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11 de novembro de 1975 - Angola torna-se independente de Portugal



O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e a União Nacional para Independência Total de Angola (Unita) proclamaram a independência da República Popular e Democrática de Angola, anunciando a formação de um conselho conjunto com sede em Abriz e Huambo (até então conhecida como Nova Lisboa) e assegurando que o poder do MPLA em Luanda, capital do país, seria transitório.

À meia-noite, Angola tornou-se a 17ª nação independente da África, e seu primeiro presidente foi Agostinho Neto, 53 anos, líder do MPLA. Ele assumiu o cargo solenemente, num dos salões da prefeitura de Luanda, no qual se concentraram milhares de pessoas agitando bandeiras do novo país.

Agostinho Neto prestou juramento de pé, atrás de uma mesa de madeira colocada em frente a uma bandeira de Angola: vermelha (símbolo do sangue e luta), negra (cor da África), com três símbolos em amarelo, um punhal (recordação do início da guerra de libertação, quando esta era a única arma usada pelos guerrilheiros), uma roda dentada (símbolo dos operários) e uma estrela (emblema do internacionalismo). O novo presidente jurou respeitar a lei fundamental, adotada pelo comitê central, e defender a soberania, independência e unidade da nação angolana.

Em discurso perante centenas de pessoas, que o interromperam várias vezes para aplaudi-lo, Agostinho Neto afirmou que o país se converteria, progressivamente, numa “democracia popular”, e reiterou seu desejo de prosseguir a luta até a libertação total da Angola. “A luta continua. A vitória é segura”, proclamou.

Diversas delegações de “países amigos” participaram da cerimônia: da União Soviética, chefiada pelo embaixador em Brazzaville, Afanassenko, de todas as ex-colônias portuguesas na África, da República Popular do Congo, de Guiné-Conaeri, da Iugoslávia e da Romênia.

No fim houve o desfile dos primeiros combatentes do MPLA, os que iniciaram a guerra de libertação ao atacarem, em fevereiro de 1961, uma prisão de Luanda. Os ex-combatentes chegaram à cerimônia com uma tocha, símbolo da unidade do povo angolano e que ficou ardendo diante do palanque presidencial.

Liberdade sem paz
Portugal, país do qual Angola era colônia, também reconheceu a independência do novo país. “O governo português envia sua saudação ao povo angolano e expressa sua alegria, compartilhada pelo povo português, por motivo da independência de Angola, fato de grande importância histórica para os dois povos, para a África e para o mundo inteiro”, disse a nota de Lisboa. Ali vinha também expresso o desejo de “estreitar os laços de amizade e cooperação entre os dois países, à margem das contingências que ameaçam ou comprometem, provisoriamente, a esperança geral de ver uma Angola unida na independência, no progresso e na liberdade”. O reconhecimento da independência de Angola, entretanto, não significou o início de um período de paz. Sobreveio uma guerra civil, intensificada pelo contexto da Guerra Fria e que culminou com a desintegração da União Nacional para Independência Total de Angola (Unita).

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Comentários


Comentários

Ayres Guerra Azancot de Menezes enviou em 17/02/2010 as 04:51:

O MPLA E A HARMONIZAÇÃO COM O FUTURO Do ponto de vista de carácter intelectual qual a força que o MPLA da segunda geração representa face ao anterior l? De que forma a força motriz intelectualizada, para poder ter uma certa representatividade e integração plena na hierarquia científica, produtiva, terciária, secundária e governativa deverá proceder? Com o tempo esta geração será cada vez mais diminuta. Esta integração plena e contribuição, a semelhança de uma rede de ligação com a geração dos descendentes do maqui para revalorizar, incrementar, desenvolver, perpetuar a mensagem e os valores do passado recriados numa visão pró-activa na criação de novos valores para fazer frente aos desafios. Delinear a melhor forma de reestruturar, melhorar, consolidar e fomentar competências na preservação e estimulação de recursos e manutenção de valores conquistados. A integração de novos valores não implica a destruição ou aniquilamento dos valores herdados arduamente construídos sob o signo da modernização. Não devemos deixar emergir de forma espontânea e promíscuo o desejo de mudança fácil e abrupto. O projecto de cidadania tem que comportar o respeito pela preservação de uma identidade. Por mais complexa ou tradicional, os actores reformistas terão que manter uma postura séria, coerente e pró-activa independentemente das novas motivações e arranjos institucionais que se pretendem introduzir nas novas culturas organizacionais. O MPLA tem a responsabilidade de capacitar os descendentes de milhares de antigos combatentes por uma questão de honra e compromisso face ao passado. Devemos fomentar o respeito e valorização contínua das conquistas que representam marcos históricos. O tempo deve afigurar-se como estimulador e fonte de criatividade institucional. A recriação dos valores deverá ser uma constante e não motivo de aniquilamento natural. O fenómeno de integração de novos valores culturais, tanto organizacionais e sociais deveriam ser bem optimizados e enquadrados para não provocar descontrolos. De que forma o testemunho para as próximas gerações será legado? De que forma os gurus do MPLA farão essa transferência? Será que os filhos saberão executar os ensinamentos sabiamente transmitidos para que a transição seja harmoniosa? Como será a descodificação de tudo isto? O futuro mais longínquo depende do presente e misteriosamente do passado gradualmente por descodificar. O MPLA é um só ,com uma complexidade interna própria de uma estrutura dinâmica e de auto-regeneração ,agilidade de pensamento , grande pragmatismo e interactivo. A fonte de pensamento tem motivos para ser distintiva porque possui modos próprios com certa ancestralidade invulgar, com tendências adaptativas, regeneradoras sempre com pendor de equilíbrio geoestratégico. Uma das preocupações centrais do MPLA deverá ser cumprir, respeitar a dignidade, respeitabilidade de todos sobreviventes do nacionalismo Angolano numa dimensão do universo civilizacional sempre dentro do espírito vivo. ESCRITO POR: AYRES GUERRA AZANCOT DE MENEZES

hegner enviou em 15/10/2012 as 14:10:

boa materia


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