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1990 - A morte planejada de Rubem Braga

Jornal do Brasil: Sexta--feira, 21 de dezembro de 1990 - página 6 do Caderno Cidade

"Sempre tenho confiança de que não serei maltratado na porta do céu, e mesmo que São Pedro tenha ordem para não me deixar entrar, ele ficará indeciso quando eu lhe disser em voz baixa:
_ Eu sou de lá de Cachoeiro..."


Rubem Braga morreu à noite, num quarto do Hospital Samaritano, no Rio, onde estava sozinho como desejara e pedira aos amigos.

A causa mortis foi uma parada respiratória em conseqüência de um tumor na laringe, que ele preferiu não operar.


Homem decidido e corajoso, sabia da gravidade de sua doença, mas segundo seu médico e amigo, o neurologista Sérgio Carneiro, preteriu todo e qualquer tipo de tratamento para combatê-la.

O último plano de Rubem, simples e perfeito como os que organizaram sua obra, seria colocado em prática dias após sua morte: a cremação em São Paulo. Certamente seus amigos lembraram-se de uma pequena crônica sua, chamada "Berço de mata-borrão", onde Rubem conta sua curiosa pesquisa atrás da melhor maneira de se fazer cremar. A bem-humorada crônica expõe o lado metódico e precavido do autor, que, dois dias antes de sua morte, reuniu os amigos na sua cobertura em Ipanema, no que todos entenderam como uma despedida.

O cronista Rubem Braga.




A crônica das coisas simples da vida

Rubem Braga escondia, por trás da aparente determinação, a alma de menino, curtidor de coisas simples. Escreveu um pouco de tudo isso: infância, mar, mulheres, amigos, saudade, esperança, solidão, morte. E também sobre "coisas humildes e vagabundas que entretanto não fiz, nem com certeza farei".

Extraia tudo do nada e transformava trivialidades em grandes temas. E mesmo fingindo não levar a sério o gênero meio amaldiçoado, orgulhava-se de cultivá-lo, porque era pelas crônica que transitava naquele terreno meio vago entre a literatura e o jornalismo, duas de suas paixões.



Confira amanhã: 1983 - O roubo da Taça Jules Rimet


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Comentários


Comentários

Chrys Mano enviou em 19/12/2007 as 09:52:

Estudei no Colegio Salesiano, na década de 80, em Niterói. meu professor de Português sempre falava do jornalista e escritor, que havia sido estudante do internato Salesiano na década de 30. O rapaz viera de Cachoeiro do Itapemerim, porque não queria mais estudar na escola de sua cidade de origem, onde um professor de matemática o teria chamado de " burro".

Larissa Tietjen enviou em 19/12/2007 as 15:32:

Eu também sou ex-aluna do Salesiano, só que aqui em Santa Cataerina. Minhas professores de literatura e história cultivaram em mim, a pouco esforço, o gosto por este escritor cheio de encanto.

kaike enviou em 06/09/2009 as 18:09:

ehh se nao fosse essa fotu uma hora dessas eu tava fudido com meu trabalho de portugues

Juh enviou em 14/04/2010 as 14:48:

Nossa esse site uma máximo mas se nao fossem vocês eu taria ferrada com o meu trabalho pra eskoolaaaa

maryany enviou em 05/08/2010 as 20:23:

RUBEM BRAGA ERA UM BOM CRONISTA SUAS CRONICAS FICARAM PARA SEMPRE EM NOSSOS CORAÇOES!!!!!!!!!!!DEUS CUIDE DELE ONDE QUE QUE ELE ESTEJA...............................PARABENS PARA ELE!!!!!!!MARYANY SOUZA

izabela enviou em 08/11/2012 as 14:41:

eu e a ghilardi adoramos a historia do rubens braga

marlene da silva leal enviou em 17/11/2012 as 18:51:

fui e sou fâ desse espetacular cronista e é nele que me inspiro para escrever esse gênero que tanto amo. Adoro descrever o cotidiano e tudo que acontece à minha volta do trivial ao espetacular.

julyana evelyn enviou em 14/04/2013 as 12:59:

eu so fã do rubem tenho todos os livros ele

ingrid enviou em 15/04/2013 as 17:18:

rubem braga mair escritor do mundo não podia ter morrido assim


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