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27 de janeiro de 1901: E silencia-se Giuseppe Verdi

Giuseppe Verdi.

"I adore art… when I am alone with my notes,
my heart pounds and the tears stream from my eyes,
and my emotion and my joys are too much to bear
".
Giuseppe Verdi

Giuseppe Verdi, 87 anos , morreu seis dias após sofrer um derrame no quarto de um hotel, onde estava hospedado e Milão. Em sua homenagem, seu funeral foi conduzido por um combinado de orquestras e coros de toda a Itália, compondo uma das maiores uniões artísticas musicais da história do país.


Outras efemérides de 27 de janeiro
1945: A libertação de Auschwitz
1967: Tragédia na corrida espacial
1973: Acordo põe fim à Guerra do Vietname

Mesmo quem não tem interesse particular por óperas já deve ter ouvido algumas das mais famosas obras de Giuseppe Verdi, como Rigoletto (1851), La Traviata (1853), La forza del destino (1862), Don Carlo (1867), Aida(1871), Otello (1887) e Falstaff (1893)...

Nascido em 10 de outubro de 1813, na pequena cidade italiana de Roncole, Giuseppe Fortunino Francesco Verdi teve que lutar muito para conquistar a admiração mundial. Filho de uma família pobre e inculta, Verdi tentou entrar para o Conservatório de Milão em 1831, mas foi recusado por exceder a idade limite para a admissão. Durante três anos, tomou aulas com um músico do La Scalla até apresentar sua primeira ópera, Oberto, conte di San Bonifacio (1839), escrita sob a influência de Bellini, com razoável sucesso. Mas o fracasso da obra seguinte, Un giorno di regno (1840), somado à morte da mulher e de dois filhos, fez o compositor desistir e jurar nunca mais se aventurar no mundo da ópera.

Para sorte de seus admiradores e da posteridade, no entanto, o sucesso de Nabucco (1842), fez com que ele quebrasse a promessa, marcando o início de uma carreira longa e produtiva. Em 1859, casou-se novamente, com a cantora Giuseppina Strepponi. Em seus últimos anos, dedicou-se à composição de peças corais religiosas.

O Va Pensiero de Nabucco e o nascimento de Verdi

O extraordinário impacto de Nabucco sobre a platéia no La Scalla, onde estreou a 9 de março de 1842, foi ajudado pela situação da Itália na época. Colcha de retalhos dominada parcialmente pelos austríacos, o país andava atrás dos símbolos patrióticos, enquanto crescia o movimento de unificação finalmente vitorioso em 1870. O Va Pensiero de Nabucco transformou-se num desses símbolos, no canto dos italianos oprimidos.

A ópera - e especialmente esse coro - corresponde a uma espécie de "nascimento de Verdi". A música, muito presa a Bellini, ainda não tem a densidade de trabalhos posteriores. Mas o gênio é visível (pela primeira vez) por trás dessas limitações. Verdi já cria impacto - e a abertura da ópera é um bom exemplo da sua teoria da comunicação. O coro famoso, na sua simplicidade, nunca deixa de emocionar; e à medida que a ópera avança, verifica-se como Verdi vai descobrindo os segredos do seu ofício: no acompanhamento de violoncelos para a ária de Zaccaria, na utilização dos trios, quartetos e quintetos vocais, altamente dramáticos, que viriam a ser, com o tempo, uma das marcas registradas do compositor de Aida.

Verdi, descobriria, sobretudo, a arte de utilizar o coro como expressão de anseios populares - uma lição que a Itália da época estava pronta para absorver, o que apressou a identificação de Verdi como um dos símbolos nacionais italianos, até pelas próprias letras do seu nome, que formavam as iniciais de Vittorio Emanuele, Re d´Italia - a fórmula mágica da unificação italiana.

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26 de janeiro de 1931: Morre Graça Aranha, o autor de Canaã

Morre o escritor Graça Aranha. Jornal do Brasil: Terça-feira, 27 de janeiro de 1931
O escritor, jurista e diplomata Graça Aranha, 62 anos, faleceu no início da noite de uma segunda-feira, vítima de um edema pulmonar, no Rio de Janeiro. O Jornal do Brasil, recebeu a notícia quase que ao fechamento de sua edição e fez uma homenagem ao ilustre escritor.

Ele era magistrado, diplomata, romancista, ensaísta, escritor brilhante, às vezes confuso, que escrevia pouco, com muito ruído”, declarou o romancista Afrânio Peixoto.

Outras efemérides de 26 de janeiro
1950: A nova República de Bahrat
1950: Proclamada a República da Índia
1980: O show de Frank Sinatra no Maracanã

José Pereira da Graça Aranha nasceu em 21 de junho de 1868 em São Luíz do Maranhão. Bacharelou-se em direito pela antiga Faculdade do Recife. Atuou como advogado e juiz. Foi membro fundador da Academia Brasileira de Letras e ingressou mais tarde na diplomacia, em cuja carreira se destacou pelos seus dotes de patriotismo de cultura e inteligência.

Tendo divergido do golpe de Estado de Deodoro (1891 – no qual o proclamador da República dissolveu o Congresso e estabeleceu um governo autoritário), Graça Aranha moveu contra o presidente tenaz oposição, razão pela qual foi demitido do cargo que exercia no Rio de Janeiro como procurador. Após o episódio, Aranha partiu para o Espírito Santo, para assumir um posto de juíz municipal em uma cidadezinha do interior do estado, oportunidade que lhe rendeu material para o seu trabalho mais reconhecido, Canaã, publicado com grande sucesso editorial em 1902.

Como diplomata, Graça Aranha foi delegado do Brasil em várias missões, incluindo uma à França durante a Primeira Guerra, que o inspirou para escrever outro romance conhecido, “Malazarte”, de 1915. Em 1922 participou da Semana de Arte Moderna e em 1924 rompeu com a Academia Brasileira de Letras, acusando-a de imobilismo literário.

Precursor do futurismo no Brasil, Graça Aranha ainda foi, na última fase da sua atividade literária, combatido, não apenas pelos adeptos da escola, mas também por muitos dos novos futuristas, principalmente entre os que criaram a corrente denominada antropofagismo.

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22 de janeiro de 1977: Maysa morre em desastre na Ponte Rio-Niterói

Jornal do Brasil: Maysa morre em acidente

A cantora Maysa, 40 anos, morreu quando o carro que dirigia bateu contra a mureta central que divide as duas pistas da Ponte Rio-Niterói. Ela seguia para Barra de Maricá onde iria passar o fim de semana em sua casa. Os pais de Maysa disseram que ela não dormia havia cinco dias devido a doses de remédio para emagrecer.

A intérprete e compositora de músicas melancólicas e de dor-de-cotovelo começou a carreira aos 12 anos, quando compôs o samba-canção Adeus. Maysa nasceu no Rio e mudou-se aos 3 anos com a família para São Paulo. Aos 18 anos, casou-se com o milionário paulista André Matarazzo, 20 anos mais velho, e passou a cantar raramente em festas de família. Em 1956, grávida do seu único filho, conheceu o produtor Roberto Corte Real, que a levou para gravar um disco. Nesse LP foi lançada a música Meu mundo caiu, um dos seus maiores sucessos como compositora. A renda obtida com as vendas foi doada por insistência do marido a uma campanha contra o câncer.

O casamento de Maysa e André durou dois anos. O fim da união abalou profundamente a cantora, acentuando a sua depressão, que a levou a exceder-se na bebida, no uso de calmantes e a engordar 38 quilos. "Canto porque sou uma angustiada", revelou em um dos shows que fez no Cassino Estoril, em Portugal. Temperamental, confessou em entrevista a O Pasquim que jogara o microfone na cabeça de um espectador que insistia em fumar charuto próximo ao palco.

A convite de Ronaldo Bôscoli veio para o Rio, em 1960, estrear um programa de TV e gravar um disco. No mesmo ano, lançou o LP O Barquinho, que se tornou um marco da bossa nova, um gênero musical diferente do qual estava acostumada a cantar. Os músicos que a acompanharam – Luiz Eça, Hélcio Milito, Bebeto Castilho e Roberto Menescal – formariam mais tarde o famoso Tamba Trio.

O regresso depois de longa turnê
O sucesso do disco O Barquinho rendeu a Maysa uma longa turnê pelo Brasil, além de espetáculos na Argentina e no Uruguai. Em seguida partiu para fazer apresentações na Europa e nos Estados Unidos. De volta ao Brasil, quatro anos depois e 26 quilos mais magra, participou de novelas, programas de TV e fez shows.

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19 de janeiro de 1982: Morre Elis Regina. Calou-se a voz mais alegre do Brasil

"Amor, não tem que se acabar
Eu quero e sei que vou ficar
Até o fim, eu vou te amar
Até que a vida em mim resolva se apagar...
"
Elis Regina. Ari Gomes

"A voz de Elis Regina é como diamante: puro, frio e cortante".
J. R. Tinhorão

A cantora Elis Regina, 36 anos, uma das mais celebradas intérpretes de sua geração, morreu em São Paulo, depois de sofrer uma parada cardíaca. A notícia de uma perda tão precoce para a música brasileira, pegou de surpresa uma legião de admiradores, e causou comoção no país, naquele verão de 1982. Seu corpo foi velado no Teatro Bandeirantes, na presença de milhares de fãs, que prestavam à sua maneira uma última homenagem à Elis.

Elis deixou três filhos, João Marcelo, de seu primeiro casamento com o compositor Ronaldo Bôscoli; Pedro e Maria Rita, de seu casamento com César Camargo Mariano. Os três seguiram seus os passos no meio musical.

Outras efemérides de 19 de janeiro
2012: 70 anos de Nara Leão, a Musa da Bossa Nova
1958: A morte do Marechal Cândido Rondon
1966: Indira Gandhi é eleita primeira-ministra
1991: Inicia-se a segunda edição do Rock in Rio

Brasil perde a voz de Elis Regina. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 20 de janeiro de 1982

Cantora com temperamento forte, a gaúcha Elis Regina Carvalho da Costa ganhou logo no começo de sua carreira o apelido de Pimentinha, devido ao gênio difícil. Mas seu trabalho sempre foi sinônimo de qualidade elevadíssima no plano vocal. Rompeu dois casamentos oficiais e nos últimos tempos namorava o advogado defensor de presos políticos, Samuel McDowell.

Excessivamente franca, teve ao longo de sua trajetória, muitos desafetos, por causa de suas opiniões desabusadas, às vezes impertinentes, outras vezes contraditórias, mas sempre muito sinceras. Como artista, está entre as pouca que podem se orgulhar de deixar marca tão forte em tudo quanto interpretou ao logo de sua carreira musical, iniciada aos 11 anos de idade, quando se apresentou na Rádio Farroupilha, de Porto Alegre, sua cidade natal. O fôlego da cantora levou-a ao Beco das Garrafas no Rio, onde foi imediatamente erigida em estandarte da Bossa Nova, até que descoberta por Armando Pittigliani foi contratada para gravar pela Philips.

Em sua obra nunca faltou a universalidade. Num de seus mais perfeitos trabalhos, Elis regravou o repertório de Tom Jobim, com instrumentistas refinados como Oscar Castro Neves, Hélio Delmiro, Luizão, César Camargo e a regência do americano Bill Hitchcock.

A voz que se calou era exclusiva de seu talento interpretativo.

Assista abaixo a versão em vídeo.


Veja também

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19 de janeiro de 2012: 70 anos de Nara Leão, a Musa da Bossa Nova

70 anos de Nara Leão. Teixeira

"Mas agora, meu bem, vou-me embora
Vou-me embora, e não sei se vou voltar
A saudade, nas noites de frio,
Em meu peito vazio virá se aninhar
A saudade é dor pungente, morena...
"

Nara Leão nasceu no dia 19 de janeiro de 1942 em Vitória, Espírito Santo. Gravou 30 LPs, ao longo da sua carreira, com repertórios variados e uma interpretação muito pessoal. Não possuía grande extensão vocal, mas era muito afinada. A jovem tímida, que ganhou um violão aos 12 anos, construiu uma trajetória musical sólida na qual sempre apostou nos movimentos de vanguarda e de protesto.

Nara fez parte do grupo que criou a bossa nova, mas foi eternizada a musa do ritmo que mudou a MPB.

Outras efemérides de 19 de janeiro
1982: Morre Elis Regina. Calou-se a voz mais alegre do Brasil
1958: A morte do Marechal Cândido Rondon
1966: Indira Gandhi é eleita primeira-ministra
1991: Inicia-se a segunda edição do Rock in Rio

70 anos de Nara Leão. Teixeira


Nara Leão rompeu com definitivamente com o movimento em 1964, ao abraçar o samba mais tradicional - mas nunca perdeu o título de Musa da Bossa Nova.

As reuniões na casa de seus pais, no Posto 4, em Copacabana, das quais participaram Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra, Roberto Menescal, entre outros, ajudaram a demolir a tendência dor-de-cotovelo que prevalecia na música brasileira no fim dos anos 50. Antes mesmo que Nara começasse a cantar profissionalmente, já ganhava presentes em forma de canção: O barquinho, Se é tarde, me perdoa e Lobo bobo, que viraram clássicos da Bossa Nova.

Sua estréia para valer, diante do público, aconteceu em mais um show antológico, em 1963: no pequeno palco do Au Bon Gourmet, cantou ao lado de Vinicius de Moraes e Carlos Lyra, no espetáculo Pobre menina rica. No ano seguinte, gravou o disco Nara, produzido por Aloysio de Oliveira para o selo Elenco. Foi uma ponte entre o samba tradicional e sofisticado - Nelson Cavaquinho, Zé Keti, Cartola e Elton medeiros - e o novo som de Baden Powell, Carlisnhos Lyra e Moacyr Santos.

Esteve ligada a outros movimentos musicais, como o Tropicalismo, tendo sido responsável pelo lançamento de vários compositores novos e pelo resgate de outros veteranos, realizando um mapeamento da música popular brasileira e destacando-se pela excelência de seu repertório.

Leia também
11 de dezembro de 1964: O Show Opinião
7 de junho de 1989: Morre Nara Leão, a musa de todas as bossas

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14 de janeiro de 1996: "Arquivos implacáveis" perdem o seu criador João Condé

João Condé. Reprodução

Os arquivos mais surpreendentes da literatura brasileira perderam seu mentor. O arquivista e conservador da memória brasileira João Condé, 83 anos, morreu as 20h45 de um domingo no Hospital Samaritano.

Condé não resistiu após 28 dias em coma decorrente do insucesso de uma angioplastia para desobstruir uma coronária. Durante o procedimento, com a pressão alta devido ao nervosismo da internação, sofreu um derrame cerebral. Dias depois, após pequena melhora, uma parada cardíaca o levou ao estado de coma profundo.

Outras efemérides de 14 de janeiro
1942: A Conferência interamericana
1957: Hollywood perde Humphrey Bogart
1994: Ucrânia abre mão de seu arsenal nuclear

João Condé nasceu em Caruaru, Pernambuco, no dia 22 de outubro de 1917, irmão dos escritores José Condé (1918-1971) e Elísio Condé (1906-1993). Ao contrário dos irmãos, nunca seguiu a carreira literária. "Meu irmão era escritor, mas eu, como autor, seria medíocre. Então, nela (literatura) ingressei como colecionador e hoje posso dizer, sem modéstia, que sou um dos maiores".

Condé guardou em um apartamento reservado apenas com este propósito em Botafogo, na zona sul do Rio, um extenso arquivo com raridades da literatura brasileira, como manuscritos, inéditos, cartas, diários íntimos e ilustrações. Tinha pastas e livros encadernados até no quarto de empregada e costumava servir um licorzinho a quem o visitava para pesquisas.

Amigo de muitos autores, fez questão de guardar desde bilhetes até originais manuscritos de romances, como Vidas Secas e Infância, de Graciliano Ramos, Fogo morto, de José Lins do Rêgo, e Rio Branco, de Álvaro Lins. O poeta Carlos Drummond de Andrade, outro grande amigo, batizou a coleção de Arquivos implacáveis. O nome pegou. Condé manteve, durante 19 anos, uma coluna com o mesmo nome na extinta Revista O Cruzeiro, onde publicava algumas de suas raridades.

Certa vez, ao ser questionado sobre a morte, respondeu: Não temo a morte. Por que sobrei? Espero, porém, que Millôr Fernandes, Otto Lara, Fernando Sabino, Lêdo Ivo, Autran Dourado, Renato Archer, Sebastião Lacerda, José Gueiros, Álvaro Pacheco, José Sarney, Abreu Sodré, Walter Fontoura, Glória Machado e Vivi Nabuco me deixem uma rosa amarela no túmulo. Gostei de tantas pessoas, sem ter tido a oportunidade de fazê-las meus amigos", disse Condê, que deixou quatro filhos, a viúva Carmen de Freitas Guimarães Condé, e quatro netos. Era advogado aposentado como promotor do Estado, e fundou com os irmãos, em 1949, o Jornal de Letras, que durou até 1993.

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13 de janeiro de 1941: Literatura dá adeus a James Joyce, o poeta irlandês expatriado

James Joyce. Reprodução

" Os erros são os portais do descobrimento". James Joyce
O escritor James Joyce, 58 anos, morreu de úlcera duodenal perfurada e peritonite generalizada, durante uma operação para salvar sua vida. Está enterrado no Cemitério de Fluntern, em Zurique, na Suíça.

Outras efemérides de 13 de janeiro
1937: Reformas na Educação
1972: As conquistas de Mequinho
1991: Congresso dos EUA aprova guerra contra o Iraque

Considerado um dos maiores escritores da língua inglesa do século XX, James Augustine Aloysius Joyce nasceu em Dublin, na Irlanda no dia 2 de fevereiro de 1882, numa família católica e rica. Educado em colégio de jesuítas, em 1902, foi para Paris estudar medicina, curso que abandonou meses depois. Retornou à Irlanda em 1903, mas, no ano seguinte, mudou-se para Trieste, na Itália, onde fez amizade com o escritor Italo Svevo. Com a guerra, refugiou-se em Zurique, na Suíça, até voltar a Paris em 1920, com breve passagem pela Itália.

A vida de andarilho não impediu a produção literária do escritor. A publicação de seu primeiro ensaio, Ibsen´s New Drama (1900) despertou o interesse da crítica. Depois da estréia, lançou vários livros, entre eles Chamber Music (1907), Dubliners (1914), Giacomo Joyce (1916), Portrait of the Artist as a Young Man (1916) e seu último livro Finnegans Wake (1939). Seu principal trabalho, no entanto, estava reservado para a obra Ulysses (1922): o livro é o relato de apenas um dia, 16 de junho de 1904, na vida de dois personagens principais, Leopold Bloom e Stephen Dedalus, que perambulam pelas ruas e tabernas de Dublin.

No fim da vida, devido a problemas de saúde e à invasão de Paris pelos nazistas alemães, em 1940, James Joyce voltou a se exilar em Zurique, onde acabou morrendo, dono de vasta obra literária.

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11 de janeiro de 1971: Acidente de carro mata médium Zé Arigó. Missão encerrada.

O médium Zé Arigó. Reprodução.

Um choque violento entre o Opala que dirigia e uma caminhoneta do DNER no quilômetro 374 da BR-135, pouco depois do destroncamento de Congonhas, matou José Pedro de Freitas, 50 anos, o médium brasileiro Zé Arigó. Antônio Ribeiro, que viajava no carona e João Felício de Sousa, que conduzia o carro oficial, também morreram.

Outras efemérides de 11 de janeiro
1972: Caetano Veloso retorna do exílio
1985: Primeira noite do Rock in Rio
1989: Conferência de Paris condena armas químicas

Zé Arigó morreu cumprindo o que chamava de sua missão: curar o que muitos médicos não haviam podido diagnosticar: "Não existe o milagre, no sentido da derrogação das leis da Natureza, criadas pelo próprio Deus. A verdade, aceita até pela ciência médica é que a mente conturbada acarreta para o corpo as mais graves e sérias moléstias. E, como o mais das vezes essa perturbação é de fundo espiritual, é fácil de se concluir que, afastada a causa, pode-se obter sem nenhum milagre, a cura do corpo", sentenciava.

Por mais de 20 anos, Zé Arigó atendeu inúmeras pessoas, encarnando o espírito do Dr. Adolf Fritz, médico alemão morto pelos nazistas. E embora tenha deixado de herança para a família um terço das terras em torno da cidade mineira de Congonhas, jamais recebeu qualquer dinheiro daqueles que recebeu em seu consultório Centro espírita Jesus de Nazareno, a 78 km de Belo Horizonte, embora às vezes acusado de lucrar com a venda de medicamentos que receitava.

Embora poucos lhe negassem o caráter filantrópico, Zé Arigó só arrumou problemas para o cidadão José Pedro de Freitas quando acusado de prática ilegal da Medicina, curandeirismo e atividades mediúnicas, foi condenado em 1959. Concedido o indulto do então Presidente Juscelino Kubitschek no ano seguinte, voltou a enfrentar novo processo, aberto a pedido da Associação Médica de Minas Gerais e do Conselho de Medicina do Estado em em 1961. O processo arrastou-se até 1963, quando foi condenado a 16 meses de reclusão. Sete meses depois, foi libertado por habeas-corpus do Supremo Tribunal Federal, baseando-se na tese de que a demora no julgamento da apelação o estava prejudicando. Depois de 40 dias de liberdade, o Tribunal da Alçada confirmou a sentença e José Pedro voltou à cadeia. Mas, menos de três meses depois conquistava novamente a liberdade: O STF desta vez anulava a sentença. Durante o período, foram inúmeros os pedidos pela sua libertação.

Zé Arigó quase nunca contestava os médicos. Quando alguém ia ao seu centro e questionava sobre a recomendaçõ médica, respondia: "Se o médico falou, tem que fazer. Ele estudou para isso".

Sincretismo religioso
O padre Vírgilio Rodrigues, pároco de Congonhas, considerava-o um gande homeme. E seu amigo particular, afirmava que os trabalhos do médium em nada prejudicavam a Igreja. A mulher de José Pedro e seus seis filhos, inclusive, foram criados dentro da religião católica. O próprio José Pedro era praticante até descobrir sua mediunidade: "O espírita não é uma pessoa que abandonou o cristianismo; o mais das vezes é um católico que finalmente encontrou Cristo".

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6 de janeiro de 2012: 180 anos de Paul Gustave Doré

Gustav Doré. Reprodução
Mais que qualquer outro desenhista, o francês Gustave Doré simbolizou o idealismo da estética romântica e criou em suas gravuras um universo pleno de fantasia e imaginação, traço inovador que o fez o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador de livros de seu tempo, inspiração para as gerações seguintes. Com participação em mais de 200 obras, seus trabalhos fulguram em célebres títulos da literatura do século XIX, entre os quais The Divine Comedy, de Dante Alighieri, Don Quixote, de Miguel de Cervantes, Paradise Lost, de John Milton, The Raven, de Edgar Allan Poe, Gargantua and Pantagruel e Fables of La Fontaine, de Jean de La Fontaine. Embora sem alcançar o mesmo êxito, Gustave também expressou-se na escultura com destaque para o Monumento a Alexandre Dumas, em Paris.
The Divine Comedy, de Dante Alighieri

Don Quixote, de Miguel de Cervantes

Outras efemérides de 6 de janeiro
1963: Brasil desaprova o parlamentarismo
1999: Itamar Franco decreta moratória de Minas Gerais

Nascido em Estrasburgo no dia 6 de janeiro de 1832, Paul-Gustave-Louis-Christhope Doré logo deu mostras de seu extraordinário talento. Em 1848, um ano após transferir-se para Paris, começa a colaborar como ilustrador na revista Journal pour Rire. Mais tarde, publica uma série de livros de litografias, entre os quais projeta-se The Labours of Hercules. Assina também incontáveis ilustrações de passagens bíblicas. A intensa produção ao longo da carreira e o reconhecimento por seu trabalho propiciam uma vida financeira confortável, embora Gustave nunca tenha aberto mão dos trabalho desenvolvidos apenas para seu prazer pessoal.

Em seus últimos anos, ele passa mais tempo em Londres, onde também popular, principalmente pelos notáveis estudos sobre as áreas pobres da cidade, dedica-se principalmente a trabalhos mais sóbrios. Gustave Doré morre pobre em Paris em 23 de janeiro de 1883.

Em 1931, Henri Leblanc publicou um catálogo que procedeu ao inventário completo das obras de Doré, contendo 9.850 ilustrações, 68 libretos musicais, 5 cartazes, 51 litografias originais, 54 sumi-e, 526 desenhos, 283 aquarelas, 133 pinturas e 45 esculturas.

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4 de janeiro de 1965: Morre T. S. Eliot, expoente da poesia moderna e da crítica poética

"A poesia não é uma forma de desabafar a emoção, mas de escapar dela. Não é a expressão da personalidade, mas uma forma de fugir a ela. Mas apenas aqueles que têm personalidade e emoção sabem o significado de querer escapar dessas coisas". T. S. Eliot
T. S. Eliot. Reprodução

Prêmio Nobel da Literatura de 1948, T.S. Eliot, 76 anos, morreu depois de uma longa existência voltada à arte que o escolheu, antes mesmo que ele a elegesse, Eliot indicou, com a sua obra, os rumos modernos da poesia e da crítica poética, tornando-se com o tempo a personificação do poeta.

Outras efemérides de 4 de janeiro
1960: O mundo dá adeus ao escritor Albert Camus
1988: O fim do sofrimento de Henfil

Nota de falecimento de T.S. Eliot. Jornal do Brasil: Terça-feira, 5 de janeiro de 1965.



Thomas Stearns Eliot nasceu em St. Louis, EUA, em 26 de setembro de 1888, e sua formação educacional teve passagens por Harvard, Oxford e Sourbonne.

Em 1914, fascinado pelas coisas do passado, radicou-se na Inglaterra, onde passou a estudar e trabalhar. Editou revistas de alto nível intelectual, como Egoist e Criterion.



Eliot encontrou na fé a paz antes da morte
Seu primeiro trabalho de grande repercussão foi Love Song of Alfred Prufrock (1915), no qual quebrou tabus e convenções de uma poesia herdada do século XIX. A influência recebida dos simbolistas franceses caracterizou-se com clareza nesta obra. Depois foi a vez de do estranho Ara Vos Prec (1919), em que se aproximou da poesia provençal. E finalmente, lançou The Waste Land (1922): obra recebida de início com reserva, mas logo universalmente aplaudida pela crítica. Nela, Eliot estabelecia a oposição entre a beleza da vida antiga, plena de lendas e rituais, e a anárquica futilidade da vida contemporânea, que para ele era como a terra devastada depois dos cataclismos, apontando mais tarde como a única solução para essa aridez a busca da Fé, que o poeta encontrou um dia no anglicismo.

A nova Pátria
Em 1927, Eliot se naturalizou cidadão britânico, reafirmando sua crença de que a salvação neste mundo de terra devastada, podia estar no Cristianismo, que aos seus olhos era encarnado pela Igreja da Inglaterra. Com o poema Ash Wednesday (1930), reforçou as fortes raízes de tradição e religiosidade, que havia deitado em solo inglês. Também como crítico e ensaísta, firmou-se entre os grandes de seu tempo e, seguramente, entre os maiores de língua inglesa. Com a publicação de Four Quartets (1943), que consta de uma meditação, ratificou a respeito da importância do tempo na vida humana e suas implicações com a eternidade.

A consagração veio em 1948 com o Prêmio Nobel de Literatura. Depois ainda vieram Cocktail Party (1950), e uma coletânea de ensaios saudada pela crítica de todo o mundo.

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2 de janeiro de 1977: A música brasileira perde Dilermando Reis

Houve Dino e Meira, há João Gilberto - em cada mão um estilo, uma época. Antes de todos, houve Dilermando Reis, morto aos 60 anos, vítima de colapso cardíaco.

Jornal do Brasil: 4 de janeiro de 1977
Durante quatro décadas seu nome foi quase um sinônimo de violão e ele cumpriu o ciclo possível no Brasil a um músico de seu tempo: fez o interior, a boemia e as serestas das grandes cidades, tocou nas lojas que vendiam partituras e instrumentos musicais, foi artista de rádio, atração nos cassinos, formou sua própria orquestra, compôs, gravou, ensinou.

Outras efemérides de 2 de janeiro

1919: O Tratado de Versalhes
1942: Forças japonesas ocupam Manilha, capital das Filipinas

Amigo do ex-presidente Juscelino Kubitschek, teve a alegria de poder considerar-se um dos pioneiros da construção de Brasília: "Ajudei a construir, com minhas próprias mãos, o Catetinho. Meu violão foi primeiro ouvido nos céus da nova Capital e fiz também a primeira música em homenagem à cidade que nascia".

Aprendeu a tocar violão ainda criança, com o pai, Francisco Reis. Na adolescência conheceu o concertista cego Levino da Conceição, com quem percorreu o interior do país, até chegar ao Rio já músico formado. Antes de ingressar nas rádios, lecionou e tocou nas casas de música da época, como Bandolim de Ouro e Guitarra de Prata. Num tempo em que a admiração do público convergia muito mais para os cantores do que para os instrumentistas, Dilermando conseguiu manter um programa semanal de meia hora, no qual a atração máxima e única era seu violão, e de 1936 a 1969, quando deixou a Rádio Nacional, esteve sempre entre os artistas mais populares e requisitados. Gravou cerca de 40 discos entre clássicos e populares, reunindo sucessos como 'Alma Nortista', 'Calanguinho', 'Penumbra' e 'Se ela perguntar', a preferida de Juscelino.

16/07/1974: Dilermando Reis.França/CPDoc JB
As parcerias e as admirações musicais

Companheiro de seresta de Francisco Alves e João Petra de Barros, Dilermando era um instrumentalista brasileiríssimo, impecável na execução de valsas e chorinhos.

Admirava muitos dos músicos e autores mais jovens como Baden Powell Carlos Lira, Edu Lobo e Chico Buarque.

Mas não poupava críticas às músicas que considerava meramente comerciais: "Essas músicas de consumo, você a analisa, e não encontra nada, uma parecendo com a outra. Você a ouve porque está muito bem arranjada e muito bem interpretada. Mas ela não fica".

Dilermando ficará.

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