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Benzinho


Por Rosangela Dantas

Alcançar o simples é o segredo dos grandes feitos numa obra de arte, assim como Beethoven consegue na sua 5a. Sinfonia, como já bem mencionou Walter Lima Jr. no filme Janela da Alma (2001).  Benzinho, de Gustavo Pizzo, nos propõe uma pausa para olhar esse cotidiano, que de tão prosaico nos foge aos olhos. A espera de que algo espetacular aconteça nos torna banalizadores da existência.

Ao contar a história de uma família que só está ali vivendo, com todo o nada que ela tenha pra mostrar, Pizzo nos apresenta narrativas de afetos, de mãe, de violência contra a mulher, de relacionamento. Enquanto o que se espera não chega, eu vivo, tu vives, ele vive… O tempo e as pessoas formam, no filme, elos que desenham um caminho de muitos. O tempo de partir, o tempo de sonhar, o tempo de mudar, o tempo de chorar, o tempo de crescer, o tempo de aprender… todo o tempo que conta com o tempo diário, do hoje.

As possibilidades desse filme só se realizam quando esse entendimento de que vivemos tudo junto o tempo todo, estar ali, na vida, com todas as suas dores e delícias, são manifestadas no corpo do elenco e acreditamos no cansaço de Irene (Karine Teles), nas frustrações e nas voltas por cima de Sônia (Adriana Esteves) e no pueril sonhador Klaus (Otévio Muller). O roteiro enxuto, de Teles e Pizzo, quase como uma auto ficção nos resgata de uma pressa e nos alerta de que há vida inteligente no cotidiano, lembrando que, se pararmos, não perderemos o trem.

Benzinho é um filme que, apesar de apostar na simplicidade de seu tema, não se engane, é muito sofisticado em sua realização. Uma produção com grandes possibilidades de alçar vôos, como já vem demonstrando sua trajetória.

 

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