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Jornal do Brasil

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Circuito de Repescagem do Cine Favela Festival – Cine Manguinhos

 

Durante o mês de junho a favela da Rocinha abrigou o I Cine Favela Festival, produzido pela TV Tagarela e a Entrepontos. O evento, que recebeu apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro, entrando para o calendário das comemorações dos 450 anos do Rio, recebeu filmes de vários gêneros e formatos, experimentos audiovisuais que deram o tom nas mostras, diversificando o modo de enquadrar as favelas e pluralizando suas representações.
Além de integrar a favela à condição de parte viva dessa cidade, incluindo suas atividades no calendário cultural, o Festival anuncia um diálogo entre esse espaço urbano e suas representações no audiovisual, que se manifestam independente do formato e com uma variedade de propostas estéticas que se justificam muito mais pelos seus meios do que pelos seus fins.

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Com as produções enviadas ao Festival, em sua maioria de produtores das próprias comunidades e, para que este diálogo entre o tema favela e suas representações se estenda, a TV Tagarela programou um circuito de repescagem com alguns filmes que, premiados ou não, enriquecem o debate sobre um cinema que se constrói num tempo em que as imagens geram discursos polifônicos. Uma seleção de filmes que fizeram parte do primeiro Festival de cinema na Rocinha será exibida numa repescagem que ganha status de itinerante, como uma trupe de cinema de favela e sobre favela.
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O Circuito percorrerá três espaços na cidade do Rio de Janeiro, a primeira Mostra, que terá como parceiro o Imagens e Complexos, acontecerá no dia 24 de outubro, às 18h30min, na sala Eduardo Coutinho – Cine Manguinhos, e exibirá os curtas: Maria Macaca (2015) de Lázaro Ribeiro, Maria (2014) de Erica Cristina Santos da Silva, Rainha das quentinhas (2013) de Felipe Varanda e Rogério Galalau, Retrato Falado de Denize Moraes (2015), de Coletivo Papo Reto e Sistah C (2011)  de Felipe Varanda e Rogério Galalau.

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O tema dessa primeira etapa do circuito de repescagem do I Cine Favela Festival será “Documentário, Mulher e Favela”. A programação tem por objetivo refletir sobre a estética do cinema, partindo de questões levantadas nos filmes, destacando o protagonismo social, cultural e artístico da mulher da periferia na sociedade. O evento contará com uma mesa de discussão com as seguintes convidadas: a atriz e escritora Elisa Lucinda, a integrante do Coletivo Papo Reto e documentarista Lana de Souza e a rapper Sistah C. A mediação será de Fabiana Melo Sousa do Imagens e Complexos.

Local: Cine Teatro Eduardo Coutinho –  Biblioteca Parque de Manguinhos

Av. Dom Hélder Câmara, 1.184, em Benfica.

Entrada Franca

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FESTIVAL DO RIO 2015 – O Conto dos Contos

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Em tempos de redescoberta dos contos de fadas, quando as séries de TV e o cinema voltam a saciar sua sede de narrativas nas histórias maravilhosas, o diretor Matteo Garrone, inspirado nos contos infantis de Giambattista Basile, escritos no século XVII, apresenta O Conto dos Contos, um filme que, diferente dos recém lançados, não está interessado na desconstrução ou releitura dos contos e, nem por isso limita as histórias a uma adaptação Disney.

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Em três reinos muito muito distantes de O Conto dos Contos reis e rainha vivem histórias com questões bem contemporâneas como a vaidade, o egoísmo, a arrogância… dentro de muita fantasia. Os três episódios que se passam em três palácios diferentes pouco se propõem ao mal fadado final feliz. Os atos de seus personagens são os estopins para as tramas que se desenvolvem como consequência, atuando como lições ou castigos. As três histórias se entrecortam, sacrificando um pouco o seu ritmo. Mas o respaldo que o gênero narrativo carrega não deixa o espectador na mão. Seu imaginário o mantém na história.

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Há no filme uma atmosfera construída principalmente pela música, uma fotografia que coloca os personagens quase que em páginas de livros ou em sonhos. As atuações denotam a economia nos gestos e sons, como se o filme precisasse ficar mais próximo das ilustrações. Entramos em um mundo de fantasia e esperamos que as fadas façam seus trabalhos e nos entreguem uma solução para que o bem vença o mal. Mas na medida em que o filme se desenrola, ficamos mais confusos sobre quem é ou o que é o bem.

Muita beleza e bizarrice desenhando cenas onde Salma Hayek, Vincent Cassel, Toby Jones, John C. Reilly, Stacy Martin protagonizam momentos onde a fantasia é exigente com seus agraciados. A fertilidade, a juventude e o amor têm seu preço e a magia está mais para uma relação de harmonia entre o homem e a natureza do pra uma varinha de condão.

SESSÕES FESTIVAL DO RIO:
Sábado, 10/10 23:59 Cine Odeon – Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro
Domingo, 11/10 17:30 Cinepolis Lagoon 1
Segunda, 12/10 15:00 Cinepolis Lagoon 1
Quarta, 14/10 16:30 Roxy 1
Quarta, 14/10 21:30 Roxy 1

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FESTIVAL DO RIO 2015 – Jonas

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Vila Madalena é o cenário de uma trama requentada onde os mundos de Jonas (Jesuíta Barbosa) e Branca (Laura Neiva) se misturam. A filha da patroa e o filho da empregada protagonizam um jogo de sedução banal que levará o rapaz a assumir um papel mais contundente na sua história. Há no filme uma atmosfera urbana familiar que não nos permite esperar pelo pior.

Os elementos violência, carnaval e conflito de classes alinhavam uma história sem muitas novidades, funcionando como um anticlímax. O roteiro, que tem como referência a história de Jonas e a Baleia, não se fixa muito nessa simbologia, a não ser como alegoria. Nos dois sentidos. Jonas concentra em si um nublado pesado paulistano e suas tentativas de sorrir pertencem a Branca. No resto do tempo, ele é todo angustia. Suas relações seguem num automatismo seco e distante. Somente com o irmão é possível perceber uma doce rabugice, que o ator Jesuíta empresta generosamente a Jonas.

O carnaval, mesmo como pano de fundo, enriquece visualmente o filme com boas sequencias dos carros alegóricos. Parados, estáticos, numa marginal onírica dando o tom fantástico à história. Assim como a tripulação, no original de “Jonas e a baleia”, lança Jonas ao mar e Deus faz com que uma baleia a engula, no filme, Jonas é lançado à vida e, sem ter aonde ir, se deixa engolir pela baleia, alegoria carnavalesca. Sua vida se torna melhor como comida de peixe.
Jesuíta Barbosa, Criolo, Chay Suede são belas iscas e fazem da trama algo mais do que ela poderia ser sem suas atuações e presenças. O texto cresce com Jesuíta e a presença de Criolo quebra a rotina de um vilão qualquer. Tudo no filme de Lô Politi parece organicamente comum – o cotidiano do tráfico, a morte, o sequestro e a chuva.

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