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Arábia

 

Por Rosangela Dantas

Quando um filme nos enche de um vazio e da certeza de que a arte, muitas vezes, “serve” para nos representar e nos reapresentar o que o tempo em nós não dá conta de nos fazer perceber.

Arábia, o filme dirigido  e roteirizado por João Dumans e Affonso Uchoa,  quase todo em off, nos leva para um lugar interno onde a oralidade nos transmite, por meio das narrativas mais diversas, a aventura da vida.

A história em questão relata as desventuras de um pacato cidadão, Cristiano (Aristides Sousa) que, numa crônica da sua vida de trabalhador,  narra o cotidiano de um homem que sucumbe a um automatismo sem graxa, rangendo, mas funcionando enquanto engrenagem de uma máquina obediente.

O filme guarda a beleza do mistério do individuo, dos sonhos e das ilusões numa espécie de entrelinha, sem licença pra estar ali. A voz que nos guia durante a projeção nos autoriza a adivinhar seus anseios, sua fúria parada, sua resistência e insistência num tipo de paradoxo da sobrevivência.

O estar no mundo desse “cidadão” é perambular por uma vida sem privilégios, numa contemplação melancólica do horizonte, que ora é o outro, ora é ele próprio. Um personagem cujo maior ato de heroísmo é nos devolver a humanidade.  

E quase como um eu lírico do labor, Cristiano relata em seu diário, um cotidiano lento e violento, de um trabalhador e de suas possíveis utilidades, até que essa máquina homem pifa.

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