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1921 - 50 anos da morte de Castro Alves

Jornal de Brasil: Quarta-feira, 6 de julho de 1921 - página 5
"Castro Alves,
que foi um lírico admirável,
também atuou
nos movimentos nacionais,
colaborando
nas campanhas democráticas e,
principalmente,
no generoso esforço
do abolicionismo.
Neste momento
em que se comemora
o cinqüentenário de sua morte,
é justo que todos se associem
à homenagem piedosa,
que todos devemos
a um poeta maravilhoso
que soube sofrer
as dores nacionais
e que soube batalhar
pelas idéias abnegadas
e pelos planos democráticos
".
Jornal do Brasil


Foi nos primeiros anos da juventude, ao livrar-se da austeridade do convento em que morou, que o baiano Castro Alves começou a escrever sua intensa e efêmera história.


Ao invés de dedicar-se aos estudos acadêmicos, ingressa na política, mostrando sua firme veia abolicionista, ideal que habitou grande parte de sua obra. Entre um artigo e um soneto, vive a paixão de uma atriz portuguesa. Mas, eis que subitamente, no meio do caminho da glória, um tropeço existencial. A atriz o abandona. O poeta perde o gosto de viver, e desiste da sua obra. Para resistir ao golpe, dedica-se à caça, que por acidente o faz amputar a perna. Sem êxito na cirurgia, é ameaçado por uma gangrena. A saúde nunca mais será a mesma. Descobre um novo amor, em tempo de escrever a última obra: Espumas Flutuantes(1870). A morte chega no ano seguinte.

A eternidade de uma vida breve
Castro Alves. Reprodução/CPDoc JB
Para os românticos, morrer cedo era quase uma necessidade. Iam-se na flor da idade, como se dizia. Mas não sem esgotar antes, tudo o que o mundo tivesse para lhes oferecer em alegrias e em dores, geralmente mais em dores do que em alegrias, pois o sofrimento era um elemento indispensável à realização do herói romântico. Castro Alves não escapou a esse destino. Mas, contrariando os colegas de escola, explorou a vida em outra direção. Dedicou o máximo de suas energias às causas cívicas da época. Este é o alicerce da glória de que desfruta, em vivo contraste com sua breve existência.




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