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11 de junho de 1979: Hollywood perde John Wayne, o último dos cowboys

Morre  John Wayne. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 13 de junho de 1979.

"O que quer que eu represente, seja um cowboy, um piloto, um capitão de navio, ou um Texas Ranger , tenho de ser sempre, e antes de tudo, John Wayne"

O veterano ator de cinema John Wayne, 72 anos, morreu no final da tarde no Centro Médico da Universidade da Califórnia, vítima de câncer, doença contra a qual combatera tenazmente por mais de 15 anos. Chegava a o fim a trajetória do grande ícone dos filmes de cowboy da indústria de Hollywood.

A morte de Wayne teve intensa repercussão e provocou numerosas manifestações de afeto e respeito nos meios cinematográficos. Sua última aparição pública ocorreu no dia 9 de abril daquele ano, por ocasião da entrega da premiação do Oscar, em Los Angeles. Foi recebido pelo público presente de pé, com uma grande ovação.

Outras efemérides de 11 de junho de 1962
1915: Os 50 anos da Batalha do Riachuelo
1962: A fundação da Eletrobras
1970: O sequestro do embaixador Alemão
1996: A tragédia no Osasco Plaza Shopping

Em meio século de cinema - estreou em 1928 - sua filmografia oficial registra nada menos de 155 títulos, mas somando-se a eles os curtas e mediametragens dos primeiros anos, a marca supera 200. Nessa longa trajetória, enriqueceu, ganhou Oscar, criou uma legenda em torno de seu nome e viu as novas gerações descobrirem em seus filmes o mesmo encanto que arrebatava os velhos fãs do Western.

Em John Wayne, a lenda e a realidade, muitas vezes se confudem. Não há diferença entre o vaqueiro preso à sela de seu cavalo, a cavalgar poeirentas e intermináveis estradas desertas, e o jovem ator que o perseguiu, com a obstinação de um pioneiro, sua grande chance no cinema. Nem entre o mocionho implacável que destrói inimigos, ainda que índios inocentes, e o sujeito que liderou, em Hollywood, uma incansável cruzada contra seus adversários políticos. Nem entre o romântico conservador, tímido, mas machista, da maioria de seus filmes, e o homem que fora da tela sempre encarou as mulheres como adoráveis coadjuvantes.

Em seu último filme, The shootist (1976), Wayne é um cowboy que está morrendo de câncer. Nostalgicamente, ele revê os filmes que documentam suas façanhas no tempo das diligências. Lenda ou realidade?

E na mesma proporção que colecionou sucessos, Wayne por sua postura reacionária, extremista e intolerante, fez, em Hollywood, mais inimigos do que seus personagens entre os bandidos do Oeste. Nada que, contudo, o impedisse de ser até o fim John Wayne.

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7 de junho de 1989: Morre Nara Leão, a musa de todas as bossas

Adeus a Nara Leão, a musa de todas as bossas. Jornal do Brasil: 8 de junho de 1989.


"O título de Musa da Bossa Nova não lhe faz justiça. ela foi mais. Foi a própria voz feminina da Bossa Nova - mas nem assim se faz justiça. Ela foi a musa e a voz também de outras bossas - a de Zé Ketti e Cartola, por exemplo, ou a bossa da banda de Chico Buarque. Nem assim, na verdade, ainda se faz justiça - ela foi a personificação de um estilo, onde à pequena voz se somavam o violão, o banquinho e o celebrado par de joelhos. Fez-se justiça? Ainda não. Ela foi, para resumir, uma formidável pequena pessoa que, simples e discreta, encarnou o lado bom de uma certa época e de um certo Brasil". Jornal do Brasil

Calou-se a musa das bossas novas da MPB. De todas elas. Nara Leão, 47 anos, morreu vítima de câncer, contra o qual lutou nos últimos anos.

Outras efemérides de 7 de junho
1980: A literatura perde Henry Miller
1977: O Manifesto da ABI contra a censura e pela liberdade de imprensa

Com sua emissão cool de Chet Baker de saias (e joelhos!), Nara sempre pousou de arcanjo anunciador de tempos modernos. Ousou cantar Zé Ketti, Cartola e Nelson Cavaquinho em plena maré do banquinho e violão joãogilbertianos. Tropicalizou nas cores bregachique Lindonéia enquanto hordas de fariseus clamavam pela cassação das guitarras elétricas dos velhos baianos. Do exílio europeu no começo tétrico dos anos 70, mandou um álbum duplo cifrado. Canções de protesto como as do LP Opinião, tipo Acender as velas, Chegança ou Sina de caboclo? Nada disso. A lançadora de Chico Buarque, Paulinho da Viola e Sidney Miller despachava de Paris duas dezenas de músicas de Tom Jobim. Bossa nova em plena barbárie.

Dona de um timbre palatal e a fímbria de sambista urbana, Nara revisitou choros e serestas, sempre na contramão do sucesso ostensivo. Matriz da postura anti vibrato que internacionalizou Astrud Gilberto, Nara foi cantar bossa nova para os japoneses a braços com o violão do amigo de infância Roberto Menescal. Em suas últimas aventuras voltou ao cinema Metro Copacabana da adolescência soquete, regravando em sincopado uma trilha de american songs de Hollywood. O molejo dialético da carreira inimiga do óbvio, combinava com a personalidade informal de raro brulho e delicadeza. Nara Leão gravou 23 LPs - mas incluindo as coletâneas, sua discografia chega a 30 discos. A nova bossa perdeu sua perpétua garota prodígio.

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5 de junho de 2000: Silêncio no samba. Morre João Nogueira

João Nogueira. José Roberto Serra/CPDoc JB

"... Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar...
"

O cantor e compositor João Nogueira, 58 anos, morreu no início da madruga, vítima de um infarto, em sua casa, no Rio de Janeiro. Velado na capela 1 do cemitério São João Batista, seu funeral reuniu familiares e amigos, muitos conquistados ao longo de sua trajetória no samba. Sobre seu caixão, dois símbolos de uma vida apaixonada e apaixonante: as bandeiras do Flamengo e da Portela.

A morte de Nogueira surpreendeu amigos e fãs, pois mesmo que ele estivesse afastado das rádios por problemas de saúde, nos últimos anos, continuou até o fim tocando seu projetos musicais de forma prioritária. O último, a gravação de um CD ao vivo, em São Paulo, incluindo seus principais sucessos, ficou incompleta.

Outras efemérides de 5 de junho
1967: A Guerra dos Seis Dias
1968: O mito Kennedy ascende
1972: A origem do Dia Mundial do Meio Ambiente
1975: Reaberto o Canal de Suez

Nascido no Méier em 12 de novembro de 1941, João Nogueira teve uma carreira prolífica, que lhe valeu fama, elogios da crítica e muitas amizades. Começou a trabalhar na adolescência: foi office-boy, vitrinista, decorador, e até funcionário da CEF. No início dos anos 70, a música, que já fazia parte de sua vida nas rodas de samba, ficou mais próxima de constituir uma nova profissão. Ao ouvir Corrente de Aço, Elisete Cardoso, abriu as portas por onde passariam outros vários artistas, interpretando suas canções. Também interpretando, chegou a gravar mais de 20 discos, entre LPs e compactos.

A isso tudo, reuniu a condição de coerente militante cultural de país periférico, preocupado com a sobrevivência ameaçada da arte de seu povo. Foi nos anos 70, ao liderar a criação do Clube do Samba, uma trincheira, ele advertia: "Se não tomarmos cuidado agora, dentro de uns poucos anos as gerações nem vão saber quem foi Cartola, Calça Larga, Natal, Monarco...".

Seguramente, o samba mantém viva, firme e forte, a memória de seus expoentes. Sem dúvida, em parte graças a contribuição de João: um compistor de primeiro nível, com suas interpretações de balanço irrepreensível, dicção perfeita e originalíssima divisão; do palco, com uma presença de espírito que esbanjava os cacos mais pertinentes; e da consciência crítica de artista profundamente empenhado na defesa de uma cultura própria de seu país.

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