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Visões Periféricas Completa 10 anos

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Por: Fabiana Melo Sousa

“O centro do mundo está em todo lugar. O mundo é o que se vê de onde se está”

Milton Santos em “Encontro com Milton Santos: o mundo visto do lado de cá”, de Silvio Tendler.

O que é periferia, sobretudo num mundo pós-globalizado? O incrível geógrafo Milton Santos (1926-2001) já desconfiava deste termo, principalmente, nos processos de globalização. A “união dos povos” através de uma “aldeia global” mostra-se fracassada, ou como Santos já dizia, revelou-se autoritária diante do esfacelamento das culturas e modos de vidas locais em detrimento do capitalismo, transformou-se no Globaritarismo, como afirmava o baiano.

Há tempos sabe-se desse fracasso global e o deslocamento daquilo que antes chamávamos de centro fez com que as periferias ficassem cada vez mais presentes nas imagens do nosso cotidiano. Assim como os chamados sujeitos periféricos, que muitas vezes expressam por si, suas próprias questões, aqueles que em muitos momentos foram afastados do imaginário de um mundo melhor. Sejam eles moradores de favelas, pessoas trans, mulheres negras, deficientes ou, como em muitos casos, um único sujeito que é atravessado por todas estas dimensões. Pessoas que estão descentralizando o mundo em suas imagens.

A contribuição do Festival Visões Periféricas, que há 10 anos exibe filmes de todos os lugares e experiências de periferias brasileiras, é de aproximar estas imagens “periféricas” a um público que cada vez mais está interessado nos lugares e corpos que desestabilizam os centros.

Este ano de aniversário serão homenageados quatro cineastas: Silvio Tendler, Adélia Sampaio, Filó Filho e Sérgio Peo, que “através de seus trabalhos em cinema e vídeo contribuíram para pensar de forma crítica e corajosa o pais e a sociedade brasileira”, segundo a organização do Visões Periféricas.

A mostra acontece entre os dias 5 e 12 de setembro no OI Futuro Ipanema e no Centro Cultural Justiça Federal.

Vale conferir!

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