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31 de outubro: O Dia D Drummond - Textos da última e exclusiva entrevista de Drummond

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A primeira vez no Jornal do Brasil

Dezessete dias antes de dar adeus ao mundo, Drummond confidenciou que tinha um único e prosaico medo: O de escorregar, levar uma queda boba e quebrar o fêmur. A confissão fez parte da última e exclusiva entrevista do poeta concedida ao jornalista Geneton Moares Neto para o jornal...

Jornal do Brasil: Sábado, 22 de agosto de 1987
A última e exclusiva entrevista de Carlos Drummond de Andrade

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Ciao

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31 de outubro: O Dia D Drummond - Ciao

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E chegou a hora de pendurar as chuteiras da aventura jornalística: "Estou me despedindo da vida de cronista. Mas acho que já estou sentindo saudades."

A última crônica ...

Jornal do Brasil: Sábado, 29 de setembro de 1984
Ciao, de Carlos Drummond de Andrade

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Textos da última e exclusiva entrevista de Drummond

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31 de outubro: O Dia D Drummond - Adeus a Sete Quedas

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Drummond também manifestou sua inconformidade com atrocidade humana. Seu poema de despedida ao Salto de Sete Quedas, patrimônio natural do Brasil e da humanidade, que deu lugar ao lago da hidrelétrica de Itaipu, reverberou país afora, deixando para a posteridade o sabor de saudade de algo que jamais verão.

Jornal do Brasil: 9 de setembro de 1982
Jornal do Brasil: 9 de setembro de 1982

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Textos da última e exclusiva entrevista de Drummond

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31 de outubro: O Dia D Drummond - Mané e o sonho

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A primeira vez no Jornal do Brasil

Quando o mundo perdeu Mané Garrincha, coube a Drummond encontrar as palavras da tristeza do povo sem a genialidade da alegria:

"... Se há um deus que regula o futebol, esse deus é sobretudo irônico e farsante, e Garrincha foi um de seus delegados incumbidos de zombar de tudo e de todos, nos estádios. Mas, como é também um deus cruel, tirou do estonteante Garrincha a faculdade de perceber sua condição de agente divino. Foi um pobre e pequeno mortal que ajudou um país inteiro a sublimar suas tristezas. O pior é que as tristezas voltam, e não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho".

Jornal do Brasil: Sábado, 22 de janeiro de 1983
Mane e o Sonho, de Carlos Drummond de Andrade
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31 de outubro: O Dia D Drummond - Visão de Clarice

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Clarice Lispector estreou no Jornal do Brasil em 19 de agosto de 1967, quando o Caderno B passou a ser publicado também aos sábados. E escreveu até 29 de dezembro de 1973. Suas crônicas semanais, que quase sempre habitavam a página 2, refletiam um método de trabalhar a que chamava de costurar para dentro, reunindo as frases que lhe vinham a cabeça durante todo o dia, fazendo suas crônicas nascerem aos pedaços. Com esta técnica, Drummond despediu-se da ucraniana, brincando com seu mistério...

Jornal do Brasil: Sábado, 10 de dezembro de 1977
Visão de Clarice, de Carlos Drummond de Andrade
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31 de outubro: O Dia D Drummond - A música popular entra no paraíso

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"Quem é esse baixinho que vem ai, ao som do violão, de copo cheio na mão?" - quer saber Deus à entrada do paraíso. Seu santo auxiliar Pedro responde-lhe:"Trata-se do Vosso servo Vinicius, Menestrel da Gávea e dos amores inumeráveis". Posto a par da alegria que ele deu a Seu povo, e de que morreu a Seu serviço, como lhe garante São Pedro, Deus manda entrar, "logo", o poeta.

E assim Vinicius de Moraes entra no céu, rodeado de anjos, crianças, virgens e matronas que entoam Se Todos Fossem Iguais a Você - segundo quer e testemunha seu irmão de afeto Drummond

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 11 de julho de 1980
A morte de Vinicius de Moraes

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31 de outubro: O Dia D Drummond - Se eu fosse consultado

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Já fazia longos treze anos que o povo brasileiro vivia sob o recrudescimento da ditadura no país, quando Drummond ousou mais uma invenção: o voto mental absoluto. Uma mensagem de esperança.

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 14 de abril de 1977
Se eu fosse consultado, de Carlos Drummond de Andrade

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31 de outubro: O Dia D Drummond - A descoberta de Cora Coralina

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A primeira vez no Jornal do Brasil

E chegou o dia de Drummond apresentar aos seus leitores um talento escondido. E foi logo avisando: "Este nome eu não inventei, existe mesmo, é de uma mulher que vive em Goiás: Cora Coralina... gosto muito deste nome, que me invoca, me bouleversa, me hipnotisa, como no verso de Bandeira. " Que presente!

Jornal do Brasil: Sábado, 27 de dezembro de 1980
A descoberta de Cora Coralina, de Carlos Drummond de Andrade

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31 de outubro: O Dia D Drummond - No moinho do mundo

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A primeira vez no Jornal do Brasil

Para homenagear Cartola, Drummond escreveu a crônica No moinho do mundo: a história do homem simples que encantou por seu jeito de lidar com as situações da vida. Cartola leu a homenagem no hospital e pediu que fixassem o jornal na parede de seu leito. A crônica foi publicada três dias antes da morte do ilustre mangueirense.

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 27 de novembro de 1980
No moinho do mundo, de Carlos Drummond de Andrade
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31 de outubro: O Dia D Drummond - A primeira vez no Jornal do Brasil

No dia 2 de outubro de 1969, Carlos Drummond de Andrade entrou para a turma de colaboradores do Jornal do Brasil. Leilão do ar, seu texto de estréia, sobre o leilão que liquidava a Panair do Brasil, foi o pontapé de 15 anos de poesias e crônicas, publicadas sempre às terças, quintas e sábados, na última página do Caderno B. Ao total, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de dois mil e 300 textos, que abordaram fatos históricos e expressaram comentários críticos e humorísticos sobre questões literárias, econômicas, políticas e sociais do cotidiano brasileiro.

Para participar do Dia D Drummond, selecionamos passagens desta inesquecível experiência do grande poeta nas páginas do Jornal do Brasil que serão postadas ao longo do dia a começar pelo artigo de estréia...

Jornal do Brasil: Quinta-feira, 2 de outubro de 1969
Leilão do Ar, de Carlos Drummond de Andrade

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30 de outubro de 1979: A morte do líder sindical Santo Dias

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 31 de outubro de 1979 - página 8
Santo Dias foi assassinado pelas costas por um PM durante uma manifestação de 50 pessoas em frente da fábrica de TV Sylvânia, na Zona Sul de São Paulo. A morte do operário mudou os rumos da greve de São Paulo, Osasco e Guarulhos, desencadeada dois dias antes do crime, e acelerou o fim do regime militar.
A história de Santo Dias se cruza com a de vários líderes que lutaram pela redemocratização do país. Em plena ditadura, a opinião pública não se calou. O deputado Ulysses Guimarães e o senador Franco Montoro, ambos do MDB, protestaram.
A Polícia recolheu rapidamente o corpo e levou outros três feridos graves para o hospital, mas a notícia da morte de Santo correu de boca em boca. O crime aconteceu uma hora antes da realização da assembléia do sindicato em que os operários estavam dispostos a aceitar a proposta de reajuste da Delegacia Regional Trabalhista e acabar com a paralisação. O assassinato causou uma reviravolta, e cerca de 6 mil metalúrgicos de São Paulo e Guarulhos decidiram continuar a greve. Só Osasco assinou a conciliação.
O secretário de Segurança Pública, desembargador Octávio Gonzaga Júnior disse que Santo foi morto em um confronto onde três policiais ficaram feridos. O secretário divulgou o nome dos PMs agredidos, mas eles não foram aparesentados à imprensa. A versão da polícia foi desmentida por testemunhas. O PM Herculano Leonel acusado de atirar em Santo foi condenado a seis anos de prisão em 1982, mas recorreu e o processo foi arquivado por falta de provas.
O corpo do operário só foi liberado depois da interferência de outros sindicalistas e de parlamentares. Cerca de 10 mil acompanharam o cortejo.Entre eles estavam opositores da ditadura, como Hélio Bicudo, Luiz Eduardo Greenhalgh, Perseu Abramo, além de dois políticos que ainda iniciavam sua trajetória: Fernando Henrique Cardoso, e Luiz Inácio Lula da Silva, que era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernado do Campo. Dos prédios caíam papeis picados, um sinal silencioso de solideariedade. Santo Dias tornou-se um dos últimos mártires da ditadura.
Defesa dos Direitos Humanos
Três meses depois da morte do operário, o Partido dos Trabalhadores (PT) seria fundado. Por iniciativa de dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo de São Paulo naquela época, o líder metalúrgico ligado à Pastoral Operária inspirou a criação do Centro Dias de Defesa dos Direitos Humanos da Arquidiocese de São Paulo, para a defesa das vítimas da violência policial. Santo era amigo pessoal de dom Paulo Evaristo Arns. O arcebispo comentou sobre a morte do operário, na edição do Jornal do Brasil de 31 de outubro de 1979:
- Foi um acontecimento dos mais tristes a que assisti. Um operário defendeu com o próprio corpo seus ideais e seus companheiros.

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29 de outubro de 1945: A queda do Estado Novo

Jornal do Brasil: Terça-feira, 30 de outubro de 1945
A ditadura Vargas, período conhecido por Estado Novo, começou com o golpe de 10 de novembro de 1937 e se estendeu até 29 de outubro de 1945, quando Getúlio Vargas foi deposto.

Vargas havia comunicado que decidira interromper o processo eleitoral que se desenvolvia no país por considerar inoportunas as eleições de 2 de dezembro, nomeando para a chefia de policia o Sr. Benjamim Vargas e para a Prefeitura o Sr. João Alberto.

Depois deste comunicado, o Ministro da Guerra, General Góis Monteiro esteve a ponto de apresentar seu pedido de demissão, convocando de imediato uma reunião dos generais e outras altas patentes das Forças Armadas para lhes dar conhecimento do que ocorria e tomar as decisões necessárias.

As horas da tarde foram de intenso movimento, com ordens às diferentes unidades para que se deslocassem de suas sedes e se postarem nas imediações do Quartel General.

Às 21h30, o General Gustavo Cordeiro de Faria acompanhado do Ministro Agamenon e do General Firmo Freire, dirigiu-se ao Palácio Guanabara para dar conhecimento ao Presidente da República o desenrolar dos acontecimentos. A esse apelo o Presidente da Republica acedeu, dizendo-se pronto a entregar as funções de governo ao Presidente do Supremo Tribunal Federal.

Proclamação
O General Pedro Aurélio de Góis Monteiro, em nome das Classes Armadas, declara que o Exmo.sr. Presidente da República, diante dos últimos acontecimentos e para evitar maiores inquietações, por motivos políticos se afastará do Governo, transmitindo o poder ao Presidente do Supremo Tribunal Federal. O Sr. Presidente fará uma proclamação ao povo brasileiro, concorrendo com sua renúncia e alto patriotismo para que a ordem pública não sofra solução de continuidade e se mantenha inalterável o prestígio do Brasil.”

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28 de outubro de 2011: O Centenário de Nelson Cavaquinho

Nelson Cavaquinho por Almir Veiga-CPDoc JB

"Quando o tempo avisar que não posso mais cantar,
sei que vou sentir saudade, ao lado do meu violão da minha mocidade
"...
Nelson Cavaquinho

Nelson Antônio da Silva nasceu carioca, no dia 29 de outubro de 1911. Mas logo, logo, começou na música. Veio a preferência pelo instrumento que lhe daria um novo nome: Nelson Cavaquinho. Trocou a profissão de policial para viver do samba. Em Mangueira, fez o seu primeiro samba, Entre a Cruz e a Espada, e trocou o cavaquinho pelo violão, mas não abandonou o modo de tocar com o polegar e o indicador que sempre impressionou músicos de renome. Nunca mais parou de compor.

O primeiro sucesso foi Rugas (1946), com Augusto Garcez e Ari Monteiro, mas a fama maior viria mesmo na Mangueira, na qual entrou em 1952.

Nelson compôs com Cartola e com uma infinidade de parceiros, na maioria fictícios (entraram apenas com o nome). Um, se transformaria em sua alma gêmea: o mecânico de máquinas de calcular Guilherme de Brito, boêmio e seresteiro, pintor primitivo e poeta da mesma escola Nelsoniana. Nelson e Guilherme se encontraram em 1946, num botequim do subúrbio de Ramos. Nelson vivia o auge da mais destemperada boêmia: dias inteiros, semanas até, de bar em bar, sem aparecer em casa. Foi um casamento musical à primeira vista, uma união artística de 40 anos responsável por muitos dos melhores sambas já feitos. Alguns exemplos são: A Flor e o Espinho, Luto, Pranto de Poeta, Folhas Secas, Depois da Vida, Quando eu me Chamar Saudade.

Guilherme, boêmio mais moderado, tentou levar Nelson pelos caminhos de uma carreira menos atípica. Em vão, apesar de algumas concessões de Nelson, que nos últimos anos concordou em aproximar-se timidamente do mercado.

Apesar da grande produção artística, Nelson Cavaquinho deixou apenas dois LPs e teve algumas composições gravadas por intérpretes como Elizete Cardoso. Era um rebelde a seu modo, um verdadeiro artista do povo em estado puro. Queria apenas ver a sua arte cantada. Queria, sobretudo cantá-la ele próprio.

Um dos mais importantes criadores de sua geração, cantor, compositor e instrumentista, Nelson Cavaquinho morreu aos 74 anos, no dia 18 de fevereiro de 1986, uma semana depois de comemorar a vitória da Mangueira no carnaval.

Aqui uma homenagem ao grande poeta:

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27 de outubro de 2011: Adeus a Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil.

Morre Luiz Mendes, o comentarista da palavra fácil


Luiz Mendes, 87 anos, o comentarista da palavra fácil, morreu na manhã desta quinta-feira no Hospital São Lucas, na zona sul do Rio de Janeiro, aonde estava internado desde o último dia 18 de outubro. A assessoria do hospital informou que ele apresentou complicações decorrentes de uma leucemia linfocítica crônica.

Luiz Pineda Mendes nasceu no dia 9 de junho de 1924. Dono de voz marcante, pode se dizer que ela o ajudou a descobrir cedo sua vocação: a locução. Foi um dos maiores e mais queridos comentaristas esportivos do Brasil. Gaúcho, gremista e botafoguense, tinha um jeito peculiar - simples e calmo - de lidar com seus ouvintes ao expor seus comentários, que sempre tinham a gentil introdução: _"Minha gente"...

Com conhecimento privilegiado de poucos sobre a história do futebol, testemunha ocular presente em nada menos que 16 decisões de copa do mundo, entre seus últimos trabalhos estavam a participação no programa Enquanto a Bola Não Rola, a mesa-redonda da Rádio Globo aos domingos. Também comandava diariamente o quadro Da Pelada ao Pelé no programa Globo Esportivo, onde contava suas principais lembranças do mundo do futebol.

Deixa viúva a atriz Dayse Lúcida, com quem teve um filho.

Assista um pouquinho das histórias do Luiz Mendes, por ele mesmo...

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27 de outubro de 1978: Caso Herzog - União é culpada

Primeira página do Jornal do Brasil: Sexta-feira, 28 de outubro de 1978

São Paulo: "Julgo a presente ação procedente e o faço para, nos termos do Artigo 4º, inciso I, do Código de Processo Civil, declarar a existência de relação jurídica entre os autores (Clarice, Ivo e André Herzog) e a ré (União Federal), consiste na obrigação desta indenizar aqueles pelos danos materiais e morais decorrentes da morte do jornalista Wladimir Herzog, marido e pai dos autores, ficando a ré condenada em honorários advocatícios que, a teor do Artigo 20, parágrafo 4º, do mesmo diploma legal, fixo em CR$ 50 mil".

Esta foi a síntese da sentença do Juiz Márcio José de Moraes, declarada em 27 de outubro de 1978, em pleno regime militar, após estudar os documentos de acusação e defesa no caso Wladimir Herzog.

Muito mais do que a vitória da corajosa família Herzog que, com apoio de amigos, levou incansavelmente o processo adiante na busca da verdade, a sentença foi um grande passo na luta pela defesa dos direitos humanos no país. Revelou a articulação do inquérito policial-militar para atenuar a atuação dos órgãos de repressão que, numa época sombria, prendiam, torturavam e matavam quem divergisse do poder político, achando-se donos da vida desses, e de nossas memórias. E abriu precedente para que outras famílias brasileiras pudessem exercer o seu direito: apurar e esclarecer o paradeiro de parentes desaparecidos após prisão política, durante a ditadura.

A morte de Wladimir
Wladimir Herzog na cela do DOI-CODI. Reprodução/CPDoc JB

Após comparecer à sede do DOI-CODI no começo da manhã do dia 25 de outubro de 1975 para prestar depoimento sobre sua suposta ligação com o Partido Comunista Brasileiro, o jornalista Wladimir Herzog foi encontrado enforcado, no final da tarde, numa das celas das dependências da instituição em São Paulo. Segundo a versão oficial do II Exército (comandado pelo General Ednardo D´Ávila Mello), ratificada por IPM, ele teria se suicidado com o próprio cinto.

Entretanto, Clarice, Ivo e André Herzog, mulher e filhos da vítima, moveram ação cível contra o Governo em abril de 1976, responsabilizando-o por prisão ilegal, tortura e morte.


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7 de abril de 1987: União é culpada pela morte de Manoel Fiel Filho

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26 de outubro de 2011: 89 anos de Darcy Ribeiro

Darcy Ribeiro

"Só há duas opções nesta vida:
se resignar ou se indignar.
E eu não vou me resignar nunca
".
Darcy Ribeiro

O JBlog Hoje na História deste 26 de outubro de 2011 se dedica a um genuíno brasileiro, que se fosse vivo, completaria hoje 89 anos: Darcy Ribeiro. Daqueles que não desistiu nunca. Um intelectual brasileiro dedicado em defender o que era verdadeiramente nosso. Um apaixonado pelo Brasil, empenhado nas melhorias da nossa Educação, inconformado com as agruras do povo, dedicado em entender nossas origens, assistir aos índios com quem conviveu e a quem defendeu como um cacique. Mais um mineiro, de Montes Claros, que enche nosso peito de orgulho.

Quem mais ficaria deitado numa rede, na beira de uma praia brasileira, embalado pela brisa, apenas pelo prazer de sentir o cheiro das mulatas africanas?

Darcy, como você faz falta!



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17 de fevereiro de 1997: Morre Darcy Ribeiro

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25 de outubro de 1993: O Adeus a Mr. Terror, Vicent Price

nullVicent Price, 82 anos, morreu em Los Angeles, vítima de câncer no pulmão. Por mais de quatro décadas, a encarnação perfeita do mal no cinema, sua voz soturna e seus personagens desequilibrados foram a marca registrada dos filmes de terror.

Nascido em Missouri, em 27 de maio de 1911, Vincent Leonard Price Jr começou a fazer teatro na universidade, passando logo depois a atuar em peças na Brodway. Em 1938, estreou no cinema na comédia Service de luxe.

Até 1945, Price só interpretou papéis secundários, mas em 1946 foi convidado para ser ator principal em O solar de Dragonwick, de Joseph Manckiewz. Em 1953 aconteceu a grande reviravolta em sua carreira: House of Wax, de Andre de Toth.

A partir daí, o nome de Price tornou-se presença constante em vários filmes de terror que foram sucesso - While the City Sleeps, de Fritz Lang, The fly e Return of the fly -, mas o reconhecimento só viria depois da associação entre Price e o diretor Roger Corman, inaugurando uma série de filmes baseados a obra do escritor Edgar Allan Poe. Coube a Corman aproveitar aquela figura imponente, aristocrática, esguia, meio sinistra. Corman tentou fazer de Price um novo Boris Karloff em títulos como House Of Usher, The haunted palace e The raven, onde Price contracena com o próprio Farloff. Price foi além e criou sua própria caricatura. Como o cientista louco de Edward Scissorhands, papel-homenagem criado pelo diretor e admirador Tim Burton.

Com uma carreira de mais de 50 anos, além de um legado de clássicos dedicados ao suspense e ao terror, Price também deixou, por gerações, muitas criancinhas sem dormir.

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24 de outubro de 1945: É fundada a Organização das Nações Unidas

Jornal do Brasil: 25 de outubro de 1945 - página 7

"A paz não depende somente de documentos, mas do desejo dos povos em mantê-la".
James Byrnes



A Organização das Nações Unidas, ONU, começou a existir oficialmente após o Secretário de Estado norte-americano, James Byrnes, protocolar o depósito das ratificações de 51 países, entre eles o Brasil, à Carta das Nações Unidas, redigida quatro meses antes, durante a Conferência das Nações Unidas para uma Organização Internacional, em São Francisco, na Califórnia.
Sede da ONU. Reprodução/CPDoc JB

Com propósito de fomentar a paz entre as nações, defender os direitos humanos, respeitar a autodeterminação de cada país e promover a solidariedade entre eles, o documento foi uma promessa de melhores perspectivas para o mundo pós-guerra, temeroso pela emergente e desconhecida era atômica. A Carta prescreveu que as controvérsias internacionais deveriam ser resolvidas por meios pacíficos, evitando a ameaça ou o uso da força.

Refugiados ruandeses na estrada de Goma. Reprodução/CPDoc JB


A ONU nascia, então, não com uma missão, mas com um desafio:


consolidar a cooperação internacional em questões de exclusão - miséria, discriminação, analfabetismo, opressão política, criminalidade, entre outros problemas de ordem socioeconômica - pela manutenção da paz.

Assumia, assim, um papel delicado. Preconizar a cultura do convívio fundamentada em princípios de liberdade, justiça e democracia, num mundo onde o homem é o lobo do próprio homem.

A ONU hoje conta com mais de 180 países membros. Ao longo de sua história vem atuando em inúmeras causas para combater a fome, o armamento bélico, a degradação ambiental, a exploração de mão-de-obra infantil, as epidemias, a perseguição racial e religiosa.

Mas as disputas territoriais e militares mantém-se como o seu maior desafio.

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23 de outubro de 1956: 50 anos do primeiro vôo de Santos Dumont

Jornal do Brasil: Quarta-feria, 24 de outubro de 1956
Numa sensacional e inédita revoada, todos os aviões civis e militares brasileiros foram ao céu, precisamente às 16h45, no exato momento em que há cinqüenta anos, Santos-Dumont decolava do campo de Bagatelle, em Paris. Depois de correr pelo chão cerca de 200 metros, deslocou-se em pleno espaço, a uma altura calculada em 3 metros, e voou a uma distância de 60 m.

A 23 de outubro de 1906, o 14-Bis foi primeiro aparelho mais pesado que o meio atmosférico a decolar, manter-se no espaço e pousar utilizando unicamente os próprios recursos mecânicos. O impossível aconteceu. O mundo ficou de boca aberta para tamanho façanha, mudando a história do século XX e da própria humanidade.

Nesta empolgante homenagem, todos os tipos de aviões cruzaram nossos céus, como ato das comemorações que o Brasil inteiro festejou, pelo feito extraordinário do genial patrício, Alberto Santos-Dumont.

Com esse gesto, os aviadores brasileiros, festejaram o primeiro cinqüentenário do primeiro vôo do homem em avião. Cada piloto, ao acionar seus motores para a decolagem, reverenciou, naquele instante histórico, a memória do Pai da Aviação.

O Presidente Juscelino Kubitschek chegou ao palanque armado na Praça Salgado Filho, no Rio de Janeiro, às 10 horas, sendo recebido com a banda de musica da Força Aeronáutica Brasileira que executava o Hino Nacional, o qual foi seguido da Canção de Santos Dumont, marcha de Eduardo das Neves.

Encerrando a solenidade, desfilou em continência ao Presidente da Republica a tropa estacionada no local, constituída de contingentes das três escolas militares - Naval, de Aeronáutica e Academia Militar das Agulhas Negras - e as representações da Espanha, Chile, Argentina, Paraguai, Peru e Uruguai, convidadas para as comemorações do Ano Santos Dumont.

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22 de outubro de 1966: Começa o FIC - Festival Internacional da Canção

Jornal do Brasil: Domingo, 23 de outubro de 1966 - página 19

"Boa sorte, Maestro!". Assim, o apresentador Hilton Gomes comandava o início de cada apresentação do espetáculo musical mais concorrido da década de 60: o Festival Internacional da Canção Popular.

A história do FIC começou a ser escrita naquela noite de sábado, no Maracanãzinho, com "Guerra e Paz", na voz de Penha Maria. Outras 35 músicas foram interpretadas na primeira edição do festival, lançando o Rio de Janeiro no calendário febril dos festivais musicais, até então restrito a São Paulo: O que ficou de nós dois, Saveiros, Canto triste, O amor é chama,
Nana Caymmi. Gonzalez/CPDoc JB
Um novo sol, Maria, Festa no mar, Canção brasileira, Canção do amor negro, Vou tão sozinho, Aquele amor melhor, Nossos silêncios, Chorar e cantar, Não se morre de mal de amor, É preciso perdoar, Flor no chão, Canção de ninar a amada, Inaiá, Canção do amor que não vem, Canção do ouro e da prata, Beira-mar, Crepúsculo, O cavaleiro, Minha senhora, Se a gente grande soubesse, A morte do André, Quando dois se gostam, Dia das rosas, Canção e medo, Minha alegria é só você, Chora coração, Vai de uma vez, Apoteóse do samba, Benza Deus e Festa de cores.


Momentos do I FIC. Fotomontagem.



Reunindo uma geração de qualidade musical ímpar em composição e interpretação, exaltada, entre aplausos e vaias, por um público apaixonado e ávido por sua performance, coincidentemente ou não, essa foi sua fórmula de sucesso: Todos estavam lá, no momento certo.

O festival tinha duas etapas. Na primeira, a nacional, o vencedor era selecionado para representar o país na etapa seguinte, a internacional, onde sagrava-se o grande campeão. Em 1966, a vencedora da edição nacional foi "Saveiros", parceria de Dori Caymmi e Nélson Motta, na voz de Nana Caymmi. Mas, realizado em sete edições, de 1966 a 1972, o Brasil só conquistou duas grandes vitórias: "Sabiá" (Tom Jobim e Chico Buarque), interpretada por Cynara e Cybele, em 1968 no III FIC, e "Cantiga por Luciana" (Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), na voz de Evinha, no ano seguinte. Transmitido pela tv para diversas partes do mundo, o FIC contribuiu com a projeção da MPB no cenário internacional.

Contextualizado num período político de repressão e censura, o festival consagrou, testemunhando o exercício da criatividade e da ousadia, um rico repertório de expressão musical. Mas a grande apresentação de todas as edições do festival aconteceu em 1968. "Prá não dizer que eu não falei das flores", uma ode à paz na interpretação do próprio compositor, Geraldo Vandré, reuniu todos os anseios de democracia e liberdade contra a ditadura vigente no país. O sucesso ficou em segundo lugar no festival. Mas foi imortalizado como o heróico hino de resistência popular.

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21 de outubro de 1984: Morre François Truffaut, o cineasta francês que amava as mulheres

Morre François Truffaut. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 22 de outubro de 1984.

François Truffaut, 52 anos, um dos mais importantes diretores do cinema francês, morreu de câncer no cérebro em um dia de outono parisiense de céu cinzento. A perda irreparável para a história do cinema mundial aconteceu num momento em que seu talento era mais uma vez reconhecido com a estréia de Vivement Dimanche! (Finalmente Domingo!), seu último filme, que homenageia Alfred Hitichock, inspirador máximo de sua obra. Foi um dos fundadores da nouvelle vague, movimento que renovou o cinema francês, herdeiro da tradição humanística do cinema de Jean Renoir. Os temas principais de sua obra foram as mulheres, a paixão e a infância.

Sua infância foi conturbada e solitária, restando como consolo o escuro das salas de exibição cinematográfica. Aos 15 anos já estava envolvido no trabalho cineclubista e foi convidado a trabalhar na revista Cahiers du Cinéma em itálico pelo famoso crítico André Bazin. Com seus colegas da redação, Jean-Luc Godard, Eric Rohmer e Claude Chabrol, começou a desenvolver seus filmes.

Seu primeiro filme, Os Incompreendidos, é um resumo autobiográfico da experiência vivenciada pela desagregação do lar. Enquanto exorcizava sua memória afetiva, Truffaut construiu uma sólida carreira de cineasta. Variava de vez em quando o tom de sua cinedramaturgia, mas sempre deixando, em cada filme, a marca de sua sensibilidade.

Truffaut realizou filmes geniais como Jules e Jim - Uma Mulher para Dois, Fahrenheit 451, Beijos Proibidos, Garoto Selvagem, Sereia do Mississipi, O Homem que Amava as Mulheres, Amor em Fuga, O Último Metrô e outros, virgula em que está impresso o amor por seus personagens e por seu ofício, o cinema.

Truffaut, o homem que amava o cinema, ensinou milhares de espectadores do mundo inteiro a também amar o cinema, e a conhecer Paris.


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20 de outubro de 2011: Era Kadafi chega ao fim. Morre o mais longínquo ditador do mundo árabe

Muamar Kadafi

"Esperávamos havia muito tempo por este momento. Muammar Kadhafi foi morto". A notícia da morte do ex-líder da Líbia foi confirmada pelo primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio, Mahmoud Jibril, durante confronto pela tomada da cidade de Sirte - reduto das forças leais do ditador, nesta quinta-feira.

A disputa por Sirte era vista como o último entrave a ser superado para a tomada da Líbia. A cidade viveu nos últimos dias o recrudescimento dos combates. O confronto em Sirte se seguiu à queda da cidade de Beni Walid, outro reduto do antigo regime, para os soldados do CNT, na última semana.

Nascido em 7 de junho de 1942, em uma família nômade de meios modestos, Muammar Abu Minyar al-Gaddafi recebeu uma educação tardia levou a graduação Benghasi Academia Militar, terminou a sua formação com estudos de história e uma breve estadia na Inglaterra. Em 1969, liderou o golpe militar que derrubou a monarquia pró-Ocidente da Líbia, comandada pelo rei Idris I e tomou a liderança do país como chefe do Conselho Revolucionário. Acobertado pelo verniz nacionalista, três foram os principais motivadores do golpe: o petróleo, a presença de bases militares estrangeiras no país e o desejo de maior participação no pan-arabismo.

Entre as medidas imediatas, começa a confiscar os bens das comunidades italiana e judaica, nacionaliza empresas estrangeiras e impõe uma ditadura militar. Em 1977 passa ao cargo de secretário-geral do Congresso Geral do Povo 1977 e assume a presidência do presidente do país. Combinando nacionalismo extremado com radicalismo religioso, defende um socialismo islâmico. Partidário da união dos países de língua e civilização árabes, empreende uma política de intervenção, sobretudo nos países africanos. Em nome da causa palestina, patrocina ações terroristas no Oriente Médio e na Europa.

Nos anos 80, em plena reverberação do debate sobre a questão da Nicarágua e a disputa entre sandinistas e contra-revolucionários, trava uma queda de braço com os EUA pelo pertencimento do Golfo que culmina num confronto direto. A essa altura, Kadafi já é considerado o déspota do norte da África e um dos maiores padrinhos do terrorismo internacional. Apesar da derrota, Kadafi sai fortalecido, pelo fato do poderio militar americano ter se lançando-se num combate ao desamparo das leis internacionais e dos próprios estatutos das alianças militares.

Em 1991, os líbios são acusados do atentado a bomba que em 1988 explodira um jato da Pan American em Lockerbie, na Escócia, matando 270 pessoas. O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) impõe embargo aéreo à Líbia. O embargo econômico, aliado à queda de preço do petróleo nos mercados internacionais, leva o país a deterioração econômica, aumentando o descontentamento popular. O país passa a sofrer uma série de conflitos internos. Em 1999, a ONU suspende as sanções.

Após a queda de Sirte, o último grande reduto das forças de Gaddafi, a impressa ligada ao CNT informou oficialmente a Al Jazeera a captura de Kadafi, com graves ferimentos que o levariam à morte.

Leia também
1º de setembro de 1969: O início da Era Kadafi
25 de março de 1986: EUA voltam a bombardear alvos líbios

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19 de outubro de 1943 - Morre Camille Claudel

Camille Claudel. Reprodução da Internet

Nascida, em Aisne no dia 8 de dezembro de 1864, Camille Claudel era a segunda filha entre quarto irmãos – o primogênito morreu ainda criança. Aos 6 anos, estudou no Colégio das Irmãs da Doutrina Cristã, mas, devido ao trabalho do pai, que trocava de endereço constantemente, não teve ensino escolar contínuo e completou sua formação com leituras. Incentivada pelo pai, ainda nova começou a esculpir, tendo como modelo seus parentes, entre eles o irmão Paul Claudel.

A carreira artística começou aos 17 anos, quando a família se mudou para Paris. Freqüentou a Academia Colarossi e alugou seu próprio ateliê. Aos 19 anos, por intermédio do escultor Boucher, tornou-se aprendiz e principal ajudante de Auguste Rodin. Camille foi responsável pelo desenvolvimento de vários projetos do escultor.

Em 1898, após a ruptura de um tumultuado romance entre os dois, que durou mais de 15 anos, Camille passou a trabalhar por conta própria, mas começou a demonstrar instabilidade mental. Acreditava ser perseguida por Rodin e, em momentos de crise, destruía a própria criação. A doença agravou-se ainda mais com a morte do pai, em 1913, quando foi internada em um hospício, de onde jamais saiu nos últimos 30 anos de vida, passando todo esse tempo amarrada e sedada.

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19 de outubro de 1901 - Santos Dumont tem Paris a seus pés

Jornal do Brasil, outubro de 1901. Santos Dumont sobrevoa Paris

Durante meia hora, todos os olhares de Paris estiveram voltados para o céu da cidade, onde o brasileiro Santos Dumont conseguiu provar ser possível pilotar um balão dirigível. Decolando de Saint Cloud, Santos Dumont seguiu rumo à Torre Eiffel, a contornou e voltou ao ponto de partida, sob os aplausos da multidão que o assistia.

Pela façanha, o brasileiro recebeu o Prêmio Deutsch de la Muerthe, no valor de 100 mil francos. O aviador não quis ficar com o dinheiro. Deu 25 mil francos para os homens que o ajudaram a construir a máquina voadora, e o restante doou à polícia de Paris para que fossem quitadas dívidas de moradores da cidade. Como se não bastasse o feito inédito, a generosidade de Santos Dumont transformou o brasileiro em herói dos parisienses.

Logo após completar a façanha, ele recebeu um telegrama de outro grande inventor que muito o emocionou: “Alberto Santos Dumont, o pioneiro dos ares, homenagem de Thomas Edison”.

O piloto contou sobre a emoção de ser o primeiro homem a controlar o vôo com perfeição: “No trajeto para a Torre Eiffel, nem uma só vez olhei para os telhados de Paris: eu flutuava sobre um mar branco e azul, nada mais vendo senão meu objetivo”.

Leia também
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18 de outubro de 1954: Morre Roquette Pinto, o pai da radiodifusão no Brasil

Jornal do Brasil, 19 de outubro de 1954. Morre Edgar Roquette Pinto

A cultura brasileira perdeu uma de suas figuras mais ilustres. Edgar Roquette-Pinto, 70 anos, morreu de parada cardíaca, quando preparava mais um artigo para ser publicado no Jornal do Brasil. Sua perda deixou uma lacuna irreparável ao patrimônio intelectual nacional.

Nascido no Rio de Janeiro do fim do Império, Roquette Pinto desde sempre dedicou-se aos estudos. Disciplinado e engajado em causas científicas, teve o mesmo gosto pelas artes, em particular pela literatura. Foi médico, educador, antropólogo, etnólogo e ensaísta.
Roquette Pinto. Reprodução de Internet

O ano de 1922 foi decisivo na vida de Roquete Pinto. O país comemorava o primeiro centenário da sua independência e o Rio de Janeiro, então capital federal, sediou uma grande feira internacional. O destaque do evento ficou por conta da apresentação de um revolucionário empreendimento, financiado por empresários norte americanos: a radiodifusão. Para realizar uma demonstração de seu potencial, foi instalada uma antena no morro do Corcovado, que permitiu a transmissão radiofônica de um discurso do presidente Epitácio Pessoa, captado em Niterói, Petrópolis, na serra fluminense e em São Paulo, onde foram instalados aparelhos receptores.

Roquete Pinto ficou fascinado com a experiência e seu alcance, percebendo rapidamente a contribuição que poderia oferecer à educação do povo brasileiro, como defenderia mais tarde: "O rádio é o jornal de quem não sabe ler, é o mestre de quem não pode ir à escola, é o divertimento gratuito do pobre".

Mesmo sem conseguir convencer o governo federal a investir na aquisição daquele equipamento, Roquete Pinto persistiu em seus ideais. Partiu em busca do apoio de outras entidades até que, no ano seguinte, a Academia Brasileira de Ciências concedeu as condições necessárias para que ele instalasse a primeira emissora do país: a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, que mais tarde seria doada ao Ministério da Educação, com o compromisso de manter sua proposta original de função essencialmente educativa.

O precursor da radiodifusão no Brasil foi também membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Brasileira de Ciências, da Sociedade de Geografia, da Academia Nacional de Medicina, entre outras. Fundou a Revista Nacional de Educação (1932) e o Instituto Nacional de Cinema Educativo (1936). Deu enorme contribuição a vários projetos nacionais, principalmente os voltados à cultura interiorana brasileira.

Leia aqui o último trabalho de Roquette-Pinto publicado no Jornal do Brasil, que ele escrevera instantes antes de sua morte.

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17 de outubro de 1979 - Madre Teresa de Calcutá, Prêmio Nobel da Paz

Madre Teresa de Calcutá


O Nobel da Paz de 1979 foi concedido à Madre Teresa de Calcutá, na época com 69 anos, uma freira católica que trabalhou durante mais de 40 anos entre os pobres, crianças, leprosos e moribundos das favelas indianas.

Ao justificar a concessão do prêmio, a Comissão Nobel do Parlamento norueguês afirmou que Madre Teresa renunciou totalmente ao mundo para devotar sua vida à caridade entre os “mais pobres dos pobres da Índia, que receberam das suas mãos a compaixão fundamentada na reverência ao ser humano.”

Havia 56 concorrentes ao prêmio daquele ano, entre os quais estava o presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, por seus esforços para se chegar à paz no Oriente Médio, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e o Estadista finlandês Urho Kekkonen.

Ao saber que fora homenageada com o prêmio, Madre Teresa reuniu um grupo de freiras e voluntários em Calcutá para anunciar a notícia. Após longos minutos de orações, ela disse: “Agradeço a Deus. Acredito que, ao me darem o prêmio, reconheceram a presença do pobre no mundo, que ele é nosso irmão e nossa irmã. Se aprofundarmos nosso amor pelo próximo, haverá paz no mundo”. Quando perguntada sobre o investimento que faria com os 191 mil dólares do prêmio, ela disse: “Construirei casas para os leprosos”.

Nascida em 1910 na Albânia, Madre Teresa fundou, em 1950, as Irmãs Missionárias da Caridade, para trabalhar pelos abandonados e agonizantes. A ordem espalhou-se da Índia para o exterior. Dois saris brancos, um suéter de lã, uma sombrinha, um par de sandálias e uma bacia. Era todo o seu patrimônio. O estilo de vida da Ordem fundada por ela era de estrita austeridade pessoal. Em 1997, aos 87 anos de idade, morreu de um ataque cardíaco, na sede da Ordem, na Índia. Em 2003, a freira foi santificada pelo Papa João Paulo II.


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16 de outubro de 1978 - Igreja elege o Papa João Paulo II


Pela primeira vez em 456 anos, a Igreja elegeu um Papa não italiano. O Cardeal Polonês Karol Wojtyla, na época com 58 anos, foi escolhido após o sétimo conclave, assumindo o pontificado como João Paulo II, em homenagem ao pontífice anterior, João Paulo I, o qual falecera após apenas 33 dias de papado.

A eleição foi recebida com perplexidade e alegria pelas 200 mil pessoas reunidas na Praça de São Pedro, e com surpresa e otimismo em todo mundo.

Com esta eleição, confirmou-se a opção do Vaticano na época por um pastor e consolidou-se a linha montiniana de diálogo com os países comunistas.

A escolha representou também uma homenagem à Polônia, maior país católico da Europa Oriental, que ainda estava sob governo comunista.

No fim da tarde do dia 16 de outubro, poucos minutos após a fumaça branca ter sido vista saindo da chaminé da capela Sistina, João Paulo II apareceu na sacada da Basílica de São Pedro e discursou, em italiano, para a multidão que aguardava ansiosa notícias do novo Papa: “Se eu errar, corrijam-me”.

Definido como um homem capaz de reunir o “fascínio de Pio XII, o carisma de João XXIII e o senso moral de política de Paulo VI”, Karol Wojtila nasceu em Wadowice, filho de um opperário que morreu como suboficial do Exército, no início da Segunda Guerra. Ele mesmo foi operário, e trabalhou como ator antes de iniciar os estudos eclesiásticos.

João Paulo II teve o terceiro mais longo papado da história, exercendo 26 anos de pontificado. Em busca da paz, o Papa viajou por mais de 100 países, levando mensagem de solidariedade e amizade para Estados que sofriam as conseqüências do mundo no pós-guerra. João Paulo II é considerado por muitos o pontífice mais popular da história. Em abril de 2005, com a morte de Wotjtila, Joseph Alois Ratzinger foi eleito Papa, como Bento XVI.


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15 de outubro de 1917: O fuzilamento de Mata Hari, a dançarina espiã

Mata Hari


Durante a Primeira Guerra Mundial, pouco mais de dois meses após ser julgada por um conselho de guerra - acusada de espionagem em favor dos alemães - e ser condenada à morte, a dançarina Mata Hari, 41 anos, foi fuzilada na cidade de Vincennes, na França. Mata Hari não quis ter os olhos vendados para a execução. Ninguém reclamou o corpo que enfeitiçou Paris com sua dança sensual e ele acabou doado para aulas de anatomia dos estudantes de medicina.

Muito se escreveu sobre a vida polêmica e controversa de Margaretha Gertruida Zelle. Da mesma forma que houve quem tentou amenizar sua culpa, teve quem buscou provas de sua traição. Fato é que protagonizando uma história cercada de dúvidas, a exótica personagem que construiu - de uma dançarina falsamente indiana, assumiu sua personalidade e transformou a espiã numa lenda.

Nascida em 7 de agosto de 1876, na Holanda, Margaretha teve uma infância difícil. Assistiu a franca falência econômica de seu pai e perdeu precocemente sua mãe. Há que considere estes episódios argumentos para o destino que escolheu. Dona de espírito aventureiro, a dançarina começou a se apresentar na capital francesa em 1905 e, em 1914, foi para a Alemanha, onde se tornou amiga de políticos e militares, para os quais trabalharia como espiã. De volta a Paris, o governo francês pediu-lhe que fizesse um trabalho de contra-espionagem. Porém, antes de a missão começar, seu contato em Bruxelas foi assassinado, o que levou a França a prendê-la e acusá-la.

No início dos anos 30, Greta Garbo interpretou Mata Hari, no filme que leva seu nome e recorda seus últimos dias de vida.

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14 de outubro de 1964 - Martin Luther King é Nobel da Paz

Martin Luther King

"Tenho um sonho, que meus quatro pequenos filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter".
Martin Luther King

O Prêmio Nobel da Paz de 1964 foi concedido ao líder negro norte-americano Martin Luther King, pela sua luta contra o racismo e o preconceito nos Estados Unidos, durante quase uma década. Luther King, na época, tornou-se conhecido no mundo inteiro como o “novo Gandhi”, ao promover e liderar um grande movimento pela extensão dos direitos civis dos afro-americanos no país.

Ao tomar conhecimento da decisão da Academia Sueca, no Hospital de Atlanta, no qual estava internado para exames, o pacifista, preso e condenado diversas vezes por defender a integração racial, disse que destinaria o prêmio (52 mil dólares) aos movimentos em defesa dos negros. Luther King, então com 35 anos, foi a pessoa mais jovem a receber aquela condecoração internacional.

A luta do pastor da Igreja Batista começou em 1955, quando uma mulher negra negou-se a ceder lugar em um ônibus para um branco em Montgomery - Alabama, e foi presa por isso. King e os líderes negros daquela cidade organizaram um boicote aos ônibus contra a segregação racial no transporte. A campanha durou 381 dias. Durante esse período, o pastor recebeu ameaças, foi preso e teve sua casa atacada. O boicote foi encerrado com a decisão da Suprema Corte Americana de tornar ilegal a discriminação racial nos ônibus.

Depois de encontrar-se com Mahatma Gandhi, líder da luta pela independência da Índia, em 1959, Luther King adotou o princípio da persuasão não violenta, empregada por Gandhi naquele país, como o seu principal instrumento de protesto social. King pregava a fraternidade e disse em um dos seus famosos discursos: "Aprendemos a voar como pássaros e a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos''

O pastor foi assassinado em abril de 1968 em Memphis, Tenessee, por um branco que havia escapado da prisão. Desde 1986, no terceiro domingo de janeiro é comemorada a conquista dos direitos civis dos negros dos Estados Unidos e são feitas homenagens a Martin Luther King, defensor da paz e da justiça.


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13 de outubro de 1968 - Morre Manuel Bandeira

Morre Manuel Bandeira. Jornal do Brasil, 14 de outubro de 1968.


"De fato, cheguei ao apaziguamento das minhas insatisfações e das minhas revoltas pela descoberta de ter dado à angústia de muitos uma palavra fraterna. Agora a morte pode vir, - essa morte que espero desde os dezoito anos: tenho a impressão que ela encontrará, como em Consoada está dito, a casa limpa, a mesa posta, com cada coisa em seu lugar", disse Manuel Bandeira certa vez. E em paz, o poeta imortal foi ser "amigo do Rei", aos 82 anos.

Com livros e cadernos debaixo do braço, dezenas de estudantes estiveram no Salão dos Poetas Românticos da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, para velar o corpo de Manuel Bandeira e homenagear o poeta que também foi professor de literatura do Colégio Pedro II e de literatura hispano-americana da Faculdade Nacional de Filosofia. Dona Maria de Lourdes, amiga e companheira de Manuel Bandeira durante mais de 30 anos, permaneceu todo o tempo sentada diante do caixão, enquanto chegavam vários amigos do poeta, entre os quais os acadêmicos Peregrino Júnior e Austregésilo de Ataíde, presidente da Academia, Ricardo Cravo Albim, diretor do Museu da Imagem e do Som, Paulo Mendes Campos e Fernando Sabino.

Mais tarde, cerca de cem pessoas, incluindo contínuos da ABL, levaram o corpo de Manuel Bandeira ao túmulo 15 do Mausoléu dos Imortais, no cemitério São João Batista. Para Fernando Sabino, Manuel Bandeira foi "o grande íntimo da morte. Ao longo de uma vida limpa, harmoniosa e integral, soube fazer da morte e da eternidade a substância da sua existência e de sua poesia".

Uma obra singular
Manuel Bandeira nasceu em 19 de abril de 1886, no Recife. Sua obra, caracterizada por elementos modernistas, pelo tom confidencial e irônico, por vezes até trágico, e, acima de tudo, pela simplicidade, permanece como uma das principais influências para escritores e poetas brasileiros até os dias de hoje. Sobre ela, o cronista Paulo Mendes Campos, poeta de outra geração, disse que "Manuel Bandeira foi talvez o último que podia estabelecer um compromisso consciente entre a sintaxe tradicional e a inovação da linguagem". Como poucos, Bandeira soube construir uma obra depurada e de grande valor estético.

Manuel Bandeira. CPDoc JB

Manuel Bandeira nas páginas do JB

"Volto, hoje à tarimba jornalística, trazido pelas mãos ilustres do Annibal Freire... Bem, mãos à obra. Deus me dê assunto e inspiração..."
Jornal do Brasil, 1º/06/1955

O escritor começou no Jornal do Brasil no dia 1º de junho de 1955, publicando mais de 600 crônicas em uma coluna bissemanal, aos domingos e quartas-feiras. Além de tratar sobre temas atuais, voltava-se a homenagens a personalidades nacionais. A última coluna foi publicada em 22 de novembro de 1961.

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12 de outubro de 1931: A inauguração do Cristo Redentor

80 anos do Cristo Redentor

"A maior, a mais imponente de todas as demonstrações de fé que a população brasileira já realizou, entre quantas já temos assistido, será sem dúvida a de amanhã, com a inauguração do monumento de Christo Redemptor no Corcovado. Toda a cidade se movimentará hoje e amanhã para participar das grandes festas numa expressiva manifestação do seu espírito religioso".Jornal do Brasil

A matéria da edição de 11 de outubro de 1931 do Jornal do Brasil, véspera da inauguração do monumento, traduzia a expectativa em torno da edificante epopéia: uma estátua art decó de 38m, com mais de mil toneladas em concreto armado e pedra sabão, erguida no topo de um morro de mais de 700m de altitude.

Incentivada por uma campanha nacional que arrecadou fundos com doações da comunidade, a realização do ousado projeto do engenheiro Heitor da Silva Costa contou com a participação do artista plástico Carlos Oswald e do estatuário Paul Landowski.

A idéia da construção do Cristo Redentor surgiu em 1921 para fulgurar entre as comemorações do Centenário da Independência do Brasil no ano seguinte. O projeto de Heitor da Silva Costa foi escolhido num concurso realizado em 1923. A pedra fundamental foi lançada em 1926. O empreendimento foi executado em cinco anos.

Cardeal Arcebispo Sebastião Leme. Reprodução/CPDoc JB

A festa da fé
Conduzida pelo episcopado, na figura maior do Cardeal Arcebispo Sebastião Leme, a inauguração suscitou uma onda de fé jamais vista no país. Peregrinos chegavam de todas as partes para reunir-se em cortejos, orações e missas ministradas em diferentes pontos da cidade.

Uma liturgia pela reafirmação de Cristo como rei do Brasil, condição coibida logo após a proclamação da República, quando, com a decretação da separação entre a Igreja e o Estado, garantiu-se a liberdade religiosa.


Escrevia-se, assim, as primeiras linhas da história de um dos mais visitados e reconhecidos cartões-postais do turismo internacional.

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11 de outubro de 1963: Silencia-se Edith Piaf

A morte de Edith Piaf.
"Quero continuar cantando..."
Edith Piaf



Dona de uma saúde fragilizada, Edith Giovanna Gassion, 47 anos, que tantas vezes lutou contra a morte e a venceu, desta vez saiu vencida.

Com uma história de vida cheia de contradições e dúvidas, o ato final de Piaf não poderia ser diferente...

Segundo nota divulgada pela AFP, baseada em informações do seu atestado de óbito, Piaf faleceu na manhã de uma sexta-feira, 11 de outubro em sua residência, logo após chegar em Paris para submeter-se a um novo tratamento de saúde.

O marido Théo Sarapo, com a conivência de outros entes mais íntimos, deu nova versão ao fato, afirmando ter a morte acontecido um dia antes, numa casa de campo em Plascassier, onde Piaf viveu seus últimos dias. O atraso do comunicado público foi intencional, a fim de garantir as devidas providências para realizar um último desejo de Piaf. A cantora queria ser enterrada no cemitério Père-Lachaise, junto à sua filha e ao seu pai, o que poderia ser impedido diante do impacto da repercussão de sua morte.

Controvérsias à parte, a morte de Piaf causou uma comoção nacional. Além da presença dos mais próximos e de personalidades públicas, uma multidão foi prestar-lhe uma última homenagem. E mesmo não havendo um decreto de luto oficial, ele foi calorosamente popular.

Edith Piaf foi sepultada em 14 de outubro de 1963 no cemitério Père-Lachaise, conforme sua vontade.

La Môme Piaf
A grande senhora da música francesa de todos os tempos era uma mulher de corpo franzino, voz marcante e semblante triste. Foi lançada à sorte na vida artística noturna de uma Paris marginal do começo dos anos 30. Trouxe resquícios da infância miserável à margem de uma família desestruturada, agruras que procurou compensar na incansável procura do amor, um amor autêntico e único. Em todas as canções refletiu essa sua necessidade de amar e ser amada, como auto-retratos. Fez de sua arte o veículo de emoções comuns e de seus dramas particulares dramas de todo mundo: amor, solidão, pobreza, ciúme, medo.

Piaf nos deixou. E a música popular francesa perdeu não apenas a voz de uma grande intérprete, mas também sua maior legenda.

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10 de outubro de 1997 - Campanha antiminas ganha Nobel da Paz

Jornal do Brasil: Sábado, 11 de outubro de 1997 - pág 10
A campanha Internacional para a Eliminação das Minas Terrestres (ICBL - Intenational Campaign to Ban Landmines), e sua coordenadora, a americana Jody Williams, foram honradas com o prêmio Nobel da Paz em reconhecimento aos resultados obtidos pela campanha. A ICBL apela para o banimento internacional de uso, produção, armazenamento, venda, transferência e exportação de minas antipessoal, como o aumento de recursos internacionais para desminagem e programas de assistência a vítimas de minas.

Lançada em 1992 através de uma coalização de organizações não governamentais, é formada por um grupo central que monitora a situação das minas em todo o mundo, através de uma rede de pesquisadores que produzem o Landmine Monitor Report.

O tratado de Banimento de Minas Terrestre, assinado por mais de 100 países, proíbe o uso, a produção, o transporte e o armazenamento desse tipo de arma, e a desativação dos campos minados num prazo de 10 anos.

A causa ganhou notoriedade por ser defendida pela princesa Diana.

Um planeta infestado de explosivos
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O filme Tartarugas Podem Voar retrata crianças curdas no Iraque, que mutiladas, ganham a vida desarmando minas terrestres. É a imagem da luta pela sobrevivência num campo de refugiados curdos pouco antes da invasão americana do Iraque.

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9 de outubro de 1967 - A historia perde Che Guevara

Jornal do Brasil: 11 de outubro de 1967


Ernesto Che Guevara morreu em combate perto da pequena povoação de Higueras, na selva de Santa Cruz de la Sierra. Nos Andes, Guevara praticava o seu grande sonho de revolucionário: transformar a Cordilheira numa nova Sierra Maestra. Che, como ficou mundialmente conhecido, era considerado o santo padroeiro que os revolucionários do Hemisfério procuravam para apoio moral.

Ernesto Guevara de la Serna nasceu em 1928, em Rosário, Argentina. Desde pequeno sofria forte crises de asma que o obrigavam a ficar em repouso. Os livros foram seus grandes companheiros, faziam parte de seu universo Julio Verne, Baudelaire, Antonio Machado, Cervantes, García Lorca, Pablo Neruda e outros clássicos. Um clima de mistério sempre dominou a vida desse médico de 39 anos, que aos 14 já promovia agitações na Argentina.

Em 1954, na Guatemala, lutou para defender o Presidente Jacobo Arbenz, que liderava um regime progressista que trilhava o caminho da revolução social. A partir desse momento, se convenceu da necessidade de tomar a iniciativa contra o imperialismo americano e se juntou aos irmãos cubanos Fidel e Raul Castro, exilados políticos que preparavam a derrubada da ditadura de Fulgencio Batista em Cuba.

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CHE e mito
Sua morte foi posta em dúvida pelo fato de informações similares já terem circulado a esse respeito. Desde 1965, quando desapareceu de Cuba, que Che Guevara vinha morrendo. Uma equipe de 22 médicos, seis jornalistas e outros grupos chegaram via aérea, a fim de confirmar a identificação do corpo de Che, o mito das guerrilhas.

Foi um dos mais importantes militares políticos do continente e excelente teórico no que se refere à tática de guerrilha.

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8 de outubro de 1998 - Enfim, José Saramago ganha Nobel de Literatura

Jose Saramago. Jornal do Brasil: 9 de outubro de 1998


Aos 76 anos, José Saramago se tornou o primeiro escritor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura. Justificando a escolha do autor lusitano, a Academia Sueca de Letras declarou que “com parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e permanente ironia, Saramago torna tangível uma realidade fugidia”.

O escritor ficou sabendo da sua premiação no aeroporto de Frankfurt, quando se preparava para embarcar para Madri, de onde seguiria para a ilha de Lanzarote, no arquipélago das Canárias, onde residia com sua mulher, Pilar del Rio.

“O Prêmio Nobel certamente não iria salvar a língua portuguesa, mas, sem dúvida, iria ajudar a protegê-la”, disse Saramago, ao ser cercado no aeroporto por jornalistas, que o presenteavam com rosas vermelhas. “O prêmio é muito importante para Portugal porque é preciso entender que uma terra que tem sido tão marginalizada pode começar a se tornar respeitada em todo o mundo pela qualidade da sua literatura. Isto é fantástico para um pequeno país”, completou.

Assumidamente comunista até o fim da vida, Saramago começou a fazer sucesso em 1984, quando recebeu o prêmio Cidade de Lisboa, um dos mais prestigiados de Portugal, por “A Jangada de Pedra”, uma parábola sobre o iberismo e o europeísmo, na qual a península ibérica se desprende do velho continente para empreender uma singular travessia. Um de seus romances mais célebres, que há dois anos virou filme, é “Ensaio sobre a Cegueira”, uma reflexão sobre a intolerância.

Saramago foi o criador de um universo literário e filosófico na fronteira entre o pessimismo e a utopia. Foi um autor fundamentalmente comprometido com a política de seu tempo, que não vacilou em abordar em seus livros questões críticas sobre a sociedade dominante. Seu estilo literário, inconfundível e extremamente pessoal e os fantásticos temas de seus romances o tornaram uma referência imprescindível na literatura mundial.

“A literatura é um mundo de idéias e isto é a matéria prima, porém o que vai sair daí nunca se sabe. Sou a mesma pessoa que escreveu um romance há 30 anos e que agora, no entanto, não poderia voltar a escrevê-lo”, disse ele ainda no aeroporto.

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7 de outubro de 2011 - 80 anos de Desmond Tutu

"É tempo de parar de destruir vidas" Demond Tutu

80 anos de Desmond Tutu.
Nascido em 7 de outubro de 1931, em Klerksdorp, na África do Sul, Desmond Mpilo Tutu - primeiro negro a exercer as funções de bispo anglicano em Johannesburgo - é um dos mais conhecidos ativistas dos direitos humanos de seu país. Vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1984, teve reconhecimento pelos seus esforços como um peregrino global na propagação de valores espirituais, direitos humanos, a não violência e a tolerância.

Aos 80 anos, Desmond Tutu mantem sua luta incessante contra a pobreza, o preconceito e o racismo entre todos os povos da Terra.

Filho de professor, Desmond foi um dedicado aluno de Johannesburgo, apesar de todas as adversidades e hostilidades advindas de um sistema de segregação racial. Jovem ainda, escreveu ao Primeiro ministro de seu país sobre o apartheid, referindo-se a ele como "uma política diabólica". Seguiu sua trajetória, trabalhando como professor secundário e ordenou-se ministro anglicano em 1960.

Ausentou-se do país, de 1967 a 1972, e estudou teologia na Inglaterra. Eram tempos difíceis na África do Sul, e não havia perspectivas para melhorias. A imponência do apartheid chegava a circunstâncias aberradoras. Os negros eram presos somente por usar banheiros, beber nas fontes ou ir à praia. Naturalmente, haveria uma resposta para esta violação de direitos de igualdade. Em 1968, um protesto calmo feito por estudantes negros transformou-se em tragédia quando a polícia reagiu com um violento ataque, com carros armados, cães e gases. Era um de tantos episódios que estavam por vir.

Em 1975, seguindo sua trajetória, Desmond Tutu foi o primeiro negro a ser nomeado decano da Catedral de Santa Maria, em Johannesburgo, posição pública que lhe deu o direito de ser ouvido. Sagrado bispo, dirigiu a diocese de Lesoto de 1976 a 1978, ano em que se tornou secretário-geral do Conselho das Igrejas da África do Sul.

Incansável, sempre dedicou-se na busca de uma sociedade sul-africana com igualdade de direitos civis, inclusive na esfera da educação, com a abolição das leis que limitavam a circulação dos negros e o fim das deportações forçadas de negros. Na época em que foi condecorado com o Prêmio Nobel da Paz, foi eleito arcebispo de Johannesburgo. Depois, da Cidade do Cabo.

Nos anos 60, assumiu a liderança da comissão de Reconciliação e Verdade, destinada a promover a integração racial na África do Sul, com poderes para investigar, julgar e anistiar crimes contra os direitos humanos praticados no país. E consolidou um relatório reunindo um trabalho de mais de uma década.

Leia também:
13 de setembro de 1989: Desmond Tutu lidera manifestação contra apartheid

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6 de outubro de 1989 - Morre Bette Davis

"Sabe o que vão escrever em meu túmulo?
Ela escolheu o caminho difícil".

Bette Davis
A morte de Bette Davis. Reprodução

"Tenho uma idade em que inveja e ciúme já não fazem mais parte do meu repertório. Há muito me conformei com a minha feiúra. Assim como me conformei com a beleza dos outros. Todos nós somos famintos de elogios".Bette Davis

Foi numa sexta-feira à noite em Paris que o mundo se despediu da "Malvada" diva de Hollywood. Aos 81 anos, Bette Davis morreu de câncer num hospital na França, três dias após conquistar o prêmio Donostia durante o festival cinematográfico espanhol de San Sebastián.

A carreira artística de Ruth Elizabeth Davis seguiu suas características pessoais. Na década de 30, quando a mulher ideal era subliminar, retratando beleza exuberante e ingenuidade, ela desbravou uma nova trajetória naquele universo de onipotência masculina. Dona de expressivos olhos azuis e exímia capacidade de interpretação, construiu papéis intensos, marcados por personagens imponentes, emancipadas, autoritárias, colocando em evidência um comportamento feminino nada convencional para a época. Amarga e malvada, dramática e heroína, colecionou uma reputação notável protagonizando mais de 80 filmes. Foi garçonete calculista, aristocrata egocêntrica, cega, louca, mãe-solteira, amante, traidora, decadente.

Morre Bette Davis Jornal do Brasil: Domingo, 8 de outurbo de 1989 - página 19
Mas a revolução que promoveu não se restringiu às telas. Fora delas, Bette Davis também foi incansável. Na luta por melhores condições de trabalho para o meio artístico, enfrentou a imposição selvagem dos grandes estúdios cinematográficos, reivindicando melhores salários, contratos mais íntegros e roteiros inteligentes. Durante a guerra, participou do clube Hollywood Canteen, que oferecia assistência alimentar e entretenimento aos soldados americanos nos campos de batalha. E por seu profissionalismo, foi escolhida a primeira mulher presidente da Academy of Motion Picture Arts and Sciences.

Reconhecida pelo público, talvez não tanto pela crítica, como por vezes se queixou publicamente, conquistou o Oscar de Melhor Atriz em 1935, por Dangerous, e três anos mais tarde por Jezebel. Recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, por All about Eve em 1950.

Em sua memória foi criada em Boston, no ano de 1997 The Bette David Foundation
que incentiva a descoberta de novos talentos no meio artístico.

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Obrigado, Steve Jobs

Morre Steve Jobs

24 de fevereiro de 1955 - 5 de outubro de 2011

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5 de outubro de 1981 - Morre Mario Reis, o inventor do jeito brasileiro de cantar

Musica perde Mario Reis
"Fui louco
Resolvi tomar juízo
A idade vem chegando
e é preciso
Se eu choro
Meu sentimento é profundo
Ter perdido a mocidade na orgia
Maior desgosto do mundo!
Neste mundo ingrato e cruel, eu já desempenhei o meu papel
E da orgia então, consegui minha demissão...
".
Mário Reis

Morre o cantor Mário Reis. Jornal do Brasil: Terça-feira, 6 de outubro de 1981

Mário Reis, 73 anos, morreu as 6h45 da manhã, na Clínica Bambina, Rio de Janeiro, de insuficiência renal aguda. O cantor estava internado desde o dia 9 de setembro, quando foi diagnosticado um aneurisma da aorta abdominal. Submetido a duas intervenções, não conseguiu reestabelecer-se. O corpo foi velado na capela 1 do Cemitério São João Batista na presença de poucos parentes e amigos mais próximos da família.

Ao se apresentar pela última vez em público - numa noite beneficente no Copacabana Palace, em 1973 - Mário Reis fez questão de dar a tudo um caráter de despedida. Cantou Fui Louco, acenou para o público com o lenço branco, tomou nas mãos uma das centenas de rosas que lhe atiravam numa emocionante homenagem e, em seguida, em silêncio, saiu de cena para sempre.

"Depois dessa noite, quem quiser me ouvir cantando terá de tirar os velhos discos do baú".

E assim foi. Nos últimos anos, recusando-se a aparecer em público, a gravar novos discos, a dar entrevistas e a ser fotografado, isolou-se de tudo. Quando muito podia ser visto no Country Club, ou contactado por telefone no apartamento anexo do Copacabana Palace, seu refúgio a partir de 1957. Extremamente vaidoso, Mário Reis, segundo os amigos mais chegados, parecia querer deixar gravada na memória das pessoas a figura jovem, sorridente, elegante, dos anos em que fora, como cantor, um personagem ímpar no cenário da música popular brasileira.

Uma lição que os candidatos a cantor, até então, inspirados no modelo de Vicente Celestino, começaram a aprender com Mário Reis: "Por que gritar, se falar é muito melhor?" Todo o segredo do estilo de Mário Reis está justamente nesta sua máxima de que o importante, na interpretação de um samba ou de uma marcha, estava no falar, na maneira de dizer, a voz saindo naturalmente, as notas breves emitidas no momento certo, ritmadas, entre pausas que seriam a sua marca e um divisor de águas.

Influência, inspiração ou coincidência, João Gilberto é um músico com uma atitude artística muito próxima da performance evolutiva de Mário."Sentia que aquele prolongamento de som que os cantores davam prejudicava o balanço natural da música. Encurtando o som das frases, a letra cabia dentro dos compassos e ficava flutuando. Eu podia mexer com toda a estrutura da música sem precisar alterar nada... Acho que as palavras devem ser pronunciadas da forma mais natural possível, como se estivesse conversando. Qualquer mudança acaba alterando o que o letrista quis dizer com seu verso". Essas básicas noções do canto joãogilbertiano poderiam ter sido assinadas por Mário Reis, embora este duvidasse ter influenciado o inventor da Bossa Nova.

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4 de outubro de 1970: Morre Janis Joplin, e o blues perde sua áspera voz branca

Janis Joplin. Reprodução

"Não saberia fazer de outra forma. E isto é a pura verdade. A exaustão faz parte de mim, até mesmo nas viagens que realizo. As pessoas ficam espantadas porque, mesmo nos ensaios, eu canto desta forma. Mas é a única voz que possuo. E é como sei fazer" Janis Joplin

Morre Janis Joplin. Jornal do Brasil: terça-feira, 6 de outubro de 1970

Apenas 16 dias depois do mundo da música ser abalado com a perda do cantor, guitarrista e compositor Jimi Hendrix, o Blues-rock perdia mais uma de suas estrelas: a cantora e compositora Janis Joplin era encontrada morta em seu quarto de hotel, em Los Angeles, vítima de uma overdose de heroína. Janis Joplin tinha apenas 27 anos e despontava como uma das artistas de blues mais promissoras da sua geração.

Janis Lynn Joplin nasceu em 19 de janeiro de 1943, na cidade de Port Arthur, Texas. Cresceu sob a influência de músicos de blues como Bessie Smith e Big Mama Thornton, o que a levou a tomar parte no coro local. Aos 16 anos, enquanto suas amigas de infância frequentavam o ginásio, Joplin se aventurava em viagens de carona pelos Estados Unidos aproximando-se cada vez mais da cultura negra do blues. Durante a década de 60 passou a fazer parte da Big Brother & The Holding Company, gravando o álbum homônimo em 1967. Em 1968, lançca Cheap Trills, tido como um dos melhores de sua carreira e responsável por tornar a cantora famosa. Janis Joplin ainda faria parte de mais duas bandas - a Kozmic Blues Band e a Full Tilt Boogie Band - e gravaria mais dois álbuns, sendo o último, Pearl, lançado um ano após sua morte.

Sua voz era áspera, como áspera era sua forma de vida.

O corpo de Joplin foi cremado no cemitério Parque Memorial de Westwood Village, na Califórnia, e suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico.

Uma visita tumultuada
Janis Joplin esteve no Brasil no ano de sua morte. Sua visita foi tão tumultuada quanto sua personalidade: foi expulsa do Municipal, sofreu um acidente na Barra da Tijuca, não conseguiu realizar um show público na Praça General Osório e subiu à Rocinha para beber gim com alguns moradores do local. Sua relação com a imprensa do Brasil também não foi pacífica, tratando mal jornalistas e classificando algumas perguntas como "imbecis". Apesar de tudo, declarou ao Jornal do Brasil que gostou muito da Bahia e, apesar dos problemas em terras brasileiras, certamente sentiria falta de nosso país.

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3 de outubro de 1953 - O Petróleo é nosso!

Rio de Janeiro, 03 de outubro de 1953. Acervo CPDoc JB

"O Congresso acaba
de consubstanciar em lei o plano governamental
para a exploração do nosso petróleo.
A Petrobras assegurará não só
o desenvolvimento da indústria petrolífera nacional,
como contribuirá decisivamente
para limitar a evasão de nossas divisas.
Constituida com capital, técnica
e trabalho exclusivamente brasileiros,
a Petrobras resulta de uma firme política nacionalista
no terreno econômico,
já consagrada por outros arrojados empreendimentos
cuja visibilidade sempre confiei".

Getúlio Vargas


Durante uma cerimônia realizada no Palácio do Catete, o Presidente Getúlio Vargas sancionou a Lei nº 2.004, implantando o plano governamental para a exploração do petróleo brasileiro.
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 04 de outubro de 1953 - página 6
Entre suas disposições, a lei estabeleceu a autorização da constituição da Petróleo Brasileiro S.A. - Petrobras, como empresa estatal de petróleo, e garantiu o monopólio total da sua extração e parcial do seu refino.

"É portanto, com satisfação e orgulho patriótico que hoje sancionei o texto da lei aprovada pelo Poder Legislativo e que constitui novo marco da nossa independência econômica".
Getúlio Vargas

Para conhecer a Lei nº 2004 na íntegra, acesse aqui!

Homens trabalhando na extração de petróleo. Acervo CPDoc JB
A conquista
A Lei nº 2.004 foi uma vitória dos nacionalistas que, em virtude da condição comercial estratégica do petróleo, travaram uma acirrada disputa pelo controle de sua exploração contra frentes que defendiam os interesses privatistas e, em conseqüência, a abertura do mercado brasileiro ao capital estrangeiro.

Era o fim de uma batalha parlamentar de 23 meses. Começava uma nova era para o desenvolvimento econômico do país.

A lei nº 2.004 foi revogada pela Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997.

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2 de outubro de 1969: As páginas do Jornal do Brasil ganham Carlos Drumonnd de Andrade

Drummond estreia no JB


Há 42 anos, o Jornal do Brasil tinha a honra de receber em seu quadro de colaboradores Carlos Drummond de Andrade, o mais importante e respeitado poeta brasileiro de seu tempo. “Leilão do ar”, seu texto de estréia, sobre o leilão que liquidava a Panair do Brasil, foi o pontapé de 15 anos de poesias e crônicas, publicadas sempre às terças, quintas e sábados, na última página do Caderno B. Ao total, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de dois mil e 300 textos, que abordaram fatos históricos e expressaram comentários críticos e humorísticos sobre questões literárias, econômicas, políticas e sociais do cotidiano brasileiro.

De acordo com suas próprias palavras, seu trabalho buscava “extrair de cada tema um traço que pudesse comover ou distrair o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam”.

Em 29 de agosto de 1984, após um período de “amadurecimento” para o Carlos Drummond de Andrade e para o Jornal do Brasil, o poeta “pendurou as chuteiras” e publicou seu último texto como colaborador periódico do jornal: “Ciao”, uma crônica de despedida, mas sem nenhum tom lamurioso, onde fez um balanço de sua carreira na imprensa brasileira e sobre a arte de “cronicar”. Entretanto, Drummond deixava claro no texto que se despedia da crônica periódica, mas não do gosto de manejar a palavra escrita, o que descrevia como sua “doença vital”. De fato, até sua morte, em 1987, o poeta ainda publicaria diversos cinco livros.

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1º de outubro de 1950 - Morre o cartunista J. Carlos

Morre o cartunista J. Carlos. Jornal do Brasil: Terça-feira, 3 de outubro de 1950





"O inesperado desaparecimento de J. Carlos, ocorrido domingo útimo, as 11 horas, consternou profundamente a imprensa brasileira, onde o ilustre morto militava há 48 anos, como cartunista notável. Seu traço era inconfundível pela elegância, precisão e expressão; seu nome tornou-se conhecido e admirado por todo o Brasil através de sua arte". Jornal do Brasil







José Carlos de Brito, o cartunista J. Carlos, 66 anos, morreu no Rio de Janeiro, dois dias após sofrer um derrame cerebral enquanto conversava com o compositor Braguinha, sobre a ilustração para a capa de seu próximo disco. Deixou viúva Lavínia de Brito e Cunha e cinco filhos. O funeral aconteceu no mesmo dia no final da tarde, no cemitério São João Batista.

Nascido em 18 de junho de 1884, na Praia de Botafogo, teve a prancheta de desenho como sua paixão desde cedo. Fazia desenhos e mais desenhos. E embora não chegasse a empolgar os amigos, um dia animou-se em enviar um de seus trabalhos a revista Tagarela, dirigida por dois caricaturistas já famosos, Raul Pederneiras e Calixto Cordeiro. O trabalho foi publicado. Daí em diante, com apenas 18 anos, passou a colaborar regularmente não só com O Tagarela mas com diversas publicações país afora, entre elas Tico-Tico, O Malho, A Avenida, O Fon-Fon, A Ilustração Brasileira, Para Todos e Careta.

Passado muitos anos de sua morte, J. Carlos conseguiu a façanha de manter-se tão atual quanto na época em que suas charges e ilustrações apareciam nas páginas das principais revistas brasileiras. Uma atualidade evidente não somente no seu humor, mas sobretudo no seu traço.

De fato, nada é mais carioca do que uma melindrosa de J. Carlos. Mesmo ela tendo vivido seus dias de glória lá pelos anos 20, 30, quando aparecia com deliciosa frequência nas capa da Revista Para Todos. Era uma carioca pra frente, o vestido curto, as pernas grossas sempre à mostra, os longos cílios, a sombra nos olhos, a boca cuidadosamente pintada, na sugestão de um beijo. Lutando por seus direitos (fumar em público era um deles), fingindo-se de frágil e submissa, acabava conquistando sua liberdade e dominando o homem, que no traço de J. Carlos era um almofadinha feioso, desengonçado, quase ridículo.

Mas a melindrosa foi apenas um - embora o mais marcante - dos muitos personagens criados por J. Carlos, uma artista versátil que passava, com a maior facilidade, de um gênero a outro. Sua obra de chargista e ilustrador inspira-se tanto na inocência como na malícia, no refinamento como no grotesco, na ingenuidade quase matuta do brasileiro das ruas como nos absurdos de um mundo permanentemente em guerra.

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