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Jornal do Brasil

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Guerra dos sexos

Se antes era necessária a discussão sobre gênero, hoje é temática recorrente e quase obrigatória na sociedade. Nessa perspectiva, o cinema vem sendo um grande aliado na propagação desta questão, colocando em pauta uma reflexão sobre as condições da mulher na sociedade contemporânea. Assim, trazer à baila a história da situação da luta por direitos feministas é um grande mérito do registro cinematográfico. A linguagem audiovisual é uma potente ferramenta discursiva, para o bem ou para o mal.

No filme Guerra dos Sexos, de Jonathan Dayton e Valerie Faris, o assunto nada mais é que o registro da luta das jogadoras de tênis pela equiparação dos valores dos prêmios oferecidos nos torneios, que pagavam quantias inferiores para as atletas femininas.

Guerra dos Sexos aborda uma grande disputa de tênis que aconteceu na década de 70, entre o ex-campeão Bobby Riggs (Steve Carell) e a líder mundial do tênis feminino à época, Billie Jean King (Emma Stone). Um evento que levou a discussão sobre igualdade de gênero a um outro patamar. A grande repercussão da partida, por mais carnavalesca que tenha sido midiaticamente, foi extremamente importante para colocar as tenistas femininas no seu lugar de direito. O filme ainda mostra um Bobby Riggs desesperado para não cair no ostracismo, e a  tenista Billie Jean King em crise com sua sexualidade, alimentando a trama com um pouco de conflito e drama, para além da discussão de gênero e tirando um pouco de dureza do roteiro.

A história é muito bem ambientada. Uma viagem no tempo que nos coloca diante de questões muito atuais, quando hoje, ainda, nos pegamos tendo que enfrentar pensamentos e posturas muito conservadoras. Quando o filme aponta para conquistas que ontem foram arrancadas à duras penas de “porcos chauvinistas”, nos colocando diante de uma confusa conclusão: ainda temos um longo caminho a percorrer e devemos ficar em eterna vigilância.

Um filme leve e colorido mas que guarda em suas entranhas uma ânsia de liberdade de ser e de amar.

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FESTIVAL DO RIO 2017 – Zama de Lucrecia Martel

“Fazer cinema não é aplicar um manual de regras, mas achar as ferramentas, que podem ter diversas naturezas, para encontrar a fenda.”

Lucrécia Martel

Por Rosangela Dantas

Quanto se tem pra dizer sobre a história de alguém? Com o cinema de Lucrécia Martel tudo que há de vida pode ser contado. Zama, um romance de Antonio Di Benedetto (1956), adaptado pela própria Martel, para o cinema, enche a tela de som e sentido.

Quando conhecemos o personagem Don Diego de Zama (Daniel Gimenez Cacho) nas primeiras sequências do filme acreditamos que se trata de um filme sobre aquele homem e tudo à sua volta é pano de fundo para a sua história. Num século XVIII castigado pela degradação humana, onde o negro e o índio servem ao imperio espanhol, um americano espera. Enquanto faz isso, Zama tenta não sucumbir ao fato de ter sido esquecido.

Lucrecia não propõe uma fluidez. A diretora aprisiona a história como se todo o filme fosse a própria clausura de Zama. Apesar da espera de Don Diego, não há esperança naquele lugar. Sentimos que a narrativa não parte de uma linearidade, os acontecimentos surgem e, somente por meio dessa percepção, é que Zama se realiza para o espectador. O ator Daniel Gimenez Cacho nos leva, com seu corpo quase desistente, num perambular que vai e vem, quase sem sentido, se contrapondo à energia de Vicuña Porto (Matheus Nachtergaele) e à sua presença mítica em todos os sentidos.

Sem bandeiras, Martel expõe as feridas de uma colonização. Há um tempo no filme em que tudo parece aguardar algo. Nada se conclui. Há um tédio existêncial sempre à espreita. Fragmentos de um cotidiano inacabado. O círculo não se fecha. Zama espalha sua inércia. E tudo se junta à sua espera.

Para Zama nada mais importa. Como ferrugem, sua expectativa corrói sua vida. Os outros que ali habitam nada dizem a esse Don Diego que aguarda sua partida. Zama não se acha pertencente. Ainda que à míngua, ele se percebe superior àqueles que ali estão. Injusto é que ele próprio ainda esteja ali. Todo o resto está no lugar certo. Somente ele que destoa.

O filme estabelece com o espectador uma relação sensorial, realizando uma característica comum nos filmes de Lucrecia Martel. O som nos coloca em alerta, nos aproximando da cena e nos levando para dentro da história. As mulheres, as relações e a presença dos bichos interagindo com os personagens tornam os quadros de um realismo incômodo. Um silêncio para que se ouça, semelhante a “O pântano” (2001).

Lucrecia conhece as ferramentas e a história só se realiza em seus filmes, quando seu personagem é atravessado pela vida. Então nos damos conta, a história não é só sobre Zama. Ele e os outros esperam.

Onde assistir no festival do Rio

Domingo, 08/10     21:45*   CCLSR – Cine Odeon NET Claro

Segunda, 09/10   19:20*     Reserva Cultural Niterói 2

Quinta, 12/10   21:30   Estação NET Ipanema 2

Sábado, 14/10  19:15   Kinoplex São Luiz 4


* Sessão com convidado(s)

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