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O Verão de 1993

Por Rosangela Dantas

Por meio da perspectiva de uma menina, a diretora Carla Símon nos conduz em um universo de descobertas e autoconhecimento. A história de Frida (Laia Artigas) nos é apresentada como se em suspenso. As perdas que a pequena garota silenciosa e de olhos triste sofreu parecem ter pausado sua existência e, dar continuidade à sua vida, depende de um monte de respostas que Frida não sabe perguntar.

Com um cinema vivo, o filme coloca em quadros o cotidiano de duas crianças. Enquanto uma está preocupada com a beleza da joaninha, a outra tenta se entender na ausência dos pais, mortos. No contato com a natureza e no amor paciente dos tios, Frida tenta sobreviver a essa nova possibilidade de estar no mundo. Sua busca é a nossa busca. A medida que ela caminha, nos damos conta de que suas escolhas e atitudes são fruto de uma ausência, um vazio que para resistir há que endurecer e quase perder a ternura.

O tempo é tratado com toda sutileza, o tempo existencial de Frida é que comanda o ritmo do filme. Cada tentativa, sucesso e frustração vivenciados pela menina nos atingem. Nosso olhar íntimo sobre a personagem, em função do foco, acaba por nos tornar atentos e cuidadosos com a espera do amadurecimento dos sentimentos daquela pequena.

E assim, como o entendimento de Frida diante da vida começa a surgir, o nosso, acerca da história, também vai se manifestando e, de forma afetuosa, nos damos conta de que o filme trata de um processo doloroso e rico. Continuar às vezes é apavorante, pois como se trata de uma criança o monstro é mais feio.

Frida só encontra o caminho de volta quando ri, ri de chorar. Esse turbilhão de sentimentos te joga de volta à roda viva e se expressar é a única saída. Perguntar, tentar entender é se fazer presente de novo. Uma história cheia de beleza e vida num Verão de 1993.

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