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Jornal do Brasil

Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Barracas da Lapa queimam gasolina para funcionar

A prefeitura do Rio, depois de assumir o compromisso de reduzir suas emissões de carbono durante a Rio +20, pode começar a agir.  Uma medida simples seria oferecer pontos de energia às dezenas de barraqueiros que se instalam semanalmente na Lapa. Dessa forma, eles poderiam deixar de usar os geradores  à gasolina.  Além do combustível fóssil que queimam a noite inteira, são barulhentos, feios, geram muito calor e simbolizam a improvisação num espaço que já está mais do que permanente.

Vejam a situação desses geradores que fotografei neste fim de semana:

O Rio foi um dos presentes ao C40 (Climate Leadership Group), reunião de representantes das 58 maiores cidades do mundo. A meta individual da cidade é de reduzir em 20% as emissões de CO2 até 2020, em relação ao que foi emitido em 2005, com corte de 2,3 milhões de toneladas. A meta global foi fixada em 248 milhões de toneladas de emissões de GEE.

 

 

Postado por ivanaccioly

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Quanto vale o verde ?

O conceito de “economia verde” gerou muita polêmica, mas permanece tão indefinido, quanto no inicio da Rio +20. No entanto, ao ser colocado no foco das atenções, gerou o debate. As grandes corporações, mesmo sem terem buscado este enfoque, podem ter dado uma contribuição efetiva para impulsionar mudanças e enterrar práticas de produção “cinza”.

O paradigma do verde cada vez mais se impõe e deixa evidente que os interesses econômicos das empresas não podem sobrepujar os do ambiente. Por isso, não basta modificar os métodos produtivos, instalar filtros nas fábricas, trocar a fonte energética ou dar novas destinações aos resíduos, por exemplo. Menos ainda precificar tudo isto e definir ressarcimentos financeiros. É preciso discutir a economia verde sob a perspectiva da mudança de padrões de produção e consumo.

Os carros elétricos são um bom exemplo, assim como os movidos a gás ou biocombustível. Eles são evoluções elogiáveis e necessárias, mas dentro de uma mesma mentalidade produtiva, uma mesma cadeia de mercado. Não resolverão problemas como mobilidade urbana, consumo energético ou utilização de insumos fósseis, embora contribuam significativamente na diminuição da emissão de gases.

Mas continuarão a empregar o petróleo em larga escala em suas peças e acessórios. Demandarão geração de energia elétrica e seguirão impedindo a mobilidade urbana.
Uma ação “verde” real, que todos repetem, mas não evolui, pois teria a capacidade de sair do mais do mesmo é aquela que investe em tecnologia e inovação, que busca novas formas de fazer, que incorpora energias limpas, que pensa no conforto da população e oferece transporte, alimentação, saneamento, educação, que reduz a emissão de carbono, que adota um padrão de sustentabilidade que preserve o planeta.

O verde não pode ser uma maquiagem marqueteira nem um rearranjo das forças econômicas para viabilizarem novas formas de renda com valoração dos bens naturais. Tem que ser um compromisso ético assumido pelas corporações, com todas suas implicações econômicas. Muito além dos discursos e de relatórios de sustentabilidade, que ainda carecem de parâmetros mais rígidos para padronização das avaliações e ganho de credibilidade.

Estamos no início do processo e será necessária muita pressão popular para influir nas grandes decisões. Os movimentos sociais, seja de empresários ou trabalhadores,  têm a responsabilidade de se apropriarem deste momento em que o tema foi posto em pauta para provocarem as mudanças e contribuírem para que o conceito da “economia verde” não seja apenas mais uma forma de perpetuação do atual sistema de produção que já se provou desastroso para o ambiente do planeta. A correlação de forças é desigual, mas a “consciência verde” da população mundial nunca foi tão elevada.

A hora é essa.

 

Postado por ivanaccioly

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Negacionistas no ataque: discurso fácil agrada à midia

Os céticos do clima, ou negacionistas, saíram do armário com a Rio +20 no Brasil. Enquanto milhares de cientistas de todo o mundo debatiam soluções para as questões climáticas, a meia dúzia deles ocupou espaços na grande imprensa, ávida por oferecer alento aos seus espectadores e aos interesses de seus investidores. Do ponto de vista ambiental, um desserviço.

O discurso negacionista atende à necessidade básica de conforto de boa parte da população. Com ele vem a carta branca para não haver mudanças de comportamento e hábitos. A preguiça intelectual e moral encontra seu argumento científico.

O homens, dizem os céticos, não têm influência sobre as mudanças climáticas, que, afirmam, decorrem exclusivamente das forças da natureza em seus ciclos. Portanto, não precisam se preocupar com estes temas.

Os “ecochatos” são um estorvo. São alarmistas que querem impedir o desenvolvimento. Segundo as leis da natureza nada precisa ser feito. Pronto está dada a senha. Quer discurso mais fácil para conquistar a plateia?

Como disse o Alfredo Sirkis num dos debates sobre as mudanças climáticas, há duas ou três décadas era comum médicos se apresentarem em programas de TV e outros veículos de comunicação para negarem os efeitos nocivos do hábito de fumar. Diziam, então, que não havia estudos que os comprovassem.

Os fumantes, mesmo sofrendo com os problemas do vício no próprio corpo, encontravam ali o seu alento. Hoje nem a indústria do fumo, que financiava os médicos, seus estudos e pesquisas, defende a velha posição.

O discurso negacionista é fácil de fazer e confortável de ouvir.

Ruim é sua consequência futura.

 

Postado por ivanaccioly

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Uma cúpula por novas atitudes

Estreio este blog com um texto que escrevi para ser publicado antes do início da Rio +20, o que não foi possível por problemas técnicos. No entanto, o mantive, pois considero que era uma boa reflexão sobre o que nos esperava durante o evento. Ficará aqui no histórico, para pensarmos, depois, se estava com a perspectiva correta pro evento que mobilizou milhões de pessoas em todo o mundo.

Conto, a partir de hoje, com a leitura e participação de todos vocês.

A Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental promete ser um dos mais atraentes dos eventos realizados durante a Rio +20. Longe dos gabinetes oficiais da cúpula governamental formada por chefes de governo e de estado com seus estafes burocráticos, milhares de pessoas (os organizadores falam em 10 mil) se reunirão a partir do dia 15 de junho até 23 no Parque do Flamengo.

Enquanto as autoridades e empresas apostam nos eixos da sustentabilidade e da economia verde, para o futuro do planeta, as entidades optam por vias diversas e creem, por exemplo, que o conceito de economia verde é vilão, pois seria uma farsa empregada pelos mentores do modelo econômico mundial com o intuito de mercantilizar os recursos naturais do planeta. Para a organização da Cúpula será o momento “denunciar as causas da crise socioambiental, apresentar soluçõespráticas e fortalecer movimentos sociais do Brasil e do mundo.” Esses são tidos como os pilares do encontro.

É um debate interessante e necessário. É certo que as soluções que sairão deste encontro não encontrarão, no primeiro momento, condições de aplicação e assimilação pelas nações. Mas sabemos também que mesmo as decisões oficiais, se houver alguma, não têm aplicação assegurada.

O importante da Cúpula dos Povos é o recado consistente que pode ser dado aos governantes de todo o mundo. Por menor que seja o poder de fogo institucional das entidades, o barulho que podem fazer é significativo. Em tempos de redes sociais e mobilizações populares em todo o mundo, a organização de diferentes demandas com a definição de parâmetros e suas sistematizações, pode surtir efeitos concretos e obrigar governos a agirem.

Os organizadores do evento acreditam que surgirão propostas práticas e aplicáveis e partem da premissa de que as soluções para os problemas atuais já existem e são aplicadas por diferentes povos de todo o mundo. Como exemplo a agroecologia, que permite a produção de produtos agrícolas sem ouso de agrotóxicos, não maltrata o solo e gera empregos e renda ao estimular a agricultura familiar. Outra prática é a da economia solidária, que valoriza o capital humano, com base no cooperativismo para a produção de bens e serviços.

Quem passa pelo Parque do Flamengo vê as estruturas sendo montadas para receber gente de todo o mundo, muitos vindos de outros estados e cidades do interior com recursos arrecadados a partir da colaboração individual, a partir de R$10,00. Esses vão se somar aos diferentes grupos que, em conjunto, devem chegar a cerca de 50 mil participantes na cidade. A expectativa é de termos delegações de 183 países, 135 delas lideradas por chefes de Estado ou de governo ou seus vices.

Teremos, portanto, muitas cabeças pensantes com diferentes formações e, com certeza, posições divergentes. A população agradecerá se houver melhorias concretas nas próximas décadas com incorporação de práticas realmente sustentáveis que reflitam na eliminação da miséria acompanhada da preservação da natureza. A política dos quatro “Rs” (reduzir, reutilizar, reciclar e recuperar) é um excelente caminho.

É hora de buscar opções para temas como universalização do uso da água, compatibilizado com a manutenção dos recursos hídricos; para os êxodos populacionais provocados por guerras e catástrofes naturais; para a redução da cobertura florestal, para o aquecimento do clima etc.  A Rio + 20 é a hora de repensar e adotar novas atitudes.

Não temos o direito de desperdiçar esta oportunidade.

Postado por ivanaccioly

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