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1993 - O massacre em Vigário Geral

ornal do Brasil: Terça-feira, 31 de agosto de 1993
A Favela do Vigário Geral, subúrbio carioca, foi vítima de uma cena de terror e pânico, quando 21 moradores foram assassinados, sendo 13 homens, 6 mulheres e 2 adolescentes, por um grupo de 50 homens da Polícia Militar. A chacina aconteceu depois que quatro policiais militares foram mortos numa emboscada armada por traficantes da área no dia anterior.

Antes da matança, os assassinos destruíram orelhões e deixaram ruas às escuras, estourando lâmpadas a tiros de fuzil. As vítimas não tinham ficha na polícia. Encapuzados, os criminosos entraram a pé na favela, arrombaram casas e percorreram vielas, como se estivessem à procura de alguém. Em não mais de 30 minutos de ações simultâneas em cinco pontos da favela, os exterminadores fizeram o serviço e deixaram o local a pé. Num bar, onde o assunto era futebol, foram mortos oito homens. Numa casa morreu a família inteira. Com covardia suficiente para atacar gente desarmada, os assassinos não economizaram munição e gargalhavam enquanto escolhiam as vítimas. "Queremos beber sangue", gritavam os assassinos. A única divergência entre eles foi se executariam ou não um grupo de cinco crianças, de pouco mais de 1 mês a 10 anos de idade. "Fujam enquanto podem", gritou um dos assassinos, segundo testemunhas. As crianças escaparam. Revoltados, moradores interditaram o tráfego de carros e de trens no bairro, e impediram a entrada da polícia. Em nota oficial e pronunciamento na TV, o governador Brizola afirmou que o episódio estaria ligado a "uma inadmissível operação de vingança" que exigirá um "choque disciplinar" na PM. Para o cardeal arcebispo do Rio, Dom Eugênio Sales, o massacre é "mais um duro golpe na dignidade do Rio".


O marco de violência no Rio de Janeiro

Foi a maior chacina registrada na história da polícia fluminense. Dos 52 PMs denunciados pelo Ministério Público, apenas sete foram condenados, e dentre eles somente Paulo Roberto Alvarenga e José Fernandes Neto foram levados a júri popular. Em 27 de abril de 1997, Alvarenga foi condenado a 449 anos e oito meses, mas teve a sua pena reduzida para 57 anos pelo Supremo Tribunal Federal. Como a pena foi superior a 20 anos, ele protestou por novo júri. Em 20 de setembro de 2000, José Fernandes Neto foi condenado a 45 anos e, como Alvarenga, recorreu da sentença. A Chacina do Vigario Geral alcançou repercussão internacional.


Confira também:
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Comentários


Comentários

Jorge Antonio Barros enviou em 31/08/2008 as 13:31:

Só vi a OAB-RJ realizar um ato pelos 15 anos da Chacina de Vigário Geral, sexta-feira passada. Senti falta de uma grande manifestação, lembrando desse massacre contra 21 moradores da favela, todos trabalhadores, por um grupo de 50 policiais militares, em sua maioria integrantes da famigerada quadrilha apelidada de Cavalos Corredores, um subgrupo de policiais do 9o BPM (Rocha Miranda). Mas se hoje nem os seis mil homicídios anuais do Rio são suficientes para tirar as pessoas de casa, imagine uma chacina de 21 pessoas pobres e praticamente anônimas, que ocorreu há 15 anos. A falta de atos em memória da barbárie definitivamente contribui para reduzir a nossa memória pessoal dos fatos. Eu mesmo, que acompanho o tema, me confundi. Achei que faria 15 anos hoje, mas na verdade foi ontem, dia 30 de agosto. A chacina ocorreu na madrugada de 30 de agosto de 1993 e não 29 de agosto - como podem pensar, durante o governo Brizola. O prefeito já era Cesar Maia. Ela teria sido motivada como represália de policiais ligados a quatro PMs que foram mortos por bandidos daquela favela, durante um "acerto" mal acabado, na Praça Catolé do Rocha. Vivíamos, de certo modo, tempos piores do que os atuais, quando as mortes de policiais eram vingadas da maneira mais sórdida. Naquela época eu já trabalhava mais na edição, estava me afastando das ruas. Era editor-assistente do "Jornal do Brasil", onde o editor de cidade era o mestre Altair Thury. A imagem mais marcante para mim foi a da foto em seis colunas, ocupando um extremo ao outro da primeira página, sob a manchete de duas linhas, do mesmo tamanho da fotografia (veja aqui essa capa): os corpos nas gavetas do IML colocados lado a lado. Não tenho certeza, mas muito provavelmente foi idéia de algum fotógrafo, que aproveitou um descuido do pessoal do rabecão (os bombeiros ainda não haviam entrado nesse trabalho, se não me falha a memória). Hoje, muito provavelmente as autoridades de plantão não teriam dado esse "mole" e permitido a visualização de duas fileiras de gavetas com cadáveres de uma chacina. As gavetas, alinhadas, estão cercadas por curiosos e moradores, coisa rara também de se ver em áreas pobres. O normal seria que ninguém se aproximasse e muito menos manifestasse indignação, temendo mais represálias. Só que a chacina chocou o país e exigiu dos governantes medidas rápidas, que resultaram até em injustiças contra policiais militares (a maioria dos envolvidos, porém, continua impune). Como se tentasse evitar que as mortes fossem em vão, Vigário Geral produziu também uma reação da sociedade, jamais vista no Rio. Seu impacto acelerou o surgimento de movimentos sociais como o Viva Rio, que em dezembro de 93, organizou a primeira grande manifestação pública contra a violência na cidade. Do hediondo crime, nasceu também um dos mais eficientes movimentos de resgate da cidadania nas favelas, o AfroReggae, que cresceu e gerou frutos na luta antiviolência. O massacre também resultou num livro emblemático do grande Zuenir Ventura, que nos recompensou com um título que passou a resumir a realidade carioca: Cidade Partida. Vigário Geral, porém, não ajudou a mudar tudo. Treze anos depois, em 31 de março, ocorria novo recorde fúnebre: 29 mortos novamente por uma quadrilha de PMs, no massacre que ficou conhecido como Chacina da Baixada, que entra ano e sai ano, a gente nem lembra mais.

Sérgio Cerqueira Borges enviou em 04/10/2008 as 23:53:

ATENTADO A DIGNIDADE HUMANA E AOS DIREITOS HUMANOS. Fui um dos acusados inocentes chacina de Vigário Geral em 1993. Preso disciplinar por "não atualizar endereço". No CD (conselho disciplinar /ADM) provei tê-lo informado, entretanto fui excluído pela acusação da chacina. Vários princípios constitucionais do artigo 5º da Constituição da República Federativa Brasileira foram feridos, “O DEVIDO PROCESSO LEGAL”, entre outros.de igual gravidade, como também tratados internacionais ratificados pelo Brasil. Libelado por não informar endereço, entretanto excluído pela chacina sem ser ainda julgado.(Tribunal de exceção). No BP-Choque prestei depoimento sob efeito de tranqüilizantes, no CD (conselho disciplinar), com conhecimento dos oficiais, membros. No BP- Choque fomos torturados com granadas de efeito moral às vésperas do depoimento no II TJ, cujos fragmentos foram apresentados à juíza, que enviou a perícia, consta nos autos, mas nada aconteceu conclusivamente. Na véspera do natal de 1993, quando transferido para a POLINTER, protestei aos gritos a injustiça e no curso fui enviado ao hospital de loucos, em Bangu, mas por não ter sido aceito, retornei e, em dias, fui transferido para Água Santa. Neste também fui agredido e informei no dia seguinte em juízo, estando com ferimentos, mas nem fui submetido à perícia. Transferido para o Frei Caneca (UPE), pude ajudar a gravar as fitas com as confissões cujas 23 inocentes puderam alcançar a liberdade e, transferido para o CPI/PM (COMANDO DE POLICIAMENTO DO INTERIOR). Após a perícia das fitas, fui solto provisoriamente; Dei entrevistas me defendendo e tive minha liberdade provisória caçada e enviado ao 12ºBPM, acredito, para me silenciarem. No júri fui absolvido. Meus pedidos de reintegração nunca foram respondidos até há alguns dias, quando um Coronel PM informou via correspondência que meu direito processual havia precuído, esperaram o tempo passar para não discutirem o meu direito material. Tive um filho com 18 anos, assassinado por vingança, tive vários atentados e um deles me aleijou a perna esquerda, com limitação parcial, sofro de diabete, enfartei aos 38 anos, possuo um tumor na tireóide. Tento reintegração em ação rescisória Processo No 2005.006.00322 TJRJ com pedido de tutela antecipada para cirurgia no HPM buscando extração do tumor.Portanto vários atentados à minha dignidade humana e direitos constitucionais indisponíveis foram cometidos. As pessoas responsáveis nunca responderão por diversas prisões de inocentes? Afinal foram 23 inocentes presos (PROCESSO VIGÁRIO I) por quase quatro anos com similares seqüelas. Ajudem-me a resgatar minha dignidade.No menor prazo possível estarei providenciando os documentos, todavia esclarece que alguns destes, foram extraviados, quando sofri o assalto descrito na denúncia, cujos foram levados no carro que me levaram; seria necessário desentranhamento dos meus depoimentos no processo da chacina do II TJ. A injustiça queima a alma e perece a carne!Com fundamentos na CRFB, artigo 5º; 127º; 129º, I, II, e VII; na LEI COMPLEMENTAR ESTADUAL Nº 106/03, artigos 36º; 37º, I, II, III; 38º, I e III e IV; 39º, VIII e os tratados internacionais de Direitos Humanos, suplico providências para que os transgressores respondam na forma da lei as violências, levando também em conta os Direitos Humanos do noticiante, destas irregularidades.

Mayara Oliveira enviou em 01/06/2009 as 11:00:

"O mais engraçado de tudo isso é que quando eles prendem um assacino ou um ladrão eles são obrigados a pagarem sua pena seja 20 anos ou até mesmo 449 anos.E um policíal não!Esse Brasil não vai pra frente mesmo porque quêm estão na frente são os corrúptos e os que 'dizem fazer justiça..." =[

General da banda do bem. enviou em 27/03/2010 as 19:03:

Mais engraçado ainda é a maneira que escreveu assassino. Procura estudar mais um pouquinho e entenda como funciona a justiça e as leis.

Coronel enviou em 30/08/2011 as 10:39:

Muito mais engraçado ainda,é este tal General da banda do bem....dar atenção unica e exclusivamente para uma palavra com a grafia errada....Parabéns General.....o Brasil vai avançar 100 anos depois disto!!!

scerqueiraborges enviou em 31/08/2011 as 21:52:

"Onde o vento faz a curva": Especial: chacina de Vigário Geral (RJ) completa ... http://ondeoventofazacurvalagoinha.blogspot.com/2011/08/especial-chacina-de-vigario-geral-rj.html?spref=tw


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