança livre. Sem despertar no público americano uma resposta conforme suas expectativas, partiu para a Inglaterra em busca deste reconhecimento. Com sua performance de vanguarda logo causou polêmica. E logo chegou o tão almejado sucesso. Com a primeira apresentação nos palcos de Paris em 1902, cativou de vez a Europa. E de lá, o mundo.



Precursora da emancipação feminina
Isadora Duncan. Reprodução / CPDoc JB
Iniciadora da dança moderna, a americana Isadora Duncan foi uma precursora da emancipação feminina. Com uma atitude transgressora e espírito livre, aliados à sua criativa personalidade, seu estilo revolucionário libertou a mulher da tortura dos coletes, das cintas e dos movimentos rigidamente disciplinados. E rompendo com os padrões clássicos, encantou o mundo com uma maneira inovadora de dançar: de pés descalços, coberta por túnicas leves.

Inspirava-se nas figuras dançantes dos vasos gregos de cerâmica. Como se ressuscitasse a expressão helênica, de singeleza, serenidade e elegância.


Outras efemérides de 14 de setembro:
1982 - Acidente de carro mata Grace Kelly, a Princesa de Mônaco

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13 de setembro de 1993 - Morre Austregésilo de Athayde

Jornal do Brasil: terça-feira, 14 de setembro de 1993

"Quando eu morrer, espero que em meu túmulo figure que fui um defensor do liberalismo e da democracia. Pois baseei minha vida nesses ideais". Austregésilo de Athayde

O escritor Austregésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras por três décadas e meia, morreu de parada cardiorespiratória, numa clínica no bairro carioca de Botafogo, 12 dias após completar 95 anos de idade.

Pai de três filhos, romancista e ensaísta que não se considerava um literato, mas um jornalista apaixonado pela profissão, "defensor do liberalismo e da democracia, pois baseei minha vida nesses ideais". Athayde foi um dos signatários da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948.

Batizado Belarmino Maria Austregésilo de Athayde, o escritor nasceu em Caruaru, interior pernambucano no dia 25 de setembro de 1898. Filho de um magistrado e de uma musicista, cresceu num ambiente intelectualizado na companhia de outros 11 irmãos. Aos 12 anos, seguiu para o Seminário, tendo estudado até o terceiro ano de Teologia. A carreira religiosa, no entanto, foi abandonada pela intervenção dos padres, preocupados com a falta de firmeza religiosa daquele rebelde que lia autores considerados perigosos na época. No início dos anos 20, já estabelecido no Rio, ingressou no vespertino A Tribuna, registrando assim o início promissor da sua carreira jornalística. Colaborou no Correio da Manhã e assumiu a direção de O Jornal (1924), órgão líder dos Diários Associados de propriedade de Assis Chateaubriand, com quem manteve 50 anos de amizade, nterrompida pela morte do empresário.

O primeiro romance de sua autoria Marion, jamais foi publicado, o que ele justificou "bastante triste para a obra, mas bastante propício para a literatura brasileira". Depois escreveu As histórias amargas (1921) - com prefácio de Coelho Neto e Quando as hortênsias florescem. E vieram ensaios, crônicas e estudos sobre a atuação política de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e outras personalidades reunidos em Mestres do liberalismo (1952). Escreveu também Vana verba(1966), Epístola aos contemporâneos(1967), Conversas na barbearia Sol (1971), Alfa do Centavo (1979), entre outros.

O homem que tinha em sua biblioteca 40 mil livros, inclusive raras obras do século 16, foi testemunha privilegiada da história da República. De fôlego incansável, só se rendeu mesmo à pneumonia dupla que começou a se manifestar pouco menos de um mês antes do jornalista adbicar de sua imortalidade, conquistada 42 anos antes, ao entrar para a Academia Brasileira de Letras.

Outras efemérides de 13 de setembro:

1911 - Centenário de morte de Raimundo Correia
1989 - Desmond Tutu lidera manifestação contra apartheid
1993 – Israel e OLP assinam acordo de paz

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12 de setembro de 1977: Apartheid aniquila Steve Biko

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 14 de setembro de 1977 - página 9
"De acordo com dados fornecidos pelo Instituto de Relações Raciais de Johannesburg, com a morte de Biko eleva-se a 20 o número de negros mortos em prisões desde março do ano passado. A maior parte dos prisioneiros teriam "se enforcado nas celas, se atirado pelas janelas ou rolado por uma escada". (Jornal do Brasil)

Após quase um mês de reclusão, Bantu Steve Biko, 30 anos, foi encontrado morto no chão de uma cela vazia na Prisão Central de Petrória. Desse modo o regime racista da África do Sul se desfazia de um dos seus mais aguerridos líderes políticos. Seu ativismo, contudo, manteve-se vivo através de seus ideais, e o transformou num mártir contra a segregação racial, e em defesa do nacionalismo negro no país.

Tal como a maioria do seu país, Biko foi um sul-africano negro que cresceu numa sociedade segregada, condicionada ao menosprezo e às regras sociais impostas pela minoria branca. Movido pelo seu inconformismo diante desta violência social, ingressou cedo na luta por justiça e igualdade de direitos para os negros. A sua atuante participação nos movimentos estudantis logo projetou sua capacidade de liderança. Na proporção em que recrudescia o regime racial no país, fortalecia a sua interferência política, principalmente junto aos jovens, onde sua ideologia de consciência negra angariava mais convencimento. A popularidade o transformou numa ameaça aos planos das autoridades sul-africanas, que passaram a persegui-lo ostensivamente. Foram sucessivas as prisões até a última, durante um bloqueio policial rodoviário. Levado sob custódia para a sede da Divisão de Segurança, viveu seus últimos dias em cárcere sob seguidas sessões de tortura. Entre as seqüelas, um traumatismo craniano. O agravamento de seu estado de saúde forçou a sua transferência para a Prisão Central de Petória, onde chegou ao seu fim.

O ativista negro Steve Biko. Reprodução/CPDoc JB

Morte anunciada, crime impune

As circunstâncias da morte de Biko geraram uma série de protestos em todo o mundo, mas não foram levadas a juízo. Vinte e seis anos depois, a Justiça da África do Sul arquivou a ação contra cinco policiais acusados do crime. Apesar de deter informações de que Biko havia sido levado nu, algemado e inconsciente, na caçamba de uma viatura, para o Presídio de Pretória, o Ministério da Justiça concluiu que não havia evidências suficientes para sustentar as acusações de assassinato, em parte porque não existia nenhuma testemunha disposta a falar. As acusações de homicídio culposo e agressão também foram consideradas, mas o crime prescreveu e ficou impune.


Outras efemérides de 12 de setembro:
1957 - Fim da infinita agonia - Morreu José Lins do Rêgo
1996 – Morre Geisel, o ‘Presidente da abertura’

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O 11 de Setembro que aterrorizou a supremacia dos EUA

Jornal do Brasil, edição extra: Terça-feira, 11 de setembro de 2001

O 11 de setembro ficou marcado na história como um dia de terror para os norte-americanos e de perplexidade para o resto do mundo. Nesta data, há 10 anos, os Estados Unidos sofreram uma série de atentados terroristas que desestabilizaram o país e mostraram ao mundo a até então desconhecida vulnerabilidade de sua maior potência.



Coordenados pela organização fundamentalista islâmica Al-Qaeda e pelo terrorista saudita Osama Bin Laden, os atentados envolveram o sequestro de quatro aviões comerciais dos Estados Unidos e as suas colisões com alvos específicos do território norte-americano. O primeiro atentado aconteceu pouco antes das 9h da manhã (10h no Brasil), quando um Boeing 767-223 de um voo American Airlines, com 92 pessoas a bordo, chocou-se contra a Torre Norte do World Trade Center, um dos prédios símbolos da cidade de Nova Iorque. Poucos minutos depois um novo avião, dessa vez um Boeing 767-222 de um voo da United Airlines, com 65 pessoas a bordo, chocou-se contra a Torre Sul do World Trade Center. Um outro avião, com 64 pessoas em seu interior, ainda atingiria parte do Pentágono, em Washington, e outra aeronave, com 45 pessoas, cairia em um campo aberto na Pensilvânia antes de atingir o seu destino, presumivelmente o Capitólio. Pouco mais de uma hora depois do primeiro avião se chocar contra seu alvo, as duas torres do World Trade Center desabaram, levantando uma gigantesca nuvem de poeira e desespero por toda Nova Iorque. Além dos danos materiais às cidades atingidas, estima-se que os atentados causaram a perda de quase 3.500 vidas.



Consequências dos atentados
Após os atentados o Presidente norte-americano George W. Bush prometeu caçar os responsáveis pelos ataques, e uma onda de paranóia se espalhou por todo os Estados Unidos e nas suas relações com outros países. Os aeroportos do país tornaram a vigilância mais rígida, dificultando a entrada de estrangeiros, e os mulçumanos que vivem nos Estados Unidos passaram a ser hostilizados e investigados. Tendo como justificativa a luta contra o terrorismo, o país encrudeceu sua postura de intervenção internacional. Invadiu Afeganistão, o Iraque. E atualmente, apoia a ação militar na Líbia para derrubar Kadafi.

Outras efemérides de 11 de setembro:
1973 - O crime que chocou Brasília
1973 - Golpe derruba governo chileno. Allende suicida-se

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10 de setembro de 1960 - Abebe Bikila, de pés descalços, conquista Roma

Jornal do Brasil: Domingo, 11 de setembro de 1960 - página

Membro de uma das menores delegações participantes da Olimpíada de Roma, Abebe Bikila, 33 anos, etíope, venceu descalço a Maratona Olímpica, correndo os 42.195 km em duas horas, 15 minutos, 16 segundos e dois décimos, registrando um novo recorde para a prova. O feito entrou para a história dos Jogos simbolizando o espírito olímpico da persistência, da determinação e da superação: um atleta do continente mais pobre do mundo, em processo de descolonização, ganhava descalço a maratona de Roma. Abebe cruzou a linha de chegada, sob o Arco de Constantino, com 150 m de vantagem sobre o segundo colocado, o marroquino Abdesin Radhi, e deixou para trás o favoritismo dos adversários. Sem dar mostras de cansaço, o atleta saltou e pulou de satisfação enquanto era ovacionado pelo público presente.

A medalha de ouro de Bikila foi a primeira medalha conquistada por um atleta negro africano. Este acontecimento marcou o início de uma nova era em competições internacionais de atletismo, quando os africanos passaram a dominar as provas de velocidade e de fundo. Quatro anos mais tarde, Abebe, já uma estrela do atletismo mundial, e desta vez calçado, repetiu o feito nos Jogos Olímpicos de Tóquio, e bateu o próprio recorde em mais de três minutos. Foi a consagração do primeiro corredor a ganhar duas maratonas consecutivas na história das Olimpíadas. Em 1968, no México, foi superado por um conterrâneo. No ano seguinte, tragicamente deixou de vez as pistas, ao sofrer um grave acidente de automóvel. Paraplégico, passou a viver em cadeira de rodas. Mas nem a tragédia foi capaz de ofuscar a grandeza do seu exemplo. Ainda em 1969, Abebe participou de uma prova de arco e flecha nos Jogos Stoke Mandeville, precursores dos Jogos Para-Olímpicos. Morreu aos 46 anos, em outubro de 1973.

O maratonista etíope Abebe Bikila. Reprodução/CPDoc JB

Abebe Bikila, um herói nacional

Com suas firmes passadas nos pés descalços, Abebe Bikila surpreendeu o mundo ao revelar a história do seu povo. Um país subdesenvolvido, de maioria negra e pobre, desde sempre vítima de conflitos internos, além de vítima de frequentes incursões hostis de outros povos pelo seu domínio. Instabilidade que deixou o país nas piores condições econômicas, e o povo na miséria extrema. Herói nacional, Abebe trouxe para seu país uma mensagem de esperança, retirando uma inexplicável força de superação da sola dos seus pés. O que para muitos seria um sacrifício, foi a sua realização.

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9 de setembro de 1976 - Morre Mao Tse-tung, poeta, guerreiro e líder

A morte de Mao Tse-tung
Para a imensa Nação Chinesa a morte de Mao Tse-tung foi um impacto violento com luto oficial de 10 dias.

A reação imediata foi uma explosão de prantos ao mesmo tempo que milhares de bandeiras vermelhas surgiam nos balcões, nas ruas, nas praças, em todos os lugares. Com os acordes da Internacional, as rádios e alto-falantes instalados em caminhões difundiam a notícia. Pais de família e donas de casa, erguiam em varas de bambu colchas, túnicas e outras peças de tecido que, de comum, só tinham a cor vermelha.

Em quase todas as capitais do mundo, o tom usado nos comentários sobre a morte do Presidente do PC chinês era de respeito, admiração e tristeza:
“A História confirmará que Mao foi um dos mais importantes homens de nossa época. A posição da China no mundo atual constitui um monumento a seus efeitos”, comentava-se de maneira geral.

Com estatura de grande homem e capacidade de modificar os destinos de milhões de pessoas; o poeta, político, soldado, filósofo e escritor foi o mais publicado do mundo até então. Só em 1967 foram editadas 541 milhões de exemplares de suas obras – Mao Tsé-tung, símbolo do Estado e pai da República chinesa, tinha por dever conduzir o povo de seu país a uma vida livre da fome, das doenças e da ignorância.
Clique aqui e leia: 'A Grande Marcha' , Chang Sha e Tapoti

Sonhava com um “novo homem” capaz de arar a terra, trabalhar nas fábricas, pegar em armas e entender o pensamento político.

Mao Tsé-tung morreu sob a veneração de seus compatriotas e deixou, pelo mundo afora a imagem do profeta. Um profeta com uma visão muito particular da morte, como confidenciou ao Marechal Montgomery: “- Até que eu gostaria de ir ao encontro de Karl Marx.”

MAO TSÉ-TUNG
Mao Tsé-Tung nasceu em 26 de dezembro de 1893. Filho de um pequeno proprietário rural, considerado um homem rico por ter, no meio da miséria geral, um hectare e meio de terra.

Como todos os chineses de sua condição social, Mao começou a trabalhar ainda menino, aos cinco anos na lavoura. Freqüentemente escapava dessas obrigações para se dedicar a leitura. Levado pela mãe, cuja severidade contrastava a severidade quase tirânica do pai, freqüentava o templo de Buda, de quem assimilou a filosofia que veio completar uma educação. Revoltado com a crueldade das ações do governo os atos de rebeldia se tornaram freqüentes em Mao desde os 12 anos. Em 1910, Mao abandonou definitivamente a casa paterna, trocando-a por uma escola ocidentalizante de Hsiang-siang, onde tomou contato com o pensamento europeu. Aos 18 anos viverá sua primeira experiência militar, como voluntário do Exército que derrubara a dinastia.

Foi depois da Grande Marcha que Mao se torna o líder do comunismo chinês. Além de Secretário-Geral do PC,foi chefe de um Governo criado em 1937, com soberania sobre 50 mil quilômetros quadrados habitados por um e meio milhão de pessoas. Senhor absoluto dessa república, Mao impôs um modo de vida austero a quantos estavam sob seu mando. Ele mesmo morou durante meses numa casa escavada na encosta rochosa de uma montanha. Só ao casar-se pela quarta vez em 1939, muda-se para uma habitação de madeira mais confortável e de acordo om o seu cargo de Chefe do Governo.

O governo de Mao construiu as bases de uma economia primitiva sendo o trampolim para conquistar a China inteira. Sua preocupação foi a luta pela unidade nacional conquistando milhões de simpatizantes maoístas. A Revolução Cultural, iniciada pela arte e literatura pelos jovens da Guarda Vermelha, estendeu-se às escolas e fazendas, ao Partido e à administração. Finda a Revolução Cultural, em pouco mais de um ano a China saía do isolamento, arrebatava a cadeira ocupada por Formosa na ONU e abria as portas de Pequim para receber o Presidente dos Estado Unidos.

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8 de setembro de 1976 - Xica da Silva estreia nos cinemas

Jornal do Brasil: 05 de setembro de 1976

"Xica da Silva, a Negra! A Negra! De escrava a amante, mulher! Mulher do fidalgo tratador João Fernandes. Ai! Ai! Ai!..."
Jorge Benjor

O filme Xica da Silva chegou ao grande circuito numa época em que começava-se a articular a abertura do regime ditatorial no Brasil. Diferente do que aconteceu até o começo dos anos 70, quando as produções enfatizavam o protesto à repressão através de reflexões político-ideológicas, a obra dirigida por Cacá Diegues, pelo resgate da questão da escravidão, mostrou uma nova intenção de contestação à ditadura militar, através da retomada alegórica de episódios da História do Brasil Colonial.

Contudo, nas entrelinhas a própria escolha do tema já é um indicativo da postura do autor: retratar a história de uma negra escrava que quer se tornar livre.

Com este argumento, Cacá Diegues traçou um paralelo entre a história de Xica da Silva e a história do Brasil. Originalmente inferiores, Xica, uma escrava negra, e o Brasil, uma colônia explorada, chegam ao status de prestígio máximo: Xica livre e Brasil independente. Porém, ambos ainda tratados com restrições, Xica impedida de ter acesso à Igreja, por exemplo. E o Brasil à mercê de novos dominantes.

Ficha técnica
Direção: Cacá Diegues
Elenco: Zezé Motta, Walmor Chagas, José Wilker, Stepan Necerssian, Elke Maravilha, entre outros

Sinopse: A trajetória de Xica da Silva que, de escrava, tornou-se a primeira dama negra de nossa história, seduzindo o milionário contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Promovendo luxuosas festas, banquetes, com a presença de grupos de teatro europeu, que se apresentavam nas salas de sua imensa casa, Xica da Silva ficou conhecida até na corte portuguesa. Sua ostentação atingiu aspectos surrealistas, quando João Fernandes de Oliveira satisfez o seu caprichoso desejo de fazer uma viagem marítima sem sair da região, construindo um lago artificial e uma caravela manobrada por uma tripulação de dez homens.

Outras efemérides de 8 de setembro:
1930 - É brasileira a mais bonita do Universo
1974 – Gerald Ford perdoa Richard Nixon
1986 – Decretado estado de sítio no Chile

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7 de setembro de 1988 - Brasil acusado pela Anistia Internacional de violar direitos humanos

Anistia Internacional denuncia Brasil por questões agrárias. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 8 de setembro de 1988.

Pela primeira vez desde o fim do regime militar, o Brasil era acusado pela Anistia Internacional de violar os direitos humanos, denunciando que mil assassinatos por questões agrárias no Brasil estavam impunes. O documento foi lançado simultaneamente de sua sede em Londres, de várias capitais européias e de Washington. O relatório foi baseado em relatórios de duas missões que a instituição enviou ao Brasil entre julho e agosto de 1986 e em junho e julho de 1987. Além disso, considerou os relatórios da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e da Ordem dos Advogados do Brasil.

Intitulado Brasil matando com impunidade, o documento afirmava em sua primeira linha que "a proteção da Justiça foi negada a centenas de pessoas no Norte do Brasil e as mesmas foram deliberadamente assassinadas por pistoleiros, enfatizando ainda a conivência das autoridades brasileiras em mais de mil assassinatos por questões de terra.




O levantamento da Anistia, feito a partir de 1980, revelava que naqueles oito anos só três pistoleiros haviam sido punidos, documentando 50 crimes de morte e relatando em detalhes o caso do espacamento pela polícia de 50 camponeses no sul do Pará. O relatório relembrou ainda os assassinatos de vários líderes sindicais e mencionou com destaque a violência contra índios brasileiros.A Anistia citou a morte do advogado Paulo Fontelles de Lima, em junhho de 1987, como um caso exemplar da impunidade e inoperância das autoridades. Dois anos antes , o então deputado federal Ademir Andrade havia escrito ao ministro de Justiça, alertando-o de que o advogado estava citado numa lista de pessoas condenadas à morte pelos fazendeiros do sul do Pará. As autoridades não fizeram nada e o advogado foi morto.

A conclusão do relatório apontava que essas ocorrências só eram possíveis diante da omissão do governo brasileiro.

Outras efemérides de 7 de setembro:
1922 - Centenário da Independência
1961 - Empossados Ministros do Parlamentarismo
1977 - Assinados os Tratados Torrijos-Carter

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6 de setembro de 1998 - O acidente de Lars Grael - paixão pelo esporte acima de qualquer desafio

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 7 de setembro de 1998

O iatista Lars Grael, 34 anos, medalhista olímpico nos Jogos de Seul (1988) e Atlanta (1996), teve a perna direita decepada num acidente na Praia de Camburi, em Vitória, ES.

O barco de Lars, que participava da disputa da Taça Cidade de Vitória, foi atingido por uma lancha que invadiu a área reservada à prova. O choque destruiu parcialmente a embarcação. O iatista caiu na água e teve a perna amputada na altura do fêmur pela hélice da embarcação intrusa. Ele foi socorrido desacordado e sofreu uma parada cardíaca a caminho do hospital.

Era o segundo dia da competição e Lars, ao lado de Anders Schmidt, vencera na abertura.

Em pouco mais de 24h, Lars já respirava normalmente sem a ajuda de instrumentos. Conversou com sua mãe, agradeceu a Deus por estar vivo e escreveu um bilhete para a mulher, Renata, pedindo uma Coca-Cola. "Como sei que vocês não vão me dar mesmo, pode ser um copo de água", chegou a brincar.

Os dias seguintes não seriam fáceis. Mas Lars estava determinado: coragem, simplicidade e superação. Três meses depois do acidente o iatista estava de volta, correndo uma regata festiva em seu clube, o Rio Sailing em Niterói. Aos poucos retomou a confiança e se readaptou. "Em nenhum momento eu senti qualquer rancor ou raiva da água ou da vela. Tudo que eu mais queria era voltar a minha vida normal e isso eu consegui".

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5 de setembro de 1997 - Morre Madre Teresa, símbolo maior da caridade universal

"Estou grata por receber o Prêmio Nobel em nome dos famintos, dos que estão nus, dos aleijados, dos cegos, dos leprosos, de todos os que se sentem indesejáveis, não amados, abandonados, pessoas que se tornaram um fardo para a sociedade e são desprezadas por todos".
Madre Teresa de Calcutá

Jornal do Brasil: 6 de setembro de 1992

A religiosa católica Madre Teresa de Calcutá, 87 anos, morreu na sede da ordem das Missionárias da Caridade em conseqüência de um ataque cardíaco. Uma das mais veneradas personalidades do mundo por sua dedicação altruísta aos pobres, doentes e moribundos, destacava-se de forma positiva como exemplo do autêntico sacríficio pessoal na realização de tarefas humanitárias. Um símbolo para o mundo, reconhecido na conquista do Prêmio Nobel da Paz em 1979.

"Em 1946, quando eu me dirigia de trem à cidade de Darjeeling, despertei para um mundo que pouco conhecia. Aqueles vagões carregavam uma multidão de miseráveis e famintos. Foi naquele instante que recebi o chamado para renunciar a tudo e seguir o Cristo nos subúrbios, para servir entre os mais pobres dos pobres". Assim Madre Teresa tomou sua decisão.

Madre Teresa de Calcutá. Cristina Paranaguá/AJB
Agnes Gonxha Bojaxhiu era seu nome de batismo. Nascida em 27 de agosto de 1910, aos 12 anos já pretendia ser missionária, "ir pelo mundo afora distribuindo o amor de Cristo". Com 17 anos entrou para a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto, na Irlanda. Um ano depois, em 1929, já com o nome de Teresa, como ficou conhecida, chegou a Calcutá, na Índia, onde mais tarde, abriria uma escola. Madre Teresa fez seu voto perpétuo em 1937. Em 1948, após o chamado divino, ganhou permissão para trabalhar nas favelas da cidade. Foi quando adotou o hábito branco de algodão debruado de azul: "O mais simples, o mais barato, o mais pobre, o mais simples, pois não precisa sequer ser passado a ferro".

Foi no ano de 1950 que ela fundou a Ordem das Missionárias da Caridade. Passou a ser, a partir de então, a Teresa de Calcutá.

Dois anos mais tarde, outro episódio como o chamado recebido no trem a faria tomar uma nova decisão. Encontrou uma mulher agonizando na rua, os pés praticamente devorados por ratos, o corpo com chagas cobertas de vermes. Quis ajudá-las, mas foi um custo para convencer um hospital a aceitar a paciente. Resolveu, então, abrir o primeiro de seus vários lares para moribundos. Conseguiu um antigo prédio que havia funcionado como hospedagem para peregrinos. Deu ao local o nome de "Coração Puro". E assumiu a tarefa de cuidar dos que estavam à beira da morte.

Daí em diante, suas obras de caridades se multiplicaram e fundou vários lares para doentes e creches em diversos lugares do mundo. A figura frágil de uma pequena mulher resistiu a inúmeros ataques de ordem religiosa, política, questionada até mesmo pelo apelo comercial incutido na postura de seu assistencialismo.

Madre Teresa foi beatificada em 2003, quando o Papa João Paulo II acelerou seu processo de santificação.

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4 de setembro de 1969 - O sequestro do Embaixador americano

Jornal do Brasil: 5 de setembro de 1969


No início da tarde daquela quinta-feira, um grupo de jovens, formado por militantes dos movimentos clandestinos MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de Outubro) e ALN (Ação Libertadora Nacional), protagonizou um dos mais ousados momentos da história da resistência contra a ditadura militar: o seqüestro do embaixador americano Charles Elbrick. Sua captura foi premeditada para que o seu resgate fosse negociado em troca da libertação de 15 presos políticos.

A operação aconteceu em Botafogo, quando o carro do diplomata foi interceptado no percurso entre a sua residência oficial e a sede da embaixada, no Centro. De lá foi levado para um casarão na Rua Barão de Petrópolis, onde permaneceu detido.
Jornal do Brasil: 5 de setembro de 1969
Para ampliar a imagem, clique aqui!


Pressionado, o governo brasileiro aceitou as condições impostas pelo grupo, frisando que a iniciativa visava impedir o sacrifício da personalidade americana. Clique aqui e confira a lista dos libertados.

Durante a operação, a equipe do JB recebeu telefonemas anônimos que orientavam a respeito da localização de cartas do embaixador escritas para a sua esposa, e de instruções dos seqüestradores a respeito da negociação da troca: a lista com o nome dos presos de interesse, as garantias de proteção ao embaixador, ... A primeira carta (original / tradução), encontrada no dia 5 estava na caixa de esmolas da igreja de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado. A segunda (original / tradução), também encontrada no dia 5, estava no Supermercado Disco, no Leblon. A terceira (original / tradução), achada no dia 6, foi encontrada em frente à Editora Bloch, no Russel. A última carta (original / tradução) foi achada numa praça em Copacabana, no dia 7.
Jornal do Brasil: 7 e 8 de setembro de 1969

No dia 8, conforme garantido pelos seqüestradores, o Sr. Elbrick foi libertado na Tijuca após a confirmação de que os exilados haviam chegado ao México.

1978: Enfim, a Laranja Mecânica
1995: Adeus ao Bem-amado


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3 de setembro de 1991 - Adeus ao cineasta Frank Capra, o precursor da comédias sofisticadas

Morre Frank Capra. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 4 de setembro de 1991

Frank Capra, um dos grandes nomes de Hollywood, morreu aos 94 anos.

Nascido em Palermo, na Sicília, em 1897, Frank Capra chegou aos Estados Unidos aos seis anos e enfrentou todas as dificuldades que os personagens dos seus filmes venceriam. Seu pai era catador de laranjas e ele mesmo foi boy em jornal e tocador de banjo nas ruas para ajudar a família e pagar seus estudos. Formou-se em engenharia química em 1918.

O curso universitário havia lhe garantido um emprego num laboratório fotográfico, onde durante um ano revelou e montou filmes amadores. Saiu dali para sua primeira oportunidade em Hollywood. Conseguiu uma chance que mudaria sua vida. Dirigiu um filme curto, baseado num poema de Rudyard Kipling por US$ 75, apesar de não entender nada de cinema.

Tornou-se roteirista de comédias para os dois maiores produtores do gênero: Hal Rouch e Mack Sennett.

Em 1925 iniciou uma parceria com o comediante Harry Langdon e passou a escrever e dirigir os filmes de Langdon. Rompida a parceria, Capra continuou como diretor de curtas-metragens, montador e roteirista de comédias. Seu primeiro sucesso como diretor veio com o filme Submarine (1928). Depois seguiram-se Platinum Blonde e American Madness. Em 1929 assinou com a Columbia Pictures. Com liberdade total para realizar seus filmes, e auxiliado pelo roteirista Robert Riskin, Capra criou um estilo de comédias sentimentais que oferecia à população sofrida com a Grande Depressão uma oportuna mensagem de otimismo. Durante a Segunda Guerra, Frank Capra engajado na luta, produziu documentários para a Marinha.


Precursor da comédias sofisticadas

Capra baseou a maior parte de sua filmografia em personagens idealistas que enfrentam sistemas sociais opressivos, e no triunfo da honestidade e da justiça. Seus filmes, românticos e otimistas, estavam de acordo com a política do New Deal, proposta pelo então presidente Franklin Roosevelt. Em 1951, convenceu-se de que o cinema e o mundo haviam mudado e parou durante oito anos. Fez mais dois filmes em 59 e 61, encerrando definitivamente a carreira e criticando as condições de trabalho na nova Hollywood. Seu filme mais importante no pós-guerra foi A Felicidade Não se Compra.


1985: Encontrados os destroços do Titanic
1989: Avião desaparece na Amazônia
1996: EUA castigam Sadam em casa

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2 de setembro de 1969 - Morre o Presidente norte-vietnamita Ho Chi Ming

Morre Ho Chi Ming. Jornal do Brasil: 4 de setembro de 1969.


O presidente norte-vietnamita Ho Chi Ming, 79 anos, morreu em consequência de um súbito ataque cardíaco. Morreu antes de ver o seu país unificado, o que só ocorreu em 1975.

Magro e de porte pequeno, o líder revolucionário vietnamita Nguyen Tat Thanh, que adotou o codinome de Ho Chi Ming (o que leva a luz), nasceu no Norte de Anna, na antiga Indochina Francesa, hoje Vietnam. Recebeu educação ocidental, fruto da colonização francesa. Aos 19 anos, depois de ter a família encarcerada por motivos políticos, virou marinheiro e lançou-se ao mundo. Tendo viajado muito, aprendeu francês, russo, japonês e chinês. Ao fim da I Guerra Mundial, chegou à Marselha, com o nome falso de Nguyen Ai Quoc (patriota) e tronou-se restaurador fotográfico em Paris. Convertido ao comunismo, viajou para Moscou, onde foi preparado numa escola de líderes revolucionários. Depois de um período de idas e vindas, fundou, em 1941, o Viet-Minh e, quatro anos depois, o Partido Comunista de seu país. Com o fim da II Guerra, liderou o movimento de libertação do Vietnam do jugo francês e, com a saída definitiva da França em 1954, após a batalha de Dien Bien Phu, enfrentou os EUA, no maior conflito que sucedeu a Guerra Fria.

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2 de setembro de 1988 - É aprovada a nova Constituição brasileira

"A Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja o nosso grito. Mudar para vencer. Muda Brasil". Ulysses Guimarães

Jornal do Brasil: 02 de setembro de1988
Depois de 578 dias de trabalho, incontáveis debates em subcomissões, comissões temáticas, Comissão de Sistematização e plenário, o estudo de 39 mil emendas e dois turnos de votação, a Constituinte encerrou nos primeiro minutos daquela sexta-feira a sua tarefa. Foi aprovada a nova Constituição brasileira. Na sessão de encerramento, o deputado Ulysses Guimarães, presidente da Assembléia Nacional Constituinte, discursou destacando o seu caráter de Constituição Cidadã, e enfatisando a importância da participação popular em sua elaboração.

Entre suas principais definições, manteve o governo presidencial, garantindo que fossem eleitos pelo povo, por voto direto e secreto, o Presidente da República, os Governadores dos Estados, os Prefeitos Municipais e os representantes do poder legislativo. Instituiu o voto facultativo para cidadãos com 16 ou 17 anos. Redefiniu a divisão administrativa do país que, com a criação do estado de Tocantins, passou a ter 26 estados federados e um distrito federal. Proibiu a comercialização de sangue e seus derivados. Aboliu a censura nos rádios, TV, teatros, jornais, etc.

Sua promulgação foi no dia 5 de outubro, e vigora até hoje.

Para saber mais da Constituição, veja aqui!

Outras efemérides de 2 de setembro:
1961 - Instituído o regime parlamentarista no Brasil
1976 – Morre Fritz Lang
1980 - Morre o jornalista Samuel Wainer

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1º de setembro de 1969: O início da Era Kadafi

O golpe militar que levou Kadafi ao poder na Líbia. Jornal do Brasil: terça-feira, 2 de setembro de 1969.


Poucos mais de um ano após estourar a Guerra dos Sete dias no Oriente Médio, as forças armadas da Líbia assumiram o poder no país, na ausência do rei Idris El Senussi, e proclamaram a República Árabe da Líbia, de caráter socialista, chefiada por um conselho revolucionário, tendo entre seus líderes o coronel Muamar al-Kadafi, 27 anos.

Os primeiros atos do novo Governo foram a imposição do toque de recolher nas principais cidades e o fechamento de todos os portos e aeroportos e a suspensão das comunicações telefônicas e telegráficas com o exterior.

Em seu primeiro comunicado oficial, o Conselho da Revolução afirmou que os militares acabavam de realizar um dos sonhos mais antigos do povo, o advento de uma República Socialista, apelando o apoio popular à revolução: "Rebelamo-nos para defender sua liberdade, sua dignidade, para levar ao alto a bandeiras das nações árabes e pedimos seu apoio para poder progredir".

Ainda no comunicado, o Conselho destacou outras de suas primeiras medidas:
Todos os Conselhos Legislativos do antigo regime ficavam abolidos e sem validade a partir daquele dia e toda tentativa de oposição à revolução por parte dos antigos dirigentes seria vigorosamente aniquiliada;

O Conselho da Revolução passou a instância única no país para conduzir os assuntos da República Árabe da Líbia. Em consequência, todas as administrações governamentais, funcionários e forças de ordem passavam à disposição do Conselho, podendo ser perseguido e processado todo infrator neste cumprimento.

O Conselho da Revolução firmou também sua vontade e decisão de edificar uma Líbia revolucionária, socialista, resultante de sua própria realidade e não de qualquer outra doutrina, elevando o país do subdesenvolvimento e mal governado a uma nação progressista, disposta a lutar contra o colonialismo. E defendeu a liberdade religiosa e a crença nos valores morais contidos no Alcorão, prometendo trabalhar por sua defesa e manutenção.

Muamar Kadafi. Reprdução.
Acobertado pelo verniz nacionalista, três foram os principais fatores do golpe militar que acabou com a monarquia na Líbia: o petróleo, a presença de bases militares estrangeiras no país e o desejo de maior participação no pan-arabismo. Os líbios tinham interesse em assumir um controle mais efetivo de sua produção de petróleo (a terceira do mundo em volume na ocasião), desejavam apressar a retirada das tropas norte americanas de Wheelus, perto de Trípoli e queriam que o Rei Idris encarasse com maior entusiasmo a convocação de uma reunião de cúpula pan-árabe, no Âmbito do conflito com Israel.

Começava assim, a Era Kadafi, que duraria mais de 40 anos.


1972: Bobby Fischer é campeão mundial de xadrez
1939: Começa a Segunda Guerra Mundial
1994: O Ministro Ricupero e a Parabólica

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