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8 de abril de 1973 - Um gênio que criou até o fim

Jornal do Brasil: 9 de abril de 1973

Estava em plena atividade, talvez em mais uma das suas muitas fases criativas, pintando temas de paisagens e crianças que comporiam os 201 quadros e desenhos a serem mostrados em junho, no Festival de Avignon. Pablo Picasso morreu aos 91 anos, vitimado por um edema pulmonar. Em idade avançada, sem ter sido velho um instante sequer.

Na sua obra monumental se incluem-se entre 13 e 14 mil pinturas e desenhos, 100 mil gravuras, 34 mil ilustrações de livros, e 300 esculturas e cerâmicas. Obteve dois grandes prêmios: o Carnegie Award (1930) e o Prêmio Lenin (1962).

Picasso foi um grande artista, que encheu o século com suas cores e suas formas, suas pesquisas, suas audácias e sua personalidade viva. "Toda pessoa que mereça ser chamado de pintor deve produzir pelo menos um quadro e vários desenhos por dia" - repetia Picasso.
Discutido, criticado, combatido, Picasso foi o único artista vivo a entrar para o acervo do Museu do Louvre, o qual lhe abriu as portas quando completou 90 anos.

Comunista militante, apoiou os combatentes que defendiam a República Espanhola, finalmente derrotada pelas tropas do General Franco na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). Picasso jurou que jamais pisaria o solo espanhol "enquanto lá existisse a ditadura franquista". E cumpriu o juramento, pois nunca retornou à Espanha.

O seu grande mural Guernica, elaborado para condenar o bombardeio aéreo dessa pequena e indefesa cidade do País Vasco durante a Guerra Civil, tornou-se um ícone universal contra os horrores da guerra moderna.

Um dos grandes artistas do século XX, deixou uma imagem de irreverência e de vitalidade incontida, que se confundia numa lenda: a lenda de Picasso.


Picasso: Homem feito lenda

Jornal do Brasil: 9 de abril de 1973




Picasso nasceu em Málaga, sul da Espanha, a 25 de outubro de 1881. Filho de José Ruiz Blanco, um pintor profissional e professor de História da Arte, e de Maria Picasso López, senhora de terras e vinhas herdadas do avô que emigrara para Cuba sem dar jamais qualquer sinal de vida. Picasso elegeu o nome de sua mãe como seu nome profissional em homenagem àquela que descobriu suas virtudes.

Considerado um dos artistas mais versáteis de todo o mundo, passou por vários estilos na pintura, entre eles o cubista, o surrealista e o expressionista. Produziu também esculturas e cerâmicas.


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7 de abril de 1976 - Mostra 70 anos de Belas-Artes

Jornal do Brasil: quarta-feira, 7 de abril de 1976


Fotos de época, documentos e recortes de jornais compuseram a exposição inaugurada no saguão principal do Museu de Belas-Artes, em comemoração aos 70 anos de lançamento da pedra fundamental do edifício sede da instituição cultural. O destaque da mostra foi a exibição da edição publicada pelo Jornal do Brasil em 8 de abril de 1906, no dia seguinte àquela solenidade, narrando o episódio e revelando a presença de pessoas ilustres como o Presidente da República Rodrigues Alves, o Prefeito Pereira Passos e o Engenheiro Paulo de Frontin.

O prédio se destinava, originalmente, a abrigar a Escola Nacional de Belas-Artes, dirigida pelo escultor Rodolfo Bernadelli, que, com seu prestígio conseguiu promover a expansão física da instituição através de um projeto assinado pelo arquiteto e professor Morales de Los Rios. Uma arquitetura influenciada pelo renascimento francês, inspirada no Louvre de Paris: abóbodas em forma de barrete; fachadas ornamentadas com medalhões e afrescos; desenhos simbolizando artistas renomados decorando as laterais do prédio. Em 13 de janeiro de 1937, mediante um decreto-lei, o prédio desvinculava-se da Escola e passava a se chamar e a funcionar como Museu Nacional de Belas Artes.

A origem do acervo do Museu prende-se à vinda da Família Real ao Brasil (1808), quando chegou aqui o conjunto de obras de arte proveniente de Portugal. Mérito de D. João VI, incentivador e promotor das artes, que poucos anos trouxe para o Brasil a Missão Artística Francesa, um grupo de hábeis artistas expulsos por Napoleão da Europa, liderados por Joaquim Lebreton. Era o começo da formação da mais importante pinacoteca da História do Brasil.

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