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29 de dezembro de 2001: O fim de um furacão indomável. Morre Cassia Eller

"Eu só peço a Deus um pouco de malandragem pois sou criança e não conheço a verdade. Eu sou um poeta e não aprendi a amar. Bobeira é não viver a realidade..."
Letra de Cazuza e Frejat
A música perde Cassia Eller. Jornal do Brasil: Domingo, 30 de dezembro de 2001

A roqueira Cássia Eller, 39 anos, morreu no início da noite, na Clínica Santa Maria, na Zona Sul carioca, onde deu entrada horas antes com um quadro de desorientação e agitação. As primeiras notícias eram de que a cantora teria sido vítima de uma intoxicação exógena por consumo excessivo de drogas. E mesmo recebendo os devidos socorros, acabou não resistindo a sucessivas paradas cardíacas. Os laudos periciais do Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro após autópsia, no entanto, descartaram a overdose. A causa mortis foi infarto do miocárdio.

A notícia da morte precoce de Cássia, que vivia o melhor momento de sua carreira trabalhando em turnê o CD MTV Acústico, desolou amigos, parentes e fãs. A cantora deixou um filho, Francisco, de 7 anos e a companheira Maria Eugênia, com quem conviveu estavelmente por 14 anos.

Outras efemérides de 29 de dezembro
1966: SIP repudia projeto da Lei de Imprensa
1989: Inflação chega a 1.764,86%
1992: Collor renuncia à Presidência
1996: Acordo de Paz na Guatemala

Rebeldia em tom grave
Cassia Rejane Eller não era mulher de meias palavras. Nem cantora de meio tom. Nunca negou o envolvimento com as drogas, declarava rasgadamente o amor pelo filho Chicão, assumia abertamente seu homossexualismo e berrava ao microfone com indiscutível autoridade. Sempre foi uma artista apoteótica no palco. Mas... Cassia era tímida.


Filha de militar, Cássia Eller rodou os quatro cantos do país. Morou em Belo Horizonte, Pará, Brasília, São Paulo e Rio. Antes de cantar, fez um pouco de tudo. Foi garçonete, secretária e até ajudante de pedreiro. Uma das mais completas e talentosas cantoras de sua geração, a opção pela carreira artística aos 14 anos. Apaixonada por Beatles e Luiz Melodia, cantou em corais, se apresentou em trio elétrico e acabou desembocando no rock´n roll. Em 1990, lançou seu primeiro disco. Com sua irreverência em tom grave, foi adorada por nomes como Carlinhos Brown, Caetano Veloso, Ney Matogrosso e o parceiro em diversos sucessos Nando Reis, produtor dos dois últimos discos de Cássia - MTV Acústico (2001) e Com você... meu mundo ficaria completo (1999) álbum em que aposentou maneirismos para colocar - a pedido do filho que queria vê-la cantando como Marisa Monte - a melodia em primeiro lugar.


Cássia e Chicão.
Chicão, fruto da relação com o baixista Otavio Fialho, morto durante a gravidez da cantora, num acidente de carro - foi o grande projeto de Cassia: "Estou tentando passar mais tempo com o Chicão", disse, programando levar mais vezes o filho para a escola. Era do tipo supermãe. Punk e rebelde só por fora.

2001, o ano que não terminou
Em 2001, Cassia Eller viveu um momento único. Estava no auge de sua carreira. A começar pela irreverência contagiante com que conduziu sua apresentação no Rock in Rio 3 em janeiro. Depois veio a gravação do MTV acústico e a turnê concorrida, com bilheteria esgotada onde quer que Cássia se apresentasse. Uma produção musical intensa, em ascensão que, interrompida, deixou uma legião de fãs incrédulos.

Quando o segundo sol chegar para realinhar a órbita dos planetas vai perceber que sem a voz de Cássia a tarefa ficou um pouco mais difícil...

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25 de dezembro de 1977: O mundo órfão da genialidade de Charles Chaplin

"A vida me deu o que há de melhor e um pouco do pior" Charles Chaplin
Charles Chaplin. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 26 de dezembro de 1977.
O pensamento de Charles Spencer Chaplin foi o sentimento compartilhado entre seus fãs e admiradores ao tomarem conhecimento de seu falecimento, na noite de Natal, aos 88 anos. Morreu enquanto dormia, em sua casa na Suiça, onde estava reunido com esposa e filhos, para as celebrações natalinas. Embora confinado em uma cadeira de rodas nos últimos anos, gozava de plena atividade profissional e acabara de concluir dois roteiros para filmes.

Outras efemérides de 25 de dezembro
1982: ET estreia nas salas de cinema do Brasil
1983 - Joan Miró, o herói da arte

Charles Chaplin. Reprodução/CPDoc JB
As desventuras da vida chegaram cedo para Charles Spencer Chaplin. Nascido na Londres do final do século XIX, a infância feliz foi interrompida pela crise familiar que o fez morar em um orfanato. Ainda menino iniciou na vida artística apresentando-se no teatro. Poucos anos depois, ingressou no cinema, e não parou mais. Escreveu, dirigiu e atuou intensamente na produção de filmes. E foi na pele de Carlitos que atingiu a genialidade, servindo-se quase sempre de críticas sociais, e conquistou a platéia do mundo inteiro. Perseguido pelo caça às bruxas do macarthismo americano, mudou-se em 1952 para a Suíça, onde viveu até o fim.

A excelência nas obras de Carlitos
Charles Chaplin. Reprodução/CPDoc JB
Chaplin foi um artista cômico, mas sobretudo um trágico, que soube entender a humanidade, e a fez aprender, a partir de suas próprias fraquezas, como enfrentar a realidade da vida. Reuniu um acervo cinematográfico memorável em mais de 60 obras, entre elas: Vida de cachorro, de 1918, e O Garoto, de 1921, ainda no tempo do cinema mudo; Luzes da Cidade, de 1931, em que se apaixona por uma florista cega; Tempos Modernos, de 1936, sobre a mecanização da modernidade; e O Grande Ditador, de 1940, contra Hitler e as perseguições raciais na Europa.

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21 de dezembro de 1980: Morre Nelson Rodrigues, o anjo pornográfico

Capa do Caderno B do Jornal do Brasil: Segunda-feira, 22 de dezembro de 1980
"A única coisa
que me mantém de pé
é a certeza
da alma imortal.

Eu me recuso
a reduzir o ser humano
à melancolia
do cachorro atropelado.

Que pulhas
seríamos
se morrêssemos
com a morte!"

Nelson Rodrigues acreditava na posteridade. E sempre desejou por ela ser avaliado. Não apenas como autor literário, mas sobretudo como personagem, já que nele o personagem freqüentemente sobrepujava o homem que viveu debruçado sobre a máquina de escrever. Vítima de insuficiência vascular cerebral, após sete paradas cardíacas e do implante de um marca-passo, saiu de cena com a vontade atendida. Admirado, temido, respeitado, aplaudido e vaiado, é um dos mais discutidos intelectuais de sua geração.

Sempre polêmico, tinha consciência de suas contradições, e acreditava que na posteridade seria lembrado por elas. Contradição, por exemplo, de ser moralista e provocar escândalos com sua aparente amoralidade. Ou de ser um puro que se encantava com o pecado.

Pernambucano de Recife, nasceu em 1912 numa família de muitos irmãos, onde todos, ou quase todos, tinham inclinação pela arte de escrever. Dono de grande capacidade de memorização, foi na reunião dessas habilidades que construiu sua obra literária, onde mostra uma fixação, partilhada com os seus personagens, por valores e costumes arcaicos.


Caricatura de Nelson Rodrigues. Chico/CPDoc JB



As inspirações no mundo particular

Os conflitos vividos ou presenciados na experiência pessoal de Nelson Rodrigues constituiam a inspiração para suas histórias, que retratam pequenos acontecimentos cotidianos sob uma ótica irônica e satírica, no contexto de uma sociedade suburbana, endógena e estagnada, oposta às transformações que movia o mundo ao redor.

Expôs mazelas e vilanias escondidas na maioria das pessoas. Fez comédia desses dramas, revelando o demônio escondido que cada um procura ocultar até de si próprio, em nome da aparência convencionada pelos padrões estabelecidos.


Leia também
1973: Iniciada a Conferência de Paz no Oriente Médio

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17 de dezembro de 2011: A cultura brasileira perde Sergio Britto

Morre o ator e diretor Sergio Britto

"O teatro me revigora". Sergio Britto

Sergio Britto, 88 anos, morreu na manhã deste sábado no Hospital Copa D'Or, no Rio de Janeiro, em decorrência de problemas cardiorrespiratórios.

Um ícone da arte dramática brasileira, o carioca Sergio Pedro Correa de Britto nascido em 23 de junho de 1923, foi diretor, ator, apresentador e roteirista. Atuou no teatro, no cinema e na televisão. Foi um dos fundadores do Teatro dos Sete nos anos 1950 e participou ativamente de importantes realizações cênicas dos anos 1960 e 1970. Nos anos 1980, tornou-se um dos sócios do Teatro dos Quatro e, nos 1990, realizou uma série de espetáculos musicados à frente do Teatro Delfim.

A carreira intensa, com mais de 65 anos de dedicação foi documentada na obra O Teatro e Eu, lançada no ano passado.

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15 de dezembro de 2011: 104 anos de Oscar Niemeyer. E a vida continua...

"Adoro olhar o mar. Ele nunca é igual, tem sempre uma cor diferente. Nasci no mar". Oscar Niemeyer
Oscar Niemeyer completa 104 anos em plena atividade.

Chamá-lo de Oscar pode ser um reconhecimento ao que Niemeyer, o arquiteto mais importante do Brasil - e um dos mais influentes da arquitetura moderna - traz em sua bagagem. Uma experiência ímpar que o projetou como o defensor de uma sociedade mais igualitária e fraterna e que, por seu talento, o tornou um cidadão do Mundo.

Outras efemérides de 15 de dezembro
1923: Petit Trianon, a nova sede da ABL
1960: É inaugurado o Cine Paissandu
1966 - Adeus a Walt Disney, o criador da fábrica de sonhos

Nascido em 15 de dezembro de 1907, no Rio de Janeiro, Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares passou a juventude como um jovem carioca típico da época: boêmio, sem a menor preocupação com os rumos de sua vida. Concluiu o ensino secundário apenas aos 21 anos, mesma idade com que se casou com Annita Baldo (1909 - 2004), filha de imigrantes italianos com quem teve apenas uma filha, a galerista Anna Maria Niemeyer.

Um ano depois, Niemeyer matriculou-se na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, de onde sairia em 1934 com o diploma de Engenheiro Arquiteto: "Depois de casado comecei a compreender a responsabilidade que assumia e fui trabalhar na tipografia de meu pai, entrando depois para Escola Nacional de Belas Artes".

Em 1935, iniciou sua vida profissional no escritório de Lúcio Costa e Carlos Leão. "Não queria, como a maioria dos meus colegas, me adaptar a essa arquitetura comercial que vemos aí. E apesar das minhas dificuldades financeiras, preferi trabalhar, gratuitamente, no escritório do Lúcio Costa e Carlos Leão, onde esperava encontrar as respostas para minhas dúvidas de estudante de arquitetura. Era um favor que eles me faziam".

Passados dois anos, assinou o seu primeiro projeto: a Obra do Berço, no Rio. No ano de 1939, viajou com Lúcio Costa para projetar o Pavilhão do Brasil na Feira Mundial de Nova York. Foi nessa época que conheceu o então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, que o chamaria para projetar seu primeiro trabalho individual. era o início de uma fase em que projetaria uma série de prédios em Belo Horizonte, mais tarde conhecidos como Conjunto da Pampulha. A construção, que ficou pronta em 1943, rendeu muitas críticas e admiração e trouxe ao arquiteto sua primeira projeção internacional.

Em 1951, Niemeyer cria em São Paulo o Conjunto do Ibirapuera (um parque com pavilhões de exposições em homenagem ao aniversário de 400 anos da capital paulista) e o edifício Copan, prédio situado em um dos pontos mais movimentados do Centro que se tornaria um dos símbolos da cidade.

No ano seguinte, é a vez do Rio ganhar as atenções do jovem arquiteto. Ele constrói sua própria casa - a Casa das Canoas, que recebe o nome devido a estrada em que a residência se encontra. Muitos anos depois, o local torna-se parte da Fundação Oscar Niemeyer.

Com a eleição presidencial de Juscelino Kubitschek, Niemeyer é convidado para a realização de um projeto ambicioso: a criação da nova capital do País. Niemeyer é encarregado de organizar o concurso para a escolha do plano-piloto de Brasília, participando também da comissão julgadora. Nesta época, o arquiteto projeta o Palácio da Alvorada e os principais prédios da nova capital, entre eles o Congresso Nacional, a Catedral de Brasília, os prédios dos ministérios e o Palácio do Planalto, além de prédios residenciais e comerciais. Lúcio Costa, seu antigo patrão e grande amigo, vence o concurso para o projeto urbanístico, e coloca em prática conceitos modernistas de cidade, inspirado nas idéias do arquiteto franco-suíço Le Corbusier, como ruas sem trânsito, prédios erguidos por pilotis e integrados à natureza. Brasília é projetada, construída e inaugurada no intervalo de tempo de um mandato presidencial, quatro anos. Após sua construção, Niemeyer torna-se coordenador da Faculdade de Arquitetura da Universidade de Brasília (UNB). Em 1963, durante a Guerra Fria, é nomeado membro honorário do Instituto Americano de Arquitetos dos Estados Unidos, e ganha o prêmio Lênin em favor da paz.

Filiado ao Partido Comunista Brasileiro desde 1945, o arquiteto visitou a União Soviética e tornou-se amigo pessoal de diversos líderes socialistas. Fidel Castro teria dito a respeito dele: "Niemeyer e eu somos os últimos comunistas deste planeta". Sua miltância política aproximou-o de personalidades com o mesmo posicionamento, especialmente do poeta chileno Pablo Neruda e do ex-presidente Salvador Allende, a ponto de realizar recentemente o projeto de um centro cultural em Valparaíso, cidade natal do estadista.

Em 1964, Niemeyer é surpreendido pela notícia do golpe militar no Brasil. Na ocasião, ele estava em Israel a trabalho. No mesmo ano, o arquiteto retorna ao País e é chamado pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) para depor.

Sua posição esquerdista lhe custa caro. A revista da qual ele é diretor, Módulo, fundada em 1955, tem a sede semi-destruída em 1965. Seus projetos começam a ser recusados e seus clientes desaparecem. "Mas durante a ditadura, tudo foi diferente. Meu escritório foi saqueado e o da revista Módulo, semi-destruído. 'Lugar de arquiteto comunista é em Moscou', desabafou um dia à imprensa o Ministro da Aeronáutica".

Em 1965, Niemeyer retira-se da Universidade de Brasília ao lado de 200 professores como protesto contra a política universitária. No mesmo ano ele viaja a Paris para a exposição de sua obra no Museu do Louvre.

Impedido de trabalhar no Brasil, Niemeyer decide mudar-se para Paris. Ele abre um escritório na famosa avenida Champs-Élysées e passa a ter clientes de todo o mundo. Na Itália, ele projeta a sede da Editora Mondadori e na Argélia, a Universidade de Constantine.

Seu trabalho é reconhecido internacionalmente, e ganha admiradores em todas as áreas, como o sociólogo italiano Domenico de Masi, os escritores José Saramago e Eduardo Galeano, o historiador britânico Eric Hobsbawm, o ex-presidente português Mário Soares, o cineasta Nelson Pereira dos Santos e o cantor Chico Buarque.

Nos anos 80, Oscar Niemeyer volta ao Brasil. Nesta época, ele projeta o Memorial Juscelino Kubitschek, o prédio-sede da Rede Manchete de Televisão, o Sambódromo do Rio de Janeiro, o Panteão da Pátria de Brasília e o Memorial da América Latina, em São Paulo.

Em 1987, ele recebe nos Estados Unidos o Pritzker de Arquitetura, considerado o prêmio mais importante do mundo na categoria. Três anos depois, junto ao amigo Lúcio Costa, Niemeyer desliga-se do Partido Comunista Brasileiro.

Aos 84 anos, Oscar Niemeyer projeta o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), que muitos consideram sua obra-prima. Os traços modernos do museu fazem a construção se assemelhar a um disco voador. Projetado sobre uma pedra, a construção oferece visão para a Baía de Guanabara e o Rio de Janeiro.

Em 2002, é inaugurado em Curitiba o Museu Oscar Niemeyer, conhecido como Museu do Olho, devido ao design de seu edifício. Quatro anos depois, é inaugurado o Museu Nacional Honestino Guimarães, de autoria de Niemeyer, localizado na Esplanada dos Ministérios, em Brasília.

Viúvo desde 2004, Niemeyer decide se casar com Vera Lúcia Cabreira, 60 anos, sua secretária há três décadas, em dezembro de 2006, aos 98 anos. Os dois casaram-se no dia 16 do mesmo mês, em uma cerimônia civil realizada na residência dele no Rio. Apenas um juiz e duas testemunhas estiveram presentes. Niemeyer só informou sua família da união no dia seguinte.

No final de agosto deste ano, Niemeyer lançou seu novo livro As Igrejas de Oscar Niemeyer, que traz plantas e fotos dos principais projetos do gênero nos quais ele se envolveu. O evento ocorreu na Galeria Anna Maria Niemeyer, no Shopping da Gávea, localizado na zona sul do Rio de Janeiro. Além desta obra, lançou também a décima edição da revista Nosso Caminho, publicação voltada à arquitetura que criou em 2008. Celebrando 104 anos, Niemeyer continua em plena atividade profissional. E a vida continua...

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12 de dezembro de 1965: 50 anos de Frank Sinatra

Os 50 anos de Frank Sinatra

Não há no mundo um sujeito de mais sorte que eu”.

O autor da frase acima foi um homem que, em 1965, completou 50 anos de idade, magro, metido a brigão, sem preconceitos raciais, dono de um íate, um helicóptero e um avião a jato, que ganhava três milhões e meio de dólares por ano e era mundialmente reconhecido por sua beleza e talento como artista. Seu nome era Frank Sinatra, mais precisamente Frank Albert Sinatra, ou Frankie para os amigos e Francis para os íntimos.

Leia também
1993: Eduardo Frei é eleito presidente do Chile
1994: Por falta de provas, Supremo inocenta Collor e PC

Em 12 de dezembro de 1915, o povo da pequena cidade de Hoboken, em Nova Jérsei, perto de Nova Iorque, não fazia idéia de que nascia – segundo alguns, cantando, ao invés de chorando – aquele que se transformaria no seu mais novo e duradouro orgulho. Um dia, já crescido, o pequeno Frank Sinatra atravessaria o Rio Hudson e iria tentar a vida da cidade grande.

Durante seus primeiros 20 anos não passou de um cantorzinho desconhecido nos escuros cabarés de subúrbio, até que, em 1941, aos 26 anos de idade, começou a cantar na Orquestra de Tommy Dorsey, ao lado de Jo Staford e Coanie Haynes. Oh! look at me now, em dueto com Jo, foi um sucesso no país inteiro, que começava então a descobrir um novo cantor. Em 1943, Sinatra já era milionário e seus discos corriam o país e ganhavam o exterior. Logo, cheques começaram a chegar a ele aos montes: de estúdios de cinema, cadeias de televisão, companhias de discos, editoras, hotéis, agências de publicidade. Da própria empresa da família Sinatra os dólares também entravam, de suas produtoras de filmes, sua companhia de aviação, gravadoras, uma construtora, negócios imobiliários, sua cadeia de hotéis em Nevada e uma imensidão de investimentos diversos. Tudo para acompanhar seu luxuoso e estravagante estilo de vida.

Dentre seus sucessos mais famosos como cantor, estão os clássicos Fly me to the Moon, My Way e New York, New York. Artista completo, além de cantar Sinatra apareceu em mais de cinquenta filmes, entre eles: Anchors Aweigh (1945), On The Town (1949), From Here To Eternity (1953), com o qual ganhou o Oscar, The Man With The Golden Arm e High Society (ambos de 1956), e The First Deadly Sin (1980). Também fez parte do Rat Pack, grupo de artistas bastante conhecido entre meados da década de 1950 e 1960 e que protagonizou entre outros filmes, Ocean’s Eleven (1960).

Valente e galanteador
Grande parte da fama de Frank Sinatra vinha da sua vida pessoal e de suas demonstrações de valentia, sempre em defesa de algo que julgava, no momento, importante. Uma vez, agrediu um garçom que se recusou a servir um amigo seu, negro; outra vez esmurrou um homem que fez uma declaração anti-semita; e no meio de sua carreira cancelou todos os contratos para ir a Indiana falar a um grupo de estudantes que protestava contra a integração racial.

O artista sempre gostou de mulheres bonitas, mas, para casar pela primeira vez, não precisou procurar muito, contentando-se com uma namorada de infância, Nancy Barbato, que lhe deu três filhos. No entanto, apesar do amor aparente, Sinatra sempre procurou outras mulheres e seu nome esteve ligado ao de muitas estrelas, como Ava Gardner. Por sua causa, Sinatra divorciou-se de Nancy e caiu em desgraça. Muitos dos seus filmes daquela época nunca saíram dos estúdios, o cantor emagreceu, quase perdeu a voz e seus discos pararam de fazer tanto sucesso. Seu prestígio só seria recuperado quando ganhou o Oscar de melhor ator por From Here To Eternity .

Ainda sobre Frank Sinatra
26 de janeiro de 1980: O show de Sinatra no Maracanã
14 de maio de 1998: A América perde a Voz

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11 de dezembro de 1964: O Show Opinião

Ze Keti e Nara Leão. Reprodução.


Um show numa sexta-feira à noite no Teatro de Arena São Paulo, em Copacabana, assinalou a primeira voz abertamente discordante à ditadura militar que se instaurava no Brasil, enfatizada nos versos que marcariam época: "Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião..."

O público logo entendeu que estes versos, relacionados com a situação da vida das pessoas nos morrosm referiam-se, na verdade, ao clima sombrio das prisões, cassações e torutra no país. Além disso, o espetáculo, chamado Opinião, deu um novo rumo ao show nativo e ao próprio teatro. Pois é neste acontecimento, que juntou na época, Nara Leão (posteriormente substituida por Maria Bethânia, João do Vale e Zé Keti).

Com texto assinado por Oduvaldo Vianna Filho, Opinião foi dirigido por Augusto Boal, produzido pelo Teatro de Arena e por integrantes da UNE - instituição que, a esta altura,já tinha sido colocada na ilegalidade pelo regime militar.

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10 de dezembro: Clarice, pela última vez (Hoje é Hora de Clarice!)

Clarice, pela última vez. Jornal do Brasil: Sábado, 15 de dezembro de 1977
"E Deus, Clarice"?
"O assunto é muito doloroso, prefiro não falar".
"Posso dizer o que acho que você acha d’Ele"?
"Pode".
"A essência de todas as coisas"?
"Pode dar essa resposta. É isso mesmo".

No dia 15 de dezembro de 1977, o Jornal do Brasil publicou Clarice Lispector, pela última vez - uma entrevista concedida pela poetisa em seu apartamento no Leme, dias antes de sua morte, à Nevinha Pinheiro. A conversa aconteceu como se na informalidade de tantas lembranças, curiosidades e questionamentos, Clarice vivesse sua retrospectiva, falando da experiência literária, da vida, do legado de sua obra e de Deus. Como pano de fundo, uma sala repleta de fotografias da escritora em várias idades, mostrando sempre a mesma fisio­nomia, os mesmos traços característicos de uma vida inteira.

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Durante a entrevista, Clarice reafirmou sua maneira particular de escrever: "Eu creio na inspiração e creio no trabalho. Paul Valérie disse que os dois primeiros versos são dados pelos deuses e o resto é trabalho humano. Às vezes acordo no meio da noite com uma frase na cabeça, levanto-me, anoto-a e volto a dormir". Da mesma forma que foi conclusiva em sua proposta literária: "Eu levo uma vida absolutamente o que se chama: normal. Claro que me sinto gratificada quando alguém me entende, mas não escrevo para ser gloriosa, não tenho nenhum compromisso com o sucesso, não escrevo para ser agradável a nin­guém".

Relembrou também Carlos Drummond de Andrade, com quem compartilhou as páginas do Caderno B, durante sua passagem pelo Jornal do Brasil, de quem receberia nas próprias páginas do jornal uma homenagem póstuma: Visão de Clarice, brincando com seu mistério...

Se não o ponto alto da conversa, caberia ao final por suas próprias palavras um desfecho digno de Clarice, sem saber o que lhe reservaria o destino...

"Sua obra ficará, Clarice"?
"Acontece que estou sendo muito imitada, sobretudo nos meus cacoetes. Acho que meus livros vão perder o valor, porque quem imita já tem uma base, algo que lhe é anterior e que pode refinar…"

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10 de dezembro: Apenas um cisco no olho (Hoje é Hora de Clarice!)

A colaboração no Jornal do Brasil perdurou seis anos e meio em 331 artigos publicados, até sua despedida em 29 de dezembro de 1973, com a crônica Apenas um cisco no olho:

"E de repente aquela dor intolerável no olho esquerdo, este lacrimenjando, e o mundo se tornando turvo. E torto: pois fechando um olho, o outro automaticamente se entrefecha... Pois, como eu ia dizendo, lembrei-me do Ano Novo, assim, de repente. Desejo um 1974 muito feliz para cada um de nós".

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Clarice Lispector aprendeu a língua portuguesa como poucos, e suas obras refletem o deslumbramento pela sonoridade das palavras brasileiras. Uma narrativa que entrelaça harmonicamente conceitos metafísicos e o trivial cotidiano, fruto de um método sempre presente no trabalho da autora. Registrava as frases, à medida que lhe viam ao pensamento, e depois costurava-as, com o seu estilo inconfundível.

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10 de dezembro: Declaração de amor e As três experiências (Hoje é Hora de Clarice!)

Declaração de amor e As três experiências habitam sob o mesmo teto de uma Clarice Lispector, que expõe o sentimento que nutre pela língua portuguesa, pela arte da sua escrita, pelos filhos e o próximo:
"Esta é uma declaração de amor: amo a língua portuguesa. ela não é fácil. Não é maleável. E, como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes com um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa liguagem de sentimento e de alerteza..."

"Só peço uma coisa: na hora de morrer eu queria ter uma pessoa amada por mim ao meu lado para me segurar a mão".

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10 de dezembro: Vietcong (Hoje é Hora de Clarice!)

Vietcong. Jornal do Brasil: Sábado, 25 de abril de 1970

Clarice Lispector também utiliza seu espaço no Jornal do Brasil para comentar temas que estão na pauta dos principais assuntos da época. Mesmo quando se manifestava dizendo não saber como aborda-los, trazia ao leitor o essencial à sua reflexão. Como escreveu em Vietcong, no meio da Guerra do Vietnã: "... Senti-me pequena e humilde, pensei: que é que uma mulher fraca como eu pode falar sobre tantas mortes sem sequer glória, guerras que cortam da vida pessoas em plena juventude, sem falar nos massacres, em nome de quê, afinal?..." Caderno B do Jornal do Brasil: Sábado, 25 de abril de 1970. Clique aqui, para ler na íntegra!

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10 de dezembro: Desculpem, mas não sou profundo (Hoje é Hora de Clarice!)

Erico Veríssimo por Clarice Lispector. Jornal do Brasil: Sábado, 16 de dezembro de 1972.

Durante a passagem pelas páginas do Jornal do Brasil, Clarice Lispector exercitou os sentimentos aos amigos, compartilhou com seus leitores homenagens rendidas. Um deles foi Érico Veríssimo, quando de sua perda, que ela mesmo depois revelou: "Quando Érico morreu, eu ia tomar um avião para Porto Alegre, mas com o choque minha pressão caiu tanto que eu não podia me levantar da cama…"


Para Érico Veríssimo escreveu Desculpem, mas não sou profundo:

"Érico Veríssimo é um dos seres mais gostáveis que conheci: é pessoa humana de uma largueza extraordinária. Foi em Washington onde eu conheci a Mafalda, Érico trabalhando na OEA. Eu fazia ninho na casa e na vida deles. E disse ele que as melhores recordações que guarda de sua estada em Washington D.C. foram as horas que passaram em minha casa. Érico não conseguiu escrever uma linha durante esses três anos burocráticos..." Caderno B do Jornal do Brasil: Sábado, 16 de dezembro de 1972. Clique aqui, para ler na íntegra!

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Hoje é Hora de Clarice!

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10 de dezembro: Hoje é Hora de Clarice!

Clarice Lispector. Reprodução

Clarice Lispector veio de longe para criar no Brasil uma literatura feminina com dimensões particulares. Nascida em Tchetchelnik, na Ucrânia, no dia 10 de dezembro de 1920, chegou ao Brasil com dois anos de idade. O destino inicial foi a capital alagoana Maceió. Três anos mais tarde, seguiu com a família para Recife, onde viveu sua infância e descobriu o prazer da literatura. Não parou mais, como era seu desejo, declarado um ano antes de sua morte, ao conquistar o Prêmio Brasília pelo conjunto de obras publicadas: "Eu não me aposentarei. Espero morrer escrevendo".

No início dos anos 30 perdeu sua mãe, Marieta, que sofria de paralisia. Nesta época, escreveu a primeira peça de teatro, Pobre menina rica, que como outros textos curtos, tentou publicar sem sucesso na imprensa recifense.

Na juventude, mudou-se para o Rio de Janeiro e em poucos anos começou a cursar Direito. Veio, então, o primeiro conto de ficção Triunfo e a experiência jornalística como repórter do jornal carioca A Noite.

Em 1942, casou-se com Maury Gurgel Valente, colega de faculdade e recém ingressado na carreira diplomática. A partir de então, começaram as viagens e as temporadas fora do Brasil. A família cresceu, tal como sua produção literária. A volta definitiva ao Brasil aconteceu no final da década de 50, quando separada do marido, fixou residência no Leme. Era o início de uma fase literária intensa.

A estréia de Clarice no Jornal do Brasil aconteceu em 19 de agosto de 1967, quando o Caderno B passou a ser publicado também aos sábados. Era um espaço semanal numa coluna quase sempre na página 2, onde transita a Clarice cronista. A começar por As crianças chatas:

"Não posso. Não posso pensar na cena que visualizei e que é real. O filho está de noite com dor de fome e diz para a mãe: estou com fome, mamãe. Ela responde com doçura: dorme. Ele diz: mas estou com fome. ela insiste: durma. Ele diz: não posso, estou com fome. Ela repete exasperadamente: durma. Ele insiste. Ela grita com dor: durma, seu chato! Os dois ficam em silêncio no escuro, imóveis. Será que ele está dormindo? - pensa ela toda acordada. E ele está amedrontado demais para se queixar. Na noite negra os dois estão despertos. Até que, de dor e cansaço, ambos cochilam, no ninho da resignação. E eu não aguento a resignação. Ah, como devoro com fome e prazer a revolta". Clarice Lispector - Caderno B do Jornal do Brasil: Sábado, 17 de agosto de 1967. Clique aqui, para ler na íntegra!

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9 de dezembro de 1971: Morre Ralph Bunche, Nobel da Paz de 1950 pela mediação na questão Palestina

Ralph Bunche. Reprodução
"If you want to get across an idea, wrap it up in a person".
Ralph Bunche

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Ralph Brunche, 67 anos, detentor do Prêmio Nobel da Paz de 1950, ex-Subsecretário-Geral de Assuntos Políticos Especiais da ONU e o primeiro negro norte-americano a ter um posto no Departamento de Estado, morreu em um hospital de Nova Iorque, onde estava num intenso tratamento médico de sua saúde fragilizada. Estava cego, sofria do coração, de diabetes e dos rins.

Nascido em 7 de agosto de 1904 em Detroit, no estado de Michigan, neto de escravo, Ralph Johnson Bunche foi de um tempo de poucos heróis na comunidade negra dos Estados Unidos. Órfão aos 14 anos, foi graças a uma bolsa de estudos, concedida por suas habilidades esportivas que conseguiu ingressar na Universidade da Califórnia, Los Angeles. Era a oportunidade que precisava. Dedicou-se aos estudos em Ciências Políticas e obteve o Ph.D em Harvard em Relações Governamentais Internacionais. Lecionou e fez cursos de antropologia, problemas coloniais, promovendo pesquisas com bolsas em vários países. Nos anos 40, participou de atividades em favor dos direitos civis dos negros, e foi colaborador em pesquisas sobre a situação do negro norte-americano. Chegou a recusar o cargo de Secretário Assistente de Estado - jamais oferecido a um negro antes, quando alegou que um dos motivos da recusa era a segregação racial em Washington. Ao se aposentar, em junho de 1971, unicamente por motivos de saúde, era o mais alto funcionário norte-americano no Secretariado-Geral das Nações Unidas.

Mas Bunche só ficou conhecido no resto do mundo a partir de 1949, quando conduziu as negociações que devolveram a paz ao Oriente Médio, após a primeira guerra árabe-israelense. Por causa do êxito de sua mediação, recebeu no ano seguinte o Prêmio Nobel da Paz.

Nas negociações de 1949, ele substitutiu o Conde Folke Bernadotte, assassinado por extremistas judeus em Jerusalém. "Estamos dispostos a fazer a mesma coisa com quem substituir o Conde", ameaçou o grupo terrorista. Bunche não se deixou intimidar e quando terminou a tarefa com o armistício de fevereiro de 1949 - Israel elogiou seus "esforços sobre-humanos" e o Egito exaltou-o como "um dos maiores homens do mundo".

O plano Bunche, que norteou os entendimentos de Rhodes, foi apenas a primeira de uma série de ações conciliadoras que empreendeu em várias partes do mundo. Depois disso, Bunche virou uma figura indispensável nos esforços da ONU em favor da paz mundial. Seu incansável espírito agregador interviu em momentos decisivos na história do século 20.

Ralph Bunche era casado desde 1930 com Ruth Harris e teve três filhos.

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8 de dezembro de 1930: Morre Florbela Espanca

Florbela Espanca. Reprodução

"Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada… a dolorida…
... Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!
"
Florbela Espanca

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A poetisa Florbela Espanca matou-se na cidade portuguesa de Matosinhos, região do Porto, no dia em que completava seu 36º aniversário. A versão mais provável é que tenha consumido uma dose excessiva de tranquilizantes. Sua vida foi sua obra.

Poeta portuguesa de lirismo forte, Florbela de Alma da Conceição Espanca nasceu em Vila Viçosa, no Alentejo, no dia 8 de dezembro de 1894. Assim como seu irmão, era filha ilegítima e cresceu na chanerca, espécie de caatinga alentejana. Em 1908, mudou-se com a família para a capital. Lá, cursou Direito na Faculdade de Lisboa, colaborou com alguns veículos impressos da época, além de traduzir vários romances.

Alternando sua natural candura com o olhar de uma mulher decidida, Florbela foi uma mulher disposta a enfrentar o mundo. De personalidade vigorosa, cuja fome de amor e tensão erótica brotavam de tudo o que escrevia, inovou na medida em que se entregou aos seus versos, sem receios. Casou-se três vezes: com Alberto Moutinho, o oficial Antônio Guimarães e Mario Lage. Para seus conturbados amores, escreveu Amar. Embora dona de uma vida tumultuosa, inquieta e cheia de sofrimentos íntimos, a autora soube transformar sua história em poesia da mais alta qualidade, carregada de erotização, feminilidade e panteísmo.

A primeira publicação foi Livro de Mágoas (1919), uma coletânea de sonetos. Nas obras publicadas posteriormente, Livro de Sóror Saudade (1923), e Chanerca em Flor (1930), a poeta reafirma sua posição ousada para a época. Sonetista perfeita, expressa suas emoções em linguagem telúrica e imagens fortes.
O fim precoce não impediu uma produção literária intensa. Grande parte desta obra só seria revelada ao público após sua morte.

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5 de dezembro de 1983: Morre a Condessa Pereira Carneiro, uma mulher a frente de seu tempo

Morre a Condessa Pereira Carneiro. Jornal do Brasil: Terça-feira, 6 de dezembro de 1983
"A ordem é não parar."
Condessa Pereira Carneiro

Maurina Dunshee de Abranches Pereira Carneiro, 84 anos, morreu numa manhã de segunda-feira, numa súbita parada cardiorrespiratória, no Centro de Reabilitação Sara Kubitschek, em Brasília, onde estava internada havia uma semana. O velório aconteceu em sua residência no Rio de Janeiro, em Botafogo e o sepultamento foi cemitério no São João Batista, no mesmo bairro. Estiveram presentes no funeral, além de familiares e amigos, pessoas do seu relacionamento social, personalidades e políticos de destaque nacional, como Leonel Brizola (governador RJ), Tancredo Neves (governador MG), José Sarney (Presidente do PDS) e Austregésilo de Athayde (Presidente da ABL).

"A ordem é não parar", tantas vezes reiteradas pela Diretora-Presidente do Jornal do Brasil, quantas fossem necessárias, a frase acabou por se tornar seu slogan pessoal e uma doutrina para a empresa que assumiu em 1953, depois da morte de seu marido, o Conde Pereira Carneiro. Os anos seguintes aceleraram os preparativos para um programa de modernização ao qual a Condessa daria o seu apoio humano e a coragem de prosseguir com o mesmo espírito de servir o leitor.

A presença da Condessa ao longo de todos os anos de definição, execução e aperfeiçoamento da reforma que o Jornal do Brasil empreendeu desde 1956 foi uma constante. O lado humano de sua personalidade projetou-se paralelamente à administração, que passou a padrões modernos.

Foi uma personalidade identificada com o empreendimento modernizador que contou com o seu apoio e o seu entusiasmo, nos bons e nos maus momentos. No período em que as restrições à liberdade de informar e opiniar mais pesaram sobre a atividade do Jornal do Brasil, a Condessa demonstrava pessoalmente, em todas as oportunidades, sua divergências com a Censura. Seu permanente destemor foi sempre para o Jornal do Brasil fonte de inspiração e exemplo de coragem de aceitar desafios.

-"Eu nunca tive medo de nada. Além disso, eu procurava fazer como meu marido: eu tratava o jornal como uma grande família".

Para os que a conheceram fica também a imagem da mulher alegre, que gostava de usar vestidos de cores fortes (principalmente o vermelho), todos confeccionados por Mena Fialho, sua amiga, e que sempre tinha ao alcance da mão bombons e docinhos, que consumia com prazer, mesmo sentimento com que cuidava da coleção de livros do pai, presenteados a bibliotecas de todo o país e a amigos. Vaidosa, preocupava-se sempre com a aparência e gostava de assistir a desfiles de moda em Paris. Muito católica, ia sempre à missa dominical de manhã e chegou a ser recebida pelo Papa Pio XII.

Desde o primeiro instante que recebeu a liderança do Jornal do Brasil em suas mãos, a Condessa dedicou sua vida a ele, que foi seu grande filho. E revolucionou a sua história.

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4 de dezembro de 1993: A música perde as canções e atitudes de Frank Zappa

Frank Zappa, Reprodução
O iconoclasta e inventivo guitarrista americano Frank Zappa, 52 anos, morreu num sábado, em sua casa em Los Angeles, em consequência de um câncer na próstata contra o qual lutava há vários anos. Seu corpo foi enterrado no dia seguinte.

Ao longo de quase 60 discos, o músico construiu uma obra singular e variadíssima, demolindo conceitos e fronteiras entre o rock, o jazz e a música erudita contemporânea e promovendo as mais inusitadas fusões. Pouquíssimo preocupado com as possibilidades comerciais ou a repercussão do que fazia junto à crítica, ele sempre pautou seu trabalho pela invenção. Sem qualquer tipo de limite.

Além disto, dentro e fora de suas criações, Frank Vicent Zappa Jr. (nascido em Baltimore, neto de sicilianos) fez de sua voz um instrumento de defesa da liberdade de expressão nos Estados Unidos, não hesitando em se lançar áté como anticandidato nas eleições presidenciais americanas. E usando sua mordacidade carascterística para atacar, sempre que podia, as instituições conservadoras de seu país.
A morte de Frank Zappa. Jornal do Brasil: Terça-feira, 4 de dezembro de 1995


Empresário bem sucedido, era dono do selo Barking Pumpkin e apostava alto em ligações comerciais com a Rússia e países do leste europeu. Defendia em sua plataforma questões como a substituição dos impostos de renda por uma tributação baseadano consumo dos cidadãos.

Bem humorado, mas extremamente cáustico, se manteve atento e forte mesmo doente, quando chegou a realizar diversos shows em sua turnê pelo albúm Yellow Shark. Antes de morrer, ainda conseguiu concluir Civilization, que teve lançamento póstumo.

Zappa começou tocando bateria, mas passou paraa guitarra quando caiu no rock´n roll (época em que o sax dominava os solos), porque achava que o gênero deveria se centrar mais no instrumento. Começou a fazer dinheiro com música compondo trilhas para filmes obscuros. Foi assim que montou seu próprio estúdio e ganhou autosuficiência para em 1966 gravar com The Mother of Invention o histórico Freak out - primeiro álbum duplo de rock e primeira obra conceitual do gênero.


Daí por diante, sua carreira foi uma revolução só: fosse ao vivo, introduzindo elementos tresloucadamente teatrais em seus shows, ou em estúdio, convocando músicos eruditos pasessões de autodeliberação. Solo, Zappa deu vazão a seu interesse por Stravinski e a música contemporânea já a partir do disco Lumpy gravy, de 1967. E foi ironizando a tudo e a todos (hippies, caretas, Beatles, roqueiros dos anos 50...), sem medo da baixaria e da vulgaridade, que ele construiu uma extensa dicografia, onde constam trabalhos como We´re only in it for the money, Sheik Yerbouti, Joe´s garage e Jazz from hell - que lhe rendeu o único Grammy de sua carreira.


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3 de dezembro de 1990: Morre sem glórias, Madame Henriette Morineau, dama dos palcos brasileiros

Henriette Morineau. Reprodução.

A grande dama do teatro brasileiro, Henriette Morineau, 83 anos, morreu no final da manhã, de parada cardíaca, num quarto do Instituto Brasileiro de Geriatria, no bairro do Andaraí, Rio de Janeiro, onde estava internada há dois anos. A morte de Henriette era esperada a qualquer momento: sua saúde precária se deteriorava a cada dia, agravada pela esclerose. Seu corpo foi velado, sem maiores honras e na presença de poucos amigos na capela 2 do Cemitério São João Batista, onde foi enterrado no dia seguinte.

Para o teatro, o cinema e a televisão brasileiros, era uma lenda - a atriz brasileira, nascida na França, Henriette Morineau. Uma personalidade tão forte que, quando caiu, caiu no palco. Aos 74 anos, fazia a Maude de Ensina-me a viver, em São Paulo, em outubro de 1982, quando se sentiu mal. Duas semanas depois, era operada para implante de duas pontes de safena. Voltaria ainda à peça, um ano mais tarde, mas por pouco tempo.

Recolhida num lar para idosos em São Paulo, ela mesmo não se considerava aposentada. Fisicamente, estava bem. Mas brancos na memória acabaram obrigando a atriz a suspender sua intensa carreira. Perguntava aos que a visitavam: "Será que deixei o teatro por enquanto ou definitivamente"?
Jornal do Brasil: Terça-feira, 4 de dezembro de 1990. Morre Henriette Morineau

Madame, como era chamada carinhosamente pelos que a conheciam, chegou ao Brasil em 1931, com 23 anos, vivendo uma história mutio parecida com as de suas heroínas. Nascida em Noirot, 400km de Paris, 29 de novembro de 1908, apaixonou-se por literatura no ginásio onde estudava, e onde interpretava os textos que tinha que ler em aula. Com muita dificuldade, conseguiu convencer seu padastro a deixá-la estudar com um professor de arte dramática, Henry Marier, em Paris. Logo estava atuando na Commédie Française, onde ficou por três anos, e percorreu toda a Europa, até conhecer na Bélgica seu futuro marido, George Morineau. Por intermédio dele, chegou ao Brasil. Juntos, foram morar no bairro carioca de Santa Teresa. Mas desde os primeiros dias de vida conjugal, Henriette percebeu que o casamento fora um desastroso. O nascimento da filha Antoniette no ano seguinte, amenizou as dificuldades e conseguiu manter por mais tempo a união.

Até então, Henriette não queria representar no Brasil, por não dominar o idioma local, mas acabou convencida pelo médico Aloisio de Castro, que a convidou para se apresentar durante uma conferência de música e poesia no auditório da ABI. Estava lançada a pedra fundamental de uma carreira que seria consagrada como uma das maiores da história do teatro brasileiro.

Em 1946, fundou a Companhia dos Artistas Unidos, na qual, durante 14 anos dirigiu e interpretou peças como Pecado original, Rainha da Inglaterra, Duas mulheres e O casaco encantado, mérito reconhecido tal renome e tal número de admiradores conquistou. Durante quase 60 anos, viveu grandes personagens femininas, na dramaturgia e no elenco das telenovelas.

Mas não diferente de outros grandes nomes da arte brasileira, Henriette morreu praticamente na indigência. No seu tempo, a classe artística vivia difíceis capítulos, reivindicando seus direitos legais no mercado de trabalho. E ela pagou o preço de se dedicar intensamente à sua arte: Passou por sérias dificuldades financeiras, ameaças de despejo, e precisou da ajuda de amigos que se mobilizavam para ajudá-la a arcar com as contas.

Inválida numa cama, quase cega, com raros momentos de lucidez e necessitada de cuidados médicos, a dama do palco brasileiro morreu alheia a tudo o que se passava à sua volta. Madame Morineau já não reconhecia ninguém.

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2 de dezembro: Quando nasceu o Dia do Samba?

'Quem não gosta de samba, bom sujeito não é
Ou é ruim da cabeça ou doente do pé
'...
Dorival Caymmi
Dia do Samba. Ilustração

Reza a lenda que o Dia do Samba foi criado nos anos 50, e remete à iniciativa de um vereador baiano, Luis Monteiro da Costa, para homenagear Ary Barroso, quando de sua primeira passagem por Salvador. O músico já havia composto o sucesso Na Baixa do Sapateiro, que exalta as tradições da capital da Bahia, mas nunca havia posto os pés naquela cidade.

Anos mais tarde, em 1962, durante a realização no I Congresso Nacional do Samba, no então Estado da Guanabara, o deputado estadual Frota Aguiar conseguiu aprovar um projeto de lei que tornou a comemoração um evento nacional. Desde 1972, a data é celebrada nas ruas das duas cidades.

No Dia Nacional do Samba no Rio, o trem da Central do Brasil que partem com destino a Oswaldo Cruz fica repletos de pagodeiros. Cada vagão transporta um grupo de sambistas famoso ou não, que vai tocando e cantando até chegar ao bairro onde nasceu Paulo da Portela. O trem só pára na estação de Mangueira para a Velha Guarda da Verde-e-Rosa entrar, e segue em frente. Em Oswaldo Cruz, todos desembarcam, e se formam várias rodas de samba que vão se espalhando até tomar conta de todo o bairro. E como em toda boa roda de samba, a festa só termina ao amanhecer. O Pagode do Trem é uma iniciativa do movimento Acorda Oswaldo Cruz.

Vagão de trem foi sede da Portela

O Pagode do Trem foi criado na década de 20 por Paulo Benjamin de Oliveira, um dos fundadores da Portela (dizem que o berço do samba é lá!), que mais tarde adotou o nome da escola de samba como seu sobrenome. Naquela época, o objetivo não era comemorar o Dia Nacional do Samba. Os sambistas eram perseguidos pela polícia e a Portela ainda não tinha uma sede. Assim, os sambistas da escola iam ao encontro de Paulo na Estação da Central, e partiam rumo ao subúrbio. Da Central até Oswaldo Cruz, o vagão onde eles se reuniam transformava-se na sede provisória da Portela. Os sambas eram cantados, escolhidos. Tudo o que se referia à escola de samba era acertado ali.

Relembre histórias de menestréis do Samba
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Ismael Silva
Noel Rosa
Silas de Oliveira
Cartola
Jovelina Pérola Negra
Nelson Cavaquinho
Clementina de Jesus
Ataulfo Alves
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Elizeth Cardoso
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