1976 - O xadrez por trás da Guerra Fria

Korchnoi tornou-se Grande Mestre em 1956 e conquistou o título soviético em 1960, mantendo-o até 1965 (com exceção de 1963). Classificou-se para as semifinais do Campeonato Mundial de Xadrez de 1974, até ser derrotado por Karpov em uma série de 24 jogos. Karpov acabou por conquistar o título mundial pelo não comparecimento do norte-americano Bobby Fischer, então campeão mundial, que se recusou a jogar por divergir de algumas normas do torneio.
Apoiando Fischer e criticando Karpov, Korchnoi foi duramente atacado pela imprensa soviética por suas declarações "irrefletidas e visando à auto-promoção". Logo depois, voltou atrás em suas declarações, afirmando em entrevista publicada na imprensa iugoslava: "Depois da partida não havia ainda me acalmado, e após uma árdua luta o jogador mantém o estado de tensão nervosa por mais de dois meses. Isto explica o tom veemente e a natureza excessiva de alguns dos meus pronunciamentos".
Esta declaração teve ampla repercussão. Como a Guerra Fria estava no auge, a rivalidade entre as duas superpotências se manifestava em todas as áreas.
Xadrez como uma guerra psicológica
Desde muito os russos reinavam absolutos nos tabuleiros de xadrez, mas em 1972 o americano Bobby Fischer derrotou o russo Boris Spassy no chamado "jogo do século" , conquistando o título de campeão mundial para os Estados Unidos. Com esta conquista tornou-se um dos símbolos do governo americano na Guerra Fria contra os russos. Temperamental e imprevisível, Fischer perdeu o título em 1975, ao se recusar a jogar contra Karpov. Korchnoi acabou desafiando Karpov, mas não como soviético e sim com dissidente. Korchnoi conseguiu asilo político na Suíça.
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