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Corpo e Alma (Uma mensagem necessária para 2018!!)

Por Rosangela Dantas

Dentro de um silêncio de gestos o filme de  Ildikó Enedi, ganhador do Urso de Ouro, no 67° Festival de Berlim, nos dá a chance de sair da rotineira previsibilidade cinematográfica que nos vem sendo imposta ultimamente. Corpo e Alma, uma produção húngara, tem como veiculo mensageiro de uma história de amor, um cinema cheio de sentido. Ao escrever com a câmera uma espécie de poesia do encontro a diretora nos devolve a condição de espectador/contemplativo.

Em uma época em que as relações padecem de uma comunicação mais próxima e física por conta dos meios tecnológicos, no que tange as projeções que assolam o mundo virtual e suas redes sociais, o filme aponta para uma dificuldade real onde o corpo e a alma por alguma razão não se conectam, deixando espaço apenas para um dia a dia mecânico, solitário, silencioso… Um mundo contemporâneo que alimenta na gente um estado permanente de inadequação.

Uma narrativa que usa a morte e o sangue de animais como justificativa para tanto afastamento humano. Uma fria condição de estar no mundo, tirando das personagens Mária (Alexandra Borbély) e Endre (Géza Morcsányi) o mais básico da capacidade humana, se comunicar, se relacionar. E é dentro de uma perspectiva “fabulesca” que o fantástico empresta ao razoável as ferramentas para tornar possível a relação entre eles que, descrentes e incapazes, encontram no Amor o caminho de volta para si e para o outro.

Um filme cheio de beleza e reflexão, tanto na sua estética de ser cinema, quanto na sua capacidade de olhar para o mundo. Uma mensagem necessária  para 2018. Feliz Ano Novo!

 

 

 

 

 

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3 Comentários

Comentários:

  • Excelente crítica e excelente filme…inaugural, único e sensibilíssimo, ou seja, para corpos e almas anda não midotizados.

    Marcos Lúcio

    28 de janeiro de 2018 às 13:45

  • Esse filme não ganhou o globo de ouro….Foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro 2018

    Andre Saint Anna

    28 de janeiro de 2018 às 21:55

    • Verdade, Andre! Ganhou o Urso de Ouro em Berlim.
      Desculpe a infeliz troca e grata pelo toque.

      rosangela

      4 de fevereiro de 2018 às 20:30

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