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Jornal do Brasil

Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Mulheres e consumo no Brasil

Foi divulgada há alguns dias uma pesquisa intitulada “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável- Mulheres e tendências atuais e futuras de consumo no Brasil”, feita pelo Ministério do Meio do Ambiente.  É um interessante painel sobre como as mulheres analisam e se posicionam no mercado de consumo.

O trabalho foca nas mulheres, pois parte da constatação de que são elas as principais definidoras dos padrões de consumo das famílias. A partir daí foram ouvidas em entrevistas “qualitativas” 67 pessoas com diferentes formações e moradoras de várias partes do país. Seleciono neste post aqui alguns dos pontos que me chamaram a atenção.

Um deles é destacado na pesquisa como “Os riscos de ‘demonizar’ o consumo num país emergente”. Ou seja, uma discussão sobre como equilibrar aspirações e desejos de consumo das parcelas da população que têm elevado suas rendas, com as preocupações da sustentabilidade.  Segundo o trabalho, foi um tema polêmico, pois, para esse consumidor emergente, “o consumo é sinônimo de acesso e surge como caminho incontornável para uma vida mais digna.” Nesse caso, fica difícil dizer para quem é chamado ao baile que na vez dele a festa deve ser restrita.

A tendência foi concordar que, nesse caso, não há como distinguir aquilo que seria básico do que poderia ser considerado supérfluo. Ao mesmo tempo, o trabalho indica a preocupação dos entrevistados de não cair no que seria um “paternalismo” das elites com relação a esses novos consumidores e, dessa forma, deixar a preocupação com o consumismo de lado.  O caminho indicado é de fazer caminhar junto uma nova comunicação ambiental, com ações de educação sobre o consumo sustentável que possam levar a um equilíbrio.

Surge, então, outra questão, que é como fazer funcionar esta ação, que, até agora, é ineficaz, uma vez que a linguagem empregada no discurso ambiental está longe de ser assimilada pela maior parte da população. A proposta da pesquisa é a de uma ampla difusão dos conceitos de consumo sustentável que atinja a todos, incluindo esta “nova classe C”.

O objetivo seria inseri-la “de maneira madura nas bases da nova economia, onde a consciência sobre os excessos dá o tom.” Se a estratégia terá sucesso, dependerá da “escolha pessoal” de cada um. É uma opção que deve ser tentada. Não podemos é ficar inertes frente à elevação consistente e permanente dos níveis de consumo e acreditar que não haverá consequências.

Outro conceito interessante é o da distinção entre “abastecimento e consumo”. A pesquisa indica que houve respostas no sentido de colocar o “abastecimento” num espaço diferenciado, que seria o de suprir “demandas da casa”.  Nesse caso surgiu a preocupação de “dissociar ou relativizar o estigma da mulher consumista”, uma vez que os produtos não seriam para seu uso exclusivo, mas para o da família.

Também a diferenciação entre os chamados “consumo excessivo ou perdulário, em oposição ao consumo necessário”, entrou em pauta. O perdulário estaria no topo da escala, acima do excessivo e “agravado pelo exibicionismo”. Já o necessário é o que é de utilização cotidiana. O excessivo vai além e está “condicionado a alguma necessidade subjetiva.”.

A fala de uma das entrevistadas reproduzida no trabalho revela a dificuldade a ser enfrentada. Ela destaca que antes de se preocuparem com a sustentabilidade do planeta, as pessoas se preocupam com o próprio bem estar.

Ninguém está dizendo que está preocupado com a sustentabilidade da minha alimentação do ponto de vista do planeta, isso não aparece, as pessoas estão preocupadas com a sua sustentabilidade em termos de saúde, isso é muito mais claro, isso é espontâneo, isso você não precisa nem trazer à tona, que eu tenho que diminuir isso, que eu tenho que controlar, eu não posso estar comendo besteira, isso aí é dado, ela espontaneamente coloca. Do ponto de vista do planeta, não, você sugere”. (PA, 62, Antropóloga, RJ).

É uma fala reveladora, que, ao mesmo tempo, destaca o caráter antropocêntrico da humanidade e aponta caminho para como fazer uma melhor comunicação. Talvez seja possível conquistar novos aliados nas ações por um consumo mais consciente mostrando os efeitos nas vidas dos indivíduos, pois enquanto se fala do planeta, que é um ente distante, pouco se avança.

A própria pesquisa, que é ampla e aborda diferentes aspectos, indica a necessidade de “ampliar a perspectiva do discurso da sustentabilidade e do consumo consciente, articulando estes temas com a qualidade de vida, alimentação, saúde, transporte, moradia etc.”

O trabalho apresenta como diferentes grupos podem contribuir para a adoção de novos níveis de consumo, compatíveis com a capacidade do planeta. Estão distribuídos em Empresas/ Indústrias, Varejo, Escolas, Sociedade civil organizada, Mídia, Famílias, cidadãos e Mulheres.

Clique aqui e veja a tabela completa. No site do Ministério do Meio Ambiente é possível baixar a pesquisa completa.

No próximo post falarei um pouco mais da pesquisa, que foi patrocinada pela Unilever, Pespico e Walmart e executada pela Overview.

 

Postado por ivanaccioly

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Energia Eólica, Portugal dá quase de quatro no Brasil

Segundo relatório do Global Wind Energy Council divulgado no inicio do ano, o pequeno Portugal produz 4mil megawatts (MW) de energia elétrica gerada em projetos eólicos, enquanto o Brasil fica com 1,5milMW. Já o conjunto dos países do mundo gera o equivalente a 17 hidrelétricas de Itaipu, na casa de 237,66milMW, dos quais a China, sozinha, responde por 26,3%, com 62,7mil MW. Os esforços contra o aquecimento global agradecem, afinal esta energia não emite gases no ambiente.

No Brasil, em que pese o atraso, a boa notícia vem da Bahia. Por lá o governo do estado anuncia ter inaugurado o maior complexo eólico da América Latina, numa região que abrange os municípios de Caetité, Igaporã e Guanambi.  Segundo a divulgação oficial, a energia gerada é capaz de abastecer uma cidade com aproximadamente dois milhões de habitantes.

É o complexo eólico Alto Sertão, formado por 14 parques eólicos e 184 aerogeradores, que, juntos, vão gerar 300 megawatts (MW). A empresa Renova Energia, responsável pela instalação, promete mais 15 parques para o estado até 2014. Seis deles em 2013.

Além dos parques, o vento atraiu para a Bahia as indústrias de equipamentos. Duas fabricantes de aerogeradores, a espanhola Gamesa e a francesa Alstom, e o governo anuncia a GE, a Torrebras e a Aeris Energy. São fabricantes de nacelles, torres e pás.

Já é hora de investimentos como este ser replicado por todo o país, afinal o Brasil tem um dos melhores potenciais eólicos do mundo. Mesmo, segundo os especialistas, com carência de estudos mais aprofundados sobre o regime de ventos, a aposta é positiva. Afinal, além de substituir com vantagens os combustíveis fósseis, a eólica permite geração de energia em grande quantidade. Vale lembrar ainda que a instalação das torres não inviabiliza a utilização dos terrenos onde são localizadas e podem funcionar como uma fonte de renda extra para os donos das terras, em geral pequenos proprietários rurais.

É hora, portanto, de investir para baixar os custos e permitir a expansão da tecnologia. A China, os EUA, diferentes países da Europa, Canadá e Índia já descobriram as vantagens e lideram com folga o processo de substituição da fonte energética.

 

Postado por ivanaccioly

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Ambiente em cartaz, filmes e exposições

Este post é de dicas de programas que têm atrações ambientais.

O festival Anima Mundi, que chega à vigésima edição a partir de hoje, sexta-feira, 13, e segue até o  dia 22 é uma ótima opção e inclui diferentes filmes que abordam questões ambientais. É necessário vasculhar entre 448 obras, das quais 80 brasileiras.

Alguns exemplos são as animações Destimação, de Ricardo Podestá, que aborda a questão do tráfico de animais e seu conflito com hábito de se manter bichos de estimação. Outro é o filme O Cangaceiro e O Leão, de Arnaldo Galvão, que será exibido na seção Curta Infantil Competitiva e aborda o aquecimento global. Há também o Brichos-A floresta é nossa, de Paulo Munhoz, que terá sua pré-estreia no festival. Conta a história dos animais habitantes da Vila dos Brichos que se juntam para defender sua floresta contra interesses de investidores internacionais.

Há ainda a mostra Futuro Animador, com filmes feitos por crianças e adolescentes de diversos países. O curta-metragem Nôs Terra, de Cabo Verde, fala sobre o equilíbrio da vida ligada à natureza, com depoimentos de crianças da pequena ilha de Santiago.Da Bélgica vem o curta Le Monde Sauvage d’ Hawai. As crianças belgas construíram animais a partir de objetos como telefones, canos, fitas etc e apresentam a diversidade da fauna do Havaí.

Do Brasil participam 22 curtas, entre eles o A Garça Graça, feito pelos alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Tânia Pôncio Leite, de Cariacica no Espírito Santo. Durante um sonho da menina Graça, os animais ganham voz e a contam como a poluição os prejudica.

Outro programa, mas que segue somente até o domingo, dia 15, é a exposição Glob-all mix, no Galpão das Artes do Jardim Botânico, que reúne cartazes de 30 designers gráficos de 26 diferentes países. Além de trabalhos feitos para a Rio +20, são apresentados cartazes feitos para a Rio 92.

Ainda no Jardim Botânico, mas no Museu do Meio Ambiente, está a mostra Meu Meio, até 12 de agosto. É um projeto com peças de videoarte, sobre os temas Florestas, Corpo, Água e Cidades. Participam os artistas Leandro Lima & Gisela Motta, Carlos Nader e Angelo Venosa.  A visitação é gratuita, de terça a domingo, das 9h às 17horas.

 

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Barracas da Lapa queimam gasolina para funcionar

A prefeitura do Rio, depois de assumir o compromisso de reduzir suas emissões de carbono durante a Rio +20, pode começar a agir.  Uma medida simples seria oferecer pontos de energia às dezenas de barraqueiros que se instalam semanalmente na Lapa. Dessa forma, eles poderiam deixar de usar os geradores  à gasolina.  Além do combustível fóssil que queimam a noite inteira, são barulhentos, feios, geram muito calor e simbolizam a improvisação num espaço que já está mais do que permanente.

Vejam a situação desses geradores que fotografei neste fim de semana:

O Rio foi um dos presentes ao C40 (Climate Leadership Group), reunião de representantes das 58 maiores cidades do mundo. A meta individual da cidade é de reduzir em 20% as emissões de CO2 até 2020, em relação ao que foi emitido em 2005, com corte de 2,3 milhões de toneladas. A meta global foi fixada em 248 milhões de toneladas de emissões de GEE.

 

 

Postado por ivanaccioly

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Cidade Patrimônio precisa de cuidados

O Rio ganhou o título inédito de patrimônio mundial como paisagem natural, concedido pela Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Agora o compromisso é justificar a honraria.

A natureza fez a parte dela e os homens deram uma forcinha, com a maquiagem em espaços como o Pão de Açúcar, a Floresta da Tijuca, o Parque do Flamengo e a Praia de Copacabana. Mas há muito para fazer.  As políticas públicas de preservação têm que ser aplicadas com seriedade. O mundo, agora, estará de olho e os exemplos oferecidos pela cidade não são animadores.

As águas cariocas estão em estado sofrível. A Baía de Guanabara, aterrada sem escrúpulos e usada como depósito de lixo e esgoto ao longo dos séculos, continua poluída, apesar dos propalados programas de recuperação anunciados há, pelo menos, três décadas. A Baía de Sepetiba sofre com os resíduos industriais. As lagoas, como a Rodrigo de Freitas e Jacarepaguá e as praias exigem cuidados.

Os rios da cidade são canais de esgoto e estão escondidos abaixo do asfalto. Os 6,3 milhões de habitantes têm um ar carregado com as emissões e o governo ainda licencia indústrias como a CSA, que, segundo o professor Emilio La Rovere, da Coppe-UFRJ será responsável por 75% das emissões da cidade quando estiver com 100% da capacidade de operação. Há muito a ser feito.

Seria uma vergonha imensa perder o título no futuro.

 

Postado por ivanaccioly

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Quanto vale o verde ?

O conceito de “economia verde” gerou muita polêmica, mas permanece tão indefinido, quanto no inicio da Rio +20. No entanto, ao ser colocado no foco das atenções, gerou o debate. As grandes corporações, mesmo sem terem buscado este enfoque, podem ter dado uma contribuição efetiva para impulsionar mudanças e enterrar práticas de produção “cinza”.

O paradigma do verde cada vez mais se impõe e deixa evidente que os interesses econômicos das empresas não podem sobrepujar os do ambiente. Por isso, não basta modificar os métodos produtivos, instalar filtros nas fábricas, trocar a fonte energética ou dar novas destinações aos resíduos, por exemplo. Menos ainda precificar tudo isto e definir ressarcimentos financeiros. É preciso discutir a economia verde sob a perspectiva da mudança de padrões de produção e consumo.

Os carros elétricos são um bom exemplo, assim como os movidos a gás ou biocombustível. Eles são evoluções elogiáveis e necessárias, mas dentro de uma mesma mentalidade produtiva, uma mesma cadeia de mercado. Não resolverão problemas como mobilidade urbana, consumo energético ou utilização de insumos fósseis, embora contribuam significativamente na diminuição da emissão de gases.

Mas continuarão a empregar o petróleo em larga escala em suas peças e acessórios. Demandarão geração de energia elétrica e seguirão impedindo a mobilidade urbana.
Uma ação “verde” real, que todos repetem, mas não evolui, pois teria a capacidade de sair do mais do mesmo é aquela que investe em tecnologia e inovação, que busca novas formas de fazer, que incorpora energias limpas, que pensa no conforto da população e oferece transporte, alimentação, saneamento, educação, que reduz a emissão de carbono, que adota um padrão de sustentabilidade que preserve o planeta.

O verde não pode ser uma maquiagem marqueteira nem um rearranjo das forças econômicas para viabilizarem novas formas de renda com valoração dos bens naturais. Tem que ser um compromisso ético assumido pelas corporações, com todas suas implicações econômicas. Muito além dos discursos e de relatórios de sustentabilidade, que ainda carecem de parâmetros mais rígidos para padronização das avaliações e ganho de credibilidade.

Estamos no início do processo e será necessária muita pressão popular para influir nas grandes decisões. Os movimentos sociais, seja de empresários ou trabalhadores,  têm a responsabilidade de se apropriarem deste momento em que o tema foi posto em pauta para provocarem as mudanças e contribuírem para que o conceito da “economia verde” não seja apenas mais uma forma de perpetuação do atual sistema de produção que já se provou desastroso para o ambiente do planeta. A correlação de forças é desigual, mas a “consciência verde” da população mundial nunca foi tão elevada.

A hora é essa.

 

Postado por ivanaccioly

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