Publicidade

Jornal do Brasil

Blog do Reinaldo - JBlog - Jornal do Brasil

MOSTRA – Rússia: um quarto de século através do cinema

Enterrem-me atrás do rodapé (2009), filme de Serguey Snezhkin


A Caixa Cultural RJ apresenta, a partir do dia 19/09, a Mostra Rússia um quarto de século através do cinema, com filmes produzidos de 1991 a 2017. Serão 16 produções que trazem um panorama do cinema russo nestes últimos 25 anos. As sessões vão até o dia 01/10, exibindo ficções e documentários de diversos assuntos, que refletem, principalmente, o contexto sociopolítico contemporâneo da Rússia.

Segue a programação completa e um texto sobre um dos filmes,  Leviatã (2014), que será exibido no dia 30/09 às 18h. Este texto foi publicado no JBlog em 2015, a propósito da sua estreia.

Leviatã (2015), de Andrei Zviagintsvev, Rússia, Digital, 141min

Por Fabiana Melo Sousa

Marvin John Heemeyer, um soldador, perde uma disputa de terras e revoltado ataca com uma escavadeira a prefeitura de sua cidade e a casa do prefeito. Ele interrompe sua ação quando a máquina destruidora apresenta problemas técnicos e, ao final, Heemeyer comete suicídio.

Esta história que parece uma ficção aconteceu em 2004 no Colorado (EUA) e serviu de inspiração para o longa “Leviatã”, de Andrey Zvyagintsev, uma produção russa indicada ao Oscar de Melhor Filme estrangeiro de 2015 mas ganhador de outros troféus em festivais como Cannes (Melhor Roteiro).

Em Leviatã, Heemeyer é tomado como argumento pelo diretor Zvyagintsev, que também se inspira em dois clássicos da literatura mundial para apresentar a saga do pescador Kolia (Aleksey Serebryakov), vivendo um inferno ao perder terras para a prefeitura mesmo depois de lutar em todas as instâncias legais e de ver sua vida pessoal devastada por uma série de tragédias.

Sozinho, o pobre homem luta contra o prefeito Vadim Cheeleviat (Roman Madianov) que negocia com uma grande empreiteira a construção de um Centro Comunitário no local e não mede forças para usar o seu poder, aconselhado constantemente por ninguém menos que o Bispo da Cidade. É o indivíduo contra o Estado/Igreja.

A impressionante ossada de uma baleia e os homens são os únicos animais que vemos no filme, mas rapidamente percebemos que a primeira referência é inofensiva diante daqueles que não agem pelo bem comum, mas em benefício próprio – Homo homini lúpus, diria Hobbes.

Não é uma obra que propõe grandes inovações cinematográficas, mas traz uma bela direção e o roteiro não prepara o expectador para algumas surpresas. Por mais que a máxima do filósofo nos pareça coerente, a vida do pescador se torna uma saga bíblica, assim como a de Jó, lançado a todas as provações, nos levando a refletir até que ponto é possível um homem honestamente e passivamente suportar o sofrimento, sem perder as esperanças e a fé. Aliás, homem no sentido literal, pois a representação feminina é subjugada à presença masculina nas esposas servis e prontas para suportar o sofrimento.

O filme merece ser visto por muitas razões, principalmente pela polêmica que ele gerou no país. A vida real não atravessou esta produção apenas no argumento, ela virou febre quando vazou na internet e provocou ira no governo russo.

Lançado no país no início de fevereiro (2015) com uma versão censurada por uma lei do Ministério da Cultura que proíbe palavrões em filmes que recebem recurso público, ele ainda gera conflitos quando alguns representantes do governo e da Igreja Ortodoxa o desaprovaram, acusando-o, dentre outras coisas, de cuspir no poder, arrancando fervorosas declarações, como a de Sergei Markov, membro do Partido Governista Rússia Unida: “No lugar dele (do diretor), tiraria o filme de cartaz, iria à Praça Vermelha, me ajoelharia e pediria perdão”.

Andrey Zvyagintsev afirma em entrevistas que o filme não é um panfleto político contra Putin, pois o roteiro foi escrito há seis anos e traz referências universais, no entanto, seu interesse pela obra como arte não pôde distanciar-se de seu contexto pelo impacto que teve na Rússia. Embora seja um bom filme, talvez a sua verdadeira força esteja em sua apropriação pelo público como bandeira ideológica, principalmente para criticar Putin e cia., reforçados pelas declarações tanto do governo quanto da igreja. Se tudo o que incomoda os poderosos é valioso, “Leviatã” está nesse caminho.

 

Programação:

19 de setembro (terça-feira)

Cinema 1

19h – Algo melhor por vir (2014), de Hanna Polak, Dinamarca, 100min, Full HD, Livre

Cinema 2

17h – Irmão (1996), de Aleksey Balabanov, Rússia, 97 min, Digital, 18 anos

19h15 – Fábrica “Esperança” (2014), de Nadezhda Meshaninova, Rússia, 90 min, Digital,18 anos

20 de setembro (quarta-feira)

Cinema 2

17h – Blues de Grozny (2015), de Nikola Belucci, Suíça, 104 min, Digital, 18 anos(Estreia em território nacional)

19h – Periferia (1998), de Piotr Lutsik, Rússia, 100 min, Digital, 18 anos

21 de setembro (quinta-feira)

Cinema 2

17h – Alexandra (2007), de Aleksandr Sokurov. Rússia, 90 min, Full HD, 18 anos

19h – Enterrem-me atrás do rodapé (2009), de Serguey Snezhkin. Rússia, Upscale, 110 min, 18 anos

22 de setembro (sexta-feira)

Cinema 2

17h – O Aluno (2016), de Kirill Serebriannikov, Rússia, Digital, 18 anos

19h – Sobre homens e aberrações (1998), Aleksey Balabanov, Rússia, 93 min, Digital, 18 anos

Destaque para a retrospectiva da obra de Aleksey German realizada após a queda da União Soviética

23 de setembro (sábado)

Cinema 1

16h – Khrustalev, o carro! (1998), de Aleksey German, Rússia/França, 137 min, DVD, 18 anos

Cinema 2

16h30 – Fábrica “Esperança” (2014), de Nadezhda Meshaninova, Rússia, 90 min, Digital, 18 anos(Estreia em território nacional)

18h30 – Irmão (1996), de Aleksey Balabanov, Rússia, 97 min, Digital, 18 anos

24 de setembro (domingo)

Cinema 1

19h – Algo melhor por vir (2014), de Hanna Polak, Dinamarca, 100min, Full HD, 18 anos(Estreia em território nacional)

Cinema 2

15h30 – Blues de Grozny (2015), de Nikola Belucci, Suíça, 104 min, Digital, 18 anos

17h40 – É difícil ser um deus (2013), de Aleksey German, Rússia, 177 min, Digital, 18 anos

26 de setembro (terça-feira)

Cinema 2

16h – Alexandra (2007), de Aleksandr Sokurov. Rússia, 90 min, Full HD, 18 anos

18h30 – Khrustalev, o carro! (1998), de Aleksey German, Rússia/França, 137 min, DVD, 18 anos

27 de setembro (quarta-feira)

Cinema 1

17h – Palestra Rússia: um quarto de século através do cinema, com Maria Vragova e Luiz Gustavo Carvalho

Cinema 2

15h – O Aluno (2016), de Kirill Serebriannikov, Rússia, Digital, 18 anos

19h – Relações próximas (2016), de Vitaly Mansky, Letônia/Alemanha/Estônia, Ucrânia, Digital, 18 anos

28 de setembro (quinta-feira)

Cinema 1

18h – Palestra Balabanov e o cinema da Rússia pós-soviética, com Anton Dolin

Cinema 2

16h – Sobre homens e aberrações (1998), Aleksey Balabanov. Rússia, 93 min, Digital, 18 anos

19h20 – Irmão (1996), de Aleksey Balabanov, Rússia, 97 min, Digital, 18 anos

29 de setembro (sexta-feira)

Cinema 1

16h – Khrustalev, o carro! (1998), de Aleksey German, Rússia/França, 137 min, DVD, 18 anos

19h – Palestra O cinema de Aleksey German, com Anton Dolin

Cinema 2

17h – Fábrica “Esperança” (2014), de Nadezhda Meshaninova, Rússia, 90 min, Digital, 18 anos

30 de setembro (sábado)

Cinema 1

16h30 – Que tal a vida, camaradas?, de Luis Felipe Labaki, Brasil, 15 min, HD, Livre

17h – Mesa Redonda O cinema na Rússia atual: conformismo ou resistência?, com Anton Dolin e Luis Felipe Labaki

Cinema 2

15h – Sob o sol (2015), de Vitaly Mansky. Rússia/Letônia/Alemanha/Republica Tcheca/Coreia do Norte, 106 min, Digital, 18 anos

18h30 – Leviatã (2015), de Andrei Zviagintsvev, Rússia, Digital, 141 min, 18 anos

1 de outubro (domingo)

Cinema 1

15h – Periferia (1998), de Piotr Lutsik, Rússia, 100 min, Digital, 18 anos

17h – Debate Novas vozes do cinema russo, com Anton Dolin

19h15 – Algo melhor por vir (2014), de Hanna Polak, Dinamarca, 100min, Full HD, Livre

Cinema 2

14h30 – O Aluno (2016), de Kirill Serebriannikov, Rússia, Digital, 18 anos

19h – Sufocamento (2017), de Kantemir Balagov, Digital, 18 anos

 

Compartilhe:
Comentar

Comentar:

?>