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Navio parte para reconstrução de base na Antártica no dia 24

No próximo dia 24, sábado, parte para a Antártica o navio polar Ary Rangel, de pesquisa e apoio logístico, com o objetivo ajudar na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, que foi parcialmente destruída por um incêndio no dia 25 de fevereiro deste ano. O investimento total para recuperação da base ficará em cerca de R$ 174milhões. Segundo o contra almirante Marcos Silva Rodrigues, será a maior operação logística realizada no programa antártico brasileiro em seus 30 anos de existência.

Esta será a 31a operação antártica do país. Serão desmontadas e embarcadas de volta para o Brasil cerca de 700 toneladas em ferro, aço e outros resíduos provenientes da antiga estação, numa área de 2,8mil m2. A ação envolve cinco navios, com cerca de 550 pessoas, das quais 200 são pesquisadores. Todo o processo deve ser concluído até março, quando termina o verão no continente, estação iniciada agora em novembro. A partir de então – até o fim de outubro – as condições meteorológicas não permitirão atividades deste tipo.

A retirada dos detritos e escombros começou após o acidente, mas não conseguiu ser concluída antes da chegada do inverno no continente. Com o incêndio foram espalhados produtos tóxicos que estão misturados ao gelo e deverão ser removidos. Em janeiro chegam à unidade 29 novos módulos emergenciais, que abrigarão provisoriamente pessoal e equipamentos até que a nova estação seja construída.

Concurso de arquitetura– Para a definição do projeto da nova estação será realizado um concurso público aberto às empresas de arquitetura brasileiras (que poderão se associar a escritórios internacionais). A escolha será feita a partir de critérios estabelecidos em parceria entre a Marinha e o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), cujo resultado deve ser conhecido até o final de março.  Após será aberto uma licitação internacional para a construção que será realizada no verão de 2013/14.

Marcos Rodrigues destaca que a Marinha realizou ao longo deste ano workshops para ouvir as comunidades científicas envolvidas, tais como pesquisadores e ambientalistas. O almirante afirma que serão incorporadas contribuições que farão com que a estação esteja no “estado da arte” em termos de pesquisa: “Nossa preocupação é de atender às demandas dos especialistas. Vamos trabalhar para mitigar ao máximo os impactos ambientais. Teremos um sistema de tratamento de esgoto de última geração, assim como os materiais de isolamento térmico e o processo de geração de energia, por exemplo. Toda a construção em sinergia com os ministérios da Ciência e Tecnologia, do Meio Ambiente e das comunidades acadêmicas e científicas.”

Operação – A operação já começou deste o final de outubro, quando o navio polar Almirante Maximiano, de pesquisa, foi para a Antartica. Na sequencia foram o navio socorro submarino Felinto Perry e o navio Germânia, este responsável pelo recolhimento do lixo e o Ara San Blas, da marinha argentina, para apoio logístico.

Todo o desmonte será feito sob a coordenação da secretaria da comissão interministerial para os recursos do mar (Secrim), com execução pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e Batalhão de Engenharia dos Fuzileiros Navais e assessorados pelo MMA, Ibama, Cetesb, Fundacentro e IPTU/SP.

Estratégia – A importância do projeto antártico brasileiro se justifica, segundo o almirante, pelo papel estratégico do continente: “Lá estão cerca de 80% da água doce do planeta, uma das maiores reservas de gás do mundo e reservas de 175 minerais.” Segundo o almirante há um inestimável patrimônio a ser estudado. Ele lembra que a história da formação do planeta está ali, congelada: “As camadas mais profundas do gelo guardam nossa história. Dentro das pedras de gelo se formam bolhas de oxigênio. Ao resgatarmos esse gelo podemos verificar como era o ar da atmosfera terrestre a milhões de anos.”

 

Postado por ivanaccioly

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