O risco das agências de risco
Chama a atenção, na nova crise econômica que ronda os Estados Unidos e a Europa, a credibilidade que se dá às chamadas agências de risco, empresas privadas de consultoria que se arvoram em classificar países. O rebaixamento da nota dos EUA pela agência Standard & Poor's (S&P) para AA é relativo – o país continua AAA em duas outras agências. A jornalista Eleonora de Lucena, na Folha de S. Paulo (segunda-feira, 8 de agosto de 2011), elabora uma pergunta interessante para o ex-presidente do Banco Central, Gustavo Franco:
Se as agências de risco erraram de forma tão dramática em 2008 (não prevendo o colapso do Lehman; qualificando os bancos da Islândia como AAA) e também agora nos cálculos do rebaixamento dos EUA, por que elas seguem tão importantes? Elas vão ser "rebaixadas" por governos e outras instituições?
“Essa é uma boa pergunta. (...) Normalmente as agências reagem defasadamente ao que todo mundo já sabe, padrão que se repete dessa vez. E erram o tempo inteiro, sim e, em muitos casos, no contexto de conflitos de interesse. O Tesouro Americano contesta os cálculos da S&P. Uma das revelações desta segunda vai ser a importância que os mercados atribuem às agências de risco”.
Franco comenta que não é a situação de 2008, não há bancos a salvar. “Ao menos por ora, nunca se sabe. A natureza do problema é outra: os países se engasgaram com tanta "socialização das perdas" por cima de "socializações de ganhos" e conquistas sociais e excessos de gasto público em geral”.
DECADÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS?
Na contramão da “torcida” de correntes ideológicas antiamericanas, Gustavo Franco responde outra questão:
“Em termos históricos essa recessão seria comparável à recessão de 29 ou à do final do século 19, que resultou no declínio da Grã-Bretanha e na ascensão dos EUA e da Alemanha?
A crise de 1929 é uma fonte inesgotável de lições, e o presidente do FED [banco central americano], que é um historiador que conhece o assunto, tratou muito bem de evitar os erros daquele tempo, especialmente no terreno da política monetária. Acho meio exagerado falar da decadência dos EUA como potência econômica”.
Porém, há quem afirme que a crise desses dias é a prova do fracasso neoliberal. “Não vejo bolha nenhuma, muito menos fracasso neoliberal. É preciso olhar a situação com frieza, sem preconceitos ideológicos: o que estamos vivendo é o esgotamento do crescimento do Estado nas grandes democracias ocidentais, e mais o Japão, onde os níveis de endividamento público ultrapassaram medidas habitualmente aceitas de responsabilidade fiscal.
(...) “A China é um capítulo à parte, pois não tem os problemas fiscais próprios das democracias ocidentais por uma razão simples e óbvia: não é uma democracia. O fato é que a China tem sido a fonte de um discurso meio vigarista sobre o "fracasso do modelo liberal" que na verdade é uma velha cantilena sobre a ineficiência da democracia”.
Outro ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no Valor Econômico, considera que a Europa preocupa mais do que os Estados Unidos. Ele disse que o rebaixamento da nota dos EUA "reforça o clima de medo", mas observou que a economia americana é mais dinâmica e, portanto, lá a crise é mais administrável do que na Europa e no Japão.
Neste cenário de incertezas, os investidores pessoa física do Brasil, escaldados pela crise e assustados com a queda do Ibovespa, que já chega a 23,6% em 2011, já retiraram R$ 4,5 bilhões do mercado acionário neste ano, considerando as aplicações menos os resgates. “O comportamento dos pequenos investidores contrasta com o movimento realizado pelos investidores estrangeiros, que acumulam no ano saldo positivo de R$ 422,3 milhões até dia 3 de agosto”.
TRÁFICO HUMANO
Em pleno século XXI, no Brasil e em outros países, existe o tráfico humano. A CPI Tráfico Humano do Pará tem uma agenda para enfrentar o problema, como mostra texto divulgado pela Assembléia Legislativa do Estado, reproduzido no site JusBrasil. Deputados definem viagem para Caiena, na Guiana Francesa, e agenda de audiências públicas em Bragança, Marabá e Portel.
“Nós queremos agora nesta segunda etapa agregar ainda mais informações ao relatório da CPI, realizar atividades mobilização social, no sentido de esclarecer e alertar a opinião pública sobre o crime de tráfico humano que ocorre no Estado, e ajudar a esclarecer esta prática hedionda contra os direitos humanos no Pará”, avaliou o deputado Carlos Bordalo (PT), relator da Comissão.
Para ele na primeira etapa, do primeiro semestre foi feita a identificação do funcionamento das diferentes redes de aliciamento e de exploração de seres humanos no Pará para os diversos fins. “Agora vamos abordar as redes identificadas, uma delas esta relacionada com a exploração sexual, e neste caso, vamos abordar a rede voltada ao aliciamento e exploração de jovens travestis do Pará para São Paulo e uma outra do tráfico de mulheres para Caiena e Paramaribo”, justificou.
Fonte:
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/2793127/cpi-do-trafico-humano-define-agenda-de-trabalho
PRINCÍPIOS EDITORIAIS
Muito bom o editorial da Época (dia 8 de agosto, data de capa), assinado por Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, sobre “Os princípios editoriais das Organizações Globo”, publicados na revista. Destaco dois parágrafos:
“Com a consolidação da Era Digital, em que o indivíduo isolado tem facilmente acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confusão entre o que é ou não jornalismo, quem é ou não jornalista, como se deve ou não proceder quando se tem em mente produzir informação de qualidade”.
“É possível que, para a maioria, ele (o documento sobre os princípios editoriais) não traga novidades. Se isso acontecer, será algo positivo: um sinal de que a maior parte das pessoas reconhece uma informação de qualidade, mesmo neste mundo em que basta ter um computador conectado à internet para se comunicar”.
A íntegra do documento é encontrada em:
http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/reporterdecrime/posts/2011/08/07/os-principios-editoriais-das-organizacoes-globo-os-blogs-397045.asp
DESPEDIDA
Meu tempo de colaboração como blogueiro do Jornal do Brasil – o que muito me honrou – cessa aqui. É uma decisão pessoal, pois estou impossibilitado por outras obrigações profissionais de manter a regularidade de renovação de artigos que o JB demanda. Só tenho a agradecer ao JB a toda liberdade que me proporcionou aqui. Agradeço também todos os amigos que fiz e que me acompanharam. Sem a mesma visibilidade, e sem a obrigação de atualizações constantes, continuarei com Outras Páginas no meu próprio endereço.
Grato! Abraços. Tudo de bom. Saúde.
Se as agências de risco erraram de forma tão dramática em 2008 (não prevendo o colapso do Lehman; qualificando os bancos da Islândia como AAA) e também agora nos cálculos do rebaixamento dos EUA, por que elas seguem tão importantes? Elas vão ser "rebaixadas" por governos e outras instituições?
“Essa é uma boa pergunta. (...) Normalmente as agências reagem defasadamente ao que todo mundo já sabe, padrão que se repete dessa vez. E erram o tempo inteiro, sim e, em muitos casos, no contexto de conflitos de interesse. O Tesouro Americano contesta os cálculos da S&P. Uma das revelações desta segunda vai ser a importância que os mercados atribuem às agências de risco”.
Franco comenta que não é a situação de 2008, não há bancos a salvar. “Ao menos por ora, nunca se sabe. A natureza do problema é outra: os países se engasgaram com tanta "socialização das perdas" por cima de "socializações de ganhos" e conquistas sociais e excessos de gasto público em geral”.
DECADÊNCIA DOS ESTADOS UNIDOS?
Na contramão da “torcida” de correntes ideológicas antiamericanas, Gustavo Franco responde outra questão:
“Em termos históricos essa recessão seria comparável à recessão de 29 ou à do final do século 19, que resultou no declínio da Grã-Bretanha e na ascensão dos EUA e da Alemanha?
A crise de 1929 é uma fonte inesgotável de lições, e o presidente do FED [banco central americano], que é um historiador que conhece o assunto, tratou muito bem de evitar os erros daquele tempo, especialmente no terreno da política monetária. Acho meio exagerado falar da decadência dos EUA como potência econômica”.
Porém, há quem afirme que a crise desses dias é a prova do fracasso neoliberal. “Não vejo bolha nenhuma, muito menos fracasso neoliberal. É preciso olhar a situação com frieza, sem preconceitos ideológicos: o que estamos vivendo é o esgotamento do crescimento do Estado nas grandes democracias ocidentais, e mais o Japão, onde os níveis de endividamento público ultrapassaram medidas habitualmente aceitas de responsabilidade fiscal.
(...) “A China é um capítulo à parte, pois não tem os problemas fiscais próprios das democracias ocidentais por uma razão simples e óbvia: não é uma democracia. O fato é que a China tem sido a fonte de um discurso meio vigarista sobre o "fracasso do modelo liberal" que na verdade é uma velha cantilena sobre a ineficiência da democracia”.
Outro ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, no Valor Econômico, considera que a Europa preocupa mais do que os Estados Unidos. Ele disse que o rebaixamento da nota dos EUA "reforça o clima de medo", mas observou que a economia americana é mais dinâmica e, portanto, lá a crise é mais administrável do que na Europa e no Japão.
Neste cenário de incertezas, os investidores pessoa física do Brasil, escaldados pela crise e assustados com a queda do Ibovespa, que já chega a 23,6% em 2011, já retiraram R$ 4,5 bilhões do mercado acionário neste ano, considerando as aplicações menos os resgates. “O comportamento dos pequenos investidores contrasta com o movimento realizado pelos investidores estrangeiros, que acumulam no ano saldo positivo de R$ 422,3 milhões até dia 3 de agosto”.
TRÁFICO HUMANO
Em pleno século XXI, no Brasil e em outros países, existe o tráfico humano. A CPI Tráfico Humano do Pará tem uma agenda para enfrentar o problema, como mostra texto divulgado pela Assembléia Legislativa do Estado, reproduzido no site JusBrasil. Deputados definem viagem para Caiena, na Guiana Francesa, e agenda de audiências públicas em Bragança, Marabá e Portel.
“Nós queremos agora nesta segunda etapa agregar ainda mais informações ao relatório da CPI, realizar atividades mobilização social, no sentido de esclarecer e alertar a opinião pública sobre o crime de tráfico humano que ocorre no Estado, e ajudar a esclarecer esta prática hedionda contra os direitos humanos no Pará”, avaliou o deputado Carlos Bordalo (PT), relator da Comissão.
Para ele na primeira etapa, do primeiro semestre foi feita a identificação do funcionamento das diferentes redes de aliciamento e de exploração de seres humanos no Pará para os diversos fins. “Agora vamos abordar as redes identificadas, uma delas esta relacionada com a exploração sexual, e neste caso, vamos abordar a rede voltada ao aliciamento e exploração de jovens travestis do Pará para São Paulo e uma outra do tráfico de mulheres para Caiena e Paramaribo”, justificou.
Fonte:
PRINCÍPIOS EDITORIAIS
Muito bom o editorial da Época (dia 8 de agosto, data de capa), assinado por Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho, sobre “Os princípios editoriais das Organizações Globo”, publicados na revista. Destaco dois parágrafos:
“Com a consolidação da Era Digital, em que o indivíduo isolado tem facilmente acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confusão entre o que é ou não jornalismo, quem é ou não jornalista, como se deve ou não proceder quando se tem em mente produzir informação de qualidade”.
“É possível que, para a maioria, ele (o documento sobre os princípios editoriais) não traga novidades. Se isso acontecer, será algo positivo: um sinal de que a maior parte das pessoas reconhece uma informação de qualidade, mesmo neste mundo em que basta ter um computador conectado à internet para se comunicar”.
A íntegra do documento é encontrada em:
DESPEDIDA
Meu tempo de colaboração como blogueiro do Jornal do Brasil – o que muito me honrou – cessa aqui. É uma decisão pessoal, pois estou impossibilitado por outras obrigações profissionais de manter a regularidade de renovação de artigos que o JB demanda. Só tenho a agradecer ao JB a toda liberdade que me proporcionou aqui. Agradeço também todos os amigos que fiz e que me acompanharam. Sem a mesma visibilidade, e sem a obrigação de atualizações constantes, continuarei com Outras Páginas no meu próprio endereço.
Grato! Abraços. Tudo de bom. Saúde.