Arquivo de May 2012

RSS Feeds

21 de maio de 1968: 10 milhões param a França

Primeira página do Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968

Trezentas fábricas ocupadas e centenas interditadas, inclusive as grandes indústrias siderúrgicas, metalúrgicas, químicas e as automobilísticas. Paralisação total do sistema de transportes, à exceção dos táxis. Nenhum trem, ônibus ou avião em circulação para a locomoção municipal, interprovincial ou para o exterior. No setor das comunicações, em funcionamento apenas o sistema telefônico direto e o serviço de telegramas. Fora do ar todo o sistema de rádio e televisão. Contingentes da Polícia no entorno dos prédios públicos. Esgotados os estoques de alimentos, falta de combustíveis e acúmulo de lixo nas ruas. Pichados os muros e monumentos de Paris, historicamente zelados pela importância cultural. Escolas fechadas. A França isola-se. Paris transforma-se na capital da crise do mundo moderno.

Outras efemérides de 21 de maio
1968: O dia em que a França parou
1975: Julgamento do Baader-Meinhof
1998: Suharto abdica do poder na Indonésia

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1968 - página 7
Continuando o efeito dominó, o movimento grevista, que já abalava a França desde o início do mês com os protestos dos estudantes e o apoio pleno da classe operária, alcançou seu ponto máximo estimando-se 10 milhões de integrantes, em virtude da adesão de novos setores em todo o país. Pararam os portos marítimos e fluviais, as instituições financeiras e os serviços públicos, que colocaram em xeque-mate o fornecimento de energia elétrica, gás e água.

Na maior greve de sua história, a França teve sua infra-estrutura largamente paralisada ou rendida ao controle operário.


O alvo das reivindicações era o Governo De Gaulle: reclamava-se a derrubada do governo, a tomada do poder e por mudanças políticas radicais. Acuado o presidente Charles de Gaulle anunciou que o governo levaria a cabo as reformas educacionais pedidas pelos estudantes e garantiria melhores condições à classe trabalhadora.

Os ecos do maio francês de 1968

Paradoxalmente, a greve geral que isolou a França atraiu para o país as atenções de todo o mundo. Após as tensas semanas da primavera, a paralisação chegou ao fim. Com os dias contados estava também o governo do General De Gaulle, que renunciaria ao mandato em abril de 1969, após uma derrota no referendo para transformar o Senado francês num corpo consultivo.

A dimensão daquele maio de 68 ficou evidente na repercussão dada à greve geral além das fronteiras da França. Propagando ideais de igualdade e liberdade, o movimento revolucionário inspirou levantes sociais no mundo inteiro.

 Comentar

16 de maio de 1943: O fim do Gueto de Varsóvia

Vítimas no Gueto de Varsóvia. Reprodução de Internet

O Gueto de Varsóvia não existe mais. Das construções da porção judaica da cidade polonesa, só restaram escombros. Dos judeus que lá estavam confinados, sem direito a trabalho, higiene ou alimentação, só restaram pilhas de cadáveres. Estima-se que foram 56 mil mortos. Assim terminou a revolta do Gueto de Varsóvia, na qual judeus mal-armados e famintos enfrentaram as forças alemãs durante quatro semanas. A opção pelo confronto, mesmo sabendo da desigualdade entre as forças, foi consciente. Era melhor morrer lutando com dignidade do que ser aprisionado em campos de concentração onde chegariam como animais em abatedouros. Já havia o conhecimento do destino traçado aos demais 300 mil habitantes que foram levados para Sobibor ou Treblinka. Portanto, era melhor enfrentar tanques com coquetéis molotov; era melhor morrer queimado vivo dentro da própria casa do que deixar-se arrastar pelos alemães, que entraram no gueto no dia 19 de abril com a missão de evacuar a área e embarcar toda a população para os campos de concentração.

As poucas fugas que se tem conhecimento foram através das saídas de esgoto.

outras efemérides de 16 de maio
1989: China inicia uma nova era
1997: Mobutu Sese Seko abandona o poder
1990: Morre o eclético talento de Sammy Davis Jr

O Gueto de Varsóvia foi a concentração forçada de um grupo judaico da cidade polonesa, isolado pelos nazistas a partir de 1939, quando da invasão alemã aquele país, durante a Segunda Guerra Mundial. Cercado por um muro, arames e cacos de vidros, tornou-se o destino obrigatório de todos os judeus de Varsóvia evidenciando ainda mais a segregação. Sua população chegou a atingir 380.000 pessoas, sob condições desumanas, expostas a doenças, ao frio e à fome. Em julho de 1942, como estratégia principalmente de minimizar o contágio de epidemias, iniciou-se a transferência forçada dos judeus mais fragilizados, os que não tinham disposição como força de trabalho, entre eles idosos, mulheres e crianças, para campo de extermínio. Restaram cerca de 60 mil habitantes no gueto, promovendo uma qualificação de espaço e alimentação. Os judeus que permaneceram trabalhavam como escravos para as fábricas alemãs. Esses remanescentes passaram a compor organizações pela Luta Judaica. Esses grupos de resistências muniram-se com armas e bombas, numa tentativa de enfraquecer a presença do exército alemão. Formaram também instituições culturais e de auxílio de alimentação e educação aos judeus.

Mas o clima de medo nunca deixou de existir. Da mesma, também não os impediu de lutar pela libertação até o fim.

 Comentar

11 de maio de 1998: Testes atômicos da Índia causam revolta internacional

India realiza testes nucleares e provoca protestos em todo o mundo. Jornal do Brasil: terça-feira, 12 de maio de 1998.
Pela primeira vez em 24 anos, o governo da Índia realizou três testes atômicos subterrâneas no deserto de Pokhran, a 100 quilometros da fronteira com o Paquistão, e declarou possuir a capacidade de produzir armas atômicas. O anúncio provocou imediata reação de protesto na comunidade asiática, e foi recebido no Ocidente como um golpe nos esforços de conter a proliferação de armas nucleares.

O primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, recém eleito e lutando para manter a frágil coalização em que se apoiava seu governo, alegou razões de segurança e decidiu cumprir as promessas de campanha e jogar duro na guerra de nervos instaurada com o Paquistão e a China, países vizinhos de relações pouco amigáveis.

A Índia foi um dos poucos países que se recusaram a assinar o Tratado de Não-Proliferação de Armas Atômicas (em vigor desde 1970). A alegação do governo de Nova Deli foi de que o acordo tinha pretensões discriminatórias, já que as superpotências nucleares já haviam realizado seus testes: "Este é o nosso repúdio à política de apartheid que o Ocidente tentou nos impor", disse o presidente do partido hindu nacionalista. A Índia liderou a oposição ao Tratado Abrangente de Banimento de Testes Nucleares, adotado pela ONU em 1996, pois ele não considerou um calendário para o desarmamento dos países com capacidade nuclear então declarada - EUA, China, Rússia, Grã-Bretanha e França.

No mesmo ano, o Paquistão promoveu testes com bombas nucleares sob argumento de autodefesa, em razão do poderio da Índia.

A Índia testou sua primeira bomba atômica em 1974, sendo a pioneira no Terceiro Mundo. Com as explosões, o país passou a integrar o grupo das potências nucleares declaradas do mundo. No dia 19 de abril deste ano, a Índia testou um míssil capaz de transportar armas nucleares e de alcançar Pequim e o Leste Europeu - distância que poucas potências nucleares conseguem atingir. Pioneiro e detentor do maior arsenal atômico do planeta, até aqui, os Estados Unidos foi o único país a utilizar a arma contra um inimigo.

Outras efemérides de 11 de maio
1981: Reggae perde Bob Marley

 Comentar

6 de maio de 1932: O assassinato do presidente francês Paul Doumer

O que era para ser mais um compromisso público do chefe de estado francês acabou tornando-se numa grande tragédia. Enquanto preparava-se para assistir a cerimônia de inauguração da Tarde do Livro, o presidente francês Paul Doumer, 75 anos, foi alvejado por um exilado russo no interior da Casa Salomon Rothschlid, sendo atingido no pescoço, peito e abdomen.

Imediatamente transferido para o hospital, e apesar de todos os esforços médicos, acabou não resistindo aos ferimentos, falecendo poucas horas depois. Interrompia-se assim, prematuramente, seu mandato à frente da terceira república francesa menos de um ano depois de assumir a presidência.

A inesperada notícia do atentado causou assombro e comoção em todo o mundo pela sua notória popularidade.

Outras efemérides de 6 de maio
1937: O incêndio do Zeppelin
1969: Derrame tira Cacilda Becker de cena
1992: morre Marlene Dietrich, a inesquecível Lola

 Comentar

3 de maio de 2007: O desaparecimento de Madeleine McCann

Madeleine_McCann

A menina britânica Madeleine McCann desapareceu poucos dias antes do quarto aniversário, quando dormia no quarto do hotel de Praia da Luz (Portugal) onde a família passava férias. Naquela noite, os pais fizeram a menina dormir, assim como seu irmão e irmã, antes de jantar com amigos a 120 metros do quarto. Seu pais, Kate e Gerry McCann estão convencidos de que ela foi sequestrada, mas a menina nunca foi encontrada.

Outras efemérides de 3 de maio
1933: Brasileiras, eleitoras e eleitas
1933: Carlota Pereira de Queiroz é a primeira deputada eleita
1989: Ladrões roubam US$ 40 milhões em obras de arte

Um caso misterioso, delineado por uma investigação controversa, com uma série de especulações, inclusive com a hipótese de que a criança estaria morta, e os próprios pais poderiam ter ocultado o cadáver. Após 14 meses, a polícia portuguesa declarou que a menina não foi encontrada nem viva, nem morta, dando por encerradas as investigações. Os pais de Madeleine McCann mantém as investigações por conta própria.

No dia 25 de abril deste ano, a Scotland Yard anunciou que trabalha com a hipótese de que Madeleine McCann esteja viva, e apresentou uma imagem de como a menina seria atualmente, às vésperas de completar 9 anos. Ela nasceu na cidade inglesa de Leicester em 12 de Maio de 2003.



Leia também
2 de agosto de 1973: Quem sequestrou o menino Carlinhos?

 Comentar

Hoje na História - Siga no Twitter!