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Papo de Ambiente – JBlog – Jornal do Brasil

Colapso hídrico e o Ecossocialismo em debate na Câmara de Vereadores do Rio

Em meio à crise de abastecimento de água que nos afeta, surgem opiniões as mais diversas, com diferentes soluções, como a da dessalinização da água do mar, sobre a qual falei aqui no post anterior. São opções que devem ser avaliadas sempre com os devidos descontos dos interesses comerciais de seus desenvolvedores e defensores.

Para a próxima semana, dia 26 de março, às 18 horas, está anunciado um debate que parece ser interessante, “Colapso hídrico e o Ecossocialismo”, na Câmara de Vereadores do Rio. A premissa da convocação é de eu a crise hídrica não é passageira e que está diretamente relacionada ao modelo de desenvolvimento global com a destruição da natureza.

Participarão o físico do clima e professor da Universidade Estadual do Ceará, Alexandre Araújo, o pesquisador da Fiocruz Alexandre Pessoa e os professores Carlos Vainer do IPPUR-UFRJ e Flávia Braga da UFRRJ.

A proposta do debate, que é organizado por dois parlamentares do PSOL, o vereador Renato Cinco e o deputado estadual Flavio Serafini, é discutir a questão da água por um viés político, econômico, social e ambiental alternativo ao vigente atualmente. Vou lá para conferir.  Depois digo o que vi. A entrada é livre.

 

Postado por ivanaccioly

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Crise hídrica: é hora de dessalinização?

Está prevista para o fim deste mês uma conferência sobre dessalinização da água do mar para consumo no Brasil. O encontro vem no rastro da crise hídrica que atinge, além do tradicional nordeste, os estados do sudeste. A ideia de recorrer ao mar já foi levantada pelos governadores do Rio –Pezão- e de São Paulo – Alckmin. Mas será essa a melhor opção? Os custos, comparados com outras iniciativas possíveis no Brasil, a justifica?

O tema deve ser aprofundado. Afinal, nosso desperdício de água tratada para distribuição é absurdo. O professor da Coppe/UFRJ Paulo Canedo, hidrologia, fala numa média de 37% no país. No Rio de Janeiro, 1/3 do total e no Amapá 76%. Na região Norte chega a 50%. Além disso, medidas de uso racional nem são cogitadas. Seja pelos governos, seja pela população em seu cotidiano. As tubulações continuam vazando, as calçadas e carros continuam sendo lavados com mangueiras, as matas ciliares não são protegidas, os solos urbanos são cada vez mais impermeáveis, as águas das chuvas não são aproveitadas, os banhos continuam longos etc etc.

Os defensores do sistema lembram que já há experiências no país, como no caso da ilha de Fernando de Noronha, onde há produção de água potável a partir da água do mar. Mas, nesse caso, as condições geográficas são bem diferentes das encontradas no resto do país. Além do sempre citado exemplo de Israel, também há a dessalinização da água em dezenas de países, que atenderiam hoje há cerca de 300 milhões de pessoas.

Vale lembrar, contudo, que o Brasil conta com 12% da água doce de superfície do mundo, além das reservas de mais de 20 aquíferos, dois entre os maiores do mundo e um bom volume de chuva. Elementos que devem ser avaliados para uma decisão de investimento.

A conferência “Reuso de Água e Dessalinização para o Desenvolvimento da América Latina” será realizada pela Associação Internacional de Dessalinização nos dias 23 e 24 de março no Windsor Atlântica Hotel, no Rio de Janeiro.

Alguns números:

300 milhões de pessoas têm acesso à água potável graças aos métodos de dessalinização.

  • As maiores capacidades instaladas (em milhões de metros cúbicos de água por dia) são: 1º – Arábia Saudita – 13,3; 2º – Estados Unidos – 10,6; 3º – Emirados Árabes – 8,9; 4º – Espanha – 5,8; 5º – China – 4,7; 6º – Kuwait – 2,9; 7º – Austrália – 2,1; 8º – Argélia – 2,1; 9º – Israel – 1,9; 10º – Catar – 1,8; 19º – Brasil – 1,1
  • 2.750 sistemas de dessalinização em poços subterrâneos existem no Brasil. Eles se concentram em 8 estados: Bahia – 32%; Ceará – 18,5%; Pernambuco – 14%; Paraíba – 7,7%; Minas Gerais – 4,7%; Rio Grande do Norte – 5,6%; Piauí – 5,5%; Sergipe – 2%
  • Quanto mais ao sul, mais doce é a água do subsolo
  • No Brasil, o número de sistemas mais que duplicou de 2012 a 2014, passando de 1.200 a 2.750 sistemas de dessalinização.
  • A usina de dessalinização de Fernando de Noronha produz 650 m³ de água potável por dia.
  • 100% da água dessalinizada em Fernando de Noronha é consumida pela população do arquipélago, 2.884 pessoas.
  • Fonte: Superinteressante; Edição 343 – fevereiro de 2015; página 16;Dessalinização de Água

 

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