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Poesia sem Fim


Por Rosangela Dantas

Com a habilidade de fazer um cinema atravessado pela poesia, Alejandro Jodorowsky conta a própria história, lançando mão do que de melhor pode se fazer com os elementos narrativos. Em Poesia sem Fim, o segundo  filme de um total de cinco que Jodorowsky projeta levar às telas para contar sua trajetória no mundo e na arte, tendo como pontapé inicial – A Dança da Realidade (2013), ele nos leva por uma viagem repleta de encontros poéticos e, por meio de alegorias, constrói os episódios que fazem parte de sua trajetória e o constituem como homem e artista.

Há uma liberdade no discurso que o relata, que o delata enquanto sonhador. O diretor de filmes que está mais preocupado em voar do que em andar, aproveita a oportunidade para desconstruir desavenças, mágoas, arrependimentos, assim como, para se reafirmar. Na ficção de si mesmo, Jodorowsky subverte a realidade e inventa cenas que ficaram faltando em sua vida.

Sua versatilidade artística e sua inquietação poética sucumbem ao diálogo com outras artes. Resta ao cinema ser o espaço cênico dessa narrativa, um mero e prosaico acontecimento é carnavalizado e vira um grande espetáculo, como se a vida não pudesse ser expressada de outra maneira.

Ora repleto de cores intensas, ora repleto de belos movimentos, o filme representa o trágico mais cotidiano que a existência pode manifestar. A forma de Alejandro fazer cinema é da beleza débil de um sonhador. Seus personagens, demasiado humanos, percorrem sua história perplexos com tudo que há de onírico naquele existir, onde os acontecimentos se apresentam como citações da própria arte cinematográfica.

Sem deixar de nos contar sua vida, contaminado pela história do Chile e de seus poetas, Jodorowsky ainda nos devolve Fellini, nos devolve as cores repletas de sentidos e nos resgata da melancolia, depois de nos manter nela afogados.

 

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1 Comentário

Comentários:

  • Excelente comentário.Acabei de assisti-lo, nem faz 2 horas… e estou extasiado com tantas belas e poéticas imagens.Filme com arte , belíssimo visual e conteúdo (quase) filosófico. IMPERDÍVEL.

    Marcos Lúcio

    9 de agosto de 2017 às 21:37

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