1964: Brigitte Bardot em Búzios

Novamente em guerra com a imprensa, Brigitte passou seu Natal sem permitir qualquer aproximação com os repórteres. Nem mesmo quando o prefeito de Cabo Frio solicitou-lhe permissão para realizar um ato simples, a fim de entregar-lhe o título de cidadã honorária e um terreno a ela doado.
Os pescadores tinham uma singular imagem de Brigitte. Alheios ao mito, consideravam-na "uma criança bonita, parecida com uma boneca de olhos verdes, que tem medo de ser encarada e se irrita com a aglomeração". A criançada porém, a tinha conquistado. Os filhos dos pescadores eram aliados e informantes de Brigitte. Exercendo uma atividade de contra-espionagem, informavam qualquer estranho que rodeasse as cercanias. Uma relação baseada na amizade e carinho mútuos.
Com a missão de conseguir alguma notícia sobre o natal da bela, inúmeros repórteres e fotógrafos de revistas e jornais nacionais e franceses se empreenderam uma autêntica batalha. Depois de horas de prontidão, os profissionais realizaram a operação despiste. Simulando a desistência, esconderam os veículos no mato e cada um escolheu um lugar estratégico.
Brigitte acreditou que estava livre saiu para andar na praia. De biquíni amarelo e a pele bronzeada foi em direção exata ao local onde estava o fotógrafo do Jornal do Brasil. Avisada pela gurizada, correu para casa, mas já era tarde. Apesar de tudo, disse que o prefeito foi um "bom Papai Noel", com a doação do terreno 20x40 metros. Porém, não voltou mais.
Uma velha colônia de Pescadores
Búzios na época, ainda era distrito de Cabo Frio e apresentava a tranquilidade e a beleza primitiva da colônia de pescadores. Com apenas algumas casas separadas por uma rua poeirenta e mal iluminada, dois botequins eram o ponto de reunião da comunidade.
Seus personagens, os caiçaras, pescadores que viviam da pesca e se lançavam ao mar com o nascer do sol só voltando ao entardecer.
Eles entenderam-se e facilmente com Brigitte e, num pacto silencioso, procuram não aborrecê-la. Ela passeava à vontade entre eles, curiosa, ajudava-os a encostar suas canoas e a enrolar suas redes.

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