Publicidade

Jornal do Brasil

Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Pela nossa água de todo dia

 

A disputa em torno da paternidade pelas obras que permitiram a chegada das águas transpostas do Rio São Francisco ao município de Monteiro, na Paraíba, é um dos indicativos da importância do fato para a vida de milhares de brasileiros. Gente que sofre há séculos com a falta d’água e que agora se viu em meio a mais uma tentativa de manipulação política. Afinal, é inegável que a decisão de tirar do papel a transposição, cogitada desde o império, foi do ex-presidente Lula, cumprindo a delegação que lhe foi legitimamente dada pelas urnas. Mas a obra não é dele nem de ninguém é de toda a nação que paga por ela. O resto é empulhação.

É conversa pra boi dormir, como foi a fala do ministro da secretaria geral da presidência, Moreira Franco, que afirmou que em seis meses o atual governo fez o que não foi feito pelo anterior em seis anos. É como dizer que a parteira é a mãe da criança porque a ajudou a sair da barriga. Ridículo.

Mas o tema é a água, cujo Dia Mundial foi comemorado nesta semana, no dia 22, e o fato de que ela é escassa em todo o mundo. Ao mesmo tempo em que é amplamente desperdiçada. É mais do que hora de todos assumirem suas responsabilidades e se conscientizarem sobre como economizar e preservá-la, especialmente os governos e suas agências que devem agir tanto na infraestrutura como no campo da informação.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), que criou Dia Mundial da Água em 1992, cerca de um bilhão de pessoas não têm acesso ao mínimo de 20 litros diários de água a uma distância de um quilômetro, ou seja, estão sem água potável e/ou serviços de saneamento. São direitos previstos entre os 17 ODSs (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).

 

A Unesco, agência da ONU que trata do tema, aposta na utilização das chamadas águas residuais, aquelas usadas nas atividades humanas e depois despejadas no ambiente sem tratamento. O cálculo da agência é que chegue a mais de 80% da água utilizada.

A proposta da entidade é de alteração do modelo de gestão das águas residuais, passando de um que aposta no tratamento e eliminação para outro, que se dedique à “redução, reutilização, reciclagem e recuperação dos recursos”. Além das ações de governo, dá pra começar já, em casa, com medidas simples, como reutilizar a água da máquina de lavar, por exemplo, para lavar o piso. Ou aquela água do pinga pinga do ar condicionado para molhar as plantas; ou criar reservatórios nos condomínios e/ou casas para armazenar a água da chuva. Sem esquecer de eliminar ligações clandestinas, consertar vazamentos, fechar as torneiras, mantê-las fechadas ao escovar os dentes, ao lavar louças e roupas; manter as descargas reguladas, não lavar carro ou calçadas com mangueiras.

Sei que muitos acham injusto arcar com essas preocupações, quando se sabe que na distribuição do consumo de água, o consumo doméstico é responsável por apenas 10%, contra os 70% da agricultura e 20% da indústria. Mas minha pergunta, quando me aparecem com esses argumentos, é a seguinte: você come? se veste? locomove? comunica? Então você também se beneficia com o resultado desses outros consumos. Por isso, o esforço deve ser coletivo e é preciso fiscalizar cada um dos agentes envolvidos e exigir medidas de redução do consumo. Ninguém pode ficar de fora.

Postado por ivanaccioly

0 Comentários | Comentar

Compartilhe:

Tags: , , , ,

Ação busca defender Grande Barreira de Corais

Quando pensamos que estamos no fundo do poço, descobrimos que a situação pode piorar. É o caso das atividades humanas na combalida grande barreira de corais australiana. Afetada pelo fenômeno do branqueamento, que já atinge a 93% de seus corais, em função das consequências do aquecimento global e outras irresponsabilidades, como despejo de dejetos agrícolas, agora é ameaçada pela possibilidade de construção do complexo carvoeiro Galilee Basin em sua proximidade. Uma campanha foi lançada no Avaaz para pressionar autoridades locais que ainda podem barrá-lo.

Foto:http://migre.me/vIY1s

O projeto aprovado pelo governo australiano em dezembro do ano passado prevê a transformação do porto Abbot Point num dos maiores do mundo, com transporte de 120 milhões de toneladas/ano de carvão. Antes o governo já aprovara o projeto de uma super mina (Carmichael) capaz de produzir 60 milhões de toneladas de carvão (grande contribuinte do aquecimento global), que, junto com outras extratoras, será usuária do porto.

Apenas para as obras de ampliação do porto, que já funciona em águas profundas, serão gerados 1,1milhão de metros cúbicos de resíduos de dragagem.

A campanha no Avaaz visa pressionar os membros do conselho do Northern Australia Infrastructure Fund a se posicionarem contra o empréstimo aprovado pelo governo para execução das obras.

Há poucos meses pesquisadores da Universidade James Cook de Townsville, do estado de Queensland, na Austrália, afirmaram que o processo de branqueamento já alcançou 93% dos recifes, mas que ainda pode ser reversível, caso haja o resfriamento das águas na região. A temperatura mais elevada impede a sobrevivência das algas que fornecem cor e nutrientes aos corais.

Se você tem preocupações com o planeta, não está na turma do Trump ou mesmo se está com o grupo dele e pensa apenas em aproveitar o turismo, é a hora de agir.  Afinal, lembre-se, a Grande Barreira é um patrimônio mundial por seus dois mil quilômetros, sua vida marinha multicolorida, seus corais, mergulhos e mergulhos e passeios de barco que ainda proporciona.

 

Postado por ivanaccioly

0 Comentários | Comentar

Compartilhe:

Tags: , , , , ,

Senado deixa em risco licenciamento ambiental para obras públicas

Em surdina, embalada pelo entorpecimento da pauta única do impeachment imposta pelos meios de comunicação em geral, a comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado aprovou mais um projeto nefasto. É a PEC (proposta de emenda à Constituição) que derruba o licenciamento ambiental para obras públicas. Segundo o projeto aprovado, bastará ao empreendedor apresentar um EIA (estudo de impacto ambiental) e pronto. A obra não poderá mais ser embargada ou suspensa. Uma decisão que afronta a atual legislação ambiental para esses casos.

A desculpa para a aprovação desta PEC 65/2012, cujo autor é o senador Acir Gurgacz (PDT-RO) e que teve como relator o famoso senador Blairo Maggi (PR-MT), o rei da soja, é a necessidade de acelerar a implantação de empreendimentos: “tem por objetivo garantir a celeridade e a economia de recursos em obras públicas sujeitas ao licenciamento ambiental, ao impossibilitar a suspensão ou cancelamento de sua execução após a concessão da licença”. Com a medida poderá deixar de ser levado em conta o impacto socioambiental da obra.

É hora de mobilizar entidades, Ministério Público, parlamentares de bom senso (existem alguns) para impedir a aprovação final pelo Congresso de mais este absurdo que pode criar sérios danos ambientais.

Postado por ivanaccioly

0 Comentários | Comentar

Compartilhe:

Hora de mobilização pela população indígena

Ainda nas comemorações do dia do índio, temos a Semana Nacional de Mobilização Indígena, com uma programação entre os dias 25 e 29 de abril. Neste período o Fórum sobre violações de Direitos dos Povos Indígenas realizará aulas públicas com a intenção de denunciar e debater a situação de abandono e ataque aos diretos da população indígena no país. Nesta quarta-feira, 20, um ato inicial acontece na Cinelândia, no Centro do Rio.

Segundo a divulgação do ato, atualmente quase 30 projetos tramitam no Congresso Nacional com o objetivo de anular ou modificar direitos indígenas hoje garantidos pela Constituição de 1988 e pelo direito internacional. Um deles é o da polêmica transferência para o Congresso da responsabilidade de demarcação de terras indígenas. Com a qualidade e composição parlamentar que temos, podemos imaginar o que acontecerá caso essa PEC 215 seja aprovada.

Além dessas ações travestidas de legalidade, temos o cotidiano com diferentes denúncias de violência contra os indígenas. São inúmeros casos de ataques por jagunços, milícias, pelas polícias, com assassinados, espancamentos e prisões. As ocupações ilegais de terras são denunciadas, mas nada acontece. Os indígenas seguem sofrendo com o genocídio iniciado no século XVI. Um exemplo mais em evidência é o dos Guarani-Kaiowá. Alguns fóruns se mobilizam e pedem apoio, entre eles: Mobilização Nacional IndígenaFórum sobre violações de Direitos dos Povos IndígenasFórum de apoiadores dos GK/RJ.

     

     

    Postado por ivanaccioly

    0 Comentários | Comentar

    Compartilhe:

    Semana Cultural Indígena no Rio

    Começa nesta segunda-feira, dia 18, a Semana Cultural Indígena Rio 2016, com uma programação gratuita até domingo, dia 24. Haverá mostra de cinema, feira, palestras, exposição, venda de artesanato indígena, pintura corporal, apresentações culturais de grupos indígenas de diversas etnias como Pataxó, Fulni-ô, Guarani, Kayapó e Puri, entre outros.

    O evento é organizado pela Associação Indígena Aldeia Maracanã – AIAM, a Secretaria de Estado de Cultura do Rio de Janeiro e o Museu da Justiça do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em homenagem ao dia do índio.

    Programação:

    Mostra Pajé filmes de Cinema Indígena

    Local: Museu da Justiça de 18 a 20 de abril (segunda a quarta-feira, das 15 às18horas).

    Celebração do Dia do Índio

    Local: Biblioteca-parque Estadual em 19 de abril, terça-feira, das 10 às 18horas

    Grande Feira Cultural Indígena

    Local: Parque Lage, sábado, 23, e domingo 24 de abril, das 9 às 17horas

    Palestra “O Rio antes do Rio”

    Local: Museu da Justiça e no Parque Lage (com a presença do autor Rafael Freitas da Silva, seguida de debate com o público). Domingo, dia 24 de abril, às 15h30min.

     

     

     

    Postado por ivanaccioly

    0 Comentários | Comentar

    Compartilhe:

    Tags: ,

    #NãoAoFimdaRotulagem

    Senhores eleitores, é hora de pressionar os senadores e não é ainda em função da disputa de poder com a tentativa de encurtamento do mandado conquistado nas urnas pela presidenta Dilma Roussef. Mas sim porque, infelizmente, enquanto acompanhamos o agitado noticiário político, diferentes – e muitos deles sinistros – projetos seguem em andamento no Congresso.

    Um deles é o PL que desobriga a impressão do aviso de identificação de conteúdo transgênico por meio da impressão de um triângulo amarelo com a letra T nas embalagens de produtos alimentícios.

    É preciso estar atento e agir, pois há um ano, em abril de 2015, a bancada ruralista na Câmara, com apoio de boa parte de seus pares (320 votos contra 135), aprovou o projeto de lei 4148/08, do deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), com o fim da exigência.

    Segundo o PL, a exigência do aviso só se aplicará no caso de a presença de elementos transgênicos na composição do alimento for superior a 1%. Ou seja, absurdo total.  Em qualquer percentual abaixo deste fixado ficaremos sem informações corretas sobre o que estamos consumindo. É o país na contra mão da transparência e, inclusive, passando por cima do direito à informação, previsto no artigo sexto do Código de Defesa do Consumidor.

    É hora de pressionar os senadores para impedir que esse projeto seja aprovado. No site do IDEC há uma correspondência padrão na qual basta incluir o nome e o endereço de email para enviá-la aos parlamentares.

    Vale lembrar que o Brasil já é um paraíso dos transgênicos. Segundo dados do Serviço Internacional para Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia (ISAAA) em 2014 a área de plantio de transgênicos no país era menor apenas do que nos EUA. Foram 42,2 milhões de hectares plantados. A taxa de adoção da soja transgênica chegou a 93%, do milho, 82% e do algodão, 66%.

    A aprovação deste PL vai botar ainda num mesmo saco todos os produtores. Aqueles que se preocupam com a melhor qualidade de seus produtos e com a saúde dos homens e animais que os consomem, acabarão juntos (pela omissão) dos que utilizam os transgênicos.

    Se os efeitos negativos dos transgênicos, por si, sobre a saúde animal ainda não são definitivamente conhecidos, os dos agrotóxicos são. Inclusive com a associação direta a diferentes tipos de câncer. E as produções transgênicas são acompanhadas pela elevação do uso de agrotóxicos.

    Vamos cobrar dos senhores senadores. Mandemos mensagens por uma posição negativa à aprovação do projeto. Exijamos o direito de saber o que estamos comprando e consumindo.

    Algumas hastags são sugeridas:‪#‎euquerosaberoqueestoucomprando, ‪#‎nãoaofimdarotulagem, ‪ #‎PLHeinzenão, #porumaalimentacaodeverdade. Para quem deseja mais detalhes, um bom caminho são os vídeos das audiências públicas realizadas no Senado no fim do ano passado. São três partes: 1, 2 e 3. Outra opção é um vídeo com pesquisadores da USP.

     

    Postado por ivanaccioly

    0 Comentários | Comentar

    Compartilhe:

    Tags: , , , ,

    Costa Barros não é Leblon

    Confesso tristeza por ser escrever sobre esse mesmo tema repetidamente, acompanhado de desânimo frente à péssima perspectiva.  É uma escrita sobre fatos que já não deviam acontecer. Desta vez as vítimas foram cinco jovens amigos, Wilton Esteves Domingos Júnior, de 20 anos, Wesley Castro Rodrigues, de 25 anos, Cleiton Corrêa de Souza, de 18, Carlos Eduardo da Silva de Souza, de 16, e Roberto de Souza Penha, de 16. Vítimas da contumaz impunidade, da cumplicidade das autoridades, do descaso de parte da sociedade; da diferente valoração da vida, de acordo com a cor da pele, com o saldo bancário, com a localização geográfica.

    Mais uma vez são jovens negros assassinados pela polícia militar – assim mesmo, com letra minúscula. Foi em Costa Barros, bem longe do Leblon, de Ipanema, Copacabana, Lagoa, Flamengo, Botafogo… Numa região onde a polícia se dá ao direito de fazer tocaia, ficar à espreita, com faróis apagados e pronta para emboscar um carro cheio de pessoas. Pronta para descarregar suas armas, como se a ela tivesse sido dado o poder de tirar a vida de quem desejar.

    A desculpa esfarrapada – para variar – é de que havia informação de um “bonde” de traficantes, blá blá blá. E aí, se fossem traficantes, de onde os assassinos fardados deduziram que teriam ou têm liberdade para matá-los? Quem lhes concedeu o poder de adotar a pena de morte neste país?

    Talvez seus cúmplices, que permanecem sentados em seus gabinetes, prontos para justificar este tipo de ação. Ávidos para dizerem que as medidas cabíveis serão adotadas com rigor. Dizerem que o treinamento oferecido aos policiais será aprimorado, que o fato é chocante e não pode se repetir. Tudo da boca pra fora. Mais uma vez o blá blá blá infindo.

    Mas chama atenção também a pouca ou nenhuma indignação que cinco assassinatos cometidos por pessoas que deveriam defender a vida em sociedade praticam. A carne preta é a mais barata no mercado, canta Elza. É real. Uma morte da classe média na Lagoa causa comoção, justa. Mortes em Paris causam comoção. Cinco mortes em Costa Barros ou duas mil na Nigéria, não. A comoção e a indignação são seletivas. E deixo claro que também me comovo com a Lagoa ou Paris.

    Essas mortes como as de Costa Barros apenas ratificam as estatísticas, afinal, diariamente, 28 crianças e adolescentes são assassinados no Brasil, que ostenta a segunda colocação desse macabro ranking mundial. Atrás apenas da Nigéria. Segundo a Unicef, se mantidas a atuais condições, 42 mil adolescentes devem ser assassinados por aqui até 2019. Portanto, parece que estas chacinas regulares são inevitáveis e compõem uma fatalidade para justificar as previsões. Não necessitam de lamentos. Que o choro se limite às mães, pais e irmãos, quando estes sobreviveram para chegar ao momento da perda.

    Vale lembrar que estes adolescentes assassinados são e serão majoritariamente negros e moradores das periferias. Para cada branco jovem assassinado são mortos quatro negros e em sua maioria do sexo masculino.

    A garantia da impunidade, com certeza, facilita a vida dos assassinos, policiais ou não. As estatísticas apontam que entre 92% e 95% dos homicídios no Brasil não são solucionados. Fato agravado quando cometidos por policiais pelos chamados “autos de resistência”, um flanco aberto à impunidade e fraudes processuais.

    Dessa vez quatro policiais estão presos. Palmas para o delegado que não embarcou na versão desses bandidos, autuados em flagrante por homicídio doloso e fraude processual e um deles apenas por fraude. O cenário imagino como o de uma guerra. Afinal, foram contados mais de 50 disparos contra o carro dos jovens. E, não bastasse os assassinatos e as tentativas de fraudes para incriminar os assassinados, ainda há relatos de ameaças de morte contra a mãe de um dos jovens, que apenas tentava se aproximar do filho agonizante ou já morto.

    A pm do Rio devia se envergonhar do título de ser a que mais mata no país, quando não, porque é também a que mais morre. Outro dia conversava sobre a baixa indignação da população quando do assassinato de um pm por bandidos. O fato é que a pm se perdeu ao longo do tempo. Perdeu o respeito da população e ela própria não se dá ao respeito. Centenas ou milhares de seus soldados, sargentos, tenentes e até alguns coronéis e ex-comandantes estão presos sob as mais diversas acusações. Seja corrupção, associação com outros criminosos ou assassinatos. pms que fornecem armas aos bandidos para que estes combatam a própria pm. É o fundo do poço. Comportamento que reflete no relacionamento com a sociedade, que perdeu também o respeito e hoje flutua entre o medo e desprezo. Confiança? Impossível.

    Não sou especialista em formação profissional de policiais, mas tenho a impressão de que eles são formados para agirem como agem. Nunca com foco na proteção da sociedade civil, formada pelo cidadão comum, mas sim em defesa do patrimônio, do status quo, do capital.

    Os fragmentos de notícias que temos sobre os métodos de treinamento/capacitação desses profissionais não deixam muita margem para imaginar ações cidadãs, práticas não truculentas. São relatos de crueldade e perversidade a que são submetidos e que, supostamente, formariam o caráter profissional. Para mim têm mais jeito de deformação de caráter. Creio que seria fundamental , pelo menos, assegurar que seus resultados não inspirassem ações ilegais e/ou marginais. A tal da formação militar da pm tem que ser alterada desde a seleção para ingresso nas forças até a hora da reforma. É preciso deixar claro que o papel da instituição é o de defesa da cidadania, com respeito à população, aos direitos humanos, à diversidade.

    Embora tenham sido criadas como instrumentos de proteção dos mais poderosos contra os pobres, as polícias não podem continua a ser guiadas por estes objetivos. A cidade é de todos e a cidadania também. Ao assumir o papel de gestora do racismo geográfico, a pm amplia a distância que cada vez a separa mais da população.

    A polícia não tem o direito de classificar cidadãos em primeira, segunda, terceira classe de acordo com seus critérios. A mobilidade de todos deve ser assegurada. Impedir o livre trânsito é crime. Exigir que alguém tenha dinheiro de passagem para ir à praia é uma violência que avilta a dignidade.

    Viva a tecnologia que tem permitido à população registrar boa parte das barbaridades historicamente cometidas e que ficavam encobertas. Salve as redes sociais que dão espaços à indignação e cobrança. Vamos pressionar, cobrar exigir o respeito à vida.

    Fecho com duas letras de músicas que ajudam a sintetizar tudo isso acima:

    Como diz Moacyr Luz:

    Estranhou o que?
    Preto pega surf, pega praia, preto pega jacaré

    Preto vê vitrine, olha o magazine, compra se quiser
    Preto põe sapato, usa pé de pato, pq tem os pés
    come sashimi, bebe champangne e também tem rolex
    Estranhou o que?
    Preto pode ter o mesmo que você
    Estranhou o que?
    Preto pode ter o mesmo que você
    Preto joga chame, come carne, preto roda de Chofer
    Anda de avião, craque de Gamão, troca de talher
    Preto lê exame, férias em Miami, premio molière
    pede uma suíte, roupa de boutique, preto da rolé
    Estranhou o que?
    Preto pode ter o mesmo que você…

    A outra do Caetano:

    Quando você for convidado pra subir no adro

    Da fundação casa de Jorge Amado

    Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos

    Dando porrada na nuca de malandros pretos

    De ladrões mulatos e outros quase brancos

    Tratados como pretos

    Só pra mostrar aos outros quase pretos

    (E são quase todos pretos)

    E aos quase brancos pobres como pretos

    Como é que pretos, pobres e mulatos

    E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados

     

     

    Postado por ivanaccioly

    0 Comentários | Comentar

    Compartilhe:

    Hora de ir pra rua na Marcha pelo clima

    No próximo domingo, dia 29, é hora de ir às ruas participar da Marcha Global pelo Clima-Rio 2015. Aqui no Rio de Janeiro o ponto de encontro será no posto 8, em Ipanema, às 10horas, com caminhada rumo a Copacabana.

    A mobilização ocorre à véspera do início da Conferência do Clima em Paris (COP-21). Os organizadores buscam pressionar lideranças políticas e autoridades para a adoção de metas de compromissos climáticos ousadas e estimular a cooperação entre os países. Pretendem, ainda, fazer com que as questões ambientais entrem nas pautas da sociedade, para que sejam geradas mudanças reais no cotidiano.

    Temas como reflorestamento, energias limpas, desmatamento ilegal zero, cidades com opções de transporte menos poluentes e fim do subsídio às empresas e indústrias exploradoras de combustíveis fósseis estarão em pauta.

    Entre as entidades participantes estão o Centro Brasil no Clima, Defensores da Terra, Greenpeace, Instituto Moleque Mateiro, Ibase e Rede Carioca pelo Clima.

    Estão previstas caminhadas em todos os continentes, no mesmo dia, em cidades como São Paulo, Curitiba, Amsterdam, Copenhagen, Berlim, Londres, Barcelona, Roma, Lisboa, Oslo, Melbourne, Sydney, Johannesburg, Cidade do México, Tóquio, Seul e Nova Deli.

    Segundo os organizadores, haverá a caminhada sob sol ou chuva!

    Vamos lá.

     

    Postado por ivanaccioly

    0 Comentários | Comentar

    Compartilhe:

    Tags:

    A COP 21 e quem paga a conta?

    Para quem acompanha as discussões sobre as mudanças climáticas, está chegando o crucial mês de dezembro, quando será realizada a XXI Conferência das Partes da Convenção do Clima da ONU (COP 21). No centro das negociações está a questão financeira.

    Ou seja: quem paga a conta?

    Os países em desenvolvimento querem recursos dos industrializados para financiamento de ações e transferência de tecnologia. A cifra chega a US$ 100 bilhões. Mas, até agora, só promessas e belas palavras que ainda não se concretizaram. As decisões políticas, as matrizes econômicas, as plantas industriais, nada indica ênfase em atividades que tenham cunho de adaptações ou mitigação dos danos.

    Enquanto é isso, vamos enfrentando as mudanças climáticas e os desastres naturais que se sucedem mundo afora e para os quais não há saída de curto prazo sem investimentos imediatos.

    O derretimento do Ártico, por exemplo, já não é mais uma “invencionice”, como chegou a ser dito. Relatório recente da Agência Espacial Europeia (Missão Cryosat) indica redução de 1.300km3 nas geleiras desde 2013 até a primeira quinzena deste ano. Caiu de 7.800 km3 para 6.500km3. Em medição do ano passado, foram aferidos 6.800km3.

     

    Postado por ivanaccioly

    0 Comentários | Comentar

    Compartilhe:

    Tags: ,

    Publicidade
    Assine o RSS
    Publicidade
    ?>