Arquivo de July 2008

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1976 - O xadrez por trás da Guerra Fria

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 28 de julho de 1976
O grande mestre de xadrez soviético Viktor Korchnoi pediu asilo político na Holanda, depois de ter participado do Torneio Anual IBM, disputado em Amsterdã.

Korchnoi tornou-se Grande Mestre em 1956 e conquistou o título soviético em 1960, mantendo-o até 1965 (com exceção de 1963). Classificou-se para as semifinais do Campeonato Mundial de Xadrez de 1974, até ser derrotado por Karpov em uma série de 24 jogos. Karpov acabou por conquistar o título mundial pelo não comparecimento do norte-americano Bobby Fischer, então campeão mundial, que se recusou a jogar por divergir de algumas normas do torneio.

Apoiando Fischer e criticando Karpov, Korchnoi foi duramente atacado pela imprensa soviética por suas declarações "irrefletidas e visando à auto-promoção". Logo depois, voltou atrás em suas declarações, afirmando em entrevista publicada na imprensa iugoslava: "Depois da partida não havia ainda me acalmado, e após uma árdua luta o jogador mantém o estado de tensão nervosa por mais de dois meses. Isto explica o tom veemente e a natureza excessiva de alguns dos meus pronunciamentos".

Esta declaração teve ampla repercussão. Como a Guerra Fria estava no auge, a rivalidade entre as duas superpotências se manifestava em todas as áreas.



Xadrez como uma guerra psicológica

Desde muito os russos reinavam absolutos nos tabuleiros de xadrez, mas em 1972 o americano Bobby Fischer derrotou o russo Boris Spassy no chamado "jogo do século" , conquistando o título de campeão mundial para os Estados Unidos. Com esta conquista tornou-se um dos símbolos do governo americano na Guerra Fria contra os russos. Temperamental e imprevisível, Fischer perdeu o título em 1975, ao se recusar a jogar contra Karpov. Korchnoi acabou desafiando Karpov, mas não como soviético e sim com dissidente. Korchnoi conseguiu asilo político na Suíça.


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1944 - Encerrada a reunião de Bretton Woods

Jornal do Brasil: 23 de julho de 1944 - página 9

A Conferência Monetária e Financeira das Nações Unidas de Bretton Woods, Nova Hampshire, promoveu grandes expectativas em torno do futuro do sistema econômico mundial, até então, regido pelo padrão ouro de troca. Simbolizando a construção de uma nova ordem econômica, estabeleceu a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BIRD). Propôs medidas para assegurar estabilidade monetária internacional e restringir a especulação com as moedas mundiais, esperando-se coibir novas falências coletivas como a Grande Depressão (1929).

Representando o Brasil, o Ministro das Finanças Arthur de Sousa Costa, sentenciou na sessão de encerramento: "As duas instituições que resultarão do trabalho de Bretton Woods são a expressão do êxito obtido pelo esforço concentrado sobre um único objetivo - que a felicidade seja distribuída através da face da terra. Através do FMI será permitido enfrentar as crises temporárias, pelo uso de saldos igualmente transitórios, que poderão ficar disponíveis em outros países. Através do BIRD estará guarnecida a cooperação de longo alcance... Os países que possuem maiores recursos à sua disposição colaborarão para assistir os demais, aumentando assim a riqueza de todos".

Os órgãos mundiais pelo desenvolvimento
A fundação do FMI e do BIRD fizeram parte da estratégia para a reconstrução do mundo no pós-guerra. Complementares, foi delegado ao primeiro auxiliar os governos a sanarem suas balanças de pagamento. Ao banco, coube a injeção de fundos em ações e programas incentivadores do desenvolvimento. Desde então, os órgãos mantém seus papéis, frequentemente criticados pelos critérios e formas de atuação: o FMI acusado de usar uma receita única para todos os países; e o BIRD de não dar atenção aos problemas humanos e ambientais em seus projetos.

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1946 - Ditador boliviano é enforcado

Jornal do Brasil: Terça-feira, 23 de julho de 1946
Após a sangrenta revolução de cinco dias surgiu um regime formado pelos liberais trabalhistas e estudantes, derrubando o governo do ditador Gualberto Villarroel, que controlou o país durante dois anos e meio sob o regime militar.

Villarroel, que governou em coalizão com o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), recorreu ao autoritarismo e à intolerância, provocando descontentamento popular.

Numa ação coordenada, os líderes universitários, à frente de cinco mil trabalhadores e estudantes armados, ocuparam a sede da Polícia Municipal e conseguiram ainda mais armas assumindo o controle completo do centro da capital. As unidades do Exército de Villarroel permaneceram quase todos em seus quartéis. Os membros do "Movimento Nacional Revolucionário" estavam todos fortemente armados mas o seu apoio ao Presidente foi ineficiente.

Os estudantes tomaram o Palácio e os corpos do Presidente Villarroel e de três de seus principais auxiliares foram pendurados em postes de iluminação pública.

A violência dos combates foi comprovada pelo número de dois mil mortos e feridos.

Grande massa popular foi para o local dessa macabra cena, a Plaza Murillo, onde se travou o combate decisivo, comemorar a vitória.

O governo foi assumido pelo Presidente da Corte Suprema de Justiça, auxiliado por uma junta Provisória. Os primeiros cuidados foram os de restabelecer os serviços de eletricidade, telefone e tráfego, para que a capital boliviana voltasse à normalidade.

Jornal do Brasil: Quarta-feira, 24 de julho de 1946

O governo provisório prometeu restaurar as liberdades constitucionais do país, assegurando que permanecerá no poder até a realização de eleições livres.

A força do movimento popular

Revoluções e golpes dominam a história da Bolívia desde a sua independência proclamada em 1809. O Presidente Villarroel assumiu o governo aos 33 anos de idade, depois do golpe de estado em dezembro de 1943.
Para deter o crescente movimento de oposição colocou no seu gabinete companheiros de armas do Exército e suspendeu as manifestações públicas. Depois que um estudante foi morto, veio a greve geral dos trabalhadores, seguida pelo fechamento de todas as casas de comércio da capital. Os estudantes organizaram a revolução triunfante, pondo fim ao regime nazifascista.

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1973 - O Centenário de Santos Dumont

Primeira página do Caderno I do Jornal do Brasil: Domingo, 15 de julho de 1973




No centenário
de nascimento
de Santos Dumont,
o Jornal do Brasil
relembrou o talento
do inventor,
cujos serviços
prestados à pátria
e à humanidade
trouxeram-lhe
um prestígio internacional
que poucos brasileiros,
em todos os tempos,
conseguiram alcançar.


O espírito inventivo do mineiro Santos Dumont lançou-o em vôos jamais experimentados pelo homem, buscando reunir as facilidades da navegação aérea para aproximar as distâncias entre os povos do mundo. Além de dominar a técnica dos dirigíveis, e de inventar aeroplanos de diversas modalidades, criou outra máquina que serviria à posteridade: o relógio de pulso. De sua imaginação sem fim vieram também o salva-vidas, o chuveiro aquecido a álcool, entre outras peripércias.

Homem de reservas emocionais e hábitos discretos, que circulava à vontade nos mais refinados salões de Paris da belle èpoque, Santos Dumont marcaria presença no Brasil em lugares que nada tinham a ver com aquele novo mundo europeu: A Fazenda do Casal, no pequeno município de Rio das Flores, no estado do Rio, onde passou a infância. A Fazenda Cabangu, em Minas, onde nasceu e mais tarde criou gado. E o Chalé da Rua do Encantado, a casa de veraneio em Petrópolis, também no Rio, posteriormente transformada em museu, que assim perpetuou a memória do ilustre morador, preservando seus objetos de uso pessoal e suas invenções domésticas.

O triste fim do notável inventor
Os últimos anos de vida de Santos Dumont foram o de alguém que sobreviveu a si mesmo. Obstinado pelo sonho de voar, viveu o anticlímax depois da sua realização. Na Revolução Constitucionalista de 1932, testemunhou assombrado a utilização da sua maior criação como arma fratricída, pairando sobre as cidades de Guarujá e Santos. Embora de pouco efeito prático, o ineditismo da façanha ganhou destaque gigantesco na sua mente. E em poucos dias, o homem que foi capaz de enfrentar a morte em cada aventura em que se arriscou nos céus das Europa, sucumbiu. Foi encontrado enforcado num quartel de hotel em Guarujá, no dia 23 de julho de 1932.

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1997 - Chineses festejam, Ingleses choram

Jornal do Brasil: Terça-feira, 1 de julho de 1997
A China realizou um sonho ao recuperar o riquíssimo enclave estrangeiro que, sozinho produzia 160 bilhões de dólares, 15% do PIB da China

Duas imagens marcaram o dia da reunificação: a primeira foi o sorriso exultante do presidente chinês, Jiang Zemin, quando desceu do avião que o trazia de Pequim, e foi cumprimentado com a tradicional saudação oriental - as duas mãos coladas na frente do peito - por Tung Chihua, o novo chefe do executivo local.

A segunda foram as lágrimas enxugadas rapidamente por Christopher Patten, o último governador inglês, quando embarcava no iate Brittania, saudando pela última vez o território que governara durante seis anos.
Último governador britânico na cerimônia de adeus



A antiga colônia inglesa sempre desempenhou um papel especial para a China, por ser uma janela para o mundo capitalista. Hong Kong era uma das principais fontes de moedas forte para a China Comunista e, desde 1978, foi o canal por onde entraram mais de 60% dos investimentos que promoveram o espetacular crescimento chinês.

Hong Kong se transformava então na Região Administrativa Especial de Hong Kong, parte integrante do território chinês com regime ecônomico capitalista. Foram deslocados para lá quatro mil soldados chineses, comprometidos a respeitar as leis, o povo e o modo de vida da ilha, agora politicamente integrada ao país.




O término do acordo que durou 99 anos

No século passado, os comerciantes ingleses começaram uma rota de tráfico de ópio chinês, e em pouco tempo controlavam o comércio da droga dentro da própria China, o que provocou a Guerra do Ópio (1839-1842). Hong Kong era, na época, um amontoado de rochas com pouca população e nenhuma fonte de riqueza. O tratado de Nanquim, de 1842, cedeu Hong Kong formalmente aos ingleses. Em 1898, após nova tentativa militar de tomada de território chinês pelos ingleses, foi assinado um novo acordo. Os ingleses ficariam com Hong Kong por 99 anos.



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