22 de setembro de 1980 - Começa a Guerra Irã-Iraque

Há exatos 29 anos aviões iraquianos bombardeavam 11 bases militares do Irã, que, em represaria, reagiria assumindo o controle militar do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O ato foi considerado pelo Iraque como "uma declaração de guerra total" e marcou o início da Guerra Irã-Iraque, um conflito militar que durou até 1988, e foi resultante de disputas políticas, territoriais e religiosas entre os dois países - embora ambos islâmicos, o Iraque é sunita, enquanto o Irã xiita.
O presidente iraquiano Saddam Hussein afirmou ter ordenado os ataques para dissuadir o ayatolah Khomeiny, líder do Irã, de lançar seu país numa guerra total. Entretanto, o líder iraniano declarou que Hussein estava em "guerra contra o Islã" e ordenou ao povo iraquiano que se levantasse contra "o mercenário da América do Norte", referindo-se a Hussein. Na ocasião, o então presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, disse que seu país estava fazendo o possível para ajudar o Irã e o Iraque a encontrarem uma solução pacífica para o conflito entre eles.
Precavendo-se contra as possíveis conseqüências do agravamento do conflito entre o Irã e o Iraque, a Petrobras decidiu suspender as negociações para a pretendida redução das suas compras de óleo - a intenção inicial do governo era reduzir suas importações de 850 mil para 600 barris por dia. Já o Chanceler brasileiro Saraiva Guerreiro considerou prematuro qualquer julgamento sobre o conflito entre Irã e Iraque, e lembrou que o Brasil possuía relações com os dois países, fazendo votos para que os incidentes do dia 22 de setembro não se degenerassem em uma guerra, o que, infelizmente, acabou ocorrendo.
Pacificação tardia
Em 8 de agosto de 1988, após oito anos de conflitos e de mais de um milhão de mortos e feridos, o Secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Javier Perez de Cuellar, anunciou que o Irã e o Iraque concordaram em cessar todas as hostilidades em terra, mar e ar, a partir da zero hora do dia 20 de agosto. Cinco dias depois se iniciariam as negociações diretas de paz, enquanto um grupo de 350 observadores, de 25 países, fiscalizaria o respeito à trégua nos campos de batalha. A iniciativa de pôr fim ao conflito foi saudada pelos principais governos ocidentais, especialmente Washington.
