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30 de setembro de 1985 - O cinema francês perde Simone Signoret

Simone Signoret Reprodução

"O segredo da felicidade no amor não é ser cego,
mas saber fechar os olhos quando necessário
."
Simone Signoret

Morre Simone Signoret. Jornal do Brasil: terça-feira, 1º de outubro de 1985.

O cinema francês perdeu Simone Signoret, 64 anos, que viveu seus últimos dias com ar de leoa cansada, doente, até ser derrotada por um câncer contra o qual lutou até o fim. Em seu último trabalho para o cinema, L´Etoile du Nord, rodado em 1981, já tinha perdido 15 quilos, mas sua força e vitalidade continuavam intocadas.

Falar de Simone Signoret é falar de Yves Montand, com quem vivieu uma paixão de 36 anos. É falar de uma mulher que participou ativamente da vida política de seu país e do mundo. É falar de uma grande atriz que nunca quis ser estrela, mantendo ferozmente a individualidade, a vida à margem da ficção das telas. É, ainda, lembrar a escritora que, nascida tardia no livro de memórias La Nostalgie N´est Pas Ce Qu´elle Étail, terminaria por cristalizar-se em seu único romance: Adeus Volodia, escrito já no outono de uma vida bela e plena.

Nascida Simmone Henriette Charlotte Kaminker a 25 de março de 1921, em Wiesbaden, na Renânia alemã, então ocupada pelos franceses, era filha de um judeu que servia no Exército da ocupação. Ainda menina, já sonhava com o teatro e o cinema, mas tem os sonhos truncados pela guerra. Com a invasão alemã em 1940, perde a companhia do pai, que foge para Londres e, meio judia, passa a viver sozinha em Paris. Nessa época, ingressa na carreira artística e faz amizades com diversos intelectuais, entre eles, Jacques Prevet e Pablo Picasso, tempos que chamaria mais tarde de anos de aprendizado.

Depois da guerra e de um breve casamento, vem o amor. Em 1949, encontra Yves Montand em Saint-Paul-de-Vence. A paixão é definitiva. Desde o começo, é uma relação única. Ela o acompanha em seu engajamento ideológico de esquerda e nas lutas pelos direitos do homem. Cada um faz sua carreira, Yves como cantor e ator de primeira grandeza e Simone como atriz completa, uma atriz que desabrocharia definitivamente bela - atrozmente bela - como uma mulher da Paris de 1900.


Seguem-se papéis memoráveis em Theresa Raquim, de Marcel Carne, As Diabólicas, de Clusot, As Feiticeiras de Salem, com a qual estréia no teatro ao lado de Montand. Depois de filmar Les Chemins de la Haute Ville, de Jack Clayton, na Inglaterra, ganha o prêmio de melhor atriz em Cannes em 59 e o Oscar de melhor interpretação feminina no ano seguinte em Almas em Leilão.

Mas, mesmo no auge da carreira, não perde a perspectiva política que deu à sua vida. Comunista militante, junto com Montand até 1956, quando os russos esmagam a insurreição húngara, visita o Kremlin e diz na cara de Krutchev o que pensa. Abandona o partido, mas não a causa política. Com mais 12 intelectuais assina um manifesto de apoio aos argelinos revoltados contra o domínio colonial francês. Direito à Insubmissão, intitula-se o panfleto, e por dois anos ela não volta a Paris. Com Sarte e Foucault, protesta contra a Guerra do Vietnam e depois em favor dos boat people refugiados daquele país. Denuncia as ditaduras e as torturas no Chile e na Argentina e apóia a Solidariedade na Polônia. Endossa o SOS Racismo, movimento para protestar contra o chauvinismo de alguns franceses de direita face a africanos e árabes que vivem na França.

Sua carreira abrange mais de 50 filmes, desde superproduções até filmes políticos. Os anos e a doença pesam., mas sua natureza radiante não faz disso uma tragédia: "A velhice é algo a que nos acostumamos. Quando fiz 40 anos, achei que estava doente. Depois, se há felicidade, leva-se na brincadeira".

Corajosa, lúcida, foi grande até o final. Até as 7h30 da manhã do início de um outono francês, quando seus olhos se apagaram. Mas sua luz, a luz de alguém que olhou a vida corajosamente de frente em todos os momentos, a luz dessa mulher de todos os combates, que amou e foi amada por seu público, brilhará para sempre.

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29 de setembro de 1908 - Morre Machado de Assis, o bruxo do Cosme Velho

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de outubro de 1908
O autor da obra mais consagrada da literatura brasileira, Machado de Assis, 69 anos, morreu em sua casa no bairro carioca do Cosme Velho. Chegava ao fim o sofrimento em que sobrevivia desde a perda da sua esposa, Carolina, três anos antes.

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839, no Morro do Livramento, nesta cidade. De origem humilde, neto de escravos alforriados, filho de um pintor de paredes e de uma lavadeira portuguesa, o escritor soube vencer dificuldades de toda ordem até tornar-se um dos mais respeitados nomes da nossa literatura. Autodidata por necessidade e aptidão, aos 16 anos publicou o seu primeiro trabalho literário, e conquistou o seu primeiro emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. No ano seguinte começou a escrever durante o tempo livre. Seu primeiro romance, Ressureição, foi lançado em 1872.
reprodução

Machado de Assis foi um autor singular no panorama literário do seu tempo. Primou pelo uso essencial das palavras para exprimir seu pensamento. Usou intensamente recursos de metalinguagem e envolveu a participação do leitor em suas narrativas. Exercitou a ironia e o sarcasmo como ferramentas de crítica social.


O conjunto de sua obra retrata a coexistência do amor e do ciúme, da verdade e da mentira, do ser e do parecer. Chama a atenção para a ambiguidade e as sutilezas emocionais dos seus personagens, e para as mazelas da sociedade do seu tempo. A sua obra mantém-se tão atual e tão influente quanto há um século atrás. Desde sempre revisitado por gerações, os estudos de sua obra são incontáveis. Jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e dramaturgo, foi fundador Academia Brasileira de Letras, instituição que presidiu de 28 de janeiro de 1879 até o fim da vida.


Quem respirava de perto

Jornal do Brasil: Edição especial 'Jornal do Século'

O enterro do insigne homem de letras, Machado de Assis, foi velado por amigos do timbre de Euclides da Cunha, Mário de Alencar, José Veríssimo, Raimundo Correia e todos os colegas da ABL.

Rui Barbosa, com sentimento e eloqüência, fez o discurso de despedida: "Designou-me a Academia Brasileira de Letras para vir trazer no amigo que de nós aqui se despede.(...) Não é o clássico da língua; não é o mestre da frase; não é o árbitro das letras; não é o filósofo do romance; não é o mágico do conto; não é o joalheiro do verso, o exemplar sem rival entre os contemporâneos, da elegância e da graça, do aticismo e da singeleza no conceber e no dizer: é o que soube viver intensamente da arte, sem deixar de ser bom. (...)"

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27 de setembro de 1981 - Pixote, a Lei do Mais Fraco, conquista o Biarritz

Pixote, a lei do mais fraco revela a dura realidade da deliquência juvenil brasileira. Jornal do Brasil: Terça-feira, 29 de setembro de 1981


Já premiado na Suíça, foi a vez de Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco vencer o Grande Prêmio do Festival de Cinema Ibérico e Latino-Americano de Biarritz, na França, além do Grande Prêmio do Público, laúrea instituída pela primeira vez naquele festival.

Premiado na Europa, Pixote foi recebido no circuito norte-americano como um nocaute, ao tratar de questões sociais sérias, do drama brasileiro de delinqüentes juvenis sobreviventes dos reformatórios ineficazes e das realidades brutais. E se beneficiou da continuidade dos lançamentos de filmes brasileiros de qualidade no mercado norte-americano. Depois de uma longa pausa após o cinema novo e os anos 60, o cinema contemporâneo brasileiro voltou a subir na cotação a partir de 1978, sem o vigor vanguardista anterior, mas com um acabamento formal que visava aos grandes mercados. Assim, seguiu os passos de Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto; Bye, Bye, Brasil, de Cacá Diegues; e Gaijin, de Tizyka Yamazaki.



Pixote é um menor abandonado que mora nas ruas e faz roubos para sobreviver. Com passagens por reformatórios, aprende a se virar com o convívio com todos os tipos de criminosos e deliquentes. Traficante, cafetão e assassino, com apenas 11 anos de idade. Coube a Fernando Ramos da Silva e Marília Pera a interpretação dos principais papéis do filme.

Pixote suscitou muitas polêmicas, inclusive ideológicas. Alguns críticos disseram que Babenco explorou a situação da miséria no Brasil, até para fazer sensacionalismo com a sexualidade da marginalização. Houve também tentativas de censura às cenas tidas como mais fortes.

O filme de Babenco foi encurtado para exportação, passando a durar duas horas e apresentado uma narração inicial que lhe deu um tom quase didático. Babenco aparece em cima de uma favela. Apontando para baixo, lê algumas estatísticas do Brasil dos anos 80: "Mais de 50% da população do Brasil têm menos de 21 anos, e há 3 milhões de crianças sem lar... Não existem crechês ou serviços sociais para atendê-las e enquanto os pais ganham a vida, elas vagam pelas ruas, vítimas de crimonosos mais velhos que se aproveitam do fato de a lei não perseguir menores de 18 anos para tornar os menores cúmplices ou perpetradores de crimes".

Anos mais tarde a vida imitaria o cinema. Menino de rua, Fernando Ramos tornou-se ator ao ser escolhido para viver o personagem Pixote. Considerado uma revelação, colheu alguns louros daquela conquista. Mas, embora tenha tentado continuar na carreira, a falta de oportunidades o levou novamente às ruas e à criminalidade em Diadema, SP. Sob suspetia de cometer um assalto, aos 19 anos, sem camisa e desarmado, Fernando foi morto com 8 tiros por policiais.

Leia também:
5 de janeiro de 1982: Marília Pera eleita a atriz do ano de 1981

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25 de setembro de 1956 - O início da parceria Tom Vinicius

"... um dos problemas mais sérios que me coube resolver foi a escolha do músico. Numa conversa com meus amigos Lucio Rangel e Haroldo Barbosa foi-me ponderado o nome do jovem maestro e compositor Antonio Carlos Jobim. Achei a idéia excelente e pus-me imediatamente em contacto com Tom, como é popularmente conhecido, resultando daí não apenas uma parceria, mas uma amizade que hoje sinto de grande importância para nós ambos...

Jornal do Brasil: Terça-feira, 25 de setembro de 1956 - página 10


... Confesso que a excelência do trabalho que me foi sendo pouco a pouco apresentado pelo compositor, excedeu tôdas as minhas expectativas. Os sambas criados especialmente para a peça, de parceria nossa, constituiram sem dúvida a parte mais agradável do nosso trabalho..."

Vinicius de Moraes,
sobre a escolha de Tom Jobim como músico de Orfeu da Conceição

A bilheteria da primeira encenação de "Orfeu da Conceição" no Teatro Municipal do Rio de Janeiro foi em benefício da Associação Brasileira Beneficente de reabilitação, a ABBR. Contudo, um feito maior celebrou aquele dia 25 de setembro. Vinicius já era diplomata. Tom tinha 29 anos. Era a estréia de uma das mais importantes parcerias da música popular brasileira, reunindo o talento de um jovem músico ao de um poeta consagrado. Nesse primeiro trabalho, Tom musicou sambas de autoria de Vinicius, entre eles "Lamento no Morro" e "Se Todos Fossem Iguais a Você". Para saber mais sobre a obra, leia aqui!

Em 1958, com o alvorecer da Bossa Nova, Tom e Vinicius mantiveram a maestria musical, tornando-se dois dos principais nomes do movimento com obras como "Chega de Saudade". O sucesso de maior repercussão chegou em 1962: "Garota de Ipanema".

E outros clássicos marcaram a parceria musical e de amizade como "O samba do Avião", "A Felicidade", "Água de Beber", "Eu Sei Que Vou Te Amar", "Insensatez"'. A última obra em parceria foi "Cidadão da Gávea", feita pouco antes da morte de Vinicius em 09 de Julho de 1980.

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24 de setembro de 1968 - Morre Lucio Cardoso

Primeira página do Caderno B: Quarta-feira, 25 de setembro de 1968

"Quase seis anos atrás, um derrame havia paralisado seu braço de escritor. Mas em pouco tempo ele encontrou um novo meio de se exprimir, na escrita de uma tela e um pincel. Agora a interrupção foi definitiva. É doloroso, mas é verdade: o coração de Lucio Cardoso parou de bater". Jornal do Brasil

O escritor e artista plástico Joaquim Lucio Cardoso Filho, 56 anos, morreu no Rio de Janeiro, de complicações decorrente de um novo acidente vascular cerebral.

Uma produção cultural sombria e sinistra. Foi este o contexto da literatura de Lucio Cardoso: um universo atormentado, de contra-luz, desespero e solidão. Dono de uma obra marcada pela angústia, mergulhou nas questões existenciais pelas quais tinha obsessão. Deus, o homem, o destino, a carne e o pecado eram temáticas freqüentes em seus romances. Na busca incessante dos males da alma, Lucio enveredou também pelo caminho das artes cênicas. Escreveu peças de teatro, foi roteirista e diretor de cinema.

Mas uma madrugada de dezembro de 1962 interrompeu brutalmente sua carreira. Um derrame cerebral paralisou todo o seu lado direito, comprometendo também sua fala. Impedido de escrever ou ditar, foi forçado a encontrar outra saída para seu talento. A fatalidade foi superada por uma inabalável persistência. Logo começou a pintar com a mesma urgência e compulsão com que escrevia. Do pastel e do guache pintados com os dedos, passou para a pintura a óleo, quando adquiriu maior comando muscular e controle manual dos pincéis.

Mas foi com as sombras febris da sua literatura que conquistou um lugar de honra na cultura brasileira. Em 1966, a ABL conferiu ao artista o Prêmio Machado de Assis, pelo conjunto de sua obra literária.

Com Clarice, uma intensa amizade

Foi com Lucio, autor de A luz no subsolo, Mãos vazias e Crônica da casa assassinada, que Clarice Lispector percorreu parte do seu mundo literário, encantada com a vida misteriosa e secreta do escritor. A parceria amorosa não se concretizou, mas a forte amizade possibilitou a descoberta de suas afinidades, entre elas a exigência íntima com que empreendiam suas obras. Para eles viver e criar eram indissociáveis.

Clarice externou a saudade do amigo numa crônica publicada no Jornal do Brasil após sua morte: "... Não fui ao velório, nem ao enterro, nem à missa porque havia dentro de mim silêncio demais..."

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22 de setembro de 1897 - Guerra de Canudos: Chega ao fim a saga de Antonio Conselheiro

Livro de anotações de Antonio Conselheiro. Teixeira/AJB

Apontamentos dos preceitos da Divina Lei do Nosso Senhor Jesus Christo para a salvação dos homens, pelo peregrino Antonio Vicente Mendes Maciel no Povoado do Bello Monte, Província da Bahia em 24 de maio de 1895.

"Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer e se tiver sede, dá-lhe de beber, porque se isto fizeres, amontoarás brasas vivas sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem". Antonio Conselheiro

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 04 de outubro de 1896
O Nordeste brasileiro no final do século XIX não era muito diferente de hoje. Além de estar à mercê da seca e da fome, a população carente vivia em total abandono por parte das autoridades. Foi nesse quadro social, ideal para a disseminação do fanatismo religioso, que entrou em cena o beato Antonio Vicente Mendes Maciel, o Antonio Conselheiro. Intitulando-se enviado por Deus para acabar com as diferenças sociais e os pecados republicanos, percorreu o sertão pregando transformações e profetizando o fim do mundo. Conseguiu conquistar uma legião de fiéis confiantes no seu poder de libertação da extrema pobreza em que se encontravam. E despertou a ira das autoridades e da igreja que, temerosos de seu poder de persuasão, acusavam-no de fonte do mal. Para refugiar-se com seus seguidores, em 1893, Antonio Conselheiro chegou ao arraial de Canudos, no interior da Bahia, área isolada e de difícil acesso onde começou a formar uma grande comunidade de pobres e maltrapilhos, com aproximadamente 30 mil pessoas.

Sem a habilidade necessária para contornar a situação, o governo da Bahia passou a repreender as práticas do grupo com a força policial. Eclodiram inúmeros, e cada vez mais violentos, conflitos, fazendo com que, exaurido, o governo baiano pedisse a interferência da República em 1896. Essa também encontrou dificuldade para conter os fanáticos. No início de 1897, foi necessário aliar às investidas do Exército um cerco militar que impedisse o grupo de sair em busca de alimento. Com a debilidade da comunidade, o massacre de Canudos passou a ser questão de tempo.

E no dia 22 de setembro acabava a saga de Antônio Conselheiro. Fragilizado fisicamente, morreu, segundo estudiosos, por estilhaços de uma granada. Considerado por renomados intelectuais da época como um desajustado mental, Antônio Conselheiro foi decapitado, depois de morto. E sua cabeça foi utilizada em estudos científicos.

Sem a égide de seu líder, em poucos dias, a comunidade de Canudos foi dizimada. O massacre foi tamanho que não foram poupados idosos, mulheres e crianças.

Euclides da Cunha, em seu livro Os Sertões, eternizou este movimento que evidenciou a importância da luta social na história de nosso país. E simbolizou a descoberta de um mundo desconhecido para o próprio brasileiro: os sertões.

Leia outras efemérides de 22 de setembro:
1975 – Gerald Ford escapa de atentado a bala
1977 - A violenta invasão da PUC-SP
1980 - Começa a Guerra Irã-Iraque

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20 de setembro de 1971 - Morre o poeta grego Giorgios Seferis

Morre Giorgios Seferis. Jornal do Brasil, terça-feira, 21 de setembro de 1971.

"E aquele corpo que queria florir como um ramo, dar frutos, virar flauta quando os gelos chegassem à imaginação, extraviou num enxame de sons, para que através dele, torturando-o, o tempo musical fosse passando..."
Giorgios Seferis

Vítima de pneumonia dupla e trombose coronária, morreu Giorgios Seferis, 70 anos, poeta, Prêmio Nobel de Literatura e severo crítico do Governo militar de Georgios Papadopoulos, a quem considerava "completamente contrário aos ideais pelos quais o mundo e o nosso povo lutaram na última guerra". Ele estava hospitalizado há dois meses por causa de uma hemorragia interna. Sofreu duas intervenções cirúrgicas de urgência no período, e não conseguiu recuperar-se. Precisou submeter-se a transfusões de sangue e depois vieram as complicações respiratórias.

Seferis, que era diplomata de carreira, se recusou a publicar seus trabalhos desde o golpe militar de 1967 que derrubou a monarquia grega. Dois anos depois, quebrou seu silêncio para apoiar um manifesto assinado por 18 outros intelectuais contrários ao regime, e divulgou textos antiditatoriais.

Prêmio Nobel da Literatura de 1963, diplomata desde 1931, Embaixador do Governo grego em Londres de 1957 a 1962, Seferis passou os últimos anos de sua vida como prisioneiro virtual do regime militar de seu país, que lhe recusou em 1970, permissão para ir à Itália, onde estava sendo homenageado pelos 70 anos.

Girogis Seferis. Reprodução
Nascido em a 13 de março de 1900, foi fortemente influenciado pelo passado de seu país. E dizia frequentemente que sua poesia - que tem um ar tão clássico, referia-se ao presente, e nela, as referências ao passado eram ainda alusões à realidade presente. Mas ele esboçava uma queixa, onde também havia orgulho: "Para um grego que tenha uma alma, que esforço para dominar o passado!"

Outras efemérides de 20 de setembro:
1935 - Centenária Revolução Farroupilha
1994 - Sophia Loren completa 60 anos

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Vida longa à Dona Canô, lição secular de calma e sabedoria



O Recôncavo Baiano está em festa. Dona Canô completa 104 anos! E Santo Amaro da Purificação preparou uma programação especial para celebrar o aniversário da moradora mais antiga da Cidade, com direito a café da manhã, missa na Igreja e muita festa.

Filha ilustre da histórica cidade baiana Santo Amaro da Purificação, Claudionor Viana Teles Velloso nasceu no dia 16 de setembro de 1907. Criada por sua mãe, sem a presença da figura paterna, talvez tenha sido esta a fonte inspiradora máxima da construção de Dona Canô. Na escola, menina prendada, aprendeu a costurar, falar francês e tocar piano.

Em 1931, casou-se com o agente de Correios José Telles Velloso, o Seu Zeca, com que construiu uma grande família com oito filhos: Roberto, Rodrigo, Mabel, Clara Maria, Irene, Caetano, Maria Bethania e Nicinha; criados, como ela constuma observar, num ambiente de união, aproximação.



Dona Canô é uma mulher de hábitos simples. Um deles que pratica com prazer é a culinária. Dizem que todos os dias, lá pelo meio da manhã, o cheiro de sua comida, gostosa e suculenta, invade os cômodas da casa branca de janelas azuis, se espalhando pela vizinhança, assanhando os estômagos mais afoitos em Santo Amaro da Purificação.

Festeira, também é presença certa nos eventos de sua cidade - como a tradicional Lavagem da Purificação que acontece todo mês de fevereiro. Mesmo reservada aos limites da pacata cidadezinha encravada no Recôncavo baiano - de onde aliás, saiu poucas vezes durante toda a vida, Dona Canô sempre participa da vida pública do país, dona de sabedoria que a acompanha lúcida, até hoje. Ano passado não abriu mão de seu direito ao voto e foi às urnas para ajudar a eleger a Presidente Dilma.

Este ano, Dona Canô esteve internada por duas vezes. Mas a saúde prevaleceu!

Um exemplo de mulher brasileira! Vida longa à Dona Canô!

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16 de setembro de 1977 - Silencia-se a a diva lírica Maria Callas

Maria Callas/Reprodução

Quem quiser me compreender realmente,
irá me encontrar inteira em meu trabalho
”.
Maria Callas


A grande diva da ópera mundial, Maria Callas, 53 anos, morreu de crise cardíaca, em sua residência em Paris numa tarde de sexta-feira. Sua última atuação pública, fora como diretora de ópera, quatro anos antes. Diferente do êxtase que causou na crítica ao longo da carreira, por essa experiência recebeu opinião quase unânime de que cometera um terrível engano. Foi seu trágico desfecho. Viveu reclusa desde então.


Morre Maria Callas. Jornal do Brasil: sábado, 17 de setembro de 1977.

Callas, cujo nome de família era Calageropoulos, nasceu em 2 de dezembro de 1923 numa Nova Iorque promissora de prosperidade e liberdade, animada pelas jazz-bands e pelo charme das mulheres livres dos espartilhos. Desde a infância, demonstrou acentuados dotes musicais, e começou a estudar canto aos oito anos.

Aos 13, com a separação dos pais, viajou para a Grécia com a mãe. No conservatório de Atenas, foi aluna da célebre cantora Elvira Hidalgo. Em 1938, estreou na Ópera de Atenas e logo depois, adotou o pseudônimo de Maria Callas, que alguns críticos interpretaram como um anagrama do Scala, de Milão. O sucesso chegaria nove anos depois, em Verona, Itália para consolidar uma carreira triunfal, com altos e baixos. Seu desempenho tido como milagroso, permitia-lhe abordar sem esforços obras dramáticas, líricas, ligeiras rendendo-lhe o reconhecimento maior da crítica, para a infelicidade de empresários que a amaldiçoavam em todos os idiomas: foi a única estrela da ópera mundial a romper com os poderosos do Scala de Milão, do Metropolitan de Nova Iorque, e do Teatro Lírico de Chicago - e sobreviver para contar a história.

Muito mais que um soprano de dotes extraordinários, Callas passou pelo canto lírico como um vendaval renovador, embora se possa dizer que a ópera foi apenas o seu ponto de partida. Dona de forte apelo felino, seus olhos grandes, seu rosto marcado pelos traços trágicos de uma personagem do teatro grego, sua personalidade mediterrânea fizeram-na transcender os círculos cada vez mais minguantes dos amantes do bel canto e tornar-se uma personalidade do noticiário internacional, com o mesmo destaque de celebridades do cinema e da música popular. E na verdade, viveu este papel até o fim.



Sua coleção de amores famosos encheram as páginas dos jornais de todo o mundo. Escândalos também não faltaram. Inclusive durante alguns espetáculos em que simplesmente interrompia sua apresentação, alegando problemas vocais. Muito especulou-se que ela tenha sido vítima de um emagrecimento forçado, para atender as exigências estéticas da época, o que acabou comprometendo seu controle emocional. Um sacrifício pela profissão, que assim definiu:

"A personagem Callas, eu a trago dentro de mim. Que é ser Callas? Não tenho a mínima ideia. Surpreendentemente, acho que essa personagem não vale nada. Isto é uma verdade. A outra verdade é que não gosto que a insultem. Eu sou uma mulher e uma artista sérias. Jamais tive a pretensão de ser 'grande". Deram-me a honra de me atribuir o título de "grande", de "prima-donna". Eu jamais pedi isso. Como não pedi os insultos. Fico triste quando o público não compreende, mas me consolo dizendo-me: "Amanhã me compreenderão". Quando me compreendem, tenho para eles um sentimento de reconhecimento:. Digo a mim mesma: "É isso, é realmente isso". Recebo cartas em que as pessoas me dizem que se sentem mais fortes quando saem de meus espetáculos. Ser Callas é uma religião que trago dentro de mim. É a minha religião".

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14 de setembro de 1927 - Morre Isadora Duncan, iniciadora da dança moderna

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 16 de setembro de 1927

"Vejo daqui a cena. No automóvel esguio de corrida, Isadora, com o seu chale maravilhoso, um chale de grandes dobras de seda, sinuosas e largas ao vento, lança-se para uma carreira infernal. Lá vai ela! O automóvel é apenas um bólido escuro. E a echarpe é uma flâmula cheia de graça! O dia, em Nice, está todo azul. O mar é um mar civilizado, calmo... Toda a paisagem é de um encanto sereno... Isadora e o seu grande manto que voa lembram uma de suas danças mais amadas. Inesperadamente, ela levanta os braços, altos, agudos, desesperados, como há anos no Municipal. É a mesma atitude. É a mesma expressão. É o mesmo gesto coreográfico. E cai. O pano desta vez não desceu. E Isadora Duncan ficou estendida, estrangulada, inerte. Ela havia dançado o último e mais trágico de seus bailados." Jornal do Brasil

Reservando a inestimável e trágica perda, a excepcionalidade do acidente que matou Isadora Duncan, 50 anos, não seria destino de outrem. Ambientado pelos detalhes que a cercaram a vida inteira - a beleza, a moda, a liberdade e a solitude dos palcos, o acidente foi um desfecho contundente, mas coerente com a sua história.

Ela era jovem quando chegou em Nova York, para apresentar seu novo estilo de dança livre. Sem despertar no público americano uma resposta conforme suas expectativas, partiu para a Inglaterra em busca deste reconhecimento. Com sua performance de vanguarda logo causou polêmica. E logo chegou o tão almejado sucesso. Com a primeira apresentação nos palcos de Paris em 1902, cativou de vez a Europa. E de lá, o mundo.



Precursora da emancipação feminina
Isadora Duncan. Reprodução / CPDoc JB
Iniciadora da dança moderna, a americana Isadora Duncan foi uma precursora da emancipação feminina. Com uma atitude transgressora e espírito livre, aliados à sua criativa personalidade, seu estilo revolucionário libertou a mulher da tortura dos coletes, das cintas e dos movimentos rigidamente disciplinados. E rompendo com os padrões clássicos, encantou o mundo com uma maneira inovadora de dançar: de pés descalços, coberta por túnicas leves.

Inspirava-se nas figuras dançantes dos vasos gregos de cerâmica. Como se ressuscitasse a expressão helênica, de singeleza, serenidade e elegância.


Outras efemérides de 14 de setembro:
1982 - Acidente de carro mata Grace Kelly, a Princesa de Mônaco

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13 de setembro de 1993 - Morre Austregésilo de Athayde

Jornal do Brasil: terça-feira, 14 de setembro de 1993

"Quando eu morrer, espero que em meu túmulo figure que fui um defensor do liberalismo e da democracia. Pois baseei minha vida nesses ideais". Austregésilo de Athayde

O escritor Austregésilo de Athayde, presidente da Academia Brasileira de Letras por três décadas e meia, morreu de parada cardiorespiratória, numa clínica no bairro carioca de Botafogo, 12 dias após completar 95 anos de idade.

Pai de três filhos, romancista e ensaísta que não se considerava um literato, mas um jornalista apaixonado pela profissão, "defensor do liberalismo e da democracia, pois baseei minha vida nesses ideais". Athayde foi um dos signatários da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948.

Batizado Belarmino Maria Austregésilo de Athayde, o escritor nasceu em Caruaru, interior pernambucano no dia 25 de setembro de 1898. Filho de um magistrado e de uma musicista, cresceu num ambiente intelectualizado na companhia de outros 11 irmãos. Aos 12 anos, seguiu para o Seminário, tendo estudado até o terceiro ano de Teologia. A carreira religiosa, no entanto, foi abandonada pela intervenção dos padres, preocupados com a falta de firmeza religiosa daquele rebelde que lia autores considerados perigosos na época. No início dos anos 20, já estabelecido no Rio, ingressou no vespertino A Tribuna, registrando assim o início promissor da sua carreira jornalística. Colaborou no Correio da Manhã e assumiu a direção de O Jornal (1924), órgão líder dos Diários Associados de propriedade de Assis Chateaubriand, com quem manteve 50 anos de amizade, nterrompida pela morte do empresário.

O primeiro romance de sua autoria Marion, jamais foi publicado, o que ele justificou "bastante triste para a obra, mas bastante propício para a literatura brasileira". Depois escreveu As histórias amargas (1921) - com prefácio de Coelho Neto e Quando as hortênsias florescem. E vieram ensaios, crônicas e estudos sobre a atuação política de Rui Barbosa, Joaquim Nabuco e outras personalidades reunidos em Mestres do liberalismo (1952). Escreveu também Vana verba(1966), Epístola aos contemporâneos(1967), Conversas na barbearia Sol (1971), Alfa do Centavo (1979), entre outros.

O homem que tinha em sua biblioteca 40 mil livros, inclusive raras obras do século 16, foi testemunha privilegiada da história da República. De fôlego incansável, só se rendeu mesmo à pneumonia dupla que começou a se manifestar pouco menos de um mês antes do jornalista adbicar de sua imortalidade, conquistada 42 anos antes, ao entrar para a Academia Brasileira de Letras.

Outras efemérides de 13 de setembro:

1911 - Centenário de morte de Raimundo Correia
1989 - Desmond Tutu lidera manifestação contra apartheid
1993 – Israel e OLP assinam acordo de paz

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8 de setembro de 1976 - Xica da Silva estreia nos cinemas

Jornal do Brasil: 05 de setembro de 1976

"Xica da Silva, a Negra! A Negra! De escrava a amante, mulher! Mulher do fidalgo tratador João Fernandes. Ai! Ai! Ai!..."
Jorge Benjor

O filme Xica da Silva chegou ao grande circuito numa época em que começava-se a articular a abertura do regime ditatorial no Brasil. Diferente do que aconteceu até o começo dos anos 70, quando as produções enfatizavam o protesto à repressão através de reflexões político-ideológicas, a obra dirigida por Cacá Diegues, pelo resgate da questão da escravidão, mostrou uma nova intenção de contestação à ditadura militar, através da retomada alegórica de episódios da História do Brasil Colonial.

Contudo, nas entrelinhas a própria escolha do tema já é um indicativo da postura do autor: retratar a história de uma negra escrava que quer se tornar livre.

Com este argumento, Cacá Diegues traçou um paralelo entre a história de Xica da Silva e a história do Brasil. Originalmente inferiores, Xica, uma escrava negra, e o Brasil, uma colônia explorada, chegam ao status de prestígio máximo: Xica livre e Brasil independente. Porém, ambos ainda tratados com restrições, Xica impedida de ter acesso à Igreja, por exemplo. E o Brasil à mercê de novos dominantes.

Ficha técnica
Direção: Cacá Diegues
Elenco: Zezé Motta, Walmor Chagas, José Wilker, Stepan Necerssian, Elke Maravilha, entre outros

Sinopse: A trajetória de Xica da Silva que, de escrava, tornou-se a primeira dama negra de nossa história, seduzindo o milionário contratador de diamantes João Fernandes de Oliveira. Promovendo luxuosas festas, banquetes, com a presença de grupos de teatro europeu, que se apresentavam nas salas de sua imensa casa, Xica da Silva ficou conhecida até na corte portuguesa. Sua ostentação atingiu aspectos surrealistas, quando João Fernandes de Oliveira satisfez o seu caprichoso desejo de fazer uma viagem marítima sem sair da região, construindo um lago artificial e uma caravela manobrada por uma tripulação de dez homens.

Outras efemérides de 8 de setembro:
1930 - É brasileira a mais bonita do Universo
1974 – Gerald Ford perdoa Richard Nixon
1986 – Decretado estado de sítio no Chile

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5 de setembro de 1997 - Morre Madre Teresa, símbolo maior da caridade universal

"Estou grata por receber o Prêmio Nobel em nome dos famintos, dos que estão nus, dos aleijados, dos cegos, dos leprosos, de todos os que se sentem indesejáveis, não amados, abandonados, pessoas que se tornaram um fardo para a sociedade e são desprezadas por todos".
Madre Teresa de Calcutá

Jornal do Brasil: 6 de setembro de 1992

A religiosa católica Madre Teresa de Calcutá, 87 anos, morreu na sede da ordem das Missionárias da Caridade em conseqüência de um ataque cardíaco. Uma das mais veneradas personalidades do mundo por sua dedicação altruísta aos pobres, doentes e moribundos, destacava-se de forma positiva como exemplo do autêntico sacríficio pessoal na realização de tarefas humanitárias. Um símbolo para o mundo, reconhecido na conquista do Prêmio Nobel da Paz em 1979.

"Em 1946, quando eu me dirigia de trem à cidade de Darjeeling, despertei para um mundo que pouco conhecia. Aqueles vagões carregavam uma multidão de miseráveis e famintos. Foi naquele instante que recebi o chamado para renunciar a tudo e seguir o Cristo nos subúrbios, para servir entre os mais pobres dos pobres". Assim Madre Teresa tomou sua decisão.

Madre Teresa de Calcutá. Cristina Paranaguá/AJB
Agnes Gonxha Bojaxhiu era seu nome de batismo. Nascida em 27 de agosto de 1910, aos 12 anos já pretendia ser missionária, "ir pelo mundo afora distribuindo o amor de Cristo". Com 17 anos entrou para a Congregação das Irmãs de Nossa Senhora do Loreto, na Irlanda. Um ano depois, em 1929, já com o nome de Teresa, como ficou conhecida, chegou a Calcutá, na Índia, onde mais tarde, abriria uma escola. Madre Teresa fez seu voto perpétuo em 1937. Em 1948, após o chamado divino, ganhou permissão para trabalhar nas favelas da cidade. Foi quando adotou o hábito branco de algodão debruado de azul: "O mais simples, o mais barato, o mais pobre, o mais simples, pois não precisa sequer ser passado a ferro".

Foi no ano de 1950 que ela fundou a Ordem das Missionárias da Caridade. Passou a ser, a partir de então, a Teresa de Calcutá.

Dois anos mais tarde, outro episódio como o chamado recebido no trem a faria tomar uma nova decisão. Encontrou uma mulher agonizando na rua, os pés praticamente devorados por ratos, o corpo com chagas cobertas de vermes. Quis ajudá-las, mas foi um custo para convencer um hospital a aceitar a paciente. Resolveu, então, abrir o primeiro de seus vários lares para moribundos. Conseguiu um antigo prédio que havia funcionado como hospedagem para peregrinos. Deu ao local o nome de "Coração Puro". E assumiu a tarefa de cuidar dos que estavam à beira da morte.

Daí em diante, suas obras de caridades se multiplicaram e fundou vários lares para doentes e creches em diversos lugares do mundo. A figura frágil de uma pequena mulher resistiu a inúmeros ataques de ordem religiosa, política, questionada até mesmo pelo apelo comercial incutido na postura de seu assistencialismo.

Madre Teresa foi beatificada em 2003, quando o Papa João Paulo II acelerou seu processo de santificação.

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3 de setembro de 1991 - Adeus ao cineasta Frank Capra, o precursor da comédias sofisticadas

Morre Frank Capra. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 4 de setembro de 1991

Frank Capra, um dos grandes nomes de Hollywood, morreu aos 94 anos.

Nascido em Palermo, na Sicília, em 1897, Frank Capra chegou aos Estados Unidos aos seis anos e enfrentou todas as dificuldades que os personagens dos seus filmes venceriam. Seu pai era catador de laranjas e ele mesmo foi boy em jornal e tocador de banjo nas ruas para ajudar a família e pagar seus estudos. Formou-se em engenharia química em 1918.

O curso universitário havia lhe garantido um emprego num laboratório fotográfico, onde durante um ano revelou e montou filmes amadores. Saiu dali para sua primeira oportunidade em Hollywood. Conseguiu uma chance que mudaria sua vida. Dirigiu um filme curto, baseado num poema de Rudyard Kipling por US$ 75, apesar de não entender nada de cinema.

Tornou-se roteirista de comédias para os dois maiores produtores do gênero: Hal Rouch e Mack Sennett.

Em 1925 iniciou uma parceria com o comediante Harry Langdon e passou a escrever e dirigir os filmes de Langdon. Rompida a parceria, Capra continuou como diretor de curtas-metragens, montador e roteirista de comédias. Seu primeiro sucesso como diretor veio com o filme Submarine (1928). Depois seguiram-se Platinum Blonde e American Madness. Em 1929 assinou com a Columbia Pictures. Com liberdade total para realizar seus filmes, e auxiliado pelo roteirista Robert Riskin, Capra criou um estilo de comédias sentimentais que oferecia à população sofrida com a Grande Depressão uma oportuna mensagem de otimismo. Durante a Segunda Guerra, Frank Capra engajado na luta, produziu documentários para a Marinha.


Precursor da comédias sofisticadas

Capra baseou a maior parte de sua filmografia em personagens idealistas que enfrentam sistemas sociais opressivos, e no triunfo da honestidade e da justiça. Seus filmes, românticos e otimistas, estavam de acordo com a política do New Deal, proposta pelo então presidente Franklin Roosevelt. Em 1951, convenceu-se de que o cinema e o mundo haviam mudado e parou durante oito anos. Fez mais dois filmes em 59 e 61, encerrando definitivamente a carreira e criticando as condições de trabalho na nova Hollywood. Seu filme mais importante no pós-guerra foi A Felicidade Não se Compra.


1985: Encontrados os destroços do Titanic
1989: Avião desaparece na Amazônia
1996: EUA castigam Sadam em casa

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