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25 de novembro de 1984 – Uruguai retoma sua democracia



11 anos após terem sua democracia interrompida pela primeira vez, em 1973, os uruguaios retornaram às urnas em eleição direta para escolher seu presidente, vice, 30 senadores e 99 deputados e os governos de 19 municípios. As pesquisas realizadas até o dia da eleição não permitiam assegurar a vitória do Partido Colorado, do Nacional ou da Frente Ampla, mas anteciparam que a divisão de forças garantiria o funcionamento de um Congresso forte, capaz de assegurar o cumprimento do programa comum definido pelas lideranças políticas.

A campanha eleitoral foi encerrada com uma verdadeira festa nacional, a qual se somaram mais de 30 mil uruguaios residentes no exterior. "Uma demonstração de que o povo está cansado dos militares no poder" destacaram os políticos. O general Gregório Álvarez pensou em fazer um pronunciamento, mas mudou de idéia ao ter notícia de que se estava convocando um cazarolazo - forma popular de protesto praticado em certos países de língua espanhola.

Depois de tanto tempo sem o funcionamento do Congresso, o panorama político do Uruguai mudou consideravelmente. O país, de tradição agropecuária e então com apenas 3 milhões de habitantes, com população estável e de poucos jovens, até o momento se organizava politicamente em torno dos partidos históricos: o Colorado, que governou o país por 92 anos initerruptos, e o Nacional (branco), que chegou ao poder pela primeira vez em 1958. Apesar da resistência dos mais velhos - 10% da população do país constituida por idosos - avessos a mudanças, a Frente Ampla conquistou definitivamente seu espaço no cenário da política uruguaia.

- Nós representamos uma força política importante, unida em torno de um programa e em permanente evolução. Somos o único Partido capaz de propor mudanças - afirmou o líder da coalizaão de esquerda, General Líber Seregni, seguro de que qualquer fosse o resultado da eleição, seu partido manteria a mobilização para lutar no Congresso pelo cumprimento do acordo feito pelos sete partidos que disputavam o pleito. Entre outros pontos, o acordo previa a garantia das liberdades democráticas e a retomada da economia, com prioridade para o combate ao desemprego e programas sociais.

A apuração dos votos foi feita por computadores e o tribunal eleitoral anunciou no próprio dia das votações as projeções com os resultados das urnas. A esta hora, seguindo a convocação dos partidos, a população já estava nas ruas comemorando o fim de regime militar e a eleição de Julio María Sanguinetti para presidente do país.

Fardo do regime militar
O regime militar uruguaio instaurado, a partir da dissolução do Congresso, em 23 de junho de 1973, deixou para o governo que foi eleito em 1984 uma ferida tão difícil de ser cicatrizada quanto o trauma dos mais de 50 mil perseguidos que passaram pelas prisões políticas sobre tortura e silêncio: uma crise econômica com uma dívida externa de 5 bilhões de dólares, 80 % de inflação e 30% da população ativa desempregada ou subempregada. Inclusive, de acordo com uma pesquisa feita pela firma Consultores Associados, a maior preocupação do povo uruguaio no período das eleições foi a economia, com 54% dos entrevistados destacando como prioridade a recuperação do poder de compra dos salários, o aumento das oportunidades de empregos e a reativação da indústria.

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