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JOSÉ APARECIDO MIGUEL
Começo 2012 satisfeito. Este blog está de volta ao querido Jornal do Brasil. Vou colocar aqui um texto semanal, pelo menos, com temas de destaque na imprensa, na internet, no rádio e na televisão.
“Nem bem entra o verão e os jornais começam a estampar as fotos de enchentes e a contabilizar os mortos. Começa também, o jogo de empurra. Políticos se apressam a culpar as chuvas “sem precedentes”; a oposição responsabiliza os governantes; e técnicos acusam a ocupação do solo”, escreve na Folha de S. Paulo (3 de dezembro) o colunista Hélio Schwartsman.
Mais adiante, depois de lembrar que humanos, somos péssimos avaliadores de riscos, o jornalista comenta que não que precisemos virar pluviófobos, mas seria bom encontrar maneiras mais eficientes de fazer com que leigos, técnicos e políticos tenhamos uma avaliação mais realista e vívida dos perigos hodiernos. “Um exemplo: o risco relativo de a pior enchente do século ocorrer nos próximos 12 meses é baixo (1%). Poucos além das empreiteiras e a turma dos 10% apoiariam fazer um grande investimento para preveni-la. Mas, se indicarmos a probabilidade de a inundação do século ocorrer nos próximos cinco mandatos (20%), a situação já muda de figura. Desprovidos das defesas instintivas, uma boa comunicação do risco, que mobilize emoções sem falsear os dados, é nossa melhor chance”.
A contagem de mortos e desalojados segue. O Jornal do Brasil (dia 4) conta que as chuvas deixam dez mortos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. No Rio, 3.108 moradores das regiões afetadas estão desalojados e 707 desabrigados. O número total de deslizamentos chegou a 367 e de casas destruídas, 84. Ainda no JB (dia 5) vem o alarme sobre dique rompe em Campos: 4 mil pessoas serão retiradas de casa.”Mil famílias foram afetadas. Atualmente, 590 pessoas estão desabrigadas no município”.
O uso político de verbas contra a cheia se repete. O Globo escreve, dia 4, que a presidente Dilma Rousseff fez uma intervenção branca no Ministério da Integração Nacional, chefiado pelo pernambucano Fernando Bezerra (PSB-PE). “Em dezembro, o ministério listou 56 cidades do Sul e do Sudeste como prioritárias para receber verbas, mas Pernambuco e Bahia, estado do ex-ministro Geddel Vieira Lima, foram os que mais receberam: R$ 34 milhões e R$ 32 milhões. Só 30% do previsto no Orçamento para prevenir enchentes foram liberados em 2011″.
Minas Gerais, segundo a Folha (dia 4) já tem 53 cidades em emergência. O jornal Estado de Minas traz o balanço da véspera: 5 mortos desde o começo das chuvas e 9 mil pessoas tiveram de sair de casa. O Estado de S. Paulo recorda que denúncias de uso político do Ministério da Integração também ocorreram na gestão de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Em 2009, a Bahia levou mais de metade da verba contra desastres.
“É PRECISO REZAR”
O Correio Braziliense (dia 5) informa que a chuva afeta 2 milhões de pessoas no Rio e em Minas. Ao mesmo tempo, sabe-se, em O Globo, que Nova Iguaçu, no Rio, um dos 56 municípios prioritários para receber verba de prevenção contra enchentes, só ficou com R$ 2,5 mil em 2011. Mais: técnicos do Crea-RJ concluíram que obras de prevenção não foram feitas em Friburgo antes da temporada das chuvas. “Agora é preciso rezar para não ter enchente”, disse Adacto Ottoni.
O Brasil, quase um continente, vive também o drama da estiagem. No Rio Grande do Sul, conforme a Defesa Civil, passa de 235 mil o número de moradores atingidos pela falta de chuva, que também castiga o oeste catarinense, reporta o jornal Zero Hora. “Estiagem põe 39 cidades gaúchas em emergência”.
INTERNET
O Adnews, veículo de informação eletrônica, traz dia 4 a manchete: Aeroportos brasileiros podem ser obrigados a ter internet de graça. (Em setembro de 2006, eu a usei, de graça, na Alemanha, para acompanhar o desastre do choque entre um avião da Gol (voo 1907) e o jato executivo Embraer Legacy 600, em viagem de entrega entrega a um cliente norte-americano, a empresa de táxi aéreo ExcelAire Services Inc. Estava embarcando para o Brasil no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. Morreram todos os 154 passageiros do Gol. Os ocupantes do Legacy saíram ilesos.)
FRASES
“O repasse dos R$ 70 milhões (para Pernambuco) foi discutido com a Casa Civil, o Ministério do Planejamento e com o conhecimento e participação da presidente da Republica”. Fernando Bezerra Coelho, ministro da Integração Nacional, no Correio Braziliense (dia 5).
“É muita cara de pau. Por isso, Dilma ignorou o ministro e chamou de volta a Brasília a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que está dando uma olhadinha nos programas da Integração e das Cidades para prevenção de enchentes, até porque mais de R$ 500 milhões foram desperdiçados”. Eliane Cantanhêde, no artigo “Intervenção nada branca”, na Folha de S. Paulo (dia 5).
“Como é que se leva o usuário de drogas a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais a situação. Dor e sofrimento é que fazem pedir ajuda”. Luiz Alberto Chaves, coordenador de Políticas sobre Drogas, sobre as medidas para tentar esvaziar a cracolândia, que resiste no centro de São Paulo desde os anos 90. (O Estado de S. Paulo, dia 5)
ESTE TEXTO É DIVULGADO SIMULTANEAMENTE EM
www.outraspaginas.com.br
José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.
E-mail: joseaparecidomiguel@gmail.com
Começo 2012 satisfeito. Este blog está de volta ao querido Jornal do Brasil. Vou colocar aqui um texto semanal, pelo menos, com temas de destaque na imprensa, na internet, no rádio e na televisão.
“Nem bem entra o verão e os jornais começam a estampar as fotos de enchentes e a contabilizar os mortos. Começa também, o jogo de empurra. Políticos se apressam a culpar as chuvas “sem precedentes”; a oposição responsabiliza os governantes; e técnicos acusam a ocupação do solo”, escreve na Folha de S. Paulo (3 de dezembro) o colunista Hélio Schwartsman.
Mais adiante, depois de lembrar que humanos, somos péssimos avaliadores de riscos, o jornalista comenta que não que precisemos virar pluviófobos, mas seria bom encontrar maneiras mais eficientes de fazer com que leigos, técnicos e políticos tenhamos uma avaliação mais realista e vívida dos perigos hodiernos. “Um exemplo: o risco relativo de a pior enchente do século ocorrer nos próximos 12 meses é baixo (1%). Poucos além das empreiteiras e a turma dos 10% apoiariam fazer um grande investimento para preveni-la. Mas, se indicarmos a probabilidade de a inundação do século ocorrer nos próximos cinco mandatos (20%), a situação já muda de figura. Desprovidos das defesas instintivas, uma boa comunicação do risco, que mobilize emoções sem falsear os dados, é nossa melhor chance”.
A contagem de mortos e desalojados segue. O Jornal do Brasil (dia 4) conta que as chuvas deixam dez mortos em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. No Rio, 3.108 moradores das regiões afetadas estão desalojados e 707 desabrigados. O número total de deslizamentos chegou a 367 e de casas destruídas, 84. Ainda no JB (dia 5) vem o alarme sobre dique rompe em Campos: 4 mil pessoas serão retiradas de casa.”Mil famílias foram afetadas. Atualmente, 590 pessoas estão desabrigadas no município”.
O uso político de verbas contra a cheia se repete. O Globo escreve, dia 4, que a presidente Dilma Rousseff fez uma intervenção branca no Ministério da Integração Nacional, chefiado pelo pernambucano Fernando Bezerra (PSB-PE). “Em dezembro, o ministério listou 56 cidades do Sul e do Sudeste como prioritárias para receber verbas, mas Pernambuco e Bahia, estado do ex-ministro Geddel Vieira Lima, foram os que mais receberam: R$ 34 milhões e R$ 32 milhões. Só 30% do previsto no Orçamento para prevenir enchentes foram liberados em 2011″.
Minas Gerais, segundo a Folha (dia 4) já tem 53 cidades em emergência. O jornal Estado de Minas traz o balanço da véspera: 5 mortos desde o começo das chuvas e 9 mil pessoas tiveram de sair de casa. O Estado de S. Paulo recorda que denúncias de uso político do Ministério da Integração também ocorreram na gestão de Geddel Vieira Lima (PMDB-BA). Em 2009, a Bahia levou mais de metade da verba contra desastres.
“É PRECISO REZAR”
O Correio Braziliense (dia 5) informa que a chuva afeta 2 milhões de pessoas no Rio e em Minas. Ao mesmo tempo, sabe-se, em O Globo, que Nova Iguaçu, no Rio, um dos 56 municípios prioritários para receber verba de prevenção contra enchentes, só ficou com R$ 2,5 mil em 2011. Mais: técnicos do Crea-RJ concluíram que obras de prevenção não foram feitas em Friburgo antes da temporada das chuvas. “Agora é preciso rezar para não ter enchente”, disse Adacto Ottoni.
O Brasil, quase um continente, vive também o drama da estiagem. No Rio Grande do Sul, conforme a Defesa Civil, passa de 235 mil o número de moradores atingidos pela falta de chuva, que também castiga o oeste catarinense, reporta o jornal Zero Hora. “Estiagem põe 39 cidades gaúchas em emergência”.
INTERNET
O Adnews, veículo de informação eletrônica, traz dia 4 a manchete: Aeroportos brasileiros podem ser obrigados a ter internet de graça. (Em setembro de 2006, eu a usei, de graça, na Alemanha, para acompanhar o desastre do choque entre um avião da Gol (voo 1907) e o jato executivo Embraer Legacy 600, em viagem de entrega entrega a um cliente norte-americano, a empresa de táxi aéreo ExcelAire Services Inc. Estava embarcando para o Brasil no aeroporto de Frankfurt, na Alemanha. Morreram todos os 154 passageiros do Gol. Os ocupantes do Legacy saíram ilesos.)
FRASES
“O repasse dos R$ 70 milhões (para Pernambuco) foi discutido com a Casa Civil, o Ministério do Planejamento e com o conhecimento e participação da presidente da Republica”. Fernando Bezerra Coelho, ministro da Integração Nacional, no Correio Braziliense (dia 5).
“É muita cara de pau. Por isso, Dilma ignorou o ministro e chamou de volta a Brasília a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, que está dando uma olhadinha nos programas da Integração e das Cidades para prevenção de enchentes, até porque mais de R$ 500 milhões foram desperdiçados”. Eliane Cantanhêde, no artigo “Intervenção nada branca”, na Folha de S. Paulo (dia 5).
“Como é que se leva o usuário de drogas a se tratar? Não é pela razão, é pelo sofrimento. Quem busca ajuda não suporta mais a situação. Dor e sofrimento é que fazem pedir ajuda”. Luiz Alberto Chaves, coordenador de Políticas sobre Drogas, sobre as medidas para tentar esvaziar a cracolândia, que resiste no centro de São Paulo desde os anos 90. (O Estado de S. Paulo, dia 5)
ESTE TEXTO É DIVULGADO SIMULTANEAMENTE EM
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José Aparecido Miguel, sócio da Mais Comunicação, www.maiscom.com, é jornalista, editor e consultor em comunicação.
E-mail: joseaparecidomiguel@gmail.com
Leia o Don. Pense o futuro
Don Tapscott, especialista em estratégia corporativa e autor de livros como "Macrowikinomics - Reiniciando os Negócios e o Mundo", os serviços e as instituições só podem se reinventar com ajuda da colaboração via internet, vem ao Brasil em agosto. Afirma que gostaria de apresentar suas ideias à presidente Dilma Rousseff. Muito bom, especialmente neste país que convive, constantemente, com tentações de censura à informação.
Dia 29, a Folha de S. Paulo publicou entrevista dele para a jornalista Camila Fusco, com a manchete “Internet vai reconstruir instituições falidas”. Canadense, Tapscott considera que tudo o que se aprende na escola, da dinâmica das relações humanas ao compartilhamento de informações - vitais para negócios no mundo todo -, já é insuficiente para as necessidades atuais da sociedade digital. "Assim como a revolução industrial trouxe transformações, a internet é o novo meio que nos permite reconstruir a civilização", diz.
Reproduzo outras duas declarações. Sobre revolução digital: “Uma nova civilização está se formando. A sociedade tem à sua disposição a internet, plataforma mais poderosa da história para reunir as habilidades das pessoas. Essa articulação em torno da rede permite às populações colaborar como nunca para reinventar instituições sob os princípios para o século 21 - colaboração, abertura, compartilhamento, independência e integridade”.
Sobre inteligência conectada: “O agrupamento de inteligência traz um estado de alerta. As redes permitem o aprendizado colaborativo, um novo tipo de consciência coletiva que pode ser aplicada entre as organizações para inovar, criar prosperidade e impulsionar a sociedade. Não vivemos a "era da informação". Vivemos a era da "inteligência conectada", comenta Don Tapscott,
São assuntos para quem quer pensar um futuro melhor para todos nós.
CONTRA A BANALIZAÇÃO
Veja desta semana (3 de agosto, data de capa), no texto “As raízes do mal”, escreve sobre o terrorista norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas, dia 22 de julho. “O louco foi motivado por delírios xenófabos. É a versão mais horrorosa de um problema que existe e precisa ser enfrentado com racionalidade pela Europa”. Outro ponto me chama a atenção, vem de um dos países de maior qualidade do mundo e deveria atrair também autoridades brasileiras. “Entre os 77 mortos, há vítimas de 14 a 62 anos. Os nomes foram divulgados aos poucos, para não banalizar cada vida perdida”.
O BRILHANTE TOSTÃO
Não me canso de ler e aprender com o craque Tostão, jogador ímpar, pessoa ímpar, cabeça brilhante. Selecionei um pensamento dele, publicado neste domingo, 31 de julho, na Folha de S. Paulo. “Tenho mais admiração pelos perdedores, pelos marginalizados e pelos inadaptados ao mundo, que, mesmo assim, continuam dignos, do que pelos vencedores, apaixonados pelo sucesso”.
O CÂNCER
Morreu dia 24 de julho, aos 50 anos, o psiquiatra francês David Servan-Schreiber, famoso pelo best-seller “A cura”, que descobriu um câncer no cérebro aos 31. “Todos temos um câncer dormindo dentro de nós. É nosso estilo de vida que vai ou não determinar seu desenvolvimento – seja nutrindo as células cancerosas, seja alimentando os mecanismos de defesa do organismo que impedem a formação de um tumor”, disse, segundo a Veja.
SAUDADE
O jornalismo e os jornalistas perderam Ariverson Feltrin. Saudade.
Dia 29, a Folha de S. Paulo publicou entrevista dele para a jornalista Camila Fusco, com a manchete “Internet vai reconstruir instituições falidas”. Canadense, Tapscott considera que tudo o que se aprende na escola, da dinâmica das relações humanas ao compartilhamento de informações - vitais para negócios no mundo todo -, já é insuficiente para as necessidades atuais da sociedade digital. "Assim como a revolução industrial trouxe transformações, a internet é o novo meio que nos permite reconstruir a civilização", diz.
Reproduzo outras duas declarações. Sobre revolução digital: “Uma nova civilização está se formando. A sociedade tem à sua disposição a internet, plataforma mais poderosa da história para reunir as habilidades das pessoas. Essa articulação em torno da rede permite às populações colaborar como nunca para reinventar instituições sob os princípios para o século 21 - colaboração, abertura, compartilhamento, independência e integridade”.
Sobre inteligência conectada: “O agrupamento de inteligência traz um estado de alerta. As redes permitem o aprendizado colaborativo, um novo tipo de consciência coletiva que pode ser aplicada entre as organizações para inovar, criar prosperidade e impulsionar a sociedade. Não vivemos a "era da informação". Vivemos a era da "inteligência conectada", comenta Don Tapscott,
São assuntos para quem quer pensar um futuro melhor para todos nós.
CONTRA A BANALIZAÇÃO
Veja desta semana (3 de agosto, data de capa), no texto “As raízes do mal”, escreve sobre o terrorista norueguês Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas, dia 22 de julho. “O louco foi motivado por delírios xenófabos. É a versão mais horrorosa de um problema que existe e precisa ser enfrentado com racionalidade pela Europa”. Outro ponto me chama a atenção, vem de um dos países de maior qualidade do mundo e deveria atrair também autoridades brasileiras. “Entre os 77 mortos, há vítimas de 14 a 62 anos. Os nomes foram divulgados aos poucos, para não banalizar cada vida perdida”.
O BRILHANTE TOSTÃO
Não me canso de ler e aprender com o craque Tostão, jogador ímpar, pessoa ímpar, cabeça brilhante. Selecionei um pensamento dele, publicado neste domingo, 31 de julho, na Folha de S. Paulo. “Tenho mais admiração pelos perdedores, pelos marginalizados e pelos inadaptados ao mundo, que, mesmo assim, continuam dignos, do que pelos vencedores, apaixonados pelo sucesso”.
O CÂNCER
Morreu dia 24 de julho, aos 50 anos, o psiquiatra francês David Servan-Schreiber, famoso pelo best-seller “A cura”, que descobriu um câncer no cérebro aos 31. “Todos temos um câncer dormindo dentro de nós. É nosso estilo de vida que vai ou não determinar seu desenvolvimento – seja nutrindo as células cancerosas, seja alimentando os mecanismos de defesa do organismo que impedem a formação de um tumor”, disse, segundo a Veja.
SAUDADE
O jornalismo e os jornalistas perderam Ariverson Feltrin. Saudade.
“Gutter press”, a imprensa de esgoto
A crise que no domingo (10 de julho de 2011)parou para sempre as máquinas do semanário News of the World (NoW), que vendia 2,8 milhões de exemplares (um para cada 23 habitantes do Reino Unido), infligiu um golpe sem precedentes no conglomerado de mídia e na imagem do magnata australiano Rupert Murdoch – o conservador extremado até aqui apontado como referência de sucesso no setor.
O Estado de S. Paulo escreve no sábado, 16 de julho, em editorial que o escândalo britânico mostra que se deve, de fato, punir os delitos da imprensa de esgoto. “A função da imprensa, dizia um cáustico jornalista americano do século 19, Finley Peter Dunne, é "confortar os aflitos e afligir os confortáveis" - expor as agruras do homem da rua e as trapaças dos poderosos. Décadas a fio, o público britânico tolerou, quando não aplaudiu, que os tablóides londrinos, em feroz competição, recorressem sistematicamente a expedientes sórdidos, quando não ilegais, para expor detalhes escabrosos, ou apenas constrangedores, da vida privada dos "confortáveis": políticos, nababos, aristocratas, ídolos populares. Na Grã-Bretanha essa forma pervertida de levar conforto às multidões anônimas - induzindo-as a desfrutar da desgraça daqueles a quem não podiam se comparar - fez a fortuna dos barões da gutter press, a imprensa de esgoto com suas tiragens milionárias, e tornou os seus editores figuras temíveis e objeto de bajulação”.
“A crise escancarou a covardia do establishment político inglês diante dos pasquins que bajulavam, abalou o governo de coalizão do primeiro-ministro conservador David Cameron, evidenciou práticas de corrupção policial, desencadeou um inquérito parlamentar também inédito sobre os padrões de atuação da imprensa britânica de massa e pode desembocar em mudanças drásticas no código de autorregulamentação do setor nas Ilhas Britânicas”.
Um editor do NoW e um investigador que trabalhava para ele, em 2007, já haviam se envolvido em bisbilhotagem ilegal. Rupert Murdoch assistiu. Agora, “destampada a cloaca”, novas denúncias se atropelam. A BBC, por exemplo, apurou que outro semanário da News Corp. de Murdoch, o Sunday Times, violou o sigilo fiscal do então ministro da Fazenda e depois primeiro-ministro, Gordon Brown. Mais tarde, o principal diário marrom do conglomerado, The Sun, recorreu a meios também torpes para revelar que um filho de Brown, recém-nascido, tinha uma doença genética incurável. O jorro de lama não deve cessar tão cedo”, prevê o Estadão.
A Folha de S. Paulo, dia 15, escreve que um primo de Jean Charles, o mineiro morto a tiras por engano em Londres, em 2005, foi informado pela polícia britânica de que pode ter tido seu telefone grampeado por repórteres do tablóide News of the World. “O FBI investiga se vítimas do 11 de Setembro foram monitoradas”.
Murdoch, arrogante, minimiza a crise. Defendeu vigorosamente a maneira como a sua empresa tem administrado a crise e afirmou que vai estabelecer um comitê independente para "investigar cada acusação de conduta inapropriada". Murdoch disse ao Wall Street Journal que a News Corp. tem lidado com a crise "extremamente bem de todas as maneiras possíveis", cometendo apenas "pequenos erros". Disse que os danos à companhia "não são nada que não se possa recuperar". Pessoas próximas do grupo haviam dito que ele tinha considerado uma separação ou venda de jornais. Murdoch classificou essas afirmações de "puro lixo". "Lixo puro e total (...) Dê a isso a negação mais forte possível que você possa dar", segundo o Valor Econômico. O magnata é dono do Wall Street Journal.
O Brasil, felizmente, está longe desse esgoto.
JORNAIS E INTERNET
Boa entrevista sobre mídia trouxe a Folha de S. Paulo de segunda-feira, 11. “Os veículos tradicionais de imprensa devem passar a preocupar-se mais com a concorrência de sites como o Google e o Facebook do que com seus tradicionais rivais. É assim que pensa o jornalista espanhol Juan Luis Cebrián, 66, fundador do El País e presidente do Grupo Prisa, que, além do jornal, é dono da Santillana, grupo editorial ao qual pertence a brasileira Moderna.
Pergunta: Como ficam os jornais diante dessa nova situação?
Cebrián - Os jornais nasceram no começo do século 19, com a Revolução Industrial e a democracia representativa. Formam parte do establishment e das instituições da democracia moderna. Se alguém leva a Folha ou o Estado de S. Paulo debaixo do braço, está se identificando com algo. Um jornal é uma bandeira, de certa maneira. E na internet não há bandeiras. Jornal é uma concepção do mundo. Da primeira página à última está oferecendo uma visão sobre o que acontece. Está explicando a realidade aos usuários. Na rede não há intermediários. Na internet, é comum que o protagonista de uma notícia seja aquele que a conte. O relato das revoluções do norte da África foi feito por aqueles que as fizeram. O mesmo sistema para convocá-las foi usado para contá-las, por meio do Twitter.
O Estado de S. Paulo escreve no sábado, 16 de julho, em editorial que o escândalo britânico mostra que se deve, de fato, punir os delitos da imprensa de esgoto. “A função da imprensa, dizia um cáustico jornalista americano do século 19, Finley Peter Dunne, é "confortar os aflitos e afligir os confortáveis" - expor as agruras do homem da rua e as trapaças dos poderosos. Décadas a fio, o público britânico tolerou, quando não aplaudiu, que os tablóides londrinos, em feroz competição, recorressem sistematicamente a expedientes sórdidos, quando não ilegais, para expor detalhes escabrosos, ou apenas constrangedores, da vida privada dos "confortáveis": políticos, nababos, aristocratas, ídolos populares. Na Grã-Bretanha essa forma pervertida de levar conforto às multidões anônimas - induzindo-as a desfrutar da desgraça daqueles a quem não podiam se comparar - fez a fortuna dos barões da gutter press, a imprensa de esgoto com suas tiragens milionárias, e tornou os seus editores figuras temíveis e objeto de bajulação”.
“A crise escancarou a covardia do establishment político inglês diante dos pasquins que bajulavam, abalou o governo de coalizão do primeiro-ministro conservador David Cameron, evidenciou práticas de corrupção policial, desencadeou um inquérito parlamentar também inédito sobre os padrões de atuação da imprensa britânica de massa e pode desembocar em mudanças drásticas no código de autorregulamentação do setor nas Ilhas Britânicas”.
Um editor do NoW e um investigador que trabalhava para ele, em 2007, já haviam se envolvido em bisbilhotagem ilegal. Rupert Murdoch assistiu. Agora, “destampada a cloaca”, novas denúncias se atropelam. A BBC, por exemplo, apurou que outro semanário da News Corp. de Murdoch, o Sunday Times, violou o sigilo fiscal do então ministro da Fazenda e depois primeiro-ministro, Gordon Brown. Mais tarde, o principal diário marrom do conglomerado, The Sun, recorreu a meios também torpes para revelar que um filho de Brown, recém-nascido, tinha uma doença genética incurável. O jorro de lama não deve cessar tão cedo”, prevê o Estadão.
A Folha de S. Paulo, dia 15, escreve que um primo de Jean Charles, o mineiro morto a tiras por engano em Londres, em 2005, foi informado pela polícia britânica de que pode ter tido seu telefone grampeado por repórteres do tablóide News of the World. “O FBI investiga se vítimas do 11 de Setembro foram monitoradas”.
Murdoch, arrogante, minimiza a crise. Defendeu vigorosamente a maneira como a sua empresa tem administrado a crise e afirmou que vai estabelecer um comitê independente para "investigar cada acusação de conduta inapropriada". Murdoch disse ao Wall Street Journal que a News Corp. tem lidado com a crise "extremamente bem de todas as maneiras possíveis", cometendo apenas "pequenos erros". Disse que os danos à companhia "não são nada que não se possa recuperar". Pessoas próximas do grupo haviam dito que ele tinha considerado uma separação ou venda de jornais. Murdoch classificou essas afirmações de "puro lixo". "Lixo puro e total (...) Dê a isso a negação mais forte possível que você possa dar", segundo o Valor Econômico. O magnata é dono do Wall Street Journal.
O Brasil, felizmente, está longe desse esgoto.
JORNAIS E INTERNET
Boa entrevista sobre mídia trouxe a Folha de S. Paulo de segunda-feira, 11. “Os veículos tradicionais de imprensa devem passar a preocupar-se mais com a concorrência de sites como o Google e o Facebook do que com seus tradicionais rivais. É assim que pensa o jornalista espanhol Juan Luis Cebrián, 66, fundador do El País e presidente do Grupo Prisa, que, além do jornal, é dono da Santillana, grupo editorial ao qual pertence a brasileira Moderna.
Pergunta: Como ficam os jornais diante dessa nova situação?
Cebrián - Os jornais nasceram no começo do século 19, com a Revolução Industrial e a democracia representativa. Formam parte do establishment e das instituições da democracia moderna. Se alguém leva a Folha ou o Estado de S. Paulo debaixo do braço, está se identificando com algo. Um jornal é uma bandeira, de certa maneira. E na internet não há bandeiras. Jornal é uma concepção do mundo. Da primeira página à última está oferecendo uma visão sobre o que acontece. Está explicando a realidade aos usuários. Na rede não há intermediários. Na internet, é comum que o protagonista de uma notícia seja aquele que a conte. O relato das revoluções do norte da África foi feito por aqueles que as fizeram. O mesmo sistema para convocá-las foi usado para contá-las, por meio do Twitter.
A tecnologia que nos escraviza
Internet e outros recursos eletrônicos, além de muitos benefícios, carregam uma série de riscos, o mais subliminar envolve nossa privacidade. Às vezes por desconhecimento da tecnologia usada – o que qualquer mortal pode observar em pessoas que utilizam caixas eletrônicos de bancos -, outras por má-fé ou crime.
A revista Carta Capital (18 de maio, data de capa) destaca na capa “Escravos da tecnologia”, mostrando que trabalhamos cada vez mais, sem perceber. Pesquisa do site norte-americano Magnify, sobre hábitos de internautas, mostra que 76,7% dos entrevistados disseram que lêem e-mails e os respondem à noite ou no fim de semana, enquanto 57,4% falaram que nunca desligam seus telefones celulares. Mais: para 43,2% dos ouvidos, é normal escrever mensagens de textos ou e-mails em ocasiões sociais e encontros amorosos. Outros 35,2% costumam responder às demandas do trabalho quando estão com os filhos.
O tamanho de tanta “modernidade” é assim sintetizado na revista. “Estudos recentes equiparam os trabalhadores da era tecnológica aos proletários dos séculos XIX e XX”. Entrevistado por Carta Capital, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, quer pesquisar a verdadeira carga horária do trabalhador brasileiro. “O funcionário que recebe da empresa um celular ou um notebook vê o objeto como um sinal de status, e não percebe que tudo isso é trabalho, gera um valor que muitas vezes é repartido. O Estado não tributa, os sindicatos tampouco se dão conta dessa situação, o que favorece a concentração de riqueza e poder na mão das empresas”, comenta Pochmann.
PRIVACIDADE
Ainda no cenário de tecnologia, nos Estados Unidos, o congressista norte-americano Edward J.MArkey pediu explicações à Apple após pesquisadores de segurança descobriram que o iPhone e o iPad, da Apple, mantém detalhes da localização de onde os seu usuários estiveram. A informação é recente, saiu no JB dia 22 de abril.
O democrata disse que a companhia deve esclarecer se realmente rastreia a posição dos dispositivos e se os dados atendem a algum interesse comercial. De acordo com as informações divulgadas pelo jornal inglês The Guardian, o posicionamento seria salvo em um arquivo e copiado para o computador do dono, assim que os aparelhos fossem sincronizados.
Enquanto aguardamos o resultado da investigação, lembro que os usuários do iPhone e do iPad, da Apple, têm o livre arbítrio de ativarem e desativarem tal ferramenta de localização. Basta entrarem na área “Ajustes” (“Ferramentas”) e escolherem o que querem em “Acesso pessoal”. Fica a dúvida e o risco sobre a cópia e o armazenamento de dados da localização do dono do aparelho, que chega a detalhes como as coordenadas de latitude e longitude de onde o telefone esteve.
A revista Carta Capital (18 de maio, data de capa) destaca na capa “Escravos da tecnologia”, mostrando que trabalhamos cada vez mais, sem perceber. Pesquisa do site norte-americano Magnify, sobre hábitos de internautas, mostra que 76,7% dos entrevistados disseram que lêem e-mails e os respondem à noite ou no fim de semana, enquanto 57,4% falaram que nunca desligam seus telefones celulares. Mais: para 43,2% dos ouvidos, é normal escrever mensagens de textos ou e-mails em ocasiões sociais e encontros amorosos. Outros 35,2% costumam responder às demandas do trabalho quando estão com os filhos.
O tamanho de tanta “modernidade” é assim sintetizado na revista. “Estudos recentes equiparam os trabalhadores da era tecnológica aos proletários dos séculos XIX e XX”. Entrevistado por Carta Capital, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, quer pesquisar a verdadeira carga horária do trabalhador brasileiro. “O funcionário que recebe da empresa um celular ou um notebook vê o objeto como um sinal de status, e não percebe que tudo isso é trabalho, gera um valor que muitas vezes é repartido. O Estado não tributa, os sindicatos tampouco se dão conta dessa situação, o que favorece a concentração de riqueza e poder na mão das empresas”, comenta Pochmann.
PRIVACIDADE
Ainda no cenário de tecnologia, nos Estados Unidos, o congressista norte-americano Edward J.MArkey pediu explicações à Apple após pesquisadores de segurança descobriram que o iPhone e o iPad, da Apple, mantém detalhes da localização de onde os seu usuários estiveram. A informação é recente, saiu no JB dia 22 de abril.
O democrata disse que a companhia deve esclarecer se realmente rastreia a posição dos dispositivos e se os dados atendem a algum interesse comercial. De acordo com as informações divulgadas pelo jornal inglês The Guardian, o posicionamento seria salvo em um arquivo e copiado para o computador do dono, assim que os aparelhos fossem sincronizados.
Enquanto aguardamos o resultado da investigação, lembro que os usuários do iPhone e do iPad, da Apple, têm o livre arbítrio de ativarem e desativarem tal ferramenta de localização. Basta entrarem na área “Ajustes” (“Ferramentas”) e escolherem o que querem em “Acesso pessoal”. Fica a dúvida e o risco sobre a cópia e o armazenamento de dados da localização do dono do aparelho, que chega a detalhes como as coordenadas de latitude e longitude de onde o telefone esteve.
Vidas perdidas, maconha e oxi
A abertura de uma manchete do Correio Braziliense (domingo, 17 de abril de 2011) é direta, depois de simbolismo com a citação de nomes femininos. “O Brasil faz de conta que não está vendo um fenômeno que se alastra no país: o assassinato de mulheres”. E de outras vidas perdidas. A percepção é de que a sociedade está anestesiada, à base de “é a vida...", num cenário de mortes. “A média oficial de crimes de gênero (contra a mulher) cresceu 30% na última década, percentual que esconde tragédia muito maior. No Pará, houve um aumento de 256% no mesmo período. Em Alagoas, 104%. Em Almirante Tamandaré (Paraná), existe uma organização criminosa especializada em matar mulheres”.
“Elas perdem a vida baleadas, esfaqueadas ou espancadas por maridos, namorados, irmãos e até pais”, escreve o jornal Estado de Minas, do mesmo grupo de comunicação.
Há quem defina a informação a seguir como “boa notícia”. Homicídios caem 41%, e SP deixa de ser zona epidêmica, escreve a Folha de S. Paulo (dia 16). “A taxa nos últimos 12 meses recuou a 9,9 por 100 mil habitantes – em 1999, chegou a 35,3. A Organização Mundial da Saúde considera tolerável um índice anual de 10 mortes por 100 mil”.
No Brasil, como um todo, a epidemia do crime continua: 25,4 homicídios por 100 mil habitantes. Só em São Paulo, “foram 4.088 casos de homicídios nos últimos 12 meses, 11 por dia”.
MORTES PREVISÍVEIS
A Folha de S. Paulo (dia 17) revela que metade dos acidentes com óbito em vias federais de 2 Estados ocorreu em lugares já listados como perigosos pelo governo. O jornal mapeou os pontos de rodovias federais em Minas Gerais e no Espírito Santo onde 213 pessoas morreram no Carnaval e verificou que, de 144 ocorrências fatais, 70 aconteceram em lugares já apontados pelo governo como perigosos. Em cinco anos e meio, eles registraram ao menos 3.917 acidentes, com 1.441 feridos e 127 mortos. “Mesmo levando em conta a responsabilidade dos motoristas, a existência de locais que concentram acidentes, mortos e feridos pode ser indício de deficiência em sinalização, pavimento ou geometria das pistas”.
O Brasil faz de conta que não sabe, também, que “em 10 anos, mortes de motociclistas sobem 753%”, como reporta O Globo (dia 13). “De 1998 a 2008, o número de mortes em acidentes com motocicletas cresceu 753,8%, informa o Mapa da Violência 2011. O aumento é muito maior que o da frota de motos: 368,8%. Só em 2008, morreram 8.939 motoqueiros, mais do que os motoristas e passageiros de automóveis: 8.120. Na década, foram 369 mil mortes no trânsito”.
ENQUANTO ISSO, AS DROGAS E A PLANTAÇÃO DE MACONHA
O oxi se espalha no país, informa O Globo (dia 17). “Uma nova droga entrou no Brasil pelo Acre e se espalha por vários estados: o oxi, um subproduto da cocaína mais barato e devastador que o crack”. Em Rio Branco, capital do Acre, viciados perambulam pelas ruas. No Norte-Nordeste, há vários registros da droga, que já chegou a São Paulo. No Rio, não há apreensões.
Enquanto isso, a Folha de S. Paulo (dia 17) destaca, na capa, que o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP) defendeu em debate a liberação do plantio de maconha e a criação de cooperativas de usuários. Segundo ele, não há por que vetar a droga se o sanduíche do McDonald´s, "talvez o maior crime", não é proibido.
Paulo Teixeira raciocina na contramão do que prega o governo. A presidente Dilma Rousseff inclui entre suas prioridades o combate "sem tréguas" ao crime organizado e às drogas. Segundo ele, o melhor modelo é o da Espanha: cooperativas de usuários, onde se produz para o consumo dos próprios usuários, sem fins lucrativos. (...) "Cabe ao Estado dizer que faz mal à saúde. Não existe crime de autolesão. Se eu quero, eu posso usar, tenho direitos como usuário. E isso o Estado não pode te negar", disse Teixeira.
No Senado, o líder do PT, Humberto Costa (PE), saiu em defesa de Teixeira, informa o jornal paulista. (dia 18). "A legalização seria uma maneira de combater o tráfico, mas não tem unanimidade. Os desdobramentos precisam ser estudados", disse Costa, que foi ministro da Saúde no governo Lula.
O ATRASO
O triste cenário acima tem reflexo também no atraso tecnológico do Brasil. O início da produção do primeiro chip brasileiro está marcado, finalmente, para 2012, algo que pelos planos originais deveria ter ocorrido em agosto de 2007. O fabricante será o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), como parte de um projeto que completa dez anos desde a doação dos primeiros equipamentos pela Motorola. Nesse período, recebeu investimentos de R$ 500 milhões, escreve o Valor Econômico.
JORNALISMO: LIÇÕES
O depoimento do jornalista Juca Kfouri (ex-Placar, ex-Rede Globo, colunista da Folha de S. Paulo, comentarista na CBN-São Paulo etc.) para Celso Sabadin e Francisco Ucha, do Jornal da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), é imperdível por todos que gostam de jornalismo.
A publicação, de março, tem circulação dirigida, mas espera-se que a entrevista dele apareça no endereço eletrônico da entidade, http://www.abi.org.br/. São 10 páginas em papel.
Juca Kfouri, o repórter que revelou a identidade de Carlos Zéfiro, do chamado catecismo erótico, opina: “Você não quer conversar comigo, não preciso conversar com você. Eu sei te observar, eu sei ouvir o que está em torno, eu não vou pedir pelo amor de Deus para você conversar comigo. Não vou sacrificar minha independência para você me dar uma entrevista por nada. Não preciso. Melhor que dê, mais respeitoso que dê, e vou te respeitar ao te entrevistar, mas não vou te bajular, e não vou te levantar a bola. É assim que deve ser. Infelizmente, na nossa imprensa eletrônica esportiva, raras são as figuras que levam isto deste jeito”.
Partilho, no geral, de um pensamento de Kfouri sobre os rumos da imprensa: “Percebo que cada vez mais há consciência da necessidade da pós-notícia, que não faz mais sentido dizer simplesmente que o Papa morreu. No jornal do dia seguinte eu quero saber para onde vai a Igreja Católica, não que o Papa morreu. O El País já faz isso muito bem. O Diário de S. Paulo está tentando fazer isso, talvez não seja o ideal, por ser um veículo popular, e fica no meio do caminho. Quero ver alguém ter coragem de fazer uma primeira página, por exemplo, se o Corinthians for campeão no domingo, na segunda a manchete não ser “Corinthians campeão”. Quero ver. Eu faria. Eu acho que essa é a trilha que pode rejuvenescer o jornalismo”.
“Elas perdem a vida baleadas, esfaqueadas ou espancadas por maridos, namorados, irmãos e até pais”, escreve o jornal Estado de Minas, do mesmo grupo de comunicação.
Há quem defina a informação a seguir como “boa notícia”. Homicídios caem 41%, e SP deixa de ser zona epidêmica, escreve a Folha de S. Paulo (dia 16). “A taxa nos últimos 12 meses recuou a 9,9 por 100 mil habitantes – em 1999, chegou a 35,3. A Organização Mundial da Saúde considera tolerável um índice anual de 10 mortes por 100 mil”.
No Brasil, como um todo, a epidemia do crime continua: 25,4 homicídios por 100 mil habitantes. Só em São Paulo, “foram 4.088 casos de homicídios nos últimos 12 meses, 11 por dia”.
MORTES PREVISÍVEIS
A Folha de S. Paulo (dia 17) revela que metade dos acidentes com óbito em vias federais de 2 Estados ocorreu em lugares já listados como perigosos pelo governo. O jornal mapeou os pontos de rodovias federais em Minas Gerais e no Espírito Santo onde 213 pessoas morreram no Carnaval e verificou que, de 144 ocorrências fatais, 70 aconteceram em lugares já apontados pelo governo como perigosos. Em cinco anos e meio, eles registraram ao menos 3.917 acidentes, com 1.441 feridos e 127 mortos. “Mesmo levando em conta a responsabilidade dos motoristas, a existência de locais que concentram acidentes, mortos e feridos pode ser indício de deficiência em sinalização, pavimento ou geometria das pistas”.
O Brasil faz de conta que não sabe, também, que “em 10 anos, mortes de motociclistas sobem 753%”, como reporta O Globo (dia 13). “De 1998 a 2008, o número de mortes em acidentes com motocicletas cresceu 753,8%, informa o Mapa da Violência 2011. O aumento é muito maior que o da frota de motos: 368,8%. Só em 2008, morreram 8.939 motoqueiros, mais do que os motoristas e passageiros de automóveis: 8.120. Na década, foram 369 mil mortes no trânsito”.
ENQUANTO ISSO, AS DROGAS E A PLANTAÇÃO DE MACONHA
O oxi se espalha no país, informa O Globo (dia 17). “Uma nova droga entrou no Brasil pelo Acre e se espalha por vários estados: o oxi, um subproduto da cocaína mais barato e devastador que o crack”. Em Rio Branco, capital do Acre, viciados perambulam pelas ruas. No Norte-Nordeste, há vários registros da droga, que já chegou a São Paulo. No Rio, não há apreensões.
Enquanto isso, a Folha de S. Paulo (dia 17) destaca, na capa, que o líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira (SP) defendeu em debate a liberação do plantio de maconha e a criação de cooperativas de usuários. Segundo ele, não há por que vetar a droga se o sanduíche do McDonald´s, "talvez o maior crime", não é proibido.
Paulo Teixeira raciocina na contramão do que prega o governo. A presidente Dilma Rousseff inclui entre suas prioridades o combate "sem tréguas" ao crime organizado e às drogas. Segundo ele, o melhor modelo é o da Espanha: cooperativas de usuários, onde se produz para o consumo dos próprios usuários, sem fins lucrativos. (...) "Cabe ao Estado dizer que faz mal à saúde. Não existe crime de autolesão. Se eu quero, eu posso usar, tenho direitos como usuário. E isso o Estado não pode te negar", disse Teixeira.
No Senado, o líder do PT, Humberto Costa (PE), saiu em defesa de Teixeira, informa o jornal paulista. (dia 18). "A legalização seria uma maneira de combater o tráfico, mas não tem unanimidade. Os desdobramentos precisam ser estudados", disse Costa, que foi ministro da Saúde no governo Lula.
O ATRASO
O triste cenário acima tem reflexo também no atraso tecnológico do Brasil. O início da produção do primeiro chip brasileiro está marcado, finalmente, para 2012, algo que pelos planos originais deveria ter ocorrido em agosto de 2007. O fabricante será o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec), como parte de um projeto que completa dez anos desde a doação dos primeiros equipamentos pela Motorola. Nesse período, recebeu investimentos de R$ 500 milhões, escreve o Valor Econômico.
JORNALISMO: LIÇÕES
O depoimento do jornalista Juca Kfouri (ex-Placar, ex-Rede Globo, colunista da Folha de S. Paulo, comentarista na CBN-São Paulo etc.) para Celso Sabadin e Francisco Ucha, do Jornal da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), é imperdível por todos que gostam de jornalismo.
A publicação, de março, tem circulação dirigida, mas espera-se que a entrevista dele apareça no endereço eletrônico da entidade, http://www.abi.org.br/. São 10 páginas em papel.
Juca Kfouri, o repórter que revelou a identidade de Carlos Zéfiro, do chamado catecismo erótico, opina: “Você não quer conversar comigo, não preciso conversar com você. Eu sei te observar, eu sei ouvir o que está em torno, eu não vou pedir pelo amor de Deus para você conversar comigo. Não vou sacrificar minha independência para você me dar uma entrevista por nada. Não preciso. Melhor que dê, mais respeitoso que dê, e vou te respeitar ao te entrevistar, mas não vou te bajular, e não vou te levantar a bola. É assim que deve ser. Infelizmente, na nossa imprensa eletrônica esportiva, raras são as figuras que levam isto deste jeito”.
Partilho, no geral, de um pensamento de Kfouri sobre os rumos da imprensa: “Percebo que cada vez mais há consciência da necessidade da pós-notícia, que não faz mais sentido dizer simplesmente que o Papa morreu. No jornal do dia seguinte eu quero saber para onde vai a Igreja Católica, não que o Papa morreu. O El País já faz isso muito bem. O Diário de S. Paulo está tentando fazer isso, talvez não seja o ideal, por ser um veículo popular, e fica no meio do caminho. Quero ver alguém ter coragem de fazer uma primeira página, por exemplo, se o Corinthians for campeão no domingo, na segunda a manchete não ser “Corinthians campeão”. Quero ver. Eu faria. Eu acho que essa é a trilha que pode rejuvenescer o jornalismo”.