Arquivo de March 2011

RSS Feeds

27 de março de 1972 - Morre M. C. Escher, o mágico da arte gráfica

Exposição O Mundo de Escher chega ao Rio. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 21 de maio de 1980.

Maurits Cornelis Escher morreu no Hospital Hilversum quando ainda não tinha completado 74 anos. Dono de uma saúde desde sempre inspiradora de cuidados, viveu os últimos anos na Holanda, terra natal para onde voltou, depois de percorrer o mundo, criando um legado artístico de tempos e espaços fantásticos, resultado de sua experiência visual.

"Deus não pode existir sem o mal, e desde que se aceite a ideia da existência de Deus, tem-se de aceitar, também, a do mal. É uma questão de equilíbrio. Esta dualidade é a minha vida". M. C. Escher

Com estas palavras, Escher parece ter definido bem o temperamento de homem e artista, explicando os contrastes que sempre caracterizaram seus trabalhos em xilogravuras, litografias, a predileção pelo preto e branco, a dualidade e até um certo antagosnimo encontráveis nos títulos de algumas de suas obras, como Dia e Noite e Alto e Baixo.

Reprodução da Obra: A Casa de Escher.


São construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e metamorfoses - padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com impressionantes efeitos de ilusões de óptica.



Uma de suas técnicas mais fabulosas é a replicação de formas que se entrelaçam a outras repetidas vezes, formando belos padrões geométricos. A partir de uma malha de polígonos, regulares ou não, surgiram figuras de homens, peixes, aves, lagartos, todos envolvidos de tal forma que nenhum poderia mais se mexer. Tudo representado num plano bidimensional.

Destacam-se também os trabalhos do artista que exploram o espaço. Escher brincava com o fato de ter que representar o espaço, que é tridimensional, num plano bidimensional, como a folha de papel. Com isto ele criava figuras impossíveis, representações distorcidas, paradoxos.

Foi assim que a surpreendente obra de Escher conquistou e impressionou uma legião de admiradores, despertando a curiosidade e estimulando sua reflexão.

 Comentar

26 de março de 1977 - 150 anos da morte de Beethoven

150 anos da morte de Beethoven. Jornal do Brasil: Sábado, 26 de março de 1977.

"Há 150 anos, no dia 26 de março de 1827, às 5 horas da tarde, Beethoven morria em Viena. Envelhecido precocemente em seus 56 anos de idade, sua robustez vencida pela ação conjugada da surdez, das dificuldades domésticas e financeiras e da enfermidade mal tratada dos últimos dias, as poucas testemunhas de seus momentos finais dificilmente terão reconhecido nessa última imagem do homem, o arauto da força, da alegria, da vida e da vitória, que sua música tantas vezes registrara, como projeções de seu temperamento forte e de seu espírito indomável.

Beethoven rompeu a barreira, promoveu o acesso do caldeirão fervilhante de seu temperamento tempestuoso ao plano da gestação musical. Pela primeira vez, a face interior do criador se via refletida no espelho sonoro da música não mais como um reflexo acidental e fortuito, mas como uma fatalidade irreversível, assumida como tal e exibida ostensivamente em toda a crueza de sua grandeza terrível. Alegria e tristeza, esperança e desespero, prazer e dor, amor e ódio, céu e inferno, o eu e o cosmos, integrados em suas contradições, como partes da expressão musical e de sua própria estrutura formal.

Os acentos trágicos, patéticos, sofridos, que se contrapo~em, em imagens temáticas, ao encaminhamentos contrastante do humor, da graça, da devoção, extrapolam de sua condição de conteúdo para influir sobre as dimensões da forma, ampliada em seus componentes de tempo e espaço para comportar o acirramento das contendas temáticas, das ideias em conflito, dos conflitos que finalmente se tornam mais importantes do que as próprias ideias que os geraram.

E cada ideia se individualiza, cada tema é um personagem, cada obra adquire uma identidade independente, uma fisionomia própria, esculpida nota a nota, num trabalho lento e penoso, de longa gestação e sucessivas revisões.

Com seu romantismo exacerbado, que rompia pela primeira vez todas as dimensões conhecidas da experiência musical, Beethoven estabelecia o início de uma nova era, que se estende até hoje, numa cadeia infinita de causa e efeito. Mais do que uma obra genial, maior do que seu próprio tempo, ele deixou um legado que é de toda a sua época, tão profundo quanto a Revolução Francesa: com sua morte, ele começava o futuro
". Jornal do Brasil

Para ouvir Beethoven...
Sinfonia nº 5 - primeiro movimento


Sinfonia nº 9 - Ode à Alegria

 Comentar (3)

24 de março de 1905 - Morre Julio Verne, o pai da ficção moderna

Morre Julio Verne. Jornal do Brasil: Sábado, 25 de março de 1905.



"Traz-nos o telégrafo a notícia de que faleceu em Amiens o conhecido romancista Julio Verne. Quem há dentre nós que não deva ao imaginoso escritor muitas horas de sonhos e maravilhas?



Trazendo no espírito o amor do desconhecido e das aventuras arrejadas, todavia limitou-se a efetua-las, dentro das paredes do seu gabinetes, na calma e no isolamento dos sonhadores
". Jornal do Brasil

Julio Verne nasceu na cidade francesa de Nantes. Iniciou estudos de Direito em Paris, mas desistiu de ser advogado para escrever peças teatrais. Apesar de ter produzido algumas obras como Amizade Perdida (1850), como dramaturgo, o sucesso só chegaria treze anos depois. A publicação de Cinco Semanas num Balão (1863) seria o início de seu êxito como romancista de aventuras. A obra, primeira da série Voyages Extraordinaires, apresentava o relato de uma viagem aérea sobre regiões desconhecidas da África Central. Nos anos seguintes, lançaria Viagem ao Centro da Terra (1864), Da Terra à Lua (1865) e Vinte Mil Léguas Submarinas (1870). O apogeu viria com A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (1873), obra considerada a mais importante de sua carreira.

Além de habitar o imaginário infanto-juvenil de várias gerações, a literatura de Julio Verne é até hoje amplamente revisitada no cinema, no teatro e na televisão.

A volta ao mundo em 80 dias
Em A Volta ao Mundo em 80 Dias, encontramos, ao mesmo tempo, muito da breve experiência de Verne como marinheiro e como corretor de Bolsa. No ano de 1872, Phileas Fogg, membro do Reform Club de Londres, homem metódico e singular, propõe uma aposta comprometendo-se a dar a volta ao mundo em 80 dias. Tarefa quase impossível para a época, dá início a viagem, acompanhado de um fiel subordinado. Seguido por um detective da polícia, que o considera um ladrão, o protagonista vive mil e uma aventuras até chegar pontualmente ao seu destino, vencendo a aposta.

Leia também:
13 de agosto de 1946 - Morre o visionário H.G. Wells

 Comentar

20 de março de 1989 - Brasil perde o talento de Dina Sfat

A morte de Dina Sfat. Jornal do Brasil: Terça-feira, 21 de março de 1989.

"Era um rosto com que os brasileiros se acostumaram a conviver, nos últimos vinte anos, mas Dina Sfat era também algo mais - uma das pioneiras de uma família de atores ou atrizes cujas preocupações vão bem além dos limites do palco ou do estúdio. Hoje a família cresceu tanto que até se banalizou - e mais original será o artista que não fale de política nem mostre alguma espécie de militância do que o contrário. Dina Sfat, que morreu de câncer, no Rio, aos 50 anos, tem a distinguí-la o fato de ter começado antes - e de exercer de maneira tão visceral os papéis de cobradora de justiça e fiscal da cidadania. Dina foi uma provocadora, e era evidente que se deliciava com isso, na vida real como no melhor de sua ficção - a liberada guerrilheira Ci, do filme Macunaíma, por exemplo, ou o personagem que vestia terno e fumava charuto da peça O Rei da Vela. Mas talvez nunca tenha sido tão Dina Sfat quanto num momento fugaz - aquele em que, num programa Canal Livre, da TV Bandeirantes, declarou ao general Dilermando Gomes Monteiro que tinha medo de generais. Muitos brasileiros também tinham, e naquele momento encontraram sua intérprete.Outros não sabiam que tinham, e então se deram conta disso. Sem ensaiar nem consultar um script, Dina produziu uma frase que flagrava o regime militar em uma de suas maiores perversidades, e até hoje ajuda a compreender porque ele não podia continuar". Jornal do Brasil


Três anos após descobrir-se portadora de um nódulo no seio direito, Dina Sfat, 50 anos, morreu de câncer numa manhã de segunda-feira. Estava na companhia das três filhas do casamento com o ator Paulo José e de amigos mais próximos quando deitada, virou-se para o lado, suspirou e dormiu para sempre.

A atriz que, aos 50 anos, não sabia dizer exatamente quem era, pela multiplicidade de pessoas possíveis de ser, foi em síntese uma legenda dos anos 60, dos anos 70 e até dos anos 80. A garota classe média judia de São Paulo, que não estreou em 1955 no Teatro Paulista do Estudante com Gianfrancesco Guarnieri e Oduvaldo Vianna Filho por tremer de medo, atravessou, como protagonista, movimentos artísticos e políticos dos últimos 30 anos de sua vida. A jovem Dina Kutner escolheu o nome da cidade onde nasceu sua mãe, Sfat em Israel, para estrear em Os fuzis da Senhora Carrar, de Bretch, no Teatro de Engenharia Mackenzie, em São Paulo. Era o início de uma carreira vitoriosa com uma coleção de impecáveis interpretações no teatro, no cinema e na televisão.

A mulher que se considerava desequilibrada, oscilante entre a euforia e a depressão, ainda contou sua história no livro Palmas pra que te quero: "Não sou apenas uma mulher corajosa e batalhadora. Também vacilo, também peço colo. Sei que essa imagem de guerreira está ligada ao fato de eu ter aprendido a dar conta do meu recado desde muito jovem. Sem heroísmo. Posso tremer, mas não fujo de situações que tenho que enfrentar, mesmo que eu não as entenda".

Confira alguns papéis de Dina Sfat na TV:

 Comentar (6)

18 de março de 1989 - A inauguração do polêmico Memorial da América Latina

A inauguração do Memorial da América Latina. Jornal do Brasil: Sábado, 18 de março de 1989.

"Poucos temas me deram tanta alegria ao projetá-los como o Memorial da América Latina. Primeiro pelo sentido político que representava. Reunir os povos deste continente para juntos discutirem seus problemas, trocando experiências, lutando pelos direitos desta América Latina tão explorada e ofendida. Depois, porque se tratava de um conjunto de prédios que, bem projetados, poderiam criar o que em arquitetura chamamos de espetáculo arquitetural". Oscar Niemeyer

O Memorial da América Latina foi erguido num retalho urbanisticamente degradado no bairro da Barra Funda, zona oeste da capital paulista. Sua execução deu corpo às diretrizes culturais imaginadas pelo antropólogo Darcy Ribeiro - o agrupamento das diferentes realidades latino-americanas em uma única problemática, apoiando-se nas consistentes similaridades entre os povos da região - num projeto arquitetônico assinado por Oscar Niemeyer. Uma construção que durou 17 meses, com investimento do Governo SP da ordem de US$ 40 milhões segundo fontes oficiais.

Alvo de muita polêmica, com críticas contra seus gastos e seu gigantismo, o Memorial foi construído sob a égide da integração cultural, política, econômica e social da América Latina num panorama contextualizado por avanços democráticos no continente e por uma maior convergência de interesses entre seus países.

Em 8 de julho deste mesmo ano, o governador Orestes Quércia sancionou a Lei n.º 6472, instituindo a Fundação Memorial da América Latina, conferindo ao projeto recém-criado status de órgão administrativa e financeiramente autônomo.

Confira também:
9 de maio de 1967 – Brasil assina tratado de proscrição de armas nucleares
26 de março de 1991 - O Tratado de Assunção

 Comentar (1)

17 de março de 1976 - A morte do Cineasta Luchino Visconti

Morre Luchino Visconti. Jornal do Brasil: Quinta-feira, 18 de março de 1976.





Contraditório, discutido, rotulado de marxista em alguns momentos de sua carreira assim como de nostálgico da decadência aristocrática em outros, mas indiscutivelmente um dos mestres do cinema europeu, Luchino Visconti morreu no dia 17, em Roma, aos 69 anos de idade.



Doente desde 1972, quando sofreu um ataque cardíaco, Visconti tinha acabado de filmar seu último trabalho, L’Inoccente, baseado no romance homônimo de Gabrielle D’Annuzio. E não pretendia parar. Cerca de um ano antes da sua morte, o diretor italiano dissera: “Sou um ser cinematográfico, que vai ao estúdio todos os dias, mesmo agora que a doença me humilhou, me feriu”.

Em uma cadeira de rodas, necessitando da ajuda alheia para se locomover dentro do estúdio, Visconti seguira filmando seu último trabalho, alguns meses antes de falecer. “Carregam-me como se eu fosse o Papa”, disse ele uma vez durante a filmagem de L’Innocente, na qual técnicos precisaram erguer sua cadeira, aproximando sua cabeça ao olho da câmara para que pudesse dirigir as cenas do filme.

Nostálgico, Visconti às vezes confessava sua solidão: “Eu gostaria de transmitir meu conhecimento a pessoas mais jovens. Ajudar pessoas. Todas as minhas tentativas acabaram em desastre. Não somos compreendidos. Eu desejava laços intelectuais profundos, e o que me ofereciam eram relações sentimentais sem sentido. Também gostaria de ter adotado um pequeno vietnamita. Legalmente, não é possível fazer isso sem ser casado. Os amores sempre terminam mal; é por isso que não revejo meus filmes”.

A juventude da década de 70 causava-lhe decepções: “Os jovens têm a cabeça vazia, drogam-se, bebem. Não aguentaria ser dominado outra coisa além de mim mesmo. Não preciso me evadir. Se estou deprimido, leio algumas páginas de Marcel Proust e esqueço todas as minhas preocupações”.

Do teatro às telas de cinema
Luchino Visconti nasceu em Milão, em 1906, em uma família aristocrática que dominou esta cidade italiana no século XV, e cujos membros foram mecenas de Leonardo Da Vinci e de outros artistas da época. Estudou música, se envolveu com o teatro, mas, aos 30 anos foi para Paris dedicar-se ao cinema e lá foi acolhido por Jean Renoir, que faria dele um de seus assistentes em três filmes (Les Bas-Fonds, de 1936; Une Partie de Campagne, de 1937; e La Tosca, de 1938). De volta à Itália, na Segunda Guerra estreou como diretor com o longa Ossessione (1942). Por participar da resistência ao fascismo italiano, Visconti foi preso e condenado ao fuzilamento, conseguindo fugir posteriormente. Entre seus trabalhos mais marcantes estão Um Rosto na Noite (1957), Rocco e seus Irmãos (1960), II Lavoro (episódio de Boccaccio 70, 1962) e O Leopardo (1963).

Confira também:
13 de novembro de 1974 – O cinema perde Vittorio de Sica
2 de novembro de 1975 - Pasolini é assassinado
3 de junho de 1977 – Morre o pai do neorrealismo italiano

 Comentar

15 de março de 1998 - O adeus ao síndico Tim Maia

Morre Tim Maia. Jornal do Brasil: Segunda-feira, 16 de março de 1998

Sebastião Rodrigues Maia, Tim Maia, o síndico da música popular brasileira, como cantou Jorge Benjor em W/Brasil, morreu de parada cardíaca causada por infecção generalizada, aos 55 anos.

Veja aqui a versão em vídeo:


O corpo do cantor foi velado no Teatro Municipal de Niteroi e enterrado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju. Milhares de fãs foram se despedir de Tim.

O interesse pela música começou na adolescência, nos anos 50, quando o rock se encontrava em plena efervecência com Billl Halley, Elvis Presley, Little Richard e Jerry Lee Lewis. Tim Maia começou na música tocando bateria no grupo Tijucanos do Ritmo e logo passou para o violão. Em 1957 formou o grupo de rock Os Sputniks, no qual participaram Roberto e Erasmo Carlos. Tocaram no Clube do Rock, de Carlos Imperial, o grande incentivador dos primórdios do rock no Brasil. Em 1959 foi para os Estados Unidos, onde estudou inglês e entrou em contato com a soul music.

O rei brasileiro da soul music gravou seu primeiro compacto em 1970, na Philips, com a música Primavera, que foi seu primeiro sucesso. A partir daí tornou-se cada vez mais famoso.

Fundou sua gravadora independente, Seroma, (abreviaçao das primeiras sílabas de seu nome). Mas lançaria mesmo os seus primeiros discos pela PolyGram, emplacando sucessos que fariam sempre parte de seu repertório: Azul da cor do mar, Primavera, Coroné Antonio Bento, Chocolate, Eu amo você, entre muitos outros. Em 1975, convertido à seita Universo em Desencanto, gravou os dois volumes “Tim Maia Racional”.

Após o término de sua fase racional, Tim voltou a seu antigo estilo de música e vida, e novos sucessos se sucederiam.

O equilíbrio precário do gênio da MPB

Tim Maia era criador de casos e recordistas em sofrer processos trabalhistas. Causava a maior expectativa em seus shows: ninguém sabia se ele apareceria ou não para cantar. Mas valia a pena correr o risco porque, quando realmente queria, Tim dava shows antológicos, cantando mais de três horas, como uma vez no Circo Voador, na Lapa, Rio de Janeiro. Com relação às drogas, Tim nunca admitiu diretamente o consumo, mas não deixava de tratar o assunto com humor cínico, como o demonstrado numa de suas frases mais famosas: "Eu não bebo, não fumo e não cheiro; só minto um pouquinho".

 Comentar (2)

10 de março de 1926 - O Centenário de morte de D. João.

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 10 de março de 1926 - página 6
"Faz hoje um século que no Palácio de Belém, em Lisboa, faleceu o rei D. João VI, que tantos serviços prestou ao Brasil, especialmente no período dos 13 anos que residiou entre nós... Muitos historiadores asseguram que o Rei morrera envenenado por sua mulher D. Carlota Joaquina, o que não está inteiramente comprovado".
Jornal do Brasil


Segundo filho da rainha D. Maria I - a Louca - e do rei consorte D. Pedro III, D. João VI viveu à mercê de especulações sobre sua postura e atitudes à frente do Governo Português. Tido com freqüência como bufão, alheio, omisso e inexpressivo, D. João VI suscitou todo tipo de comentário. Principalmente, quando ainda príncipe regente, resolveu, face à disputa entre Napoleão Bonaparte a Inglaterra pelo domínio da Europa, transferir a corte provisoriamente para o Brasil, aonde tornou-se rei e permaneceu por 13 anos antes de voltar para Lisboa: de covarde a estrategista, de tudo um pouco foi clamado D. João VI.

E seu óbito não foi diferente. As circunstâncias de sua morte, em decorrência de um mal-estar súbito por complicações digestivas, nutririam por longos anos diversas versões, sendo a mais incidente a de envenenamento, como publicado na edição do Jornal do Brasil no centenário de sua morte.

As suspeitas sobre Carlota Joaquina

O mistério sobre a morte de D. João VI se estenderia até o final do século XX. No ano 2000, uma equipe de arqueólogos e legistas portugueses realizaria uma minuciosa análise forense nos restos mortais de D. João VI, concluindo como causa mortis a ingestão de doses elevadas de arsênico.

Em virtude da conturbada relação conjugal que mantinha com D. João VI, sua esposa, Carlota Joaquina, dona de difícil temperamento, sempre foi apontada como uma das responsáveis por sua morte. Contudo, o seu suposto envolvimento nunca foi provado.

 Comentar

8 de março de 1977 - O Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher: Terça-feira, 8 de março de 1977.

"Onde estão as brasileiras? Nenhuma programação marca hoje, no Brasil - onde apenas 18,5% da população feminina são economicamente ativos, a passagem do Dia Internacional da Mulher. E na semana passada, uma reunião do Centro da Mulher Brasileira, no Rio, não conseguiu reunir mais de 50 pessoas. Essa indiferença e esses números parecem indicar claramente que a mulher brasileira ainda não começou a se interessar por seus muitos problemas. Nem pelo feminismo". Jornal do Brasil

Menos de dois anos depois da realização na Capital mexicana da Conferência do Ano Internacional da Mulher, saudada por Simone de Beauvoir como "um acontecimento histórico", o primeiro Dia Internacional da Mulher não tinha mesmo o que comemorar.

De acordo com o Censo de 1970, a força de trabalho feminino (Mulheres acima de 10 anos) calculava-se em 33 milhões, mas apenas 6,2 milhões exerciam atividade remunerada. Na mesma ocasião, eram 23 milhões de homens trabalhando. Entre as principais profissões exercidas pelas mulheres estavam: empregada doméstica, trabalhadora rural, professora primária, costureira, bordareira, lavadeira, balconista, servente e enfermeira (não diplomada).

Clara era a leitura deste cenário. Quanto mais qualificada a tarefa, menor o número de mulheres competindo. Àquela altura, a proporção era de uma para três homens em tarefas nãom especializadas, uma para seis em tarefas do nível médio e uma para 19 entre os profissionais de nível superior.

À mulher cabia o status de força de trabalho de reserva, sempre entrando no mercado para ganhar menos do que o homem. A própria estrutura da sociedade a marginalizava. Mulher era explorada dos dois lados: no trabalho de casa repleto de atividades e na rua, para complementar as despesas da casa.

Esta realidade estendia-se a outras áreas da vida pública. Pelo código civil, segundo o artigo 603 a direção da sociedade conjugal cabia ao marido. E conforme artigo 1718, cabia ao marido também a administração do patrimônio comum.

Isso num país em que o número de mulheres ultrapassava o de homens.

E afinal? O que mudou nestes 34 anos?

 Comentar

2 de março de 1996 - O prematuro final do Mamonas Assassinas

Primeira página do Jornal do Brasil: Segunda-feira, 4 de março de 1996


Capa do Caderno B: Segunda-feira, 4 de março de 1996
Um acidente com o jatinho que transportava os integrantes do grupo Mamonas Assassinas interrompeu a fulminante carreira da banda que conquistou multidões de crianças e adolescentes em todo o Brasil.

O avião Lear Jet 25, PT-LSD chocou-se, no fim da noite, com a Serra da Cantareira, na Grande São Paulo. Além do vocalista Dinho, os irmãos Samuel e Sérgio, Júlio e Bento - componentes da banda - morreram o piloto, o co-piloto e dois assistentes dos artistas.

A tragédia causou comoção nacional, e homenagens ao grupo foram promovidas em diversas cidades.

Letras irreverentes, figurinos exóticos e performance estilo pastelão. Nunca estes ingredientes haviam se misturado com tanta espontaneidade no cenário musical brasileiro. O resultado foi a identificação imediata do público jovem que entoava as músicas de expressão debochada como hinos da sua geração.

Uma histeria só comparável ao surgimento da Xuxa na década de 80 e que levaria o grupo ao auge da fama da noite para o dia.

Em apenas oito meses, o único CD lançado atingiria a margem de 1,8 milhão de cópias vendidas. Com várias faixas nas paradas de sucesso, entre elas Vira-Vira, Pelados em Santos e Robocop Gay, o Mamonas se revelaria o maior fenômeno do mercado musical brasileiro dos últimos tempos.


Alegria e humor do início ao fim

"Vamos ficar escondidos. Se vocês gritarem 'mais um', a gente volta". Assim Dinho conduziu o público na última noite de apresentação da banda. A efêmera trajetória do Mamonas Assassinas deixou um legado de alegria e humor, marcas do comportamento de seus jovens integrantes, liderados pela comédia natural do vocalista.

Ironicamente, deixariam registrado no encarte do CD, entre os nomes da lista de agradecimentos: "Ao Santos Dumont (que inventou o avião, senão a gente ainda tava indo mixar o disco a pé)".

Marcos Terranova/CPDoc JB

 Comentar (7)

Hoje na História - Siga no Twitter!