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Morre Millor Fernandes

Millor Fernandes durante entrevista ao Jornal do Brasil, por Cynthia Brito/CPDoc JB

"Morrer é uma coisa que se deve deixar sempre para depois". Com este pensamento Millôr Fernandes viveu 88 anos bem vividos antes de que sua saga chegasse ao fim em decorrência de falência múltipla dos órgãos e parada cardíaca.

"Não vou apresentar Millôr Fernandes: quem o conhece sabe que eu teria que escrever várias páginas para apresentar uma figura tão variada em atividades e talentos". Faço dessas palavras de Clarice Lispector, citadas na abertura de uma entrevista do início dos anos 70 feita ao artista, o prefácio para lembrar um pouco da trajetória de Millôr. Até porque, mencioná-lo como um dos grandes humoristas que o país já fez, é confirmar o óbvio.

Graficamente, Millôr foi um conjunto de traços intencionalmente mal-acabados, agressivos, coloridos. Textualmente foi irreverente, inúmeras vezes virulento, construído sobre o humor das situações sociais, políticas e religiosas, o que lhe rendeu bastante indisposição contra censores nos encrudescidos anos de chumbo. Mas deixemos prevalecer a sua (dele) própria definição: "Estou sempre contra e solto. Eu faço de tudo. Minha busca é total!"

Modesto?! Não coube a Millôr ser modesto. Diante das tantas peripércias em que se aventurou, por que ser modesto? Sem estilo, sem medo e sem papas na língua, o dono de uma versatilidade admirável, foi pintor, poeta, autor de teatro, compositor... deixando uma generosa contribuição para a cultura brasileira.

Millor Fernandes nasceu Milton Viola Fernandes em 16 de agosto de 1923. Carioca do Méier, leonino metódico, ainda menino ficou órfão de pai e mãe, e logo separado de três irmãos, aprendeu a ser feroz defensor de sua vida, habituando-se a batalhar cada passo e a traçar o seu destino. Uma realidade bastante distante da até então família classe média com um casarão na Zona Norte da cidade. Naquela época, sem dúvida, nenhum cientista social apostaria em seu futuro promissor... Eram tempos da pobreza envergonhada, que marcariam sua história. Mas engana-se que ousou pensar que estas agruras o fizeram amargo. Muito pelo contrário. Soube como poucos fazer humor, sorvendo da vida o que valia a pena, se dando o luxo de viver fazendo o que gostava. Sim, havia doses de causticidade, às vezes, cavalares.

Foi no fim da adolescência que virou Millôr, uma brincadeira com a sua própria assinatura. Achou mais sonoro, artístico do que Milton. Estava certo. Nessa época ingressou no jornalismo. Atribuia a Tio Viola, chefe da gráfica da revista 'O Cruzeiro', este mérito. A publicação, uma das mais concorridas da época, rendeu-lhe projeção no meio da mídia e abriu portas para novos vôos.Lá permaneceu até 1962, quando foi demitido pelo escândalo que causou com a publicação da A verdadeira história do paraíso, encerrando uma história de 25 anos de colaboração.

Em jornais passou pelo Diário da Noite, O Jornal e o Última Hora, antes de - no final dos anos 1960 - tornar-se um dos fundadores do "O Pasquim", semanário reconhecido por seu humor ousado e inteligente, ativo instrumento de combate ao regime militar. Conciliava com a experiência a autoria de diversos tipos de peças teatrais, fase em que se tornou também o principal tradutor das obras de William Shakespeare no país.

No início de fevereiro de 1985, passou a colaborador do Jornal do Brasil, com espaço cativo na seção Opinião na página 11 - onde não poupou em suas frases e desenhos temperados com seu habitual humor sútil e enxuto. Trabalho que realizou com um perfeccionismo irremediável até 24 de novembro de 1992, quando comunicou aos seus leitores que sairia de férias para descansar um pouco. Em carta enviada ao editor, entretanto, disse que não voltaria por discordar da publicação de críticas de leitores que não fossem "importantes" ou "respeitáveis pela argumentação". Esse era Millôr...

Na literatura, foram inúmeros títulos de sucesso, entre eles Trinta anos de mim mesmo, Que país é este?, Ministério das perguntas cretinas e Fábulas fabulosas.

Certa vez, Millôr foi questionado: _"Medo de morrer"?
Não titubeou, foi certeiro:_"Não. A eternidade deve ser pior do que morrer..."

Agora, onde quer que esteja, deve estar rindo de tudo, de todos e de si mesmo.

Frases da coleção de Millôr:
"Divagar e sempre".
"Mesmo quando escrevo sem intenção de fazer humor, as pessoas riem".
"Nunca pertenci a partidos políticos, nunca fui escoteiro, nunca fui religioso e nunca tive problemas sexuais".
"Achar que podemos deixar alguém nos restringir parcialmente a liberdade é igual achar que podemos perder parcialmente a virgindade".
"Quem se curva aos opressores mostra o traseiro aos oprimidos".
"Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem".
"Não sou mestre. Na verdade me acho um semestre".

Artigos do JB sobre Millôr:
Millôr - fazendo rir, apesar da censura. Caderno B: Sexta-feira, 27 de maio de 1977.
Millôr - 35 anos de jornalismo. Caderno B: Terça-feira, 22/08/1978.
Enfim, um atleta com estilo. Caderno B: Segunda-feira, 18/05/1981.
Vidigal, de Millôr Fernandes. Caderno B: Quarta-feira, 16/06/1982.
Millôr solta o verbo. Ideias: Sábado: 7/11/1987.

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27 de março de 1972: Morre M. C. Escher, o mágico da arte gráfica

Exposição O Mundo de Escher chega ao Rio. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1980.
Maurits Cornelis Escher morreu no Hospital Hilversum quando ainda não tinha completado 74 anos. Dono de uma saúde desde sempre inspiradora de cuidados, viveu os últimos anos na Holanda, terra natal para onde voltou, depois de percorrer o mundo, criando um legado artístico de tempos e espaços fantásticos, resultado de sua experiência visual.

"Deus não pode existir sem o mal, e desde que se aceite a ideia da existência de Deus, tem-se de aceitar, também, a do mal. É uma questão de equilíbrio. Esta dualidade é a minha vida". M. C. Escher

Outras efemérides de 27 de março
1965: Inaugurada a Ponte da Amizade
1973: Marlon Brando recusa a Oscar
1992: África do Sul suspende pena de morte

Com estas palavras, Escher parece ter definido bem o temperamento de homem e artista, explicando os contrastes que sempre caracterizaram seus trabalhos em xilogravuras, litografias, a predileção pelo preto e branco, a dualidade e até um certo antagosnimo encontráveis nos títulos de algumas de suas obras, como Dia e Noite e Alto e Baixo.

Reprodução da Obra: A Casa de Escher.


São construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilusões de óptica.



Uma de suas técnicas mais fabulosas é a replicação de formas que se entrelaçam a outras repetidas vezes, formando belos padrões geométricos. A partir de uma malha de polígonos, regulares ou não, surgiram figuras de homens, peixes, aves, lagartos, todos envolvidos de tal forma que nenhum poderia mais se mexer. Tudo representado num plano bidimensional.

Destacam-se também os trabalhos do artista que exploram o espaço. Escher brincava com o fato de ter que representar o espaço, que é tridimensional, num plano bidimensional, como a folha de papel. Com isto ele criava figuras impossíveis, representações distorcidas, paradoxos.

Foi assim que a surpreendente obra de Escher conquistou e impressionou uma legião de admiradores, despertando a curiosidade e estimulando sua reflexão.

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26 de março de 1980: Morre Roland Barthes

Morre o professor Roland Barthes. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 27 de março de 1980.

"A escrita é um ato de solidariedade histórica. A língua e o estilo são objetos, mas a escrita é uma função: constitui uma relação entre a criação e a sociedade". Roland Barthes

Roland Barthes, 64 anos, morreu no início da tarde no Hospital da Pitié-Salpetriere, após lutar por mais de quatro semanas para sobreviver a um acidente de trânsito, no qual acabou atropelado por uma caminhoneta. Gravemente ferido na cabeça e nos pulmões, foi induzido a uma traqueostomia. Acabou sucumbindo a uma infecção generalizada, a qual não resistiu.

A vida deste professor de Semiologia, que influenciou várias gerações de estudantes de todos os continentes (entre outros, de vários brasileiros), deste escritor que foi uma figura de destaque na crítica literária do pós-guerra, e para alguns, um dos maiores escritores de nosso tempo, terminava assim tão prematura quanto estupidamente.

Outras efemérides de 26 de março
1971: Bangladesh proclama sua independência
1977: 150 anos da morte de Beethoven
1991: O Tratado de Assunção

Nascido em 12 de novembro de 1915, em Cherbourg, norte da França, Barthes herdou de Jean-Paul Sartre o posto de guru mais influente e criador de tendências no cenário intelectual da Rive Gauche parisiense - o porta-voz tanto do estruturalismos quanto do pós-estruturalismo.

Os ensaios reunidos em seus primeiros livros, Lé degré zéro de l´écriture (1953) e Mythologies (1957), celebrizaram-no imediatamente como um escritor de pensamento provocante porém acessível. Sua conquista proncipal foi desenvolver e popularizar as técnicas da análise semio lógica, por meio da qual todo produtor cultural - de livros a anúncio, de filmes a brinquedos - pode ser visto do mesmo modo como os linguistas vêem as línguas: como sistemas de signos e símbolos.

Distinguindo-se ao longo da carreira acadêmica, Barthes tornou-se professor de semiologia literária no Collège de France, cadeira que ocupou até morrer.

Semiologia? Muito prazer

A obra de Roland Barthes é desconcertante, à primeira vista. Seu intinerário, pelos títulos das publicações, revela que ele foi tão interessado por literatura, quanto por teatro, moda, fotografia, cinema, catch, moda, e até mesmo pela vida de todos os dias, a vida sentimental. Dispersão de um espírito culto e eclético? Nem tanto. de fato, todos seus trabalhos mostram a mesma reflexão sobre a noção de signo. Deu-se, aliás, um nome a esta reflexão, que se tornou ciência: Semiologia. E Roland Barthes foi um dos seus pioneiros. Esse termo, que existia há vários séculos na Medicina, designa hoje a ciência geral dos signos na vida social - da literatura ao cinema, passando pela ideologia, publicidade, etc. Barthes, porém, logo diferenciou-se dos outros semiólogos estruturalistas, como seu ancestral Ferdinand de Saussure, que ele leu muito, por uma particularidade: ele deu uma vida dupla ao signo.

O signo, já carregado de sentido pela civilização, pela comunidade social, recebe a oferta do reconhecimento de uma subjetividade. À noção acadêmica de signo, Barthes acrescenta a noção de sujeito. Esta dualidade, que se expressou de maneira discreta nas primeiras obras, tornou-se cada vez mais nítida a partir de 1973, com Le plaisir du texte, achando sua representação mais clara no último livro, sobre a fotografia: La chambre claire (1980). Toda sua carreira se fez mais ou menos na base de uma dialetização da diferença entre o signo, o objeto de estudo frio e o signo suscetível de criar prazer.

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25 de março de 1918: Morre o compositor Claude Debussy

Calude Debussy

O compositor Claude Debussy, 55 anos, morreu em Paris, vítima de cancro.

Ficou conhecido por ter quebrado a tradição do romantismo alemão, desenvolvendo um sistema original de harmonia e de estrutura musicais que expressa, em muitos aspetos, os ideais aspirados pelos pintores impressionistas e pelos poetas simbolistas do seu tempo.

Outras efemérides de 25 de março
1970: Brasil estende mar territorial a 200 milhas
1975: A retirada das tropas dos EUA do Vietnã
1986: EUA voltam a bombardear alvos líbios
1992: A longa aventura do Cosmonauta

Um dos maiores compositores de todos os tempos, Achille-Claude Debussy nasceu em Saint-Germain-en-Lave, na França no dia 22 de agosto de 1862. Aos 11 anos foi admitido no Conservatório de Paris e, em 1884, com apenas 22 anos, recebeu o Grande Prêmio de Composição de Roma. Após passar dois anos em Roma, voltou para Paris, onde se casou com Rosalie Texie, de quem se separou com escândalo para se unir a Emma Bardac. Em 1887, começou a freqüentar a vanguarda literária francesa.

Considerada inovadora em termos musicais, a obra de Debussy pode ser dividida de cinco formas: música para orquestra, música de câmara e para instrumentos solo, música para piano, canções e música coral e obras cênicas.

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24 de março de 1905: Morre Julio Verne, o pai da ficção moderna

Morre Julio Verne. Jornal do Brasil: Sábado, 25 de março de 1905.




"Traz-nos o telégrafo a notícia de que faleceu em Amiens o conhecido romancista Julio Verne. Quem há dentre nós que não deva ao imaginoso escritor muitas horas de sonhos e maravilhas?


Trazendo no espírito o amor do desconhecido e das aventuras arrejadas, todavia limitou-se a efetua-las, dentro das paredes do seu gabinetes, na calma e no isolamento dos sonhadores
". Jornal do Brasil

Outras efemérides de 24 de março
1972: Parlamento da Irlanda do Norte é fechado
1976: Golpe militar depõe Isabelita Perón
24 de março de 1991: Ayrton Senna, enfim, campeão no Brasil

Julio Verne nasceu na cidade francesa de Nantes. Iniciou estudos de Direito em Paris, mas desistiu de ser advogado para escrever peças teatrais. Apesar de ter produzido algumas obras como Amizade Perdida (1850), como dramaturgo, o sucesso só chegaria treze anos depois. A publicação de Cinco Semanas num Balão (1863) seria o início de seu êxito como romancista de aventuras. A obra, primeira da série Voyages Extraordinaires, apresentava o relato de uma viagem aérea sobre regiões desconhecidas da África Central. Nos anos seguintes, lançaria Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1870). O apogeu viria com A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873), obra considerada a mais importante de sua carreira.

Além de habitar o imaginário infanto-juvenil de várias gerações, a literatura de Julio Verne é até hoje amplamente revisitada no cinema, no teatro e na televisão.

A volta ao mundo em 80 dias
Em A Volta ao Mundo em 80 Dias, encontramos, ao mesmo tempo, muito da breve experiência de Verne como marinheiro e como corretor de Bolsa. No ano de 1872, Phileas Fogg, membro do Reform Club de Londres, homem metódico e singular, propõe uma aposta comprometendo-se a dar a volta ao mundo em 80 dias. Tarefa quase impossível para a época, dá início a viagem, acompanhado de um fiel subordinado. Seguido por um detective da polícia, que o considera um ladrão, o protagonista vive mil e uma aventuras até chegar pontualmente ao seu destino, vencendo a aposta.

Leia também:
13 de agosto de 1946 - Morre o visionário H.G. Wells

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Adeus a Chico Anysio, o humor versátil que veio de Maranguape

"Acredito que foi destinada a mim uma missão - e eu a cumpri da melhor maneira possível". Chico Anysio
Chico Anysio por, CPDoc JB

Chico Anysio, 80 anos, estava internado desde o dia 22 de dezembro, após uma infecção no aparelho digestivo. Posteriormente diagnosticado também com pneumonia, em 14 de janeiro foi submetido a uma laparotomia exploradora, e durante o procedimento, retirou-se um segmento do intestino delgado para exames. Desde então, permaneceu em tratamento até falecer nesta sexta-feira, 23 de março de 2012, em decorrência de falência múltipla de órgãos, chegando ao fim a luta do humorista pela vida.

Casado seis vezes, Chico deixa viúva a empresária Malga de Paula, oito filhos, uma filha e nove netos.

Chico Anysio no dia da Primeira Comunhão. Reprodução


O cearense de Maranguape Francisco Anísio de Oliveira Paula Filho nasceu no dia 12 de abril de 1931. Na família, todo mundo o chamava de Oliveirinha. Por causa do pai. Coube ao seu talento consagrá-lo simplesmente como Chico Anysio.

Caçula por sete anos (até a chegada de Zelito), dizia nunca ter tido nenhum privilégio especial por isso. Era levado, e conforme as regras da época, apanhou muito. Mas nada que o desanimasse. Ainda na infância, quando mudou com a família para o Rio de Janeiro, Chico já ensaiava os primeiros passos da promissora carreira que trilharia ao longo da vida. Naqueles tempos em que a meninada soltava balão, pipa e jogava botão, ele ia além... Imitava pessoas do convívio cotidiano com boa dose de humor. Escrevia pequenas peças, distribuía os papéis dos personagens entre os irmãos e reunia parentes e vizinhos para dar o espetáculo.

Na adolescência, conseguiu a primeira oportunidade artística: aos 16 anos, foi empregado numa rádio, como humorista e comentarista esportivo. Mas foi na televisão, a partir de 1968, que se popularizou a frente de programas de humor em que escreveu e interpretou seus próprios personagens - ao todo mais de 200 tipos cômicos.

Para cada um deles, criados ao longo dos anos, inspirados, principalmente, na realidade sócio-econômica brasileira da época e sob um olhar irreverente e contestador, Chico deu vida própria, destacando particularidades através da maquiagem, do figurino, da voz, dos trejeitos da interpretação, e de bordões que sempre caíram no gosto popular: João Batista? Salomé!, É mentira, Terta?, Aff, tô morta!, Bento Carneiro, o vampiro brasileiro, Calada!, Jovem é outro papo, Tenho horror a pobre! "Quero que pobre se exploda!", "Falou… Aííí, ó…! Bateu pra tu?", Roberval… Tayyylorrr…, Sou! Mas… quem não é?, Podem correr a sacolinha…, E o salário, ó...
Professor Raimundo.



Era uma vez uma Escolinha do Professor Raimundo
Primeiro da série de personagens criados por Chico, ainda nos tempos da rádio, o Professor Raimundo foi o personagem mais querido, e sem dúvida, o que mais reverberou a generosidade aflorada, que sempre o norteou. Quantos colegas de trabalho não foram revelados novos talentos, e principalmente, quantos Chico não ajudou a não cair no ostracismo, ao ganhar um papel para contracenar na Escolinha?

Embora, considerando-se um ator de televisão, Chico também se aventurou pela pintura, literatura, teatro e música. Quer na coleção de quadros que desenhou, nos inúmeros livros que publicou, nos espetáculos que dirigiu ou nas composições que musicou, é incontestável a certeza de que Chico recebeu uma missão e a cumpriu da melhor maneira possível.

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18 de março de 1990: Humor brasileiro perde a alegria de Zacarias

Humor brasileiro perde a alegria de Zacarias

Aos 57 anos de idade, o mineiro Mauro Faccio Gonçalves, mais conhecido como Zacarias, por seu papel no programa humorístico de TV Os Trapalhões, morreu pela manhã, vítima de uma infecção respiratória. O humorista estava doente desde fevereiro desse ano, e o seu quadro veio a piorar em meados de março, quando precisou ser internado doze quilos mais magro. A última pessoa a ver o ator com vida foi sua mãe, que esteve em seu quarto cinco minutos antes dele morrer. Seu corpo foi embalsamado e transportado para sua cidade natal, Sete Lagoas - Minas Gerais, onde foi enterrado.

Outras efemérides de 18 de março
1937: Os 57 anos da Escola Normal
1985: A crise do governo soviético
1989: A inauguração do polêmico Memorial da América Latina

Renato Aragão e Dedé Santana, seus companheiros no programa, correram ao hospital assim que souberam da notícia da morte do parceiro. “É difícil acreditar nisso; tenho certeza de que lá onde ele está, não quer ver tristeza; quer que a gente passe uma mensagem de alegria para as crianças; nada de tristeza”, disse Dedé, que, na hora da entrevista, lembrou de um comentário de Renato Aragão: “Os Trapalhões são como uma mesa de quatro pernas. Sem uma delas fica difícil”.

O humorista Castrinho, amigo de Zacarias por mais de 25 anos, relembrou momentos com o amigo nos tempos em que a TV Tupi faliu: “Eu e um grupo de amigos ficamos desempregados, sem ter onde morar. O Mauro (Zacarias) nos levou para seu apartamento e formamos uma república. Ele era nosso conselheiro”.

Wilton Franco, diretor dos Trapalhões, falou da ingenuidade daquele que considerava o mais doce do quarteto. “Ele era tão puro quanto parecia na TV”, disse o diretor, avaliando que essa ingenuidade devia ser “coisa de mineiro”.

Zacarias era meio ermitão: gostava de viver sozinho em sua casa em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde cuidava de plantas e pássaros. Dentro da casa tinha um elefante com o bumbum virado para a porta, uma figa e um Buda. Tinha ainda uma ferradura com sete furos. Era espírita e muito religioso. Começou sua carreira de ator em Sete Lagoas, em um programa da Rádio Cultura. Em 1963, veio para o Rio trabalhar na TV Excelsior. Na TV Tupi, interpretou um garçom engraçado no programa Café sem concerto. Renato Aragão viu, gostou dele e o transformou em um trapalhão, em 1974. Seu sonho era montar um musical humorístico e sua maior preocupação era com a educação das crianças brasileiras e também com a preservação da natureza.

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14 de março de 1822: O nascimento da terceira Imperatriz do Brasil, Teresa Cristina Maria

D. Teresa Cristina, Imperatriz do Brasil

Nascida sete meses antes da declaração da Independência do Brasil, Teresa Cristina Maria, a nossa terceira Imperatriz, chamada a Mãe dos Brasileiros nasceu no dia 14 de março de 1822, em Nápoles, então capital do Reino das Duas Sicílias, filha do Rei Francisco I das Duas Sicílias e de D. Maria Isabel de Bourbon, infanta espanhola. Foi assim, princesa italiana e neta do Rei da Espanha, Carlos IV.

Outras efemérides de 14 de março
1978: O samba perde Ismael Silva
1979: O centenário de Einstein, o gênio do século XX
1985: Tancredo é operado 12h antes da posse

A influência italiana na cultura brasileira, chegou na época colonial, através da metrópole, com exemplos notáveis como o do arquiteto Giuseppe Landi e do cientista e militar CCarlos Antonio Napion. E ganhou impulso forte com o casamento de Pedro II com D. Teresa Cristina.

Essa ficara noiva aos 20 anos, por efeito do contrato nupcial - realizado após negociações diplomáticas efetuadas em Viena - assinado pelo diplomata Ramirez, que representava Nápoles junto à Corte Austríaca, e pelo conselheiro Bento da Silva Lisboa, em 20 de abril de 1842. Foi referendado pelo nosso Imperador em 23 de julho daquele ano.

O casamento teve lugar quase um ano após, por procuração, na capela napolitana do Palácio Real. Pedro II representou-se na cerimônia, realizada em 3 de maio de 1843, por Leopoldo de Bourbon, Conde de Siracusa, também Próincipe das Duas Sicílias.

A fragata brasileira Constituição foi buscar a nova Imperatriz brasileira, que D. Pedro II conhecia só de retratos. Partiu da Itália no início de julho, desembarcando no Rio de Janeiro, sob grande festança, dois meses depois, em 4 de setembro.

Desde então, levou vida tranquila, sobretudo recolhida aos deveres familiares ou externando caridade, a bem das classes desprotegidas.

Teve dois filhos, falecidos após o nascimento, e duas filhas, a Princesa Isabel Cristina - que governou o Brasil como Regente - e D. Leopoldina, casada com o Duque de Saxe.

D. Teresa Cristina faleceu aos 67 anos de idade, logo depois da Proclamação da República, ao chegar, em viagem de exílio à cidade portuguesa do Porto, em 28 de dezembro de 1889. Na época, circulou um soneto em sua homenagem, atribuido ao Imperador, mas que segundo historiadores deve ter sido escrito por um saudosista da Monarquia. Seu título é A Imperatriz e os dois quartetos dizem:
"Corda que estala em harpa mal tangida,
Assim te vais, ó doce companheira
Da fortuna e do exílio, verdadeira
Metade de minha alma entristecida.
De augusto o velho tronco haste partida
E transplantada à terra brasileira
Lá te fizeste a sombra hospitaleira
Em que todo infortúnio achou guarida
"

Em 3 de setembro de 1920, o Presidente Epitácio Pessoa revogou dois artigos do decreto que banira a Família Imperial e os restos mortais de D. Teresa Cristina e D. Pedro II, vieram, em 1921, para o Brasil, a bordo do encouraçado São Paulo.

Hoje estão na Catedral de Petrópolis.

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12 de março de 1999: Cala-se a voz de Bidu Sayão

Bidu Sayão. Reprodução

Bidu Sayão, 96 anos, a maior cantora lírica brasileira de todos os tempos, morreu no seu apartamento à beira mar no Maine, EUA, onde vivia há 50 anos, vítima de complicações decorrentes de uma pneumonia.

Não quis funeral nem flores: seu corpo foi cremado.

Outras efemérides de 12 de março
1935: A curta legalidade da ANL
1947: O impacto da Doutrina Truman

Carioca da Praça Tiradentes, Balduína de Oliveira Sayão, nasceu em 11 de maio de 1902. O apelido com que ganharia mundo pode ser creditado a seu precoce encontro com o palco. Aos 13 anos, já deixara de lado bailes e namoricos para se dedicar à música. Mas só porque sua família não concordara com o desejo de menina: queria ser atriz. Como o pais havia morrido quando ela tinha 4 anos, a família temia deixar a filha nas coxias de então. O jeito foi estudar canto. Os professores, no entanto, foram objetivos: a família estava gastando dinheiro à toa com Bidu. Ela era muito nova e, convenhamos, não tinha voz alguma. Mas logo, a menina percebeu que no mundo do canto lírico havia espaço para um outro tipo de atuação. Aos 16 anos, Bidu começou a se apresentar no Teatro trianon e no salão do Jornal do Brasil. O sucesso absoluto, logo a transformaria no Pequeno Rouxinol.
Adeus ao Pequeno Rouxinol. Jornal do Brasil: Sábado, 13 de março de 1999

Foi com este epíteto que ela desembarcou em Nice, no ano de 1922, para estudar com Jean de Reszke. Foi a única sul-americana aceita pelo severo professor. A voz, a partir de então, não seria mais motivo de discussão. E quando a pequena diva voltou para uma apresentação no Municipal, três anos depois, percebeu que já havia sido alçada ao posto de heroína nacional.

Em 1926, seguríssima de seu talento, estreou no Teatro Constanzi, em Roma. Depois vieram o Colón, o Opera de Paris (onde arrancou aplausos cantando Lakmé, de Delibes) e finalmente o Scala de Milão. Embora não tivesse exatamente uma voz com muito volume e extensão, Bidu encantava as platéias por sua interpretação.

Depois de conquistar a Europa, Bidu voltou ao país. E realizou duas gigantescas turnês, entre 1935 e 1936 (do Amazonas ao Rio Grande do Sul). Cantou em cinemas, ao ar livre, em palcos improvisados. Embora hoje parecesse impensável, Bidu Sayão atigira na época uma popularidade comparável a dos grandes astros do rock. Um ano depois, a a artista mudou-se em definitivo para os EUA, onde trilhou e teceu sua carreira, tornando-se uma espécie de Carmen Miranda do canto lírico, embora jamais se rendesse a exotismos.

Sua última apresentação pública, em 1958, foi no Carnigie Hall, obra de um pedido pessoal do amigo Heitor Villa-Lobos.

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11 de março de 1958: O suicídio de Assis Valente, o favorito de Carmen Miranda

O compositor baiano Assis Valente, 46 anos, autor de inúmeros sucessos do cancioneiro popular, para quem o tribuno J. J. Seabra previu um belo futuro como escritor, enfim conseguiu o desfecho desejado, após várias tentativas de suicídio sem sucesso. Foi encontrado morto sob uma árvore na Praça do Russel. Nada ao seu redor a não ser os restos da mortal beberagem e a quietude da praça. No bolso, uma carta explicava seu gesto: dívidas.

A notícia de sua morte surpreendeu até aqueles que conheceram de perto o compositor preferido de Carmen Miranda, embora soubesse da sua fraqueza suicida.

Outras efemérides de 11 de março
1955: As pesquisas de Fleming
1970: Seqüestro do Cônsul Japonês
1990: Lituânia se torna independente da URSS

O compositor José de Assis Valente nasceu durante uma viagem de sua mãe a Salvador e, ainda pequeno, foi tirado dos pais e entregue a uma família de Alagoinhas, na Bahia. Começou a trabalhar numa farmácia da capital baiana e, à noite, estudava desenho e escultura no Liceu de Artes e Ofícios. Em novembro de 1927, viajou para o Rio e conseguiu vender alguns desenhos e ilustrações para revistas da capital. Em 1932, começou a compor sambas, incentivado por Heitor dos Prazeres. Seu samba Tem Francesa no Morro, ironia sobre a moda de se falar francês no Brasil, foi lançado por Araci Cortes na Columbia. Em 1933, entregou pessoalmente dois sambas a Carmem Miranda, que passou a ser uma das suas principais intérpretes. No mesmo ano, compôs para as festas juninas a marcha Cai, Cai, Balão. com o sucesso, suas composições passaram a ser gravadas por grandes cantores da época. Em 1941, casou-se com Nadile, mas se separou no mesmo ano. Problemas pessoais, principalmente de ordem financeira levaram ao declínio da carreira e culminaram em seu suicídio.

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10 de março de 1985: A morte de Gustavo Capanema

Gustavo Capanema. Reprodução

Gustavo Capanema, 84 anos, ex-Vereador, Secretário de Estado, Interventor de Minas Gerais, Ministro da Educação, constituinte de 1946, Deputado federal em seis legislaturas, Ministro do Tribunal de Contas da União e Senador, morreu em seu apartamento na zona sul do Rio de Janeiro, onde convalescia há um ano de derrame cerebral. Deixou viúva Dona Maria de Alencastro Massot Capanema, com quem teve dois filhos.

Outras efemérides de 10 de março
1926: A morte de D. João, um século depois
1952: Fulgêncio Batista toma o poder pela última vez
1998: Pinochet entrega o comando

Um político que nasceu com o Século 20

Mineiro da pequena cidade de Pitangui, Gustavo nasceu em 10 de agosto de 1900. Na adolescência, seguiu para Belo Horizonte, onde dedicou-se ao estudos, até concluir a Faculdade de Direito no final de 1924. De volta a Pitangui, passou a advogar e lançou-se na vida política da cidade. A nova experiência na vida pública logo evidenciou sua habilidade como orador. Foram seguidas nomeações em cargos que construiriam sua bem sucedida trajetória política. Quando de sua atuação à frente do Ministério da Educação do Governo Vargas, foi o reformador do ensino brasileiro, o criador de faculdades, o mdernizador da cultura nacional.

Este o seu grande título de glória. Foi o portador da mensagem modernista, em termos nacionais, em dimensões federais. Chamando Carlos Drummond de Andrade para a chefia do seu gabinete e se fazendo assessorar por homens como Mario de Andrade, Lucio Costa, Oscar NIemeyer, Cândido Portinari, Manuel Bandeira e Villa-Lobos, imprimiu um novo rumo, um sentido moderno à vida cultural brasileira.

Teve sempre entusiasmo profundo e difusivo, que sabia comunicar aos auxiliares. A penetração aguda de Capanema diante do Direito, seu íntimo e meticuloso conhecimento dos problemas de ordem jurídica, até a oratória o beneficiava a esse respeito. Seu bom gosto inato, sua capacidade de leitura, o conhecimento das questões de literatura, também revelava um homem de letras. Um crítico, um ensaísta. Não foi nem mestre do Direito, nem escritor. Mas levou dessas atividades intelectuais, que poderia ter horando, a marca da superioridade que tanto o distinguiu na que o dominou a vida inteira: a paixão política.

Na política, atravessou a vida, e em tudo deixou o toque original da sua modernidade, a vinculação geracional que teve com os movimentos de renovação dos anos vinte. Capanema trouxe o modernismo para o primeiro plano da vida nacional. O fato fundamental da sua vida foi este. O período mais importante do seu destino foi o de ministro da Educação que o Brasil já teve. Seus amigos, sua geração intelectual, foi o grupo do Bar Estrela, em Belo Horizonte - Emílio Moura, Gabriel Passos, João Alphonsus, Milton Campos, Pedro Nava, Cyro dos Anjos, Abgar Renault, Carlos Drummond de Andrade. E Gustavo foi fiel ao espírito renovador dessa geração literária, em que se integrara. Como se Capanema tivesse sido uma vocação puramente intelectual que a política tivesse roubado à literatura.

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9 de março de 1994: Morre o poeta da sarjeta Charles Bukowski

Bukowski
"Se você vai tentar, vá até o fim. Caso contrário, nem comece."
Charles Bukowski

Se o sonho americano tem o seu lado sarjeta, o testamenteiro dessa obscura faceta da sociedade ianque chamava-se Charles Bukowski. Escritor e poeta temporão, descreveu ao longo de mais de 40 livros - e com conhecimento empírico da causa - o universo de bêbados, drogados, prostitutas e outros tipos marginalizados pelo american way of life. Pois esse simpatizante dos descamisados, que afirmou não escrever "para salvar a humanidade e sim para salvar a mim mesmo", deixou órfão um punhado de junkies, beberrões, meretrizes e leitores apaixonados: autor de Mulheres, Delírios cotidianos e Crônica do amor louco, entre outros títulos, Bukowski, 73 anos, morreu em sua casa em San Pedro, na Califórnia, vítima de leucemia.

Outras efemérides de 9 de março
1921: Decretado o fim do Morro do Castelo
1985: A volta da democracia uruguaia
1986: Encontrados os corpos da tripulação do Challenger

Com o corpo devastado pelo álcool, Bukowski tinha cara, perfil e biografia dignos dos protagonistas de seus poemas, contos e romances. Nascido na Alemanha, em 16 de agosto de 1920, mudou-se com a família para os Estados Unidos aos dois anos de idade. Fixaram-se no sul da Califórnia - a terra prometida pós-Grande Depressão, onde jovem, Charles se iniciaria no álcool, no jogo e na peregrinação pelo underground, experiência que lhe renderia a matéria-prima para a sua vasta obra literária.

A vida bandida começou em casa. Molestado pelo pai, um bronco que punia a menor infração com surras homéricas, e hostilizado pelos colegas de rua, o alívio da rejeição na bebida veio na adolescência. Poucos anos depois, assumiria a existência errante, vagueando pelas estradas, bares e hotéis baratos do meio-oeste americano e convivendo com malandros e mulheres da vida, fazendo de tudo para ganhar alguns trocados e pagar mais uma garrafa de bourbon. foi lixeiro, lavador de pratos, motorista de caminhão, carteiro, o que lhe rendeu o autobiográfico Cartas na rua.

Os anos 60 e a contra-cultura tiraram do anonimato a natureza mundana dos textos de Bukowski. E a obra do mais boêmio dos escritores teuto-americano passou a percorrer a obra de outros artistas: no cinema, no teatro e até em histórias em quadrinhos.

Mesmo na retaguarda dos escritores americanos, conseguiu transmitir em seu legado, alguma coisa a respeito do ser humano que considera a vida particular fonte de vergonha e humilhação, prisioneiro de sua condição humana, sem perspectiva moral mais vasta. Com seus personagens de alternativas morais claras, assinalou o renascimento de uma ideologia desesperada por manifestações de dignidade que nós, talvez, jamais venhamos a conhecer.

"Não me preocupo com aquilo que o público pensa: um bom escritor pode exprimir qualquer coisa. Sinto que muita gente me odeia e gosto disto, demonstra que estou fazendo alguma coisa". Bukowski
Jornal do Brasil: Sexta-feira, 10 de março de 1994

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7 de março de 1999: Morre o excêntrico Stanley Kubrick, diretor de Laranja Mecânica

Stanley Kubrick. Reprodução

Excêntrico, arredio, perfeccionista, o diretor americano Stanley Kubrick, 70 anos, morreu em sua residência, no norte de Londres, ao sofrer um fulminante ataque cardíaco, enquanto dormia.

Autor de clássicos como 2001, Uma Odisséia no Espaço (1968) e Laranja Mecânica (1971), deixou uma produção enxuta, porém intensa. Foram 13 longas em quase 50 anos de carreira, entre eles, sua última obra De Olhos Bem Fechados (1999) - seu retorno após mais de 10 anos longe das câmeras.

Outras efemérides de 7 de março
1808: A chegada da família Real
1999: Morre Antonio Houaiss, o trabalhador das palavras
1990: A última viagem de Prestes, o Cavaleiro da Esperança

"Stanley Kubrick foi um grande mestre no cinema. Ele não copiou ninguém, enquanto todos nós fomos impulsionados a matá-lo", declarou Steve Spielberg, tentando dimensionar a importância de sua contribuição para a história do cinema. Uma das características mais marcantes da personalidade de Kubrick era seu inatingível perfeccionismo. Nada escapava de seu crivo. Sua mã de ferro sobre a produção ia desde o período das filmagens até a distribuição internacional e as eventuais dublagens. Queria saber quando o filme seria exibido, quais as condições do cinema, fosse onde fosse, e chegava a se intrometer na divulgação, perguntando sobre a estratégia de marketing e quantas pessoas seriam atingidas pelos anúncios. Não foram poucos os que se viram enlouquecidos por suas exigências. Reza a lenda de que durante as filmagens de Nascido para matar (1987), sua visão tardia sobre a Guerra do Vietnã, Kubrick perguntou quem se disporia a morrer cedo, no começo da história. Quase todo o elenco levantou a mão.

Nascido em Nova York, no dia 26 de julho de 1928, Kubrick conquistou seu primeiro emprego como repórter fotográfico. Pouco depois, já consagrado na profissão, começou a carreira de diretor, de forma autodidata, com o curta Dia de luta (1949). Autor de grandes clássicos, seus filmes são prova de seu ecletismo, ao varrer vários gêneros. Nos últimos anos, filmou cada vez menos, escolhendo a dedo seu próximo projeto. Morreu recluso, após viver discretamente e pouco aparecer na mídia, sem conseguir assistir a estréia de seu último trabalho, lançado poucos meses após sua morte.

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5 de março de 2012: 125 anos de Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos. Reprodução

"A música folclórica é a expansão, o desenvolvimento livre do próprio povo expresso pelo som". Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos nasceu na Cidade do Rio no dia 5 de março de 1887. Levado pelo pai a estudar instrumentos musicais, aos 13 anos já fazia parte de grupos seresteiros. Em 1905, viajou pelo Brasil, em busca das raízes folclóricas, de onde tiraria inspiração. Por volta de 1913, deu início à sua produção, sob influência de Debussy. Em 1922, participou da Semana de Arte Moderna, em São Paulo, e, no ano seguinte, viajou para Paris. Em 1930, famoso na Europa, voltou para o Brasil.

Preocupado com o desenvolvimento artístico do país, Villa-Lobos percorreu o interior em caravanas culturais. Dono de 12 sinfonias, 17 quartetos para cordas, concertos para piano e orquestra, além de óperas, como Malazarte (1921), morreu em sua cidade natal, no dia 17 de novembro de 1959, aos 72 anos de vida, após meses de sofrimento decorrentes de uma grave uremia.

Em seus últimos dias, as mãos que regeram com maestria tantas sinfonias estavam trêmulas e fracas.

Outras efemérides de 5 de março
1936: Prestes e Olga são presos
1953: A morte encontra Josef Stalin
1979: A primeira viagem do metrô do Rio

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3 de março de 1915: Racismo no cinema gera polêmica nos EUA

Cena do Filme O Nascimento de uma Nação. Reprodução
O filme O Nascimento de uma Nação (The Birth of a Nation), do diretor David W. Griffith, estréia nas telas dos cinemas americanos, provocando grande polêmica. Embora apontada pela crítica como um marco na história da indústria cinematográfica, a película, com três horas de duração, provocou escândalo por seu conteúdo racista, motivando debates acalorados, apesar de suas inegáveis qualidades cinematográficas.

O roteiro retrata a história de bons e pacíficos americanos do Sul do país que são obrigados a confrontar os do Norte, onde é grande a influência negra. Os negros (interpretados por homens brancos maquiados), por sua vez, são retratados como homens maus, ávidos por mulheres brancas e pelo poder. No fim do filme, uma mocinha branca é salva das mãos dos negros por um branco, que é membro da Ku Klux Klan. Os dois se casam, celebrando simbolicamente o nascimento da nova nação.


Outras efemérides de 3 de março
1993: Albert Sabin e a erradicação da pólio
2000: Ditador Pinochet volta ao Chile

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2 de março de 1930: Morre o controverso escritor D. H. Lawrence

"Para sempre é muito tempo... mas não tanto como era ontem".
D. H. Lawrence
David Herbert Lawrence. Reprodução

O escritor D. H. Lawrence, 44 anos, morreu em Vance, na França, vítima de tuberculose - doença com a qual conviveu ao longo de anos. Perseguido desde jovem por uma fúria fora do comum para escrever a paixão por suas ideias, deixou em seu legado literário, a sua própria história de vida.

Outras efemérides de 2 de março
1939: Eugenio Pacelli é eleito Papa como Pio XII
1972: Pioneer 10 parte rumo a Júpiter
1996: O prematuro final do Mamonas

David Herbert Lawrence nasceu no dia 11 de setembro de 1885 em Eastwood, Nottinghamshire, Inglaterra. Estreou na literatura com o romance O Pavão Branco (1911), mas só chamou a atenção com Filhos e Amantes (1913) livro autobiográfico. No mesmo ano, lançou Poemas de Amor e Outros e, em 1914, casou-se com a aristocrata alemã Frieda von Richthofen, com quem viveu uma relação tumultuada. Nesse ano, publicou O Oficial Prussiano e Outras Histórias e passou a enfrentar problemas com a censura.

O Arco-íris, livro seguinte, foi proibido na Inglaterra, considerado obsceno pelas autoridades. A repressão a suas obras e a violência da Grande Guerra levaram o escritor a julgar que os valores da civilização ocidental atropelavam o ser humano. O tema, que foi assunto de várias teses e romances, é tratado em Mulheres Apaixonadas (1920), considerado uma obra-prima da literatura. A partir de 1921, desiludido com a Europa, Lawrence viajou para a Austrália e o México, publicando Canguru e A Serpente Emplumada. Em 1928, retornou à Europa e fixou-se em Florença, onde publicou seu romance mais famoso, O Amante de Lady Chatterley, que foi seguidamente proibido e só conhecido na íntegra em 1959.

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