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20 de maio de 1972 — O poeta Silas Oliveira

Jornal do Brasil: Silas de Oliveira

Silas de Oliveira costumava ficar nas ruas próximas ao caminho da Serrinha, em Madureira, observando os sambistas passarem com seus instrumentos musicais. O pai de Silas, pastor protestante e professor, não via com bons olhos o fato de o filho gostar de samba. Aos poucos Silas foi tomando coragem para se aproximar dos músicos até compor um samba com Manula, partideiro de prestígio da escola de samba Prazer da Serrinha, a qual se transformou mais tarde na Império Serrano. O professor Assunção, pai de Silas, demorou a aceitar a vocação do filho, mas acabou por colaborar, corrigindo e melhorando os versos de suas músicas.

No carnaval de 1945, Silas juntou-se a Mano Décio, com quem formaria uma das melhores duplas de sambas-enredos de todos os tempos. Silas frequentava com Mano Décio os pagodes nas casas das 'tias' baianas, onde havia muita bebida, comida e batucada. O primeiro samba-enredo da dupla foi Conferência de São Francisco ou A Paz Universal, sobre o encontro de Roosevelt e Getúlio Vargas. O tema obedecia a uma determinação de Vargas de que as escolas de samba deveriam abordar temáticas nacionalistas em seus desfiles de carnaval.

O sambista dedicou 28 anos de sua vida ao Império Serrano, escola que ajudou a fundar, e nesse período fez 16 sambas enredo para a escola, dos quais 14 foram defendidos no desfile oficial. Quando o amigo Mano Décio foi para a Portela, a dupla se desfez. Silas continuou na Verde-e-Branco onde compôs obras-primas como Aquarela Brasileira (1964), Os Cinco Bailes da História do Rio, em parceria com Dona Ivone Lara e Bacalhau (1965), Glórias e Graças da Bahia, com Joacir Santana (1966) e Pernambuco, Leão do Norte (1968).

Drumond elogia versos de Silas
A última parceria de Mano Décio e Silas, com o reforço de Manuel Ferreira, da Velha Guarda do Império, aconteceu em 1969. Os três compuseram Heróis da Liberdade cujos versos, que tiveram problemas com a censura do regime militar, foram elogiados por Carlos Drumond de Andrade. A letra dizia assim: Passava a noite/ vinha o dia/ o sangue do negro corria/ dia a dia/ de lamento em lamento/ de agonia em agonia/ pedia/ o fim da tirania. Silas não ganhou dinheiro com sua produção musical.

O compositor morreu de enfarte em uma roda de samba depois de cantar uma de suas músicas.

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