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31 de janeiro de 1961: A posse de Jânio Quadros

A posse de Jânio. Jornal do Brasil: Terça-feira, 31 de janeiro de 1961.


"O Sr. Jânio Quadros toma posse hoje na Presidência da República, no cumprimento do mais expressivo mandato popular jamais recebido por um político brasileiro. Do Sr. Jânio Quadros ninguém espera que faça apenas um Governo bom, mas excelente. Trata-se do primeiro candidato oposicionista a subir ao Poder, em toda a história da República, depois de enfrentar uma coalizão de forças governistas.Veio tirar do Poder grupos políticos que o dominavam desde 1930. E venceu com uma vantagem de quase dois milhões de votos sobre o seu principal adversário...

O que se quer e se deseja do Sr. Jânio Quadros é que, no Governo, continue a alimentar concretamente a esperança daqueles que nele vislumbram os caminhos da justiça, do progresso, da paz política e social, do direito que tem a Nação Brasileira de ser conduzida para a grandeza de um destino que nunca se cumpre integralmente e que vem sendo ofertado pela metade, com avareza e temor
". Jornal do Brasil

Assista abaixo a versão em vídeo:


Outras efemérides de 31 de janeiro
1946: O governo do presidente Dutra
1956: JK assume como Presidente do Brasil
1976: O roubo de 119 obras de arte de Pablo Picasso

Favorecida pela crise que o país atravessava no final dos anos 50, decorrente da política desenvolvimentalista do governo de JK, a campanha presidencial de Jânio Quadros foi marcada por um discurso de moralização com promessas de acabar com a corrupção e equilibrar as finanças públicas.

A estratégia populista adotada por Jânio ganhou força com o slogan "Varre, varre, vassourinha" e com o seu jeito intencionalmente mal-ajambrado de se vestir e agir. A simpatia popular foi se fortalecendo a cada novo comício, sempre embalado por banda musical e queima de fogos, quando se reunia uma legião crescente de eleitores. Em 3 de outubro de 1960, a campanha do candidato confirmou seu êxito: Jânio Quadros foi eleito com aproximadamente 6 milhões de votos, 2 milhões a mais que seu mais forte adversário, num país com com cerca de 72 milhões de habitantes.

Confira também:
19 de agosto de 1961: Jânio presta homenagem a Che Guevara
25 de agosto de 1961: A renúncia de Jânio

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30 de janeiro de 1972: O Domingo Sangrento irlandês

Manifestantes param a Irlanda do Norte. Jornal do Brasil: Terça-feira, 1º de fevereiro de 1972
Treze pessoas morreram e 16 ficaram feridas quando soldados do batalhão de paraquedistas britânicos abriram fogo contra civis, em Derry, na Irlanda do Norte. As vítimas faziam uma manifestação pacífica contra a prisão sumária de suspeitos de terrorismo. Os incidentes começaram no Guild Hall onde manifestantes católicos haviam se reunido, desobedecendo pelo segundo dia consecutivo a ordem do governo que proibia os protestos. A ação das tropas inglesas resultou no maior número de mortos desde o início da intervenção na Irlanda do Norte, em 1969. O general Robert Ford, comandante das tropas terrestres inglesas, disse que os soldados foram recebidos a tiros pelos manifestantes. A versão foi desmentida por testemunhas e por um porta-voz do Exército Republicano Irlandês (IRA), que prometeu uma vingança implacável contra os agressores. Depois do episódio, o IRA dividiu-se em duas frentes de luta: Uma que acreditava no movimento político e na participação nos parlamentos de Londres, Dublin e Belfast, e outra, que optou por continuar a luta armada.

Outras efemérides de 30 de janeiro
1933: Hitler é nomeado Chanceler alemão
1948: Gandhi é assassinado em defesa da paz

A tragédia ficou conhecida como Domingo Sangrento e desencadeou uma onda de atentados na Irlanda e na Inglaterra, comandados pelo braço armado do IRA. Em função da chacina, o Exército Republicano Irlandês arregimentou um grande número de voluntários entre os jovens católicos da Irlanda do Norte.

Em represália ao massacre, o IRA convocou uma greve geral cujo apelo foi atendido por 90% da população. Milhares de pessoas saíram às ruas sob uma forte tempestade de neve para atirar pedras, explodir bombas, incendiar veículos e arrancar barricadas feitas pela polícia. Dois policiais foram feridos por franco-atiradores.

Militantes fazem greve de fome
Os militantes do IRA presos em 1981 iniciaram uma série de greves de fome. Bobby Sands foi o primeiro a morrer depois de ficar mais de dois meses sem receber alimento algum. Ele tornou-se um símbolo e mártir da luta da minoria católica contra o domínio inglês. Outros nove presos católicos também morreram em greve de fome. De 1969 a 1982, a disputa causou mais de 2 mil mortes, na maioria de civis. Depois de várias tentativas de cessar-fogo, o IRA depôs as armas em julho de 2005, sem contudo conseguir os seu objetivo de independência da Irlanda do Norte, que continuou a fazer parte do Reino Unido.

Leia também
4 de agosto de 1969: eclode onda de conflitos na Irlanda do Norte
31 de agosto de 1994: O IRA anuncia trégua na Irlanda do Norte

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29 de janeiro de 1975: O assassinato do Bandido Lúcio Flávio

Uma facada no pescoço, que seccionou a carótida, e vários ferimentos no peito, mataram, na madrugada, o criminoso Lúcio Flávio, 31 anos, na cela 7 da galeria D do presídio Hélio Gomes, no Rio de Janeiro. O assassino, outro detento, Mário Pedro da Silva, alegou legítima defesa. Lúcio Flávio e Mário teriam brigado após uma roda de carteado.

Prestes a dar um novo depoimento à Justiça, Lúcio Flávio era a principal testemunha nas investigações sobre as atividades exercidas pelo Esquadrão da Morte no estado. Com sua ajuda, foram condenados vários policiais, a começar por Mariel Mariscotte, acusado por ele de participação no Esquadrão da Morte, e de liderança em outra organização, de estelionato e roubo de automóveis.

Outras efemérides de 29 de janeiro
1905: A morte de José do Patrocínio
1943: A política da boa vizinhança de Vargas e Roosevelt
1960: As histórias da bossa nova
1981: Suárez deixa o Governo da Espanha

Lúcio Flavio Vilar Lírio nasceu na capital mineira em 1944. Mas foi no Rio, morando em Bonsucesso que se especializou em roubo de carros e assalto a bancos. Liderava uma quadrilha formada pelo irmão Nijini, o cunhado Fernando C.O. e o amigo Liece de Paula, associava-se a policiais e atuava em todo o país.

Altamente articulado e considerado o mais alto QI da marginalidade carioca, em doze anos de carreira no crime, com mais de quinhentos processos, quase cem anos de penas de detenção, destacou-se também pelas fugas espetaculares. Ao todo, chegou a escapar de 16 penitenciárias. "Sou bandido porque gosto", dizia sempre perante à Justiça, acostumado a assumir a culpa dos crimes que praticava.

A trajetória de Lúcio Flávio no crime organizado, aliada à sua condição de testemunha-chave num processo envolvendo integrantes da própria Polícia e às contradições no depoimento de Mário Pedro foram aspectos extremamente contrastantes às circunstâncias excessivamente banais apresentadas na versão oficial de sua morte.

O assassino de Lúcio Flávio logo teria o mesmo destino, assassinado por outro preso, que por sua vez, também seria assassinado dentro da prisão.

Em 1977, O cineasta Hector Babenco lançou o filme Lúcio Flávio, O Passageiro da Agonia, baseado no livro homônimo do escritor José Louzeiro, vencedor de quatro Kikitos de Ouro no Festival de Gramado de 1978, nas categorias de Melhor Ator (Reginaldo Farias), Melhor Ator Coadjuvante (Ivan Cândido), Melhor Fotografia e Melhor Edição.

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28 de janeiro de 1908: O Centenário da Abertura dos Portos

"As nações que querem ser verdadeiramente livres devem manter o culto das datas gloriosas de sua história, como um ensino que as gerações transmitem umas às outras, e forma, pela lei da hereditariedade, a consciência coletiva, que é a mais poderosa força de patriotismo e de coesão nacional". Jornal do Brasil

Jornal do Brasil: terça-feira, 28 de janeiro de 1908 - página 7


Cem anos depois do então Príncipe Regente, D. João VI, assinar a Carta Régia firmando a Abertura dos Portos brasileiros às Nações amigas de Portugal, o Brasil vivia em pleno progresso e reformulação. O Rio de Janeiro assumia dignamente a sua condição de capital da República, exibindo sua modernização urbana de feições européias, inspiradas na Belle Époque francesa. A política de saneamento básico, o serviço de transporte, o fornecimento de energia elétrica, a diversificação do comércio e as atividades sócio-culturais enriqueciam este cenário.

Naquela ocasião, o Jornal do Brasil publicou um especial sobre a providência desse revolucionário gesto que abriu o Brasil em definitivo para o mundo: um retrospecto sobre a evolução dessa história que então completava um século. O editorial foi dedicado à memória de D. João VI a quem foi atribuído o primeiro impulso de desenvolvimento para o país e o mérito das conquistas decorrentes dessa franquia.


Outras efemérides de 28 de janeiro
1942: Brasil rompe com países do Eixo
1943: Vargas chega a Natal para receber Roosevelt
1997: Os caminhos de Antonio Callado

O início da independência nacional
Promulgada por meio de uma Carta Régia, pelo príncipe regente, D. João, em 28 de janeiro de 1808, quatro dias após a chegada da Família Real e da Corte portuguesa a cidade de Salvador, a Abertura dos Portos foi um marco na vida da colônia brasileira. Até então, o Pacto Colonial garantia a Portugal o monopólio do comércio exterior da Colônia. Ou seja, os produtos que saiam do Brasil passavam, obrigatoriamente, pela alfândega em Portugal, da mesma forma que os produtos importados a serem enviados para a Colônia.

Contextualizado pela guerra entre a Inglaterra e França, o decreto proporcionou ao Brasil a sua iniciação na vida da inteligência, do progresso e da civilização. Dava-se o primeiro passo num processo de intensas e profundas transformações sociais e econômicas que levariam a colônia à sua emancipação política.

Embora de caráter provisório, a medida tornou-se irreversível, pois os grandes proprietários, apoiados pela burguesia inglesa, não possibilitaram a volta da antiga condição colonial.

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27 de janeiro de 1901: E silencia-se Giuseppe Verdi

Giuseppe Verdi.

"I adore art… when I am alone with my notes,
my heart pounds and the tears stream from my eyes,
and my emotion and my joys are too much to bear
".
Giuseppe Verdi

Giuseppe Verdi, 87 anos , morreu seis dias após sofrer um derrame no quarto de um hotel, onde estava hospedado e Milão. Em sua homenagem, seu funeral foi conduzido por um combinado de orquestras e coros de toda a Itália, compondo uma das maiores uniões artísticas musicais da história do país.


Outras efemérides de 27 de janeiro
1945: A libertação de Auschwitz
1967: Tragédia na corrida espacial
1973: Acordo põe fim à Guerra do Vietname

Mesmo quem não tem interesse particular por óperas já deve ter ouvido algumas das mais famosas obras de Giuseppe Verdi, como Rigoletto (1851), La Traviata (1853), La forza del destino (1862), Don Carlo (1867), Aida(1871), Otello (1887) e Falstaff (1893)...

Nascido em 10 de outubro de 1813, na pequena cidade italiana de Roncole, Giuseppe Fortunino Francesco Verdi teve que lutar muito para conquistar a admiração mundial. Filho de uma família pobre e inculta, Verdi tentou entrar para o Conservatório de Milão em 1831, mas foi recusado por exceder a idade limite para a admissão. Durante três anos, tomou aulas com um músico do La Scalla até apresentar sua primeira ópera, Oberto, conte di San Bonifacio (1839), escrita sob a influência de Bellini, com razoável sucesso. Mas o fracasso da obra seguinte, Un giorno di regno (1840), somado à morte da mulher e de dois filhos, fez o compositor desistir e jurar nunca mais se aventurar no mundo da ópera.

Para sorte de seus admiradores e da posteridade, no entanto, o sucesso de Nabucco (1842), fez com que ele quebrasse a promessa, marcando o início de uma carreira longa e produtiva. Em 1859, casou-se novamente, com a cantora Giuseppina Strepponi. Em seus últimos anos, dedicou-se à composição de peças corais religiosas.

O Va Pensiero de Nabucco e o nascimento de Verdi

O extraordinário impacto de Nabucco sobre a platéia no La Scalla, onde estreou a 9 de março de 1842, foi ajudado pela situação da Itália na época. Colcha de retalhos dominada parcialmente pelos austríacos, o país andava atrás dos símbolos patrióticos, enquanto crescia o movimento de unificação finalmente vitorioso em 1870. O Va Pensiero de Nabucco transformou-se num desses símbolos, no canto dos italianos oprimidos.

A ópera - e especialmente esse coro - corresponde a uma espécie de "nascimento de Verdi". A música, muito presa a Bellini, ainda não tem a densidade de trabalhos posteriores. Mas o gênio é visível (pela primeira vez) por trás dessas limitações. Verdi já cria impacto - e a abertura da ópera é um bom exemplo da sua teoria da comunicação. O coro famoso, na sua simplicidade, nunca deixa de emocionar; e à medida que a ópera avança, verifica-se como Verdi vai descobrindo os segredos do seu ofício: no acompanhamento de violoncelos para a ária de Zaccaria, na utilização dos trios, quartetos e quintetos vocais, altamente dramáticos, que viriam a ser, com o tempo, uma das marcas registradas do compositor de Aida.

Verdi, descobriria, sobretudo, a arte de utilizar o coro como expressão de anseios populares - uma lição que a Itália da época estava pronta para absorver, o que apressou a identificação de Verdi como um dos símbolos nacionais italianos, até pelas próprias letras do seu nome, que formavam as iniciais de Vittorio Emanuele, Re d´Italia - a fórmula mágica da unificação italiana.

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26 de janeiro de 1931: Morre Graça Aranha, o autor de Canaã

Morre o escritor Graça Aranha. Jornal do Brasil: Terça-feira, 27 de janeiro de 1931
O escritor, jurista e diplomata Graça Aranha, 62 anos, faleceu no início da noite de uma segunda-feira, vítima de um edema pulmonar, no Rio de Janeiro. O Jornal do Brasil, recebeu a notícia quase que ao fechamento de sua edição e fez uma homenagem ao ilustre escritor.

Ele era magistrado, diplomata, romancista, ensaísta, escritor brilhante, às vezes confuso, que escrevia pouco, com muito ruído”, declarou o romancista Afrânio Peixoto.

Outras efemérides de 26 de janeiro
1950: A nova República de Bahrat
1950: Proclamada a República da Índia
1980: O show de Frank Sinatra no Maracanã

José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luíz do Maranhão. Bacharelou-se em direito pela antiga Faculdade do Recife. Atuou como advogado e juiz. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e ingressou mais tarde na diplomacia, em cuja carreira se destacou pelos seus dotes de patriotismo de cultura e inteligência.

Tendo divergido do golpe de Estado de Deodoro (1891 – no qual o proclamador da República dissolveu o Congresso e estabeleceu um governo autoritário), Graça Aranha moveu contra o presidente tenaz oposição, razão pela qual foi demitido do cargo que exercia no Rio de Janeiro como procurador. Após o episódio, Aranha partiu para o Espírito Santo, para assumir um posto de juíz municipal em uma cidadezinha do interior do estado, oportunidade que lhe rendeu material para o seu trabalho mais reconhecido, Canaã, publicado com grande sucesso editorial em 1902.

Como diplomata, Graça Aranha foi delegado do Brasil em várias missões, incluindo uma à França durante a Primeira Guerra, que o inspirou para escrever outro romance conhecido, “Malazarte”, de 1915. Em 1922 participou da Semana de Arte Moderna e em 1924 rompeu com a Academia Brasileira de Letras, acusando-a de imobilismo literário.

Precursor do futurismo no Brasil, Graça Aranha ainda foi, na última fase da sua atividade literária, combatido, não apenas pelos adeptos da escola, mas também por muitos dos novos futuristas, principalmente entre os que criaram a corrente denominada antropofagismo.

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25 de janeiro de 1947: O Fim do gângster Al Capone

Al Capone.

"Ei! Al Capone vê se te emenda.
Já sabem do teu furo, nego, no imposto de renda
Ei! Al Capone, vê se te orienta.
Assim desta maneira, nego, Chicago não aguenta...
"
Raul Seixas

O temido gângster que liderou o grupo criminoso dedicado ao contrabando e à venda de bebidas, entre outras atividades ilegais, durante a Lei Seca norte americana nos anos 20 e 30, Al Capone, morreu de hemorragia cerebral na Flórida, EUA, uma semana após completar 48 anos.

Outras efemérides de 25 de janeiro
1971: Golpe Militar derruba presidente de Uganda
1977: Movimento histórico contra a Censura
1984: Cresce o movimento pelas Diretas Já

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasceu em 17 de janeiro de 1899, no bairro novaiorquino do Brooklin, EUA. Com apenas 11 anos começou a trabalhar no grupo criminoso Five Pointers, onde conheceu o gângster Johnny Torrio. Convocado por seu tio Big Jim Colisimo, Torrio se mudou para Chicago e levou Capone com ele. Após tramar a morte do tio, Torrio assumiu seus negócios. Em 1925, o gângster decidiu se aposentar e deixou seu império de US$ 50 milhões para Al Capone comandar.

Al Capone prosseguiu no mundo da prostituição e do jogo, sendo que o negócio mais lucrativo era a venda ilegal de bebidas durante a Lei Seca. Diante de seu poder, mesmo com a extensa lista de ilegalidades, poucos poderiam imaginá-lo atrás das grades. Até que no dia 24 de outubro de 1931, Al Capone foi sentenciado a 11 anos de prisão e ao pagamento de US$ 80 mil. O mais surpreendente é que a condenação não ocorreu devido aos muitos assassinatos que sempre lhe foram atribuídos, mas por sonegação de impostos. O gângster reclamou: “O governo não pode recolher imposto legal de dinheiro ilegal".

Quer saber as principais notícias do século 20? Curta o Jornal do Século aqui, a partir de hoje, e descubra...

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24 de janeiro de 1965: Morre Winston Churchill

Adeus ao estadista Winston Churchill. Reprodução

"Quantos nomes restarão entre todos os destas últimas gerações atribuladas, duramente vergastadas por duas guerras mundiais? Um deles - é certo - inscreveu-se, definitivamente, no Livro da História: Winston Chruchill. Sua vida acaba de apagar-se, ao fim de 90 anos. Mas seu vulto permanecerá indelével na memória de sempre. Foi um Homem - e os homens o reverenciarão". Jornal do Brasil

Um dos maiores homens de seu tempo, Winston Churchill, 90 anos, morreu após estar internado em coma, desde que sofreu uma trombose. A notável resistência física do velho estadista cedeu, após uma vida inteira de graves enfermidades.

Outras efemérides de 24 de janeiro
1967: Promulgada a Quinta Constituição da República
1972: A descoberta do Robinson Crusoé nipônico
1980: Peça Calabar é liberada pela Censura

A morte de Winston Churchill encerrou o destino de um homem que poderia, sozinho, encarnar toda a grandeza, toda a tragédia e toda a esperança de uma época. Não apenas o último e certamente o maior político vitoriano que desaparece. Nem um estadista de envergadura mundial, dotado de um poder de liderança que venceu a prova da mais terrível de todas as guerras. Não é só um escritor de fôlego insuperável, nem um inexcedível orador de gênio, capaz de uma força de comunicação que acendeu no mundo inteiro, em dado momento, a chama da resistência e a certeza da vitória.

O fabuloso nonagenário, que agora mergulhou no reino das sombras, foi mais que um extraordinário homem de ação e um estupendo homem de pensamento. Seu destino arrebentou os limites, por mais extensos e singulares que tenham sido, de um prodigioso grande homem. Nenhum contemporâneo subiu mais alto do que ele às culminâncias do espírito humano, em dimensões universais... Aqui se encerra um ciclo da História. Seu exemplo, porém, é daqueles que não se perdem e renovam, na sua seiva perene, as razões de esperança e de confiança de que o mundo necessita para sobreviver com dignidade e em paz.

Winston Leonard Spencer Churchill nasceu prematuramente a 30 de novembro de 1874, em Blenheim Palace, Oxfordshire, na Inglaterra. Depois de uma carreira militar de pouco sucesso, incluindo o fracasso da Operação Dardanelos, em 1915, durante a I Guerra Mundial, Veio a se destacar como um dos maiores estadistas da história. Nomeado primeiro-ministro em 1940, seu nome está relacionado às vitórias que a Grã-Bretanha conseguiu na II GUerra, ao comandar a resistência européia contra a Alemanha nazista. Embora o sucesso da vitória seja incontestável, Churchill não teve o apoio necessário dos ingleses, quando tentou a reeleição, e foi derrotado pelos trabalhistas nas eleições de 1945. Retornou ao poder em 1951, ano em que foi premiado com o NObel da Literatura pela publicação de suas memórias. Em 1955, retirou-se da vida política. Morreu em Londres.

Leia aqui, na íntegra, o especial do Jornal do Brasil sobre a trajetória de Winston Churchill

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23 de janeiro de 1985: A viagem diplomática do Presidente Tancredo Neves

Tancredo viaja para cinco países em nome da democracia. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 24 de janeiro de 1985

Tancredo Neves foi o primeiro presidente civil eleito depois do golpe militar de 1964 ao derrotar Paulo Maluf no pleito realizado dia 15 de janeiro pelo Colégio Eleitoral. Em sua primeira viagem como presidente eleito, Tancredo visitou Portugal, Itália, França, Espanha, Estados Unidos, México e Argentina. O objetivo era mostrar que o Brasil havia mudado, e que seriam estabelecidos novos acordos comerciais e diplomáticos.

Outras efemérides de 23 de janeiro
1973: Acordo de Paz no papel
1989: A morte de Salvador Dalí

Durante o voo para Roma, comentou com os jornalistas os planos de reatar relações com a União Soviética, e disse que os Estados Unidos seriam sua última e mais importante escala. O presidente eleito disse em seu discurso em Washington que o povo brasileiro era o principal protagonista da redemocratização, além de declarar que a recessão era um fator que desestimulava os investimentos.

Já a chegada à Roma teve destaque nos jornais italianos. A base das conversações com o presidente Sandro Pertini e o premier Bettino Craxi foi a fixação de um programa de comércio externo. Na França, o tema dos debates foi a dívida externa brasileira. O presidente eleito recebeu em Portugal título de doutor honoris causa na Universidade de Coimbra e acertou a colocação de produtos brasileiros no Mercado Comum Europeu. Na Espanha, Tancredo recebeu honras de chefe de estado e interessou-se pelo Pacto de Moncloa, no qual todos os segmentos da sociedade espanhola se comprometeram a atuar politicamente sem atrapalhar na construção da democracia no país.

Ao regressar, Tancredo iniciou as articulações para a constituição do primeiro ministério da República Civil. No dia 12 de março, concedeu a última entrevista coletiva como presidente eleito. No pronunciamento, defendeu a contenção dos gastos públicos, o combate à inflação, recursos para produção agrícola e reformulação da Lei de Greve. Dois dias depois, passou mal, foi internado e morreu no dia 21 de abril de infecção generalizada.

Figueiredo desabafa na TV
João Figueiredo, o último general-presidente, admitiu em entrevista concedida à TV Manchete que se saiu mal ao agir no governo como se estivesse em um quartel, e acrescentou: "Vou sentir uma pena danada do doutor Tancredo ao passar a faixa presidencial para ele".

Figueiredo negou que dissera que prefere o cheiro de cavalo ao cheiro do povo: "Aquilo só pode ter sido uma maldade dos jornalistas, que ouviram o que eu disse. Eu disse que gosto mais do cheiro de cavalo, para não dizer outra coisa que deveria ter dito e ele compreendeu maldosamente". O general encerrou a entrevista com um pedido: "Me esqueçam"

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22 de janeiro de 1977: Maysa morre em desastre na Ponte Rio-Niterói

Jornal do Brasil: Maysa morre em acidente

A cantora Maysa, 40 anos, morreu quando o carro que dirigia bateu contra a mureta central que divide as duas pistas da Ponte Rio-Niterói. Ela seguia para Barra de Maricá onde iria passar o fim de semana em sua casa. Os pais de Maysa disseram que ela não dormia havia cinco dias devido a doses de remédio para emagrecer.

A intérprete e compositora de músicas melancólicas e de dor-de-cotovelo começou a carreira aos 12 anos, quando compôs o samba-canção Adeus. Maysa nasceu no Rio e mudou-se aos 3 anos com a família para São Paulo. Aos 18 anos, casou-se com o milionário paulista André Matarazzo, 20 anos mais velho, e passou a cantar raramente em festas de família. Em 1956, grávida do seu único filho, conheceu o produtor Roberto Corte Real, que a levou para gravar um disco. Nesse LP foi lançada a música Meu mundo caiu, um dos seus maiores sucessos como compositora. A renda obtida com as vendas foi doada por insistência do marido a uma campanha contra o câncer.

O casamento de Maysa e André durou dois anos. O fim da união abalou profundamente a cantora, acentuando a sua depressão, que a levou a exceder-se na bebida, no uso de calmantes e a engordar 38 quilos. "Canto porque sou uma angustiada", revelou em um dos shows que fez no Cassino Estoril, em Portugal. Temperamental, confessou em entrevista a O Pasquim que jogara o microfone na cabeça de um espectador que insistia em fumar charuto próximo ao palco.

A convite de Ronaldo Bôscoli veio para o Rio, em 1960, estrear um programa de TV e gravar um disco. No mesmo ano, lançou o LP O Barquinho, que se tornou um marco da bossa nova, um gênero musical diferente do qual estava acostumada a cantar. Os músicos que a acompanharam – Luiz Eça, Hélcio Milito, Bebeto Castilho e Roberto Menescal – formariam mais tarde o famoso Tamba Trio.

O regresso depois de longa turnê
O sucesso do disco O Barquinho rendeu a Maysa uma longa turnê pelo Brasil, além de espetáculos na Argentina e no Uruguai. Em seguida partiu para fazer apresentações na Europa e nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, quatro anos depois e 26 quilos mais magra, participou de novelas, programas de TV e fez shows.

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20 de janeiro: Salve São Sebastião do Rio de Janeiro

São Sebastião do Riode Janeiro

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19 de janeiro de 1982: Morre Elis Regina. Calou-se a voz mais alegre do Brasil

"Amor, não tem que se acabar
Eu quero e sei que vou ficar
Até o fim, eu vou te amar
Até que a vida em mim resolva se apagar...
"
Elis Regina. Ari Gomes

"A voz de Elis Regina é como diamante: puro, frio e cortante".
J. R. Tinhorão

A cantora Elis Regina, 36 anos, uma das mais celebradas intérpretes de sua geração, morreu em São Paulo, depois de sofrer uma parada cardíaca. A notícia de uma perda tão precoce para a música brasileira, pegou de surpresa uma legião de admiradores, e causou comoção no país, naquele verão de 1982. Seu corpo foi velado no Teatro Bandeirantes, na presença de milhares de fãs, que prestavam à sua maneira uma última homenagem à Elis.

Elis deixou três filhos, João Marcelo, de seu primeiro casamento com o compositor Ronaldo Bôscoli; Pedro e Maria Rita, de seu casamento com César Camargo Mariano. Os três seguiram seus os passos no meio musical.

Outras efemérides de 19 de janeiro
2012: 70 anos de Nara Leão, a Musa da Bossa Nova
1958: A morte do Marechal Cândido Rondon
1966: Indira Gandhi é eleita primeira-ministra
1991: Inicia-se a segunda edição do Rock in Rio

Brasil perde a voz de Elis Regina. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 20 de janeiro de 1982

Cantora com temperamento forte, a gaúcha Elis Regina Carvalho da Costa ganhou logo no começo de sua carreira o apelido de Pimentinha, devido ao gênio difícil. Mas seu trabalho sempre foi sinônimo de qualidade elevadíssima no plano vocal. Rompeu dois casamentos oficiais e nos últimos tempos namorava o advogado defensor de presos políticos, Samuel McDowell.

Excessivamente franca, teve ao longo de sua trajetória, muitos desafetos, por causa de suas opiniões desabusadas, às vezes impertinentes, outras vezes contraditórias, mas sempre muito sinceras. Como artista, está entre as pouca que podem se orgulhar de deixar marca tão forte em tudo quanto interpretou ao logo de sua carreira musical, iniciada aos 11 anos de idade, quando se apresentou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, sua cidade natal. O fôlego da cantora levou-a ao Beco das Garrafas no Rio, onde foi imediatamente erigida em estandarte da Bossa Nova, até que descoberta por Armando Pittigliani foi contratada para gravar pela Philips.

Em sua obra nunca faltou a universalidade. Num de seus mais perfeitos trabalhos, Elis regravou o repertório de Tom Jobim, com instrumentistas refinados como Oscar Castro Neves, Hélio Delmiro, Luizão, César Camargo e a regência do americano Bill Hitchcock.

A voz que se calou era exclusiva de seu talento interpretativo.

Assista abaixo a versão em vídeo.


Veja também

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19 de janeiro de 2012: 70 anos de Nara Leão, a Musa da Bossa Nova

70 anos de Nara Leão. Teixeira

"Mas agora, meu bem, vou-me embora
Vou-me embora, e não sei se vou voltar
A saudade, nas noites de frio,
Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena...
"

Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro de 1942 em Vitória, Espírito Santo. Gravou 30 LPs, ao longo da sua carreira, com repertórios variados e uma interpretação muito pessoal. Não possuía grande extensão vocal, mas era muito afinada. A jovem tímida, que ganhou um violão aos 12 anos, construiu uma trajetória musical sólida na qual sempre apostou nos movimentos de vanguarda e de protesto.

Nara fez parte do grupo que criou a bossa nova, mas foi eternizada a musa do ritmo que mudou a MPB.

Outras efemérides de 19 de janeiro
1982: Morre Elis Regina. Calou-se a voz mais alegre do Brasil
1958: A morte do Marechal Cândido Rondon
1966: Indira Gandhi é eleita primeira-ministra
1991: Inicia-se a segunda edição do Rock in Rio

70 anos de Nara Leão. Teixeira


Nara Leão rompeu com definitivamente com o movimento em 1964, ao abraçar o samba mais tradicional - mas nunca perdeu o título de Musa da Bossa Nova.

As reuniões na casa de seus pais, no Posto 4, em Copacabana, das quais participaram Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Roberto Menescal, entre outros, ajudaram a demolir a tendência dor-de-cotovelo que prevalecia na música brasileira no fim dos anos 50. Antes mesmo que Nara começasse a cantar profissionalmente, já ganhava presentes em forma de canção: O barquinho, Se é tarde, me perdoa e Lobo bobo, que viraram clássicos da Bossa Nova.

Sua estréia para valer, diante do público, aconteceu em mais um show antológico, em 1963: no pequeno palco do Au Bon Gourmet, cantou ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, no espetáculo Pobre menina rica. No ano seguinte, gravou o disco Nara, produzido por Aloysio de Oliveira para o selo Elenco. Foi uma ponte entre o samba tradicional e sofisticado - Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Cartola e Elton medeiros - e o novo som de Baden Powell, Carlisnhos Lyra e Moacyr Santos.

Esteve ligada a outros movimentos musicais, como o Tropicalismo, tendo sido responsável pelo lançamento de vários compositores novos e pelo resgate de outros veteranos, realizando um mapeamento da música popular brasileira e destacando-se pela excelência de seu repertório.

Leia também
11 de dezembro de 1964: O Show Opinião
7 de junho de 1989: Morre Nara Leão, a musa de todas as bossas

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18 de janeiro de 1915: Temporal assola o Rio

"Toda vez que um temporal desaba sobre esta cidade e ela, em alguns pontos, sofre os terríveis efeitos das inundações, a imprensa no dia seguinte, ao passo que noticia minuciosamente todos os horrores por que passaram os habitantes das ruas e bairros inundados, clama por uma providência, chama a atenção dos poderes públicos municipais, apela para as altas autoridades da República, convencida de que cumpre um dos seus mais sagrados deveres: O de zelar pelo bem estar da população, pugnando pelos seus direitos". Jornal do Brasil
Jornal do Brasil: Quarta-feira, 20 de janeiro de 1915 - página 7

Motivado por sucessivos dias de calor do verão carioca, um temporal chegou à cidade trazendo transtorno aos seus moradores. Foram afetados os serviços de iluminação e transporte. E uma água negra de lodo e grossa de detritos invadiu casas e estabelecimentos comerciais promovendo inundações e desabamentos.

A tempestade continuou durante a noite, espalhando o pânico por toda a parte. Nas primeiras horas da manhã seguinte, a população já conferia os estragos. Os locais mais atingidos foram Tijuca, São Cristóvão, Praça da Bandeira, Central do Brasil e Catete.

A chuva manteve-se nas 48h seguintes, dificultando o trabalho de resgate. Mas o Corpo de Bombeiros foi incansável, atendendo a inúmeros chamados de socorro. Carroças da limpeza pública, como da Brigada Policial, deram auxílio no transporte de moradores desabrigados para o refúgio em delegacias da cidade.

Pereira Passos, que tanto se interessou pelo embelezamento urbano do Rio, foi apontando como responsável pelo cenário caótico instaurado, acusado de ignorar sua geografia e as constantes inundações decorrentes das chuvas de verão, no planejamento da engenharia municipal.

Outras efemérides de 18 de janeiro
1934: Greve geral fracassa em Portugal
1974: Israel e Egito assinam acordo de paz

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17 de janeiro de 1976: O assassinato de Manuel Fiel Filho

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de janeiro de 1976. A morte de Manuel Fiel Filho

Eram 9 horas da manhã de uma sexta-feira, quando dois indivíduos, numa caminhonete bege, pararam em frente à Metal Arte Industrial Reunidas, na zona leste da capital paulista e, identificando-se como agentes do DEOPS dirigiram-se ao encarregado do Departamento de Pessoal da empresa, em busca de Manuel Fiel Filho, empregado há 19 anos - encarregado do setor de prensas hidráulicas, informando urgência em contactá-lo. Cinco minutos depois, de uniforme em brim azul, estava diante deles o funcionário, que havia chegado às 7h ao trabalho.

Os agentes pediram que Manuel os acompanhasse para prestar um esclarecimento. Segundo o chefe do Departamento de Pessoal, Manuel estava tranquilo e antes de acompanhar os agentes fez uma única pergunta: "Será preciso eu trocar de roupa ou posso ir assim mesmo"? E ouviu a seguinte resposta de um deles: "Pode ir assim mesmo, que logo você estará de volta".

De lá, os três seguiram para a casa de Manuel, também na zona norte de São Paulo, onde estavam sua esposa e filhas. Sem nada explicá-las, apenas recomedaram: "Ninguém deve falar nada com ele". E começaram a revistar o domicílio. Ao final das buscas, permitiram que Manuel ficasse a sós com a família por alguns instantes, mas ao ser questionado pela esposa, apenas a abraçou e disse: "Não se preocupe, nega, que eu não vou demorar". Em seguida, Manuel e os policiais entraram no carro e deixaram o local.

Manuel Fiel Filho não foi mais visto.

Outras efemérides de 17 de janeiro
1973: Tarsila do Amaral, a musa ausente
1991: Guerra do Golfo, a primeira transmitida pela TV

Apesar da preocupação, todos resolveram aguardar por notícias. Até que, as 22h de sábado, 17 de janeiro de 1976, um táxi apareceu à porta da casa de Manuel, e sem descer, o passageiro informou à sua esposa secamente: "Seu marido se suicidou". E estendendo os braços para fora do carro, entregou-lhe um saco com os pertences que Manuel usava no dia anterior: Blusão, calça, sapatos, cinto e uma nota de Cr$ 10. Também havia um envelope timbrado do II Exército, com os documentos do operário.

A família seguiu para o IML, à procura do corpo de Manuel, mas os funcionários negaram que ele tivesse dado entrada ali. Contudo, diante da insitência de seus parentes, os funcionários acabaram por admitir que o corpo do operário havia chegado poucos minutos antes, vindo do Hospital das Clínicas, onde havia dado entrada após passar mal no trabalho e acabara de morrer. Porém, havia ordens no IML para que ninguém visse o corpo de Manuel e que a família não fosse comunicada do enterro.

Por fim, diante da pressão dos irmãos de Manuel, o corpo de Manuel acabou sendo velado, sob escolta policial, na capela da Igreja Nossa Senhora de Lourdes, no bairro Belém, com a condição de que a cerimônia fosse rápida e discreta. Alguns conhecidos puderam ver um corte profundo, longitudinal da altura do queixo ao pescoço, para o qual receberam a explicação de tratar-se de uma autopsia.

Em poucos minutos, encerrou-se o sepultamento. E para todos que se retiravam, um policial à paisana recomendava que evitassem comentar o acontecimento, que não deveria ultrapassar o âmbito familiar. A viúva e as duas filhas de Manuel não voltaram para casa e deixaram São Paulo no mesmo dia.

Leia também
7 de abril de 1987: União é culpada pela morte de Manoel Fiel Filho

A vida e morte de Manuel é a base do documentário Perdão Mister Fiel - O Operario que Derrubou a Ditadura no Brasil que mostra a atuação dos Estados Unidos na caça aos comunistas e nas ditaduras militares na América do Sul.

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16 de janeiro de 1969: Ministros e Parlamentares são cassados pelo AI-5

Ministros e Parlamentares são cassados pelo AI-5
A lista de cassações aumentou no mês de janeiro em consequência da edição do Ato Institucional número 5 (AI-5), em dezembro de 1968. A punição atingiu parlamentares e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Entre os que perderam o mandato estavam dois senadores - Aarão Steinbruck e João Abraão -, 35 deputados federais, três ministros do STF - Hermes Lima, Vítor Nunes Leal e Evandro Lins e Silva, além de aposentar compulsoriamente os ministros Antônio Gonçalves de Oliveira e Carlos Lafaiete de Andrade. O AI-5 não poupou nem o ministro do Superior Tribunal Militar (STM) Peri Constant Bevilacqua, que, segundo o porta-voz do Presidente Costa e Silva, Carlos Chagas, era acusado de "dar habeas-corpus demais". O Congresso foi fechado, e só foi reaberto em outubro, para eleger o general Emílio Garastazu Médici à Presidência da República.

Outras efemérides de 16 de janeiro
1969: O ato de renúncia de Jan Palach
1979: Xá do Irã deixa a capital Teerã

O AI-5 foi o instrumento criado para dar amparo legal aos atos arbitrários cometidos pela ditadura militar. O decreto autorizou o presidente da República a fechar o Congresso, intervir nos Estados e municípios, cassar mandatos parlamentares, suspender por 10 anos os direitos políticos de qualquer cidadão, confiscar bens considerados ilícitos, além de suspender a concessão de habeas-corpus. Os encarregados de inquéritos políticos estavam autorizados a prender qualquer pessoa por 60 dias, 10 dos quais estas deveriam permanecer incomunicáveis. Emissoras de televisão e de rádio, e redações de jornais seriam ocupadas por censores. O AI-5 foi seguido por mais 12 atos institucionais, 59 atos complementares e oito emendas constitucionais, e foi revogado em 17 de outubro de 1978.

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15 de janeiro de 1985: De mãos dadas com o povo, Tancredo Neves é eleito presidente do Brasil

Tancredo vence a eleição. Jornal do Brasil, Quarta-feira, 16 de janeiro de 1985.
Confira aqui o especial Tancredo, a restauração, na íntegra.
"Vim para promover as mudanças, mudanças políticas, mudanças econômicas, mudanças sociais, mudanças culturais, mudanças reais, efetivas, corajosas, irreversíveis", anunciou com a voz embargada, no momento mais vibrante de seu discurso de 19 páginas, 35 minutos de duração e interrompido 40 vezes por aplausos, o Presidente da República eleito, Tancredo Neves.

Naquela terça-feira, o Brasil amanheceu diferente. Cumpriu-se uma profecia feita fazia algum tempo, na intimidade, por Tancredo Neves: a de que todos os casuísmos introduzidos na vida política brasilera passariam a se voltar contra os seus autores, por causa do movimento geral da sociedade, que eles procuravam conter ou desviar. Mais de 20 anos depois da deposição de João Goulart, em 1964, o Brasil elegia novamente um Presidente civil. O ex-Governador de Minas Gerais, Tancredo Neves, candidato da Aliança Democrática, derrotou seu opositor do PDS, o Deputado Paulo Maluf, por uma esmagadora diferença de 300 votos. Ele obteve 480 dos 686 votos do Colégio Eleitoral, contra 180 de Maluf.

Outras efemérides de 15 de janeiro
1974: Ernesto Geisel é eleito pelo voto indireto
1985: Fim do Regime Militar
1985: Tancredo Neves é eleito Presidente da República

Incansável em sua atuação política conciliadora, Tancredo Neves foi uma liderança fundamental no processo de redemocratização do país, e a sua vitória no colégio eleitoral, mesmo que por eleições indiretas, era o reencontro da esperança com a democracia, tão sonhado e reivindicado pelo povo brasileiro. Nascia, assim, a Nova República.

"Em matéria de sofrimentos, privações e injustiças suportadas com resignação, poucos povos se igualam aos brasileiros". Tancredo Neves

Na noite da véspera de sua posse, programada para dia 15 de março de 1985, Tancredo Neves, símbolo do maior, mais alegre e mais pacífico movimento popular de mudanças políticas já ocorrido na História do Brasil, acometido de uma crise aguda de peritonite, deu entrada no Hospital de Base de Brasília, iniciando um processo de 38 dias de internação em que foi submetido a sete cirurgias que culminaria em sua morte as 22h23 do dia 21 de abril de 1985.

Confira também:
16 de abril de 1984 - "Diretas Já!" reune 1,3 milhões de pessoas
12 de agosto de 1984 - Tancredo é lançado candidato à Presidência
14 de março de 1985 - Tancredo é operado 12h antes da posse


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14 de janeiro de 1996: "Arquivos implacáveis" perdem o seu criador João Condé

João Condé. Reprodução

Os arquivos mais surpreendentes da literatura brasileira perderam seu mentor. O arquivista e conservador da memória brasileira João Condé, 83 anos, morreu as 20h45 de um domingo no Hospital Samaritano.

Condé não resistiu após 28 dias em coma decorrente do insucesso de uma angioplastia para desobstruir uma coronária. Durante o procedimento, com a pressão alta devido ao nervosismo da internação, sofreu um derrame cerebral. Dias depois, após pequena melhora, uma parada cardíaca o levou ao estado de coma profundo.

Outras efemérides de 14 de janeiro
1942: A Conferência interamericana
1957: Hollywood perde Humphrey Bogart
1994: Ucrânia abre mão de seu arsenal nuclear

João Condé nasceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 22 de outubro de 1917, irmão dos escritores José Condé (1918-1971) e Elísio Condé (1906-1993). Ao contrário dos irmãos, nunca seguiu a carreira literária. "Meu irmão era escritor, mas eu, como autor, seria medíocre. Então, nela (literatura) ingressei como colecionador e hoje posso dizer, sem modéstia, que sou um dos maiores".

Condé guardou em um apartamento reservado apenas com este propósito em Botafogo, na zona sul do Rio, um extenso arquivo com raridades da literatura brasileira, como manuscritos, inéditos, cartas, diários íntimos e ilustrações. Tinha pastas e livros encadernados até no quarto de empregada e costumava servir um licorzinho a quem o visitava para pesquisas.

Amigo de muitos autores, fez questão de guardar desde bilhetes até originais manuscritos de romances, como Vidas Secas e Infância, de Graciliano Ramos, Fogo morto, de José Lins do Rêgo, e Rio Branco, de Álvaro Lins. O poeta Carlos Drummond de Andrade, outro grande amigo, batizou a coleção de Arquivos implacáveis. O nome pegou. Condé manteve, durante 19 anos, uma coluna com o mesmo nome na extinta Revista O Cruzeiro, onde publicava algumas de suas raridades.

Certa vez, ao ser questionado sobre a morte, respondeu: Não temo a morte. Por que sobrei? Espero, porém, que Millôr Fernandes, Otto Lara, Fernando Sabino, Lêdo Ivo, Autran Dourado, Renato Archer, Sebastião Lacerda, José Gueiros, Álvaro Pacheco, José Sarney, Abreu Sodré, Walter Fontoura, Glória Machado e Vivi Nabuco me deixem uma rosa amarela no túmulo. Gostei de tantas pessoas, sem ter tido a oportunidade de fazê-las meus amigos", disse Condê, que deixou quatro filhos, a viúva Carmen de Freitas Guimarães Condé, e quatro netos. Era advogado aposentado como promotor do Estado, e fundou com os irmãos, em 1949, o Jornal de Letras, que durou até 1993.

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13 de janeiro de 1941: Literatura dá adeus a James Joyce, o poeta irlandês expatriado

James Joyce. Reprodução

" Os erros são os portais do descobrimento". James Joyce
O escritor James Joyce, 58 anos, morreu de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada, durante uma operação para salvar sua vida. Está enterrado no Cemitério de Fluntern, em Zurique, na Suíça.

Outras efemérides de 13 de janeiro
1937: Reformas na Educação
1972: As conquistas de Mequinho
1991: Congresso dos EUA aprova guerra contra o Iraque

Considerado um dos maiores escritores da língua inglesa do século XX, James Augustine Aloysius Joyce nasceu em Dublin, na Irlanda no dia 2 de fevereiro de 1882, numa família católica e rica. Educado em colégio de jesuítas, em 1902, foi para Paris estudar medicina, curso que abandonou meses depois. Retornou à Irlanda em 1903, mas, no ano seguinte, mudou-se para Trieste, na Itália, onde fez amizade com o escritor Italo Svevo. Com a guerra, refugiou-se em Zurique, na Suíça, até voltar a Paris em 1920, com breve passagem pela Itália.

A vida de andarilho não impediu a produção literária do escritor. A publicação de seu primeiro ensaio, Ibsen´s New Drama (1900) despertou o interesse da crítica. Depois da estréia, lançou vários livros, entre eles Chamber Music (1907), Dubliners (1914), Giacomo Joyce (1916), Portrait of the Artist as a Young Man (1916) e seu último livro Finnegans Wake (1939). Seu principal trabalho, no entanto, estava reservado para a obra Ulysses (1922): o livro é o relato de apenas um dia, 16 de junho de 1904, na vida de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, que perambulam pelas ruas e tabernas de Dublin.

No fim da vida, devido a problemas de saúde e à invasão de Paris pelos nazistas alemães, em 1940, James Joyce voltou a se exilar em Zurique, onde acabou morrendo, dono de vasta obra literária.

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12 de janeiro de 1939: A Propaganda Nazista de Joseph Goebbels

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 13 de dezembro de 1939.


Outras efemérides de 12 de janeiro
1946: ONU cria Conselho de Segurança
1976: O fim sem mistério da Rainha do Crime

Joseph Goebbels. Reprodução



O ministro da Informação e Propaganda da Alemanha Nazista, Joseph Goebbels, fez um discurso em Berlim em que afirmou a supremacia da civilização italiana e alemã.

O pronunciamento foi feito durante a inauguração de uma série de transmissões radiofônicas comuns entre os dois países.

"A América foi descoberta pela Itália", disse o ministro, "e se hoje são impressos livros e jornais é por que o alemão Guttemberg inventou a imprensa".

A mentira e a manipulação eram as principais armas da propaganda de Goebbels, e foram um dos pilares de sustentação do nazismo. Braço direito de Hitler, Goebbels estimulou a realização de numerosos crimes, como a Noite dos Cristais, em 1938, quando 90 judeus foram assassinados e mais de 20 mil presos e enviados para campos de concentração. Durante o massacre foram destruídas sinagogas, casas e lojas da comunidade judaica. A operação foi montada para vingar o assassinato de um diplomata alemão em Paris por um jovem comunista judeu.

O ministro de Hitler manipulava as massas com extrema habilidade. No discurso proferido no Palácio dos Esportes Gobbels exortou os alemães a se lançarem em uma batalha final. Na época, a Alemanha estava em ruínas e a sorte da guerra estava se voltando a favor dos aliados. O pronunciamento do Palácio dos Esportes foi gravado com destaque para os aplausos, e posteriormente foi transmitido pelas rádios, com a intenção de empolgar os ouvintes e os soldados no campo de batalha.

Sob orientação de Goebbels também foram queimadas obras de escritores liberais, pacifistas e socialistas, considerados contrários à política de Hitler. O ministro criou o requerimento de ancestralidade ariana, que visava banir os judeus de atividades culturais e coibir os casamentos mistos.

Goebbels foi o sucessor de Hitler
Goebbels foi ao lado de Himmler um dos homens mais poderosos da Alemanha Nazista. Como ministro da propaganda organizou o culto à personalidade do Führer – o líder – além de criar e tornar obrigatória a saudação Heil Hitler entre os integrantes do partido nazista. Com técnica e astúcia, conseguiu transformar o trauma da derrota na Primeira Guerra e as imposições à Alemanha do Tratado de Versalhes em combustível para a política expansionista nazista. Poucas horas depois de Hitler ter-se suicidado, em 1945, Goebbels, que tinha sido nomeado seu sucessor, se matou junto com a sua mulher, depois de ter assassinado os seis filhos do casal.

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11 de janeiro de 1971: Acidente de carro mata médium Zé Arigó. Missão encerrada.

O médium Zé Arigó. Reprodução.

Um choque violento entre o Opala que dirigia e uma caminhoneta do DNER no quilômetro 374 da BR-135, pouco depois do destroncamento de Congonhas, matou José Pedro de Freitas, 50 anos, o médium brasileiro Zé Arigó. Antônio Ribeiro, que viajava no carona e João Felício de Sousa, que conduzia o carro oficial, também morreram.

Outras efemérides de 11 de janeiro
1972: Caetano Veloso retorna do exílio
1985: Primeira noite do Rock in Rio
1989: Conferência de Paris condena armas químicas

Zé Arigó morreu cumprindo o que chamava de sua missão: curar o que muitos médicos não haviam podido diagnosticar: "Não existe o milagre, no sentido da derrogação das leis da Natureza, criadas pelo próprio Deus. A verdade, aceita até pela ciência médica é que a mente conturbada acarreta para o corpo as mais graves e sérias moléstias. E, como o mais das vezes essa perturbação é de fundo espiritual, é fácil de se concluir que, afastada a causa, pode-se obter sem nenhum milagre, a cura do corpo", sentenciava.

Por mais de 20 anos, Zé Arigó atendeu inúmeras pessoas, encarnando o espírito do Dr. Adolf Fritz, médico alemão morto pelos nazistas. E embora tenha deixado de herança para a família um terço das terras em torno da cidade mineira de Congonhas, jamais recebeu qualquer dinheiro daqueles que recebeu em seu consultório Centro espírita Jesus de Nazareno, a 78 km de Belo Horizonte, embora às vezes acusado de lucrar com a venda de medicamentos que receitava.

Embora poucos lhe negassem o caráter filantrópico, Zé Arigó só arrumou problemas para o cidadão José Pedro de Freitas quando acusado de prática ilegal da Medicina, curandeirismo e atividades mediúnicas, foi condenado em 1959. Concedido o indulto do então Presidente Juscelino Kubitschek no ano seguinte, voltou a enfrentar novo processo, aberto a pedido da Associação Médica de Minas Gerais e do Conselho de Medicina do Estado em em 1961. O processo arrastou-se até 1963, quando foi condenado a 16 meses de reclusão. Sete meses depois, foi libertado por habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal, baseando-se na tese de que a demora no julgamento da apelação o estava prejudicando. Depois de 40 dias de liberdade, o Tribunal da Alçada confirmou a sentença e José Pedro voltou à cadeia. Mas, menos de três meses depois conquistava novamente a liberdade: O STF desta vez anulava a sentença. Durante o período, foram inúmeros os pedidos pela sua libertação.

Zé Arigó quase nunca contestava os médicos. Quando alguém ia ao seu centro e questionava sobre a recomendaçõ médica, respondia: "Se o médico falou, tem que fazer. Ele estudou para isso".

Sincretismo religioso
O padre Vírgilio Rodrigues, pároco de Congonhas, considerava-o um gande homeme. E seu amigo particular, afirmava que os trabalhos do médium em nada prejudicavam a Igreja. A mulher de José Pedro e seus seis filhos, inclusive, foram criados dentro da religião católica. O próprio José Pedro era praticante até descobrir sua mediunidade: "O espírita não é uma pessoa que abandonou o cristianismo; o mais das vezes é um católico que finalmente encontrou Cristo".

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10 de janeiro de 1912: O bombardeio da Cidade de Salvador

O Bombardeio de salvador. Reprodução

As 14h do dia 10 de janeiro de 1912 teve início o bombardeiro à cidade de Salvador. Em poucos minutos estavam destruídos a histórica Sede do Governo, a também centenária Biblioteca Pública, a Câmara e o Quartel da Polícia Militar. Em sequência, travou-se uma verdadeira guerra campal, envolvendo as polícias estaduais e o exército.

O episódio teve repercussão nacional e fez parte de uma série de lutas políticas entre as oligarquias provincianas que marcaram os primeiros anos da República Velha, quando o país vivia um sistema eleitoral viciado.

A investida de Tropas do Exército concentradas no Forte de São Marcelo num bombardeio a Salvador para provocar a renúncia do governador baiano, Aurélio Viana foi resultado de um plano que contou com o apoio da mídia e, inclusive, com a intervenção do governo federal, que buscava instaurar ali lideranças aliadas. A renúncia de Viana acontece em questão de horas. Seu substituto é José Joaquim Seabra, que conta com o apoio do presidente Hermes da Fonseca, adversário de Ruy Barbosa nas urnas.

Poucos dias depois, uma tentativa de Viana retomar ao posto fracassa, sufocada inclusive pela participação popular.

Outras efemérides de 10 de janeiro
1920: Ratificado o Tratado de Paz de Versailles
1957: A poesia de Gabriela Mistral
1985: Daniel Ortega é eleito presidente da Nicarágua


O atentado comprometeu grande parte da memória do estado da Bahia ao destruir uma documentação histórica preciosa da primeira capital do Brasil. Da mesma forma, foram irreparáveis os danos humanos, e até hoje é desconhecido o número de vítimas. Para a política baiana era o início de uma nova era, sob a liderança de José Joaquim Seabra, derrotando antigos mandantes conservadores como Ruy Barbosa, Severino Vieira, Marcelino de Souza e Luiz Vianna.

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9 de janeiro de 1822: O Dia do Fico

"Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto! Digam ao povo que fico". D. Pedro, Príncipe Regente do Brasil
Dia do Fico

A vinda da corte portuguesa para o Brasil foi um acontecimento histórico da máxima importância para o desenvolvimento do país, particularmente para o Rio de Janeiro. A iniciativa de cruzar o o Atlântico, fugindo de uma inevitável invasão napoleônica ao país lusitano, foi uma estratégia de D. João que possibilitou ao Brasil inúmeras vantagens. A mais expressiva delas foi sua elevação de colônia à categoria de Reino Unido, em 1815.

Contudo, alguns anos depois, com as reviravoltas da política européia e o fim da Era Napoleônica, eclodiu em Portugal a chamada Revolução do Porto (1820), fomentada pela elite política de Lisboa. Com receio de perder o trono, D. João decide a volta da Família Real para Portugal em abril de 1821, deixando o Brasil sob a administração provisória de seu filho D. Pedro, na condição de príncipe-regente.

Outras efemérides de 9 de janeiro
1948: Parlamentares eleitos pelo PCB são cassados
1968: Chega à Lua a sonda Surveyor-VII
1980: Sauditas cortam a cabeça de 63

A partida da Família Real do Brasil foi recebida com protesto pelo povo brasileiro que receava o risco de um retrocesso em todos os campos que haviam progredido com a vinda da Família Real para o Brasil: era como voltar ao século XVII. Por outros lado, as cortes de Lisboa, interessadas em manter o Brasil como fonte de exploração, também sinalizaram sua insatisfação com as primeiras medidas tomadas por D. Pedro para administrar o país.

Instaurado um período conturbado no Brasil, D. Pedro passou a sofrer forte pressão para defender os interesses do Brasil em detrimento aos interesses portugueses, até receber um abaixo-assinado com quase oito mil assinaturas, escrito por José Bonifácio, pedindo que desafiasse Portugal e ficasse no Brasil. O texto foi convincente. E a decisão entrou para a história do Brasil em 9 de janeiro de 1922, e ficou conhecida como o "Dia do Fico".

Estava lançada a pedra fundamental do processo de independência do Brasil que culminaria no dia 7 de setembro de 1822.

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8 de janeiro de 1996: Morre François Mitterrand, o homem e a rosa

François Mitterrnd. Reprodução


Um homem com uma rosa vermelha na mão é a imagem de François Mitterrand que ficará na memória dos franceses. Rosas vermelhas simbolizaram as principais vitórias políticas do primeiro presidente - um socialista - que governou a França por dois mandatos inteiros.


Mitterrand, 79 anos - que morreu na manhã de uma segunda-feira de inverno em seu apartamento em Paris, vítima de um câncer na próstata, passava à história, fossem quaisquer seus erros ou recuos que também marcaram seu reinado, como um dos grandes estadistas europeus do século XX. Embora já esperada por grande parte da população, a morte de Mitterrand provocou profunda emoção em todo o país. A reação dos círculos políticos nacionais e internacionais foi unânime em frisar a grandeza do estadista, acima de divergências políticas.
Morre François Mitterrand. Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de janeiro de 1996.

Dos anos Mitterrand, a história guardará ainda a lembrança da adesão dos socialistas à economia de mercado, da liberdade sob todas as formas, mas também do fim dos chamados "trinta anos gloriosos" de crescimento econômico, do desemprego e de um excesso de liberalismo que teve como consequência o agravamento da corrupção nas altas esferas do poder. Ninguém merece mais do que François Mitterrand o epitáfio getulista do sair da vida para entrar na História. Mas, numa de suas últimas entrevistas, ele foi modesto: pediu emprestado o epitáfio do líder social democrata alemão Willy Brandt: "Fiz o que pude".

Outras efemérides de 8 de janeiro
1921: Despojos de Pedro II chegam ao Brasil
1959: A posse do general De Gaulle
1979: Argentina e Chile terminam o conflito do canal de Beagle

Mitterrand começou sua carreira na Resistência durante a Segunda Guerra Mundial e a encerrou presidindo as comemorações pelo fim daquele conflito, em maio de 1995. O sargento de infantaria ferido e capturado em 1940 pelos nazistas tornou-se, nesses 55 anos, um dos estadistas mais respeitados do século. Sua personalidade foi bem resumida nos três apelidos que o acompanharam Esfinge, Faraó e Florentino.

O francês Françoise Maurice Mitterrand nasceu em 26 de outubro de 1916 em Jarnac, filho do ferroviário Joseph e da dona de casa Yvonne. Dedicado aos estudos, formou-se em Letras e Direito pela Universidade de Paris e exerceu o primeiro cargo político em 1946, eleito deputado pelo departamento de Nièvre. ele já estava casdo desde 1944 com Danielle Gouze, companheira de militância na Resistência que o acompanharia pela vida inteira. O casal teve dois filhos, Jean Christophe (1947) e Gilbert (1949).

Em 1947, tornou-se o mais jovem ministro francês a ser nomeado, com 30 anos, para uma pasta dedicada aos ex-combatentes. Nos sete anos seguintes serviu a 10 outros governos. Neste período teve outra de se suas posições controversas, apoiando a manutenção do poder colonial francês sobre a Argélia. em 1958, opôs-se ao plebiscito que levou de Gaulle novamente ao poder e passou para a oposição, fazendo a transição para a esquerda, elegendo-se senador no ano seguinte. Concorreu à presidência em 1965. E em 1971 foi eleito secretário-geral do Partido Socialista, começando a costurar um pacto das esquerdas. Firmado em 1972, o pacto foi às eleições de 1974, vencidas pela direita. Em 1981, quando o conservadorismo subia ao poder nos EUA com Ronald Reagan, Mitterrand foi finalmente eleito.

Suas primeiras decisões apontaram o paraíso socialista para os franceses, com redução da jornada de trabalho, uma quinta semana de férias remuneradas e diminuição da idade da aposentadoria de 65 para 60 anos. No ano seguinte, começou o pesadelo, com a imposição de um programa de austeridade. No campo externo, a estatura Mitterrand arrancava aplausos do Terceiro Mundo, com sua defesa dos direitos do povos à autodeterminação e do desenvolvimento dos países pobres. Frases como "o socialismo é uma forma superior de democrcia e liberdade" procuravam desarmar a desconfiança com seu esuqerdismo, na verdade bem light, pois nem de longe houve as nacionalizações radicais temidas pelo capital. Ele também fez da união da Europa uma de suas maiores bandeiras e o plebiscito para a adesão francesa ao Tratado de Maastricht aconteceu em 1988, ano de sua reeleição para um novo mndato de sete anos, que o levaria a ser o presidente a ficar mais tempo no poder. O sonho acabou em 1992, quando sua doença se tornou pública. Começava sua via crucis.

Morreu sem explicar de forma convincente o período mais obscuro de sua vida, quando era militante da Resistência e da direita, sob o regime de Vichy. No livro Memória a duas vozes, declarou que não sabia das leis antijudaicas de Vichy. Negou ter conhecido o chefe de polícia de Vichy, René Bousquet, mas não justificou o manto de proteção que estendeu sobre ele sempre que possível.

François Mitterrand sempre foi um enigma político e muitos que não souberam decifrá-lo foram devorados, ou quase.

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7 de janeiro de 1835: Eclode a Cabanagem na província do Grão Pará

Gravura representando a tomada de Belém do Pará pelos Cabanos

A Cabanagem paraense foi uma das rebeliões provinciais que eclodiu durante o período regencial (1831-1840) no Brasil. E como em todas as demais, foi motivada por dois objetivos principais: o desejo de autonomia política e administrativa e de implantação de um regime republicano.

A denominação do movimento é uma referência aos participantes do movimento: pobres que viviam em cabanas à beira dos rios, e que eram chamados de cabanos. Negros, mestiços e índios que se dedicavam às atividades de extração de produtos da floresta, e se revoltaram diante da situação de miséria a que estavam submetidos.

Outras efemérides de 7 de janeiro
1977: A Carta 77 - apelo à liberdade
1989: Hiroíto reina por 62 anos
1989: Akihito inicia a “era de paz” no Japão

A Cabanagem originou-se de pequenas revoltas e conflitos sociais que afloraram nas áreas rurais e urbanas da província sob a liderança de nomes como Eduardo Angelim, os irmãos lavradores Francisco Pedro e Antônio Vinagre, o fazendeiro Clemente Malcher, o jornalista Vicente Ferreira Lavor e o padre Batista Campos.

O temor de autoridades nomeadas pelo governo central para governar a província pelo movimento fez com que muitas abandonassem os cargos. Diante da situação, o governo central tomou providências repressivas bastante violentas. A principal previa que os suspeitos de participarem de agitações e revoltas seriam recrutados à força para servir nas tropas governamentais.

Até que na noite de 6 de janeiro de 1835, os cabanos dominaram a capital, Belém, e executaram o presidente da província, além de outras autoridades. A tomada do poder, contudo, foi bem mais fácil que sua manutenção. Divergências, conflitos e traições entre os próprios líderes do movimento fadou a rebelião ao fracasso.

O governo regencial organizou numerosa força militar para enfrentar a rebelião. Comandada por Manuel Jorge Rodrigues, e contando com o apoio do próprio Francisco Vinagre, as tropas do governamentais tomaram Belém. Os cabanos se refugiaram no interior da província e se reorganizaram. Marcharam novamente para Belém, conseguiram restabelecer o controle sobre a cidade e proclamaram a República.

O desfecho de cinco anos de luta intensa entre tropas governamentais e revolucionários teve um saldo de aproximadamente 40 mil mortes.

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6 de janeiro de 2012: 180 anos de Paul Gustave Doré

Gustav Doré. Reprodução
Mais que qualquer outro desenhista, o francês Gustave Doré simbolizou o idealismo da estética romântica e criou em suas gravuras um universo pleno de fantasia e imaginação, traço inovador que o fez o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador de livros de seu tempo, inspiração para as gerações seguintes. Com participação em mais de 200 obras, seus trabalhos fulguram em célebres títulos da literatura do século XIX, entre os quais The Divine Comedy, de Dante Alighieri, Don Quixote, de Miguel de Cervantes, Paradise Lost, de John Milton, The Raven, de Edgar Allan Poe, Gargantua and Pantagruel e Fables of La Fontaine, de Jean de La Fontaine. Embora sem alcançar o mesmo êxito, Gustave também expressou-se na escultura com destaque para o Monumento a Alexandre Dumas, em Paris.
The Divine Comedy, de Dante Alighieri

Don Quixote, de Miguel de Cervantes

Outras efemérides de 6 de janeiro
1963: Brasil desaprova o parlamentarismo
1999: Itamar Franco decreta moratória de Minas Gerais

Nascido em Estrasburgo no dia 6 de janeiro de 1832, Paul-Gustave-Louis-Christhope Doré logo deu mostras de seu extraordinário talento. Em 1848, um ano após transferir-se para Paris, começa a colaborar como ilustrador na revista Journal pour Rire. Mais tarde, publica uma série de livros de litografias, entre os quais projeta-se The Labours of Hercules. Assina também incontáveis ilustrações de passagens bíblicas. A intensa produção ao longo da carreira e o reconhecimento por seu trabalho propiciam uma vida financeira confortável, embora Gustave nunca tenha aberto mão dos trabalho desenvolvidos apenas para seu prazer pessoal.

Em seus últimos anos, ele passa mais tempo em Londres, onde também popular, principalmente pelos notáveis estudos sobre as áreas pobres da cidade, dedica-se principalmente a trabalhos mais sóbrios. Gustave Doré morre pobre em Paris em 23 de janeiro de 1883.

Em 1931, Henri Leblanc publicou um catálogo que procedeu ao inventário completo das obras de Doré, contendo 9.850 ilustrações, 68 libretos musicais, 5 cartazes, 51 litografias originais, 54 sumi-e, 526 desenhos, 283 aquarelas, 133 pinturas e 45 esculturas.

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5 de janeiro de 1998: O assassinato do Bandido da Luz Vermelha

O assassinato do Bandido da Luz Vermelha. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 7 de janeiro de 1998.

Após apenas quatro meses e vinte dias em liberdade, João Acácio Pereira, 55 anos, o Bandido da Luz Vermelha, foi assassinado com um tiro de espingarda, durante uma briga com o pescador Nelson Pinzegher. O crime aconteceu dentro da casa em que João morava, no bairro humilde e populoso de Cubatão, na Zona Norte de Florianópolis, por volta das 22h. O corpo do primeiro brasileiro a cumprir 30 anos de prisão foi encontrado estirado no chão do cômodo que servia de quarto e sala. João tinha no pescoço várias fitas vermelhas, que usava como adorno, e um facão na mão esquerda. Segundo o pescador, assassino confesso, ele agiu em legítima defesa. Sete anos mais tarde, o réu foi absolvido do crime.

O enterro de João Acácio foi financiado pela Prefeitura de Joinville. Só um irmão compareceu, dizendo já esperar por este fim para João: "Ele gostava de dar uma de superior..." O irmão também condenou a libertação de João após cobrir a pena integralmente, alegando os riscos decorrentes de sua inadaptação à vida fora da prisão depois de tanto tempo em clausura.

Outras efemérides de 5 de janeiro
1945: EUA destroem cidades do Japão
1955: Brasil e Bolívia inauguram a ferrovia Corumbá-Santa Cruz
1982: Marilia Pera eleita atriz do ano

Nascido em 24 de junho de 1942, o catarinense João Acácio passou mais tempo dentro de um presídio do que em liberdade. Ainda criança, foi detido diversas vezes por pequenos delitos, quase sempre assaltos. No final da adolescência, seguiu para o litoral paulista e estabeleceu residência na zona portuária de Santos, onde aprimorou-se no crime. A essa altura, já havia desenvolvido uma série de obsessões. A mais forte era com a cor vermelha, que ele associava à força demoníaca.

Embora, os relatos dos primeiros crimes de João Acácio não mencionem violência física, especula-se que a execução de Caryl Chessman (o temido Red Light Bandit) - criminoso norte-americano morto em 1960 numa câmara de gás de uma prisão na Califórnia pela prática de vários crimes sexuais - tenha promovido uma reviravolta em suas atitudes, pois é quando João passa a agir com uma identidade semelhante a do criminoso.

Em agosto de 1967, aos 25 anos, depois de se notabilizar como um dos principais assaltantes de mansões em São Paulo, tornando-se o personagem mais famoso da crônica policial brasileira na década de 60, João Acácio foi preso e condenado a 351 anos de prisão por um quadro formado por assassinatos, tentativas de homicídio e assaltos.
O Bandido da Luz Vermelha, preso em agosto de 1967. Reprodução

Abandonado à própria sorte, João Acácio foi visitado poucas vezes pelos familiares nas três décadas que permaneceu na prisão.

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4 de janeiro de 1965: Morre T. S. Eliot, expoente da poesia moderna e da crítica poética

"A poesia não é uma forma de desabafar a emoção, mas de escapar dela. Não é a expressão da personalidade, mas uma forma de fugir a ela. Mas apenas aqueles que têm personalidade e emoção sabem o significado de querer escapar dessas coisas". T. S. Eliot
T. S. Eliot. Reprodução

Prêmio Nobel da Literatura de 1948, T.S. Eliot, 76 anos, morreu depois de uma longa existência voltada à arte que o escolheu, antes mesmo que ele a elegesse, Eliot indicou, com a sua obra, os rumos modernos da poesia e da crítica poética, tornando-se com o tempo a personificação do poeta.

Outras efemérides de 4 de janeiro
1960: O mundo dá adeus ao escritor Albert Camus
1988: O fim do sofrimento de Henfil

Nota de falecimento de T.S. Eliot. Jornal do Brasil: Terça-feira, 5 de janeiro de 1965.



Thomas Stearns Eliot nasceu em St. Louis, EUA, em 26 de setembro de 1888, e sua formação educacional teve passagens por Harvard, Oxford e Sourbonne.

Em 1914, fascinado pelas coisas do passado, radicou-se na Inglaterra, onde passou a estudar e trabalhar. Editou revistas de alto nível intelectual, como Egoist e Criterion.



Eliot encontrou na fé a paz antes da morte
Seu primeiro trabalho de grande repercussão foi Love Song of Alfred Prufrock (1915), no qual quebrou tabus e convenções de uma poesia herdada do século XIX. A influência recebida dos simbolistas franceses caracterizou-se com clareza nesta obra. Depois foi a vez de do estranho Ara Vos Prec (1919), em que se aproximou da poesia provençal. E finalmente, lançou The Waste Land (1922): obra recebida de início com reserva, mas logo universalmente aplaudida pela crítica. Nela, Eliot estabelecia a oposição entre a beleza da vida antiga, plena de lendas e rituais, e a anárquica futilidade da vida contemporânea, que para ele era como a terra devastada depois dos cataclismos, apontando mais tarde como a única solução para essa aridez a busca da Fé, que o poeta encontrou um dia no anglicismo.

A nova Pátria
Em 1927, Eliot se naturalizou cidadão britânico, reafirmando sua crença de que a salvação neste mundo de terra devastada, podia estar no Cristianismo, que aos seus olhos era encarnado pela Igreja da Inglaterra. Com o poema Ash Wednesday (1930), reforçou as fortes raízes de tradição e religiosidade, que havia deitado em solo inglês. Também como crítico e ensaísta, firmou-se entre os grandes de seu tempo e, seguramente, entre os maiores de língua inglesa. Com a publicação de Four Quartets (1943), que consta de uma meditação, ratificou a respeito da importância do tempo na vida humana e suas implicações com a eternidade.

A consagração veio em 1948 com o Prêmio Nobel de Literatura. Depois ainda vieram Cocktail Party (1950), e uma coletânea de ensaios saudada pela crítica de todo o mundo.

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3 de janeiro de 1903: As primeiras medidas do Prefeito Pereira Passos para o surgimento de uma nova cidade

Jornal do Século, ano de 1903. O Rio rumo à modernidade.

Para que a cidade fosse civilizada, o povo também precisava se civilizar. Por isso, tão logo assumiu a Prefeitura, Pereira Passos decretou uma série de novas leis que prometiam mudar os hábitos dos cariocas. Por determinação do prefeito, ficava proibido cuspir dentro dos bondes e passou a ser obrigatório a disponibilidade de escarradeiras em todas as repartições públicas para uso público. Também tornaram-se proibidas a ordenha de vacas leiteiras nas ruas e a venda de loterias em quiosques, tal como mendigar e atirar polvilho no Carnaval.

Em contrapartida, a Prefeitura também prometeu fazer a sua parte, instalando mictórios públicos em pontos estratégicos da cidade, para que a população não fizesse suas
necessidades próximo aos quiosques.

Era o primeiro capítulo do processo de urbanização do Rio que se estenderia por toda aquela década e culminaria no surgimento de uma nova cidade, sem a morrinha imperial. Ficava claro que o Rio deixaria de ser uma cidade fétida e assolada pelas doenças. No lugar de cemitério de europeus, apelido nada lisonjeiro que a capital da República ganhou, a cidade renasceria como o mais grandioso exemplo da belle époque tropical. Em vez das imundas vielas coloniais e dos cortiços, onde se acumularam epidemias, a Prefeitura passaria a planejar ruas e avenidas largas, e edificações dignas da mais fina arquitetura européia. No lugar de terrenos, praças arborizadas. Para tornar realidade o sonho de uma capital da República, seriam colocados abaixo todos os obstáculos.

Outras efemérides de 3 de janeiro
1942: Os recordes de Maria Lenk
1961: EUA rompem relalções diplomáticas com Cuba

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2 de janeiro de 1977: A música brasileira perde Dilermando Reis

Houve Dino e Meira, há João Gilberto - em cada mão um estilo, uma época. Antes de todos, houve Dilermando Reis, morto aos 60 anos, vítima de colapso cardíaco.

Jornal do Brasil: 4 de janeiro de 1977
Durante quatro décadas seu nome foi quase um sinônimo de violão e ele cumpriu o ciclo possível no Brasil a um músico de seu tempo: fez o interior, a boemia e as serestas das grandes cidades, tocou nas lojas que vendiam partituras e instrumentos musicais, foi artista de rádio, atração nos cassinos, formou sua própria orquestra, compôs, gravou, ensinou.

Outras efemérides de 2 de janeiro

1919: O Tratado de Versalhes
1942: Forças japonesas ocupam Manilha, capital das Filipinas

Amigo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, teve a alegria de poder considerar-se um dos pioneiros da construção de Brasília: "Ajudei a construir, com minhas próprias mãos, o Catetinho. Meu violão foi primeiro ouvido nos céus da nova Capital e fiz também a primeira música em homenagem à cidade que nascia".

Aprendeu a tocar violão ainda criança, com o pai, Francisco Reis. Na adolescência conheceu o concertista cego Levino da Conceição, com quem percorreu o interior do país, até chegar ao Rio já músico formado. Antes de ingressar nas rádios, lecionou e tocou nas casas de música da época, como Bandolim de Ouro e Guitarra de Prata. Num tempo em que a admiração do público convergia muito mais para os cantores do que para os instrumentistas, Dilermando conseguiu manter um programa semanal de meia hora, no qual a atração máxima e única era seu violão, e de 1936 a 1969, quando deixou a Rádio Nacional, esteve sempre entre os artistas mais populares e requisitados. Gravou cerca de 40 discos entre clássicos e populares, reunindo sucessos como 'Alma Nortista', 'Calanguinho', 'Penumbra' e 'Se ela perguntar', a preferida de Juscelino.

16/07/1974: Dilermando Reis.França/CPDoc JB
As parcerias e as admirações musicais

Companheiro de seresta de Francisco Alves e João Petra de Barros, Dilermando era um instrumentalista brasileiríssimo, impecável na execução de valsas e chorinhos.

Admirava muitos dos músicos e autores mais jovens como Baden Powell Carlos Lira, Edu Lobo e Chico Buarque.

Mas não poupava críticas às músicas que considerava meramente comerciais: "Essas músicas de consumo, você a analisa, e não encontra nada, uma parecendo com a outra. Você a ouve porque está muito bem arranjada e muito bem interpretada. Mas ela não fica".

Dilermando ficará.

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1 de janeiro de 1959: Cuba festeja triunfo da Revolução

Triunfa a Revolução Cubana- JB: 3 de janeiro de 59


O primeiro dia de 1959 teve um gosto especial para os cubanos, um gosto de liberdade. Neste dia, um ataque derradeiro das forças rebeldes lideradas por Fidel Castro vencia de vez as tropas do governo de Fulgêncio Batista, forçando o Presidente a fugir derrotado da ilha caribenha, com 200 milhões de dólares no bolso.

Após a derrocada do último foco de resistência estatal, o povo saiu às ruas de Havana em festa, comemorando o fim de um regime marcado pela exclusão social, desvalorização da força de trabalho camponesa, corrupção e descaso com a sociedade.


Revolulçao Cubana


A última batalha entre os guerrilheiros provenientes de Sierra Maestra e o Exército estatal se deu no centro da capital cubana. Cerca de 200 integrantes do Movimento 26 de Julho (M-26) encurralaram os remanescentes simpatizantes de Batista em um prédio do Governo. Armados de pistolas e fuzis e apoiados pelo povo, os homens de Castro triunfaram.


Fidel Castro
Os planos para a retirada de Batista do governo começaram em 1953, quando Fidel Castro e outros guerrilheiros promoveram um ataque armado ao Quartel Moncada, em Santiago, no dia 26 de julho. O ataque foi duramente reprimido pelo exército, causando a morte de cinco pessoas, e produzindo a semente da revolução. Durante seis anos, na prisão, no exílio no México ou até escondido nas florestas de Sierra Maestra, Fidel e Raúl Castro, Che Guevara e outros simpatizantes da guerrilha revolucionária planejaram as operações.

Quando tinham certeza que a população estava preparada para apoiar e contribuir para o levante, os homens do M-26 iniciaram sua expansão. Aos poucos, Cuba foi sendo tomada. No dia do triunfo final, Fidel não estava na capital Havana, mas seu nome já corria na boca do povo. Naquela semana, Castro entregou o poder à população, tornando-se primeiro-ministro do país e prometendo eleições a curto prazo. Em 1976, com as bases do governo de cunho comunista já formadas, Castro foi eleito Presidente de Cuba, permanecendo no cargo até 2008, quando este foi passado a seu irmão, Raúl.

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