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Jornal do Brasil

Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

É mais fácil alterar padrão de consumo na alimentação

Ainda sobre a pesquisa ”O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável – Mulheres e tendências atuais e futuras do consumo no Brasil”, outros pontos me chamaram a atenção. Um deles é o que indica o chamado “foco na alimentação”. Ou seja, “a crença de que a área em que a mulher está pronta para mudar seu padrão de consumo é a da alimentação.” Nesse mesmo grupo de atenção é indicado que as mulheres são sensíveis ao que “envolve o ciclo vital da família, o cuidado com a casa e com as roupas.” Além destes, áreas como “a educação e qualquer questão associada ao futuro dos filhos e da família.”

É interessante confrontar esta atenção ao aspecto familiar com outro ponto, no qual os entrevistados apontam que o padrão de aquisição de bens e os hábitos de consumo da sociedade se modificaram com a entrada das mulheres no mercado de trabalho e a diminuição do tempo para as atividades domésticas. Significa que, apesar do menor tempo para as “tarefas do lar”, elas se desdobram e mantêm o zelo pela manutenção do espaço familiar como prioridade. Por isso precisam fazer escolhas sustentáveis para substituir o tempo que tinham antes.

Essa é uma tarefa complicada, principalmente, como aponta o trabalho, pela dificuldade de acesso à informação de qualidade. Uma das questões é como, em meio à profusão de informações, concluir qual a correta e conseguir decidir quais produtos ou serviços são realmente sustentáveis.

Uma sugestão que surgiu foi a da criação de um selo de sustentabilidade nos moldes do Procel, utilizado no consumo de energia. Seria uma forma de dar credibilidade e padronizar os diferentes selos que hoje estão no mercado e que, segundo o trabalho, deixam o consumidor “mais perdido do que seguro”.

A pesquisa também aponta que o governo não usa o “poder de fogo” que teria na hora de comprar produtos e serviços. Esta seria, segundo os entrevistados, uma forma de mobilizar e disseminar práticas mais sustentáveis, baseadas mais pelo exemplo e menos pelo discurso.

Outro ponto interessante indica uma percepção geral sobre os produtos sustentáveis como equivalentes a artigos de luxo e direcionados à elite econômica. Já sobre os jovens, a avaliação conclui que não estão empenhados “em direção a correções de percurso”.

Clique aqui e veja a tabela completa. No site do Ministério do Meio Ambiente é possível baixar a pesquisa completa.

 

 

 

Postado por ivanaccioly

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Mulheres e consumo no Brasil

Foi divulgada há alguns dias uma pesquisa intitulada “O que o brasileiro pensa do meio ambiente e do consumo sustentável- Mulheres e tendências atuais e futuras de consumo no Brasil”, feita pelo Ministério do Meio do Ambiente.  É um interessante painel sobre como as mulheres analisam e se posicionam no mercado de consumo.

O trabalho foca nas mulheres, pois parte da constatação de que são elas as principais definidoras dos padrões de consumo das famílias. A partir daí foram ouvidas em entrevistas “qualitativas” 67 pessoas com diferentes formações e moradoras de várias partes do país. Seleciono neste post aqui alguns dos pontos que me chamaram a atenção.

Um deles é destacado na pesquisa como “Os riscos de ‘demonizar’ o consumo num país emergente”. Ou seja, uma discussão sobre como equilibrar aspirações e desejos de consumo das parcelas da população que têm elevado suas rendas, com as preocupações da sustentabilidade.  Segundo o trabalho, foi um tema polêmico, pois, para esse consumidor emergente, “o consumo é sinônimo de acesso e surge como caminho incontornável para uma vida mais digna.” Nesse caso, fica difícil dizer para quem é chamado ao baile que na vez dele a festa deve ser restrita.

A tendência foi concordar que, nesse caso, não há como distinguir aquilo que seria básico do que poderia ser considerado supérfluo. Ao mesmo tempo, o trabalho indica a preocupação dos entrevistados de não cair no que seria um “paternalismo” das elites com relação a esses novos consumidores e, dessa forma, deixar a preocupação com o consumismo de lado.  O caminho indicado é de fazer caminhar junto uma nova comunicação ambiental, com ações de educação sobre o consumo sustentável que possam levar a um equilíbrio.

Surge, então, outra questão, que é como fazer funcionar esta ação, que, até agora, é ineficaz, uma vez que a linguagem empregada no discurso ambiental está longe de ser assimilada pela maior parte da população. A proposta da pesquisa é a de uma ampla difusão dos conceitos de consumo sustentável que atinja a todos, incluindo esta “nova classe C”.

O objetivo seria inseri-la “de maneira madura nas bases da nova economia, onde a consciência sobre os excessos dá o tom.” Se a estratégia terá sucesso, dependerá da “escolha pessoal” de cada um. É uma opção que deve ser tentada. Não podemos é ficar inertes frente à elevação consistente e permanente dos níveis de consumo e acreditar que não haverá consequências.

Outro conceito interessante é o da distinção entre “abastecimento e consumo”. A pesquisa indica que houve respostas no sentido de colocar o “abastecimento” num espaço diferenciado, que seria o de suprir “demandas da casa”.  Nesse caso surgiu a preocupação de “dissociar ou relativizar o estigma da mulher consumista”, uma vez que os produtos não seriam para seu uso exclusivo, mas para o da família.

Também a diferenciação entre os chamados “consumo excessivo ou perdulário, em oposição ao consumo necessário”, entrou em pauta. O perdulário estaria no topo da escala, acima do excessivo e “agravado pelo exibicionismo”. Já o necessário é o que é de utilização cotidiana. O excessivo vai além e está “condicionado a alguma necessidade subjetiva.”.

A fala de uma das entrevistadas reproduzida no trabalho revela a dificuldade a ser enfrentada. Ela destaca que antes de se preocuparem com a sustentabilidade do planeta, as pessoas se preocupam com o próprio bem estar.

Ninguém está dizendo que está preocupado com a sustentabilidade da minha alimentação do ponto de vista do planeta, isso não aparece, as pessoas estão preocupadas com a sua sustentabilidade em termos de saúde, isso é muito mais claro, isso é espontâneo, isso você não precisa nem trazer à tona, que eu tenho que diminuir isso, que eu tenho que controlar, eu não posso estar comendo besteira, isso aí é dado, ela espontaneamente coloca. Do ponto de vista do planeta, não, você sugere”. (PA, 62, Antropóloga, RJ).

É uma fala reveladora, que, ao mesmo tempo, destaca o caráter antropocêntrico da humanidade e aponta caminho para como fazer uma melhor comunicação. Talvez seja possível conquistar novos aliados nas ações por um consumo mais consciente mostrando os efeitos nas vidas dos indivíduos, pois enquanto se fala do planeta, que é um ente distante, pouco se avança.

A própria pesquisa, que é ampla e aborda diferentes aspectos, indica a necessidade de “ampliar a perspectiva do discurso da sustentabilidade e do consumo consciente, articulando estes temas com a qualidade de vida, alimentação, saúde, transporte, moradia etc.”

O trabalho apresenta como diferentes grupos podem contribuir para a adoção de novos níveis de consumo, compatíveis com a capacidade do planeta. Estão distribuídos em Empresas/ Indústrias, Varejo, Escolas, Sociedade civil organizada, Mídia, Famílias, cidadãos e Mulheres.

Clique aqui e veja a tabela completa. No site do Ministério do Meio Ambiente é possível baixar a pesquisa completa.

No próximo post falarei um pouco mais da pesquisa, que foi patrocinada pela Unilever, Pespico e Walmart e executada pela Overview.

 

Postado por ivanaccioly

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