27 de janeiro de 1901: E silencia-se Giuseppe Verdi

"I adore art… when I am alone with my notes,
my heart pounds and the tears stream from my eyes,
and my emotion and my joys are too much to bear".
Giuseppe Verdi
Giuseppe Verdi, 87 anos , morreu seis dias após sofrer um derrame no quarto de um hotel, onde estava hospedado e Milão. Em sua homenagem, seu funeral foi conduzido por um combinado de orquestras e coros de toda a Itália, compondo uma das maiores uniões artísticas musicais da história do país.
Outras efemérides de 27 de janeiro
1945: A libertação de Auschwitz
1967: Tragédia na corrida espacial
1973: Acordo põe fim à Guerra do Vietname
Mesmo quem não tem interesse particular por óperas já deve ter ouvido algumas das mais famosas obras de Giuseppe Verdi, como Rigoletto (1851), La Traviata (1853), La forza del destino (1862), Don Carlo (1867), Aida(1871), Otello (1887) e Falstaff (1893)...
Nascido em 10 de outubro de 1813, na pequena cidade italiana de Roncole, Giuseppe Fortunino Francesco Verdi teve que lutar muito para conquistar a admiração mundial. Filho de uma família pobre e inculta, Verdi tentou entrar para o Conservatório de Milão em 1831, mas foi recusado por exceder a idade limite para a admissão. Durante três anos, tomou aulas com um músico do La Scalla até apresentar sua primeira ópera, Oberto, conte di San Bonifacio (1839), escrita sob a influência de Bellini, com razoável sucesso. Mas o fracasso da obra seguinte, Un giorno di regno (1840), somado à morte da mulher e de dois filhos, fez o compositor desistir e jurar nunca mais se aventurar no mundo da ópera.
Para sorte de seus admiradores e da posteridade, no entanto, o sucesso de Nabucco (1842), fez com que ele quebrasse a promessa, marcando o início de uma carreira longa e produtiva. Em 1859, casou-se novamente, com a cantora Giuseppina Strepponi. Em seus últimos anos, dedicou-se à composição de peças corais religiosas.
O Va Pensiero de Nabucco e o nascimento de Verdi
O extraordinário impacto de Nabucco sobre a platéia no La Scalla, onde estreou a 9 de março de 1842, foi ajudado pela situação da Itália na época. Colcha de retalhos dominada parcialmente pelos austríacos, o país andava atrás dos símbolos patrióticos, enquanto crescia o movimento de unificação finalmente vitorioso em 1870. O Va Pensiero de Nabucco transformou-se num desses símbolos, no canto dos italianos oprimidos.
A ópera - e especialmente esse coro - corresponde a uma espécie de "nascimento de Verdi". A música, muito presa a Bellini, ainda não tem a densidade de trabalhos posteriores. Mas o gênio é visível (pela primeira vez) por trás dessas limitações. Verdi já cria impacto - e a abertura da ópera é um bom exemplo da sua teoria da comunicação. O coro famoso, na sua simplicidade, nunca deixa de emocionar; e à medida que a ópera avança, verifica-se como Verdi vai descobrindo os segredos do seu ofício: no acompanhamento de violoncelos para a ária de Zaccaria, na utilização dos trios, quartetos e quintetos vocais, altamente dramáticos, que viriam a ser, com o tempo, uma das marcas registradas do compositor de Aida.
Verdi, descobriria, sobretudo, a arte de utilizar o coro como expressão de anseios populares - uma lição que a Itália da época estava pronta para absorver, o que apressou a identificação de Verdi como um dos símbolos nacionais italianos, até pelas próprias letras do seu nome, que formavam as iniciais de Vittorio Emanuele, Re d´Italia - a fórmula mágica da unificação italiana.









 Gustave Doré 1868.jpg)




