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9 de novembro de 1964 – Cecília Meireles parte ao entardecer

Cecília Meireles
"Eu aprendi com a primavera a ser cortada e voltar sempre inteira".
Cecília Meireles

Vítima de um câncer, a poetisa, professora e jornalista brasileira Cecília Meireles, 63 anos, morreu ao entardecer, no Hospital dos Servidores do Estado, onde estava internada para se recuperar de algumas operações que havia se submetido. Seu corpo foi removido para o Salão Nobre do Ministério da Educação e Cultura, de onde saiu no dia seguinte, às 17h, para o Cemitério de São João Batista, em Botafogo. A poetisa era casada há 25 anos com o professor Heitor Grilo e tinha três filhas, Maria Matilde, Maria Cecília e a atriz Maria Fernanda, e cinco netas.

Em entrevista ao Jornal do Brasil, o marido de Cecília Meireles informou que a poetisa deixou três volumes de poesia, dois de prosa e uma tradução de Joana D’Arc, de Bernard Shaw, a ser representada por sua filha Maria Fernanda.

-"Nos 25 anos nos quais vivemos juntos fomos completamente felizes. Cecília era uma criatura admirável sob todos os pontos de vista. No momento, embora doente, Cecília preparava O Cancioneiro do Rio de Janeiro, para as comemorações do IV Centenário" – contou Heitor Grilo.

O embaixador da Índia, Sr. Vincent Coelho, divulgou uma nota afirmando que perdeu uma grande e sincera amiga com a morte de Cecília Meireles, que, “com o esplendor de sua poesia, a clareza e o encanto de sua expressão, trouxe a muitos milhares de leitores do Brasil um conhecimento íntimo da Índia e do pensamento indiano”.

- "Não só o Brasil, mas também a Índia perdeu uma grande personalidade a qual passará à História por ter feito muito, graças a uma síntese poética da filosofia da Índia e da expressão brasileira, a fim de promover um melhor entendimento entre os nosso países e a consideração afetuosa de um pelo outro" – disse o embaixador na nota divulgada, referindo-se ao trabalho de Cecília como sócia honorária do Instituto Vasco da Gama, em Goa, Índia e ao título de Doutora Honoris Causa da Universidade de Délhi concedido a ela na Índia, em 1953.



O sepultamento de Cecília Meireles, um dia após sua morte, acabou sofrendo um pequeno atraso devido aos muitos amigos que desejaram despedir-se da poetisa. Debaixo de chuva, suas filhas e marido choraram comovidos, de pé, ao lado do esquife, quando o poeta Manuel Bandeira adiantou-se para beijar a face de Cecília e o corpo da poetisa recebeu uma coroa com um verso de Rimbaud dizendo que “a poesia não morre jamais”.

Intimidade com a morte
Filha de um funcionário público com uma professora primária, Cecília Benevides de Carvalho Meireles nasceu em 7 de novembro de 1901, na Tijuca. Seu pai morreu três meses antes do nascimento de Cecília, e sua mãe, três anos mais tarde, tendo a menina ido morar com a avó materna. Muito tempo depois, já reconhecida no país por sua poesia, Cecília contou que a ausência dos pais lhe deu “uma tal de intimidade com a morte” que docemente lhe ensinou as relações entre o efêmero e o eterno. Durante sua vida, Cecília Meireles se destacou por seu trabalho em prol de mudanças na educação do país, tendo, inclusive, realizado conferências e lecionado diversos países como Uruguai, Argentina, Índia, Porto Rico, Israel e países europeus. Após seu faleciomento, Cecília Meireles foi premiada com Prêmio Jabuti de Poesia, pelo livro Solombra, o Prêmio Machado de Assis concedido pela Academia Brasileira de Letras, pelo conjunto de sua obra. Em 2001, o governo federal decretou o ano como “O Ano da Literatura Brasileira”, em comemoração ao sesquicentenário de nascimento do escritor Silvio Romero e ao centenário de nascimento de Cecília Meireles, Murilo Mendes e José Lins de Rego.

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Comentários


Comentários

Rodrigo Inácio enviou em 22/10/2010 as 21:21:

És um grande lamento, nós termos perdido essa grandissíma poetisa !!!

marly santanelli enviou em 09/11/2011 as 11:26:

Uma pena, essa maravilhosa poetisa ter nos deixado tão cego

Walkírio Silva enviou em 09/11/2011 as 20:34:

Neste ano de 2011 em que se completam 110 anos do nascimento de Cecília Meireles, aplaudo a lembrança inserida no texto acima. E por coincidência estou lendo OLHINHOS DE GATO, cujo exemplar data de 1990, na sua 7ª edição, pela Editora Moderna.

Mário de Oliveira Pinheiro enviou em 10/11/2011 as 01:17:

O poeta beijou a face da "estrela da vida inteira".É possível que haja estrela tão bela...

priscila enviou em 08/03/2012 as 11:32:

cecilia mirelles tem cada poesia linda quase todo dia copio uma

Nicolas Fonseca Barbosa enviou em 13/03/2012 as 19:13:

Tenho 9 anos e gosto muito das poesias da Cecili Meireles e eu estou estudando as poesias dela chau

miria santos enviou em 13/08/2012 as 22:37:

meus pesames

renata enviou em 01/11/2012 as 21:35:

eu to estudando as musica dela e fiquei sabemdo que ela morreu coitada que dó

morgana enviou em 07/11/2012 as 14:17:

cecilia mirelle morreu 9 de novembro de 1964

esmeralda enviou em 13/11/2012 as 15:05:

Ela foi uma grande mulher seus livros e poesias encantavam qualquer um que lesse eu tive um trabalho dela e assim pude saber mais coisas dessa grande autora brasileira

Francisco enviou em 06/05/2013 as 11:20:

Uma lembrança para Cecília Meireles Que encantos são esses dos teus olhos? Quão profundos, meigos, ternos e sábios, A iluminar como o nascer da aurora A acariciar a terra após a chuva bendita A silenciar contemplativos com o findar do dia A se ausentar em infinita presença como os deuses Cecília Meireles! Francisco

lizandra enviou em 18/11/2013 as 19:38:

ela morreu tão cedo...ela lutou tato para ter o que queria, mas graças a Deus ela conseguiu pelo menos ela está com a família dela no céu em paz.


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