Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

Julieta

adriana-ugarte-inma-cuesta-michelle-jenner-rossy-de-palma-y-nathalie-poza-transformadas-por-almodovar-en-julieta_reference

Por: Rosangela Dantas
O diretor espanhol Pedro Almodóvar continua apostando nos segredos. Julieta (2016), seu último filme, tem mais uma vez como elemento narrativo impulsionador uma história secreta. Não uma dessas que o autor costuma ter para conduzir sua trama, um pecado ou um descuido imoral de suas personagens. Em Julieta somos convidadas a participar de um discurso em primeira pessoa onde uma mulher, uma mãe segue a cultivar seu bem mais precioso, a culpa pelo sofrimento alheio.

Juntas vamos escrevendo uma carta onde todas as faltas e perdas são culpa nossa. O tempo no filme mexe com cabelos, olhos e perdas. As mudanças não exigem explicações, o desenrolar da história soa preguiçoso, mas a direção quer ser completa no que apresenta quadro a quadro.

No filme, a íntima companhia de Julieta somos nós, a ouvir seus clamores abafados e a esbanjar beleza, com imagens de um mundo arrumado e distante. Como se quisesse conquistar a sutileza, Almodóvar fala baixo sobre uma maternidade padecente em um paraíso insuficiente. Julieta não cessa de parir. O suicídio, o trágico, outra mulher, a morte.

As mulheres que o diretor persegue não pretendem ser felizes, elas se enredam em torno de um pescador apático e macho. A amante, a esposa, a filha e a fiel empregada no exercício de amor são levadas à condição de coadjuvante na existência protagonista daquela típica bela espécime masculina, que se mantém no centro da história, na vida e na morte.

Doer é o que o diretor quer que suas personagens façam. Nem que para isso ele as coloque em um altar, impressas em uma bela fotografia, ao som de uma música interminável. E nada é mínimo no sofrimento de Julieta.

Julieta é um filme sobre mulheres, feito por Almodóvar e eu sou uma mulher, a escrever sobre esse filme, feito por um homem.

Compartilhe:
Comentar

MOSTRA “CINECLUBES LIVRES” CHEGA À ROCINHA

f2217062e9a397a1dca429e7d70bc6ca

A Mostra Cine Clubes Livres é uma realização da Mostra de Filmes Livres (MFL), um evento responsável pela propagação de uma produção audiovisual “sem teto”. Há 15 anos, a MFL exibe no CCBB produções independentes, em qualquer formato, que não tenham recebido recursos públicos e que sejam experiências audiovisuais que, em seu gozo pleno de linguagem cinematográfica, não se restrinjam a uma gramática prescrita pelo mercado. A palavra livre que o título da Mostra carrega não se encerra aí, ela propõe um libertar, não só na condição de imagem e discurso das produções exibidas todo ano desde 2001, quando iniciou suas exibições, como também possibilita o encontro entre o espectador e esse cinema com sessões gratuitas.

outubro-acabou-300x300  Hoje, 15 anos depois, além do objetivo de dar espaço aos filmes, que já alcançaram um nível pra lá de “caseiros”, livres de empecilhos para exibição, sobretudo financeiros, a MFL intensificou as exibições, alcançando um maior número de cineclubes e, além da tradicional mostra anual no Centro Cultural Banco do Brasil, a MFL2016 percorreu o Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Belo Horizonte, durante o primeiro semestre e ainda usa parte deste acervo, contando também com produções inéditas, em exibições nos cineclubes que estejam interessados em receber uma espécie de repescagem itinerante. Com isso, a mostra ganha dinamismo, priorizando e ampliando a plateia para esses filmes que teriam pouca chance de chegar a uma sala ou mostra convencional. Os filmes chegam a um maior número de público, tornando esse evento cada vez mais democrático, livre.

Este ano o número de espaços que receberão as sessões aumentaram, no Rio de Janeiro o cineclube da TV Tagarela na Rocinha abrigará pela primeira vez o CineClube Livre.   As exibições serão no próximo sábado, 16 de julho, com a Sessão Premiados I e dia 13 de agosto, com a Sessão Mundo Livre. O cineclube Tv Tagarela, como de costume, acontecerá ao ar livre neste sábado e no dia 16 será realizado internamente.

As atividades do cineclube da Tv Tagarela tem por objetivo divulgar suas e outras produções audiovisuais, debater a respeito de temas da atualidade, tendo o vídeo/filme como dispositivo. O espaço também ajuda a criar oportunidade de firmar parcerias com produtores e cineclubistas de vários lugares. Como aconteceu recentemente com a exibição do filme Sabotage: Maestro do Canão (2015), documentário de Ivan 13P. Agora surge a oportunidade de receber o Cineclube Livre – um caminho que leva à troca de experiências e uma aproximação interessante entre o audiovisual e o público, neste caso, da Rocinha.

Sete produções farão parte das sessões:

ruby
RUBY – Direção de Jorge Loureiro, Guilherme Soster e Luciano Sherer;

(RUBY) Brasil, Uruguai (RS)2014  cor – digital / 17 min.  Ficção, Documentário

Sinopse: Pequeno retrato de um artista outsider chamado Ruby, que vive sozinho em uma casa perto da praia. Livre

OUTUBRO ACABOU – direção de Karen Akerman  e Miguel Seabra Lopes;

Gênero: Ficção – Duração: 23 min     Ano: 2015     Formato: Digital

País: Brasil     Local de Produção: RJ  Cor: Cor e P&B

Subgênero:Grande Prêmio 2016

Sinopse: Além do indômito desejo de realizar as enormidades que o tentavam, nada mais era sagrado.

CARRUAGEM RAJANTE – direção de Lívia de Paiva e Jorge Polo.

Ficção. HD. 21’ . Cor. RJ. 2016. 12 Anos

Sinopse Enquanto a estrada se transforma, ele também, criando uma brisa que se espalha.

PARQUE SOVIÉTICO – Direção, roteiro e produção: Karen Black

(RJ) – fic – digital – 10’ – 2013.

Sinopse: Amor é guerra fria.

INDIAN WELLS – Direção de Luca Boskovitz e Thomaz Arruda; SP, 17′

Sinopse “Nunca pensei que o tédio pudesse ser a causa de um olhar, ou que o tênis pudesse ser a razão para um filme.”

ESCAPE FROM MY EYES – Direção de Felipe Bragança;

Documentário /  Cor / Color DCP 34 ‘  Brasil / Alemanha – 2015

Sinopse “Eles vêem um homem negro e acho que eles viram um leão.” Documentário e ficção se misturam para transmitir as memórias e sonhos de três refugiados de guerra que vivem em tendas em uma praça no coração de Berlim.

SUGAR FREEZES – Direção de Louise Botkay – 14 anos

 

13227089_1004317992977796_1649018788240485217_n                                          Foto: Arquivo TV Tagarela

Informações:

https://www.facebook.com/tvtagarela/

http://www.barracoadentro.com/15-mostra-do-filme-livre-na-favela-da-rocinha/

 

Compartilhe:
Comentar
?>