Arquivo de December 2011

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31 de dezembro de 1988: O trágico Reveillon do Bateau Mouche na Baia de Guanabara

Na noite do dia 31, a poucos minutos da virada do ano, o barco Bateau Mouche IV naufragou na Baia de Guanabara, a 700 metros da Praia Vermelha, matando 55 pessoas. Com excesso de peso e irregularidades que impediam o barco de fazer transporte de passageiros legalmente, o iate de empresários espanhóis, que anteriormente se chamava Boka Loka, dirigia-se à praia de Copacabana, a fim de levar um grupo de 150 pessoas ao show de fogos do réveillon.

Outras efemérides de 31 de dezembro
1980: Morre o precursor da "aldeia global"
1999: EUA transferem o controle do Canal do Panamá ao governo panamenho

Em ligação para a esposa minutos antes de zarpar, o capitão do navio revelou que a viagem contrariava sua vontade, já que o barco estava com excesso de peso e o mar, muito revolto. No caminho para Copacabana, o Bateau Mouche chegou a ser parado pela guarda costeira, que logo liberou a embarcação após firmar um acordo com o responsável por ela. Além do excesso de peso, o barco tinha problemas no casco e nas bombas; uma laje construída em cima da cabine principal ainda deslocara o centro de gravidade do iate, desestabilizando seu centro de gravidade.

Em depoimento à Capitania dos Portos e à Polícia, a maioria dos sobreviventes atestou que suspeitava que o barco iria afundar, pouco depois de zarpar. Segundo testemunhas, minutos antes da meia noite, a água do mar já entrava no convés pelas privadas e por perfurações no casco. O pânico se instaurou.

- "Eu estava na parte de cima, onde não havia nenhum colete salva-vidas. Copos, pratos e garrafas começaram a cair. Tentei localizar minha esposa, que estava na parte de baixo, mas infelizmente não consegui. Do meu lado, uma senhora gritava por socorro. Tentei ajudá-la, mas, em poucos segundos, desapareceu na água "– relatou um sobrevivente, que perdeu a esposa na tragédia, embora tenha conseguido salvar os filhos.

Além de ser um ícone da imprudência e irresponsabilidade, o naufrágio do Bateau Mouche é também um símbolo da fragilidade do judiciário brasileiro. Foram necessários treze anos para que o Ministério Público Federal julgasse e condenasse os donos da embarcação por crimes de sonegação fiscal, falsidade ideológica e falsificação de documentos, totalizando 18 anos de prisão e multa de R$ 4 milhões aos cofres públicos. Antes do fim do processo, a pena dos acusados foi prescrita, permanecendo que todos estejam impunes até hoje. Além disso, das 40 ações movidas contra os responsáveis pela tragédia, apenas uma chegou ao fim.

Leia também:
Em 1981 – Barco naufraga no Amazonas
Em 1985 - Encontrados os destroços do Titanic
Em 1994 - Tragédia no mar Báltico

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30 de dezembro de 1916: O assassinato de Rasputin

Os nobres russos fizeram uma última e desesperada tentativa de salvar o regime czarista, com o assassinato de Rasputin - um camponês místico, beberrão e mulherengo, que a czarina Alexandra acreditava ser santo e que adquiriu inacreditável influência dentro do governo. Ele foi morto a tiros. Se antes da guerra, Nicolau II já estava desgastado, desde a entrada no confronto a Russia caminhou para o colapso total. População e soldados morreram de fome. A economia do país foi paralisada. Naquele ano foram deflagradas mais de 1500 greves. O assassinato de Rasputin, tramado dentro da corte, só fez piorar a tensão.

Grigori Rasputin. Reprodução.

Místico russo, Rasputin exerceu forte influência na corte de São Petesburgo, onde se tornou favorito da czarina Alexandra Feodorovna, esposa de Nicolau II.

Filho de camponeses pobres, Rasputin nasceu Griori Efimovitch Novikn em 23 de janeiro de 1871 em Pookrovskoie, na Sibéria. Embora nunca tivesse se ordenado, era considerado monge.

Na juventude, adotou a seita dos flagelantes, a qual pregava o pecado, pelo arrependimento que suscita, como meio de salvação da alma. Após peregrinar ao montes Atos, na Grécia, reapareceu em sua terra com a fama de poder curar doenças mas, ante a ameaça de ser tomado por herege, tornou-se andarilho.

Outras efemérides de 30 de dezembro
1968: Mandatos cassados por dez anos
1972: Um Ano Novo de paz no Vietname
1974: Índios atacam postos da Funai
1999: Beatle George Harrison é esfaqueado

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29 de dezembro de 2001: O fim de um furacão indomável. Morre Cassia Eller

"Eu só peço a Deus um pouco de malandragem pois sou criança e não conheço a verdade. Eu sou um poeta e não aprendi a amar. Bobeira é não viver a realidade..."
Letra de Cazuza e Frejat
A música perde Cassia Eller. Jornal do Brasil: Domingo, 30 de dezembro de 2001

A roqueira Cássia Eller, 39 anos, morreu no início da noite, na Clínica Santa Maria, na Zona Sul carioca, onde deu entrada horas antes com um quadro de desorientação e agitação. As primeiras notícias eram de que a cantora teria sido vítima de uma intoxicação exógena por consumo excessivo de drogas. E mesmo recebendo os devidos socorros, acabou não resistindo a sucessivas paradas cardíacas. Os laudos periciais do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro após autópsia, no entanto, descartaram a overdose. A causa mortis foi infarto do miocárdio.

A notícia da morte precoce de Cássia, que vivia o melhor momento de sua carreira trabalhando em turnê o CD MTV Acústico, desolou amigos, parentes e fãs. A cantora deixou um filho, Francisco, de 7 anos e a companheira Maria Eugênia, com quem conviveu estavelmente por 14 anos.

Outras efemérides de 29 de dezembro
1966: SIP repudia projeto da Lei de Imprensa
1989: Inflação chega a 1.764,86%
1992: Collor renuncia à Presidência
1996: Acordo de Paz na Guatemala

Rebeldia em tom grave
Cassia Rejane Eller não era mulher de meias palavras. Nem cantora de meio tom. Nunca negou o envolvimento com as drogas, declarava rasgadamente o amor pelo filho Chicão, assumia abertamente seu homossexualismo e berrava ao microfone com indiscutível autoridade. Sempre foi uma artista apoteótica no palco. Mas... Cassia era tímida.


Filha de militar, Cássia Eller rodou os quatro cantos do país. Morou em Belo Horizonte, Pará, Brasília, São Paulo e Rio. Antes de cantar, fez um pouco de tudo. Foi garçonete, secretária e até ajudante de pedreiro. Uma das mais completas e talentosas cantoras de sua geração, a opção pela carreira artística aos 14 anos. Apaixonada por Beatles e Luiz Melodia, cantou em corais, se apresentou em trio elétrico e acabou desembocando no rock´n roll. Em 1990, lançou seu primeiro disco. Com sua irreverência em tom grave, foi adorada por nomes como Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Ney Matogrosso e o parceiro em diversos sucessos Nando Reis, produtor dos dois últimos discos de Cássia - MTV Acústico (2001) e Com você... meu mundo ficaria completo (1999) álbum em que aposentou maneirismos para colocar - a pedido do filho que queria vê-la cantando como Marisa Monte - a melodia em primeiro lugar.


Cássia e Chicão.
Chicão, fruto da relação com o baixista Otavio Fialho, morto durante a gravidez da cantora, num acidente de carro - foi o grande projeto de Cassia: "Estou tentando passar mais tempo com o Chicão", disse, programando levar mais vezes o filho para a escola. Era do tipo supermãe. Punk e rebelde só por fora.

2001, o ano que não terminou
Em 2001, Cassia Eller viveu um momento único. Estava no auge de sua carreira. A começar pela irreverência contagiante com que conduziu sua apresentação no Rock in Rio 3 em janeiro. Depois veio a gravação do MTV acústico e a turnê concorrida, com bilheteria esgotada onde quer que Cássia se apresentasse. Uma produção musical intensa, em ascensão que, interrompida, deixou uma legião de fãs incrédulos.

Quando o segundo sol chegar para realinhar a órbita dos planetas vai perceber que sem a voz de Cássia a tarefa ficou um pouco mais difícil...

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28 de dezembro de 1992: A atriz Daniela Perez é assassinada

Daniela Perez é assassinada por Guilherme de Pádua. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 30 de dezembro de 1992
A mistura de ficção e realidade transformou-se em tragédia. A atriz Daniela Perez , 22 anos, foi assassinada pelo ator Guilherme de Pádua, 23, a golpes de tesoura. Os dois viviam papéis de namorados na novela De corpo e alma exibida à época, escrita pela mãe, Glória Perez.

Antes de confessar o crime, o ator havia simulado solidariedade à mãe da atriz, e ao marido de Daniela, o ator Raul Gazolla.

O corpo da atriz foi encontrado na Barra da Tijuca com perfurações no peito, barriga e pescoço, hematomas no rostos e arranhões.

Outras efemérides de 28 de dezembro
1978: Fim do regime franquista
1989: Vaclav Havel é o novo presidente da Tchecoslováquia
1993: Israel e Vaticano reatam relações diplomáticas

A polícia chegou ao assassino graças a um advogado que anotou as placas do carros dos atores no local do crime e do depoimento do porteiro da Produtra Tycoon, onde era gravada a novela De corpo e alma. Segundo investigações, Daniela e Guilherme saíram da empresa na mesma hora, cada um em seu carro. O assassinato ocorreu logo depois.

À noite, uma nova versão da mulher do ator Guilherme de Pádua, Paula, de 18 anos e grávida de 4 meses, confessou estar presente no carro na hora do assassinato da atriz e viu tudo. Guilherme alegou que Daniela o assediava havia três meses com propostas amorosas, de acordo com a versão da mulher da Paula, ela foi para testemunhar o assédio.

A mãe de Daniela, a escritora Glória Perez, em estado de choque sintetizou sua dor: "Senti muito não ter conseguido fazer de minha filha a estrela que ela merecia ser".

Sob forte emoção, centenas de amigos e admiradores foram ao enterro de Daniela Perez. A presença de todo o elenco da novela das oito da Rede Globo atraiu cerca de 4 mil pessoas, o que transformou o sepultamento num cenário de histeria. Fãs queriam tocar em seus ídolos, pedir autógrafos e fotos.

Alterações na legislação penal

Guilherme e Paula foram presos e condenados por homicídio qualificado, a 19 anos de prisão. Os dois separaram-se oficialmente depois do nascimento do filho. Paula cumpriu pena por um ano e conseguiu liberdade condicional. Guilherme cumpriu um terço da pena e também conseguiu liberdade condicional. Ambos foram libertados em 1999. A indignação popular e a luta de Glória Perez resultou na alteração da legislação penal. Apesar da mudança da lei não ter atingido os assassinos de Daniela, o homicídio qualificado passou a ser punido com mais rigor a partir da vigência da lei. Saiba mais aqui.

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27 de dezembro de 1978: Espanha aprova constituição democrática após quatro décadas de supremacia franquista

Com grande solenidade, o rei Juan Carlos I sancionou formalmente a Constituição democrática da Espanha, símbolo da transição entre o quarentenário regime franquista e a monarquia constitucional. Aprovada pelo monarca, a Carta reduzia grande parte de suas funções como soberano da nação e abria as portas para eleições livres, democráticas e diretas.

Outras efemérides de 27 de dezembro
1939: A criação do Departamento de Imprensa e Propaganda
1994: Naji Nahas é condenado pela quebra da Bolsa do Rio

Em breve discurso, Juan Carlos I declarou que a Constituição refletia “as aspirações da Coroa, da vontade de nosso povo firmemente expressa – e assim, como uma Constituição de todos os espanhóis, ela é também a Constituição do Rei de todos os espanhóis”.

A sanção da Constituição, após sua aprovação num referendo popular em 6 de dezembro daquele ano, ocorreu no momento em que o primeiro-ministro Adolfo Suárez pensava em convocar eleições parlamentares para o ano seguinte.

Sob a nova Carta, o governo tentou legitimar sua investidura na democracia, estabelecendo, por exemplo, a organização territorial baseada na autonomia de municípios, províncias e Comunidades Autônomas; a separação dos poderes; e o pluralismo político.

A Carta democrática espanhola culminou de um curto processo de redemocratização, iniciado dois anos antes com a crise social que se desencadeou após a morte do ditador Francisco Franco. Diante do poder supremo de Juan Carlos, que já assumiu o governo com poderes limitados, o Parlamento espanhol vivia em constante guerra política: de um lado, os falangistas, exigiam a continuidade absoluta do regime franquista; do outro, grupos de oposição reclamavam uma abertura democrática e liberal como meio de evitar uma nova guerra civil. O clima de rivalidade, insegurança e desestabilidade governamental gerou a crise social, agravada ainda mais pelos problemas econômicos vividos naquele momento.

Leia também:
Em 1936 – Frente Popular vence as eleições na Espanha
Em 1975 – Franco morre e com ele é enterrado o fascismo espanhol
Em 1981 – Suárez deixa o Governo da Espanha

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26 de dezembro de 1972: EUA perdem o ex-presidente Harry S. Truman

Morre Harry Truman.

Depois de resistir durante 23 dias internado em um hospital de Kansas City, o ex-presidente norte-americano Harry S. Truman faleceu, aos 88 anos. A declaração médica oficial disse que a causa da morte do 33º presidente dos EUA foi “um complexo de falhas orgânicas provocando um colapso no sistema cardio-vascular”.

O presidente Richard Nixon decretou luto nacional nos EUA no dia do funeral de Truman, estabelencendo que todas as bandeiras dos edifícios federais fossem içadas a meio mastro durante 30 dias, a partir do dia 28. Um porta-voz da Casa Branca disse que o presidente Nixon conversou pela última vez com Truman, por telefone, no dia 6 de julho, ligando para a cidade do ex-presidente, Independence, Missouri.

Outra efeméride de 26 de dezembro
1977: Sancionada a Lei do Divórcio

Internado no hospital por causa de uma congestão pulmonar, Truman lutou contra a morte dando mostras de invulgar resistência, conseguindo por diversas vezes superar as crises que o colocavam na lista de pacientes de risco. Seu estado de saúde começou a piorar quando as complicações pulmonares vieram somar-se a insuficiências cardíacas e circulatórias, e, por último, renais. Na última quinta-feira antes de seu falecimento, os médicos haviam iniciado um tratamento novo e raro: alimentação mediante a injeção direta de aminoácidos no sistema sanguíneo, métodos que evita que as proteínas passem pelos rins, incapazes de eliminar substâncias tóxicas. No entanto, dois dias depois, Truman entrou em coma total, não mais se recuperando.

Conforme o desejo do ex-presidente, seu corpo foi sepultado no lugar em que mais gostava: o jardim ao lado da biblioteca de sua casa em Independence, cidade em que nasceu. Truman ajudou a planejar seu próprio funeral, pois, como ex-presidente, sabia que seu enterro não era uma questão apenas nacional, mas de repercussão mundial, e receberia honras de Estado. Procurado por autoridades para discutir o assunto, o ex-presidente deixou claro que não queria ser levado a Washington para a tradicional vigília oficial no Capitólio, nem ser sepultado no Cemitério Nacional de Arlington. Sentado junto à janela em sua biblioteca, Truman teria fixado olhar no jardim ao lado e dito: “Gostaria de ser sepultado lá fora. Quero ficar ali, e então poderei levantar-me e caminhar até aqui quando quiser”.

O presidente brasileiro Emílio Garrastazu Médici enviou uma mensagem ao chefe de governo dos EUA, Richard Nixon, transmitindo o pesar do governo e do povo brasileiro pela morte de Truman. Em sua mensagem, disse: “Em nome do povo brasileiro e no meu próprio, apresento a Vossa Excelência sinceras condolências pelo falecimento do ex-presidente Harry S. Truman”.

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O governante autodidata

Filho de um pequeno agricultor de Lamar, Missouri, Harry S. Truman, nasceu em 8 de maio de 1884 e, ao contrário da maioria dos presidentes norte-americanos do século XX, foi um self-made man, seguindo a mais valorizada tradição nacional, celebrada por escritores como Jack London e Mark Twain. Quando criança, seu futuro não parecia estender-se muito além dos limites acanhados da fazenda, mas sua ambição lhe garantiu mais na vida do que apenas cuidar de vacas e celeiros: ainda jovem empregou-se como vendedor de uma firma em Independence e, com o dinheiro ganho, pagou seus estudos.

Ex-combatente na Primeira Guerra Mundial, Truman entrou para o Partido Democrata, em 1922, tendo sido eleito senador em 1934 e 1940. Em 1944, concorreu à eleição como vice-presidente com Franklin D. Roosevelt, sendo eleito em 7 de novembro. Em 12 de abril de 1945, com a morte de Roosevelt, Truman assumiu o cargo de líder supremo dos EUA, em plena Segunda Guerra Mundial, tendo participado da Conferência de Potsdam, com Josef Stalin e Winston Churchill, em 1945, e tendo sido um dos responsáveis pelo lançamento das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. Também foi sua a criação da agência de inteligência norte-americana (CIA), em 1947. No ano seguinte, foi reeleito presidente e tornou-se peça chave no início da Guerra Fria, combatendo o comunismo em seu próprio país e fazendo frente à “cortina de ferro” da URSS.

Leia também
12 de março de 1947 — O impacto da Doutrina Truman
3 de abril de 1948 - Truman assina lei de auxílio

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25 de dezembro de 1977: O mundo órfão da genialidade de Charles Chaplin

"A vida me deu o que há de melhor e um pouco do pior" Charles Chaplin
Charles Chaplin. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 26 de dezembro de 1977.
O pensamento de Charles Spencer Chaplin foi o sentimento compartilhado entre seus fãs e admiradores ao tomarem conhecimento de seu falecimento, na noite de Natal, aos 88 anos. Morreu enquanto dormia, em sua casa na Suiça, onde estava reunido com esposa e filhos, para as celebrações natalinas. Embora confinado em uma cadeira de rodas nos últimos anos, gozava de plena atividade profissional e acabara de concluir dois roteiros para filmes.

Outras efemérides de 25 de dezembro
1982: ET estreia nas salas de cinema do Brasil
1983 - Joan Miró, o herói da arte

Charles Chaplin. Reprodução/CPDoc JB
As desventuras da vida chegaram cedo para Charles Spencer Chaplin. Nascido na Londres do final do século XIX, a infância feliz foi interrompida pela crise familiar que o fez morar em um orfanato. Ainda menino iniciou na vida artística apresentando-se no teatro. Poucos anos depois, ingressou no cinema, e não parou mais. Escreveu, dirigiu e atuou intensamente na produção de filmes. E foi na pele de Carlitos que atingiu a genialidade, servindo-se quase sempre de críticas sociais, e conquistou a platéia do mundo inteiro. Perseguido pelo caça às bruxas do macarthismo americano, mudou-se em 1952 para a Suíça, onde viveu até o fim.

A excelência nas obras de Carlitos
Charles Chaplin. Reprodução/CPDoc JB
Chaplin foi um artista cômico, mas sobretudo um trágico, que soube entender a humanidade, e a fez aprender, a partir de suas próprias fraquezas, como enfrentar a realidade da vida. Reuniu um acervo cinematográfico memorável em mais de 60 obras, entre elas: Vida de cachorro, de 1918, e O Garoto, de 1921, ainda no tempo do cinema mudo; Luzes da Cidade, de 1931, em que se apaixona por uma florista cega; Tempos Modernos, de 1936, sobre a mecanização da modernidade; e O Grande Ditador, de 1940, contra Hitler e as perseguições raciais na Europa.

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24 de dezembro de 1999: Morre João Figueiredo, o último dos presidentes militares do Brasil

Morre João Figueiredo
Se o povo gostar de mim, muito bem. Se não gostar, não vou mudar”, disse o general João Baptista de Oliveira Figueiredo, em 1978, pouco antes de assumir a presidência do Brasil.

Aos 81 anos de idade, morreu de uma arritimia cardíaca causada por um efisema pulmonar o último dos cinco presidentes brasileiros do regime militar, João Batista Figueiredo, em sua casa, no Rio de Janeiro.

Outras efemérides de 24 de dezembro
1964: Brigitte Bardot em Búzios
1951 - Salário Mínimo é reajustado em 251%

Figueiredo, 38º presidente da República (1979-1985), viveu a difícil posição de porteiro da saída pacífica para o labirinto político criado pelo golpe militar de 1964. No comando de um grupo de generais nem sempre inclinados para o mesmo lado, Figueiredo acabou por protagonizar episódios famosos e, aparentemente, contraditórios. Ao mesmo tempo em que, para proteger a abertura, chegou a oferecer o peito aberto aos que tentaram implodir a transição democrática com atentados à bomba, foi capaz de soltar o seu general favorito, o comandante militar do Planalto, Newton Cruz, a cavalo, sobre manifestantes.

Ao assinar a Lei da Anistia, Figueiredo afirmou que a democracia “se reafirma pela liberdade”, mas ressaltou que a lei era um ato unilateral de poder e deixou o alerta de que “para cumprir sua destinação política haja o desarmamento de espíritos”.

A chegada dos anistiados foi o principal marco do processo de redemocratização. E o episódio acabou por acrescentar à carreira militar do presidente Figueiredo – onde, até então, destacava-se o comando do Serviço Nacional de Informação – a alcunha de general da anistia.

Como é hábito no Brasil, as pessoas costumam lembrar dos políticos pelas coisas boas que fizeram. No caso de Figueiredo, ele assinou um ato que marcou sua administração. Ele não gostava do jogo político e não tinha vocação política, mas assinou a anistia, o que foi muito bom”, declarou Fernando Gabeira, jornalista e político brasileiro, beneficiado pela lei que o trouxe de volta ao Brasil durante o governo Figueiredo.

Em 1981, com seu governo ainda na metade, Figueiredo disse: “Entre a inflação e a abertura, fico com a abertura, fico com a abertura”. E assim o fez.

Leia também:
Em 1969: O ex-presidente Costa e Silva é sepultado
Em 1985: Brasil dá adeus a Médici
Em 1985: Os funerais de Tancredo Neves

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23 de dezembro de 1972: Terremoto destrói Manágua

Jornal do Brasil: 24 dezembro de 1972 - página 14

Manágua, capital da Nicarágua, foi destruída por um terremoto que atingiu a região no início da madrugada, deixando a cidade de 300 mil habitantes debaixo de escombros. A fúria do tremor comprometeu grande parte das edificações, causando desabamentos e inúmeros focos de incêndio que deixaram a cidade em chamas.





O abastecimento de água e o fornecimento de luz foram interrompidos. A cidade ficou isolada em caos absoluto, com corpos espalhados pelas ruas, e pessoas circulando desesperadamente em busca de vítimas e socorro. Os registros da tragédia dantesca contabilizaram aproximadamente 10 mil mortos, 200 mil feridos e cerca de 35 mil desabrigados.



O drama dos nicaraguenses comoveu o mundo, mas serviu também um catalisador de mudanças para o país. Com a urgência de reconstruir a capital do país, o ditador Somoza percebeu a oportunidade de ampliar seu patrimônio, apropriando-se inclusive da ajuda financeira proveniente de outros países, o que evidenciou a venal postura de seu governo, na administração dos bens públicos e no tratamento do povo nicaraguense. Este processo desencadeou uma série de manifestações populares com apoio da opinião pública em oposição ao regime autoritário.

Um país de tremores e vulcões

Fenômenos sísmicos não são novidade na Nicarágua, país assentado numa região vulcânica que até hoje é alvo de constantes tremores de terra. Em 1931, Manágua foi devastada por um terremoto de mesmas proporções do de 1972. E no último dia 14 de dezembro, o Instituto Nicaragüense de Estudos Territoriais divulgou que um terremoto de 4,3 graus na escala Richter atingiu o litoral do país, voltado para o Oceano Pacífico. Dessa vez, não houve vítimas nem danos materiais.

Outras efemérides de 23 de dezembro
1920: Despojos de ex-monarcas são transladados para o Brasil
1968: O homem circunda a Lua pela primeira vez na história

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22 de dezembro de 1988: O assassinato do seringueiro Chico Mendes

"Se descesse um enviado dos Céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver. Ato público e enterro numeroso não salvarão a Amazônia. Quero viver."
O Assassinato de Chico Mendes.

Foi o que disse Francisco Alves Mendes, Chico Mendes, nascido nos seringais, filho de seringueiros e seringueiro ele próprio, por destino e vocação. O ecologista e presidente do Sindicato os Trabalhadores Rurais de Xapuri (AC) foi morto a tiro de espingarda na sua fazenda, a 300 quilômetros de Rio Branco, quando saía de casa para ir ao banheiro no quintal.

Outras efemérides de 22 de dezembro
1981: Acidente tira João do Pulo do atletismo
1993: África do Sul extingue regime racista
1993: EUA dão asilo político à filha de Fidel Castro

Chico, foi o mais importante ativista ambiental brasileiro. Sua luta pela preservação da Amazônia foi a causa do assassinato. Já vinha sendo ameaçado de morte e não tinha mais vida pessoal. Não dormia dois dias seguidos na mesma casa, além da proteção permanente de dois PMs, cortesia do governo do Acre.

Mas o desejo de rever a mulher e os três filhos falou mais forte que as preocupações de segurança. Naquele dia, antes de jantar, resolveu tomar um banho, e os PMs ficaram dentro da casa. Os assassinos Darly e Alvarinho Alves cumpriram a promessa. O líder seringueiro já circulava nos meios ligados à ecologia no exterior, sempre denunciando o desmatamento da Amazônia.

União dos Povos da Floresta

Chico Mendes ficou internacionalmente conhecido ao ser condecorado pela ONU, no dia 5 de junho de 1987, data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente. Foi líder do movimento que busca unir os interesses dos índios e seringueiros em defesa da floresta graças à criação de reservas extrativistas.
O assassinato de Chico Mendes. Jornal do Brasil: Sábado, 24 de dezembro de 1988.

Seu velório transcorreu sob tensão e perplexidade. Para que não morra sua luta em defesa da Amazônia e dos povos da floresta, foi criado o Comitê Chico Mendes, formado no Acre por 24 entidades não-governamentais, sindicais e de estudantes.

Leia também
15 de dezembro de 1990: Condenados os assassinos de Chico Mendes
25 de novembro de 1996: Assassino de Chico Mendes é recapturado

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21 de dezembro de 1980: Morre Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico

Capa do Caderno B do Jornal do Brasil: Segunda-feira, 22 de dezembro de 1980
"A única coisa
que me mantém de pé
é a certeza
da alma imortal.

Eu me recuso
a reduzir o ser humano
à melancolia
do cachorro atropelado.

Que pulhas
seríamos
se morrêssemos
com a morte!"

Nelson Rodrigues acreditava na posteridade. E sempre desejou por ela ser avaliado. Não apenas como autor literário, mas sobretudo como personagem, já que nele o personagem freqüentemente sobrepujava o homem que viveu debruçado sobre a máquina de escrever. Vítima de insuficiência vascular cerebral, após sete paradas cardíacas e do implante de um marca-passo, saiu de cena com a vontade atendida. Admirado, temido, respeitado, aplaudido e vaiado, é um dos mais discutidos intelectuais de sua geração.

Sempre polêmico, tinha consciência de suas contradições, e acreditava que na posteridade seria lembrado por elas. Contradição, por exemplo, de ser moralista e provocar escândalos com sua aparente amoralidade. Ou de ser um puro que se encantava com o pecado.

Pernambucano de Recife, nasceu em 1912 numa família de muitos irmãos, onde todos, ou quase todos, tinham inclinação pela arte de escrever. Dono de grande capacidade de memorização, foi na reunião dessas habilidades que construiu sua obra literária, onde mostra uma fixação, partilhada com os seus personagens, por valores e costumes arcaicos.


Caricatura de Nelson Rodrigues. Chico/CPDoc JB



As inspirações no mundo particular

Os conflitos vividos ou presenciados na experiência pessoal de Nelson Rodrigues constituiam a inspiração para suas histórias, que retratam pequenos acontecimentos cotidianos sob uma ótica irônica e satírica, no contexto de uma sociedade suburbana, endógena e estagnada, oposta às transformações que movia o mundo ao redor.

Expôs mazelas e vilanias escondidas na maioria das pessoas. Fez comédia desses dramas, revelando o demônio escondido que cada um procura ocultar até de si próprio, em nome da aparência convencionada pelos padrões estabelecidos.


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1973: Iniciada a Conferência de Paz no Oriente Médio

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20 de dezembro de 1963: O julgamento dos carrascos de Auschwitz

O julgamento dos carrascos de Auschwitz. Jornal do Brasil: Sábado, 21 de dezembro de 1963.

Havia demorado quase duas décadas do final da 2ª Guerra para que a Justiça alemã reagisse aos acontecimentos na polonesa Osviecim. Sob a acusação de participarem do extermínio de milhões de pessoas, incluindo mulheres e crianças, ex-funcionários do campo de concentração de Auschwitz foram levados a julgamento em Frankfurt - pela primeira vez com a presença de numerosíssimo público - que ocorreu no Tribunal juntamente com 220 jornalistas e várias equipes de televisão.

Leia também: 27 de janeiro de 1945 - A libertação de Auschwitz

Ao mesmo tempo que se iniciava o julgamento, a chamada Comissão de Auschwitz, criada pelo Governo polonês, solicitava ao representante de Gana em Varsóvia a extradição do Dr. Horst Schumann, conhecido pelas experiências de eutanásia, esterilização e castração realizadas nos presos do campo de concentração. Depois da guerra, ele fugira para Gana, onde passou a trabalhar no Serviço de Saúde.

Wilhelm Boger, um dos principais acusados e temido pelo grau atroz de suas torturas, se recusou a prestar esclarecimentos sobre Auschwitz, alegando precário estado de saúde, e receando não sobreviver ao julgamento.

Vários anos decorreram antes de que ficassem prontos os autos da acusação, que ocupou mais de 16 mil páginas de um total de 80 volumes. A investigação, que culminou com o julgamento dos réus, começou quando um ex-prisioneiro do campo de concentração, Emil Vulkan, encontrou na cidade de Breslau, a salvo das chamas que a consumiam, uma série de documentos contendo as listas dos executados em Auschwitz e dos algozes a quem coube sua morte. Os papéis ficaram guardados com Emil por 13 anos, até serem apresentados ao promotor público Fritz Bauer, em Frankfurt.

Entre os acusados, além de Wilhelm Boger, estavam Robert Mulka, comandante da Tropa de Segurança de Auschwitz (idealizador dos crematórios e dos complexos de câmara de gás); Pery Broad, representante político e membro da Gestapo, de origem brasileira; Oswald Kaduk, o "Satanás de Auschwitz", e o dentista Willi Schatz.

Nenhum dos réus demonstrou qualquer tipo de arrependimento diante do tribunal. A maioria seguiu os conselhos de seus advogados e calou-se em juízo.

No dia 19 de agosto de 1965 encerrava-se o julgamento que acabou entrando para a história como símbolo de que os crimes cometidos em Auschwitz não poderiam ficar impunes. O juiz proclamou 17 sentenças, com penas que iam desde prisão perpétua por assassinato (para seis réus) a três absolvições, as quais causaram indignação tanto na Alemanha como no exterior.

Outras efemérides de 20 de dezembro
1971: Galo é o primeiro Campeão Brasileiro de Futebol
1983: O roubo da taça Jules Rimet
1989: EUA invadem o Panamá
1996: Morre Carl Sagan, o difusor da astronomia

Dr. Schumman viveu sob proteção do chefe de Estado de Gana até 1966, quando foi extraditado para a Alemanha Ocidental onde um julgamento contra ele foi aberto em Frankfurt em 23 de setembro de 1970. No entanto, Schumann foi libertado da prisão em 29 de jullho de 1972, alegando as precárias condições de saúde. Ele morreu em 5 de maio de 1983.

Wilhelm Boger terminou seus dias em regime de prisão perpétua na Alemanha, implorando para ver seus netos, mas recusado por todos os seus descendentes. Ele morreu em 03 de abril de 1977, 19 anos após sua prisão e julgamento.

Robert Mulka foi considerado culpado de cumplicidade no assassinato de 750 pessoas em pelo menos quatro ocasiões distintas, e foi condenado a 14 anos de prisão. Ele tentou o suicídio, sem sucesso, na prisão, e acabou liberto 1968 por conta da saúde fragilizada. Morreu no ano seguinte, em 26 de abril, em Hamburgo.

Pery Broad foi condenado a quatro anos de prisão. Cumpriu parte da pena e foi liberado sob custódia. Livre, viveu discretamente até morrer em 28 de novembro de 1993.

Oswald Kaduk foi condenado à prisão perpétua. Mas, por motivos de saúde, acabou libertado em 1989. Morreu em 31 de maio de 1997.

Willi Schatz foi um dos absolvidos, por falta de provas e dúvidas quanto à dua verdadeira atuação no campo de concentração.

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19 de dezembro de 1991: Boris Yeltsin assume comando do Kremlin

O fim da União Soviética. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 20 de dezembro de 1991

O presidente da Rússia, Boris Yeltsin, extinguiu os ministérios de Relações Exteriores e Interior da União Soviética. Yeltsin também tomou posse, em nome de sua república, de todos os bens e imóveis do governo central, que se extinguia - entre eles o complexo arquitetônico do Kremlin, há mais de 70 anos símbolo do poder soviético emanado da Revolução Bolchevique. Eram os passos mais concretos do processo transitório que começara quatro meses antes e que daria fim à União Soviética em poucos dias.

Yeltsin saiu fortalecido, depois de liderar a resistência no Parlamento, pedindo que a ordem e a democracia fossem respeitadas.

Leia também
1960: ONU recusa proposta de plebiscito na Argélia
1984: Firmada a devolução de Hong Kong para a China
1990: A morte planejada de Rubem Braga
1996: Ciao! Morre o ator Marcello Mastroianni

Na segunda metade dos anos 80, o sentimento de insatisfação popular no mundo socialista atingiu a União Soviética. Era o reflexo da crise instaurada no país em decorrência do seu fechamento para nações não-socialistas que gerou um agressivo atraso econômico. Havia também o descontentamento com os privilégios a uma classe que vivia à custa da riqueza controlada pelo governo, mascarados pelas promessas de prosperidade e igualdade, propagandeadas pelos veículos de comunicação estatais.

A queda do Muro de Berlim - ícone do fim do mundo bipolar, fortaleceu a necessidade da implementação de inúmeras reformas no território, ficando sob o então estadista Mikhail Gorbatchev a responsabilidade de executá-las. Entre suas maiores metas governamentais, empreendeu duas medidas: a perestroika ( reestruturação) visando modernizar a economia russa com a redução da participação do Estado; e a glasnost (transparência), com objetivo de abrandar o poder de intromissão do governo nas questões civis.

Porém, as medidas inovadoras de Gorbatchev criaram uma cisão política no interior do país. Houve a tentativa de um golpe militar, que sem sucesso, abriu portas para que os liberais tomassem o poder. A Federação Russa, devido o seu enorme arsenal militar foi designada pela comunidade internacional para ocupar o espaço da ex-União Soviética, reconhecida também pelo Conselho de Segurança Permanente da Organização das Nações Unidas.

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18 de dezembro de 1955: O primeiro centenário de Adolfo Lutz

O centenário de Adolfo Lutz. Jornal do Brasil: Domingo, 18 de dezembro de 1955.

"Passa hoje, 18 de dezembro de 1955, o 1º Centenário de Adolfo Lutz, cuja vida foi toda consagrada à pesquisa científica e à melhoria da Saúde Pública, um padrão de glórias para o mundo em geral, muito particularmente para a terra que o viu nascer".

Leia outras efemérides de 18 de dezembro
1969 - O ex-presidente Costa e Silva é sepultado
1987 - Memórias de Marguerite Yourcenar

Descendente de tradicional família de Berna, o carioca Adolfo Lutz (a grafia original com "ph" foi mudada após sua morte, na Inauguração do Instituto que recebeu seu nome em 1940) seguiu os passos do avô, renomado cirurgião, e mudou-se para a Suíça, onde dedicou-se aos estudos de Medicina, formando-se na Universidade de Berna. De lá, trilhou pela Europa estudando técnicas de medicina experimental em vários centros médicos: Londres (Inglaterra), Leipzig (Alemanha), Viena (Áustria), Praga (República Checa) e Paris (França), o que lhe possibilitou ainda maior conhecimento na área.

Após uma temporada no Brasil entre 1881 e 1887, atuando como clínico geral em Limeira, interior de São Paulo, volta à Europa para seguir em pesquisas médicas e fixa residência em Hamburgo (Alemanha), onde especializa-se em doenças infecciosas e em medicina tropical. Com fama e projeção, é convidado para assumir o cargo de diretor do Hospital Kalihi no Havaí, onde dedica-se à pesquisa sobre hanseníase.

Depois disso, ele trabalha durante um período na Califórnia, EUA, antes de retornar para o Brasil em 1892, atendendo ao convite do governador de São Paulo para dirigir o Instituto de Bacteriologia (mais tarde, este instituto irá se chamar Instituto Adolfo Lutz em sua homenagem).

Lutz foi o primeiro cientista latino-americano a estudar e confirmar os mecanismos de transmissão da febre amarela pelo Aedes aegypti, mosquito que é reservatório natural e vetor da doença. Também foi o responsável pela identificação do blastomicose sul-americano.

Sua dedicação à saúde pública fez com que lutasse e pesquisasse sobre várias epidemias de diversas regiões do Brasil, como a cólera, peste bubônica, febre tifóide, malária, ancilostomíase, esquistossomose e leishmaniose.

Depois da aposentadoria em 1908, Dr. Adolfo Lutz mudou-se definitivamente do Rio de Janeiro, onde trabalhou por mais 32 anos, até a morte em 6 de outubro de 1940, no Instituto Oswaldo Cruz.

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17 de dezembro de 2011: A cultura brasileira perde Sergio Britto

Morre o ator e diretor Sergio Britto

"O teatro me revigora". Sergio Britto

Sergio Britto, 88 anos, morreu na manhã deste sábado no Hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, em decorrência de problemas cardiorrespiratórios.

Um ícone da arte dramática brasileira, o carioca Sergio Pedro Correa de Britto nascido em 23 de junho de 1923, foi diretor, ator, apresentador e roteirista. Atuou no teatro, no cinema e na televisão. Foi um dos fundadores do Teatro dos Sete nos anos 1950 e participou ativamente de importantes realizações cênicas dos anos 1960 e 1970. Nos anos 1980, tornou-se um dos sócios do Teatro dos Quatro e, nos 1990, realizou uma série de espetáculos musicados à frente do Teatro Delfim.

A carreira intensa, com mais de 65 anos de dedicação foi documentada na obra O Teatro e Eu, lançada no ano passado.

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17 de dezembro de 1961: O incêndio do Gran Circus em Niterói

O que era para ser uma inesquecível tarde de domingo com a estréia do Gran Circus norte-americano em Niterói, tornou-se o dia mais triste da história da cidade.
Primeira página do Jornal do Brasil: 19 de dezembro de 1961

Num gesto de vingança decorrente de um desentendimento com a administração, um ex-empregado ateou fogo à lona do picadeiro durante o espetáculo, dando início a um incêndio que logo atingiu dimensões incontroláveis. O tecido de cobertura, altamente inflamável, foi rapidamente tomado pelas chamas, caindo em gotas incandescentes sobre a platéia, onde se encontrava um público superior a três mil espectadores, crianças em sua grande maioria.

O pânico foi imediato. Chamas, fumaça, calor, gritos. Pessoas desesperadas buscavam as saídas, esbarrando-se umas nas outras e atropelando as que caiam no chão. O fogo, ao alcançar a cúpula da arena fez com que a lona desabasse. Quando chegou ao local o primeiro contingente do Corpo de Bombeiros, nada mais havia a fazer senão resgatar os sobreviventes, pois em pouco mais de 50 minutos, só restavam, além de destroços, corpos carbonizados e pisoteados.



Mas nem mesmo a dor da perda de parentes, conhecidos e mesmo anônimos, impediu que Niterói se mobilizasse num movimento de solidariedade.

Os feridos foram socorridos no Hospital Antônio Pedro, que recebeu inúmeros voluntários para doação de sangue, alimentos e medicamentos, arrecadados também em postos de coleta espalhados por vários pontos da cidade.

Além das quase 400 mortes registradas no local do incêndio, mais uma centena de vítimas não resistiu aos ferimentos, e morreu nos dias subseqüentes. Além do mentor do crime, réu confesso, dois outros cúmplices foram condenados.

Tragédia Grand Circus de Niterói


Profeta que nasceu das cinzas
Entre as tantas pessoas que se comoveram com a tragédia de Niterói havia José Datrino, um empresário do setor de transportes de cargas no Rio. Interpretando a queima do circo como um metáfora do incêndio do mundo, sentiu-se chamado para abandonar o mundo material e se dedicar apenas ao espiritual. Assim, deixou tudo para trás e seguiu para Niterói, passando a viver como o profeta Gentileza. E foi no próprio terreno do incêndio que começou a reconstruir o mundo, transformando o local num belíssimo jardim, e levando ao próximo seus ideais de gentileza e paz.

Tragédia Grand Circus de Niterói - Imagem CPDoc JB

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16 de dezembro de 1976: O massacre na Lapa paulistana

O Massacre da Lapa paulistana. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 17 de dezembro de 1976."A luta contra a subversão só pode ter resultados positivos se contar com a cooperação da população. Sozinhos, os órgãos de segurança nada podem fazer. Peço que os cidadãos denunciem qualquer reunião ou movimento suspeito à autoridade policial mais próxima".
Comandante do II Exército Dilermando Gomes Monteiro

Outras efemérides de 16 de dezembro
1971: Ataque indiano põe fim à Guerra do Paquistão
1993: STF confirma cassação de Collor
1997: Processo pela morte de Senna termina sem culpados

Era início da manhã de uma sexta-feira, quando agentes do DOI do II Exército invadiram a casa do comitê central do PCdoB (na época, o partido estava na clandestinidade em função da proibição imposta pelo regime militar) - localizada na Rua Pio XI, nº 767, no bairro paulistano da Lapa. Resultado de três meses de investigação, a ação foi facilitada pelo bloqueio do trânsito na área e pela colaboração de fontes não reveladas, possivelmente de pessoas frequentadoras da região.

Durante a incursão, três militantes do Partido Comunista do Brasil, de linha maoista, foram mortos: Pedro Pomar, 63 anos, João Batista Franco Drummond, 34 anos, e Angelo Arroyo, 48 anos. Outros cinco integrantes foram detidos. Segundo relato de vizinhos, a operação durou cerca de 20 minutos, sob intenso tiroteio, o que foi negado pelos agentes que disseram que somente agiram em respostas aos tiros disparados pelos subversivos. A polícia somente autorizou o acesso da imprensa após o término da perícia, o que fortaleceu as suspeitas sobre as reais circunstâncias da operação.

Foram apreendidos sacolas cheias de documentos, além de jornais , revistas, livros, manuscritos, armas e outros objetos que foram encaminhados para o DOI.

Naquela noite, no Rio, o agente Atílio da Silva, da Superintendência Regional da Polícia Federal, informou por telefone que "Por ordens superiores, estava recomendando que as emissoras de rádio e televisão limitassem seus noticiários sore choque entre elementos do Partido Comunista Brasileiro e a Força de Segurança". Segundo ele, tratava-se de Nota Oficial para a imprensa, vinda de Brasília e assinada pelo Diretor-Geral do DPF.

Pedro Pomar foi enterrado no Cemitério Dom Bosco, em Perus, zona oeste da cidade de São Paulo, sob nome falso. Em 1980, a família conseguiu localizar e trasladar seus restos mortais para Belém do Pará, onde estão enterrados. Ângelo Arroyo foi enterrado pela família no Cemitério da IV Parada em São Paulo. Segundo documento encontrado no Instituto Médico Legal de São Paulo, a morte de João Batista foi dada por atropelamento na Av. 9 de Julho esquina com a Rua Paim, Bela Vista, local bastante distante do episódio.

A Nota Oficial do Exército
Massacre da Lapa: Nota Oficial do Exército

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15 de dezembro de 2011: 104 anos de Oscar Niemeyer. E a vida continua...

"Adoro olhar o mar. Ele nunca é igual, tem sempre uma cor diferente. Nasci no mar". Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer completa 104 anos em plena atividade.

Chamá-lo de Oscar pode ser um reconhecimento ao que Niemeyer, o arquiteto mais importante do Brasil - e um dos mais influentes da arquitetura moderna - traz em sua bagagem. Uma experiência ímpar que o projetou como o defensor de uma sociedade mais igualitária e fraterna e que, por seu talento, o tornou um cidadão do Mundo.

Outras efemérides de 15 de dezembro
1923: Petit Trianon, a nova sede da ABL
1960: É inaugurado o Cine Paissandu
1966 - Adeus a Walt Disney, o criador da fábrica de sonhos

Nascido em 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares passou a juventude como um jovem carioca típico da época: boêmio, sem a menor preocupação com os rumos de sua vida. Concluiu o ensino secundário apenas aos 21 anos, mesma idade com que se casou com Annita Baldo (1909 - 2004), filha de imigrantes italianos com quem teve apenas uma filha, a galerista Anna Maria Niemeyer.

Um ano depois, Niemeyer matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, de onde sairia em 1934 com o diploma de Engenheiro Arquiteto: "Depois de casado comecei a compreender a responsabilidade que assumia e fui trabalhar na tipografia de meu pai, entrando depois para Escola Nacional de Belas Artes".

Em 1935, iniciou sua vida profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. "Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam".

Passados dois anos, assinou o seu primeiro projeto: a Obra do Berço, no Rio. No ano de 1939, viajou com Lúcio Costa para projetar o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Foi nessa época que conheceu o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o chamaria para projetar seu primeiro trabalho individual. era o início de uma fase em que projetaria uma série de prédios em Belo Horizonte, mais tarde conhecidos como Conjunto da Pampulha. A construção, que ficou pronta em 1943, rendeu muitas críticas e admiração e trouxe ao arquiteto sua primeira projeção internacional.

Em 1951, Niemeyer cria em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera (um parque com pavilhões de exposições em homenagem ao aniversário de 400 anos da capital paulista) e o edifício Copan, prédio situado em um dos pontos mais movimentados do Centro que se tornaria um dos símbolos da cidade.

No ano seguinte, é a vez do Rio ganhar as atenções do jovem arquiteto. Ele constrói sua própria casa - a Casa das Canoas, que recebe o nome devido a estrada em que a residência se encontra. Muitos anos depois, o local torna-se parte da Fundação Oscar Niemeyer.

Com a eleição presidencial de Juscelino Kubitschek, Niemeyer é convidado para a realização de um projeto ambicioso: a criação da nova capital do País. Niemeyer é encarregado de organizar o concurso para a escolha do plano-piloto de Brasília, participando também da comissão julgadora. Nesta época, o arquiteto projeta o Palácio da Alvorada e os principais prédios da nova capital, entre eles o Congresso Nacional, a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios e o Palácio do Planalto, além de prédios residenciais e comerciais. Lúcio Costa, seu antigo patrão e grande amigo, vence o concurso para o projeto urbanístico, e coloca em prática conceitos modernistas de cidade, inspirado nas idéias do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, como ruas sem trânsito, prédios erguidos por pilotis e integrados à natureza. Brasília é projetada, construída e inaugurada no intervalo de tempo de um mandato presidencial, quatro anos. Após sua construção, Niemeyer torna-se coordenador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (UNB). Em 1963, durante a Guerra Fria, é nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos dos Estados Unidos, e ganha o prêmio Lênin em favor da paz.

Filiado ao Partido Comunista Brasileiro desde 1945, o arquiteto visitou a União Soviética e tornou-se amigo pessoal de diversos líderes socialistas. Fidel Castro teria dito a respeito dele: "Niemeyer e eu somos os últimos comunistas deste planeta". Sua miltância política aproximou-o de personalidades com o mesmo posicionamento, especialmente do poeta chileno Pablo Neruda e do ex-presidente Salvador Allende, a ponto de realizar recentemente o projeto de um centro cultural em Valparaíso, cidade natal do estadista.

Em 1964, Niemeyer é surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil. Na ocasião, ele estava em Israel a trabalho. No mesmo ano, o arquiteto retorna ao País e é chamado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) para depor.

Sua posição esquerdista lhe custa caro. A revista da qual ele é diretor, Módulo, fundada em 1955, tem a sede semi-destruída em 1965. Seus projetos começam a ser recusados e seus clientes desaparecem. "Mas durante a ditadura, tudo foi diferente. Meu escritório foi saqueado e o da revista Módulo, semi-destruído. 'Lugar de arquiteto comunista é em Moscou', desabafou um dia à imprensa o Ministro da Aeronáutica".

Em 1965, Niemeyer retira-se da Universidade de Brasília ao lado de 200 professores como protesto contra a política universitária. No mesmo ano ele viaja a Paris para a exposição de sua obra no Museu do Louvre.

Impedido de trabalhar no Brasil, Niemeyer decide mudar-se para Paris. Ele abre um escritório na famosa avenida Champs-Élysées e passa a ter clientes de todo o mundo. Na Itália, ele projeta a sede da Editora Mondadori e na Argélia, a Universidade de Constantine.

Seu trabalho é reconhecido internacionalmente, e ganha admiradores em todas as áreas, como o sociólogo italiano Domenico de Masi, os escritores José Saramago e Eduardo Galeano, o historiador britânico Eric Hobsbawm, o ex-presidente português Mário Soares, o cineasta Nelson Pereira dos Santos e o cantor Chico Buarque.

Nos anos 80, Oscar Niemeyer volta ao Brasil. Nesta época, ele projeta o Memorial Juscelino Kubitschek, o prédio-sede da Rede Manchete de Televisão, o Sambódromo do Rio de Janeiro, o Panteão da Pátria de Brasília e o Memorial da América Latina, em São Paulo.

Em 1987, ele recebe nos Estados Unidos o Pritzker de Arquitetura, considerado o prêmio mais importante do mundo na categoria. Três anos depois, junto ao amigo Lúcio Costa, Niemeyer desliga-se do Partido Comunista Brasileiro.

Aos 84 anos, Oscar Niemeyer projeta o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), que muitos consideram sua obra-prima. Os traços modernos do museu fazem a construção se assemelhar a um disco voador. Projetado sobre uma pedra, a construção oferece visão para a Baía de Guanabara e o Rio de Janeiro.

Em 2002, é inaugurado em Curitiba o Museu Oscar Niemeyer, conhecido como Museu do Olho, devido ao design de seu edifício. Quatro anos depois, é inaugurado o Museu Nacional Honestino Guimarães, de autoria de Niemeyer, localizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Viúvo desde 2004, Niemeyer decide se casar com Vera Lúcia Cabreira, 60 anos, sua secretária há três décadas, em dezembro de 2006, aos 98 anos. Os dois casaram-se no dia 16 do mesmo mês, em uma cerimônia civil realizada na residência dele no Rio. Apenas um juiz e duas testemunhas estiveram presentes. Niemeyer só informou sua família da união no dia seguinte.

No final de agosto deste ano, Niemeyer lançou seu novo livro As Igrejas de Oscar Niemeyer, que traz plantas e fotos dos principais projetos do gênero nos quais ele se envolveu. O evento ocorreu na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Shopping da Gávea, localizado na zona sul do Rio de Janeiro. Além desta obra, lançou também a décima edição da revista Nosso Caminho, publicação voltada à arquitetura que criou em 2008. Celebrando 104 anos, Niemeyer continua em plena atividade profissional. E a vida continua...

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14 de dezembro de 1966: Morre Rubem Berta, um símbolo da aeronáutica brasileira

A morte de Rubem Berta. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 15 de dezembro de 1966.

O Presidente da Varig, Rubem Berta, 59 anos, morreu após sofrer um colapso cardíaco em seu gabinete, onde, sozinho, preparava o relatório sobre as atividades da empresa naquele ano. Encerrava-se assim, uma história de quase 40 anos de dedicação à empresa que ajudou a construir e consolidar no mundo do transporte aéreo comercial.

Na folha 1 do Livro 1 do Registro Aeronáutico Brasileiro consta a inscrição do primeiro avião comercial brasileiro, data de 7 de maio de 1927. O avião era o pequeno Atlântico, e com ele começa a história da Varig. O gaúcho Rubem Martim Berta, nessa época, era um rapaz de 20 anos, funcionário do departamento de contabilidade da empresa, fundada um ano antes por Otto Meyer Labastille.

Berta fazia de tudo sem limite de horário: atendia no balcão, escrevia à máquina, despachava e recebia os aviões, e entregava a correspondência no correio. Foi despachante, contador, secretário de Diretoria e Diretor-Suplente, funções que o obrigaram a abandonar os estudos quando já estava no 4º ano da Faculdade de Medicina de Porto Alegre.

Em 1941, o Brasil se preparava para entrar na guerra, e o sentimento antigermânico cersceu em Porto Alegre. Percebendo que sua origem poderia comprometer o interesse e a popularidade da Varig, Meyer Lobastille resolveu renunciar à Presidência. Berta, que gozava de sua plena confiança foi nomeado Diretor-Gerente, passando em 1945 a Diretor-Presidente. Na Presidência, Berta procurou traçar um plano de rotas interestaduais e internacionais, o que alcançaria com êxito em poucos ano.

A dedicação ao trabalho consumiu bastante de sua vida pessoal. Foi um homem sem hobbies e sem vida social. Chegou, por diversas vezes, a dormir em seu escritório. E sua principal distração era debruçar-se sobre os mapas da companhia, imaginando novas rotas. Gostava de embarcar como um passageiro anônimo, para verificar pessoalmente o funcionamento do serviço aéreo.

Reconhecido por diversos prêmios de renome no cenário empresarial brasileiro, Rubem Berta foi à altura de seu sonho. Deixou viúva D. Vilma Berta, com quem teve duas filhas.

Outras efemérides de 14 de dezembro
1962: Mariner 2 chega a Vênus
1972: A Apollo 17 retorna à Terra
1981: Israel anexa as Colinas de Golã a seu território

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13 de dezembro de 1968: Tempo negro. Temperatura sufocante. É decretado o AI-5

Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável.
O país está sendo varrido por fortes ventos.
Máx.: 38º em Brasília. Mín.: 5º, nas Laranjeiras.

Jornal do Brasil

Primeira página do Jornal do Brasil: Sábado, 14 de dezembro de 1968.

Na noite da sexta-feira, 13, com o objetivo de administrar a crise política, o Governo do General Arthur da Costa e Silva baixou o Ato Institucional nº 5, e com base nele, o Ato Institucional Complementar nº 38, que decretou o recesso do Congresso Nacional, por prazo indefinido.

Outras efemérides de 13 de dezembro
1981 - Governo polonês decreta estado de guerra
1996 – Kofi Annan é o novo secretário-geral da ONU

Entre as resoluções do AI-5, suspendia-se os direitos políticos, e proibia-se atividades e manifestações sobre assuntos dessa natureza, condicionando a infração a severas penalidades, desde a liberdade vigiada ao domicílio determinado. Para garantir a ordem, os quartéis mantiveram-se em rigoroso regime de prontidão, e mobilizaram-se integralmente as Polícias Federal, Militar, Civil e a Guarda Civil.


O ano de 1968 foi de grandes protestos contra o regime militar. No início do ano, artistas de teatro mobilizaram-se contra a censura. Em março, uma manifestação universitária no restaurante Calabouço terminou na morte do estudante Edson Luís. Greves e passeatas eclodiram em todo o país, culminando com a passeata dos 100 mil, em junho, no Rio.

Atentados, expropriações, paralisações prosseguiram no segundo semestre em diversas partes do país. Um dos momentos mais tensos foi o discurso do deputado Márcio Moreira Alves, no início de setembro, conclamando a população a boicotar os eventos programados para o Dia da Independência. A declaração elevou ao máximo o descontentamento dos militares, que pediram a cassação do deputado. O pedido foi rejeitado pelo Congresso (216 votos contra, 141 a favor e 24 abstenções) na véspera da instauração do AI-5.

Anos de chumbo e a censura
Nos dez anos de vigência do mais cruel dos Atos Institucionais, sua fúria consternou a sociedade brasileira e internacional. Impondo-se como um instrumento de intolerância aos contestadores do regime militar, promoveu arbitrariamente repressão e intervenção, cassação, suspensão dos direitos, prisão preventiva, demissões perseguições e até confisco de bens.

A censura federal, recrudescida, atuou veentemente na interdição de mais de 500 filmes, 400 peças de teatro, 200 livros, e milhares de músicas. Tudo sob a égide da segurança nacional.

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12 de dezembro de 1965: 50 anos de Frank Sinatra

Os 50 anos de Frank Sinatra

Não há no mundo um sujeito de mais sorte que eu”.

O autor da frase acima foi um homem que, em 1965, completou 50 anos de idade, magro, metido a brigão, sem preconceitos raciais, dono de um íate, um helicóptero e um avião a jato, que ganhava três milhões e meio de dólares por ano e era mundialmente reconhecido por sua beleza e talento como artista. Seu nome era Frank Sinatra, mais precisamente Frank Albert Sinatra, ou Frankie para os amigos e Francis para os íntimos.

Leia também
1993: Eduardo Frei é eleito presidente do Chile
1994: Por falta de provas, Supremo inocenta Collor e PC

Em 12 de dezembro de 1915, o povo da pequena cidade de Hoboken, em Nova Jérsei, perto de Nova Iorque, não fazia idéia de que nascia – segundo alguns, cantando, ao invés de chorando – aquele que se transformaria no seu mais novo e duradouro orgulho. Um dia, já crescido, o pequeno Frank Sinatra atravessaria o Rio Hudson e iria tentar a vida da cidade grande.

Durante seus primeiros 20 anos não passou de um cantorzinho desconhecido nos escuros cabarés de subúrbio, até que, em 1941, aos 26 anos de idade, começou a cantar na Orquestra de Tommy Dorsey, ao lado de Jo Staford e Coanie Haynes. Oh! look at me now, em dueto com Jo, foi um sucesso no país inteiro, que começava então a descobrir um novo cantor. Em 1943, Sinatra já era milionário e seus discos corriam o país e ganhavam o exterior. Logo, cheques começaram a chegar a ele aos montes: de estúdios de cinema, cadeias de televisão, companhias de discos, editoras, hotéis, agências de publicidade. Da própria empresa da família Sinatra os dólares também entravam, de suas produtoras de filmes, sua companhia de aviação, gravadoras, uma construtora, negócios imobiliários, sua cadeia de hotéis em Nevada e uma imensidão de investimentos diversos. Tudo para acompanhar seu luxuoso e estravagante estilo de vida.

Dentre seus sucessos mais famosos como cantor, estão os clássicos Fly me to the Moon, My Way e New York, New York. Artista completo, além de cantar Sinatra apareceu em mais de cinquenta filmes, entre eles: Anchors Aweigh (1945), On The Town (1949), From Here To Eternity (1953), com o qual ganhou o Oscar, The Man With The Golden Arm e High Society (ambos de 1956), e The First Deadly Sin (1980). Também fez parte do Rat Pack, grupo de artistas bastante conhecido entre meados da década de 1950 e 1960 e que protagonizou entre outros filmes, Ocean’s Eleven (1960).

Valente e galanteador
Grande parte da fama de Frank Sinatra vinha da sua vida pessoal e de suas demonstrações de valentia, sempre em defesa de algo que julgava, no momento, importante. Uma vez, agrediu um garçom que se recusou a servir um amigo seu, negro; outra vez esmurrou um homem que fez uma declaração anti-semita; e no meio de sua carreira cancelou todos os contratos para ir a Indiana falar a um grupo de estudantes que protestava contra a integração racial.

O artista sempre gostou de mulheres bonitas, mas, para casar pela primeira vez, não precisou procurar muito, contentando-se com uma namorada de infância, Nancy Barbato, que lhe deu três filhos. No entanto, apesar do amor aparente, Sinatra sempre procurou outras mulheres e seu nome esteve ligado ao de muitas estrelas, como Ava Gardner. Por sua causa, Sinatra divorciou-se de Nancy e caiu em desgraça. Muitos dos seus filmes daquela época nunca saíram dos estúdios, o cantor emagreceu, quase perdeu a voz e seus discos pararam de fazer tanto sucesso. Seu prestígio só seria recuperado quando ganhou o Oscar de melhor ator por From Here To Eternity .

Ainda sobre Frank Sinatra
26 de janeiro de 1980: O show de Sinatra no Maracanã
14 de maio de 1998: A América perde a Voz

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11 de dezembro de 1964: O Show Opinião

Ze Keti e Nara Leão. Reprodução.


Um show numa sexta-feira à noite no Teatro de Arena São Paulo, em Copacabana, assinalou a primeira voz abertamente discordante à ditadura militar que se instaurava no Brasil, enfatizada nos versos que marcariam época: "Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião..."

O público logo entendeu que estes versos, relacionados com a situação da vida das pessoas nos morrosm referiam-se, na verdade, ao clima sombrio das prisões, cassações e torutra no país. Além disso, o espetáculo, chamado Opinião, deu um novo rumo ao show nativo e ao próprio teatro. Pois é neste acontecimento, que juntou na época, Nara Leão (posteriormente substituida por Maria Bethânia, João do Vale e Zé Keti).

Com texto assinado por Oduvaldo Vianna Filho, Opinião foi dirigido por Augusto Boal, produzido pelo Teatro de Arena e por integrantes da UNE - instituição que, a esta altura,já tinha sido colocada na ilegalidade pelo regime militar.

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10 de dezembro: Clarice, pela última vez (Hoje é Hora de Clarice!)

Clarice, pela última vez. Jornal do Brasil: Sábado, 15 de dezembro de 1977
"E Deus, Clarice"?
"O assunto é muito doloroso, prefiro não falar".
"Posso dizer o que acho que você acha d’Ele"?
"Pode".
"A essência de todas as coisas"?
"Pode dar essa resposta. É isso mesmo".

No dia 15 de dezembro de 1977, o Jornal do Brasil publicou Clarice Lispector, pela última vez - uma entrevista concedida pela poetisa em seu apartamento no Leme, dias antes de sua morte, à Nevinha Pinheiro. A conversa aconteceu como se na informalidade de tantas lembranças, curiosidades e questionamentos, Clarice vivesse sua retrospectiva, falando da experiência literária, da vida, do legado de sua obra e de Deus. Como pano de fundo, uma sala repleta de fotografias da escritora em várias idades, mostrando sempre a mesma fisio­nomia, os mesmos traços característicos de uma vida inteira.

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Durante a entrevista, Clarice reafirmou sua maneira particular de escrever: "Eu creio na inspiração e creio no trabalho. Paul Valérie disse que os dois primeiros versos são dados pelos deuses e o resto é trabalho humano. Às vezes acordo no meio da noite com uma frase na cabeça, levanto-me, anoto-a e volto a dormir". Da mesma forma que foi conclusiva em sua proposta literária: "Eu levo uma vida absolutamente o que se chama: normal. Claro que me sinto gratificada quando alguém me entende, mas não escrevo para ser gloriosa, não tenho nenhum compromisso com o sucesso, não escrevo para ser agradável a nin­guém".

Relembrou também Carlos Drummond de Andrade, com quem compartilhou as páginas do Caderno B, durante sua passagem pelo Jornal do Brasil, de quem receberia nas próprias páginas do jornal uma homenagem póstuma: Visão de Clarice, brincando com seu mistério...

Se não o ponto alto da conversa, caberia ao final por suas próprias palavras um desfecho digno de Clarice, sem saber o que lhe reservaria o destino...

"Sua obra ficará, Clarice"?
"Acontece que estou sendo muito imitada, sobretudo nos meus cacoetes. Acho que meus livros vão perder o valor, porque quem imita já tem uma base, algo que lhe é anterior e que pode refinar…"

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10 de dezembro: Apenas um cisco no olho (Hoje é Hora de Clarice!)

A colaboração no Jornal do Brasil perdurou seis anos e meio em 331 artigos publicados, até sua despedida em 29 de dezembro de 1973, com a crônica Apenas um cisco no olho:

"E de repente aquela dor intolerável no olho esquerdo, este lacrimenjando, e o mundo se tornando turvo. E torto: pois fechando um olho, o outro automaticamente se entrefecha... Pois, como eu ia dizendo, lembrei-me do Ano Novo, assim, de repente. Desejo um 1974 muito feliz para cada um de nós".

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Clarice Lispector aprendeu a língua portuguesa como poucos, e suas obras refletem o deslumbramento pela sonoridade das palavras brasileiras. Uma narrativa que entrelaça harmonicamente conceitos metafísicos e o trivial cotidiano, fruto de um método sempre presente no trabalho da autora. Registrava as frases, à medida que lhe viam ao pensamento, e depois costurava-as, com o seu estilo inconfundível.

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10 de dezembro: Declaração de amor e As três experiências (Hoje é Hora de Clarice!)

Declaração de amor e As três experiências habitam sob o mesmo teto de uma Clarice Lispector, que expõe o sentimento que nutre pela língua portuguesa, pela arte da sua escrita, pelos filhos e o próximo:
"Esta é uma declaração de amor: amo a língua portuguesa. ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa liguagem de sentimento e de alerteza..."

"Só peço uma coisa: na hora de morrer eu queria ter uma pessoa amada por mim ao meu lado para me segurar a mão".

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10 de dezembro: Vietcong (Hoje é Hora de Clarice!)

Vietcong. Jornal do Brasil: Sábado, 25 de abril de 1970

Clarice Lispector também utiliza seu espaço no Jornal do Brasil para comentar temas que estão na pauta dos principais assuntos da época. Mesmo quando se manifestava dizendo não saber como aborda-los, trazia ao leitor o essencial à sua reflexão. Como escreveu em Vietcong, no meio da Guerra do Vietnã: "... Senti-me pequena e humilde, pensei: que é que uma mulher fraca como eu pode falar sobre tantas mortes sem sequer glória, guerras que cortam da vida pessoas em plena juventude, sem falar nos massacres, em nome de quê, afinal?..." Caderno B do Jornal do Brasil: Sábado, 25 de abril de 1970. Clique aqui, para ler na íntegra!

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10 de dezembro: Desculpem, mas não sou profundo (Hoje é Hora de Clarice!)

Erico Veríssimo por Clarice Lispector. Jornal do Brasil: Sábado, 16 de dezembro de 1972.

Durante a passagem pelas páginas do Jornal do Brasil, Clarice Lispector exercitou os sentimentos aos amigos, compartilhou com seus leitores homenagens rendidas. Um deles foi Érico Veríssimo, quando de sua perda, que ela mesmo depois revelou: "Quando Érico morreu, eu ia tomar um avião para Porto Alegre, mas com o choque minha pressão caiu tanto que eu não podia me levantar da cama…"


Para Érico Veríssimo escreveu Desculpem, mas não sou profundo:

"Érico Veríssimo é um dos seres mais gostáveis que conheci: é pessoa humana de uma largueza extraordinária. Foi em Washington onde eu conheci a Mafalda, Érico trabalhando na OEA. Eu fazia ninho na casa e na vida deles. E disse ele que as melhores recordações que guarda de sua estada em Washington D.C. foram as horas que passaram em minha casa. Érico não conseguiu escrever uma linha durante esses três anos burocráticos..." Caderno B do Jornal do Brasil: Sábado, 16 de dezembro de 1972. Clique aqui, para ler na íntegra!

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10 de dezembro: Hoje é Hora de Clarice!

Clarice Lispector. Reprodução

Clarice Lispector veio de longe para criar no Brasil uma literatura feminina com dimensões particulares. Nascida em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920, chegou ao Brasil com dois anos de idade. O destino inicial foi a capital alagoana Maceió. Três anos mais tarde, seguiu com a família para Recife, onde viveu sua infância e descobriu o prazer da literatura. Não parou mais, como era seu desejo, declarado um ano antes de sua morte, ao conquistar o Prêmio Brasília pelo conjunto de obras publicadas: "Eu não me aposentarei. Espero morrer escrevendo".

No início dos anos 30 perdeu sua mãe, Marieta, que sofria de paralisia. Nesta época, escreveu a primeira peça de teatro, Pobre menina rica, que como outros textos curtos, tentou publicar sem sucesso na imprensa recifense.

Na juventude, mudou-se para o Rio de Janeiro e em poucos anos começou a cursar Direito. Veio, então, o primeiro conto de ficção Triunfo e a experiência jornalística como repórter do jornal carioca A Noite.

Em 1942, casou-se com Maury Gurgel Valente, colega de faculdade e recém ingressado na carreira diplomática. A partir de então, começaram as viagens e as temporadas fora do Brasil. A família cresceu, tal como sua produção literária. A volta definitiva ao Brasil aconteceu no final da década de 50, quando separada do marido, fixou residência no Leme. Era o início de uma fase literária intensa.

A estréia de Clarice no Jornal do Brasil aconteceu em 19 de agosto de 1967, quando o Caderno B passou a ser publicado também aos sábados. Era um espaço semanal numa coluna quase sempre na página 2, onde transita a Clarice cronista. A começar por As crianças chatas:

"Não posso. Não posso pensar na cena que visualizei e que é real. O filho está de noite com dor de fome e diz para a mãe: estou com fome, mamãe. Ela responde com doçura: dorme. Ele diz: mas estou com fome. ela insiste: durma. Ele diz: não posso, estou com fome. Ela repete exasperadamente: durma. Ele insiste. Ela grita com dor: durma, seu chato! Os dois ficam em silêncio no escuro, imóveis. Será que ele está dormindo? - pensa ela toda acordada. E ele está amedrontado demais para se queixar. Na noite negra os dois estão despertos. Até que, de dor e cansaço, ambos cochilam, no ninho da resignação. E eu não aguento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta". Clarice Lispector - Caderno B do Jornal do Brasil: Sábado, 17 de agosto de 1967. Clique aqui, para ler na íntegra!

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9 de dezembro de 1971: Morre Ralph Bunche, Nobel da Paz de 1950 pela mediação na questão Palestina

Ralph Bunche. Reprodução
"If you want to get across an idea, wrap it up in a person".
Ralph Bunche

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Ralph Brunche, 67 anos, detentor do Prêmio Nobel da Paz de 1950, ex-Subsecretário-Geral de Assuntos Políticos Especiais da ONU e o primeiro negro norte-americano a ter um posto no Departamento de Estado, morreu em um hospital de Nova Iorque, onde estava num intenso tratamento médico de sua saúde fragilizada. Estava cego, sofria do coração, de diabetes e dos rins.

Nascido em 7 de agosto de 1904 em Detroit, no estado de Michigan, neto de escravo, Ralph Johnson Bunche foi de um tempo de poucos heróis na comunidade negra dos Estados Unidos. Órfão aos 14 anos, foi graças a uma bolsa de estudos, concedida por suas habilidades esportivas que conseguiu ingressar na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Era a oportunidade que precisava. Dedicou-se aos estudos em Ciências Políticas e obteve o Ph.D em Harvard em Relações Governamentais Internacionais. Lecionou e fez cursos de antropologia, problemas coloniais, promovendo pesquisas com bolsas em vários países. Nos anos 40, participou de atividades em favor dos direitos civis dos negros, e foi colaborador em pesquisas sobre a situação do negro norte-americano. Chegou a recusar o cargo de Secretário Assistente de Estado - jamais oferecido a um negro antes, quando alegou que um dos motivos da recusa era a segregação racial em Washington. Ao se aposentar, em junho de 1971, unicamente por motivos de saúde, era o mais alto funcionário norte-americano no Secretariado-Geral das Nações Unidas.

Mas Bunche só ficou conhecido no resto do mundo a partir de 1949, quando conduziu as negociações que devolveram a paz ao Oriente Médio, após a primeira guerra árabe-israelense. Por causa do êxito de sua mediação, recebeu no ano seguinte o Prêmio Nobel da Paz.

Nas negociações de 1949, ele substitutiu o Conde Folke Bernadotte, assassinado por extremistas judeus em Jerusalém. "Estamos dispostos a fazer a mesma coisa com quem substituir o Conde", ameaçou o grupo terrorista. Bunche não se deixou intimidar e quando terminou a tarefa com o armistício de fevereiro de 1949 - Israel elogiou seus "esforços sobre-humanos" e o Egito exaltou-o como "um dos maiores homens do mundo".

O plano Bunche, que norteou os entendimentos de Rhodes, foi apenas a primeira de uma série de ações conciliadoras que empreendeu em várias partes do mundo. Depois disso, Bunche virou uma figura indispensável nos esforços da ONU em favor da paz mundial. Seu incansável espírito agregador interviu em momentos decisivos na história do século 20.

Ralph Bunche era casado desde 1930 com Ruth Harris e teve três filhos.

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8 de dezembro de 1930: Morre Florbela Espanca

Florbela Espanca. Reprodução

"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
... Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
"
Florbela Espanca

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A poetisa Florbela Espanca matou-se na cidade portuguesa de Matosinhos, região do Porto, no dia em que completava seu 36º aniversário. A versão mais provável é que tenha consumido uma dose excessiva de tranquilizantes. Sua vida foi sua obra.

Poeta portuguesa de lirismo forte, Florbela de Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa, no Alentejo, no dia 8 de dezembro de 1894. Assim como seu irmão, era filha ilegítima e cresceu na chanerca, espécie de caatinga alentejana. Em 1908, mudou-se com a família para a capital. Lá, cursou Direito na Faculdade de Lisboa, colaborou com alguns veículos impressos da época, além de traduzir vários romances.

Alternando sua natural candura com o olhar de uma mulher decidida, Florbela foi uma mulher disposta a enfrentar o mundo. De personalidade vigorosa, cuja fome de amor e tensão erótica brotavam de tudo o que escrevia, inovou na medida em que se entregou aos seus versos, sem receios. Casou-se três vezes: com Alberto Moutinho, o oficial Antônio Guimarães e Mario Lage. Para seus conturbados amores, escreveu Amar. Embora dona de uma vida tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, a autora soube transformar sua história em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

A primeira publicação foi Livro de Mágoas (1919), uma coletânea de sonetos. Nas obras publicadas posteriormente, Livro de Sóror Saudade (1923), e Chanerca em Flor (1930), a poeta reafirma sua posição ousada para a época. Sonetista perfeita, expressa suas emoções em linguagem telúrica e imagens fortes.
O fim precoce não impediu uma produção literária intensa. Grande parte desta obra só seria revelada ao público após sua morte.

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7 de dezembro de 1941: O ataque a Pearl Harbor

Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de dezembro de 1941. Ataque a Pearl Harbor, EUA entram na Guerra

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A investida da Marinha Imperial japonesa contra a base militar norte-americana de Pearl Harbor, no Hawaii, iniciada às 7h55 de uma manhã de domingo, pegou todos de surpresa. Embora o serviço de espionagem americano tivesse antecipado informações de que o Japão preparava uma grande ação militar na Ásia, não se imaginava que o alvo fosse a base militar dos Estados Unidos no Pacífico. Em questão de minutos, as forças americanas viram 8 de seus grandes navios de guerra destruídos, bem como 14 embarcações de combate de menor porte, e 188 aviões bombardeados ainda no solo. O número de vítimas também foi impressionante: 2403 americanos morreram e outros 1178 foram feridos, segundo contagem oficial. No lado japonês, apenas 23 aeronaves de ataque foram abatidas.
Pearl Harbor. Reprodução

Pearl Harbor. Reprodução

Pearl Harbor. Reprodução

A estratégia do primeiro-ministro do Japão, Hideki Tojo, era clara. Ele pretendia atacar e conquistar todas as colônias, protetorados e possessões dos aliados na Ásia, para que o Japão pudesse se tornar na Ásia a potência que a Alemanha se tornou na Europa. Imediatamente após o ataque de Pearl Harbor, as forças japonesas deram continuidade ao plano estratégico, lançando-se em outros ataques no Pacífico.

No dia seguinte ao episódio, o Congresso americano declara guerra ao Japão, atendendo à petição do presidente Franklin Delano Roosevelt e os EUA entram na Segunda Guerra Mundial.

Se até então, o mundo desconhecia o poderio bélico dos Estados Unidos, o atentado a Pearl Harbor despertou o gigante industrial norte-americano e mudou os rumos do conflito. Como o ataque nipônico concentrou-se na superfície, os submarinos que estavam fora dos bunkers, as oficinas de reparo e o parque de tanques de combustível foram poupados, o que permitiu agilidade na recuperação dos navios danificados. Em menos de um ano, a Marinha americana refez sua frota, fazendo da entrada efetiva dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial decisiva para a derrota mundial das forças do Eixo poucos anos mais tarde.

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6 de dezembro de 1951: Getúlio Vargas propõe criação da Petrobras ao Congresso Nacional

Governo propõe criação da Petrobras. Jornal do Brasil: Sexta-feira, 7 de dezembro de 1951
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Com a finalidade de solucionar o grave problema do petróleo nacional, o Chefe do Governo, Getúlio Vargas enviou ao Congresso Nacional a proposta de criação de uma empresa mista de capital público e privado.

Foram apresentadas duas propostas de lei. Uma destinada à criação da empresa com o nome de Petróleo Brasileiro S. A. - Petrobras, que terá por obejtivo industrializar o petróleo no Brasil. A outra proposta destina-se a prover a mesma empresa de recursos financeiros necessários.

A União Federal deterá 51%, no mínimo, das ações com direito a voto em qualquer fase da integralização do capital da empresa. O controle oficial se estenderá à administração da empresa por meio do Conselho Nacional do Petróleo. O Presidente da República nomeará quatro diretores e escolherá dentre eles o presidente da sociedade.

Para fazer face às despesas programadas estão previstas nos projetos de lei várias fontes, entre elas:
uma parte do imposto único sobre combustíveis líquidos e lubrificantes, que constituirá o Fundo Rodoviário Nacional;
o imposto de 5% sobre a remessa de recursos para o exterior destinados ao pagamento de importações de veículos, suas peças e acessórios; a contribuição obrigatória dos proprietários de veículos seja terrestres, aquáticos ou aéreos;
O imposto de luxo ou supérfluo e o de importação de automóveis e embarcações para fins de recreio serão aumentados.

A nova empresa mista ficará financeiramente habilitada a empreender o programa de ação traçado, o qual abrange; a ampliação da indústria do refino de petróleo já existente, em execução ou planejada; o aumento da frota de petroleiros; e, principalmente, a pesquisa e a produção de óleo mineral natural.

O projeto foi aprovado em 3 de outubro de 1953. Leia mais, aqui.

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5 de dezembro de 1983: Morre a Condessa Pereira Carneiro, uma mulher a frente de seu tempo

Morre a Condessa Pereira Carneiro. Jornal do Brasil: Terça-feira, 6 de dezembro de 1983
"A ordem é não parar."
Condessa Pereira Carneiro

Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, 84 anos, morreu numa manhã de segunda-feira, numa súbita parada cardiorrespiratória, no Centro de Reabilitação Sara Kubitschek, em Brasília, onde estava internada havia uma semana. O velório aconteceu em sua residência no Rio de Janeiro, em Botafogo e o sepultamento foi cemitério no São João Batista, no mesmo bairro. Estiveram presentes no funeral, além de familiares e amigos, pessoas do seu relacionamento social, personalidades e políticos de destaque nacional, como Leonel Brizola (governador RJ), Tancredo Neves (governador MG), José Sarney (Presidente do PDS) e Austregésilo de Athayde (Presidente da ABL).

"A ordem é não parar", tantas vezes reiteradas pela Diretora-Presidente do Jornal do Brasil, quantas fossem necessárias, a frase acabou por se tornar seu slogan pessoal e uma doutrina para a empresa que assumiu em 1953, depois da morte de seu marido, o Conde Pereira Carneiro. Os anos seguintes aceleraram os preparativos para um programa de modernização ao qual a Condessa daria o seu apoio humano e a coragem de prosseguir com o mesmo espírito de servir o leitor.

A presença da Condessa ao longo de todos os anos de definição, execução e aperfeiçoamento da reforma que o Jornal do Brasil empreendeu desde 1956 foi uma constante. O lado humano de sua personalidade projetou-se paralelamente à administração, que passou a padrões modernos.

Foi uma personalidade identificada com o empreendimento modernizador que contou com o seu apoio e o seu entusiasmo, nos bons e nos maus momentos. No período em que as restrições à liberdade de informar e opiniar mais pesaram sobre a atividade do Jornal do Brasil, a Condessa demonstrava pessoalmente, em todas as oportunidades, sua divergências com a Censura. Seu permanente destemor foi sempre para o Jornal do Brasil fonte de inspiração e exemplo de coragem de aceitar desafios.

-"Eu nunca tive medo de nada. Além disso, eu procurava fazer como meu marido: eu tratava o jornal como uma grande família".

Para os que a conheceram fica também a imagem da mulher alegre, que gostava de usar vestidos de cores fortes (principalmente o vermelho), todos confeccionados por Mena Fialho, sua amiga, e que sempre tinha ao alcance da mão bombons e docinhos, que consumia com prazer, mesmo sentimento com que cuidava da coleção de livros do pai, presenteados a bibliotecas de todo o país e a amigos. Vaidosa, preocupava-se sempre com a aparência e gostava de assistir a desfiles de moda em Paris. Muito católica, ia sempre à missa dominical de manhã e chegou a ser recebida pelo Papa Pio XII.

Desde o primeiro instante que recebeu a liderança do Jornal do Brasil em suas mãos, a Condessa dedicou sua vida a ele, que foi seu grande filho. E revolucionou a sua história.

Para ler a notícia na íntegra, clique aqui!

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4 de dezembro de 1993: A música perde as canções e atitudes de Frank Zappa

Frank Zappa, Reprodução
O iconoclasta e inventivo guitarrista americano Frank Zappa, 52 anos, morreu num sábado, em sua casa em Los Angeles, em consequência de um câncer na próstata contra o qual lutava há vários anos. Seu corpo foi enterrado no dia seguinte.

Ao longo de quase 60 discos, o músico construiu uma obra singular e variadíssima, demolindo conceitos e fronteiras entre o rock, o jazz e a música erudita contemporânea e promovendo as mais inusitadas fusões. Pouquíssimo preocupado com as possibilidades comerciais ou a repercussão do que fazia junto à crítica, ele sempre pautou seu trabalho pela invenção. Sem qualquer tipo de limite.

Além disto, dentro e fora de suas criações, Frank Vicent Zappa Jr. (nascido em Baltimore, neto de sicilianos) fez de sua voz um instrumento de defesa da liberdade de expressão nos Estados Unidos, não hesitando em se lançar áté como anticandidato nas eleições presidenciais americanas. E usando sua mordacidade carascterística para atacar, sempre que podia, as instituições conservadoras de seu país.
A morte de Frank Zappa. Jornal do Brasil: Terça-feira, 4 de dezembro de 1995


Empresário bem sucedido, era dono do selo Barking Pumpkin e apostava alto em ligações comerciais com a Rússia e países do leste europeu. Defendia em sua plataforma questões como a substituição dos impostos de renda por uma tributação baseadano consumo dos cidadãos.

Bem humorado, mas extremamente cáustico, se manteve atento e forte mesmo doente, quando chegou a realizar diversos shows em sua turnê pelo albúm Yellow Shark. Antes de morrer, ainda conseguiu concluir Civilization, que teve lançamento póstumo.

Zappa começou tocando bateria, mas passou paraa guitarra quando caiu no rock´n roll (época em que o sax dominava os solos), porque achava que o gênero deveria se centrar mais no instrumento. Começou a fazer dinheiro com música compondo trilhas para filmes obscuros. Foi assim que montou seu próprio estúdio e ganhou autosuficiência para em 1966 gravar com The Mother of Invention o histórico Freak out - primeiro álbum duplo de rock e primeira obra conceitual do gênero.


Daí por diante, sua carreira foi uma revolução só: fosse ao vivo, introduzindo elementos tresloucadamente teatrais em seus shows, ou em estúdio, convocando músicos eruditos pasessões de autodeliberação. Solo, Zappa deu vazão a seu interesse por Stravinski e a música contemporânea já a partir do disco Lumpy gravy, de 1967. E foi ironizando a tudo e a todos (hippies, caretas, Beatles, roqueiros dos anos 50...), sem medo da baixaria e da vulgaridade, que ele construiu uma extensa dicografia, onde constam trabalhos como We´re only in it for the money, Sheik Yerbouti, Joe´s garage e Jazz from hell - que lhe rendeu o único Grammy de sua carreira.


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3 de dezembro de 1990: Morre sem glórias, Madame Henriette Morineau, dama dos palcos brasileiros

Henriette Morineau. Reprodução.

A grande dama do teatro brasileiro, Henriette Morineau, 83 anos, morreu no final da manhã, de parada cardíaca, num quarto do Instituto Brasileiro de Geriatria, no bairro do Andaraí, Rio de Janeiro, onde estava internada há dois anos. A morte de Henriette era esperada a qualquer momento: sua saúde precária se deteriorava a cada dia, agravada pela esclerose. Seu corpo foi velado, sem maiores honras e na presença de poucos amigos na capela 2 do Cemitério São João Batista, onde foi enterrado no dia seguinte.

Para o teatro, o cinema e a televisão brasileiros, era uma lenda - a atriz brasileira, nascida na França, Henriette Morineau. Uma personalidade tão forte que, quando caiu, caiu no palco. Aos 74 anos, fazia a Maude de Ensina-me a viver, em São Paulo, em outubro de 1982, quando se sentiu mal. Duas semanas depois, era operada para implante de duas pontes de safena. Voltaria ainda à peça, um ano mais tarde, mas por pouco tempo.

Recolhida num lar para idosos em São Paulo, ela mesmo não se considerava aposentada. Fisicamente, estava bem. Mas brancos na memória acabaram obrigando a atriz a suspender sua intensa carreira. Perguntava aos que a visitavam: "Será que deixei o teatro por enquanto ou definitivamente"?
Jornal do Brasil: Terça-feira, 4 de dezembro de 1990. Morre Henriette Morineau

Madame, como era chamada carinhosamente pelos que a conheciam, chegou ao Brasil em 1931, com 23 anos, vivendo uma história mutio parecida com as de suas heroínas. Nascida em Noirot, 400km de Paris, 29 de novembro de 1908, apaixonou-se por literatura no ginásio onde estudava, e onde interpretava os textos que tinha que ler em aula. Com muita dificuldade, conseguiu convencer seu padastro a deixá-la estudar com um professor de arte dramática, Henry Marier, em Paris. Logo estava atuando na Commédie Française, onde ficou por três anos, e percorreu toda a Europa, até conhecer na Bélgica seu futuro marido, George Morineau. Por intermédio dele, chegou ao Brasil. Juntos, foram morar no bairro carioca de Santa Teresa. Mas desde os primeiros dias de vida conjugal, Henriette percebeu que o casamento fora um desastroso. O nascimento da filha Antoniette no ano seguinte, amenizou as dificuldades e conseguiu manter por mais tempo a união.

Até então, Henriette não queria representar no Brasil, por não dominar o idioma local, mas acabou convencida pelo médico Aloisio de Castro, que a convidou para se apresentar durante uma conferência de música e poesia no auditório da ABI. Estava lançada a pedra fundamental de uma carreira que seria consagrada como uma das maiores da história do teatro brasileiro.

Em 1946, fundou a Companhia dos Artistas Unidos, na qual, durante 14 anos dirigiu e interpretou peças como Pecado original, Rainha da Inglaterra, Duas mulheres e O casaco encantado, mérito reconhecido tal renome e tal número de admiradores conquistou. Durante quase 60 anos, viveu grandes personagens femininas, na dramaturgia e no elenco das telenovelas.

Mas não diferente de outros grandes nomes da arte brasileira, Henriette morreu praticamente na indigência. No seu tempo, a classe artística vivia difíceis capítulos, reivindicando seus direitos legais no mercado de trabalho. E ela pagou o preço de se dedicar intensamente à sua arte: Passou por sérias dificuldades financeiras, ameaças de despejo, e precisou da ajuda de amigos que se mobilizavam para ajudá-la a arcar com as contas.

Inválida numa cama, quase cega, com raros momentos de lucidez e necessitada de cuidados médicos, a dama do palco brasileiro morreu alheia a tudo o que se passava à sua volta. Madame Morineau já não reconhecia ninguém.

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2 de dezembro: Quando nasceu o Dia do Samba?

'Quem não gosta de samba, bom sujeito não é
Ou é ruim da cabeça ou doente do pé
'...
Dorival Caymmi
Dia do Samba. Ilustração

Reza a lenda que o Dia do Samba foi criado nos anos 50, e remete à iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso, quando de sua primeira passagem por Salvador. O músico já havia composto o sucesso Na Baixa do Sapateiro, que exalta as tradições da capital da Bahia, mas nunca havia posto os pés naquela cidade.

Anos mais tarde, em 1962, durante a realização no I Congresso Nacional do Samba, no então Estado da Guanabara, o deputado estadual Frota Aguiar conseguiu aprovar um projeto de lei que tornou a comemoração um evento nacional. Desde 1972, a data é celebrada nas ruas das duas cidades.

No Dia Nacional do Samba no Rio, o trem da Central do Brasil que partem com destino a Oswaldo Cruz fica repletos de pagodeiros. Cada vagão transporta um grupo de sambistas famoso ou não, que vai tocando e cantando até chegar ao bairro onde nasceu Paulo da Portela. O trem só pára na estação de Mangueira para a Velha Guarda da Verde-e-Rosa entrar, e segue em frente. Em Oswaldo Cruz, todos desembarcam, e se formam várias rodas de samba que vão se espalhando até tomar conta de todo o bairro. E como em toda boa roda de samba, a festa só termina ao amanhecer. O Pagode do Trem é uma iniciativa do movimento Acorda Oswaldo Cruz.

Vagão de trem foi sede da Portela

O Pagode do Trem foi criado na década de 20 por Paulo Benjamin de Oliveira, um dos fundadores da Portela (dizem que o berço do samba é lá!), que mais tarde adotou o nome da escola de samba como seu sobrenome. Naquela época, o objetivo não era comemorar o Dia Nacional do Samba. Os sambistas eram perseguidos pela polícia e a Portela ainda não tinha uma sede. Assim, os sambistas da escola iam ao encontro de Paulo na Estação da Central, e partiam rumo ao subúrbio. Da Central até Oswaldo Cruz, o vagão onde eles se reuniam transformava-se na sede provisória da Portela. Os sambas eram cantados, escolhidos. Tudo o que se referia à escola de samba era acertado ali.

Relembre histórias de menestréis do Samba
Carlos Cachaça
Ismael Silva
Noel Rosa
Silas de Oliveira
Cartola
Jovelina Pérola Negra
Nelson Cavaquinho
Clementina de Jesus
Ataulfo Alves
Adoniram Barbosa
Chiquinha Gonzaga
Elizeth Cardoso
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1º de dezembro de 1988: Pela primeira vez, Brasil participa do Dia Mundial de luta contra a Aids

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 2 de dezembro de 1988

Mais de 200 pessoas atenderam ao chamado do "Solidariedade - abrace este sentimento", slogan da campanha pela luta contra à Aids, e se deram as mãos em torno do Cristo Redentor, no Rio, simbolizando um grande abraço.

Ao som da música O Bêbado e o Equilibrista, uma gigantesca faixa com a inscrição Aids - Solidariedade foi estendida aos pés do monumento, dezenas de pombas brancas foram soltas e balões lançados ao ar. Entre os presentes estava o sociólogo e ativista político Herbert de Souza, o Betinho, soro-positivo e presidente da Associação Brasileira Interdisciplinar contra a Aids - ABIA.

A campanha teve os objetivos de divulgar informações sobre a transmissão da doença e despertar na população e nos profissionais de saúde o sentimento de solidariedade aos portadores do vírus, vítimas do preconceito e da desinformação. Reivindicou também a atuação da saúde pública no cumprimento de um programa efetivo para prevenir a contaminação do vírus e oferecer condições dignas de atendimento ao pacientes.

Pela primeira vez, o Brasil participava do Dia Mundial de Luta Contra a Aids, doença reconhecida pela Organização Mundial de Saúde - OMS - como um problema mundial. A data foi criada para despertar a consciência sobre a necessidade da prevenção, aumentar a compreensão sobre a síndrome e reforçar a tolerância e a compaixão às pessoas infectadas.

Março de 1983
Doença misteriosa transforma-se na epidemia mais violenta do século



Passadas três décadas da sua descoberta, embora muitos estudos tenham contribuído para seu tratamento, retardando sua manifestação, esclarecendo formas de contágio, proporcionando melhor qualidade de vida ao seu paciente, o rótulo inicial dado a Aids - associando-a a grupos de comportamento socialmente marginalizado - ainda faz de seus portadores vítimas de preconceito e ignorância.

Considerado uma pandemia, ainda sem cura, o vírus da Aids não se transmite pelo ar, suor ou piscina. O vírus não se transmite pelo compartilhamento de sabonete, toalha, banheiro, talheres, pratos ou copos. Beijo no rosto, aperto de mão ou abraço também não transmitem o vírus da Aids.


Previna-se!


Fitinha Vermelha



O símbolo da luta contra a Aids é um fitinha vermelha enlaçada. A ideia surgiu em 1991, quando o grupo nova iorquino Visual Aids teve a iniciativa de criar um ícone que pudesse ser compartilhado e exprimisse a solidariedade em relação aos portadores do HIV.




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