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Jornal do Brasil

Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Cético muda de posição, mas governantes continuam inertes

A recente conversão do físico norte-americano Richard Muller na questão da mudança climática teve repercussão mundial. Até então considerado uma referência no grupo dos céticos, anunciou, baseado em resultados de estudos que conduziu com sua equipe, a admissão de que o aquecimento global está em andamento e com participação decisiva dos homens no processo.

A nova posição foi explicitada num artigo publicado no New York Times, com o título “A conversão de um cético das mudanças climáticas”. Muller é fundador do projeto Temperatura da superfície da terra, desenvolvido na Universidade de Berkeley e financiado pela fundação de caridade Charles G Koch, ligada à indústria do carvão e que, certamente, não esperava essa conclusão.

Mais do que comemorar a conversão e regozijar pela adesão de alguém que estava do outro lado às suas ideias, é hora dos estudiosos não céticos destrincharem os resultados apresentados por Muller. Ele afirma que a temperatura média da superfície sólida da Terra (os mares ficam de fora) subiu 1,50 C em 250 anos. Desse total, 0,90C apenas nos últimos 50 anos. A tendência, segundo concluiu, é a temperatura da terra continuar em elevação e com a China em posição relevante. Para o cientista, se o país mantiver a média de 10% de crescimento ao ano por mais 20 anos, com consumo intenso de carvão, o aquecimento de mais 1,50C ocorrerá em menos de 20 anos.

Cresce o desafio aos cientistas para conseguirem ser ouvidos pelos governantes, de forma que as políticas públicas considerem como concretas as ameaças do aquecimento global à população. É hora de colocarem na conta das mudanças climáticas parte dos chamados desastres naturais. A intensificação de enchentes, secas, chuvas intensas ou elevação do nível do mar, por exemplo. Não dá para culpar a “mãe natureza” ou, como já aconselharam alguns governantes, rezar. É preciso prevenir e trabalhar para reverter o quadro

 

Postado por ivanaccioly

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Negacionistas no ataque: discurso fácil agrada à midia

Os céticos do clima, ou negacionistas, saíram do armário com a Rio +20 no Brasil. Enquanto milhares de cientistas de todo o mundo debatiam soluções para as questões climáticas, a meia dúzia deles ocupou espaços na grande imprensa, ávida por oferecer alento aos seus espectadores e aos interesses de seus investidores. Do ponto de vista ambiental, um desserviço.

O discurso negacionista atende à necessidade básica de conforto de boa parte da população. Com ele vem a carta branca para não haver mudanças de comportamento e hábitos. A preguiça intelectual e moral encontra seu argumento científico.

O homens, dizem os céticos, não têm influência sobre as mudanças climáticas, que, afirmam, decorrem exclusivamente das forças da natureza em seus ciclos. Portanto, não precisam se preocupar com estes temas.

Os “ecochatos” são um estorvo. São alarmistas que querem impedir o desenvolvimento. Segundo as leis da natureza nada precisa ser feito. Pronto está dada a senha. Quer discurso mais fácil para conquistar a plateia?

Como disse o Alfredo Sirkis num dos debates sobre as mudanças climáticas, há duas ou três décadas era comum médicos se apresentarem em programas de TV e outros veículos de comunicação para negarem os efeitos nocivos do hábito de fumar. Diziam, então, que não havia estudos que os comprovassem.

Os fumantes, mesmo sofrendo com os problemas do vício no próprio corpo, encontravam ali o seu alento. Hoje nem a indústria do fumo, que financiava os médicos, seus estudos e pesquisas, defende a velha posição.

O discurso negacionista é fácil de fazer e confortável de ouvir.

Ruim é sua consequência futura.

 

Postado por ivanaccioly

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