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Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Quanto vale o verde ?

O conceito de “economia verde” gerou muita polêmica, mas permanece tão indefinido, quanto no inicio da Rio +20. No entanto, ao ser colocado no foco das atenções, gerou o debate. As grandes corporações, mesmo sem terem buscado este enfoque, podem ter dado uma contribuição efetiva para impulsionar mudanças e enterrar práticas de produção “cinza”.

O paradigma do verde cada vez mais se impõe e deixa evidente que os interesses econômicos das empresas não podem sobrepujar os do ambiente. Por isso, não basta modificar os métodos produtivos, instalar filtros nas fábricas, trocar a fonte energética ou dar novas destinações aos resíduos, por exemplo. Menos ainda precificar tudo isto e definir ressarcimentos financeiros. É preciso discutir a economia verde sob a perspectiva da mudança de padrões de produção e consumo.

Os carros elétricos são um bom exemplo, assim como os movidos a gás ou biocombustível. Eles são evoluções elogiáveis e necessárias, mas dentro de uma mesma mentalidade produtiva, uma mesma cadeia de mercado. Não resolverão problemas como mobilidade urbana, consumo energético ou utilização de insumos fósseis, embora contribuam significativamente na diminuição da emissão de gases.

Mas continuarão a empregar o petróleo em larga escala em suas peças e acessórios. Demandarão geração de energia elétrica e seguirão impedindo a mobilidade urbana.
Uma ação “verde” real, que todos repetem, mas não evolui, pois teria a capacidade de sair do mais do mesmo é aquela que investe em tecnologia e inovação, que busca novas formas de fazer, que incorpora energias limpas, que pensa no conforto da população e oferece transporte, alimentação, saneamento, educação, que reduz a emissão de carbono, que adota um padrão de sustentabilidade que preserve o planeta.

O verde não pode ser uma maquiagem marqueteira nem um rearranjo das forças econômicas para viabilizarem novas formas de renda com valoração dos bens naturais. Tem que ser um compromisso ético assumido pelas corporações, com todas suas implicações econômicas. Muito além dos discursos e de relatórios de sustentabilidade, que ainda carecem de parâmetros mais rígidos para padronização das avaliações e ganho de credibilidade.

Estamos no início do processo e será necessária muita pressão popular para influir nas grandes decisões. Os movimentos sociais, seja de empresários ou trabalhadores,  têm a responsabilidade de se apropriarem deste momento em que o tema foi posto em pauta para provocarem as mudanças e contribuírem para que o conceito da “economia verde” não seja apenas mais uma forma de perpetuação do atual sistema de produção que já se provou desastroso para o ambiente do planeta. A correlação de forças é desigual, mas a “consciência verde” da população mundial nunca foi tão elevada.

A hora é essa.

 

Postado por ivanaccioly

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