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Jornal do Brasil

Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Negacionistas no ataque: discurso fácil agrada à midia

Os céticos do clima, ou negacionistas, saíram do armário com a Rio +20 no Brasil. Enquanto milhares de cientistas de todo o mundo debatiam soluções para as questões climáticas, a meia dúzia deles ocupou espaços na grande imprensa, ávida por oferecer alento aos seus espectadores e aos interesses de seus investidores. Do ponto de vista ambiental, um desserviço.

O discurso negacionista atende à necessidade básica de conforto de boa parte da população. Com ele vem a carta branca para não haver mudanças de comportamento e hábitos. A preguiça intelectual e moral encontra seu argumento científico.

O homens, dizem os céticos, não têm influência sobre as mudanças climáticas, que, afirmam, decorrem exclusivamente das forças da natureza em seus ciclos. Portanto, não precisam se preocupar com estes temas.

Os “ecochatos” são um estorvo. São alarmistas que querem impedir o desenvolvimento. Segundo as leis da natureza nada precisa ser feito. Pronto está dada a senha. Quer discurso mais fácil para conquistar a plateia?

Como disse o Alfredo Sirkis num dos debates sobre as mudanças climáticas, há duas ou três décadas era comum médicos se apresentarem em programas de TV e outros veículos de comunicação para negarem os efeitos nocivos do hábito de fumar. Diziam, então, que não havia estudos que os comprovassem.

Os fumantes, mesmo sofrendo com os problemas do vício no próprio corpo, encontravam ali o seu alento. Hoje nem a indústria do fumo, que financiava os médicos, seus estudos e pesquisas, defende a velha posição.

O discurso negacionista é fácil de fazer e confortável de ouvir.

Ruim é sua consequência futura.

 

Postado por ivanaccioly

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O caminho na agenda local

Fica claro que as decisões sobre o planeta não podem ser ditadas pela burocracia mundial. Essa burocracia não tem capacidade de liderar as mudanças necessárias. Os interesses específicos de cada um dos mais de 190 países travam as possibilidades de avanços para decisões concretas.

Os líderes políticos têm que ser impelidos à mudança pela sociedade. A pressão tem que vir daqueles aos quais respondem diretamente. Se depender dos negociadores, viciados em velhas práticas, nada mudará.

Assim como as ruas do Rio foram ocupadas pelas manifestações, é hora de seguir adiante em cada localidade.  Uma nova etapa se inicia, na qual a pauta pode ter por base as diferentes produções da Rio +20 e seus fóruns paralelos. Muito pode ser feito para além das grandes decisões multilaterais. As agendas local e regional são vastas.

A Rio+20 apontou o caminho.

 

Postado por ivanaccioly

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Político exige pressão para se mover

A Rio +20 entra para a história como o maior encontro ambiental realizado e também como um marco no estímulo à reflexão sobre o planeta. Se no campo institucional as decisões acordadas pelos negociadores oficiais foram débeis e incapazes de agradar a quem quer que seja, do ponto de vista social os temas ambientais vieram para o centro das atenções.

Longe da crítica fácil e da desqualificação barata que muitos insistem em fazer, considero um marco ter algumas milhares de pessoas empenhadas no debate, na troca de ideias e experiências.

Quem tentou acompanhar o encontro percebeu a incapacidade de fazê-lo a contento. Ficou  frustrado por não poder estar presente às centenas de discussões com especialistas nos diferentes espaços da cidade.

Fosse no Forte de Copacabana, no Riocentro, no Parque do Flamengo, no Pier Mauá, no Parque dos Atletas, em entidades como a Firjan, no Museu da República, na UFRJ etc, a reflexão, o debate esteve presente. Estudantes, empresários, políticos, ambientalistas, executivos, religiosos, acadêmicos, diplomatas, sindicalistas, agricultores, pecuaristas, jovens, idosos, adultos, todos em debates num esforço coletivo, múltiplo e saudável.

Agora é hora de aproveitar esta mobilização e manter a pressão sobre os governantes para as mudanças entrarem nas agendas políticas e acontecerem.

 

Postado por ivanaccioly

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Uma cúpula por novas atitudes

Estreio este blog com um texto que escrevi para ser publicado antes do início da Rio +20, o que não foi possível por problemas técnicos. No entanto, o mantive, pois considero que era uma boa reflexão sobre o que nos esperava durante o evento. Ficará aqui no histórico, para pensarmos, depois, se estava com a perspectiva correta pro evento que mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo.

Conto, a partir de hoje, com a leitura e participação de todos vocês.

A Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental promete ser um dos mais atraentes dos eventos realizados durante a Rio +20. Longe dos gabinetes oficiais da cúpula governamental formada por chefes de governo e de estado com seus estafes burocráticos, milhares de pessoas (os organizadores falam em 10 mil) se reunirão a partir do dia 15 de junho até 23 no Parque do Flamengo.

Enquanto as autoridades e empresas apostam nos eixos da sustentabilidade e da economia verde, para o futuro do planeta, as entidades optam por vias diversas e creem, por exemplo, que o conceito de economia verde é vilão, pois seria uma farsa empregada pelos mentores do modelo econômico mundial com o intuito de mercantilizar os recursos naturais do planeta. Para a organização da Cúpula será o momento “denunciar as causas da crise socioambiental, apresentar soluçõespráticas e fortalecer movimentos sociais do Brasil e do mundo.” Esses são tidos como os pilares do encontro.

É um debate interessante e necessário. É certo que as soluções que sairão deste encontro não encontrarão, no primeiro momento, condições de aplicação e assimilação pelas nações. Mas sabemos também que mesmo as decisões oficiais, se houver alguma, não têm aplicação assegurada.

O importante da Cúpula dos Povos é o recado consistente que pode ser dado aos governantes de todo o mundo. Por menor que seja o poder de fogo institucional das entidades, o barulho que podem fazer é significativo. Em tempos de redes sociais e mobilizações populares em todo o mundo, a organização de diferentes demandas com a definição de parâmetros e suas sistematizações, pode surtir efeitos concretos e obrigar governos a agirem.

Os organizadores do evento acreditam que surgirão propostas práticas e aplicáveis e partem da premissa de que as soluções para os problemas atuais já existem e são aplicadas por diferentes povos de todo o mundo. Como exemplo a agroecologia, que permite a produção de produtos agrícolas sem ouso de agrotóxicos, não maltrata o solo e gera empregos e renda ao estimular a agricultura familiar. Outra prática é a da economia solidária, que valoriza o capital humano, com base no cooperativismo para a produção de bens e serviços.

Quem passa pelo Parque do Flamengo vê as estruturas sendo montadas para receber gente de todo o mundo, muitos vindos de outros estados e cidades do interior com recursos arrecadados a partir da colaboração individual, a partir de R$10,00. Esses vão se somar aos diferentes grupos que, em conjunto, devem chegar a cerca de 50 mil participantes na cidade. A expectativa é de termos delegações de 183 países, 135 delas lideradas por chefes de Estado ou de governo ou seus vices.

Teremos, portanto, muitas cabeças pensantes com diferentes formações e, com certeza, posições divergentes. A população agradecerá se houver melhorias concretas nas próximas décadas com incorporação de práticas realmente sustentáveis que reflitam na eliminação da miséria acompanhada da preservação da natureza. A política dos quatro “Rs” (reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar) é um excelente caminho.

É hora de buscar opções para temas como universalização do uso da água, compatibilizado com a manutenção dos recursos hídricos; para os êxodos populacionais provocados por guerras e catástrofes naturais; para a redução da cobertura florestal, para o aquecimento do clima etc.  A Rio + 20 é a hora de repensar e adotar novas atitudes.

Não temos o direito de desperdiçar esta oportunidade.

Postado por ivanaccioly

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