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1938 - A morte do rei do Cangaço

Jornal do Brasil: Sexta-feira, 29 de julho de 1938

Cabeças do bando de Lampião. reprodução/CPDoc JB

"Maceió - A coluna volante, comandada pelo Tenente Bezerra, da Polícia Militar deste Estado e que no sertão empenhava-se na caça aos bandoleiros, surpreendeu no local denominado Angico, no município de Porto da Folha, em Sergipe, o grupo de cabras chefiado pelo famoso Lampião.

A coluna volante empenhou-se em forte tiroteio com o grupo de bandidos. Após a refrega, os soldados da polícia avançaram sobre o campo inimigo. Fuzilaram todos, e entre os mortos estava Lampião, que foi imediatamente reconhecido
".
Jornal do Brasil

Parecia uma caravana de circo a volante que exibia as cabeças de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros, recém fuzilados, para o povo do sertão de Alagoas. Para as autoridades, era a vitória final contra o cangaço. Para o povo, o espanto diante do mito reduzido a uma cabeça em decomposição.

Durante vinte anos a polícia foi derrotada na luta contra os cangaceiros porque esqueceu que aquela não era uma guerra regular, onde a organização e a coragem prevalecem como os dois elementos essenciais ao êxito. Lampião comandou um miserável bando de guerreiros a praticar uma liberdade selvagem. Não que fosse propriamente um revolucionário, mas porque fazia a síntese de dois ícones de uma geração: cangaço e coronelismo. Os que o seguiam veneravam o seu terrível poder. Mas para os sete estados que dominou - mais pela fria vontade de resistir à polícia do que pela ilusão de erguer uma nova ordem social - o seu nome era símbolo de terrorismo. Foi então que o Cabo João Bezerra entrou em cena. Investiu sua inteligência no conflito, induziu o bando ao refúgio, que, surpreendido, não resistiu à violência do ataque. Entrava para a história o homem que matou o homem.

O selvagem e extravagante cangaceiro

Figura de símbolos obscuros, a religiosidade de Lampião era de um fetichismo bárbaro. Místico extravagante e selvagem: no pescoço medalhas de santos, escapulários, rezas pagãs para fechar o corpo, e um grande crucifixo em ouro maciço. Foi o cangaceiro supremo do Nordeste Brasileiro. A sua morte, contudo, não encerraria a história do cangaço. Pelo contrário. O extermínio do bando de Lampião não impediria que as muitas lendas que corriam o sertão a seu respeito continuassem a habitar o imaginario popular. Nem que prosseguisse o processo de mitificação do heroi cangaceiro.

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1993 - A Chacina da Candelária

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de julho de 1993
Por volta da meia-noite cerca de 50 crianças de rua dormiam enroladas em cobertores próximo à Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro. Nenhuma percebeu a chegada de dois Chevettes com as placas cobertas por plástico: um táxi, e o outro carro comum, ambos amarelos. Ao perceber que os meninos dormiam, um dos homens fez o sinal para que os comparsas se aproximassem. Em seguida foi o horror. Os homens começaram a atirar indiscriminadamente na direção dos menores.
Enquanto muitos preferiram fugir, sete deles que dormiam sobre uma banca de jornais, preferiram ficar imóveis, e foram executados com tiros na cabeça.

O local escolhido para a chacina foi a Praça Pio X, centro financeiro e sede de um símbolo sagrado do Rio: a Igreja de Nossa Senhora da Candelária.

Na verdade, a operação começara antes, na Rua do Acre, quando o lavador de carros Wagner dos Santos, de 22 anos, e mais dois menores foram apanhados por dois homens e jogados no banco de trás do Chevette amarelo. Wagner recebeu logo um tiro e desmaiou. Quando acordou estava estirado no chão perto do Museu de Arte Moderna, ao lado dos menores mortos.

As crianças e jovens que viviam nas ruas nas imediações da Igreja da Candelária eram atendidos de maneira voluntária pela Sra. Yvonne Bezerra de Mello, hoje presidente do projeto UERÊ. Neste dia, com o pedido de socorro, ela mesma conduziu mortos e feridos no seu carro, depois de uma longa espera pela chegada da polícia.

Muitos dos sobreviventes foram morar debaixo de um viaduto em São Cristóvão e continuaram a serem atendidos pela Sra. Yvonne. Em 1992 o Rio de Janeiro terminou o ano com 424 crimes contra crianças de rua.

Jornal do Brasil: Sábado, 24 de julho de 1993


Crime repercutiu no mundo

A notícia correu o mundo. Muito se especulou sobre os reais motivos da chacina que causou a morte de seis menores e dois maiores de idade, além de várias crianças e adolescentes feridos.

O sobrevivente Wagner dos Santos testemunhou no processo criminal que indiciou sete policiais, entre militares e civis. Destes três foram condenados. Wagner, hoje em dia, vive na Suíça, protegido depois de receber ameaças de morte. Outro sobrevivente da chacina, Sandro Rosa do Nascimento, mais tarde voltou aos noticiários, quando participou do famoso seqüestro do ônibus 174, também no Rio.

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