Arquivo de May 2012

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30 de maio de 1920: A Santa Joana D´Arc

Santa Joana D´Arc. reprodução de Internet


Mártir francesa canonizada em maio de 1920, quase cinco séculos depois de sua morte, a jovem de origem camponesa Joana D´Arc foi uma heroína da Guerra dos Cem Anos (1337 e 1453), conflito fomentado por disputas territoriais e comerciais entre França e Inglaterra. Joana se tornou um símbolo do nacionalismo francês, na luta contra os ingleses. Dizem que tinha poderes místicos, que lhe permitiam ter visões e ouvir vozes de santos que lhe enviavam mensagem, as quais lhe orientariam à frente do Exército durante o enfrentamento.

Temendo a ameaça que significava sua liderança, os ingleses arquitetaram um plano e promoveram sua prisão baseados nos princípios da Inquisição, alegando tratar-se de uma bruxa, herege. Interrogada sobre sua conduta e pressionada a se retratar perante um tribunal da Igreja, mesmo sob tortura, ela teve a coragem de declarar que havia sido enviada por Deus para salvar a França dos ingleses. Condenada, foi queimada viva em Ruão em 1431. Suas cinzas foram espalhadas na correnteza do Rio Sena.

Somente anos mais tarde, por apelos de sua mãe e irmãos, a Igreja decidiu pela reabertura do caso. Joana D´Arc, então, foi canonizada como santa virgem e mártir. E é a santa padroeira da França.

Outras efemérides de 30 de maio
1961: O assassinato do Ditador Leônidas Trujillo
1962: Brasil estréia na Copa do Mundo
1994: A guerra no Timor-Leste

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28 de maio de 1988: Morre Volpi. Brasil perde suas cores.

Morre Alfredo Volpi. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 30 de maio de 1988.
Alfredo Volpi, 92 anos, morreu de insuficiência cardíaca numa noite de sábado, a caminho do hospital, depois de ter sido acudido por sua filha. Embora Volpi apresentasse problemas com a saúde nos dois últimos anos de vida, sua morte surpreendeu amigos e admiradores, que mais do que o fim do talento de um artista, lamentaram a perda de um ser humano insubstituível, que fez de sua obra a invenção do simples, em busca do essencial.

Outras efemérides de 28 de maio
1955: Tunísia conquista autonomia
1978: Encontrada cidade indígena de 2 mil anos no RS
1987: Avião pousa no centro de Moscou

Pintor brasileiro, Alfredo Volpi nasceu na italiana Lucca, e chegou em São Paulo com 2 anos de idade. Nos primeiros anos da adolescência abandonou a escola para trabalhar como assistente de topógrafo e passou a estudar pintura por conta própria. Coemçou fazendo murais decorativos e, em 1934, participou do 1º Salão Paulista de Belas-Artes. Na década seguinte, expôs no Salão Nacional de Belas Artes e, em 1956, na 1ª Exposição Nacional de Arte Concreta. Sua arte percorreu mundo afora em exposições em vários países na América e na Europa com destaque para a Bienal de Viena (1952), onde foi premiado. As obras iniciais foram impressionista, passando depois a expressionistas e concretas. Considerado, pela crítica, como um dos artistas mais importantes da segunda geração do modernismo, deixa um legado de quase 4 mil telas, onde são recorrentes as bandeirinhas, sua marca registrada.

Bandeirinhas e mastro. Alfredo Volpi. Reprodução


É a fase das bandeirinhas, sua maior contribuição para a arte brasileira moderna - expressa em seu trabalho Bandeiras e Mastros. Só pintava com a luz do sol e se envolvia totalmente com a criação de sua obra, o que incluía esticar o linho para as telas. Num processo típico de um pintor do Renascimento, fazia suas próprias tintas, diluídas em uma emulsão de verniz e clara de ovo, em que ele adicionava pigmentos naturais purificados (terra, ferro, óxidos, argila colorida por óxido de ferro) e ressecados ao sol. Depois de dominar a técnica, o artista nunca mais usou tintas industriais - "elas criam mofo e perdem vida com o passar do tempo", dizia.

Veja aqui imagens históricas de Alfredo Volpi.

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26 de maio de 1976: Morre o filósofo alemão Martin Heidegger

"Quem pensa grande também erra grande". Martin Heidegger
A morte do filósofo alemão Martin Heidegger

O filósofo Martin Heidegger, 86 anos, representante alemão da filosofia existencialista e um dos mais influentes pensadores do século XX, morreu em Mesakirch, sua cidade natal onde vivia em recolhimento voluntário desde 1937, quando foi proibido pelo nacional-socialismo de exercer atividades docentes. Não foi revelada a causa de sua morte, tratada apenas como uma infecção. Deixou viúva Elfriede com quem teve dois filhos.

"O solitário não é forçosamente amargo" - dizia Heidegger, refugiado em sua casa da Floresta Negra, na Alemanha. Desse recolhimento, poucas vezes saiu nos últimos 25 anos de sua vida. Uma delas para fazer uma conferência sobre artes, em Atenas, seis dias antes do golpe militar grego de 1967: " A maioria dos meus ouvintes deve estar na prisão" - disse depois naturalmente sem se sentir culpado, mas deixando escapar uma ponta de amargura que recusava admitir na longa fase final de sua vida.

Outras efemérides de 26 de maio
1952: A reintegração da Alemanha na Convenção de Bonn
1977: Glauber ganha Prêmio Especial em Cannes
1968: Transplante de coração - o futuro do Corpo Humano
1994: Telescópio Hubble descobre buraco negro

Nascido em 28 de setembro de 1889, em Messkirch, Heidegger estudou com os jesuitas e mais tarde com Rickert. Foi também discípulo de Husserl a quem está dedicada uma das primeiras edições de Ser e Tempo (ao tempo de Hitler, a dedicatória foi suprida de outras edições da obra: Husserl era de origem judaica). De Husserl, aliás, em 1928, recebeu a cátedra de Filosofia da Universidade de Friburgo, onde desenvolveu toda a sua atividade de professor - até ser afastado pelas autoridades francesas vitoriosas da Segunda Guerra.

Um de seus alunos em Friburgo foi Herbert Marcuse: "Sob minha direção, ele preparou sua tese sob Hegel, em 1932. É um ótimo trabalho". No ano seguinte, não conseguiu manter a ajuda a Marcuse, pois com o triunfo do Nazismo em 1933, foi feito reitor da Universidade e envolveu-se em outras preocupações: Chegou-se a dizer até que ele dava aulas vestido com o uniforme das tropas SA. Consultas a documentos alemães e suiços da época desmentem tais extremos, mas a verdade é que o comprometimento do filósofo com o regime foi além do mínimo a que se o pretendeu reduzir no pós-guerra. Em Les Ecrits Politiques de Heidegger, o filósofo alemão Jean-Michel Palmier investiga o que foi essa adesão.

"A responsabilidade histórica de Heidegger", escreve Palmier, "é imensa". Os títulos de seus escritos de então - Apelo ao estudante Alemão, Exortação ao Povo germânico - já dão uma ideia do conteúdo: encorajamento à submissão do indivíduo ao Estado. Seu discurso de posse no reitorado prega a necessidade de uma reforma universitária para acabar com "o liberalismo, o laisser-aller, o falso conceito de independência universitária. O estudante viril e disciplinadamente, deve dedicar-se ao trabalho, às armas e ao saber, integrando-se na comunidade popular, defendendo a honra nacional e ajudando no cumprimento da missão espiritual que cabe à Alemanha no mundo para redenção do Ocidente". Um quarto de século após da derrocada do nazismo, no seu retiro, Heidegger, aos 80 anos, pensava diferente: "Hoje os estudades se revoltam. É bom".

Suas obras, sempre discutidas e frequentemente mal compreendidas, tiveram grande influência sobre outros filósofos contemporâneo.

Heidegger jamais se refez do prejuízo que lhe causou sua filiação ao Partido Nazista.

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25 de maio de 1977: Star Wars invade as salas de cinema

Cartaz do primeiro filme da saga Star Wars

"It is a period of civil war.
Rebel spaceships, striking
from a hidden base, have
won their first victory
against the evil Galactic
Empire.

During the battle, rebel
spies managed to steal
secret plans to the Empire´s
ultimate weapon, the
DEATH STAR, an armored
space station with enough
power to destroy an entire
planet.

Pursued by the Empire´s
sinister agents, Princess
Leia races home aboard her
starship, custodian of the
stolen plans that can save
her people and restore
freedom to the galaxy...
"




O primeiro filme da saga intergalática GUerra nas Estrelas (Star Wars) chegou aos cinemas e logo se tornou um fenômeno de bilheteria, consagrando-se como um dos mais requisitados filmes de ficção científica de todos os tempos. Na trama, escrita por George Lucas, o trio formado por Luke Skywalker, Princesa Leia e Hans Solo, contando com ajuda de irreverentes personagens, como os robôs R2-D2 e C-3PO, e o peludo Chewbacca, tem a missão de salvar o planeta, impedindo a construção da Estrela da Morte. É a história do duelo entre o bem e o mal, centralizado na figura do temido Darth Vader. Com cenários, figurinos e efeitos especiais de última geração, Guerra nas Estrelas é um épico passou a habitar o imaginário de gerações, em brincadeiras que repetem as circunstâncias vividas no filme, sempre norteado pela energia onipresente pela qual duelam o bem e o mal: "Que a Força esteja com vocês"!

Com 10 indicações, e vencedor em 7 categorias, teve sequencia em O Império contra ataca (Empire Strikes Back) (1980) e o Retorno de Jedi (Return of the Jedi) (1983).

Outras efemérides de 25 de maio
1963: De novo, Brasil, o melhor basquete do mundo
1966: A independência da Guiana Inglesa

A Star Wars mania
Passados 35 anos de seu lançamento, Star Wars continua movimentando gigante indústria de souvenirs, fomentada por colecionadores.

Pen drives


Jogo de xadrez


Lata de balas


Bolo confeitado


Origami Ioda


Playmobil


Tatuagem Star Wars Tatuagem Star Wars


Star Wars Dogs

Arte em xícara de café Star Wars

Estética de unhas Star Wars


Star Wars Burgers

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20 de maio de 1991: Morre o irreverente jornalista Tarso de Castro

Morre Tarso de Castro. Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de maio de 1991.





"A turma do Pasquim comunica o falecimento, em São Paulo, do seu fundador jornalista Tarso de Castro, um dos mais ardorosos defensores da liberdade de imprensa do jornalismo brasileiro. Sem Tarso o Brasil fica mais pobre, mais triste e menos irreverente".
Turma do Pasquim




Tarso de Castro, 49 anos, morreu de insuficiência hepática no Hospital das Clínicas em São Paulo, chegando ao fim um processo anunciado desde pelo menos 1988, quando surgiram os primeiros sinais de sua cirrose hepática.

Gaucho, filho do jornalista Mucio de Castro, fundador do Jornal O Nacional, Tarso nasceu praticamente dentro de uma redação. E neste ambiente consolidou sua trajetória, prioritariamente conduzida pelo viés político. Trabalhou com Samuel Wainer na Última Hora, fundou o semanário Panfleto. Foi um dos fundadores do Pasquim, e pertenceu ao grupo que revolucionou a linguagem brasileira através da imprensa alternativa. Após o Pasquim, editou o JA - Jornal de Amenidades, o Enfim, o suplemento Folhetim da Folha de São Paulo, a Tribuna da Imprensa, a revista Careta e o jornal O Nacional.

Enfrentou a censura e projetou nacionalmente o reduto boêmio de Ipanema. Irreverente, de estilo sarcástico, crítico sem anestesia, consigo mesmo e com os amigos, era implacável com os adversários, quase sempre instalados no poder.

Também destilou sua mordacidade como colunista da Folha de São Paulo, trabalho que abandonou poucos meses antes de morrer, debilitado pela doença. Publicou um livro Pai solteiro e outras histórias, dedicado ao filho João e a mãe Ada.

Anúncio de obituário. Reprodução

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17 de maio de 2008: Era uma vez Zelia Gattai, graças a deus

"Zélia Gattai não tem falsos pudores. Sempre admitiu que escreve porque vive o privilégio de compartilhar seus dias com o maior best-seller da literatura brasileira,o baiano Jorge Amado. Mas do que este poderoso estímulo, porém, Zélia sempre foi excelente contadora de histórias. Dessas que interpreta cada personagem com entonações diferentes e muitas gesticulações. Entre seus ouvintes, estiveram gente famosa, como o poeta chileno Pablo Neruda, e críticos severos, como o neto Bruno, que ficava zangado quando a avó não reproduzia as histórias que inventava para ele com o mesmo enredo". Jornal do Brasil

Outras efemérides de 17 de maio
1926: Marinetti para o leitor do JB
1973: Começa o julgamento do Caso Watergate
1974: O marco da construção de Itaipu

Filha de anarquistas italianos pobres (caçula de uma prole de cinco), Zelia Gattai nasceu numa próspera São Paulo no dia 2 de julho no ano de 1916. Foi na infância, na casa da Alameda Santos, sem fechaduras nem trancas, que assistiu os primeiros automóveis entrarem em circulação e a cidade se encantar com as películas do cinema mudo. Memórias que ela mesma revelaria anos mais tarde ao publicar seu primeiro livro, Anarquistas graças a Deus (1979), escrito sem qualquer pretensão literária.

Na juventude, dando continuidade ao engajamento familiar, viveu a experiência política e cultural da paulicéia, e fez amizade com diversos intelectuais da época. Aos 20 anos, casaria-se com um deles, Aldo Veiga, militante do Partido Comunista, com que conviveu por oito anos, e teve seu primeiro filho: Luiz Carlos.

Zélia e Jorge se conheceram quando ele, então um experiente líder comunista chegou a São Paulo, logo depois do fim da Segunda Guerra (1939-1945) e da ditadura do Estado Novo (1937-1945), para fazer a campanha pela libertação dos presos políticos. O encontro foi durante um congresso de literatura. Não demoraria para que, diante de tantos interesses em comum, se descobrissem também apaixonados, dando início a um relacionamento que perduraria para sempre, até a morte do escritor em 6 de agosto de 2001.

Com Jorge, Zélia teve mais dois filhos. João Jorge nasceu em 1946. Paloma, cinco anos mais tarde, em Praga, quando a família já tinha deixado o Brasil, por questões políticas. Exilado, o casal tem uma intensa experiência cultural convivendo no meio intelectual europeu.

De volta ao Brasil em 1952, a família passa a morar na casa dos pais de Zélia, até decidir fixar residência no número 33 da Rua Alagoinhas, em Salvador. É nesse endereço em começa a fase literária de Zélia, então com 63 anos. "Eu aprendi a gostar de escrever. Quando escrevo me realizo e sinto emoções como nunca. Tenho um prazer infinito em escrever".

Depois de Anarquistas..., a idéia do segundo livro, Um Chapéu para Viagem (1982) também dedicado às suas memórias, surge a partir da proximidade dos 50 anos de lançamento do primeiro romance de Jorge Amado, como uma forma de participar das homenagens prestadas ao marido. A obra é um retrato de Zélia sobre a infância de Jorge Amado e da família do escritor.

Aliás, as aventuras no endereço baiano também se tornaria uma obra de Zélia. O livro A casa do Rio Vermelho (1999) é um gesto de amor para Jorge Amado e o relato do agitado e apaixonante cotidiano dos dois em Salvador.
Zelia Gattai e Jorge Amado. Adriana Lorette


Imortal, é a sexta ocupante da Cadeira nº 23, eleita em 7 de dezembro de 2001, na sucessão de Jorge Amado e recebida em 21 de maio de 2002 pelo Acadêmico Eduardo Portella. Zélia Gattai morreu no dia 17 de maio de 2008, aos 91 anos, na tarde de um sábado, no Hospital Bahia, após ficar internada por um mês. Seu corpo foi cremado e suas cinzas foram depositadas na casa do Rio Vermelho, da mesma forma como aconteceu com Jorge Amado.

Deixou um legado de 14 livros publicados e muitas histórias para contar.

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15 de maio de 1975: A saga teatral de Abajur Lilás


Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de abril de 1975 - Caderno B, página 4
"Há muito tempo
que o teatro brasileiro
vem sofrendo
toda a sorte de pressões
e de cerceamento
à sua liberdade de expressão.
Os critérios utilizados
pelos poderes constituídos
escapam à nossa compreensão,
e o rigor que se utiliza contra nós,
impede freqüentemente
que possamos apresentar
um trabalho de maior profundidade
e de que sejamos
o espelho do nosso tempo,
como é função
da arte teatral
".
Manifesto da Classe Teatral


Os teatros paulistas suspenderam seus espetáculos em solidariedade ao autor Plínio Marcos, que teve sua peça Abajur Lilás novamente proibida pela Censura federal às vésperas de sua estréia. Em protesto, um manifesto da classe passou a circular no palco de várias companhias teatrais durante as semanas seguintes, antes das apresentações.

Outras efemérides de 15 de maio
1966: Morre o ex-Presidente Venceslau Brás
1994: O genocídio em Ruanda

Abajur Lilás foi escrita em 1969. Naquela ocasião foram dados os passos iniciais para a montagem do espetáculo: seleção de elenco, produção, ensaios; prevendo-se a estréia para o ano seguinte. Mas chegou 1970 e veio o primeiro golpe: Numa das levas de textos teatrais vetados pelo Governo estava Abajur Lilás. A Censura sentenciou a proibição da obra por cinco anos para todo o território nacional. Em 1975, expirada a sentença, Abajur Lilás estava de volta. A montagem foi retomada. Realizado o ensaio final, tudo estava pronto. Ou quase: faltava a aprovação dos censores que avaliariam a encenação a portas fechadas tal como seria exibida ao público. E novamente Abajur Lilás sucumbia ao crivo da Censura. O Ministro da Justiça, Armando Falcão, reiterou a proibição, alegando ferir a moral e os bons costumes. Abajur Lilás, de simples obra de dramaturgia se preconizou como símbolo da persistência da classe teatral. A peça só foi liberada pela Censura em 1980.

Torturas, confissões e a redenção

De linguagem livre, Abajur Lilás polemiza em torno da disputa travada entre os personagens para descobrir o verdadeiro culpado pela destruição do objeto de desejo do protagonista, um abajur. A trama retrata a degradação humana nas relações entre personagens que sobrevivem à beira da marginalidade: Giro, um homossexual sádico; Dilma, prostituta moralista e apegada a valores; Heleninha, prostituta alienada e individualista; Célia, uma prostituta revoltada e firme; e Oswaldo, um gigolô. Um jogo de torturas e confissões, onde o conflito interno de cada personagem é a busca da redenção.

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14 de maio de 1987: Sétima arte perde seu mito Rita Hayworth

Rita Hayworth.

Rita Hayworth, 68 anos, a dona da beleza estonteante de Hollywood que ganhou fama internacional nos anos 40, morreu na noite de quinta-feira, de Alzheimer, em seu apartamento Central West Park em Manhattan. Precocemente envelhecida pela doença, chegava ao fim o último capítulo da atribulada trajetória de um dos maiolres símbolos sexuauis do século.

Outras efemérides de 14 de maio
1948: É criado o Estado de Israel
1955: Assinatura do Pacto de Varsóvia
1998: A América perde sua maior voz. Morre Frank Sinatra


"Put the blame on Mame, boys". As luvas negras caiam em um simulacro de striptease, a voz sensual eletrizando as platéias do mundo inteiro. Era 1946, e a sequência tornou o filme um dos clássicos do cinema hollywoodiano: Gilda. "Nunca houve uma mulher como Gilda", dizia a publicidade da época. Seria o momento maior de Rita Hayworth, aliás, Margarita Carmen Cansino.

A morte de Rita Hayworth.Jornal do Brasil: Sábado, 16 de maio de 1987.A beleza, aliada a uma certa elegância cênica, havia feito que, após vê-la em trabalhos sem expresão, Fred Astaire aceitase dançar a seu lado (filha de bailarinos, ela começara a carreria dançando, aos 12 anos) em Ao compasso do amor (1941). Apesar da produção barata, o encontro foi tão mágico que logo e seguida filmaram Bonita como nunca (1942). Registra a lenda: Astaire a considerou melhor partenaire que Ginger Rogers.

Eram tempos risonhos e francos. Cansada do primeiro marido, Edward Judson, 22 anos mais velho, qe abandonou os negócios para cuidar da cvarreira da atriz, Rita passou a colecionar romances: Victor Mature, Orson Wellesm Aly Khan, James Hill...

Mas os anos 50 começariam a marca o fim do ciclo. O contrato com a Columbia de Gilda não lhe garantia bons papéis e sua atuação começou a ser reduzida. Era então, uma beleza em processo de fenecimento. Rita tinha consciência de que sua tumultuada trajetória poderia não ter um grande final. Um dia, quando lhe perguntaram a razão de tantos casamentos, limitou-se a responder: "A maioria dos homens se casa com Gilda. Mas acorda mesmo é ao meu lado". Entre o mito e a realidade, como ficava Margarida? A história segue contornos da mais terrível clicheria: No início dos anos 70, Rita afoga suas rugas em álcool, a ponto de em alguns anos ser considerada de gerir seus bens. Nos último anos, Rita só surgiu nos noticiários para entristecer os fãs. Em 1981, seu advogado a declarou incapaz em definitivo de cuidar de si. Já portadora do Alzheimer, ela passou a abrigar-se na casa de sua única filha, Yasmin, que passou a conduzir seu tratamento. Mas Rita começou a batalha sem possibilidade de vitória. Sua saúde apenas se deteriorou, desde então.

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13 de maio de 1984: O suicídio de Pedro Nava

A morte de Pedro Nava. Jornal do Brasil: Terça-feira, 15 de maio de 1984
"Naquela altura ele ficou distante, transmudou-se na coisa além das afeições, das convenções, dos contratos, das reciprocidades"
Pedro Nava, em Baú de Ossos

Encostado a um oitizeiro na Glória, bairro em que morava há mais de 40 anos, no Rio de Janeiro, o médico e escritor Pedro Nava, 80 anos, foi encontrado morto, com um tiro na cabeça. Segundo a perícia, o próprio Pedro atentou contra sua vida.

Conforme seu último desejo expresso em cartas a vários amigos, entre os quais o poeta Carlos Drummond de Andrade e o bibliófilo Plínio Doyle, seu corpo foi embalsamado, e velado no cemitério do Caju, numa capela que abrigava, além do caixão rodeado por palmas e pétalas de rosas, familiares e amigos. Também ainda a um pedido seu, foi sepultado junto de sua mãe.

O que se apagou na noite de um domingo, com a morte de Pedro Nava, foi muito mais do que a luz de um círio, aquele perfeito e consumado círio de que fala o título do seu último livro, publicado às vésperas do Natal do ano anterior. Apagou-se isto sim, uma enorme e luminosa fogueira de talento e verdade, à beira-mar acessa justamente num momento em que a navegação da inteligência nacional se fazia em meio à treva e em sentido contrário aos ventos do silêncio. Foi em 1972 que Nava publicou Baú de Ossos, o primeiro de seis volumes em que se desdobram as suas memórias, com as quais, ele passou sem transição da categoria "algo ambíguo de autor bissexto" para o "plano mais rarefeito dos grandes escritores".

Outras efemérides de 13 de maio
1908: Cem anos da Imprensa Régia
1971: Princesa Isabel é sepultada em Petrópolis
1988: O centenário de uma abolição questionada
1994: Os custos da escravidão

Filho de médico, Pedro Nava nasceu na cidade mineira de Juiz de Fora em 5 de junho de 1903, onde fez seus estudos primários. Cursou humanidades como interno no Colégio Pedro II, no Rio. Formado em Medicina pela Universidade de Minas Gerais, em 1927, clinicou e Juiz de Fora, Belo Horizonte e Monte Aprazível, interior de São Paulo. Transferiu-se para o Rio em 1933. Dirigiu hospitais e lecionou em universidades. Publicou cerca de 300 trabalhos científicos sobre a sua especialidade, a reumatologia, presidindo a Sociedade Brasileira de Reumatologia e a Pan Americana League Against Rheumathism.

Embora só em 1972 tenha estreado literariamente, em livro, participou ativamente do movimento modernista em Minas, colaborando em A Revista. Um de seus famosos poemas, O defunto, figura na Antologia de poetas brasileiros bissextos contemporâneos, organizada por Manuel Bandeira.

Suas memórias começaram a aparecer em 1972, com Bau de Ossos (Prêmio Pen Clube e Associação Paulista de Críticos de Arte), seguido de Balão Cativo (1973), Chão de Ferro (1976), Beira-Mar (1978), Galo das Trevas (1981) e Círio Perfeito (1983).

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12 de maio de 1967: Terra em Transe de Glauber Rocha conquista Cannes

Terra em Transe de Glauber conquista Cannes. Jornal do Brasil: Sábado, 13 de maio de 1967.
"Com estes dois prêmios sinto-me recompensado pelo trabalho que tive para realizar e exibir este filme em Cannes, apesar de ter contra mim as autoridades brasileiras e a censura. Para o cinema novo, é uma demonstração de que nosso mvimento cinematográfico afirma-se no mundo sem favoritismos e sem concessões". Glauber Rocha

Na edição em que Blow-Up, do diretor italiano Michelangelo Antonioni sagrou-se o grande vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Terra em Transe, o filme de Glauber Rocha - quase proibido no Brasil - arrematou dois prêmios: Pela originalidade com que expressou uma situação que compromete o destino do homem latino-americano e o de todo mundo, Terra em Transe mereceu o Prêmio da Crítica Internacional, da 20ª edição do festival de Cannes, concedido por críticos de 20 países. Pela sua qualidade, sua amplitude ideológica e sua novidade estética, que interessa particularmente em função da realidade do Brasil, os críticos de Barcelona e Madri atribuíram ao filme de Glauber Rocha o Prêmio Luis Buñuel.

Outras efemérides de 12 de maio
1937: A coroação do Rei Jorge VI
1982: João Paulo II sofre tentativa de atentado em Fátima
1997: Acordo de paz entre Rússia e Chechênia


Luis Carlos Barreto, um dos produtores de Terra em Transe, destacou a importância da conquista do prêmio da Crítica Internacional, para ele a mais importante do festival de Cannes, pela magnitude de sua expressão artística, cultural e até mesmo comercial, por representar o aplauso de críticos de todo o mundo fora de qualquer injunção política do festival. A vitória do filme simbolizou a continuidade de todo o esforço que o cinema brasileiro vinha fazendo de penetração e valorização no cenário mundial. E fez.

Assista ao trailer de Terra em Transe:


Leia também:

26 de outubro de 1976 - A morte de Di Cavalcanti di Glauber
26 de maio de 1977 – Glauber ganha Prêmio Especial em Cannes
22 de agosto de 1981 – Morre Glauber, o gênio do cinema brasileiro

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10 de maio de 1946: Sertão brasileiro perde Catulo da Paixão Cearense

Catulo da Paixão Cearense
"Se Deus me ouvisse com amor e caridade, me faria essa vontade o ideal do coração: Era que a morte a descontar me surpreendesse e eu morresse numa noite de luar do meu sertão ".
Catulo da Paixão Cearense

Muito bem definido por Mário de Andrade como o maior criador de imagens da poesia brasileira, Catulo da Paixão Cearense, 83 anos, morreu de causas naturais, nos deixando num outono do Rio de Janeiro, para a tristeza dos amantes da boa música e das histórias do sertão.

Outras efemérides de 10 de maio
1937: O massacre do Caldeirão
1968: A sexta-feira sangrenta da França
1977: Morre Joan Crawford
1994: Nelson Mandela assume a presidência da África do Sul

Catulo da Paixão Cearense, apesar do que diz o nome, nasceu em São Luís do Maranhão, em 8 de outubro de 1863. O sobrenome veio da infância, vivida no sertão cearense, que levaria mais tarde, Brasil afora, na alma de sua obra. Jovem ainda chegou ao Rio com a família. Logo passou a dedilhar o violão pelas ruas da cidade, um autêntico seresteiro das noites cariocas, num tempo em que música e boemia andavam sempre de mãos dadas. Escreveu letras para modinhas, choros e canções de artistas famosos da época, como Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth.

Sua letra mais conhecida, no entanto, foi feita para Luar do Sertão, modinha de João Pernambuco. A canção acabou se tornando um clássico da música popular.

Entre seus livros de poemas, destacam-se Meu Sertão (1918), Sertão em Flor (1919), Mata Iluminada e Alma do Sertão, os dois últimos de 1928. Também fizeram sucesso as canções Ontem ao Luar e Tu Passaste por este Jardim.

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9 de maio de 1605: A publicação da primeira parte de Don Quijote

Don Quijote. Reprodução
"Pois que o amor e a afeição com facilidade cegam os olhos do entendimento". Dom Quixote

A primeira parte de Don Quijote de la Mancha, o trabalho mais famoso de Miguel de Cervantes, foi publicada em 9 de maio de 1605. No mesmo ano, a obra ganhou seis edições, fato muito raro para a época.A segunda parte só seria publicada dez anos mais tarde.

Outras efemérides de 9 de maio
1967: Brasil assina tratado de proscrição de armas nucleares
1968: URSS invade Tcheco-Eslováquia
1978: Fanatismo sentencia Moro

Don Quijote é um cavaleiro andante que, influenciado pela literatura de contos sobre a cavalaria medieval, vive diversas aventuras pelo interior da Espanha, sempre acompanhado de seu fiel escudeiro, Sancho Pança. Dono de um rico imagiário, o fidalgo mergulha em seus delírios, tomado muitas vezes como um louco. Mas é um herói lírico, de sentimentos nobres e puros, típico da época, sempre em busca de provar o seu amor pela amada Dulcinéia Del Toboso. E encanta os leitores, ao despertar simpatia e fé.

É uma das obras mais conhecidas da literatura mundial, que atravessou os séculos e permanece como uma das leituras mais influentes na cultura ocidental.

Miguel de Cervantes
Miguel de Cervantes Saavedra nasceu em 29 de setembro de 1547 na pequena Alcalá de Henares, cidade perto de Madri, numa família da baixa nobreza. Só aos 58 anos, após uma vida de toda sorte de atividades - lutou em combates, foi cobrador de impostos do governo, trabalhou como serviçal para um cardeal - lançou-se na literatura com a publicação da primeira parte de Don Quijote de la Mancha, o que o grande público considera o momento maior de sua obra.

Romancista, dramaturgo e poeta, revolucionou a literatura ao utilizar recursos como a ironia e o humor, consagrando-se o autor mais famoso da Espanha.

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7 de maio de 1990: O silêncio da Divina Elizeth Cardoso

Primeira página do Caderno B:  8 de maio de 1990
"Até as deusas podem morrer. A ausência de Elizeth Cardoso silencia uma das mais belas vozes de nossa música popular, um oceano pacífico que por mais de 50 anos encharcou seus fãs de poesia e majestade. Foi única, não por se esforçar numa frenética busca de originalidade, vício de muita cantora atual, mas simplesmente porque imprimia em sua voz de contralto, arranhada de prussianos erres, a mesma fibra do caráter com que encarou a juventude pobre e os amores falidos". Jornal do Brasil

Outra efeméride de 7 de maio
1945: Alemanha se rende aos Aliados

A cantora Elizeth Cardoso, 69 anos, morreu numa clínica em Botafogo, no Rio, onde estava em tratamento de um câncer de estômago, doença contra a qual lutou nos últimos três anos. Velada no Teatro João Caetano, a portelense e flamenguista pediu que sobre seu caixão repousasse uma bandeira rubro-negra e outra do Cordão do Bola Preta. Assim se fez.

Uma das mais belas vozes da MPB, nasceu no Rio em 1920. Os fãs da boa música devem eterna gratidão a Jacob do Bandolin, que a descobriu 16 anos depois. O sucesso chegou com a gravação de Canção de Amor (1949). Em 54 anos de carreira, a dama que esbanjava classe nos palcos, gravou mais de 60 LPs, imortalizando composições de grandes nomes da MPB, como Ary Barroso, Cartola, Lamartine Babo, Noel Rosa e Paulinho da Viola.

Precursora da invenção da Bossa Nova
Foi em uma de suas fases românticas que Elizeth contribuiu para deflagrar o movimento musical que sairia das salas dos apartamentos da Zona Sul carioca para ganhar o mundo: a Bossa Nova. Misturando sua interpretação com a poesia delirantemente apaixonada de Vinicius de Moraes, as melodias e os arranjos de Tom Jobim, e a batida diferente de João Gilberto, lançou Canção do amor demais. Estranha a princípio, a combinação insólita se transformou num clássico. Era o anúncio da chegada de um samba diferente que encantaria com sua harmonia sintetizada na voz e no violão.



Confira, clicando sobre os respectivos nomes abaixo, depoimentos sobre a Divina.
Herivelton Martins | Dorival Caymmi | Ademilde Fonseca | Hermínio Bello de Carvalho
Dona Ivone Lara | Marlene | Noca da Portela



Para ver imagens históricas de Elizeth Cardoso, é só curtir a Fan Page do CPDoc JB!

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4 de maio de 2012: 54 anos de Keith Haring, a irreverência do Graffiti

Keith Haring

Nascido na Pensilvânia em 4 de maio de 1958, logo descobriu sua paixão pelo desenho, combinando uma herança do talento de seu pai e a inspiração na cultura popular efervescente à sua volta.

Foi na década de 80, ao se mudar para Nova York, que se deu conta dos espaços vazios que a cidade oferecia ao seu spray. Começou a pintar nos trens do metrô, e ganhou as ruas, gratifando tudo que era painel e parede. A cidade recebeu com curiosidade seus desenhos que a essa altura já estampavam em praças, edifício e outros lugares públicos.

Diagnosticado com Aids em 1988, criou no ano seguinte a Keith Haring Foundation com missão de angariar fundos de incentivo a organizações dedicadas a estudos sobre o vírus, a qualidade de vida de pacientes e a conscientização social. Nesse mesmo ano, fez a sua última obra pública: o grande mural intitulado Tuttomondo, dedicado à paz universal. Ele morreu no dia 16 de fevereiro de 1990, após complicações decorrentes da Aids.

Aclamado internacionalmente, deixou uma obra espontânea, colorida e alegre, com acentos de intuição que o levou a pintar o correto, no lugar e momento precisos. Expressou conceitos universais de vida, morte, amor, sexo e guerra numa linguagem visual fruto de sua grande força criativa. Sua irreverência o tornou uma das figuras que mais movimentaram o circuito urbano mundial de sua geração, consagrando-o a grande vedete da arte Graffiti.

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4 de maio de 1937: Adeus a Noel Rosa, o poeta maior da Vila

Noel Rosa. Reprodução
"Nosso amor que eu não esqueço e que teve o seu começo numa festa de São João. Morre hoje sem foguete, sem retrato e sem bilhete, sem luar, sem violão. Perto de você me calo, tudo penso e nada falo, tenho medo de chorar. Nunca mais quero o seu beijo, mas meu último desejo, você não pode negar. Se alguma pessoa amiga pedir que você lhe diga, se você me quer ou não. Diga que você me adora, que você lamenta e chora a nossa separação. E às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto, que meu lar é o botequim, que eu arruinei sua vida, que eu não mereço a comida que você pagou pra mim." Noel Rosa

Outras efemérides de 4 de maio
1933: As negociações de paz na região do Chaco
1979: Inicia-se a era Tatcher na Inglaterra

O morro está de luto. Morreu Noel Rosa, 26 anos, vítima de uma tuberculose que o perseguiu em sua vida boêmia, o sambista maior de Vila Isabel. Para a música popular, o querido compositor representava uma personalidade e tanto. A Vila desceu para conduzir Noel para o repouso eterno. Ele foi o seu intérprete e morreu como um sambista deve morrer: cantando com o ritmo na boca, abafando o seu último suspiro.

Noel de Medeiros Rosa nasceu no dia 11 de dezembro de 1910, no Rio de Janeiro, em parto difícil. Os médicos usaram o fórceps, que acabou afundando seu maxilar, causando-lhe uma paralisia parcial no lado direito do rosto. Foi responsável pela união do samba do morro com o do asfalto. Criado em Vila Isabel, aprendeu a tocar bandolim de ouvido e tomou gosto pela música. Suas composições nasceram aos pés da Baía de Guanabara. Entrou para a faculdade de medicina, mas logo abandonou o curso para ingressar na vida artística, em meio ao samba e às noitadas regadas a cerveja.

Noel, sem diploma, catava ritmos nas ruas, vasculhava cadencias nos morros da cidade e com essa materia prima tecia a sua música, que constituía a delícia da cidade, o embalo da população.

Em 1929 nasceu o seu primeiro samba, Com que Roupa?, que se transformou no grande sucesso do carnaval de 1931. Noel revelou-se um talentoso cronista do cotidiano, com uma sequencia de canções que primam pelo humor.

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