Arquivo de May 2012

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31 de maio: Dia Mundial sem Tabaco

Logo oficial do Dia Mundial sem Tabaco da OMS


Outras efemérides de 31 de maio
1962: A execução de Adolf Eichmann
1979: Morre a pintora Djanira
1997: Imperador Akihito visita o Brasil
1996: O guru da geração psicodélica

Pelo menos 6 milhões de pessoas morrem todo ano, em decorrência do consumo contínuo do cigarro. Os dados são da Organização Mundial de Saúde, que instituiu, em 1987, o Dia Mundial sem Tabaco para conscientizar sobre os perigos do uso do tabaco e as estratégias das companhias para seduzir os jovens a iniciar no tabagismo. Desde então, a organização aproveita a oportunidade para apresentar ações desenvolvidas para controlar a epidemia mundial do tabagismo, promovendo o direito à saúde e à vida saudável e proteger as gerações presentes e futuras.

Este ano, o tema da campanha é “A Interferência da Indústria do Tabaco”.

O Brasil adaptou a abordagem para o contexto nacional, enfocando os danos causados ao longo da cadeia de produção do tabaco ao meio ambiente e à saúde da população, como o uso agrotóxicos que agridem ecossistemas e fumicultores, desmatamento, trabalho adolescente e infantil, danos à saúde da população, como a dependência química à nicotina e o fumo passivo e, por consequência, o aumento do risco para o desenvolvimento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como Acidente Vascular Encefálico, infarto e diversos tipos de câncer. Daí, a escolha do tema nacional: “Fumar: faz mal pra você, faz mal pro planeta”.

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30 de maio de 1920: A Santa Joana D´Arc

Santa Joana D´Arc. reprodução de Internet


Mártir francesa canonizada em maio de 1920, quase cinco séculos depois de sua morte, a jovem de origem camponesa Joana D´Arc foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos (1337 e 1453), conflito fomentado por disputas territoriais e comerciais entre França e Inglaterra. Joana se tornou um símbolo do nacionalismo francês, na luta contra os ingleses. Dizem que tinha poderes místicos, que lhe permitiam ter visões e ouvir vozes de santos que lhe enviavam mensagem, as quais lhe orientariam à frente do Exército durante o enfrentamento.

Temendo a ameaça que significava sua liderança, os ingleses arquitetaram um plano e promoveram sua prisão baseados nos princípios da Inquisição, alegando tratar-se de uma bruxa, herege. Interrogada sobre sua conduta e pressionada a se retratar perante um tribunal da Igreja, mesmo sob tortura, ela teve a coragem de declarar que havia sido enviada por Deus para salvar a França dos ingleses. Condenada, foi queimada viva em Ruão em 1431. Suas cinzas foram espalhadas na correnteza do Rio Sena.

Somente anos mais tarde, por apelos de sua mãe e irmãos, a Igreja decidiu pela reabertura do caso. Joana D´Arc, então, foi canonizada como santa virgem e mártir. E é a santa padroeira da França.

Outras efemérides de 30 de maio
1961: O assassinato do Ditador Leônidas Trujillo
1962: Brasil estréia na Copa do Mundo
1994: A guerra no Timor-Leste

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29 de maio de 1999: João do Pulo salta para o pódium do céu

Adeus a João do Pulo. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 31 de maio de 1999.

O esporte brasileiro está de luto. João Carlos de Oliveira, 45 anos, o João do Pulo, morreu as 22h de sábado, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em São Paulo, onde estava internado desde 29 de abril. Segundo o boletim assinado pela equipe médica de plantão na Unidade de Terapia Intensiva e Choque do hospital, João do Pulo morreu de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de um quadro de hepatopatia (cirrose hepática) e septicemia (infecção generalizada).

João entrou para a seleta galeria dos grandes nomes do esporte brasileiro aos 21 anos, no dia 15 de outubro de 1975, ao bater o recorde mundial de salto triplo durante a disputa da 7ª edição dos Jogos Pan-Americanos, no México, estabelecendo a marca de 17,89m. O recorde só seria quebrado 10 anos mais tarde, pelo americano Willie Banks.

Outras efemérides de 29 de maio
1953: O homem chega ao topo do Everest
1969: Cordobazo, o maio francês da Argentina

João nasceu em Pindamonhengaba, cidade no interior paulista, em 28 de maio de 1954. Menino pobre, entrou no exército em 1969, e seguiu carreira militar por 14 anos. Era sargento reformado. A vocação para o atletismo, despertada durante sua participação nos Jogos Regionais de São Paulo, em 1971, tomaria vulto ao ser descoberto pelo técnico Pedro Henrique Camargo de Toledo, dois anos mais tarde. Intensificaram-se os treinos e as competições, até que João do Pulo chegasse ao Pinheiros, na capital paulista, tornando-se o primeiro atleta negro a competir pelo clube.

O recorde estabelecido no Pan de 1975 foi fruto de sua obstinação e, é claro, do permanente acompanhamento de Pedrão. Além da medalha no México, João obteve naquele ano, pelo menos outros três títulos: o paulista, o sul-americano e o do Troféu Brasil.

O objetivo de João, então, passou a ser outro: o ouro olímpico que perseguiu por duas competições, sem êxito. Nos Jogos de Montreal em 1976, saiu da competição com uma medalha de bronze. Feito que se repetiu em Moscou, em 1980, numa polêmica que envolve um salto de João erroneamente anulado, que lhe garantiria o tão sonhado ouro.

Mas o grande revés na vida de João, aconteceria no ano seguinte. Três meses depois celebrar a conquista do terceiro título consecutivo na 2ª etapa da 3ª Copa do Mundo de Atletismo em 5 de setembro de 1981, em Roma, João viveria a grande tragédia de sua vida. Na noite de 22 de dezembro de 1981, após paraninfar uma turma de formandos em Educação Física da PUC de Campinas, o atleta sofreu um acidente de carro: teve fratura exposta de tíbia e perônio, traumatismo craniano, sangramento pulmonar e e abdominal, além de diversas escoriações. João ficou em coma por quatro dias e num período de seis meses foi submetido a 16 cirurgias. Mas o tratamento não foi suficiente a ponto de impedir a amputação de sua perna direita.

Restabelecido, mas impedido de seguir a trajetória no esporte, João voltou-se para a carreira política. Exerceu dois mandatos consecutivos como deputado estadual, entre 1986 e 1993, defendendo a bandeira do esporte.

Nos últimos tempos, estava novamente junto do técnico Pedrão e preparava-se para disputar uma vaga nas Paraolimpíadas de Sidney (2000). Mas o destino, mais uma vez, lhe roubou a chance de ganhar o ouro olímpico.

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28 de maio de 1988: Morre Volpi. Brasil perde suas cores.

Morre Alfredo Volpi. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 30 de maio de 1988.
Alfredo Volpi, 92 anos, morreu de insuficiência cardíaca numa noite de sábado, a caminho do hospital, depois de ter sido acudido por sua filha. Embora Volpi apresentasse problemas com a saúde nos dois últimos anos de vida, sua morte surpreendeu amigos e admiradores, que mais do que o fim do talento de um artista, lamentaram a perda de um ser humano insubstituível, que fez de sua obra a invenção do simples, em busca do essencial.

Outras efemérides de 28 de maio
1955: Tunísia conquista autonomia
1978: Encontrada cidade indígena de 2 mil anos no RS
1987: Avião pousa no centro de Moscou

Pintor brasileiro, Alfredo Volpi nasceu na italiana Lucca, e chegou em São Paulo com 2 anos de idade. Nos primeiros anos da adolescência abandonou a escola para trabalhar como assistente de topógrafo e passou a estudar pintura por conta própria. Coemçou fazendo murais decorativos e, em 1934, participou do 1º Salão Paulista de Belas-Artes. Na década seguinte, expôs no Salão Nacional de Belas Artes e, em 1956, na 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta. Sua arte percorreu mundo afora em exposições em vários países na América e na Europa com destaque para a Bienal de Viena (1952), onde foi premiado. As obras iniciais foram impressionista, passando depois a expressionistas e concretas. Considerado, pela crítica, como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo, deixa um legado de quase 4 mil telas, onde são recorrentes as bandeirinhas, sua marca registrada.

Bandeirinhas e mastro. Alfredo Volpi. Reprodução


É a fase das bandeirinhas, sua maior contribuição para a arte brasileira moderna - expressa em seu trabalho Bandeiras e Mastros. Só pintava com a luz do sol e se envolvia totalmente com a criação de sua obra, o que incluía esticar o linho para as telas. Num processo típico de um pintor do Renascimento, fazia suas próprias tintas, diluídas em uma emulsão de verniz e clara de ovo, em que ele adicionava pigmentos naturais purificados (terra, ferro, óxidos, argila colorida por óxido de ferro) e ressecados ao sol. Depois de dominar a técnica, o artista nunca mais usou tintas industriais - "elas criam mofo e perdem vida com o passar do tempo", dizia.

Veja aqui imagens históricas de Alfredo Volpi.

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26 de maio de 1976: Morre o filósofo alemão Martin Heidegger

"Quem pensa grande também erra grande". Martin Heidegger
A morte do filósofo alemão Martin Heidegger

O filósofo Martin Heidegger, 86 anos, representante alemão da filosofia existencialista e um dos mais influentes pensadores do século XX, morreu em Mesakirch, sua cidade natal onde vivia em recolhimento voluntário desde 1937, quando foi proibido pelo nacional-socialismo de exercer atividades docentes. Não foi revelada a causa de sua morte, tratada apenas como uma infecção. Deixou viúva Elfriede com quem teve dois filhos.

"O solitário não é forçosamente amargo" - dizia Heidegger, refugiado em sua casa da Floresta Negra, na Alemanha. Desse recolhimento, poucas vezes saiu nos últimos 25 anos de sua vida. Uma delas para fazer uma conferência sobre artes, em Atenas, seis dias antes do golpe militar grego de 1967: " A maioria dos meus ouvintes deve estar na prisão" - disse depois naturalmente sem se sentir culpado, mas deixando escapar uma ponta de amargura que recusava admitir na longa fase final de sua vida.

Outras efemérides de 26 de maio
1952: A reintegração da Alemanha na Convenção de Bonn
1977: Glauber ganha Prêmio Especial em Cannes
1968: Transplante de coração - o futuro do Corpo Humano
1994: Telescópio Hubble descobre buraco negro

Nascido em 28 de setembro de 1889, em Messkirch, Heidegger estudou com os jesuitas e mais tarde com Rickert. Foi também discípulo de Husserl a quem está dedicada uma das primeiras edições de Ser e Tempo (ao tempo de Hitler, a dedicatória foi suprida de outras edições da obra: Husserl era de origem judaica). De Husserl, aliás, em 1928, recebeu a cátedra de Filosofia da Universidade de Friburgo, onde desenvolveu toda a sua atividade de professor - até ser afastado pelas autoridades francesas vitoriosas da Segunda Guerra.

Um de seus alunos em Friburgo foi Herbert Marcuse: "Sob minha direção, ele preparou sua tese sob Hegel, em 1932. É um ótimo trabalho". No ano seguinte, não conseguiu manter a ajuda a Marcuse, pois com o triunfo do Nazismo em 1933, foi feito reitor da Universidade e envolveu-se em outras preocupações: Chegou-se a dizer até que ele dava aulas vestido com o uniforme das tropas SA. Consultas a documentos alemães e suiços da época desmentem tais extremos, mas a verdade é que o comprometimento do filósofo com o regime foi além do mínimo a que se o pretendeu reduzir no pós-guerra. Em Les Ecrits Politiques de Heidegger, o filósofo alemão Jean-Michel Palmier investiga o que foi essa adesão.

"A responsabilidade histórica de Heidegger", escreve Palmier, "é imensa". Os títulos de seus escritos de então - Apelo ao estudante Alemão, Exortação ao Povo germânico - já dão uma ideia do conteúdo: encorajamento à submissão do indivíduo ao Estado. Seu discurso de posse no reitorado prega a necessidade de uma reforma universitária para acabar com "o liberalismo, o laisser-aller, o falso conceito de independência universitária. O estudante viril e disciplinadamente, deve dedicar-se ao trabalho, às armas e ao saber, integrando-se na comunidade popular, defendendo a honra nacional e ajudando no cumprimento da missão espiritual que cabe à Alemanha no mundo para redenção do Ocidente". Um quarto de século após da derrocada do nazismo, no seu retiro, Heidegger, aos 80 anos, pensava diferente: "Hoje os estudades se revoltam. É bom".

Suas obras, sempre discutidas e frequentemente mal compreendidas, tiveram grande influência sobre outros filósofos contemporâneo.

Heidegger jamais se refez do prejuízo que lhe causou sua filiação ao Partido Nazista.

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25 de maio de 1977: Star Wars invade as salas de cinema

Cartaz do primeiro filme da saga Star Wars

"It is a period of civil war.
Rebel spaceships, striking
from a hidden base, have
won their first victory
against the evil Galactic
Empire.

During the battle, rebel
spies managed to steal
secret plans to the Empire´s
ultimate weapon, the
DEATH STAR, an armored
space station with enough
power to destroy an entire
planet.

Pursued by the Empire´s
sinister agents, Princess
Leia races home aboard her
starship, custodian of the
stolen plans that can save
her people and restore
freedom to the galaxy...
"




O primeiro filme da saga intergalática GUerra nas Estrelas (Star Wars) chegou aos cinemas e logo se tornou um fenômeno de bilheteria, consagrando-se como um dos mais requisitados filmes de ficção científica de todos os tempos. Na trama, escrita por George Lucas, o trio formado por Luke Skywalker, Princesa Leia e Hans Solo, contando com ajuda de irreverentes personagens, como os robôs R2-D2 e C-3PO, e o peludo Chewbacca, tem a missão de salvar o planeta, impedindo a construção da Estrela da Morte. É a história do duelo entre o bem e o mal, centralizado na figura do temido Darth Vader. Com cenários, figurinos e efeitos especiais de última geração, Guerra nas Estrelas é um épico passou a habitar o imaginário de gerações, em brincadeiras que repetem as circunstâncias vividas no filme, sempre norteado pela energia onipresente pela qual duelam o bem e o mal: "Que a Força esteja com vocês"!

Com 10 indicações, e vencedor em 7 categorias, teve sequencia em O Império contra ataca (Empire Strikes Back) (1980) e o Retorno de Jedi (Return of the Jedi) (1983).

Outras efemérides de 25 de maio
1963: De novo, Brasil, o melhor basquete do mundo
1966: A independência da Guiana Inglesa

A Star Wars mania
Passados 35 anos de seu lançamento, Star Wars continua movimentando gigante indústria de souvenirs, fomentada por colecionadores.

Pen drives


Jogo de xadrez


Lata de balas


Bolo confeitado


Origami Ioda


Playmobil


Tatuagem Star Wars Tatuagem Star Wars


Star Wars Dogs

Arte em xícara de café Star Wars

Estética de unhas Star Wars


Star Wars Burgers

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24 de maio de 1543: A morte Nicolau Copérnico, e o mundo nunca mais seria o mesmo...

"A sabedoria da natureza é tal que não produz nada de supérfluo ou inútil". Nicolau Copérnico
Nicolau Copérnico

Outras efemérides de 24 de maio
1964: A tragédia no Estádio Nacional do Peru
1974: Morre o gênio do jazz Duke Ellington
1986: ETA promove atentados de verão

Quando Nicolau Copérnico nasceu, em 19 de Fevereiro de 1473 , a Terra era o centro do mundo. Quando morreu, em 24 de maio de 1543, era o Sol que ocupava o lugar central no universo. A Terra havia sido posta em seu lugar de planeta qualquer, de onde, aliás, jamais havia saído, e onde está até hoje.

Tido como louco, não foi fácil para Copérnico fazer os homens daquela época mudarem de ideia sobre o centro do universo. Mas a importância da sua teoria, que causou uma revolução na Astronomia, se fez sentir nos séculos seguintes.

Nicolau Copérnico nasceu na Prússia Oriental, filho de um mercador de cobre. Com seu grande interesse pela literatura, acabou por descobrir as teorias que os gregos formulavam 17 séculos antes dele. Uma delas, baseada em Pitágoras, falava justamente sobre o heliocentrismo ( o Sol como centro do universo), e Copérnico resolveu reforçá-la.

Mas levou mais três décadas até publicar o seu Livro das Revoluções. Tinha 62 anos quando conseguiu e estava, então, agonizando. Por isso, sempre houve controvérsias se ele viu realmente o seu planeta girar em torno do Sol, já que não estudou Astronomia no céu, e sim nos livros. De qualquer forma, sua teoria, estabeleceu impiricamente as leis do movimento planetário, definindo as bases sobre as quais, meio século depois de sua morte, Isaac Newton criou a Lei da Gravitação Universal, desencadeando a grande revolução do homem moderno.

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23 de maio de 1932: MMDC - Mártires da Resistência

MMDC - Mártires da Resistência

A sigla MMDC ficou marcada na história do país em homenagem aos quatro estudantes mortos durante confronto com a polícia getulista na noite de 23 de maio de 1932, quando um grupo de populares participava de uma manifestação em oposição ao governo, na Praça da República: Mário Martins de Almeida, 31 anos, solteiro, fazendeiro, nascido em São Manoel (SP); Euclydes Bueno Miragaia, 21 anos, solteiro, auxiliar de Cartório, nascido em S. José dos Campos(SP); Dráusio Marcondes de Souza, 14 anos, ajudante de farmácia, nascido em São Paulo; Antonio Américo de Camargo Andrade, 30 anos, casado, 3 filhos, comerciário, nascido em São Paulo.

Por trás da reivindicação de uma nova constituição, havia a questão da política do café-com-leite, com a qual São Paulo sentia-se desprestigiada desde a Revolução de 30, com o golpe que impediu a posse de Julio Prestes.

O incidente deu origem ao Movimento MMDC, organização civil clandestina que concentrou o alistamento voluntário para quem depois oferecia treinamento militar, e foi o estopim para a revolução constitucionalista. A força de resistência constituída posicionou-se em frentes de combate nas divisas de São Paulo com Minas Gerais, com o Paraná e no vale do Paraíba. E no dia 9 de julho de 1932 deu-se início o conflito armado contra a ditadura. Intelectuais, industriais e estudantes, políticos ligados à República Velha ou ao Partido Democrático, excluído do governo por Vargas, pegaram em armas para lutar por São Paulo. Aguardaram em vão o apoio de outros estados. No dia 3 de outubro, as tropas paulistas se renderam diante da superioridade das forças federais.

Os rapazes tornaram-se mártires da revolta e anos mais tarde, o 23 de maio passou a constar no calendário oficial do estado paulista como Dia da Juventude Constitucionalista, em alusão à participação dos jovens na revolução.

Outras efemérides de 23 de maio
1962: O Pagador de promessas - Palma de Ouro para o cinema brasileiro
1993: Cambojanos votam pela paz

Em 1930, Getúlio Vargas deu um golpe de Estado e assumiu a Presidência, em caráter provisório, mas com amplos poderes. O Congresso Nacional, as Assembleias Legislativas e até as Câmaras Municipais foram fechadas. Os governadores dos Estados foram substituídos por interventores nomeados por Vargas. Nessa época São Paulo, que havia rompido com Minas a política do café-com-leite e que havia sido a principal base política do regime da Primeira República, era encarado como um foco oposicionista.

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22 de maio de 1989: O fenômeno Collor vira febre nacional

O fenômeno Collor vira febre nacional. Jornal do Brasil: Terça-feira, 23 de maio de 1989

O fenômeno Fernando Collor de Mello, visível a olho nu nos índices das pesquisas de opinião e na multiplicação dos adesivos nos automóveis nas principais cidades do país, começou a semana ameaçando assumir proporções epidêmicas. "Vou trabalhar agora para ganhar no primeiro turno", proclamou o candidato em Brasília do alto de seus recentes 32% das intenções de voto, conforme o Ibope.

Outras efemérides de 22 de maio
1935: 50 anos sem Victor Hugo
1959: A Revolta nas Barcas
1983: A luta das Mães da Praça de Maio

Apresentando-se como inimigo declarado do Governo Sarney, Fernando Collor de Mello se projetou no cenário político nacional com a bandeira "Caçador de Marajás", quando governador de Alagoas. Dono de um discurso imponente, sempre aberto pelo bordão "Minha gente...", proferido com entonação destemida e por gestos de bravura, durante sua campanha atacou as mordomias do funcionalismo público, contestou o descontrole da inflação, e pregou o resgate valores morais, condenando a corrupção. Usando ainda de sua jovialidade, sempre buscava associar a sua imagem à prática de atividades esportivas.

Resultante de um marketing político até então muito pouco usual no país,Collor projetou-se como um herói, agrandando um diversificado eleitorado, principalmente aquele insatisfeito com os demais candidatos que a política oferecia à época, que em grande parte participava pela pela primeira vez de uma eleição para Presidente do Brasil. Não foi eleito no primeiro turno, mas cumpriu sua promessa e chegou ao poder ao derrotar o candidato Lula no segundo turno na eleição de 15 de novembro de 1989.

O promissor Fernando Collor de Mello tomou posse no dia 15 de março de 1990, para um mandato de quatro anos. Contudo, o mesmo frenesi popular que o projetou nesta vitória voltaria à cena dois anos depois. Só que não mais como seu aliado.

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21 de maio de 1968: 10 milhões param a França

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968

Trezentas fábricas ocupadas e centenas interditadas, inclusive as grandes indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e as automobilísticas. Paralisação total do sistema de transportes, à exceção dos táxis. Nenhum trem, ônibus ou avião em circulação para a locomoção municipal, interprovincial ou para o exterior. No setor das comunicações, em funcionamento apenas o sistema telefônico direto e o serviço de telegramas. Fora do ar todo o sistema de rádio e televisão. Contingentes da Polícia no entorno dos prédios públicos. Esgotados os estoques de alimentos, falta de combustíveis e acúmulo de lixo nas ruas. Pichados os muros e monumentos de Paris, historicamente zelados pela importância cultural. Escolas fechadas. A França isola-se. Paris transforma-se na capital da crise do mundo moderno.

Outras efemérides de 21 de maio
1968: O dia em que a França parou
1975: Julgamento do Baader-Meinhof
1998: Suharto abdica do poder na Indonésia

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968 - página 7
Continuando o efeito dominó, o movimento grevista, que já abalava a França desde o início do mês com os protestos dos estudantes e o apoio pleno da classe operária, alcançou seu ponto máximo estimando-se 10 milhões de integrantes, em virtude da adesão de novos setores em todo o país. Pararam os portos marítimos e fluviais, as instituições financeiras e os serviços públicos, que colocaram em xeque-mate o fornecimento de energia elétrica, gás e água.

Na maior greve de sua história, a França teve sua infra-estrutura largamente paralisada ou rendida ao controle operário.


O alvo das reivindicações era o Governo De Gaulle: reclamava-se a derrubada do governo, a tomada do poder e por mudanças políticas radicais. Acuado o presidente Charles de Gaulle anunciou que o governo levaria a cabo as reformas educacionais pedidas pelos estudantes e garantiria melhores condições à classe trabalhadora.

Os ecos do maio francês de 1968

Paradoxalmente, a greve geral que isolou a França atraiu para o país as atenções de todo o mundo. Após as tensas semanas da primavera, a paralisação chegou ao fim. Com os dias contados estava também o governo do General De Gaulle, que renunciaria ao mandato em abril de 1969, após uma derrota no referendo para transformar o Senado francês num corpo consultivo.

A dimensão daquele maio de 68 ficou evidente na repercussão dada à greve geral além das fronteiras da França. Propagando ideais de igualdade e liberdade, o movimento revolucionário inspirou levantes sociais no mundo inteiro.

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20 de maio de 1991: Morre o irreverente jornalista Tarso de Castro

Morre Tarso de Castro. Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de maio de 1991.





"A turma do Pasquim comunica o falecimento, em São Paulo, do seu fundador jornalista Tarso de Castro, um dos mais ardorosos defensores da liberdade de imprensa do jornalismo brasileiro. Sem Tarso o Brasil fica mais pobre, mais triste e menos irreverente".
Turma do Pasquim




Tarso de Castro, 49 anos, morreu de insuficiência hepática no Hospital das Clínicas em São Paulo, chegando ao fim um processo anunciado desde pelo menos 1988, quando surgiram os primeiros sinais de sua cirrose hepática.

Gaucho, filho do jornalista Mucio de Castro, fundador do Jornal O Nacional, Tarso nasceu praticamente dentro de uma redação. E neste ambiente consolidou sua trajetória, prioritariamente conduzida pelo viés político. Trabalhou com Samuel Wainer na Última Hora, fundou o semanário Panfleto. Foi um dos fundadores do Pasquim, e pertenceu ao grupo que revolucionou a linguagem brasileira através da imprensa alternativa. Após o Pasquim, editou o JA - Jornal de Amenidades, o Enfim, o suplemento Folhetim da Folha de São Paulo, a Tribuna da Imprensa, a revista Careta e o jornal O Nacional.

Enfrentou a censura e projetou nacionalmente o reduto boêmio de Ipanema. Irreverente, de estilo sarcástico, crítico sem anestesia, consigo mesmo e com os amigos, era implacável com os adversários, quase sempre instalados no poder.

Também destilou sua mordacidade como colunista da Folha de São Paulo, trabalho que abandonou poucos meses antes de morrer, debilitado pela doença. Publicou um livro Pai solteiro e outras histórias, dedicado ao filho João e a mãe Ada.

Anúncio de obituário. Reprodução

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18 de maio: O Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes

O Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes foi instituído pela Lei n.º 9.970, de 17 de maio de 2000, com objetivo de mobilizar o governo e a sociedade para denunciar e enfrentar essa forma cruel de violação de direitos de meninas, meninos e jovens brasileiros. A data escolhida é uma homenagem à memória da menina Araceli Cabrera Crespo, espancada e violentada até a morte, aos 8 anos, em 18 de maio de 1973.

Trata-se de um alerta. Não há o que comemorar. A Justiça não pode devolver a inocência tirada de uma criança. As marcas reverberam na sociedade. Ainda há um longo caminho para se formar uma consciência nacional que denuncie e rompa com esse ciclo de violência, que na grande maioria das vezes acontece dentro da própria casa.

Outras efemérides de 18 de maio
1973: Araceli, vítima da crueldade
1989: Aumenta a onda de protestos na China
1999: A telenovela de Dias Gomes
2000: Fim de jogo para o Divino Mestre Domingos da Guia

A violência sexual praticada em crianças e adolescentes pode manifestar-se de diversas formas, sendo as de maior ocorrência, o abuso sexual dentro da própria família e a exploração sexual para fins comerciais, como a prostituição, a pornografia e o tráfico. Todas as suas expressões constituem crime e são, sem dúvida, cruéis violações dos direitos humanos.

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17 de maio de 2008: Era uma vez Zelia Gattai, graças a deus

"Zélia Gattai não tem falsos pudores. Sempre admitiu que escreve porque vive o privilégio de compartilhar seus dias com o maior best-seller da literatura brasileira,o baiano Jorge Amado. Mas do que este poderoso estímulo, porém, Zélia sempre foi excelente contadora de histórias. Dessas que interpreta cada personagem com entonações diferentes e muitas gesticulações. Entre seus ouvintes, estiveram gente famosa, como o poeta chileno Pablo Neruda, e críticos severos, como o neto Bruno, que ficava zangado quando a avó não reproduzia as histórias que inventava para ele com o mesmo enredo". Jornal do Brasil

Outras efemérides de 17 de maio
1926: Marinetti para o leitor do JB
1973: Começa o julgamento do Caso Watergate
1974: O marco da construção de Itaipu

Filha de anarquistas italianos pobres (caçula de uma prole de cinco), Zelia Gattai nasceu numa próspera São Paulo no dia 2 de julho no ano de 1916. Foi na infância, na casa da Alameda Santos, sem fechaduras nem trancas, que assistiu os primeiros automóveis entrarem em circulação e a cidade se encantar com as películas do cinema mudo. Memórias que ela mesma revelaria anos mais tarde ao publicar seu primeiro livro, Anarquistas graças a Deus (1979), escrito sem qualquer pretensão literária.

Na juventude, dando continuidade ao engajamento familiar, viveu a experiência política e cultural da paulicéia, e fez amizade com diversos intelectuais da época. Aos 20 anos, casaria-se com um deles, Aldo Veiga, militante do Partido Comunista, com que conviveu por oito anos, e teve seu primeiro filho: Luiz Carlos.

Zélia e Jorge se conheceram quando ele, então um experiente líder comunista chegou a São Paulo, logo depois do fim da Segunda Guerra (1939-1945) e da ditadura do Estado Novo (1937-1945), para fazer a campanha pela libertação dos presos políticos. O encontro foi durante um congresso de literatura. Não demoraria para que, diante de tantos interesses em comum, se descobrissem também apaixonados, dando início a um relacionamento que perduraria para sempre, até a morte do escritor em 6 de agosto de 2001.

Com Jorge, Zélia teve mais dois filhos. João Jorge nasceu em 1946. Paloma, cinco anos mais tarde, em Praga, quando a família já tinha deixado o Brasil, por questões políticas. Exilado, o casal tem uma intensa experiência cultural convivendo no meio intelectual europeu.

De volta ao Brasil em 1952, a família passa a morar na casa dos pais de Zélia, até decidir fixar residência no número 33 da Rua Alagoinhas, em Salvador. É nesse endereço em começa a fase literária de Zélia, então com 63 anos. "Eu aprendi a gostar de escrever. Quando escrevo me realizo e sinto emoções como nunca. Tenho um prazer infinito em escrever".

Depois de Anarquistas..., a idéia do segundo livro, Um Chapéu para Viagem (1982) também dedicado às suas memórias, surge a partir da proximidade dos 50 anos de lançamento do primeiro romance de Jorge Amado, como uma forma de participar das homenagens prestadas ao marido. A obra é um retrato de Zélia sobre a infância de Jorge Amado e da família do escritor.

Aliás, as aventuras no endereço baiano também se tornaria uma obra de Zélia. O livro A casa do Rio Vermelho (1999) é um gesto de amor para Jorge Amado e o relato do agitado e apaixonante cotidiano dos dois em Salvador.
Zelia Gattai e Jorge Amado. Adriana Lorette


Imortal, é a sexta ocupante da Cadeira nº 23, eleita em 7 de dezembro de 2001, na sucessão de Jorge Amado e recebida em 21 de maio de 2002 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Zélia Gattai morreu no dia 17 de maio de 2008, aos 91 anos, na tarde de um sábado, no Hospital Bahia, após ficar internada por um mês. Seu corpo foi cremado e suas cinzas foram depositadas na casa do Rio Vermelho, da mesma forma como aconteceu com Jorge Amado.

Deixou um legado de 14 livros publicados e muitas histórias para contar.

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16 de maio de 1943: O fim do Gueto de Varsóvia

Vítimas no Gueto de Varsóvia. Reprodução de Internet

O Gueto de Varsóvia não existe mais. Das construções da porção judaica da cidade polonesa, só restaram escombros. Dos judeus que lá estavam confinados, sem direito a trabalho, higiene ou alimentação, só restaram pilhas de cadáveres. Estima-se que foram 56 mil mortos. Assim terminou a revolta do Gueto de Varsóvia, na qual judeus mal-armados e famintos enfrentaram as forças alemãs durante quatro semanas. A opção pelo confronto, mesmo sabendo da desigualdade entre as forças, foi consciente. Era melhor morrer lutando com dignidade do que ser aprisionado em campos de concentração onde chegariam como animais em abatedouros. Já havia o conhecimento do destino traçado aos demais 300 mil habitantes que foram levados para Sobibor ou Treblinka. Portanto, era melhor enfrentar tanques com coquetéis molotov; era melhor morrer queimado vivo dentro da própria casa do que deixar-se arrastar pelos alemães, que entraram no gueto no dia 19 de abril com a missão de evacuar a área e embarcar toda a população para os campos de concentração.

As poucas fugas que se tem conhecimento foram através das saídas de esgoto.

outras efemérides de 16 de maio
1989: China inicia uma nova era
1997: Mobutu Sese Seko abandona o poder
1990: Morre o eclético talento de Sammy Davis Jr

O Gueto de Varsóvia foi a concentração forçada de um grupo judaico da cidade polonesa, isolado pelos nazistas a partir de 1939, quando da invasão alemã aquele país, durante a Segunda Guerra Mundial. Cercado por um muro, arames e cacos de vidros, tornou-se o destino obrigatório de todos os judeus de Varsóvia evidenciando ainda mais a segregação. Sua população chegou a atingir 380.000 pessoas, sob condições desumanas, expostas a doenças, ao frio e à fome. Em julho de 1942, como estratégia principalmente de minimizar o contágio de epidemias, iniciou-se a transferência forçada dos judeus mais fragilizados, os que não tinham disposição como força de trabalho, entre eles idosos, mulheres e crianças, para campo de extermínio. Restaram cerca de 60 mil habitantes no gueto, promovendo uma qualificação de espaço e alimentação. Os judeus que permaneceram trabalhavam como escravos para as fábricas alemãs. Esses remanescentes passaram a compor organizações pela Luta Judaica. Esses grupos de resistências muniram-se com armas e bombas, numa tentativa de enfraquecer a presença do exército alemão. Formaram também instituições culturais e de auxílio de alimentação e educação aos judeus.

Mas o clima de medo nunca deixou de existir. Da mesma, também não os impediu de lutar pela libertação até o fim.

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15 de maio de 1975: A saga teatral de Abajur Lilás


Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de abril de 1975 - Caderno B, página 4
"Há muito tempo
que o teatro brasileiro
vem sofrendo
toda a sorte de pressões
e de cerceamento
à sua liberdade de expressão.
Os critérios utilizados
pelos poderes constituídos
escapam à nossa compreensão,
e o rigor que se utiliza contra nós,
impede freqüentemente
que possamos apresentar
um trabalho de maior profundidade
e de que sejamos
o espelho do nosso tempo,
como é função
da arte teatral
".
Manifesto da Classe Teatral


Os teatros paulistas suspenderam seus espetáculos em solidariedade ao autor Plínio Marcos, que teve sua peça Abajur Lilás novamente proibida pela Censura federal às vésperas de sua estréia. Em protesto, um manifesto da classe passou a circular no palco de várias companhias teatrais durante as semanas seguintes, antes das apresentações.

Outras efemérides de 15 de maio
1966: Morre o ex-Presidente Venceslau Brás
1994: O genocídio em Ruanda

Abajur Lilás foi escrita em 1969. Naquela ocasião foram dados os passos iniciais para a montagem do espetáculo: seleção de elenco, produção, ensaios; prevendo-se a estréia para o ano seguinte. Mas chegou 1970 e veio o primeiro golpe: Numa das levas de textos teatrais vetados pelo Governo estava Abajur Lilás. A Censura sentenciou a proibição da obra por cinco anos para todo o território nacional. Em 1975, expirada a sentença, Abajur Lilás estava de volta. A montagem foi retomada. Realizado o ensaio final, tudo estava pronto. Ou quase: faltava a aprovação dos censores que avaliariam a encenação a portas fechadas tal como seria exibida ao público. E novamente Abajur Lilás sucumbia ao crivo da Censura. O Ministro da Justiça, Armando Falcão, reiterou a proibição, alegando ferir a moral e os bons costumes. Abajur Lilás, de simples obra de dramaturgia se preconizou como símbolo da persistência da classe teatral. A peça só foi liberada pela Censura em 1980.

Torturas, confissões e a redenção

De linguagem livre, Abajur Lilás polemiza em torno da disputa travada entre os personagens para descobrir o verdadeiro culpado pela destruição do objeto de desejo do protagonista, um abajur. A trama retrata a degradação humana nas relações entre personagens que sobrevivem à beira da marginalidade: Giro, um homossexual sádico; Dilma, prostituta moralista e apegada a valores; Heleninha, prostituta alienada e individualista; Célia, uma prostituta revoltada e firme; e Oswaldo, um gigolô. Um jogo de torturas e confissões, onde o conflito interno de cada personagem é a busca da redenção.

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14 de maio de 1987: Sétima arte perde seu mito Rita Hayworth

Rita Hayworth.

Rita Hayworth, 68 anos, a dona da beleza estonteante de Hollywood que ganhou fama internacional nos anos 40, morreu na noite de quinta-feira, de Alzheimer, em seu apartamento Central West Park em Manhattan. Precocemente envelhecida pela doença, chegava ao fim o último capítulo da atribulada trajetória de um dos maiolres símbolos sexuauis do século.

Outras efemérides de 14 de maio
1948: É criado o Estado de Israel
1955: Assinatura do Pacto de Varsóvia
1998: A América perde sua maior voz. Morre Frank Sinatra


"Put the blame on Mame, boys". As luvas negras caiam em um simulacro de striptease, a voz sensual eletrizando as platéias do mundo inteiro. Era 1946, e a sequência tornou o filme um dos clássicos do cinema hollywoodiano: Gilda. "Nunca houve uma mulher como Gilda", dizia a publicidade da época. Seria o momento maior de Rita Hayworth, aliás, Margarita Carmen Cansino.

A morte de Rita Hayworth.Jornal do Brasil: Sábado, 16 de maio de 1987.A beleza, aliada a uma certa elegância cênica, havia feito que, após vê-la em trabalhos sem expresão, Fred Astaire aceitase dançar a seu lado (filha de bailarinos, ela começara a carreria dançando, aos 12 anos) em Ao compasso do amor (1941). Apesar da produção barata, o encontro foi tão mágico que logo e seguida filmaram Bonita como nunca (1942). Registra a lenda: Astaire a considerou melhor partenaire que Ginger Rogers.

Eram tempos risonhos e francos. Cansada do primeiro marido, Edward Judson, 22 anos mais velho, qe abandonou os negócios para cuidar da cvarreira da atriz, Rita passou a colecionar romances: Victor Mature, Orson Wellesm Aly Khan, James Hill...

Mas os anos 50 começariam a marca o fim do ciclo. O contrato com a Columbia de Gilda não lhe garantia bons papéis e sua atuação começou a ser reduzida. Era então, uma beleza em processo de fenecimento. Rita tinha consciência de que sua tumultuada trajetória poderia não ter um grande final. Um dia, quando lhe perguntaram a razão de tantos casamentos, limitou-se a responder: "A maioria dos homens se casa com Gilda. Mas acorda mesmo é ao meu lado". Entre o mito e a realidade, como ficava Margarida? A história segue contornos da mais terrível clicheria: No início dos anos 70, Rita afoga suas rugas em álcool, a ponto de em alguns anos ser considerada de gerir seus bens. Nos último anos, Rita só surgiu nos noticiários para entristecer os fãs. Em 1981, seu advogado a declarou incapaz em definitivo de cuidar de si. Já portadora do Alzheimer, ela passou a abrigar-se na casa de sua única filha, Yasmin, que passou a conduzir seu tratamento. Mas Rita começou a batalha sem possibilidade de vitória. Sua saúde apenas se deteriorou, desde então.

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13 de maio de 1984: O suicídio de Pedro Nava

A morte de Pedro Nava. Jornal do Brasil: Terça-feira, 15 de maio de 1984
"Naquela altura ele ficou distante, transmudou-se na coisa além das afeições, das convenções, dos contratos, das reciprocidades"
Pedro Nava, em Baú de Ossos

Encostado a um oitizeiro na Glória, bairro em que morava há mais de 40 anos, no Rio de Janeiro, o médico e escritor Pedro Nava, 80 anos, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça. Segundo a perícia, o próprio Pedro atentou contra sua vida.

Conforme seu último desejo expresso em cartas a vários amigos, entre os quais o poeta Carlos Drummond de Andrade e o bibliófilo Plínio Doyle, seu corpo foi embalsamado, e velado no cemitério do Caju, numa capela que abrigava, além do caixão rodeado por palmas e pétalas de rosas, familiares e amigos. Também ainda a um pedido seu, foi sepultado junto de sua mãe.

O que se apagou na noite de um domingo, com a morte de Pedro Nava, foi muito mais do que a luz de um círio, aquele perfeito e consumado círio de que fala o título do seu último livro, publicado às vésperas do Natal do ano anterior. Apagou-se isto sim, uma enorme e luminosa fogueira de talento e verdade, à beira-mar acessa justamente num momento em que a navegação da inteligência nacional se fazia em meio à treva e em sentido contrário aos ventos do silêncio. Foi em 1972 que Nava publicou Baú de Ossos, o primeiro de seis volumes em que se desdobram as suas memórias, com as quais, ele passou sem transição da categoria "algo ambíguo de autor bissexto" para o "plano mais rarefeito dos grandes escritores".

Outras efemérides de 13 de maio
1908: Cem anos da Imprensa Régia
1971: Princesa Isabel é sepultada em Petrópolis
1988: O centenário de uma abolição questionada
1994: Os custos da escravidão

Filho de médico, Pedro Nava nasceu na cidade mineira de Juiz de Fora em 5 de junho de 1903, onde fez seus estudos primários. Cursou humanidades como interno no Colégio Pedro II, no Rio. Formado em Medicina pela Universidade de Minas Gerais, em 1927, clinicou e Juiz de Fora, Belo Horizonte e Monte Aprazível, interior de São Paulo. Transferiu-se para o Rio em 1933. Dirigiu hospitais e lecionou em universidades. Publicou cerca de 300 trabalhos científicos sobre a sua especialidade, a reumatologia, presidindo a Sociedade Brasileira de Reumatologia e a Pan Americana League Against Rheumathism.

Embora só em 1972 tenha estreado literariamente, em livro, participou ativamente do movimento modernista em Minas, colaborando em A Revista. Um de seus famosos poemas, O defunto, figura na Antologia de poetas brasileiros bissextos contemporâneos, organizada por Manuel Bandeira.

Suas memórias começaram a aparecer em 1972, com Bau de Ossos (Prêmio Pen Clube e Associação Paulista de Críticos de Arte), seguido de Balão Cativo (1973), Chão de Ferro (1976), Beira-Mar (1978), Galo das Trevas (1981) e Círio Perfeito (1983).

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12 de maio de 1967: Terra em Transe de Glauber Rocha conquista Cannes

Terra em Transe de Glauber conquista Cannes. Jornal do Brasil: Sábado, 13 de maio de 1967.
"Com estes dois prêmios sinto-me recompensado pelo trabalho que tive para realizar e exibir este filme em Cannes, apesar de ter contra mim as autoridades brasileiras e a censura. Para o cinema novo, é uma demonstração de que nosso mvimento cinematográfico afirma-se no mundo sem favoritismos e sem concessões". Glauber Rocha

Na edição em que Blow-Up, do diretor italiano Michelangelo Antonioni sagrou-se o grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Terra em Transe, o filme de Glauber Rocha - quase proibido no Brasil - arrematou dois prêmios: Pela originalidade com que expressou uma situação que compromete o destino do homem latino-americano e o de todo mundo, Terra em Transe mereceu o Prêmio da Crítica Internacional, da 20ª edição do festival de Cannes, concedido por críticos de 20 países. Pela sua qualidade, sua amplitude ideológica e sua novidade estética, que interessa particularmente em função da realidade do Brasil, os críticos de Barcelona e Madri atribuíram ao filme de Glauber Rocha o Prêmio Luis Buñuel.

Outras efemérides de 12 de maio
1937: A coroação do Rei Jorge VI
1982: João Paulo II sofre tentativa de atentado em Fátima
1997: Acordo de paz entre Rússia e Chechênia


Luis Carlos Barreto, um dos produtores de Terra em Transe, destacou a importância da conquista do prêmio da Crítica Internacional, para ele a mais importante do festival de Cannes, pela magnitude de sua expressão artística, cultural e até mesmo comercial, por representar o aplauso de críticos de todo o mundo fora de qualquer injunção política do festival. A vitória do filme simbolizou a continuidade de todo o esforço que o cinema brasileiro vinha fazendo de penetração e valorização no cenário mundial. E fez.

Assista ao trailer de Terra em Transe:


Leia também:

26 de outubro de 1976 - A morte de Di Cavalcanti di Glauber
26 de maio de 1977 – Glauber ganha Prêmio Especial em Cannes
22 de agosto de 1981 – Morre Glauber, o gênio do cinema brasileiro

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11 de maio de 1998: Testes atômicos da Índia causam revolta internacional

India realiza testes nucleares e provoca protestos em todo o mundo. Jornal do Brasil: terça-feira, 12 de maio de 1998.
Pela primeira vez em 24 anos, o governo da Índia realizou três testes atômicos subterrâneas no deserto de Pokhran, a 100 quilometros da fronteira com o Paquistão, e declarou possuir a capacidade de produzir armas atômicas. O anúncio provocou imediata reação de protesto na comunidade asiática, e foi recebido no Ocidente como um golpe nos esforços de conter a proliferação de armas nucleares.

O primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, recém eleito e lutando para manter a frágil coalização em que se apoiava seu governo, alegou razões de segurança e decidiu cumprir as promessas de campanha e jogar duro na guerra de nervos instaurada com o Paquistão e a China, países vizinhos de relações pouco amigáveis.

A Índia foi um dos poucos países que se recusaram a assinar o Tratado de Não-Proliferação de Armas Atômicas (em vigor desde 1970). A alegação do governo de Nova Deli foi de que o acordo tinha pretensões discriminatórias, já que as superpotências nucleares já haviam realizado seus testes: "Este é o nosso repúdio à política de apartheid que o Ocidente tentou nos impor", disse o presidente do partido hindu nacionalista. A Índia liderou a oposição ao Tratado Abrangente de Banimento de Testes Nucleares, adotado pela ONU em 1996, pois ele não considerou um calendário para o desarmamento dos países com capacidade nuclear então declarada - EUA, China, Rússia, Grã-Bretanha e França.

No mesmo ano, o Paquistão promoveu testes com bombas nucleares sob argumento de autodefesa, em razão do poderio da Índia.

A Índia testou sua primeira bomba atômica em 1974, sendo a pioneira no Terceiro Mundo. Com as explosões, o país passou a integrar o grupo das potências nucleares declaradas do mundo. No dia 19 de abril deste ano, a Índia testou um míssil capaz de transportar armas nucleares e de alcançar Pequim e o Leste Europeu - distância que poucas potências nucleares conseguem atingir. Pioneiro e detentor do maior arsenal atômico do planeta, até aqui, os Estados Unidos foi o único país a utilizar a arma contra um inimigo.

Outras efemérides de 11 de maio
1981: Reggae perde Bob Marley

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10 de maio de 1946: Sertão brasileiro perde Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense
"Se Deus me ouvisse com amor e caridade, me faria essa vontade o ideal do coração: Era que a morte a descontar me surpreendesse e eu morresse numa noite de luar do meu sertão ".
Catulo da Paixão Cearense

Muito bem definido por Mário de Andrade como o maior criador de imagens da poesia brasileira, Catulo da Paixão Cearense, 83 anos, morreu de causas naturais, nos deixando num outono do Rio de Janeiro, para a tristeza dos amantes da boa música e das histórias do sertão.

Outras efemérides de 10 de maio
1937: O massacre do Caldeirão
1968: A sexta-feira sangrenta da França
1977: Morre Joan Crawford
1994: Nelson Mandela assume a presidência da África do Sul

Catulo da Paixão Cearense, apesar do que diz o nome, nasceu em São Luís do Maranhão, em 8 de outubro de 1863. O sobrenome veio da infância, vivida no sertão cearense, que levaria mais tarde, Brasil afora, na alma de sua obra. Jovem ainda chegou ao Rio com a família. Logo passou a dedilhar o violão pelas ruas da cidade, um autêntico seresteiro das noites cariocas, num tempo em que música e boemia andavam sempre de mãos dadas. Escreveu letras para modinhas, choros e canções de artistas famosos da época, como Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth.

Sua letra mais conhecida, no entanto, foi feita para Luar do Sertão, modinha de João Pernambuco. A canção acabou se tornando um clássico da música popular.

Entre seus livros de poemas, destacam-se Meu Sertão (1918), Sertão em Flor (1919), Mata Iluminada e Alma do Sertão, os dois últimos de 1928. Também fizeram sucesso as canções Ontem ao Luar e Tu Passaste por este Jardim.

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9 de maio de 1605: A publicação da primeira parte de Don Quijote

Don Quijote. Reprodução
"Pois que o amor e a afeição com facilidade cegam os olhos do entendimento". Dom Quixote

A primeira parte de Don Quijote de la Mancha, o trabalho mais famoso de Miguel de Cervantes, foi publicada em 9 de maio de 1605. No mesmo ano, a obra ganhou seis edições, fato muito raro para a época.A segunda parte só seria publicada dez anos mais tarde.

Outras efemérides de 9 de maio
1967: Brasil assina tratado de proscrição de armas nucleares
1968: URSS invade Tcheco-Eslováquia
1978: Fanatismo sentencia Moro

Don Quijote é um cavaleiro andante que, influenciado pela literatura de contos sobre a cavalaria medieval, vive diversas aventuras pelo interior da Espanha, sempre acompanhado de seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Dono de um rico imagiário, o fidalgo mergulha em seus delírios, tomado muitas vezes como um louco. Mas é um herói lírico, de sentimentos nobres e puros, típico da época, sempre em busca de provar o seu amor pela amada Dulcinéia Del Toboso. E encanta os leitores, ao despertar simpatia e fé.

É uma das obras mais conhecidas da literatura mundial, que atravessou os séculos e permanece como uma das leituras mais influentes na cultura ocidental.

Miguel de Cervantes
Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em 29 de setembro de 1547 na pequena Alcalá de Henares, cidade perto de Madri, numa família da baixa nobreza. Só aos 58 anos, após uma vida de toda sorte de atividades - lutou em combates, foi cobrador de impostos do governo, trabalhou como serviçal para um cardeal - lançou-se na literatura com a publicação da primeira parte de Don Quijote de la Mancha, o que o grande público considera o momento maior de sua obra.

Romancista, dramaturgo e poeta, revolucionou a literatura ao utilizar recursos como a ironia e o humor, consagrando-se o autor mais famoso da Espanha.

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8 de maio de 1950: Brasil perde Vital Brazil, um de seus maiores cientistas

A morte do cientista Vital Brazil. Jornal do Brasil: Terça-feira, 9 de maio de 1950.
"Fiz uma parte do que gostaria de fazer pela humanidade".
Vita Brazil

O médico cientista Dr. Vital Brasil, 85 anos, um dos mais importantes nomes da ciência médica brasileira e consagrado no cenário internacional, morreu durante a tarde em seu apartamento na Praia do Flamengo, zona sul carioca.

Viúvo de Maria da Conceição Philipina de Magalhães em 1913, casou-se novamente em 1920, com Dinah Carneiro Viana, com quem viveu até o fim. Teve ao todo 18 filhos, nove em cada casamento.

Outras efemérides de 8 de maio
1945: Fim da Segunda Guerra - o dia da Vitoria
1967: O Centenário da Retirada de Laguna
1982: A última aterrissagem de Gilles Villeneuve, o piloto voador

Vital Brazil Mineiro da Campanha nasceu no dia 28 de abril de 1865, na cidade mineira de Campanha, ainda nos tempos da escravidão. Seu nome, pode se dizer, foi uma homenagem por extenso ao Santo do dia, ao país, estado e cidade em que nasceu.

Na juventude, já no Rio, ingressou na Faculdade de Medicina, de onde, depois de se formar em 1891, seguiu para uma temporada de estudos em Paris. De volta ao Brasil, um ano depois, fixou residência em São Paulo, e teve participação decisiva nas campanhas contra a febre amarela, a cólera e a peste bubônica pelo interior do estado.

No ano de 1898, desenvolvendo pesquisas no Instituto Bacteriológico de São Paulo, dirigido por Adolfo Lutz, alcançou o triunfo, ao descobrir a especificidade dos soros antipeçonhentos. Seu trabalho foi um marco no conceito da imunologia. Oferecia à Medicina, pela primeira vez, um produto efetivamente eficiente no tratamento do acidente ofídico que, sem substituto, é até hoje o tratamento mais eficaz para a picada de cobra. No ano seguinte foi um dos fundadores do Instituto Butantã, onde exerceu por duas décadas o cargo de diretor, dando contribuição incontestável para que a instituição se tornasse referência mundial no combate às mortes por envenenamento.

Após esta experiência, mudou-se para o Rio, e fundou o Instituto de Higiene, Soroterapia e Veterinária em Niterói, com o compromisso de ser um centro de pesquisa e produção de soros, vacinas e remédios. Posteriormente, a instituição passou a levar seu nome: Instituto Vital Brazil. Manteve-se à frente da direção até sua morte.

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7 de maio de 1990: O silêncio da Divina Elizeth Cardoso

Primeira página do Caderno B:  8 de maio de 1990
"Até as deusas podem morrer. A ausência de Elizeth Cardoso silencia uma das mais belas vozes de nossa música popular, um oceano pacífico que por mais de 50 anos encharcou seus fãs de poesia e majestade. Foi única, não por se esforçar numa frenética busca de originalidade, vício de muita cantora atual, mas simplesmente porque imprimia em sua voz de contralto, arranhada de prussianos erres, a mesma fibra do caráter com que encarou a juventude pobre e os amores falidos". Jornal do Brasil

Outra efeméride de 7 de maio
1945: Alemanha se rende aos Aliados

A cantora Elizeth Cardoso, 69 anos, morreu numa clínica em Botafogo, no Rio, onde estava em tratamento de um câncer de estômago, doença contra a qual lutou nos últimos três anos. Velada no Teatro João Caetano, a portelense e flamenguista pediu que sobre seu caixão repousasse uma bandeira rubro-negra e outra do Cordão do Bola Preta. Assim se fez.

Uma das mais belas vozes da MPB, nasceu no Rio em 1920. Os fãs da boa música devem eterna gratidão a Jacob do Bandolin, que a descobriu 16 anos depois. O sucesso chegou com a gravação de Canção de Amor (1949). Em 54 anos de carreira, a dama que esbanjava classe nos palcos, gravou mais de 60 LPs, imortalizando composições de grandes nomes da MPB, como Ary Barroso, Cartola, Lamartine Babo, Noel Rosa e Paulinho da Viola.

Precursora da invenção da Bossa Nova
Foi em uma de suas fases românticas que Elizeth contribuiu para deflagrar o movimento musical que sairia das salas dos apartamentos da Zona Sul carioca para ganhar o mundo: a Bossa Nova. Misturando sua interpretação com a poesia delirantemente apaixonada de Vinicius de Moraes, as melodias e os arranjos de Tom Jobim, e a batida diferente de João Gilberto, lançou Canção do amor demais. Estranha a princípio, a combinação insólita se transformou num clássico. Era o anúncio da chegada de um samba diferente que encantaria com sua harmonia sintetizada na voz e no violão.



Confira, clicando sobre os respectivos nomes abaixo, depoimentos sobre a Divina.
Herivelton Martins | Dorival Caymmi | Ademilde Fonseca | Hermínio Bello de Carvalho
Dona Ivone Lara | Marlene | Noca da Portela



Para ver imagens históricas de Elizeth Cardoso, é só curtir a Fan Page do CPDoc JB!

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6 de maio de 1932: O assassinato do presidente francês Paul Doumer

O que era para ser mais um compromisso público do chefe de estado francês acabou tornando-se numa grande tragédia. Enquanto preparava-se para assistir a cerimônia de inauguração da Tarde do Livro, o presidente francês Paul Doumer, 75 anos, foi alvejado por um exilado russo no interior da Casa Salomon Rothschlid, sendo atingido no pescoço, peito e abdomen.

Imediatamente transferido para o hospital, e apesar de todos os esforços médicos, acabou não resistindo aos ferimentos, falecendo poucas horas depois. Interrompia-se assim, prematuramente, seu mandato à frente da terceira república francesa menos de um ano depois de assumir a presidência.

A inesperada notícia do atentado causou assombro e comoção em todo o mundo pela sua notória popularidade.

Outras efemérides de 6 de maio
1937: O incêndio do Zeppelin
1969: Derrame tira Cacilda Becker de cena
1992: morre Marlene Dietrich, a inesquecível Lola

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5 de maio de 1928: A inauguração da estrada Rio-São Paulo

"A estrada Rio-São Paulo, cuja inauguração se verifica hoje, é uma obra notável, executada no curto espaço de quinze meses, que honra os
Jornal do Brasil: Domingo, 6 de maio de 1928 - página 8
técnicos nacionais que a projetaram e construíram, e vem engrandecer mais ainda o já numeroso acervo de glórias da engenharia brasileira."

Jornal do Brasil


Outras efemérides de 5 de maio
1961: EUA mandam seu primeiro homem ao espaço
1987: Morre Tenório Cavalcanti, o homem da capa preta
1994: A morte do poeta Mário Quintana

Após habitar os anseios de fluminenses e paulistas, consolidava-se o elo rodoviário entre os mais importantes centros político-econômicos do país. Num momento memorável para a engenharia nacional, a comitiva presidencial, liderada pelo chefe do governo Washington Luís (1926-1930) partiu do Palácio Guanabara, em direção a São Paulo, na viagem inaugural da Estrada de Rodagem Rio-São Paulo. Ao longo do trajeto, sucessivas manifestações, programadas e espontâneas, atraíram a participação de populares numa demonstração máxima de contentamento.

O empreendimento da rodovia Rio-São Paulo fez parte do grande plano rodoviário do Governo de Washington Luís (defendido em campanha eleitoral com o lema Governar é abrir estradas), impondo-se como medida primordial à expansão da integração do Brasil, até então restrita às linhas férreas(Saiba aqui mais sobre a história da primeira viagem Rio-São Paulo de trem). Além de aproximar a Capital Federal de vários destinos estratégicos ao progresso do país, quebrou o monopólio das ferrovias, favoreceu o intercâmbio comercial, facilitou a convergência de produtos agrícolas para os centros de consumo e trouxe novas perspectivas de desenvolvimento para as cidades interioranas às suas margens.

Em 19 de janeiro de 1951, a Rio-São Paulo cedeu vez a um novo traçado: a Rodovia Presidente Dutra, com tempo de viagem sensivelmente reduzido. Atualmente, a Via Dutra é o principal eixo rodoviário do Brasil.

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4 de maio de 2012: 54 anos de Keith Haring, a irreverência do Graffiti

Keith Haring

Nascido na Pensilvânia em 4 de maio de 1958, logo descobriu sua paixão pelo desenho, combinando uma herança do talento de seu pai e a inspiração na cultura popular efervescente à sua volta.

Foi na década de 80, ao se mudar para Nova York, que se deu conta dos espaços vazios que a cidade oferecia ao seu spray. Começou a pintar nos trens do metrô, e ganhou as ruas, gratifando tudo que era painel e parede. A cidade recebeu com curiosidade seus desenhos que a essa altura já estampavam em praças, edifício e outros lugares públicos.

Diagnosticado com Aids em 1988, criou no ano seguinte a Keith Haring Foundation com missão de angariar fundos de incentivo a organizações dedicadas a estudos sobre o vírus, a qualidade de vida de pacientes e a conscientização social. Nesse mesmo ano, fez a sua última obra pública: o grande mural intitulado Tuttomondo, dedicado à paz universal. Ele morreu no dia 16 de fevereiro de 1990, após complicações decorrentes da Aids.

Aclamado internacionalmente, deixou uma obra espontânea, colorida e alegre, com acentos de intuição que o levou a pintar o correto, no lugar e momento precisos. Expressou conceitos universais de vida, morte, amor, sexo e guerra numa linguagem visual fruto de sua grande força criativa. Sua irreverência o tornou uma das figuras que mais movimentaram o circuito urbano mundial de sua geração, consagrando-o a grande vedete da arte Graffiti.

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4 de maio de 1937: Adeus a Noel Rosa, o poeta maior da Vila

Noel Rosa. Reprodução
"Nosso amor que eu não esqueço e que teve o seu começo numa festa de São João. Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete, sem luar, sem violão. Perto de você me calo, tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar. Nunca mais quero o seu beijo, mas meu último desejo, você não pode negar. Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga, se você me quer ou não. Diga que você me adora, que você lamenta e chora a nossa separação. E às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida, que eu não mereço a comida que você pagou pra mim." Noel Rosa

Outras efemérides de 4 de maio
1933: As negociações de paz na região do Chaco
1979: Inicia-se a era Tatcher na Inglaterra

O morro está de luto. Morreu Noel Rosa, 26 anos, vítima de uma tuberculose que o perseguiu em sua vida boêmia, o sambista maior de Vila Isabel. Para a música popular, o querido compositor representava uma personalidade e tanto. A Vila desceu para conduzir Noel para o repouso eterno. Ele foi o seu intérprete e morreu como um sambista deve morrer: cantando com o ritmo na boca, abafando o seu último suspiro.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, em parto difícil. Os médicos usaram o fórceps, que acabou afundando seu maxilar, causando-lhe uma paralisia parcial no lado direito do rosto. Foi responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. Criado em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música. Suas composições nasceram aos pés da Baía de Guanabara. Entrou para a faculdade de medicina, mas logo abandonou o curso para ingressar na vida artística, em meio ao samba e às noitadas regadas a cerveja.

Noel, sem diploma, catava ritmos nas ruas, vasculhava cadencias nos morros da cidade e com essa materia prima tecia a sua música, que constituía a delícia da cidade, o embalo da população.

Em 1929 nasceu o seu primeiro samba, Com que Roupa?, que se transformou no grande sucesso do carnaval de 1931. Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequencia de canções que primam pelo humor.

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3 de maio de 2007: O desaparecimento de Madeleine McCann

Madeleine_McCann

A menina britânica Madeleine McCann desapareceu poucos dias antes do quarto aniversário, quando dormia no quarto do hotel de Praia da Luz (Portugal) onde a família passava férias. Naquela noite, os pais fizeram a menina dormir, assim como seu irmão e irmã, antes de jantar com amigos a 120 metros do quarto. Seu pais, Kate e Gerry McCann estão convencidos de que ela foi sequestrada, mas a menina nunca foi encontrada.

Outras efemérides de 3 de maio
1933: Brasileiras, eleitoras e eleitas
1933: Carlota Pereira de Queiroz é a primeira deputada eleita
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Um caso misterioso, delineado por uma investigação controversa, com uma série de especulações, inclusive com a hipótese de que a criança estaria morta, e os próprios pais poderiam ter ocultado o cadáver. Após 14 meses, a polícia portuguesa declarou que a menina não foi encontrada nem viva, nem morta, dando por encerradas as investigações. Os pais de Madeleine McCann mantém as investigações por conta própria.

No dia 25 de abril deste ano, a Scotland Yard anunciou que trabalha com a hipótese de que Madeleine McCann esteja viva, e apresentou uma imagem de como a menina seria atualmente, às vésperas de completar 9 anos. Ela nasceu na cidade inglesa de Leicester em 12 de Maio de 2003.



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2 de agosto de 1973: Quem sequestrou o menino Carlinhos?

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2 de maio de 1989: Bomba explode em Memorial e reabre feridas da CSN

Bomba explode Memorial 9 de de novembro na CSN. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 3 de maio de 1989.


O Memorial 9 de Novembro, inaugurado com parte das comemorações do dia 1º de Maio, foi atingido por uma bomba.

O projeto do arquiteto Oscar Niemeyer, erguido na praça principal de Volta Redonda, homenageava os três operários mortos durante a repressão militar à greve ocorrida em novembro de 1988 na Companhia Siderúrgica Nacional. Soldados do Exército de vários quartéis do estado e do Batalhão de Choques da Polícia Militar do Rio de Janeiro dispersaram uma manifestação em frente ao escritório central da companhia e invadiram a usina, culminando na morte dos operários.

O monumento de concreto tinha 6m de altura e 15 t de peso.

A explosão foi violenta a ponto de ser ouvida a uma distância de 3 km, e reduziu a estilhaços os vidros dos prédios situados num raio de 300 metros. Não houve vítimas, mas sob o impacto até as portas de aço do edifício da CSN, situado na praça, foram arrancadas ou ficaram empenadas.

Outras efemérides de 2 de maio
1997: O método de alfabetização Paulo Freire
1997: Tony Blair é o novo primeiro-ministro britânico

Segundo as primeiras investigações, peritos do Instituto Carlos Eboli declararam que se tratava de obra de profissionais. Uma segunda bomba não detonada foi encontrada horas depois. O então presidente José Sarney soube do atentado assim que chegou no Palácio do Planalto, informado pelo chefe do SNI e considerou o episódio "profundamente lamentável ".

A noticia da explosão caiu como uma bomba no Congresso Nacional e dominou as rodas de conversa. Lula lembrou o caso do Riocentro e a bomba que matou uma secretária da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio para insinuar que este seria mais um atentado que não seria investigado pelo governo.

A participação do Exército
A participação do Exército no atentado foi revelada em 1999 com a declaração do ex-capitão Dalton Roberto de Melo. Em depoimento ao JB o ex-capitão denunciou o general Álvaro de Souza Pinheiro como autor intelectual do atentado.

O depoimento do ex-capitão Dalton lançou luz em recantos escuros da história recente do Brasil. Ao contar o que sabia, ele mostrou a dimensão dos conflitos internos do período chamado de 'abertura política'.

O Memorial foi mantido como ficou após atentado a pedido de Niemeyer.

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1° de maio de 1994: Brasil chora a morte de seu herói Ayrton Senna

Morre Ayrton Senna. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 2 de maio de 1994.
Aos 34 anos de idade, Ayrton Senna da Silva não teve tempo de realizar o maior sonho de sua vida: alcançar o penta mundial de Fórmula 1, conseguido pelo argentino Juan Manuel Frangio, em 1950.

O piloto, herói nacional e tricampeão mundial da categoria, morreu na colisão da sua Williams-Renault contra um muro de contenção a 300km/h, na curva de Tamburello do Circuito Enzo e Dino Ferrari, de Ímola, Italia.

A curva, que no dia anterior marcara o início do acidente, que, metros depois, resultara na morte do piloto austríaco Roland Ratzenberger, não tinha proteção reforçada por não ser considerada perigosa para os pilotos. Alguns anos antes, Nelson Piquet e o austríaco Gerhard Berger também já tinham protagonizado acidentes na Tamburello (1987 e 1989, respectivamente).

Outras efe mérides de 1° de maio
1940: A festa do proletariado
1943: Getúlio Vargas promulga CLT

Senna, no momento do acidente, ocorrido na sexta volta do Grande Prêmio de San Marino, liderava a corrida. Ele largara na frente, numa prova repleta de acidentes – logo durante a saída o português Pedro Lamy (Lotus-Mugen-Honda) batera na traseira da Benetton de J.J. Lehto, fazendo com que pedaços dos carros fossem lançados às arquibancadas, deixando quatro pessoas feridas.

Ao comentar a morte de Roland Ratzenberger, Rubens Barrichello disse que se a mesma coisa acontecesse com ele, durante uma corrida, ele morreria feliz por estar fazendo aquilo que amava. Este pensamento serviu de consolo para muitos brasileiros após a morte de Senna, que amava o automobilismo até as entranhas. Sua vida sempre foi 100% automobilismo. Guiava divinamente, com uma força considerada por ele, as vezes, sobre-humana.

Subitamente percebi que não era mais eu quem guiava o carro, que não estava guiando conscientemente. Eu estava numa espécie de dimensão diferente, era como se estivesse num túnel. Eu já estava além do limite, mas ainda era capaz de ir mais rápido. Então, alguma coisa me despertou e eu percebi que estava numa atmosfera diferente. Minha reação foi tirar o pé, reduzir e voltar lentamente aos boxes, de onde não saí mais. Isso me assustou, porque percebi que estava além da minha consciência”, disse após um belo treino para o GP de Mônaco de 1988.

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