Arquivo de August 2012

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30 de agosto de 1972: Morre Dalva de Oliveira

A morte de Dalva de Oliveira. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 31 de agosto de 1972.

A morte chegou para Dalva de Oliveira, 55 anos, no final da tarde de uma quarta-feira que estava fria e chuvosa, e após diversas hemorragias provocadas por varizes no esôfago. O velório da cantora aconteceu no Teatro João Caetano. Em fila e sem tumulto, mais de 2 mil pessoas aguardaram sua vez de chegar bem perto ao caixão para despedir-se da cantora. Seu corpo enterrado num jazigo perpétuo do Cemitério Jardim da Saudade, homenagem do Retiro dos Artistas.

Villa-Lobos a considerava a melhor cantora popular brasileira. Juscelino Kubitschek certa vez telefonou de Paris diretamente para o Hospotal Miguel Couto, onde ela estava internada após um acidente de trânsito. Uma espécie de Edith Piaf nacional, Dalva retirava da própria vida - marcada pela tragédia, a frustração amorosa e uma incrível capacidade de estar sempre recomeçando - a força da sua arte. Em nenhuma outra cantora brasileira os dizeres das canções guarda tanta intimidade com a história pessoal de sua intérprete.

Vicentina de Paula Oliveira nasceu no dia 5 de maio de 1917, em Rio Claro, interior paulista. Filha do saxofonista Mário de Oliveira, cresceu acompanhando o grupo musical do pai. Com a morte dele, foi para um orfanato, onde aprendeu piano, órgão e canto.
No final dos anos 20, seguiu para São Paulo com a mãe, e começou a trabalhar como faxineira numa escola de canto. Nas horas vagas, improvisava no piano. Descoberta, foi convidada a participar de uma turnê com o grupo de Antonio Zoveti. Em 1933, fez um teste de cantora na Rádio Mineira e adotou o nome de Dalva de Oliveira. Depois foi a vez de conquistar o Rio de Janeiro. Em 1935 já estava na Rádio Mayrink Veiga, em menos de um ano, já era sucesso estrondoroso nas rádios de todo o Brasil.

Num show de teatro ainda nos anos 30, conheceu o compositor Herivelto Martins, seu primeiro marido. Formaram um trio com Nilo Chagas, originalmente intitulado Dalva de Oliveira e a Dupla Petro e Branco. Mais tarde, ouvindo conselhos de um empresário musical, mudaram para Trio de Ouro. Durante os quase 15 anos que permaneceram juntos, mantiveram-se como um dos mais importantes conjuntos vocais da música popular brasileira.



Outras efemérides de 30 de agosto:
1961: Jornal do Brasil não circulou
1993: O massacre em Vigário Geral
1994: Senado aprova emenda contra crime hediondo
1999: Timorenses votam pela independência

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29 de agosto de 1982: Adeus a Ingrid Bergman

A morte de Ingrid Bergman. Jornal do Brasil: Terça-feira, 31 de agosto de 1982 - Caderno BIngrid Bergman foi uma mulher que nunca desistiu... Morreu no dia que comemorava 67 anos de vida. Em sua biografia editada no Brasil com o título de A História de uma Vida – referiu-se com nobreza a tudo que fez, nos deixando um admirável exemplo de coragem, perseverança e amor a vida.

Enfrentou o câncer por seis anos, trabalhando até o último ano de vida em uma superprodução para a televisão representando o papel do Golda Meir.

Alfred Hitchcock dizia que era capaz de se superar a cada filme pois vivia caminhando para a perfeição. Seu primeiro filme nos EUA em 1939 foi uma nova versão de Intermezzocom Leslie Howard. Conquistou definitivamente a América e todo o mundo com a história de amor Casablanca, hoje um clássico dos anos 40, que a transformou em uma campeã de bilheteria.
Clique na imagem e relembre a cena de As Time Goes By.

Em 1949 estava na Itália para filmar Stromolisob direção de Rosselini quando apaixonou-se por ele; uma união que causou muita polêmica. Ambos eram casados e abandonaram as respectivas famílias para ficarem juntos. Ingrid foi acusada de adúltera e de mau exemplo para as mulheres americanas pelo Senador do Colorado, Edwin C. Johnson, que subiu à tribuna para denunciar que “Ingrid Bergman cometeu uma afronta à instituição do casamento”, segundo ele era uma ‘cultivadora do amor livre’.

Passaram-se 15 anos em que ficou praticamente esquecida. Em 1956 estrelou Anastasia, uma superprodução da Fox que lhe rendeu um segundo Oscar e suas portas foram reabertas. Já estava separada de Rosselini quando seu nome foi levada à tribuna novamente em 1972, agora com o pedido de desculpas. O Senador Charles H. Percy falou: “Sr. Presidente, uma das mulheres mais encantadoras, graciosas e talentosas do mundo foi vítima de um duro ataque nesta casa há 22 anos. Gostaria, hoje, de render um tributo há muito devido a Ingrid Bergman, uma verdadeira estrela em todos os sentidos da palavra.”

Ingrid filmava com freqüência inclusive chegando a ganhar outro Oscar em Assassinato no Orient Express, também se descobriu no teatro e televisão.O câncer a surpreendeu em 1973 tendo um seio amputado em 1974 e outro em 1980.

Quarenta e cinco filmes, oito peças de teatro, quatro especiais para a televisão. Três Oscar, uma autobiografia.

E a certeza de que não desistiria nunca.

Outras efemérides de 29 de agosto:

1975 - Morre o incansável De Valera
1975 - Juan Velasco é deposto no Peru

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27 de agosto de 1974: A morte de Lupicínio Rodrigues, o cantor das desilusões de amor

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 28 de agosto de 1974 - página 5 do Caderno B

"Lupicínio recebe hoje
a etiqueta
de grande cantor
da dor-de-cotovelo.
Na verdade
é bem mais
do que isso.
De menestréis
da dor-de-cotovelo
a música brasileira
está cheia.


O grande em Lupicínio é a maneira como se coloca diante das desilusões amorosas, a simplicidade com que se confessa...
" Jornal do Brasil

O compositor gaúcho Lupicínio Rodrigues, 59 anos, morreu em Porto Alegre, vítima de insuficiência cardíaca. Embora internado por mais de uma semana, a notícia surpreendeu parentes e amigos, que chegaram de toda parte para render-lhe as últimas homenagens.

Outras efemérides de 27 de agosto
1965: Morre Le Corbusier, um expoente da arquitetura moderna
1975: Houaiss é eleito para a ABL
1979: Terroristas matam Lorde Mountbatten na Irlanda
1999: O Brasil perde Dom Hélder Câmara

Descoberto por Noel Rosa, o primeiro sucesso veio com o antológico Se acaso você chegasse, cantado por Ciro Monteiro, em 1938. Um anos depois Lupicínio se apresentava no bairro carioca da Lapa, disposto a trilhar um novo e fértil período de boemia. Sempre enveredando as histórias de decepções amorosas, vieram Pergunte aos meus tamancos, Quem há de dizer, Cadeira vazia e Castigo, sucessos na voz de Alcides Gonçalves, seu principal intérprete. Suas composições, grande parte delas escritas com Felisberto Martins, foram gravadas por grandes nomes da MPB como Francisco Alves, Linda Batista, Orlando Silva e Jamelão.

Entre os feitos de maior orgulho deste torcedor apaixonado do Grêmio de Porto Alegre, está a autoria da letra e da música do hino do seu clube de coração.

Desejo do reconhecimento da juventude
No começo dos anos 70, Lupicínio lamentou-se do desinteresse dos cantores jovens com o seu trabalho, e confessou estar à espera de que eles lhe dessem uma oportunidade. A sua morte inesperada impediu que conhecêssemos muitas histórias musicais que ele ainda haveria de cantar. Mas a oportunidade pretendida pelo compositor, o seu desejo de reconhecimento pela juventude, começou a acontecer na voz de revelações da nova geração, como Paulinho da Viola, Elis Regina, Caetano Veloso e Gal Costa. Uma homenagem póstuma e para a posteridade.

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18 de agosto de 1969: Jimmy Hendrix encerra o Festival de Woodstock

O Festival de Woodstock.

Já era manhã quando Jimi Hendrix subiu ao palco montado na fazenda de 600 acres de Max Yasgur, na pequena cidade rural de Bethel, estado de Nova Iorque, e, acompanhado de sua banda Gypsy Suan and Rainbows,entoou a canção Hey Joe, encerrando três dias de paz e música que reuniram cerca de meio milhão de pessoas e entraram para a história como o festival que exemplificou a cultura hippie e a contracultura do final da década de 60, início de 70.

O Woodstock, originalmente batizado de An aquarian exposition: 3 days of peace and music, foi organizado por Michael Lang, John P. Roberts, Joel Rosenman e Artie Kornfeld. A intenção inicial era criar um estúdio musical, mas a idéia evoluiu para o festival. Depois que a comunidade de Woodstock vetou a realização do festival no local, os organizadores fizeram um acordo com Max Yasgur e iniciaram as vendas de ingressos em lojas de discos da área metropolitana de Nova Iorque e pelos correios. No dia 15 de agosto, início do festival, os organizadores esperavam a presença de 200 mil pessoas, mas foram surpreendidos com cerca de 500 mil. Depois que as cercas do local foram derrubadas pela multidão, foi impossível controlar a entrada dos milhares de pessoas, o que tornou o evento gratuito para a maioria delas.

Nos três do festival, 32 bandas se apresentaram para uma multidão que, apesar da chuva, da lama e das instalações insuficientes do festival, contrariou as expectativas de confusão e sagrou-se pela pacificidade e harmonia com que acompanhou as apresentações.

Um festival inigualável
Apesar do prejuízo inicial, o retorno financeiro para os organizadores veio em 1970, com o lançamento de dois discos e de um documentário realizados a partir da gravação e das filmagens dos shows do festival. Duas outras versões do evento foram organizadas em 1994 e 1999, porém não tiveram a mesma repercussão do festival de 69 - a última edição do evento inclusive ficou marcada por altos índices de violência, contrastando com os ideais de paz e amor do festival original.

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17 de agosto de 1987: E agora, José? A festa acabou... Morre o poeta Carlos Drummond de Andrade

"Vai, Carlos, ser gauche na eternidade!"

Outras efemérides de 17 de agosto
1962: Jovem morre ao tentar cruzar Muro de Berlim
1978: Da América à Europa num balão

Carlos Drummond de Andrade, 84 anos, um dos mais importantes e respeitados poetas brasileiros de seu tempo, morreu no Rio de Janeiro, de insuficiência respiratória, apenas 12 dias depois que um câncer ósseo levou Maria Julieta, sua filha, eterna musa e grande paixão. “E assim vai-se indo a família Drummond de Andrade” lamentou o poeta na ocasião.

Carlos nasceu em 31 de outubro de 1902, na cidade de Itabira, Minas Gerais. Estudou em Belo Horizonte e com jesuítas no Colégio Anchieta, em Nova Friburgo, no Rio, onde foi expulso por “insubordinação mental”. Por insistência dos pais, formou-se em farmácia em 1925. No mesmo ano, fundou com amigos A Revista, importante veículo de afirmação modernista em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu até o final de sua vida. Aqui, foi Chefe do Gabinete do Ministro da Educação Gustavo Capanema, trabalhou no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e colaborou como cronista no Correio da Manhã. Aposentou-se em 1962, mas, voltou ao mundo jornalístico, tormou-se colaborador do JB.

Durante 15 anos, todas as terças, quintas e sábados, o poeta de coração gauche – deslocado, acanhado - publicou suas crônicas no Caderno B. De sua estreia, em 2 de outubro de 1969, em Leilão do Ar, falando a liquidação da Panair do Brasil, até Ciao de despedida em 29 de setembro de 1984, quando faz um balanço de sua atividade na imprensa, foram 780 semanas da história do país e do poeta refletidas com agudeza e lirismo em mais de 2 mil e 300 crônicas.

A obra de Drummond
Foram 84 anos de palpitações, registradas em 25 livros de poesia e 16 outros de crônicas, contos, memórias e cartas, que repercutiram em milhares de estudos analisando-lhe a obra como um marco da cultura brasileira. A obra de Carlos Drummond de Andrade narra a trajetória de um homem, de uma geração e de um país. Poeta do indivíduo desajustado, do cotidiano, da existência e do fazer poesia, foi um jornalista de seu tempo, tratando tanto de temas tipicamente brasileiros, como também de assuntos metafísicos, que dizem respeito à condição e à alma humana. Com a partida de Drummond, a festa acabou, a luz apagou, o povo chorou e a cultura brasileira esfriou. “E agora, José?”.

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16 de agosto de 1977: Morre Elvis Presley, o rei do rock

Morre o rei do rock Elvis Presley. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 17 de agosto de 1977

O trono do rock ficou vazio: o rei, Elvis Presley, 42 anos, morreu em casa, nos Estados Unidos. O corpo do cantor foi encontrado desacordado no chão do seu quarto, à tarde, pela namorada Ginger Alden, a qual levou-o para o hospital. Lá, foi constatada a morte do ídolo da juventude mundial.

Elvis Aron Presley nasceu em 8 de janeiro de 1935 em Tupelo, no Mississipi. Foi o sobrevivente de dois gêmeos, e depois do parto sua mãe tornou-se incapaz de gerar mais filhos. O futuro rei do Rock canalizou então todo o afeto dos pais. Morou com eles em condições precárias por bastante tempo, mas tudo mudaria para ele - e para a indústria americana do disco... A carreira de Elvis começou por acaso, em 1954, quando, por apenas quatro dólares, entrou numa pequena gravadora em Memphis e gravou seu primeiro disco para dar de presente à sua mãe. Desencadeava-se o processo que revolucionaria o show-business e transformaria aquele jovem em pouco tempo no maior vendedor de discos da história.

Filho único e mimado pelos pais, Elvis nunca estudou música, mas passou a infância inteira ouvindo cantores caipiras e intérpretes de blues no rádio, já que sua mãe não o deixava passar muito tempo longe da sala. Quando garoto cantava na igreja, mas sua voz nunca se destacou dos demais. Sua vida, no entanto, estava prestes a mudar, quando o jovem de costeletas e topete gravou o disco para presentear à Sra. Presley.

Você tem uma voz incomum, deixe seu endereço que quem sabe um dia alguém te procura”, disse o controlador da mesa de som. Após um ano um agente da gravadora o chamou para gravar Without You. Elvis não conseguiu o resultado que o agente queria com a balada, mas no intervalo das gravações, dedilhou na guitarra uma música que tocava no rádio, de uma maneira original, completamente diferente do que se costumava ouvir na época. Dessa forma, o agente colocou-o para cantar I Don't Care if the Sun Don't Shine e Blue Moon of Kennedy. As faixas foram vendidas numa coletânea de outros cantores, regionalmente. Em apenas uma semana, 7 mil cópias do álbum foram vendidas.
Elvis Presley. Reprodução

Um ano depois, o “cantor esquisito do Tennessee” já estava nas paradas de Nova Iorque. Em 1956, fechou contrato com a gravadora RCA, que lançou seu álbum solo Heartbreak Hotel, o qual vendeu dois milhões de cópias em pouco tempo. Elvis virara um ídolo dos jovens, despertava paixões fulminantes nas meninas e era admirado pelos rapazes. Em suas apresentações, o público dançava animado o ritmo eletrizante e frenético, entoado pela voz rouca do cantor que, rapidamente, foi coroado como Rei do Rock.

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14 de agosto 1956: A morte do poeta e dramaturgo alemão Bertold Brecht

Bertolt Brecht. Reprodução

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem". Bertolt Brecht

Dois anos depois de iniciar a publicação de suas obras completas, o escritor e diretor de teatro alemão, Bertholt Brecht, 58 anos , morreu vítima de um ataque cardíaco, em Berlim.

Outras efemérides de 14 de agosto
1941: Assinada a Carta do Atlântico
1945: O Japão se rende na II Guerra Mundial
1983: Morre Alceu de Amoroso Lima, o Tristão de Athayde
1994: Chacal é preso no Sudão

A biografia de Bertolt Brecht, nascido no dia 10 de fevereiro de 1998 em Augsburg, na Baviera, se confunde com a própria história política e social de seu tempo e é a fonte inspiradora de uma estética cênica que vai buscar na compreensão da vida e na forma de transformá-la a maneira de colocá-la em discussão no palco. Desde a primeira peça, Baal (1918), escrita quando ainda era estudante e o Império Alemão desmoronava com o final da sangrenta guerra mundial, dando lugar à frágil República de Weimar que não resistiria, anos mais tarde, à catástrofe econômica e à ascensão do nazismo, Brecht vai construindo instrumentos para deixar que sua advertência de que "o espectador deve desconfiar do teatro" seja compreendida através de um método que reavalia a função do teatro e o alcance de seu poder de transformação.

"Nos nossos dias, quando consideramos o homem como um conjunto de todas as condições sociais, a forma épica é a única que pode usar todos os processos capazes de fornecer à arte dramática a matéria para uma concepção vasta e compreensível do universo".Bertolt Brecht


Então, impregnado de um expressionismo quase niilista, encontra o indivíduo no ponto de desagregação com o social, tanto no anarquismo de Baal, quanto na perda de identidade de Galy Gay, o soldado de Um homem é um homem (1926). Já é o ensaio da desmontagem do indivíduo abandonando qualquer diálogo subjetivo, quando abraça as teorias socialistas e começa a elaborar sua teoria do teatro épico, capaz de ultrapassar pelo comentário o caráter pessoal do personagem e buscar revelar as forças objetivas da sociedade.

No início dos anos 30, com a chegada de Hitler ao poder, exila-se em alguns países da Europa, até chegar aos Estados Unidos, para uma estada frustrada na indústria do cinema de Hollywood. É quando sistematiza sua teoria de teatro épico, a que considera teatro moderno. Seis anos mais tarde, acusado de atividades contra o governo americano, volta para a Alemanha Oriental e cria sua própria companhia, a Berliner Ensemble (1949), e mantendo seu propósito, faz dela o templo de suas experimentações.

A obra teatral de Brecht divide-se em períodos que correspondem aos locais em que viveu. Na primeira fase, época da Baviera, destacam-se Tambores na Noite (1922) e Na Selva das Cidades (1924). A segunda fase corresponde ao tempo que morou em Berlim e duas peças teatrais sobressaem: Um Homem é um Homem (1926) e A Ópera dos Três Vinténs (1928). O terceiro período brechtiano é o do exílio. As peças mais conhecidas são Terror e Miséria do Terceiro Reich (1938), sobre a violência nazista, e Os Fuzis da Sra. Carrar(1937), obra sobre a Guerra Civil Espanhola. No período final, nos Estados Unidos e na volta a Berlim, Brecht produziu somente uma peça, O Círculo do Giz Caucasiano(1948).

Revisitando Brecht, surge um poeta, de produção refinada e rigor formal, contraditório, criador de espetáculo que foi fundo nos mecanismos da sua elaboração e que empregou a razão para experimentar seus limites. Uma das presenças dominantes da cena teatral de um tempo em que o teatro avançou na sua linguagem, trazendo para si a crescente complexidade dos conflitos humanos, Brecht foi um de seus intérpretes mais inconformados e provocadores.

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13 de agosto de 1969: Morre Jacob do Bandolim, um coração rasgado pela emoção

Jacob do Bandolim. Reprodução

"A boa música é aquela que nos deixa em estado de enfarte". Poucos dias após dar essa declaração durante uma entrevista no Museu da Imagem e do Som, depois de sofrer o terceiro enfarte, faleceu no início da noite, em sua residência em Jacarepaguá zona oeste do Rio, o compositor e instrumentista Jacob do Bandolim, 51 anos.

Jacob deixou viúva Dona Adília e dois filhos, Helena e Sérgio.

Outras efemérides de 13 de agosto
1946: Morre o visionário H.G. Wells
1961: A construção do Muro de Berlim
1967: Chega ao Brasil a Rosa de Ouro de Aparecida
1987: Reagan assume culpa pelo Irã-gate

Jacob Pick Bittencourt, carioca das Laranjeiras, nasceu no antigo Distrito Federal, no dia 14 de fevereiro de 1918.

Em Jacob é preciso separar três personalidades musicais, que por fim se fundem: o pesquisador sério, o compositor inspirado e o instrumentista inigualável.

Considerado um grande pesquisador das músicas dos chorões, foi sempre muito exigente: nos instantes de música, e logo todo o bairro ficava sabendo quando ele começava, saó aceitava os que sabiam se por em silêncio, jamais deixando de abrir mão do estado de contrição diante de um choro. Dono de um projetor para a leitura de partituras e de gravdor para conservar músicas de discos antigos, tinha um dos acervos musicais mais ricos do país. Talvez seja um dos responsável pela sobrevivência de muitas valsas e choros, principalmente dos anos 20 e 30. Como bandolinista, sua maior paixão foi Ernesto Nazareth, de quem interpretou de tudo. Como compositor, produziu peças valiosas em todos os gêneros, como o samba Se Alguém Sofreu (1939), a valsa Encantamento (1950) e o choro Migalhas de Amor (1952). O instrumentista, na fina sensibilidade que caracterizava suas execuções, ao mesmo tempo pessoais e fiéis às origens da música popular brasileira, foi insuperável na técnica do improviso, na arte de renovar.

O repertório de Jacob é imenso. A carreira discográfica começou na Continental, com quatro discos de 78 rpm. Na RCA Victor, gravou cerca de 50 outros. O arquivo de Jacob foi incorporado em 1974 ao acervo do Museu da Imagem e do Som, no rio de Janeiro.


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10 de agosto de 2012: O centenário do Amado Jorge. Quando eu vim para esse mundo...

Jorge Amado

No vasto mundo criado por Jorge Amado tem sempre um quê de celebração à Bahia de Todos so Santos e à vida do povo: "A cidade da Bahia é uma das paixões da minha vida, uma grande paixão. Fui menino e adolescente solto nas ruas de Salvador, vivendo com grande intensidade a vida do povo, tanto da gente da terra quanto do mar".

Outras efemérides de 10 de agosto
1935: Está no ar a Rádio Jornal do Brasil
1964: Paulo VI publica sua primeira Encíclica
1974: Frei Tito, um atormentado até a morte
1995: Adeus ao mestre Florestan Fernandes, pai da sociologia brasileira

"Jorge nasceu empirilado, por isso sempre teve sorte", costumava dizer sua mãe, Dona Lalu, de quem herdou a imaginação fértil e criativa. Filho de um coronel de terras, Jorge Leal Amado de Faria nasceu numa fazenda do Distrito de Ferradas, na baiana Itabuna, no dia 10 de agosto de 1912, época em que a região era palco de grande luta entre coronéis pela posse das terras férteis do sul do estado, a terra do cacau.

Era criança ainda quando viu o pai cair ferido por uma bala e testemunhou uma seca arrazadora: sem oportunidade a família foi para Ilhéus onde passou a viver da confecção de tamancos. Foi em casa que aprendeu a ler. Mas para aprimorar os estudos foi mandado para ser interno num colégio jesuíta de Salvador. Vem daí a experiência fundamental e a descoberta de sua vocação. Jorge começa a trabalhar em jornais e liga-se a um grupo de intelectuais da literatura.

Jorge Amado.
No início dos anos 30, chega ao Rio de Janeiro para cursar a Faculdade de Direito, de onde sai bacharel cinco anos ais tarde. A essa altura já tem seus primeiros romances publicados: O país do Carnaval (1931) e Cacau (1933) - romance rural que em pouco mais de um mês vende mil exemplares, supreendendo o movimento literário da época que sofre grande influência estrangeira, principalmente do ponto de vista ideológico.

A vida política começaria anos mais tarde, com a ditadura de Getúlio Vargas. Militante da esquerda, foi preso diversas vezes: "...tínhamos que lutar contra o imperialismo norte-americano e o nazista, que ameaçava todo o mundo". Em 1937, o seu romance Capitães de Areia - a aventura dos meninos delinquentes nas ruas da Bahia - foi apreendido pela polícia e queimado em praça pública. A obra só voltaria às livrarias com o fim da Era de Vargas (1930-1945)

Mas os anos difíceis da militância logo teriam a grande compensação. Com a queda de Vargas e o final da guerra, Jorge segue para São Paulo engajado na campanha pela libertação dos presos políticos. Caberia então ao destino o encontro entre o experiente líder comunista e a jovem intelectual Zélia. Diante de tantos interesses em comum, logo se descobririam também apaixonados, dando início a um relacionamento que perduraria para sempre. Daí em diante a história de um não poderia mais ser contada sem a história de outro.

Com Zélia que já tinha um filho, Jorge, que já fora casado, teve dois filhos: o baiano João Jorge e Paloma, nascida em Praga, quando a família já tinha deixado o Brasil, por questões políticas. A experiência desta época proporciona um intenso convívio cultural no meio intelectual europeu, por onde muito circulou, mas residiu a maior parte do tempo em Paris.

De volta ao Brasil, Jorge vive uma temporada no Rio, antes de mudar-se em definitivo para Salvador. É tempos da vida carioca que sua premiada, consagrada e aclamada produção literária, traduzida em incontáveis idiomas, ganha o reconhecimento da ABL. Jorge Amado é eleito imortal tornando-se o quinto ocupante da Cadeira 23.

Escritor instintivo, espontâneo, torrencial e romântico, ficcionista sem igual, de impressionante força poética, Jorge Amado é um dos maiores nomes da literatura do Brasil em todos os tempos. Contou suas histórias se identificando com as coisas da sua gente, e colocou em seus romances o cotidiano simples, os costumes, os dramas íntimos, curiosos sobretudo para o amor, para a brincadeira perigosa, e não menos divertida de vivê-lo. E deu alma a seus personagens, uma coleção de tipos - entre heroínas femininas (Gabriela, Dona Flor, Teresa Batista e Tieta), caricatos de críticas sociais (Quincas, Vadinho e Pedro Arcanjo) , que parecem estar muito além das páginas de seus livros, como velhos e próximos conhecidos da sua gente.

"Viva a vida com coragem e escreva sobre aquilo que você conhece através de um conhecimento vivido. Seja de seu tempo e de seu povo, mas evite a moda e a seita". Jorge Amado

Jorge Amado morreu no dia 6 de agosto de 2001, na Bahia, às vésperas de completar 89 anos.

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9 de agosto de 1997: Morre Betinho, a voz maior da cidadania

Brasil perde seu maior defensor da vida: Morre Betinho. Jornal do Brasil: Domingo, 10 de agosto de 1997.

"Quando se tem o que eu tenho, você começa a descobrir que a vida é todo dia, que o bom é estar vivo hoje. E é assim que eu vivo".
Betinho

O sociólogo Betinho, 60 anos, morreu em sua casa no início da madrugada, em decorrência de uma série de distúrbios relacionados à deficiência de funcionamento do fígado e dos rins, após uma aguerrida luta contra a Aids. Hemofílico como seus dois irmãos, o cartunista Henfil e o músico Chico Mário, Betinho viveu ameaçado pela morte desde que nasceu, e também como eles, tornou-se portador do vírus após uma transfusão de sangue. Maior defensor da vida no Brasil, foi idealizador e líder da Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, e dirigiu a maior campanha nacional em defesa dos pobres e famintos.

Era casado com Maria Nakano, com teve o filho Henrique. Teve outro filho, Daniel, do primeiro casamento.

Outras efemérides de 9 de agosto
1965: A independência de Cingapura
1969: Sharon Tate é morta pela Família Manson
1975: Morre o compositor russo Dimitri Shostakovitch
1945: Bomba atômica arrasa Nagasaki
2011: Os 80 anos do Velho Lobo Zagallo

Betinho com o botton da campanha Salve o sangue do povo brasileiro. Dilmar Cavalher/CPDoc JB
Nascido Herbert José de Sousa no dia 3 de novembro de 1936, em Bocaiúva, interior mineiro, Betinho começou a fazer políticos aos 18 anos, influenciado pelos padres dominicanos da Ação Católica. Em 1962, fez parte do grupo de jovens católicos a fundar a Ação Popular, a AP, que militava por um socialismo humanista. Durante o governo de João Goulart, trabalhou como assessor do ministro da Educação, Paulo de Tarso, dedicando-se especialmente ao ambicioso Programa Nacional de Alfabetização, o PNA, inspirados nas idéias do educador Paulo Freire e que se propunha acabar com o analfabetismo no país num espaço curto de tempo.

Com o golpe militar de 1964, foi obrigado a passar para a clandestinidade e depois a deixar o país: A AP foi uma das organizações mais visadas e perseguidas pelos militares. Ao longo de seus anos de exílio, continuou na militância, colaborando na formação de grupos de estudos e de formulação teórica sobre as questões e os impasses brasileiros. Voltou ao Brasil em 79, como o “irmão de Henfil”, da música O bêbado e o equilibrista.

Em fevereiro de 1993, quando o presidente Itamar Franco anunciou o Programa de Combate à Fome, foi convidado para coordenar o Conselho Nacional de Segurança Alimentar. Alegando sua frágil condição física, recusou o convite, mas aceitou participar como consultor do projeto. Betinho se tornaria a grande mola propulsora de uma mobilização popular contra a fome sem precedentes na história no Brasil. Em poucos meses, a Ação de Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida alcançaria marcas inéditas. De junho de 1993 até junho do ano seguinte, 25 milhões de pessoas contribuiriam de alguma forma – com doação de dinheiro, de alimentos e roupas – e outras 2,8 milhões se engajariam diretamente na campanha, atuando em um dos 4 mil comitês do projeto criados em todo o país.

O impacto real do trabalho feito nos quatro anos de campanha, entretanto, manteve-se imensurável. Além da doação material, motivada pelo lema Quem tem fome, tem pressa, a corrente de solidariedade promoveu o regate da cidadania e a inclusão social, demonstrando a capacidade de mobilização do povo brasileiro.

A trajetória de vida de Betinho é a história de alguém que superou com dignidade seu terrível drama pessoal e se engajou na luta de um Brasil melhor. Deixou uma coleção de livros importantes para se compreender melhor o país, centenas de artigos e uma das mais atuantes organizações não-governamentais do país, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas, o Ibase. Mas o obstinado trabalho em favor dos 32 milhões de brasileiros totalmente desamparados, é certamente o seu grande legado.

"A morte acaba com tudo, mas a memória traz de volta a vida. As pessoas só existem na memória". Betinho

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7 de agosto de 1957: Morre o Gordo Oliver Hardy

Oliver Hardy. Reprodução

O ator Oliver Hardy, 65 anos, morreu na Califórina, vítima de ataque cardíaco, sem conseguir se restabelecer do derrame cerebral sofrido um ano antes, que comprometeu seus movimentos locomotores e a fala. Suas cinzas foram depositadas em Hollywood.

Chegava efetivamente ao fim a maior dupla cômica do cinema em todos os tempos. Stan prometeu nunca mais aparecer nas telas, limitando-se a escrever textos, roteiros e peças humorísticas até morrer, em 23 de fevereiro de 1965. Juntos, fizeram 99 filmes.

Último registro de Laurel e Hardy, um ano antes da sua morte



Outras efemérides de 7 de agosto
1961: Segundo ser humano a entrar em órbita em torno da Terra
1978: Coração silencia Orlando Silva, o Cantor das Multidões
1988: Irã aceita negociar paz com Iraque
1992: Caetano Veloso completa 50 anos
2011: Os 80 anos do Velho Lobo Zagallo

Oliver Norvelle Hardy nasceu em 18 de janeiro de 1892, na Geórgia, EUA. Filho de imigrantes ingleses, estudou canto no Conservatório de Atlanta e fez direito na Universidade da Geórgia. Em 1913, sem qualquer pretensão (talvez por seu trejeito caricato), ingressou na carreira artística, contratado pela Lubin Studios, interpretando papéis secundários. Participava na série Plump and Runt (1915), até ser convencido pelo diretor Leo McCarey, dos estúdios de Hal Roach, a atuar com Stan Laurel.

Laurel e Hardy.

Assim nascia O Gordo e o Magro - um gorducho sério e zizudo e um magrelo sentimental e desastrado, que transformavam situações cotidianas em inusitadas. O viés cômico evidenciava a ingenuidade dos personagens, que buscavam interagir com o público, sempre encarando a câmera. O resultado foi imediato. Já no ano primeiro ano de trabalho emplacariam treze comédias de sucesso. Referência de humor na infância de uma legião de fãs por seguidas gerações, O Gordo e o Magro produziram quase cem filmes ao longo de três décadas de parceria, até que deixassem as telas de cinema para dedicar-se a apresentações em casa de espetáculos, experiência que lhes rendeu duas turnês ao longo de cinco anos. Em 1950, voltariam ao cinema, sem conseguir, contudo, alcançar o sucesso original. Nunca houve na comédia cinematpgráfica outra dupla com a longevidade, nem a eterna popularidade deles.

Hardy, então, começaria a conviver com uma saúde fragilizada.

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6 de agosto de 2012: Sempre brilhará

Celso Blues Boy (1956-2012)

Celso Blues Boy.

Sempre Brilhará

Por dentro eu sei
Que nunca senti
Nada além de amor
Em tudo o que vivi
Estou deixando o céu
Rumo ao inferno
Só, sem você
Mas não há nada a fazer

As coisas são assim
Prá que se lamentar
Se dentro de nós
Sempre existirá
Sempre existirá

Toda esperança
Sempre brilhará
Do outro lado da noite
Aonde você está
Espantarei mil demônios
Não hesitarei
Andarei na escuridão
Dessa guerra sem fim

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4 de agosto de 1930: A alma cantante está de luto. Morre Sinhô

O sambista Sinhô

"A alma cantante da cidade está de luto. Morreu Sinhô! Chamavam-no de príncipe do samba. Era um príncipe pobre. Mas a sua glória era alta. Ela cantava por toda a parte porque era feita pela popularidade de uma música sabida do povo para o povo. Era a música da verdade que ia diretamente ao coração de gente. E bem brasileira!" Jornal do Brasil

O compositor e interpréte Sinhô, 41 anos, teve a morte trágica dos grandes artistas. Vítima de uma violenta hemoptise, decorrente de problemas respiratórios, morreu numa barca da Canatareira, rindo para a cidade. Saira da Ilha do Governador, onde morava, na tarde quente de uma segunda-feira, para aquela que seria sua última viagem.

Outras efemérides de 4 de agosto
1964: A intervenção americana da Guerra do Vietnã
1969: Eclode onda de conflitos na Irlanda do Norte
1977: Rachel de Queiroz é eleita para a Academia Brasileira de Letras
1987: Adeus a Dick Farney, sua voz e seu piano
1994: Morre o acadêmico Cyro dos Anjos

Nascido José Barbosa da Silva no Rio de Janeiro de 18 de setembro de 1888, Sinhô estreiou como compositor em 1918, com Quem são eles (A Bahia é Terra Boa), e obteve enorme êxito, logo se tornando conhecido, inclusive fora do circuito carioca. E em 1920, estourou a banca das músicas de carnaval, fazendo o Brasil todo cantar o samba Fala, Meu Louro, mexendo com Rui Barbosa, e a marchinha O Pé de Anjo. Espécie de Teu Cabelo Não Nega, da época, esta marchinha inspirou o espetáculo de mesmo nome no teatro de revista de Carlos Bittencourt e Cardoso de Menezes, tornando-se um dos maiores acontecimentos do gênero em todos os tempos.

E na verdade até o final, quando de sua morte, foi o compositor preferido do povo. Seus sambas, suas marchinhas e canções, mesmo com a precária divulgação musical da época, se espalhavam Brasil afora. Embora muito mais música do que verso, Sinhô tinha preferência pela composição, que de forma simples levava a sua marca, com o faro do gosto popular.

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3 de agosto de 1954: Morre a escritora Sidonie Gabrielle Colette, a ingênua libertina

A morte da escritora francesa Sidonie-Gabrielle Claudine, a Colette. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 5 de agosto de 1954.

Maior nome da literatura feminina francesa na primeira metade do século 20, a romancista Sidonie-Gabrielle Claudine, 81 anos, conhecida pelo pseudônimo de Colette, que escandalizou ao escrever das dores e dos prazeres do amor, com a evocação sensorial de sons, sabores, cheiros, texturas e cores, morreu de causas naturais, durante a noite de Paris. Seu funeral, primeiro a receber honras de Chefe de Estado, foi a marca do amor inspirado por uma das maiores escritoras da França.

Outras efemérides de 3 de agosto
1977: 75 anos de Carlos Cachaça, o poeta do samba mais nobre
1981: A renúncia do Presidente da Bolívia Luiz Garcia Meza
1988: Fim da censura e da tortura no Brasil
Colette.

"La terre appartient à celui qui s'arrête un instant, contemple et s´en va".

São poucas e reservadas as declarações de Colette. Tudo que disse, ela sempre o fez melhor através de seus personagens. Nos livros, reproduzia a vida da menina Gabrielle Sidonie Colette, que a julgar pela circunstância de seu nascimento, não prometia maiores aventuras.

"Meu nome é Claudine, moro em Montigny, onde abri meus olhos à luz; provavelmente não morrerei aqui. Montigny é uma aldeia e não uma cidade..."

Filha de um capitão, nascida em 28 de janeiro de 1873, em Saint-Sauveur-en-Puisayc, na França, cresceu em meio a vida comum do homem do campo, até que fugindo dessa mediocridade, resolveu jogar-se com coragem improvável de uma jovem provinciana aos prazeres de Paris do alvorecer do século XX. Mal completara 20 anos e já estava casada com Henri Gauthier-Villars, aquele que seria o responsável por provocar sua necessidade de escrever. Por sugestão do marido, Colette escreveu o primeiro livro da série Claudine (Claudine à lÉcole), que culminou no aparecimento da escritora e no fim da esposa.

Em 1904, já divorciada, publicou Dialogues de Bétes, onde antecipa literariamente, a nudez que, dois anos mais tarde, como atriz de teatro, exibiria nos palcos. Revolucionária para seu tempo, revelava no espetáculo o que para a atmosfera de falsa moralidade da época era uma liberdade inadmissível. Mas como de Colette era possível esperar-se quase tudo, venceu com uma teatralidade que lhe caia muito bem, os mais violentos preconceitos. Experiência que também contaria nos livros. Durante a I Guerra Mundial, passou a trabalhar como jornalista e, depois do conflito, retomou a dedicação plena à literatura, quando tornou-se célebre como escritora, abordando as inquietações da juventude do pós-guerra.

A síntese perfeita de sua obra e vida é talvez o seu mais conhecido trabalho: L'Ingénue libertine (1909).

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