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A Festa

Por Rosangela Dantas

Um filme que retrata uma reunião entre amigos à lá festas de família, já nos deixa à espreita de alguma sessão de exposição de segredo, por algum ressentido que beba demais, confusões ou no mínimo algum embate acalorado por divergência de opinião. Essa formula é muito comum como proposta narrativa no cinema, como bem sabemos.

No entanto, A Festa, de Sally Potter, nos presenteia com o que há de mais comum discursivamente, surpreendendo a todos, sendo iludidamente, alimentados com a malfadada previsibilidade e, nos enredando na trama. Um roteiro que assume  as bandeiras contemporâneas como fio condutor para o que há de mais básico, as paixões humanas.

É por meio da estética, das performances das atrizes e dos atores que o filme acontece, pois já não importa mais o lugar comum do assunto, a estratégia de como contar e abordar é que se realiza, enquanto surpresa e exercício narrativo/cinematográfico.

Potter consegue jogar numa trama, questões como feminismo, política, comportamento, auto ajuda e, o mais top de todos hoje, o cinismo, num filme “econômico”. As mulheres, propositalmente, são donas do verbo e das ações. Ainda assim, o filme não vira um panfleto, não deixa de ser cinema. Muito pelo contrário!

A Festa exige uma pré-disposição do espectador para um riso cruel de si, uma tragicomédia que iguala os tipos mais diversos de seres humanos, colocando alguns deles ali, para além de seus intelectos, dinheiros, carreiras, com suas mesquinharias e, ou, mediocridades.

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