Arquivo de July 2008

RSS Feeds

1950 - O dia em que o Maracanã se calou

Jornal do Brasil: Terça-feira, 18 de julho de 1950 - página 10



"Está terminada a disputa
da Coupe Jules Rimet.
Mais uma vez,
sagram-se
os campeões do mundo
os uruguaios.
Rendamos-lhes
a homenagem
a que tem direito.
Seu triunfo foi lícito
sendo ainda
de inteira justiça
que se reconheça o ardor,
a fibra extraordinária
com que se atiraram à luta
sem se preocuparem
com a superioridade técnica
do adversário
que lhe rondava,
persistentemente
o último reduto
".
Jornal do Brasil



O Maracanã inteiro se calou diante da tragédia. O que parecia impossível aconteceu, renegando todo o retrospecto de favoritismo brasileiro, conquistado jogo-a-jogo até a grande final. O Uruguai venceu o Brasil por 2 a 1, de virada, e conquistou a 4ª Copa do Mundo. Ninguém acreditava que a máquina brasileira, que só precisava de um empate para sagrar-se campeã, sucumbiria no último instante. Desde o início o Uruguai demonstrou-se aguerrido, com uma forte marcação às investidas da nossa seleção. O Brasil, servindo-se da mesma tática usada ao longo do campeonato, era um adversário previsível. E mesmo com o brasileiro Friaça abrindo o placar no segundo tempo, o Uruguai não se curvou com a desvantagem. Buscou o empate, e virou, quando o uruguaio Gigghia chutou cruzado e balançou a rede, às costas do goleiro Barbosa. Em silêncio, o estádio lotado chorou.

A longa espera brasileira
O sonho nacional de sediar uma Copa do Mundo foi cogitado pela primeira vez em 1938, durante um Congresso da FIFA, ousadia do jornalista Célio de Barros. Além de convencer os delegados da entidade esportiva quanto ao potencial brasileiro em assumir o evento, precisava superar a favorita Alemanha, motivada pelo sucesso dos Jogos Olímpicos dois anos antes. Mas, com a Segunda Guerra (1939-1945), o projeto foi adiado. Com a derrota alemã ao fim das hostilidades, e as dificuldades econômicas da Europa, o Brasil tornou-se o candidato ideal. Sonho realizado em 24 de junho de 1950.

Confira também:
1997 - É sancionada a Lei Geral de Telecomunicações


Amanhã: Em 1967 - Apaixonante aventura musical


 Comentar (1)

1990 - João Saldanha: fim de jogo

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 13 de julho de 1990 - página 19
"A melhor maneira de definir João Saldanha é dizer que ele foi um ativista. Não apenas pelo socialismo - que defendeu desde a juventude, mas também por mudanças na estrutura do futebol brasileiro. As experiências como jogador, técnico e jornalista esportivo lhe deram condições de conhecer por dentro as engrenagens do esporte. Quando treinou o Botafogo, nos anos 50, viveu o drama das excursões mal planejadas e da exploração de jogadores sem condições físicas. Na seleção brasileira, que classificou para a Copa de 1970, sofreu pressões políticas de todos os tipos, que motivaram a sua saída. Ele, certamente, tinha muitas histórias para contar. Foi isso o que ele fez ..." Jornal do Brasil

Toda lenda tem um fundo de verdade. João Saldanha nasceu no dia 3 de julho de 1917, na gaúcha cidade de Alegrete e morreu em Roma, após oito dias de internação, vítima de um edema pulmonar agudo. Nesses 73 anos e nove dias, foi escrito e vivido como um capítulo à parte da história do futebol brasileiro. Saldanha, como técnico e comentarista, era cristalino em suas posições e determinado em suas críticas. Como contador de casos era insuperável. Diante de uma vida tão intensa, a verdade chega a ter um fundo de lenda. Coerente e convicto, construiu um monumento de credibilidade ao longo de sua vida absolutamente dedicada ao futebol. Era também craque do bate-pronto, da frase de primeira, da presença de espírito, da resposta fulminante, dos adágios e axiomas.

Antes de seguir para a Itália, já muito doente, dizia que, se tinha que morrer, que fosse durante um Mundial. Conseguiu satisfazer esse desejo. Quanto ao outro - a superação dos erros do futebol brasileiro - resta, aos que ficam, tentar corrigir.

Personagem mais célebre da redação
"Mais de 30 linhas é enrolar o leitor". A frase de Saldanha, todos os domingos, para dizer quanto queria escrever, era mais uma de suas marcas. Outra era, invariavelmente, escrever mais de 30 linhas.
O ritual era só uma parte do que representava a sua presença na redação do Jornal do Brasil, desde que chegara pela primeira vez para escrever sua coluna em 2 de fevereiro de 1976. Era mais que um jornalista famoso. Discutia as edições do jornal, comentava reportagens. Podia ser sobre o jogo, um seqüestro, o último pacote econômico ou a eleição mais próxima. Tinha sempre uma história para contar.


Confira também:
1974 - Zuzu Angel lança mais uma coleção


Amanhã: Em 1973 - Se por acaso você chegasse


 Comentar (1)

Hoje na História - Siga no Twitter!