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28 de fevereiro de 1994: Governo cria a URV, pedra fundamental do Plano Real

Jornal do Brasil: Segunda-feira, 28 de fevereiro de 1994

O governo editou a medida provisória que criou a Unidade Real de Valor, que entraria em vigor em março, com valor no intervalo de US$ 0,80 a US$ 1.0. Além de estabelecer regras de conversão de valores, a medida determinou o lançamento de uma nova moeda, o Real (que só seria lançada de fato em junho do mesmo ano). A decisão relativa à edição da MP do Plano Real foi tomada em uma reunião ministerial no dia 27, realizada no Palácio do Planalto por convocação do então Presidente da República, Itamar Franco, a qual durou mais de oito horas. Nessa reunião também ficou decidido que a nova MP permitiria ao ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, intervir em casos de abusos por parte de especuladores de preços. Porque, segundo ele, as medidas do governo contra a inflação não teriam efeito sem o apoio da sociedade, deixando impune os especuladores, como aconteceu no Plano Cruzado (de 1986).

Outras efemérides de 28 de fevereiro
1935: A morte da Maestrina Francisca Gonzaga
1989: Morre Aurélio Buarque de Holanda Ferreira


Daqui pra frente, trabalhador nenhum terá o salário menor do que o custo de vida”, declarou Fernando Henrique ao dar detalhes sobre o novo plano econômico, informando que não haveria mais perdas salariais a partir de março. “Nós mudamos a regra. Mudamos de uma maneira favorável ao trabalhador. Isso tem que ser entendido. Não adianta vir com uma conversa do passado para prever o futuro. Será diferente”, acrescentou o futuro Presidente da República.

Desde 1986, com a criação do Plano Cruzado, o Brasil sofreu uma série de planos e medidas econômicas que resultaram, ao longo de oito anos, em uma inflação total de 689.363.100%. Ao todo, foram oito programas de estabilização, cinco congelamentos de preços e salários, um confisco de ativos financeiros, 54 alterações no sistema de controle de preços, 16 políticas salariais e quatro moedas (cruzado, cruzado novo, cruzeiro e cruzeiro real), o que resultou em um corte de nove zeros em relação ao cruzeiro que vigorava no início de 1986. Por mais fortes que tivessem sido as medidas, a inflação continuou a se acelerar, havendo a necessidade de mais um plano, o que desta vez mostrou-se eficaz e duradouro. O novo plano econômico teve como consequência a redução brusca da inflação, a ampliação do poder de consumo da população, a modernização do parque industrial brasileiro e o crescimento econômico com geração de empregos, além de ter tornado Fernando Henrique o político mais influente do Brasil, fazendo com que fosse eleito Presidente da República em outubro do mesmo ano.

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18 de fevereiro de 1983: Cruzeiro sofre maxidesvalorização

Para ler o artigo na íntegra, clique sobre capa da edição. Jornal do Brasil: Sábado, 19 de fevereiro de 1983


Por meio de uma nota do Banco Central, o Conselho Monetário Nacional (CMN) anunciou à nação a maxidesvalorização do cruzeiro em 30%, fazendo com que o dólar norte-americano passasse de CR$ 293,41 para CR$381,44. A nota do CMN explicou que a medida resultava de uma necessidade de “acelerar o processo de ajustamento do balanço de pagamentos do Brasil face a situação adversa dos mercados internacionais”.

Para o consumidor brasileiro da época, o reajuste se traduziu na redução do poder aquisitivo e no aumento dos produtos importados e das viagens ao exterior. A medida teve caráter inflacionário, além de agravar as dificuldades de empresas com endividamento em dólar. Os exportadores, por outro lado, consideraram a medida eficiente para acelerar as vendas externas do Brasil, mas de modo geral os empresários registraram temor de que a inflação disparasse.


Outras efemérides de 18 de fevereiro
1974: Cem anos da Renovação Católica
1986: Samba chora a morte de Nelson Cavaquinho
1988: Descoberta arqueológica em Israel

Em dezembro de 1979, durante o governo Figueiredo, o cruzeiro sofrera também uma maxidesvalorização de 30%, mas que fora, em muitos aspectos, diferente da sofrida em fevereiro de 1983. A nova desvalorização assustou os brasileiros pela falta de explicação do governo sobre a mudança, suas causas e consequências, além da ausência de medidas criadas para proteger as empresas nacionais que apresentassem dificuldade de caixa, diferentemente da mudança no governo Figueiredo.

Até 1983, apenas uma vez a desvalorização superou 30%: foi em 1964, quando se trocou o cruzeiro velho pelo cruzeiro novo. A mudança exigiu uma queda de 169,74% na cotação do cruzeiro em relação ao dólar americano.

Na nota oficial do Banco Central, o governo disse que a maxidesvalorização provocaria uma queda nas taxas de juros internas, aumentando as exportações, o que repercutiria em uma maior proteção à indústria nacional, refletindo-se positivamente do nível de emprego.

Como previram os economistas da época, a maxidesvalorização de 1983 não conseguiu controlar a inflação, que, ao contrario, se acelerou, e com isso aprofundou a crise na econômica. Esta crise continuada culminou na implantação do Plano Cruzado em fevereiro de 1986, no governo Sarney, e que também não conseguiu solucionar a crise financeira, a qual se arrastou até meados da década de 90.

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21 de janeiro de 1939: A descoberta do petróleo em Lobato

A descoberta de petroleo em Lobato
O ministro da Agricultura, Fernando Costa anunciou a descoberta de uma jazida de petróleo em Lobato, no Recôncavo baiano. Segundo o telegrama enviado pelo engenheiro Custódio Braga Filho, encarregado da sondagem, quando a perfuração do poço atingiu 208 metros, gotas de óleo começaram a aparecer pouco a pouco, até formar uma poça considerável na superfície do poço. Foram recolhidos 70 litros de petróleo bruto.

A descoberta foi um marco histórico. Até então manchas de óleo só chegavam até a boca dos poços perfurados na cidade de Bofete, São Paulo. Naquela época, em que o Brasil dava os primeiros passos para extração petrolífera, engenheiros e geólogos concordavam que em Lobato estava o início de um vasto lençol, o qual se prolongaria até Itaparica. A sondagem na Bahia fora iniciada um ano antes, com a sonda Calix IR BRF - 1. Em 1941, um dos poços perfurados deu origem ao campo de Candeias, o primeiro a produzir petróleo no Brasil.

O general Horta Barbosa, presidente do Conselho Nacional do Petróleo, explicou que a região faz parte da Província Petrolífera do Nordeste, que abrange, além da Bahia, os Estados de Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Horta anunciou que seriam realizadas sondagens em Pernambuco, onde havia fortes indícios da presença de petróleo.

Outras efemérides de 21 de janeiro
1976: O Vôo inaugural do Concorde
1983: BC intervém no Grupo Delfin

Monteiro Lobato e o petróleo
Monteiro Lobato foi um dos líderes da campanha para a nacionalização das reservas petrolíferas, iniciada em 1933. No mesmo ano foi criado o Serviço Geológico e Mineralógico Brasileiro (SGMB), ligado ao Departamento Nacional da Produção Mineral, com o objetivo de perfurar poços de pesquisas no território nacional. Mas a medida não satisfez o escritor. Monteiro Lobato havia passado uma temporada nos Estados Unidos e estava convencido da existência de petróleo no Brasil e não queria que as reservas petrolíferas caíssem nas mãos de multinacionais. Ele escreveu várias cartas a Getúlio Vargas sobre o tema, publicou livros e fez palestras, chegando a ser preso por causa de suas convicções.

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